
Crepsculo - V3 - Eclipse

Stephenie Meyer



PREFCIO
Todos os nossos esforos no subterfgio tinham sido em vo.

Com gelo em meu corao, eu o assisti preparar-se para me defender. Sua intensa concentrao no traa sinais de dvida, apesar de ele estar em maior nmero. Eu
sabia que ns no podamos esperar por ajuda - nesse momento, a famlia dele estava lutando por sua vida tanto quanto certamente ele estava pelas nossas.
Eu alguma vez descobriria o resultado daquela outra luta? Descobriria quem foram os vencedores e os perdedores? Eu viveria o bastante para isso?
As probabilidades disso no pareciam muito grandes.
Olhos negros, loucos com sua nsia feroz pela minha morte, vista no momento em que a ateno do meu protetor se desviasse. O momento em que eu certamente morreria.
Em algum lugar longe, longe na floresta fria, um lobo uivou.

1. Ultimato
Traduzido pela Ary
(Obs.: O texto sublinhado , na verdade, riscado.)
Bella,
Eu no sei por que voc est fazendo Charlie passar bilhetinhos pra Billy como se estivssemos na 2 srie - se eu quisesse falar com voc eu teria respondido o
Foi voc quem fez a escolha aqui, Ok?
Voc no pode ter as duas coisas quando
Que parte de 'inimigos mortal' voc no
Olha, eu sei que eu estou sendo um idiota, mas no existe outra forma de
Ns no podemos ser amigos enquanto voc est passando o seu tempo com um bando de
Pensar de mais em voc s deixa as coisas piores, ento no escreva mais
, eu sinto a sua falta tambm. Muito. Isso no muda nada.
Desculpe,
Jacob.
Eu passei os meus dedos pela pgina, sentindo as marcas onde ele havia pressionado a caneta no papel com tanta fora que ele quase rasgou. Eu podia imagin-lo escrevendo
isso - desenhando as letras raivosas com a sua escrita spera, riscando linha aps linha quando as palavras saam erradas, talvez at fazendo a caneta quebrar em
sua mo grande demais; isso explicaria as manchas de tinta.
Eu podia imaginar a frustrao fazendo as sobrancelhas dele se apertarem e enrugando a sua testa. Se eu estivesse l, eu teria sorrido. No tenha uma hemorragia
cerebral, Jacob, eu teria dito a ele. Bota tudo pra fora logo.
Rir era a ltima coisa que eu tinha vontade de fazer enquanto relia as palavras que eu quase j tinha memorizado. A resposta dele ao meu bilhete de alegaes - passado
de Charlie pra Billy pra ele, exatamente como na segunda srie, como ele apontou - no era surpresa. Eu j sabia a essncia do que ele ia dizer antes de abri-lo.
O que mais me surpreendia era o quanto aquelas linhas rabiscadas haviam me machucado - como se a ponta das letras tivessem superfcies cortantes. Mais do que isso,
por trs de cada palavra raivosa se escondia uma piscina de dor; a dor de Jacob me cortou mais profundamente do que a minha prpria.
Enquanto eu estava pensando nisso, eu senti o cheiro inconfundvel de alguma coisa queimando na cozinha.
Em outra casa, o fato de que algum que no fosse eu estava cozinhando no causaria muito pnico.
Eu enfiei o papel amassado no meu bolso de trs e sa correndo. Eu cheguei ao fim das escadas quase sem tempo. O recipiente de molho de espaguete que Charlie tinha
enfiado no microondas estava apenas no incio da revoluo quando eu abri a porta e o tirei de l.
"O que eu fiz de errado?", Charlie quis saber.
"Voc tinha que ter tirado a tampa antes, pai. Metal no  bom em microondas." Eu rapidamente removi a tampa enquanto falava, derramei metade do molho em uma tigela,
depois coloquei a tigela de volta no microondas e guardei o resto de volta no congelador; eu arrumei o tempo e apertei o boto start.
Charlie observou os meus arranjos com os lbios torcidos.
"Eu fiz o macarro direito?"
Eu olhei para a panela no fogo - a fonte do cheiro que havia me alertado.
"Mexer ajuda", eu disse  meia voz. Eu encontrei uma colher e tentei desgrudar a massa que estava pegada no fundo.
Charlie suspirou.
"Ento, pra que  tudo isso?", eu perguntei a ele.
Ele cruzou os braos no peito e olhou, pela janela dos fundos, para a chuva caindo.
"Eu no sei do que voc est falando", ele rosnou.
Eu estava confusa. Charlie cozinhando? Qual era o motivo da sua atitude ranzinza?
Edward ainda no estava aqui; geralmente Charlie guardava esse tipo de atitude para o meu namorado, fazendo o melhor que podia para ilustrar o tema "mal vindo" com
palavras e postura. Os esforos de Charlie eram desnecessrios - Edward j sabia exatamente o que o meu pai estava pensando sem esse show.
A palavra "namorado" me fez mordiscar a minha bochecha pelo lado interior com uma tenso familiar enquanto eu me movia. No era a palavra certa, nem um pouco. Eu
precisava de uma palavra mais expressiva pra comprometimento eterno... Mas palavras como destino e fado pareciam estranhas quando voc as usava numa conversa convencional.
Edward tinha outra palavra em mente, e essa palavra era a fonte da tenso que eu sentia.
Os meus dentes se apertavam s de pensar na palavra.
Noiva. Ugh. Eu me afastei do pensamento.
"Eu perdi alguma coisa? Desde quando voc faz o jantar?", eu perguntei a Charlie. A massa grudenta boiava na gua borbulhante enquanto eu a cutucava. "Ou ser que
eu devo dizer 'tenta' fazer o jantar?"
Charlie levantou os ombros.
"No h nenhuma lei que diga que eu no posso cozinhar em minha prpria casa."
" voc quem sabe", eu respondi sorrindo, enquanto olhava para o distintivo no seu casaco de couro.
"Ha. Essa foi boa." Ele tirou a jaqueta como se o meu olhar tivesse feito ele se lembrar que ainda estava usando o casaco e pendurou-o no gancho reservado para o
seu cinto. Seu cinto de armas j estava pendurado no lugar - ele no tinha a necessidade de us-lo para ir  delegacia por algumas semanas. No houve mais desaparecimentos
perturbadores pra atrapalhar a pequena cidade de Forks, em Washington, nada de vises de lobos gigantescos, misteriosos, nas florestas chuvosas...
Eu cutucava o macarro em silncio, imaginando que Charlie falaria sobre o que quer que estivesse incomodando-o quando ele achasse que estava na hora. Meu pai no
era um homem de muitas palavras, e o esforo desastroso de orquestrar um jantar feito por ele deixou muito claro que ele estava com um nmero estranho de palavras
em sua cabea.
Eu olhei pra o relgio rotineiramente - uma coisa que eu fazia todos os dias nessa hora. Agora faltava menos de meia hora. As tardes eram a parte mais difcil do
meu dia. Desde que o meu ex melhor amigo (e lobisomem), Jacob Black, me dedurou sobre a moto que eu andava guiando - um castigo que ele havia arquitetado pra que
eu no pudesse passar tempo com o meu namorado (e vampiro), Edward Cullen - Edward s tem permisso de me ver at as nove e meia da noite, sempre nos confins da
minha casa e sob a superviso do olhar infalivelmente mal-humorado do meu pai.
Essa era s uma pequena parcela do castigo anterior que eu recebi por ter desaparecido trs dias sem explicar e pelo episdio do mergulho do penhasco.
 claro, eu ainda via Edward na escola, porque ainda no havia nada que Charlie pudesse fazer em relao a isso. E depois, Edward passava quase todas as noites no
meu quarto tambm, mas Charlie no estava precisamente consciente disso. A habilidade de Edward de escalar rpida e silenciosamente a minha janela no segundo andar
era quase to til quanto a habilidade dele de ler a mente de Charlie.
Apesar de as tardes serem a nica hora que eu passava longe de Edward, isso j era o suficiente pra me deixar impaciente, e as horas sempre se arrastavam. Mesmo
assim, eu agentava o meu castigo sem reclamar porque - pra comear - eu sabia que tinha merecido, e - pra terminar - porque eu sabia que no podia machucar o meu
pai me mudando agora, quando uma separao muito mais permanente se aproximava, invisvel pra Charlie, perto no horizonte.
Meu pai se sentou na mesa com um jornal desdobrado e amassado que havia l; dentro de segundos ele j estava estalando a lngua de desaprovao.
"Eu no sei pra qu voc l o jornal, pai. Ele s te tira do srio."
Ele me ignorou, rosnando para o papel em suas mos.
" por isso que todo mundo quer viver em cidades pequenas. Ridculo!"
"O que foi que as cidades grandes fizeram de errado agora?"
"Seattle est entrando para a lista das cidades com mais crimes do pas. Cinco homicdios sem soluo nas ltimas duas semanas. Voc pode imaginar viver assim?"
"Na verdade, eu acho que Phoenix est mais no topo da lista, pai. Eu vivi assim."
Eu nunca havia chegado perto de ser uma vtima de assassinato antes de vir pra essa pequena cidade segura. Na verdade, eu ainda estava em muitas das listas de perigo...
A colher balanou nas minhas mos, fazendo a gua tremer.
"Bem, voc no me pagaria o suficiente", Charlie disse.
Eu desisti de salvar o jantar e me sentei pra servi-lo; eu tive que usar uma faca de carne pra cortar uma poro do espaguete pra mim e pra Charlie, enquanto ele
observava com uma expresso tmida. Charlie cobriu o seu com molho pra ajudar e comeou a escavar. Eu disfarcei o meu com o molho da melhor forma que pude e segui
o exemplo dele, sem muito entusiasmo. Ns comemos em silncio por algum tempo. Charlie ainda estava vasculhando as notcias, ento eu peguei a minha cpia muito
abusada de O morro dos ventos uivantes de onde eu havia deixado-a no caf da manh e tentei me perder na Inglaterra da virada do sculo, enquanto eu esperava que
ele comeasse a falar.
Eu estava exatamente na parte do retorno de Heathcliff quando Charlie limpou a garganta e jogou o jornal no cho.
"Voc est certa", Charlie disse. "Eu tenho uma razo pra ter feito isso." Ele acenou com o garfo na direo da mistura grudenta. "Eu queria falar com voc."
Eu coloquei o livro de lado; a encadernao estava to destruda que ela ficou plana na mesa.
"Voc podia ter s pedido."
Ele balanou a cabea, as sobrancelhas juntas.
". Eu vou lembrar disso da prxima vez. Eu pensei que te livrar de fazer o jantar ia te amaciar."
Eu ri.
"Deu certo - seus talentos culinrios me deixaram molinha feito marshmallow. Do que voc precisa, pai?"
" sobre Jacob."
Eu senti meu rosto endurecer.
"O que tem ele?", eu perguntei atravs dos lbios rgidos.
"Calma, Bells. Eu sei que voc ainda est brava porque ele te dedurou, mas foi a coisa certa. Ele estava sendo responsvel."
"Responsvel", eu repeti agudamente, rolando os meus olhos. "Certo. Ento, o que tem Jacob?"
A pergunta sem importncia repetida na minha cabea no era nada alm do trivial.
O que tem Jacob? O que eu ia fazer em relao a ele? Meu ex-melhor amigo que agora era... o que? Meu inimigo? Eu vacilei.
O rosto de Charlie de repente estava cauteloso.
"No fique brava comigo, ok?"
"Brava?"
"Bem,  sobre Edward tambm."
Meus olhos se estreitaram.
A voz de Charlie ficou mais spera.
"Eu deixo ele entrar em casa, no deixo?"
"Voc deixa", eu admiti. "Por breves perodos de tempo.  claro, voc tambm me deixa sair de casa por breves perodos de vez em quando", eu continuei - s de piada,
eu sabia que ficaria presa enquanto durasse o perodo escolar. "Eu tenho sido muito boazinha ultimamente."
"Bem,  mais ou menos a que eu queria chegar com isso..." E depois o rosto de Charlie se arreganhou num sorriso inesperado; por um segundo ele pareceu ser vinte
anos mais jovem.
Eu vi o fraco brilho de uma possibilidade naquele sorriso, mas eu prossegui lentamente.
"Eu estou confusa, pai. Ns estamos falando sobre Jacob, Edward ou sobre o meu castigo?"
O sorriso dele brilhou de novo.
"Um pouco dos trs."
"E como eles se relacionam?", eu perguntei, cuidadosa.
"Tudo bem", ele suspirou, erguendo as mos como se estivesse se rendendo. "Ento eu acho que talvez voc merea uma condicional por bom comportamento. Para uma adolescente,
voc  incrivelmente no-reclamona."
Minha voz e minhas sobrancelhas levantaram.
"Srio? Eu estou livre?"
De onde foi que isso veio? Eu pensei que fosse ficar trancada em casa at me mudar de fato, e Edward no havia registrado nenhuma mudana nos pensamentos de Charlie...
Charlie levantou um dedo.
"Condicionalmente."
O entusiasmo desapareceu.
"Fantstico", eu gemi.
"Bella, isso  mais um pedido do que uma ordem, ok? Voc est livre. Mas eu espero que voc use essa liberdade mais... judicialmente."
"O que isso significa?"
Ele suspirou de novo.
"Eu sei que voc fica satisfeita passando todo o seu tempo com Edward -"
"Eu passo tempo com Alice tambm", eu interferi. A irm de Edward no tinha horrios para visita; ela ia e vinha quando bem entendia. Charlie era como pudim nas
mos capazes dela.
"Isso  verdade", ele disse. "Mas voc tem outros amigos alm dos Cullen, Bella. Ou costumava ter."
Ns encaramos um ao outro por um momento.
"Quando foi a ltima vez que voc falou com Angela Weber?", ele jogou pra mim.
"Sexta no almoo", eu respondi imediatamente.
Antes da volta de Edward, os meus amigos da escola haviam se polarizado em dois grupos. Eu gostava de pensar neles como grupos de bem vs. mau. Ns e eles funcionava
tambm. Os mocinhos eram Angela, seu namorado Ben Cheney e Mike Newton; esses trs haviam muito generosamente me perdoado quando eu enlouqueci porque Edward foi
embora. Lauren Mallory era a lder do lado deles, e quase todo mundo, incluindo minha primeira amiga em Forks, Jessica Stanley, parecia seguir a agenda Anti-Bella
dela contentemente.
Com Edward de volta a escola, a linha de diviso havia ficado ainda mais distinta. O retorno de Edward havia cobrado um certo pedgio a Mike, mas Angela era inquestionavelmente
leal, e Ben a seguia. A despeito da averso natural que a maioria dos humanos sentia pelos Cullen, Angela sentava-se obrigatoriamente ao lado de Alice todos os dias
no almoo. Depois de alguns dias, Angela at comeou a parecer confortvel l. Era difcil no se encantar pelos Cullen - quando voc dava a um deles a chance de
ser encantador.
"Fora da escola?", Charlie perguntou, chamando minha ateno de volta.
"Eu no tenho visto ningum fora da escola, pai. De castigo, lembra? E Angela tem um namorado tambm. Ela est sempre com Ben. Se eu realmente estou livre", eu adicionei,
pegando pesado no ceticismo, "talvez possamos sair em casais."
"Tudo bem, mas ento...", ele hesitou. "Voc e Jake costumavam fazer tudo juntos, e agora -"
Eu cortei ele.
"D pra voc chegar no ponto, pai? Qual  a sua condio - exatamente?"
"Eu no acho que voc deveria abandonar os seus amigos pelo seu namorado, Bella", ele disse numa voz dura. "No  legal, e eu acho que a sua vida estaria mais bem
balanceada se houvessem mais algumas pessoas nela. O que aconteceu Setembro passado..." Eu vacilei. "Bem", ele disse defensivamente. "Se voc tivesse uma vida alm
de Edward Cullen, as coisas podiam no ter sido daquele jeito."
"Teria sido exatamente daquele jeito", eu murmurei.
"Talvez sim, talvez no."
"O ponto?", eu lembrei ele.
"Use a sua liberdade pra ver os seus outros amigos tambm. Equilibre as coisas."
Eu balancei a cabea lentamente.
"Equilbrio  bom. No entanto, eu tenho cotas de tempo pra seguir?"
Ele fez uma cara, mas balanou a cabea.
"Eu no quero complicar as coisas. S no esquea os seus amigos - particularmente Jacob."
Eu levei algum tempo pra encontrar as palavras certas.
"Jacob pode ser... difcil."
"Os Black so praticamente da famlia, Bella", ele disse, dura e paternalmente de novo. "E Jacob foi um amigo muito, muito bom pra voc."
"Eu sei disso."
"Voc no sente nem um pouco de saudades dele?", Charlie perguntou, frustrado.
Minha garganta pareceu inchar de repente; eu tive que limp-la duas vezes antes de responder.
"Sim, eu sinto saudades dele", eu admiti, ainda olhando pra baixo. "Eu sinto muita falta dele."
"Ento por que  to difcil?"
Isso no era uma coisa que eu tinha liberdade de explicar. Era contra as regras para as pessoas normais - pessoas humanas como eu e Charlie - saber sobre o mundo
clandestino, cheio de mitos e monstros, que existia secretamente ao nosso redor. Eu sabia sobre esse mundo - e eu tinha uma pequena poro de problemas como resultado.
Eu no ia envolver Charlie nos mesmos problemas.
"Com Jacob existe um... conflito", eu disse solenemente. "Eu quero dizer, um conflito sobre a coisa da amizade. Amizade no parece ser o suficiente pra Jake."
Eu inventei a minha desculpa baseada em fatos que eram verdadeiros, mas insignificantes, dificilmente to cruciais se comparados com o fato de que o bando de lobisomens
de Jake odiava amargamente a famlia vampira de Edward - e, portanto, eu tambm, j que eu estava inteiramente intencionada a me juntar a essa famlia. No era uma
coisa que eu podia resolver com ele atravs de um bilhete, e ele no atendia os meus telefonemas.
Mas o meu plano de ir lidar pessoalmente com o lobisomem definitivamente no havia calhado bem com os vampiros.
"Ser que Edward no est a fim de um pouco de competio saudvel?", a voz de Charlie estava sarcstica agora.
Eu olhei pra ele com um olhar obscuro.
"No tem competio."
"Voc est machucando os sentimentos de Jake evitando-o desse jeito. Ele iria preferir ser seu amigo do que nada."
Oh, agora era eu que o estava evitando?
"Eu tenho certeza absoluta que Jake no quer amizade de jeito nenhum." As palavras queimaram na minha boca. "Afinal, de onde foi que voc tirou essa idia?"
Agora Charlie parecia envergonhado.
"O assunto pode ter aparecido hoje com Billy..."
"Voc e Billy fofocam como mulheres velhas", eu reclamei, espetando o meu garfo violentamente no espaguete congelado no meu prato.
"Billy est preocupado com Jacob", Charlie disse. "Jake est passando por um momento difcil agora... Ele est deprimido."
Eu gemi, mas mantive os meus olhos na gororoba.
"E, alm do mais, voc ficava to feliz depois de passar o dia com Jake", Charlie suspirou.
"Eu estou feliz agora", eu rosnei ferozmente por entre os dentes.
O contraste entre as minhas palavras e o tom que eu usei quebrou a tenso. Charlie comeou a rir, e eu me juntei a ele.
"Ok, ok", eu concordei. "Equilbrio."
"E Jacob", ele insistiu.
"Eu vou tentar".
"Bom. Encontre esse equilbrio, Bella. E, oh, , voc tem correspondncia", Charlie disse, fechando o assunto sem muitas dificuldades. "Est no balco."
Eu no me movi, meus pensamentos se moviam como espirais ao redor do nome de Jacob. Provavelmente era s correspondncia boba; eu havia acabado de receber um pacote
da minha me e no estava esperando mais nada.
Charlie empurrou a sua cadeira pra trs e se espreguiou enquanto ficava de p. Ele levou seu prato para a pia, mas antes de ligar a gua pra lav-lo, ele pausou
e jogou um envelope grosso pra cima de mim. A carta escorregou pela mesa e deu um choque no meu cotovelo.
"Er, obrigada", eu murmurei, confusa pela insistncia dele. A eu vi o endereo do remetente - a carta era da universidade do Sudeste do Alaska.
"Isso foi rpido. Eu pensei que havia perdido o prazo de entrega dessa tambm."
Charlie gargalhou.
Eu virei o e
nvelope e olhei pra ele.
"Est aberto."
"Eu estava curioso."
"Eu estou chocada, xerife. Isso  um crime federal."
"Oh, leia logo."
Eu puxei a carta pra fora e encontrei uma agenda dobrada dos cursos.
"Parabns", ele disse antes que eu pudesse ler alguma coisa. "Sua primeira aceitao."
"Obrigada, pai."
"Ns deveramos falar sobre o custeamento. Eu tenho algum dinheiro economizado -"
"Ei, ei, nada disso. Eu no vou tocar na sua aposentadoria, pai. Eu tenho os meus fundos para a faculdade." O que restava dele - que j no era muito no comeo.
Charlie fez uma carranca.
"Alguns desses lugares so muito caros, Bella. Eu quero ajudar. Voc no tem que ir para o Alaska s porque  mais barato."
No era mais barato, nem um pouco. Mas era longe, e Juneau tinha um normal de trezentos e vinte e um dias nublados por ano. O primeiro era o meu pr-requisito, o
segundo era o de Edward.
"Eu j tenho tudo coberto. Alm do mais, tem um monte de auxlios financeiros por a.  fcil ganhar emprstimos." Eu esperava que o meu blefe no fosse bvio demais.
Eu no tinha feito muitas pesquisas sobre o assunto.
"Ento...", Charlie comeou, e ento ele contorceu os lbios e desviou o olhar.
"Ento o que?"
"Nada. Eu s estava..." Ele fez uma carranca. "S me perguntando quais... quais so os planos de Edward para o ano que vem."
"Oh."
"Ento?"
As trs batidas rpidas na porta me salvaram. Charlie revirou os olhos enquanto eu pulava pra ficar de p.
"J vou!", eu gritei enquanto Charlie murmurava alguma coisa parecida com "V embora". Eu o ignorei e segui em frente pra deixar Edward entrar.
Eu tirei a porta do caminho - ridiculamente ansiosa - e l estava ele, o meu milagre pessoal.
O tempo no me fez imune  perfeio do rosto dele, e eu tinha certeza de que nunca iria me acostumar com nenhum dos aspectos dele. Meus olhos observaram suas feies
plidas: sua dura mandbula quadrada, a curva mais suave dos seus lbios cheios - que agora estavam curvados pra cima num sorriso, a linha reta do nariz dele, o
ngulo das mas do rosto dele, a envergadura da sua testa macia de mrmore - parcialmente obscurecida por uma mecha de cabelos cor de bronze escurecidos pela chuva...
Eu deixei seus olhos por ltimo, sabendo que quando eu olhasse dentro deles haveria uma grande possibilidade de eu perder a linha de raciocnio. Eles estavam grandes,
quentes com um dourado derretido, e moldados por uma linha de clios grossos. Olhar dentro dos olhos dele sempre faziam eu me sentir extraordinria - como se os
meus ossos estivessem como esponja. Eu tambm ficava com a cabea meio leve, mas isso podia ser porque eu esquecia de respirar. De novo.
Era o rosto pelo qual qualquer modelo daria a sua alma pra ter.  claro, esse podia ser exatamente o preo pedido: uma alma.
No. Eu no acreditava nisso. Eu me sentia culpada s de pensar nisso, e eu estava feliz - assim como estava frequentemente feliz - por ser a nica pessoa cujos
pensamentos eram um mistrio pra Edward.
Eu inclinei minha mo e suspirei quando os dedos frios dele encontraram os meus. O toque dele trouxe a sensao mais estranha de alvio - como se eu estivesse sentindo
dor e essa dor houvesse cessado de repente.
"Oi", eu sorri um pouco com a minha saudao anti-climtica.
Ele ergueu as nossas mos entrelaadas pra tocar a minha bochecha com as costas da mo dele.
"Como foi a sua tarde?"
"Lenta."
"Pra mim tambm."
Ele puxou o meu pulso para o rosto dele, nossas mos ainda entrelaadas. Os olhos dele se fecharam enquanto o nariz dele alisava a pele de l, e ele sorriu gentilmente
sem abri-los. Aproveitando o buqu enquanto resistia ao vinho, como ele havia colocado uma vez.
Eu sabia que o cheiro do meu sangue - muito mais doce pra ele do que o cheiro do sangue de qualquer outra pessoa, realmente como o vinho em vez de gua para um alcolatra
- causava a ele verdadeira dor pela sede que acarretava. Eu podia apenas imaginar o esforo Herculano por trs desse simples gesto. Eu fiquei triste por ele ter
que tentar tanto. Eu me confortei com o fato de que eu no causaria mais dor a ele por muito tempo.
Nessa hora eu ouvi Charlie se aproximando, batendo os ps no caminho com o seu desprazer de costume com a nossa visita. Edward abriu os olhos e deixou as nossas
mos carem, mantendo-as entrelaadas.
"Boa noite, Charlie", Edward era sempre impecavelmente educado, apesar de Charlie no merecer isso. Charlie grunhiu pra ele e ficou em p onde estava, com os braos
cruzados no peito. Ele estava levando o conceito de superviso paterna aos extremos ultimamente.
"Eu trouxe outras inscries", Edward me disse nessa hora, levantando um bolo de papis envelopados. Ele estava usando um rolo de selos como se fosse um anel no
seu dedo mindinho.
Eu gemi. Como  que podiam ainda haver faculdades s quais ele j no tivesse me obrigado a me inscrever? Como  que ele continuava encontrando essas vagas em aberto?
O ano j estava muito atrasado.
Ele sorriu como se pudesse ler os meus pensamentos; eles deviam estar bvios no meu rosto.
"Ainda haviam prazos de inscrio em aberto. E alguns lugares a fim de fazer excees..."
Eu podia imaginar as motivaes pra essas excees. E os montes de dlares envolvidos. Edward riu da minha expresso.
"Vamos l?", ele perguntou, me levando em direo  mesa da cozinha.
Charlie ficou mal-humorado e seguiu atrs, apesar de ele no poder reclamar da agenda de atividades de hoje. Ele vivia me enchendo pra tomar uma deciso sobre a
faculdade todos os dias.
Eu limpei a mesa rapidamente enquanto Edward organizava uma pilha intimidante de formulrios. Quando eu movi O morro dos ventos uivantes pra cima do balco, Edward
ergueu uma sobrancelha.
Eu sabia o que ele estava pensando, mas Charlie interrompeu antes que Edward pudesse comentar.
"Falando em inscries para a faculdade, Edward", Charlie disse, seu tom ainda mais solene - ele tentava evitar se dirigir pra Edward diretamente, e, quando ele
tinha que faz-lo, isso exacerbava o seu humor. "Bella e eu estvamos falando sobre o ano que vem. Voc j decidiu onde vai estudar?"
Edward sorriu pra Charlie e a voz dele estava amigvel.
"Ainda no. Eu recebi algumas cartas de aceitao, mas eu ainda estou pensando as minhas opes."
"Onde voc foi aceito?", Charlie pressionou.
"Syracuse... Harvard... Dartmouth... e eu acabei de ser aceito na faculdade do Sudeste do Alaska hoje."
Edward virou levemente a sua cabea pra o lado pra poder piscar pra mim. Eu prendi uma gargalhada.
"Harvard? Dartmouth?", Charlie murmurou, incapaz de esconder a sua admirao. "Bem, isso  muito... isso  interessante. , mas a Universidade do Alaska... voc
realmente est considerando isso quando pode ir para a Ivy League? Quer dizer, o seu pai iria querer que..."
"Carlisle sempre est de acordo com qualquer escolha que eu fizer", Edward disse a ele serenamente.
"Hmph."
"Adivinhe, Edward?", eu pedi com uma voz brilhante, entrando na brincadeira.
"O que, Bella?"
Eu apontei para o grosso envelope no balco.
"Eu acabei de receber a minha carta de aceitao da Universidade do Alaska!"
"Parabns", ele deu um sorriso largo. "Que coincidncia."
Os olhos de Charlie se estreitaram e ele olhou pra frente e pra trs entre ns.
"T bom", ele murmurou depois de um minuto. "Eu vou assistir o jogo, Bella. Nove e meia."
"Er, pai? Lembra o que ns discutimos sobre a minha liberdade...?"
Ele suspirou.
"Certo. Ok, dez e meia. Voc ainda tem o toque de recolher nas noites de aula."
"Bella no est mais de castigo?", Edward perguntou. Apesar de saber que ele no estava realmente surpreso, eu no consegui detectar nenhum sinal de falsa excitao
na voz dele.
"Condicionalmente", Charlie corrigiu atravs dos dentes. "O que voc tem com isso?"
Eu fiz uma carranca para o meu pai, mas ele no viu.
"S  bom saber", Edward disse. "Alice est louca pra arranjar uma parceira de compras, e eu tenho certeza de que Bella adoraria ver as luzes da cidade", ele sorriu
pra mim.
Mas Charlie rosnou.
"No!", e o rosto dele ficou roxo.
"Pai! Qual  o problema?"
Ele fez um esforo pra destrincar os dentes.
"Eu no quero que voc v a Seattle agora."
"Huh?"
"Eu te disse sobre a histria no jornal - tem alguma espcie de gangue fazendo uma matana em Seattle e eu quero que voc mantenha a distncia, ok?"
Eu rolei os meus olhos.
"Pai, existe uma chance maior de eu ser atingida por um raio do que eu passar um dia em Seattle e -"
"No, est tudo bem, Charlie", Edward disse, me interrompendo. "Eu no me referia a Seattle. Eu estava pensando em Portland, na verdade. Eu tambm no levaria Bella
a Seattle.  claro que no."
Eu olhei pra ele sem acreditar, mas ele estava com o jornal de Charlie nas mos e lia a primeira pgina atentamente.
Ele devia estar tentando aplacar o meu pai. A idia de estar em perigo mesmo por causa do mais letal dos humanos estando na companhia de Alice ou Edward era hilria.
Funcionou. Charlie olhou pra Edward por mais ou segundo, e depois levantou os ombros.
"Tudo bem." Ele saiu na direo da sala de estar, agora com um pouco de pressa - talvez ele no quisesse perder o incio do jogo.
Eu esperei at que a TV estivesse ligada, pra que Charlie no pudesse me ouvir.
"O que -", eu comecei a perguntar.
"Espere", Edward disse sem tirar os olhos do jornal. Os olhos dele continuaram focados na primeira pgina enquanto ele empurrava a primeira inscrio na minha direo
pela mesa. "Eu acho que voc pode reutilizar os seus ensaios nessa. As mesmas perguntas."
Charlie ainda devia estar ouvindo. Eu suspirei e comecei a responder as perguntas repetitivas: nome, endereo, social... Depois de alguns minutos, eu olhei pra cima,
mas agora Edward estava olhando perseverantemente pela janela.
Enquanto eu baixava a minha cabea de volta para o meu trabalho, eu percebi pela primeira vez o nome da escola.
Eu bufei e coloquei os papeis de lado.
"Bella?"
"Fala srio, Edward. Dartmouth?"
Edward levantou as inscries descartadas e as colocou gentilmente na minha frente novamente.
"Eu pensei que voc gostaria de New Hampshire", ele disse. "H muitas coisas pra eu fazer durante a noite, e as florestas esto convenientemente localizadas para
os praticantes vidos de caminhadas. Bastante vida selvagem." Ele deu o riso torto ao qual ele sabia que eu no podia resistir.
Eu respirei profundamente pelo nariz.
"Eu deixo voc pagar, se isso te deixa feliz", ele prometeu. "Se voc quiser, eu posso custear o seu interesse."
"Como se eu fosse conseguir entrar sem um enorme suborno. Ou isso foi parte do emprstimo? Uma nova ala dos Cullen para a biblioteca? Ugh! Por que  que estamos
tendo essa discusso de novo?"
"Ser que d pra voc responder a inscries, por favor, Bella? Se inscrever no vai te machucar."
Minha mandbula flexionou-se.
"Quer saber? Eu no acho que v."
Eu peguei os papis, planejando coloc-los numa pilha que coubesse direitinho na lata de lixo, mas eles j tinham desaparecido. Eu olhei para a mesa vazia por um
momento, e depois pra Edward. Ele no parecia ter se movido, mas as inscries provavelmente j estavam enfiadas embaixo do casaco dele.
"O que voc est fazendo?", eu quis saber.
"Eu sei assinar o seu nome melhor que voc. Voc j escreveu os ensaios."
"Voc est indo longe demais com isso, sabe", eu sussurrei, pela chance improvvel de que Charlie no estivesse completamente compenetrado em seu jogo. "Eu no preciso
me inscrever pra nada. Eu j fui aceita no Alaska. Eu quase j posso pagar pelo primeiro ms de estudos. Ele  um libi to bom quanto qualquer outro. No h necessidade
de jogar fora um bolo de dinheiro, no importa de quem ele seja."
Um olhar de dor espremeu o rosto dele.
"Bella -"
"No comece. Eu concordo que eu tenha que passar por essas fases por Charlie, mas ns dois sabemos que eu no estarei em condies de estudar no prximo outono.
Ficar perto de pessoas."
Meu conhecimento desses primeiros anos como vampira eram incompletos. Edward nunca entrava nos detalhes - esse no era o assunto favorito dele -, mas eu sabia que
no era nada bonito. Auto-controle aparentemente era uma habilidade requerida. Qualquer coisa que no estivesse ligada a escola por correspondncia estava fora de
questo.
"Eu pensei que o timing ainda no estivesse decidido", Edward me lembrou suavemente. "Voc pode gostar de um semestre ou dois na faculdade. Ainda existem muitas
experincias humanas que voc nunca teve."
"Eu irei viv-las depois."
"Depois elas no sero experincias humanas. Voc no ter uma segunda chance para a humanidade, Bella."
Eu suspirei.
"Voc precisa ser razovel com o tempo, Edward.  muito perigoso brincar com ele."
"No h perigo ainda", ele insistiu.
Eu encarei-o. Sem perigo? Claro. Eu s tinha uma vampira sdica me perseguindo pra vingar a morte do parceiro dela com a minha prpria morte, preferivelmente utilizando
usando algum mtodo lento e torturante. Quem estava preocupado com Victoria? E, oh, , os Volturi - a famlia real de vampiros com o seu pequeno exrcito de guerreiros
vampiros - que insistiam em fazer meu corao parar de bater de uma forma ou de outra num futuro prximo, porque nenhum humano tinha permisso de saber que eles
existiam. Certo. Absolutamente nenhuma razo pra entrar em pnico.
Mesmo com Alice continuando a observar - Edward estava se valendo das suas vises apuradas do futuro pra nos dar um aviso -, era uma insanidade contar com a sorte.
Alm do mais, eu j tinha ganhado essa discusso. A data para a minha transformao estava tentadoramente marcada pra pouco depois da minha formatura no segundo
grau, em apenas algumas semanas.
Uma afiada pontada de enjo perfurou meu estmago quando eu percebi o quo curto o tempo realmente era. Claro que esta mudana era necessria -  a chave para o
que eu mais quero que tudo no mundo reunido - mas eu estava profundamente consciente de Charlie, sentado no outro quarto desfrutando o jogo dele, s ao vivo a cada
duas noites. E minha me, Renee, longe na Flrida ensolarada, que ainda suplica para eu passar o vero na praia com ela e o novo marido dela.
E Jacob, que, diferente dos meus pais, saberia exatamente o que ia acontecer comigo quando eu desaparecesse para alguma escola distante. Se os meus pais no ficassem
suspeitando depois de muito tempo, mesmo que eu pudesse evitar visitas com desculpas sobre custos da viagem, muito pra estudar ou doena, Jacob saberia da verdade.
Por um momento, a dor da repulsa de Jacob ultrapassou qualquer outra dor.
"Bella", Edward murmurou, o rosto dele se contorcendo quando ele leu a angstia no meu. "No tem pressa. Eu no vou deixar ningum te machucar. Voc pode usar de
todo o tempo que precisar."
"Eu quero me apressar", eu sussurrei, sorrindo fracamente, tentando fazer piada do assunto. "Eu quero ser um monstro tambm."
Os dentes dele se trincaram; ele falou entre eles.
"Voc no faz idia do que est dizendo." Abruptamente ele jogou o jornal amassado na mesa entre ns. Os dedos dele bateram na linha principal na primeira pgina:
CRESCE O NDICE DE MORTE, POLCIA TEME ATIVIDADE DE GANGUE
"O que isso tem a ver com alguma coisa?"
"Monstros no so uma piada, Bella."
Eu olhei para a manchete de novo, e depois para a sua expresso dura.
"Um... vampiro est fazendo isso?", eu sussurrei.
Ele sorriu sem humor, sua voz estava baixa e fria.
"Voc ficaria surpresa, Bella, por saber o quo frequentemente a minha espcie est envolvida nessas horrorosas manchetes humanas.  fcil reconhecer, quando voc
sabe o que procurar. A informao aqui indica que h um vampiro recm nascido em Seattle. Sedento por sangue, selvagem, fora de controle. Do jeito que todos ns
somos."
Eu deixei os meus olhos carem para o papel de novo, evitando os olhos dele.
"Ns estivemos monitorando a situao por algumas semanas. Todos os sinais esto a - os desaparecimentos improvveis, os cadveres mal dispostos, a falta de outras
provas... Sim, algum ainda novo. E ningum parece estar se responsabilizando pelo nefito...", ele respirou fundo. "Bem, no  problema nosso. Ns nem prestaramos
ateno nessa situao se no fosse to prximo de casa. Como eu disse, isso acontece o tempo inteiro. A existncia de monstros resulta em conseqncias monstruosas."
Eu tentei no ver os nomes na pgina, mas eles se destacavam das outras palavras na folha como se estivessem em negrito. As cinco pessoas cujas vidas estavam acabadas,
cujas famlias estavam de luto agora. Era diferente considerar a forma abstrata dos assassinatos lendo esses nomes agora. Maureen Gardiner, Geoffrey Campbell, Grace
Razi, Michelle O' Connell, Ronald Albrook. Pessoas que tinham pais e filhos e amigos e bichos de estimao e empregos e esperanas e planos e memrias e futuros...
"No ser o mesmo pra mim", eu cochichei, meio pra mim mesma. "Voc no vai me deixar ser assim. Vamos morar na Antrtida."
Edward bufou, quebrando a tenso.
"Pingins. Adorvel."
Eu dei uma gargalhada tremendo e joguei o jornal pra fora da mesa pra que eu no pudesse mais ver aqueles nomes; ele bateu na madeira com um estrondo.  claro que
Edward iria considerar as opes de caa. Ele e a sua famlia "vegetariana" - todos compromissados a proteger vidas humanas - preferiam o sabor de grandes predadores
pra satisfazer as necessidades de sua dieta.
"Alaska, ento, como o planejado. S que um lugar muito mais remoto que Juneau - algum lugar com ursos pardos."
"Melhor", ele permitiu. "L tem ursos polares tambm. Muito furiosos. E os lobos ficam muito grandes."
Minha boca se abriu e a respirao saiu numa contrao afiada.
"Qual  o problema?", ele perguntou. Antes que eu pudesse me recuperar, a confuso desapareceu do rosto dele e o corpo inteiro dele pareceu ficar duro.
"Oh. Esquea dos lobos ento, se a idia te ofende", a voz dele estava dura, formal, seus ombros estavam rgidos.
"Ele era o meu melhor amigo, Edward", eu murmurei. Eu fiquei machucada por usar o tempo passado. " claro que a idia me ofende."
"Por favor, perdoe a minha falta de considerao", ele disse, ainda muito formal. "Eu no deveria ter sugerido isso."
"No se preocupe com isso", eu olhei para as minhas mos, fechadas nos meus pulsos em cima da mesa.
Ns dois ficamos em silncio por um momento, e depois seu dedo frio estava embaixo do meu queixo, levantando o meu rosto. A expresso dele estava muito mais suave
agora.
"Desculpe. Mesmo."
"Eu sei. Eu sei que no  a mesma coisa. Eu no devia ter reagido daquele jeito.  s que... bem, eu j estava pensando em Jacob antes de voc chegar." Eu hesitei.
Seus olhos pareciam sempre ficar um pouco mais escuros quando eu falava o nome de Jacob. Em resposta, a minha voz se tornou implorativa. "Charlie disse que Jake
est passando por dificuldades. Ele est machucado agora, e...  minha culpa."
"Voc no fez nada errado, Bella."
Eu respirei fundo.
"Eu preciso melhorar as coisas, Edward. Eu devo isso a ele. E, alm do mais,  uma das condies de Charlie-"
O rosto dele mudou enquanto eu falava, ficando duro de novo, como esttua.
"Voc sabe que est fora de questo voc ficar perto de um lobisomem desprotegida, Bella. E se algum de ns passasse as barreiras das terras deles, estaria quebrando
o acordo. Voc quer que ns comecemos uma guerra?"
" claro que no!"
"Ento no h nenhum sentido em levar essa discusso adiante." Ele deixou a mo cair e desviou o olhar, procurando por uma mudana de assunto. Os olhos dele pararam
em alguma coisa atrs de mim, e ele sorriu, apesar dos olhos dele estarem cautelosos.
"Eu fico feliz que Charlie tenha deixado voc sair - voc est precisando tristemente fazer uma visita a uma livraria. Eu no posso acreditar que voc est lendo
O morro dos ventos uivantes de novo. Voc j no sabe ele de cor?"
"Nem todos ns temos memria fotogrfica", eu disse curtamente.
"Com memria fotogrfica ou no, eu no entendo por que voc gosta disso. Os personagens so s pessoas que arrunam a vida uns dos outros. Eu no consigo entender
como Heathcliff e Cathy acabaram sendo comparados a casais como Romeu e Julieta ou Elizabeth Bennett e Sr. Darcy. Essa no  uma histria de amor,  uma histria
de dio."
"Voc tem srios problemas com os clssicos", eu disparei.
"Talvez seja porque eu no fico impressionado com antiguidades."
Ele sorriu, evidentemente satisfeito por ter me distrado.
"No entanto, honestamente, por que  que voc l isso de novo e de novo?" Os olhos dele estavam vvidos com real interesse agora, tentando - de novo - desvendar
os complicados trabalhos da minha mente. Ele se inclinou na mesa pra pegar o meu rosto nas mos dele. "Por que isso  apelativo pra voc?"
A sincera curiosidade dele me desarmou.
"Eu no tenho certeza", eu disse, lutando pra ser coerente enquanto o olhar dele no intencionalmente confundia os meus pensamentos. " alguma coisa relacionada
a inevitabilidade. Como nada consegue mant-los separados - nem o egosmo dela, nem o mau dele, e no fim, nem mesmo a morte..."
O rosto dele estava pensativo enquanto ele pensava nas minhas palavras. Depois de um momento, ele deu um sorriso de zombaria.
"Eu ainda preferiria se um deles tivesse uma qualidade que os redimisse."
"Eu acho que  disso que eu estou falando", eu discordei. "O amor deles  a nica qualidade que os redime."
"Eu espero que voc tenha mais senso que isso - se apaixonar por algum to... maligno."
" um pouco tarde pra me preocupar com a pessoa pela qual eu vou me apaixonar", eu apontei. "Mas mesmo sem o aviso, eu pareo ter me sado muito bem."
Ele riu baixinho.
"Eu me alegro que voc pense isso."
"Bem, eu espero que voc seja esperto o suficiente pra ficar longe de algum to egosta. A fonte de todo o problema na verdade  Catherine, no Heathcliff."
"Eu vou ficar de olho", ele prometeu.
Eu suspirei. Ele era muito bom com distraes.
Eu coloquei a minha mo em cima da dele pra segur-la no meu rosto.
"Eu preciso ver Jacob."
Ele fechou os olhos.
"No."
"No  assim to perigoso", eu disse, implorando de novo. "Ei, eu costumava passar o tempo inteiro em La Push com eles e nada nunca aconteceu."
Mas eu cometi um deslize: minha voz falhou no final, porque eu me dei conta de que estava dizendo palavras que no eram verdade. No era verdade que nada nunca aconteceu.
Um breve flash de memria - um enorme lobo cinza se preparando pra saltar, mostrando seus dentes afiados como facas pra mim - fez as palmas das minhas mos suarem
com o eco do pnico relembrado.
Edward ouviu o meu corao acelerar e balanou a cabea como se eu tivesse desmentido tudo em voz alta.
"Lobisomens so instveis. s vezes as pessoas que esto por perto acabam se machucando. s vezes, elas morrem."
Eu queria negar isso, mas outra imagem parou a minha resposta. Eu vi em minha cabea o rosto da um dia linda Emily Young, agora marcada por um trio de cicatrizes
escuras que arrastavam o canto do seu olhos direito e da sua boca que ficaram presos pra sempre numa careta permanente.
Ele esperou, presumidamente triunfante, que eu encontrasse a minha voz.
"Voc no os conhece", eu sussurrei.
"Eu os conheo melhor do que voc pensa, Bella. Eu estava l da ltima vez."
"Da ltima vez?"
"Ns comeamos a cruzar caminhos com os lobisomens h cerca de setenta anos... Ns havamos acabado de chegar em Hoquiam. Isso foi antes de Alice e Jasper estarem
conosco. Ns ramos um nmero maior que eles, mas isso no impediria que a coisa se tornasse uma briga se no fosse por Carlisle. Ele conseguiu convencer Ephraim
Black de que coexistir era possvel, e eventualmente ns fizemos a trgua."
O nome do bisav de Jacob me surpreendeu.
"Ns pensamos que a linhagem havia morrido com Ephraim", Edward murmurou; agora parecia que ele estava falando pra si mesmo. "Pensamos que a gentica que permite
a mutao estava perdida..." Ele parou e olhou pra mim acusadoramente. "A sua m sorte parece ficar mais forte a cada dia. Ser que voc se d conta de que sua tendncia
insacivel a todas as coisas letais foi forte o suficiente pra recuperar um bando de caninos mutantes em extino? Se ns pudssemos colocar a sua m sorte em uma
garrafa, ns teramos uma arma de destruio em massa em nossas mos."
Eu ignorei a piada, minha ateno ficou presa na suposio dele - ele estava falando srio?
"Mas no fui eu quem os trouxe de volta. Voc no sabe?"
"Sabe do que?"
"A minha m sorte no tem nada a ver com isso. Os lobisomens voltaram porque os vampiros voltaram."
Edward me encarou, seu corpo ficou imvel com a surpresa.
"Jacob me disse que a sua famlia estar aqui fez as coisas se movimentarem. Eu pensei que voc j sabia..."
Os olhos dele se estreitaram.
" isso que eles pensam?"
"Edward, olhe para os fatos. H setenta anos atrs voc veio pra c e os lobisomens apareceram tambm. Voc voltou agora e os lobisomens apareceram de novo. Voc
acha que  coincidncia?"
Ele piscou e o seu olhar relaxou.
"Carlisle ficar interessado nessa teoria."
"Teoria", eu zombei.
Ele ficou em silncio por um momento, olhando pela janela para a chuva; eu imaginei que ele estava contemplando a idia de que a presena dele e de sua famlia estava
transformando os moradores locais em cachorros gigantes.
"Interessante, mas no exatamente relevante", ele murmurou de repente. "A situao continua a mesma."
Eu podia traduzir isso facilmente: nada de amigos lobisomens.
Eu sabia que tinha de ser paciente com Edward. No era que ele no estava sendo razovel,  s que ele no conseguia entender. Ele no fazia idia do quanto eu devia
a Jacob Black - minha vida muitas vezes acabada, e possivelmente a minha sanidade tambm. Eu no queria mais falar desses tempos estreis, e Edward especialmente
tambm no. Ele estava apenas tentando me salvar quando foi embora, tentando salvar minha alma.
Eu no o responsabilizava por todas as coisas estpidas que havia feito na ausncia dele, ou pela dor que eu sofri. Ele se responsabilizava.
Ento eu teria que colocar a minha explicao em palavras muito cuidadosamente. Eu me levantei e rodeei a mesa, ele abriu os braos e eu me sentei no colo dele,
me aconchegando no seu abrao frio como pedra. Eu olhei para as mos dele enquanto falava.
"Por favor, me oua por um minuto. Isso  muito mais do que um gesto de caridade com um amigo antigo. Jacob est sofrendo." Minha voz se contorceu na palavra. "Eu
no posso no tentar ajud-lo - eu no posso desistir dele agora, quando ele precisa de mim. S porque ele no  humano o tempo inteiro... Bem, ele estava l por
mim quando eu estava..." Eu hesitei. Os braos de Edward estavam rgidos ao meu redor; as mos dele estavam nos punhos agora, os tendes dele se destacam. "Se Jacob
no tivesse me ajudado... Eu no tenho certeza do que voc encontraria ao voltar pra casa. Eu tenho que tentar melhorar as coisas. Eu devo-lhe mais que isso, Edward."
Eu olhei para o rosto dele cautelosamente. Os olhos dele estavam fechados e a mandbula dele estava trincada.
"Eu nunca vou me perdoar por ter te deixado", ele murmurou, "Nem se eu viver cem mil anos."
Eu coloquei a minha mo no seu rosto frio e esperei at que ele suspirou e abriu os olhos.
"Voc s estava tentando fazer a coisa certa, e eu tenho certeza de que teria funcionado com algum menos louco que eu. Alm do mais, voc est aqui agora. Essa
 a parte que importa."
"Se eu no tivesse ido embora, voc no estaria tendo que arriscar sua vida pra confortar um cachorro."
Eu vacilei. Eu estava acostumada a Jacob e os seus apelidos pejorativos - sugador de sangue, sanguessuga, parasita... De alguma forma, eles pareciam mais ofensivos
na voz aveludada de Edward.
"Eu no sei como frasear isso apropriadamente", Edward disse, e o tom dele ficou vazio. "Vai soar cruel, eu acho. Mas eu j cheguei perto de te perder no passado.
Eu sei como me sinto s de pensar nisso. Eu no vou tolerar nada perigoso."
"Voc precisa confiar em mim nisso. Eu vou ficar bem."
O rosto dele demonstrou dor de novo.
"Por favor, Bella", ele sussurrou.
Eu olhei dentro dos seus olhos dourados, repentinamente flamejantes. "Por favor o que?"
"Por favor, por mim. Faa um esforo consciente pra se manter em segurana. Eu farei tudo o que puder, mas eu apreciaria um pouco de ajuda."
"Eu vou trabalhar nisso", eu murmurei.
"Voc realmente tem alguma idia do quanto  importante pra mim? Algum conceito do quanto eu te amo?" Ele me segurou com mais fora contra o peito, colocando a minha
cabea embaixo do queixo dele.
Eu pressionei meus lbios no pescoo frio como neve dele.
"Eu sei o quanto eu amo voc", eu respondi.
"Voc est comparando uma pequena rvore a uma floresta inteira."
Eu revirei meus olhos, mas ele no podia ver.
"Impossvel."
Ele beijou o topo da minha cabea e suspirou.
"Nada de lobisomens."
"Eu no vou seguir isso. Eu tenho que ver Jacob."
"Ento eu vou ter que te impedir."
Ele parecia extremamente confiante de que isso no seria um problema.
Eu tinha certeza de que ele estava certo.
"Ns veremos isso", eu blefei do mesmo jeito. "Ele ainda  meu amigo."
Eu podia sentir o bilhete de Jacob no meu bolso, como se de repente ele pesasse dez quilos. Eu podia ouvir as palavras na voz dele, e ele parecia concordar com Edward
- coisa que jamais aconteceria na realidade.
Isso no muda nada. Desculpe.

2. Fuga
Eu me senti estranhamente contente enquanto caminhava da aula de Espanhol em direo ao refeitrio, e no era s porque eu estava de mos dadas com a pessoa mais
perfeita do planeta, apesar de que essa era certamente parte da razo.
Talvez fosse o conhecimento de que a minha sentena estava acabada e eu era uma mulher livre novamente.
Ou talvez no tivesse nada a ver comigo especificamente. Talvez fosse a atmosfera de liberdade que pairava sobre o campus inteiro. As aulas estavam acabando e, especialmente
para a classe do ltimo ano, havia uma alegria perceptvel no ar.
A liberdade estava to prxima que era tocvel, degustvel. Os sinais dela estavam em todo lugar. Posters se amontoavam nas paredes do refeitrio, e as latas de
lixo usavam uma vestimenta colorida amontoada de panfletos: lembretes pra comprarmos os livros do ano, anis de classes, e anncios; prazos para as roupas da formatura,
chapus e borlas; panfletos de vendas cor de non - a campanha dos alunos calouros para a coordenao da sala; anncios mau-agourentos, decorados com rosas, sobre
o baile desse ano. O grande baile era no prximo fim de semana, mas eu tinha uma promessa inquebrvel de Edward de que eu no seria submetida quilo de novo. Afinal
de contas, eu j havia passado por aquela experincia humana.
No, devia ser a minha liberdade pessoal que me iluminava hoje. O fim do calendrio escolar no me trouxe o mesmo prazer que parecia trazer aos outros alunos. Na
verdade, eu me sentia nervosa a ponto de sentir nuseas toda vez que pensava nisso. Eu tentava no pensar nisso.
"Voc j enviou seus convites?" Angela perguntou quando Edward e eu nos sentamos em nossa mesa. Ela tinha o cabelo castanho claro preso para trs em um rabo-de-cavalo
em vez de seu lizo natural, e havia um olhar ligeramente frentico em seus olhos.
Alice e Ben j estavam l tambm, cada um em um lado de Angela. Ben estava atento a um Gibi, seus culos escorregando pelo seu nariz fino. Alice estava examinando
meu Jeans-e-camiseta sem graa de um jeito que me deixou constrangida. Provavelmente planejando outro look. Eu suspirei. Minha atitude indiferente em relao  moda
aborrecia Alice. Se eu deixasse, ela amaria me vestir todo dia - talvez vrias vezes ao dia - como alguma boneca de papel tridimensional extra-grande.
"No," eu respondi a Angela. "No faz sentido, de verdade. Rene sabe quando eu me formo. Quem mais h?"
"E voc, Alice?
Alice sorriu. "Tudo feito."
"Sorte sua." Angela suspirou. "Minha me tem uns mil primos e espera que eu escreva o endereo para todo mundo. Vou ficar com dor no pulso. Eu no posso adiar muito
isso e estou meio assustada.
"Eu posso ajud-la," Eu me ofereci. "Se voc no se importar com a minha letra horrvel."
Charlie gostaria isso. Pelo canto do olho, viu Edward sorrir. Ele devia gostar daquilo tambm - de mim cumprindo as condies de Charlie sem envolver lobisomens.
Angela pareceu aliviada. "Que legal da sua parte. Eu virei a qualquer hora que voc quiser."
"Na verdade, eu prefiro ir  sua casa se estiver tudo bem - Estou cansada da minha. Charlie me liberou noite passada." Eu sorri enquanto contava as boas notcias.
"Srio?" Angela perguntou, um suave excitamento iluminou seus olhos castanhos sempre gentis "Pensei que voc tinha dito que estava de castigo pelo resto da vida."-
"Estou mais surpresa que voc. Eu tinha certeza que iria pelo menos ter terminado o ensino mdio antes de ele me deixar livre".
"Bem, isso  timo, Bella! Ns temos que sair para comemorar."
"Voc tem idia de como isso  bom."
"O que deveramos fazer?" Alice meditou, sua face se iluminando com as possibilidades. As idias de Alice geralmente eram um pouco grandiosas para mim, e eu podia
ver isso em seus olhos agora - a tendncia de fazer coisas longe demais virando ao.
"O que quer que voc esteja pensando, Alice, eu duvido que esteja livre para isso."
"Livre  livre, certo?" ela insistiu.
"Tenho certeza que eu ainda tenho limites - como o continente estado-unidense, por exemplo.
Angela e Ben riram, mas Alice fez uma careta de verdadeiro desapontamento.
"Ento o que ns vamos fazer hoje  noite?" ela persistiu.
"Nada. Olhe, vamos dar uns dois dias para ter certeza de que ele no estava brincando.  uma noite de escola, de qualquer forma."
"Ns vamos comemorar esse final de semana, ento." O entusiasmo de Alice era impossvel de reprimir.
"Claro - eu disse, esperando aplac-la. Eu sabia que no estava indo fazer nada longe demais; seria mais seguro ir devagar com Charlie. Dar a ele a chance de avaliar
quo merecedora de confiana e madura eu era antes de pedir qualquer favor.
Angela e Alice comearam a falar sobre opes; Ben se juntou  conversa, colocando seu Gibi de lado. Minha ateno se desviou. Eu estava surpresa por descobrir que
o assunto da minha liberdade de repente no era to agradvel quanto h apenas um momento trs. Enquanto eles discutiam coisas para fazer em Port Angeles ou talvez
em Hoquiam, eu comecei a me sentir decepcionada.
No demorei muito para determinar de onde veio minha impacincia.
Desde quando eu disse adeus para Jacob Black na floresta alm da minha casa, eu tinha sido infeccionada por uma persistente e desconfortvel invaso de uma figura
mental especfica. Ela entrava nos meus pensamentos em intervalos regulares como algum incmodo despertador programado para tocar a cada meia hora, enchendo minha
cabea com a imagem do rosto de Jacob contorcido de dor. Esta era a ltima memria que eu tinha dele.
Conforme a perturbadora viso me atingia novamente, eu sabia exatamente por que eu estava insatisfeita com a minha liberdade. Porque era incompleta.
Claro, eu estava livre para ir a qualquer lugar que eu quisesse - exceto La Push; livre para fazer qualquer coisa que eu quisesse - exceto ver Jacob. Olhei a mesa
com desagrado. Tinha que haver algum tipo de territrio intermedirio.
"Alice? Alice!"
A voz de Angela me arrancou do meu devaneio. Ela estava agitando sua mo para frente e para trs diante do rosto plido de Alice, olhando-a fixamente. A expresso
de Alice era algo que eu reconhecia - uma expresso que produziu um automtico choque de pnico dentro do meu corpo. O olhar vago em seus olhos me disse que ela
estava vendo alguma coisa muito diferente da cena do refeitrio mundando que nos cercava, mas algo de que cada pedao era to verdadeiro do seu prprio modo. Alguma
coisa estava vindo, alguma coisa que aconteceria logo. Eu senti o sangue sumir do meu rosto.
Ento Edward riu, um som muito natural, tranqilo. Angela e Ben olharam em direo a ele, mas meus olhos estavam presos em Alice. Ela pulou de repente, como se algum
a tivesse chutado por debaixo da mesa.
"J  hora de dormir, Alice?" Edward provocou.
Alice voltou a si novamente. "Desculpem, eu estava sonhando acordada, acho."
"Sonhar acordada  melhor do que encarar mais duas horas de aula." Ben disse.
Alice voltou  conversa com mais animao que antes - s um pouquinho demais. Uma vez eu vi seus olhos se prenderem aos de Edward, s por um momento, e ento ela
olhou de volta para Angela antes que algum mais notasse. Edward estava quieto, brincando inconscientemente com um fio do meu cabelo.
Eu esperei ansiosamente por uma chance de perguntar a Edward o que Alice tinha visto em sua viso, mas a tarde se passou sem que pudssemos ficar um minuto do tempo
a ss.
Isso parecia estranho para mim, quase proposital. Depois do almoo, Edward reduziu a velocidade do seu passo para acompanhar Ben, conversando sobre alguma tarefa
que eu sabia que ele j tinha terminado. Ento havia sempre algum mais l entre as aulas, embora ns geralmente tivssemos uns poucos minutos para ns mesmos. Quando
o ltimo sinal tocou, Edward iniciou uma conversa com Mike Newton de todas as pessoas, diminuindo o passo ao lado dele enquanto Mike se direcionava para o estacionamento.
Eu me arrastava atrs, deixando Edward me rebocar adiante.
Eu ouvia, confusa, enquanto Mike respondia s incomuns perguntas amigveis de Edward. Parecia que Mike estava tendo problemas com o carro.
"...mas eu s repus a bateria." Mike estava dizendo. Seu olhar lanava-se para frente e ento de volta para Edward cautelosamente. Mistificado, assim como eu estava.
"Talvez sejam os cabos" Edward sugeriu.
"Talvez. Eu realmente no sei nada sobre carros." Mike admitiu. "Eu preciso que algum d uma olhada, mas eu no posso deixar isso para Dowling.
Eu abri minha boca para sugerir meu mecnico, e ento a fechei de novo. Meu mecnico estava ocupado esses dias - ocupado correndo por a como um lobo gigante.
"Eu sei algumas coisas, eu posso dar uma olhada, se voc quiser." Edward ofereceu. "S me permita deixar Alice e Bella em casa.
Mike e eu encaramos Edward juntos de bocas abertas.
"H... obrigado." Mike murmurou quando ele se recuperou. "Mas eu tenho que ir trabalhar. Talvez uma outra hora."
"Absolutamente."
"At mais." Mike entrou em seu carro, sacudindo a cabea em incredulidade.
O Volvo de Edward, com Alice j dentro, estava s dois carros  distncia.
"O que foi aquilo?" eu murmurei enquanto Edward segurava a porta do passageiro para mim.
"S sendo prestativo." Edward respondeu.
E ento Alice, esperando no banco de trs, estava tagarelando na maior velocidade.
"Voc realmente no  to bom mecnico, Edward. Talvez voc devesse fazer Rosalie dar uma olhada nisso esta noite, apenas de modo que voc parea bom se Mike decidir
deixar voc ajudar, sabe. No que no fosse ser divertido ver a cara dele se Rosalie descobrisse como ajudar. Mas desde que supe-se que Rosalie esteja do outro
lado do pas fazendo faculdade, eu acho que essa no  a melhor idia. Ruim demais. Embora eu suponha que, para o carro do Mike, voc sirva. S dentro dos tunings
mais finos de um bom carro esportivo italiano voc est fora do seu departamento. E falando da Itlia e de carros esportivos que eu roubei l, voc ainda me deve
um Porshe amarelo. Eu no sei se eu quero esperar pelo Natal..."
Eu parei de ouvir depois de um minuto, deixando sua voz rpida se tornar s um zumbido ao fundo enquanto eu me concentrava no meu modo paciente.
Para mim, parecia que Edward estava tentando evitar minhas perguntas. Legal. Ele teria que ficar sozinho comigo breve o bastante. Era s uma questo de tempo.
Edward pareceu entender isso tambm. Ele deixou Alice na boca da garagem dos Cullen como o habitual, embora a esse ponto eu meio que esperava que ele a levasse 
porta e a encaminhasse para dentro.
Enquanto ela saa, Alice lanou um olhar penetrante para o rosto dele. Edward parecia completamente tranqilo.
"Vejo voc depois." ele disse. E ento, muito levemente, ele acenou com a cabea.
Alice virou para desaparecer nas rvores.
Ele estava calado enquanto virava o carro em volta e conduzia de volta a Forks. Eu esperei, imaginando se ele iria comear. Ele no comeou, e isso me deixou tensa.
O que Alice tinha visto hoje no almoo? Algo que ele no queria me dizer, e eu tentei pensar numa razo pela qual ele iria guardar segredos. Talvez fosse melhor
me preparar antes de perguntar. Eu no queria ficar fora de mim e deix-lo pensar que eu no podia lidar com isso, o que quer que fosse.
Ento ns dois ficamos em silncio at voltarmos  casa de Charlie.
" A carga de dever de casa pode esperar por esta noite".
"Mmm" eu concordei.
"Voc acha que eu possa entrar de novo?"
"Charlie no se alterou quando voc me buscou na escola."
Mas eu tinha certeza que Charlie iria ficar rapidamente zangado quando ele chegasse em casa e encontrasse Edward aqui. Talvez eu devesse fazer algo extra-especial
para o jantar.
L dentro, eu subi as escadas e Edward me seguiu. Ele espreguiou-se na minha cama e olhou fixamente para a janela, parecendo esquecer-se do meu nervosismo.
Eu arrumei minha mochila e liguei o computador. Havia um e-mail no respondido da minha me para eu me preocupar, e ela entrava em pnico quando eu demorava muito.
Eu tamborilei meus dedos enquanto esperava pelo meu computador muito idoso acordar ruidosamente; eles batiam contra a mesa, rpidos e ansiosos.
E ento os dedos dele estavam nos meus, segurando-os tranqilos.
"Ns estamos um pouco impacientes hoje?" ele murmurou.
Eu olhei para cima, tencionando fazer uma observao sarcstica, mas o rosto dele estava mais prximo do que eu esperava. Seus olhos dourados estavam queimando,
afastados apenas centmetros, e sua respirao estava fria contra meus lbios abertos. Eu podia sentir o gosto do seu cheiro na minha lngua.
Eu no consegui lembrar da resposta mordaz que eu quase tinha feito. Eu no conseguia lembrar do meu nome.
Ele no me deu a chance de me recuperar.
Se as coisas fossem do meu jeito, eu passaria a maior parte do meu tempo beijando Edward. No havia nada que eu tivesse experimentado na minha vida que se comparasse
 sensao dos lbios dele, frios e duros como mrmore, mas sempre to gentis, se movendo com os meus.
As coisas geralmente no eram do meu jeito.
Ento me surpreendi um pouco quando seus dedos se entrelaaram no meu cabelo, segurando meu rosto com eles. Meus braos se prenderam ao seu pescoo, e eu desejei
que fosse mais forte - forte o bastante para mant-lo prisioneiro aqui.
Uma mo escorregou para as minhas costas, me pressionando mais apertado contra seu peito de pedra. Mesmo sob seu suter, a pele dele estava fria o bastante para
me fazer tremer - era um tremor de satisfao, de felicidade, mas suas mos comearam a afrouxar em resposta.
Eu sabia que eu tinha mais ou menos trs segundos antes de ele suspirar e me empurrar para longe com jeito, dizendo alguma coisa sobre como ns tnhamos arriscado
minha vida o suficiente por uma tarde. Aproveitando-me ao mximo dos meus ltimos segundos, me pressionei mais para perto, moldando-me  forma dele. A ponta da minha
lngua traou a curva do seu lbio inferior; era to perfeitamente macio como se tivesse sido envernizado, e o gosto...
Ele colocou meu rosto longe do dele, quebrando meu abrao com facilidade - ele provavelmente no tinha nem percebido que eu estava usando toda a minha fora.
Ele soltou um risinho uma vez, um som baixo, gutural. Seus olhos estavam resplancedentes com a excitao que ele to rigidamente controlava.
"Ah, Bela." Ele suspirou.
"Eu diria que sinto muito, mas eu no sinto."
"E eu deveria sentir muito por voc no sentir muito, mas eu no sinto. Talvez eu devesse sentar na cama."
Exalei um pouco vertiginosamente. "Se voc acha que isso ... necessrio."
Ele deu um sorriso torto e se soltou.
Balancei a cabea algumas vezes, tentando clare-la, e voltei ao computador. Estava tudo animado e cantarolando. Bem, no cantorolando tanto quanto suspirando.
"Diz a Rene que eu estou mandando um oi."
"Com certeza."
Olhei atenciosamente o e-mail de Rene, sacudindo minha cabea de vez em quando por conta de algumas maluquices que ela havia feito. Eu estava to horrorizada e
entretida quanto na primeira vez em que havia lido isto. Ela se esqueceu de como tinha medo de alturas at estar presa num pra-quedas e ter pulado com o instrutor.
Me senti um pouco desapontada com Phil, marido dela h quase dois anos, por permitir isso. Eu teria cuidado dela melhor. A conhecia melhor.
Tenho que finalmente deix-los seguirem o prprio caminho, lembrei a mim. Tenho que deix-los terem a prpria vida...
Eu havia passado a maior parte de minha vida cuidando de Rene, afastando-a de suas loucuras o mais gentilmente possvel. Sempre fui boa para minha me, me divertia
com ela, at mesmo eu era um pouco condescendente a ela. Eu via a cornucpia de erros dela e ria comigo mesma. Rene avoada.
Eu era uma pessoa muito diferente de minha me. Algum pensativa e cautelosa. A responsvel, a adulta. Assim  como eu me via. Essa era pessoa que eu conhecia.
Com o sangue ainda palpitando em minha cabea por conta do beijo de Edward, eu nem podia contar a maioria de erros que mudaram a vida de minha me. Tonta e romntica,
havia se casado com um homem que ela apenas conhecia sem ter terminado o segundo grau, me tendo um ano depois. Ela sempre me jurou que no tinha nenhum arrependimento,
que eu era o melhor presente que vida j havia lhe dado. E ela vivia me repetindo - pessoas inteligentes levam o matrimnio a serio. Pessoas ajuizadas vo para a
faculdade e comeam carreiras antes que de se aprofundem em um relacionamento. Ela sabia que eu nunca seria to imprudente, estpida e provinciana.
Trinquei meus dentes e tentei me concentrar enquanto respondia a carta dela.
A eu v a primeira linha dela e me lembrei do porque de eu haver negligenciado escrever pra ela mais cedo.
Voc no diz nada sobre Jacob ha muito tempo., ela tinha escrito. O que est acontecendo nesses dias?
Charlie estava influenciando ela, eu tinha certeza.
Eu suspirei e teclei rapidamente, respondendo  pergunta dela entre dois pargrafos menos sensveis.
Jacob est bem, eu acho. Eu no o vejo muito; ele passa a maior parte do tempo com o seu bando de amigos l em La Push ultimamente.
Sorrindo bobamente para mim mesma, eu acrescentei a saudao de Edward e apertei "send".
Eu no me dei conta de que Edward estava silenciosamente de p atrs de mim at que eu desliguei o computador e me afastei da mesa. Eu estava prestes a passar um
sermo nele por estar lendo por cima do meu ombro quando eu me dei conta de que ele no estava prestando ateno em mim. Ele estava examinando uma caixa achatada
com fios encaracolados desordenadamente longe do quadrado principal de uma maneira que no parecia saudvel pra o que quer que fosse. Depois de um segundo, reconhec
o som para carros que Emmett, Rosalie e Jasper haviam me dado pelo meu ltimo aniversrio. Eu havia esquecido dos presentes que estavam escondidos embaixo de uma
pilha crescente de poeira no cho do meu closet.
"Porque voc fez isso?", ele perguntou com uma voz horrorizada.
"Ele no queria sair do painl".
"E voc sentiu necessidade de tortur-lo?"
"Voc sabe como eu sou com ferramentas. Nenhuma dor foi inflingida intencionalmente".
Ele balanou a cabea, o rosto dele era uma mscara falsa de tragdia. "Voc o matou".
Eu levantei os ombros. "Oh, bem."
"Magoaria os sentimentos deles se eles vissem isso", ele disse. "Eu acho que foi bom voc ter ficado confinada em casa. Eu vou ter que colocar outro no lugar antes
que eles reparem".
"Obrigada, mas eu no preciso de um som chique".
"No  para o seu bem que eu vou rep-lo".
Eu suspirei.
"Voc no fez muito bom uso dos seus presentes de aniversrio do ano passado", ele disse com uma voz estranha. De repente, ele estava se abanando com um retngulo
rgido de papel.
Eu no respond, com medo de que a minha voz fosse falhar. O meu desastroso aniversrio de dezoito anos - com todas as suas consequncias a longo prazo - no era
uma coisa que eu fazia questo de lembrar, e eu estava surpresa por ele t-lo mencionado. Ele era ainda mais sensvel em relao a isso do que eu.
"Voc se d conta de que elas esto prestes a expirar?" ele perguntou, segurando o papel pra mim. Era outro presente - os vales para passagens de avio que Esme
e Carlisle haviam me dado pra que eu pudesse visitar Rene na Flrida.
Eu respirei fundo e respond com uma voz vazia. "No. Eu havia esquecido de todos eles, na verdade".
A expresso dele estava cautelosamente luminosa e positiva; no havia nenhum trao de emoo mais profundo quando ele continuou. "Bem, ns ainda temos um pouco de
tempo. Voc foi liberada... e ns no temos planos para esse fim de semana, j que voc se recusa a ir ao baile comigo". Ele sorriu. "Porque no celebrar a sua liberdade
desse jeito?"
Eu ofeguei. "Indo para a Flrida?"
"Voc disse alguma coisa sobre o E.U continental ser permitido."
Eu encarei ele, suspeitosamente, tentando entender de onde isso tinha vindo.
"Bem?", ele quis saber. "Ns vamos ver Rene ou no?"
"Charlie nunca vai permitir".
"Charlie no pode te impedir de visitar a sua me. Ela ainda tem a sua custdia primria".
"Ningum tem minha custdia. Eu sou uma adulta".
Ele deu um sorriso brilhante. "Exatamente".
Eu pensei nisso por um breve minuto antes de decidir que a briga no valia a pena. Charlie ia ficar furioso - no porque eu ia visitar Rene, mas porque Edward ia
vir comigo. Charlie no falaria comigo por meses, e eu provavelmente acabaria de castigo de novo. Eu definitivamente era esperta o suficiente pra nem sequer tocar
no assunto. Talvez daqui a algumas semanas,como um favor pela formatura, ou alguma coisa assim.
Mas a idia de ver minha me agora, e no semanas mais tarde, era difcil de resistir. J fazia tanto tempo desde que eu v Rene. E ainda mais tempo desde que eu
a v em circunstncias prazeirosas. A ltima vez em que eu estive com ela em Phoenix, eu passei o tempo inteiro em uma cama de hospital. Da ltima vez que ela havia
vindo aqui, eu estive mais ou menos catatnica. No exatamente a melhor memria pra deixar com ela.
E talvez, se ela visse o quanto eu estava feliz com Edward, ela podia dizer pra Charlie relaxar.
Edward observou o meu rosto enquanto eu considerava.
Eu suspirei. "Esse fim de semana no".
"Porque no?"
"Eu no quero brigar com Charlie. No to pouco tempo depois de ele ter me perdoado".
As sobrancelhas dele se uniram. "Eu acho que esse fim de semana  perfeito", ele murmurou.
Eu balancei minha cabea. "Outra hora".
"Voc no  a nica que esteve presa nessa casa, sabe?" Ele fez uma careta pra mim.
A suspeita retornou. Esse tipo de comportamento no era natural dele. Ele era to impossivelmente altrusta; eu sabia que isso estava me deixando mimada.
"Voc pode ir onde voc quiser", eu apontei.
"O mundo exterior no possui nenhum interesse pra mim sem voc".
Eu rolei os meus olhos  hiperbole.
"Eu estou falando srio", ele disse.
"Vamos ver o mundo exterior lentamente, t certo? Por exemplo, ns podamos comear com um filme em Port Angeles..."
Ele rosnou. "Esquea. Ns falaremos sobre isso mais tarde".
"No h mais nada para falar".
Ele ergueu os ombros.
"Ok, ento, novo assunto", eu disse. Eu quase havia me esquecido sobre as minhas preocupaes dessa tarde - ser que essa era a inteno? "O que Alice viu durante
o almoo?"
Os meus olhos estavam no rosto dele enquanto ele falava, medindo a sua reao.
A expresso dele estava composta; s havia uma leve dureza em seus olhos de topzio. "Ela viu Jasper em um lugar estranho, algum lugar ao sul, ela acha, perto da
sua antiga... famlia. Mas ele no tem nenhuma inteno consciente de ir embora". Ele suspirou.
"Isso a deixou preocupada".
"Oh". Isso no era nada prximo do que eu estivera esperando. Mas  claro que fazia sentido que Alice estivesse olhando para o futuro de Jasper. Ele era a alma gmea
dela, a sua verdadeira outra metade, eles no eram to externais com o seu relacionamento quanto Rosalie e Emmett. "Porque voc no me disse?"
"Eu no me dei conta de que voc havia percebido", ele disse. "Em qualquer caso, provavelmente no  nada importante".
A minha imaginao estava tristemente fora de controle. Eu havia pego uma tarde perfeitamenbte normal e havia distorcido tudo at que parecesse que Edward estava
tentando esconder coisas de mim. Eu precisava de terapia.
Ns fomos l pra baixo para fazer o nosso dever de casa, no caso de Charlie chegar mais cedo. Edward acabou em minutos; eu lutei laborosamente com os meus clculos
at que eu decid que estava na hora de fazer o jantar de Charlie. Edward ajudou fazendo caretas de vez em quando para os ingredientes crus - comida humana era praticamente
repulsiva para ele. Eu fiz strogonoff com a receita da vov Swan, porque eu estava sem idias.
Charlie j parecia estar de bom humor quando chegou em casa. Ele nem comeou com a sua maneira rude de tratar Edward. Edward se desculpou por no comer conosco,
como sempre. O som do noticiario noturno vinha da sala da frente, mas eu duvidava que Edward realmente estivesse assistindo.
Depois de repetir trs vezes, Charlie colocou os ps pra cma da cadeira reserva e cruzou as mos contentemente em cima do seu estmago inchado.
"Isso estava timo, Bells".
"Eu estou feliz que voc gostou. Como foi o trabalho?" Ele estava comendo com muita concentrao antes para eu conseguir puxar conversa antes.
"Meio lento. Bem, mortalmente lento, na verdade. Mark e eu jogamos carta em boa parte da tarde", ele admitiu com um sorriso. "Eu venc, dezenove mos para sete.
E depois eu fiquei no telefone com Billy durante algum tempo".
Eu tentei manter minha expresso igual. "Como ele est?"
"Bem, bem. As juntas dele esto o incomodando um pouco."
"Oh. Isso  uma pena".
". Ele nos convidou para uma visita esse final de semana. Ele estava pensando em chamar os Clearwaters e os Uleys tambm. Uma espcie de festinha..."
"Huh", foi a minha resposta genial. Mas o que eu ia dizer? Eu sabia que no teria permisso para comparecer a uma festa de lobisomens, mesmo com superviso do meu
pai. Eu me perguntei se Edward teria um problema com Charlie andando por La Push. Ou ser que ele iria supor que j que Charlie passaria mais tempo com Billy, que
era apenas humano, o meu pai no estaria em perigo?
Eu me levantei e empilhei os pratos sem olhar para Charlie. Eu os coloquei na pia e liguei a gua. Edward apareceu silenciosamente e pegou uma toalha de pratos.
Charlie suspirou e desistiu por um momento, apesar de eu imaginar que ele revisitaria o assunto assim que estivssemos juntos de novo. Ele se ps de p e seguiu
para a sala de TV, exatamente como na outra noite.
"Charlie", Edward disse num tom conversional.
Charlie parou no meio da sua pequena cozinha. "Sim?"
"Bella te contou que os meus pais deram passagens de avio pra ela em seu ltimo aniversrio, pra que ela pudesse visitar Rene?"
Eu deixei cair o prato que eu estava esfregando. Ele resvalou no balco e caiu no cho fazendo barulho. Ele no quebrou, mas melou a cozinha, e ns trs, com gua
ensaboada. Charlie nem pareceu reparar.
"Bella?" Ele perguntou numa voz espantada.
Eu mantive os olhos no prato enquanto o pegava de volta. ", eles me deram".
Charlie engoliu altamente, e ento os olhos dele se estreitaram quando ele olhou de volta para Edward. "No, ela nunca mencionou isso".
"Hmm", Edward murmurou.
"H uma razo pra voc ter tocado no assunto?" Charlie perguntou com um voz dura.
Edward ergueu os ombros. "Elas esto quase expirando. Eu acho que isso pode machucar os sentimentos de Esme se Bella no usar o presente dela. No que ela fosse
dizer alguma coisa".
Eu encarei Edward sem acreditar.
Charlie pensou por um minuto. "Provavelmente  uma boa idia voc ir visitar a sua me, Bella. Ela ia adorar. No entanto, eu estou surpreso que voc no tenha falado
nada sobre isso."
"Eu esquec", eu admit.
Ele fez uma careta. "Voc esqueceu que algum te deu passagens da avio?"
"Mmm", eu murmurei vagamente, e me virei de volta para a pia.
"Eu perceb que voc disse que elas estavam prestes e expirar, Edward", Charlie continuou. "Quantas passagens os seus pais deram pra ela?"
"S uma pra ela... e uma pra mim".
O prato que eu derrubei dessa vez caiu na pia, ento ele no fez muito barulho. Eu podia ouvir claramente o bufo afiado do meu pai enquanto ele exalava. O sangue
correu para o meu rosto, cheio de irritao e vergonha. Porque Edward estava fazendo isso? Eu olhei para as bolhas na pia, entrando em pnico.
"Isso est fora de questo!" Charlie estava abruptamente enraivecido, gritando as palavras.
"Porque?" Edward perguntou, sua voz saturada com uma surpresa inocente. "Voc disse que era uma boa idia ela ver a me".
Charlie ignorou ele. "Voc no vai a lugar algum com ele, mocinha!" ele gritou. Eu me virei quando ele estava apontando um dedo para mim.
A raiva pulsou em mim automaticamente, uma reao instintiva ao tom dele.
"Eu no sou uma criana, pai. E eu no estou mais de castigo, lembra?"
"Oh sim, est sim. Comeando agora".
"Por qu?!"
"Porque eu disse que sim".
"Eu preciso te lembrar de que sou legalmente adulta, Charlie?"
"Essa  a minha casa - voc segue as minhas regras!"
O meu olhar ficou frio. "Se  isso que voc quer. Voc quer que eu me mude essa noite? Ou eu posso ter alguns dias para fazer as malas?"
O rosto de Charlie ficou vermelho brilhante. Eu instantaneamente me sent horrivel por usar a ttica de me mudar.
Eu respirei fundo e tentei fazer o meu tom ficar mais razovel. "Eu vou ficar de castigo sem reclamar quando eu tiver feito alguma coisa, pai, mas eu no vou pagar
pelos seus preconceitos".
Ele gaguejou, mas conseguiu se manter coerente.
"Agora, eu sei que voc sabe que eu tenho todos os direitos de ver a mame nos fins de semana. Voc no pode me dizer honestamente que estaria contra o plano se
eu estivesse indo com Alice ou Angela".
"Garotas", ele rosnou, com um movimento de cabea.
"Voc se incomodaria se eu levasse Jacob?"
Eu s havia escolhido o nome porque eu sabia da preferncia do meu pai por Jacob, mas eu rapidamente desejei no o ter feito; os dentes de Edward se trincaram com
um estalo audvel.
O meu pai lutou pra se recompor antes de responder. "Sim", ele disse com uma voz que no convencia. "Isso me incomodaria".
"Voc  um pssimo mentiroso, pai".
"Bella -"
"No  como se eu estivesse fugindo pra Las Vegas pra ser uma garota de show ou algo assim. Eu vou ver a mame.", eu o lembrei. "Ela tem tanta autoridade paterna
sobre mim quanto voc".
Ele me passou um olhar contestador.
"Voc est implicando alguma coisa sobre a capacidade de mame de cuidar de mim?"
Charlie enrijeceu com a ameaa implicita na minha pergunta.
" melhor voc esperar que eu no mencione isso pra ela", eu disse.
" melhor voc no mencionar", ele avisou. "Eu no estou feliz com isso, Bella".
"No ha nenhum motivo pra voc ficar chateado".
Ele revirou os olhos, mas eu podia sentir que a tempestade estava acabada.
Eu me virei pra tirar o ralo da pia. "Ento o meu dever de casa est feito, o seu jantar est pronto, os pratos esto lavados, e eu no estou de castigo. Eu vou
sair. Eu vou estar de volta antes das dez e meia".
"Onde voc vai?" O rosto dele, quase de volta ao normal, ficou vermelho de novo.
"Eu no tenho certeza", eu admit. "No entanto, eu me manterei num raio de dez milhas. Tudo bem?"
Ele rosnou alguma coisa que no soou como uma aprovao, e marchou pra fora da sala. Naturalmente, assim que terminei de vencer a briga, eu comecei a me sentir culpada.
"Ns vamos sair?", Edward perguntou, a voz dele estava baixa mas entusiamada.
Eu me virei para encar-lo. "Sim. Eu acho que gostaria de falar com voc a ss"
Ele no pareceu to apreensivo quanto eu achei que ele deveria estar.
Eu esperei pra comear quando estavamos seguramente no carro dele.
"O que foi aquilo?" Eu quis saber.
"Eu sei que voc quer ver a sua me, Bella - Voc estava falando sobre ela no sono. Preocupada na verdade".
"Tenho?"
Ele balanou a cabea. "Mas claramente voc era coverde demais pra lidar com Charlie, ento eu interced em seu nome".
"Intercedeu? Voc atirou para os tubares!"
Ele rolou os olhos. "Eu no acho que voc estava em perigo".
"Eu te disse que no queria brigar com Charlie".
"Ningum disse que voc precisava".
Eu encarei ele. "Eu no consigo me segurar quando ele fica mando daquele jeito - os meus instintos naturais de adolescente me dominam".
Ele gargalhou. "Bem, isso no  culpa minha".
Eu olhei pra ele, especulando. Ele no pareceu notar. O rosto dele estava sereno enquanto ele olhava para o para-brisa. Algo estava estranho, mas eu no conseguia
identificar o que. Ou talvez fosse s a minha imaginao de novo, correndo selvagem como tinha feito essa tarde.
"Essa urgncia de ir para a Flrida tem alguma coisa a ver com a festa na casa de Billy?"
A mandbula dele flexionou. "Absolutamente nada. No importaria se voc estivesse aqui ou do outro lado do mundo, voc ainda no iria".
Era como havia sido com Charlie antes - sendo tratada como uma criana mal comportada. Eu apertei os meus dentes pra no comear a gritar. Eu no queria brigar com
Edward tambm.
Edward suspirou, e quando ele falou a voz dele era clida e macia novamente. "Ento o que voc quer fazer essa noite?" ele perguntou.
"Podemos ir  sua casa? J faz tanto tempo que eu no vejo Esme".
Ele sorriu. "Ela vai gostar disso. Especialmente quando ela ouvir o que vamos fazer esse fim de semana".
Eu rosnei em defesa.
Ns no ficamos fora at tarde, assim como eu promet. Eu no fiquei surpresa de ver as luzes ainda acesas quando ns paramos na frente da casa - eu sabia que Charlie
estaria esperando pra gritar um pouco mais comigo.
" melhor voc no entrar", eu disse. "Isso s vai piorar as coisas".
"Os pensamentos dele esto relativamente calmos", Edward zombou. A expresso dele me fez imaginarse havia alguma piada que eu estava perdendo. Os cantos dos lbios
dele se contorciam, lutando com um sorriso.
"Eu te vejo mais tarde", eu murmurei mal humorada.
Ele riu e beijou o topo da minha cabea. "Eu vou voltar quando Charlie estiver roncando".
A TV estava alta quando eu entrei. Eu considerei brevemente tentar me arrastar pra passar por ele.
"Voc pode vir aqui, Bella?" Charlie chamou, estragando o plano.
Os meus ps se arrastavam enquanto eu dava os cinco passos necessrios.
"O que foi, pai?"
"Voc se divertiu essa noite?" ele perguntou. Ele parecia doente de tranquilidade. Eu procurei pelos significados nas palavras dele antes de responder.
"Sim", eu disse hesitantemente.
"O que voc fez?"
Eu levantei os ombros. "Sa com Alice e Jasper. Edward venceu Alice no xadrez, e depois eu joguei com Jasper. Ele me enterrou".
Eu sorr. Edward e Alice jogando xadrez era a coisa mais engraada que eu j tinha visto. Eles sentavam l praticamente imveis, olhando para o tabuleiro, enquanto
Alice previa os movimentos que ele faria e ele escolhia fazer os movimentos que ela escolhia em retorno na mente dela. Eles jogavam a maior parte do jogo nas mentes
deles; eu acho que eles haviam mexido duas peas quando Alice de repente jogou o rei dela e se rendeu. Tudo isso levou trs minutos.
Charlie apertou o boto de "mudo" - uma ao estranha.
"Olha, tem uma coisa que eu preciso dizer" Ele fez uma careta, parecendo muito desconfortvel.
Eu sentei ereta, esperando. Ele encontrou meu olhar por um segundo antes de passar os olhos dele para o cho. Ele no disse mais nada.
"O que , pai?"
Ele supirou. "Eu no sou bom com esse tipo de coisa. Eu no sei como comear..."
Eu esperei de novo.
"Ok, Bella. O negcio  o seguinte". Ele se levantou do sof e comeou a andar pra frente e pra trs pela sala, olhando pro ps dele o tempo inteiro.
"Voc e Edward parecem ser bastante srios, e existem coisas com as quais voc precisa ter cuidado.. Eu sei que voc  uma adulta agora, mas voc ainda  jovem,
Bella, e existe um monte de coisas importantes que voc precisa saber quando voc... bem, quando voc se involver fisicamente com -"
"Oh, por favor, por favor no!" eu implorei, ficando de p. "Por favor me diga que voc no est tentando ter uma conversa sobre sexo comigo, Charlie".
Ele olhou para o cho. "Eu sou o seu pai. Eu tenho responsabilidades. Lembre-se, eu estou to envergonhado quanto voc".
"Eu no acho que isso seja humanamente possvel. De qualquer forma, a mame j se encarregou disso a cerca de dez anos atrs. Voc est atrasado".
"Voc no tinha um namorado a dez anos atrs", ele murmurou sem querer. Eu podia reparar que ele estava batalhando com a sua vontade de esquecer o assunto. Ns dois
estvamos de p, olhando para o cho, e desviando o olhar um do outro.
"Eu no acho que as coisas essenciais tenham mudado tanto assim", eu murmurei, e o meu rosto tinha que estar to vermelho quanto o dele estava. Isso estava alm
do stimo crculo de Hades; pior ainda era me dar conta de que Edward sabia que isso ia acontecer. No  de adimirar que ele estivesse se divertindo no carro.
"S me diga que voc dois esto sendo responsveis" Charlie implorou, obviamente desejando que um buraco se abrisse no cho pra que ele casse nele.
"No se preocupe, pai, no  assim"
"No que eu no confie em voc, Bella, mas eu sei que voc no quer me contar nada sobre isso, e voc sabe que eu realmente no quero ouvir. No entanto, eu tentarei
ser mente aberta. Eu sei que os tempos mudaram".
Eu r estranhamente. "Talvez os tempos tenham, mas Edward  muito antiquado. Voc no tem nada com o que se preocupar".
Charlie suspirou. " claro que ele ", ele murmurou.
"Ugh!" eu rug. "Eu realmente queria que voc no estivesse me forando a dizer isso, pai. Realmente. Mas...eu sou... virgem,e eu no tenho planos imediatos para
mudar esse status".
Ns dois enrijecemos, mas ai o rosto de Charlie ficou suave. Ele pareceu acreditar em mim.
"Posso ir a para a cama agora? Por favor?"
"Em um minuto", ele disse.
"Aw, por favor, pai? Eu estou implorando".
"A parte embaraosa j passou, eu prometo", ele me assegurou.
Eu olhei para ele, e fiquei feliz por ele parecer mais relaxado, que o rosto dele estava de volta a cor regular. Ele afundou no sof, suspirando de alvio por ele
ter passado pelo seu discurso sobre sexo.
"O que  agora?"
"Eu s queria saber como anda aquela coisa de equilbrio"
"Oh. Bem, eu acho. Eu fiz planos com Angela hoje. Eu vou ajudar ela com os anncios da formatura. S ns garotas".
"Isso  bom. E quanto a Jake?"
Eu suspirei. "Eu ainda no arranjei isso, pai".
"Continue tentando, Bella. Eu sei que voc far a coisa certa. Voc  uma pessoa boa".
Isso foi golpe baixo.
"Claro, claro", eu concordei. A resposta automtica quase me fez sorrir - isso foi uma coisa que eu aprend com Jacob. Eu at usei o mesmo tom padronizado que ele
usava com o pai.
Charlie deu um sorriso e religou o som. Ele afundou mais nas almofadas, satisfeito com o seu trabalho dessa noite. Eu podia notar que ele ficaria acompanhando esse
jogo por um bom tempo.
"Boa noite, Bells"
"Te vejo de manh!" Eu corr pelas escadas.
Edward j tinha ido embora amuito tempo e no voltaria at Charlie estar dormindo - ele provavelmente estava l fora caando ou fazendo qualquer coisa para passar
o tempo - ento eu no tive pressa de tirar a roupa para ir pra cama. Eu no estava com humor pra ficar sozinha, mas eu certamente no ia descer e ficar com o meu
pai, s no caso de ainda haver algum tpico no assunto do sexo que ele ainda no tenha tocado antes; eu trem.
Ento, graas a Charlie, eu estava ferida e ansiosa. O meu dever de casa estava pronto e eu no estava melodramtica o suficiente pra ler ou ouvir msica.
Eu considerei ligar para Rene com as notcias da minha visita, mas a eu me dei conta de que eram trs horas a mais na Flrida, e ela devia estar dormindo.
Eu podia ligar pra Angela, eu achei.
Mas de repente eu me dei conta de que no era com Angela que eu queria falar. Que eu precisava falar.
Eu olhei para a janela negra vazia, mordendo o meu lbio. Eu no sei quanto tempo eu fiquei l pesando os prs e os contras - fazer a coisa certa em relao a Jacob,
ver o meu amigo mais prximo de novo, ser uma boa pessoa, versus fazer Edward ficar furioso comigo. Dez minutos talvez. Tempo suficiente pra decidir que os prs
eram vlidos e que os contras no eram. Edward s estava preocupado com a minha segurana, e eu sabia que no havia realmente um problema nesse sentido.
O telefone no ajudava em nada; Jacob se recusava a atender os meus telefonemas desde que Edward retornou.
Alm do mais, eu precisava v-lo - ver ele sorrindo do jeito que ele costumava fazer. Eu precisava repor aquela terrvel ltima memria do rosto dele condodo e
se contorcendo de dor se um dia eu quisesse voltar a ter paz de esprito.
Eu provavelmente tinha uma hora. Eu podia ir correndo at La Push e estar de volta antes que Edward se desse conta que eu havia sado. J passava do meu toque de
recolher, mas ser que Charlie realmente se preocuparia com isso quando Edward no estava envolvido? Havia um jeito de descobrir.
Eu agarrei o meu casaco e passei os meus braos pelas mangas e corr pelas escadas.
Charlie olhou pra cima do jogo, instantaneamente suspeito.
"Voc se importa se eu for ver Jake essa noite?" eu perguntei sem flego. "Eu no vou demorar".
Assim que eu disse o nome de Jake, a expresso de Charlie relaxou em um sorriso bobo. Ele no parecia surpreso pelo discurso dele fazer efeito to rapidamente. "Claro,
guria. Sem problema. Pode ficar fora o quanto quiser".
"Obrigada, pai", eu disse enquanto saia pela porta.
Como qualquer fugitiva, eu no pude deixar de olhar por cima do ombro algumas vezes enquanto corria para a minha caminhonete, mas a noite estava to escura que na
verdade no havia sentido nisso. Eu tive que sentir o caminho na lateral da caminhonete at encontrar a maaneta.
Os meus olhos estavam apenas comeando a se ajustar enquanto eu colocava as chaves na ignio. Eu girei elas com fora para a esquerda, mas ao invs de ligar rosnando
alto, o motor s fez um clique. Eu tentei de novo com os mesmo resultados.
E a um pequeno movimento na minha viso perifrica me fez pular.
"Gah!", eu ofeguei de choque quando me dei conta de que no estava sozinha na cabine.
Edward estava sentado muito rgido, um fraco ponto brilhante na escurido, s as mos dele se moviam enquanto ele girava um misterioso objeto preto pra l e pra
c. Ele olhava para o objeto enquanto falava.
"Alice ligou", ele murmurou.
Alice! Droga. Eu tinha me esquecido de lev-la em conta nos meus planos. Ele devia ter pedido pra ela ficar me vigiando.
"Ela ficou nervosa quando o seu futuro desapareceu abruptamente ha cinco minutos atrs".
Meus olhos, j arregalados de surpresa, abriram ainda mais.
"Porque ela no consegue ver os lobisomens, sabe" ele explicou com o mesmo murmrio baixo. "Voc tinha esquecido isso? Quando voc resolve juntar o seu destino ao
deles, voc desaparece tambm. Voc no podia saber dessa parte, eu me dou conta disso. Mas ser que voc pode entender que isso pode me deixar um pouco... ansioso?
Alice te viu desaparecer, e ela nem podia me dizer se voc voltaria pra casa ou no. O seu futuro ficou perdido, assim como o deles.
"Ns no temos certeza de porque isso acontece. Alguma defesa natural com a qual eles nasceram?" Ele falava como se estivesse falando sozinho agora, ainda olhando
para o pedao do motor da minha caminhonete enquanto ele o girava nas mos.
"Isso no parece ser inteiramente provvel, j que eu no tive nenhum problam em ler a mente deles. Da de Black, pelo menos."
A teoria de Carlisle  de que a vida deles  muito governada pela transformao.  mais uma reao involuntria do que uma deciso.  altamente imprevisvel, e isso
muda tudo neles. Naquele instante quando eles se transformam de um para outro, eles nem sequer existem. O futuro no pode mant-los..."
Eu escutei os pensamentos dele em silncio de pedra.
"Eu vou reconcertar o seu carro a tempo para a escola amanh, no caso de voc querer ir sozinha", ele me assegurou depois de um minuto.
Com os meus lbios grudados um no outro, eu retirei as minhas chaves rapidamente e sa da cabine rigidamente.
"Feche a janela se voc quiser que eu fique longe essa noite. Eu vou entender", ele sussurou bem antes de eu bater a porta.
Eu entrei em casa, batendo a porta tambm.
"Qual  o problema?" Charlie quis saber do sof.
"A caminhonete no quer ligar", eu rosnei.
"Quer que eu d uma olhada?"
"No. Eu vou tentar de manh".
"Quer usar o meu carro?"
Eu no devia dirigir a viatura policial dele. Charlie devia estar muito desesperado pra eu ir  La Push. Quase to desesperado quanto eu estava.
"No. Eu estou cansada", eu murmurei. "Boa noite".
Eu sub as escadas me arrastando, e fui direto para a minha janela. Eu puxei e estrutura de metal com fora - ela bateu quando fechou e o vidro tremeu.
Eu olhei para o vidro negro tremendo por um longo momento, at que ele parou. A eu suspirei e abr a janela o mximo que ela podia abrir.

3. Motivos
O sol estava to profundamente enterrado atrs das nuvens que no havia jeito de dizer se ele havia se posto ou no. Depois de um longo vo - perseguindo o sol em
direo ao oeste at que ele pareceu nem se mover no cu - isso foi especialmente desorientador; o tempo parecia estranhamente varivel. Eu fui pega de surpresa
quando a floresta deu lugar aos primeiros prdios, sinalando que estvamos quase em casa.
"Voc estava muito quieta", Edward observou. "O avio te deixou enjoada?"
"No, eu estou bem"
"Voc est triste por ir embora?"
"Mais aliviada do que triste, eu acho"
Ele ergueu uma sobrancelha pra mim. Eu sabia que era intil - e mesmo que eu no gostasse de admitir - desnecessrio pedir que ele mantivesse os olhos na estrada.
"Rene  muito mais... perceptiva do que Charlie de algumas maneiras. Isso estava me deixando inquieta".
Edward riu. "A sua me tem uma mente muito interessante. Quase infantil, mas muito intuitiva. Ela v as coisas diferente das outras pessoas".
Intuitiva. Essa era uma boa descrio da minha me - quando ela estava prestando ateno. Na maior parte do tempo Rene estava to perplexa com a sua prpria vida
que ela no reparava muito nas outras coisas. Mas esse fim de semana ela esteve prestando bastante ateno em mim.
Phil estava ocupado - o time colegial de baseball que ele estava treinando estava nas semi finais - e estando sozinha com Edward e eu apenas aguou os sentidos de
Rene. Assim que os abraos e os gritinhos de deleite dela estavam fora do caminho, Rene comeou a prestar ateno. E enquanto ela prestava ateno, seus grandes
olhos azuis ficaram primeiro confusos e depois preocupados.
Essa manh ns havamos sado pra fazer uma caminhada na praia. Ela queria mostrar as belezas do novo lar dela, ainda esperando, eu acho, que o sol pudesse me atrair
a sair de Forks.
Ela tambm queria falar comigo a ss, e isso foi facilmente arranjado. Edward havia inventado um trabalho de termologia para dar a si mesmo uma desculpa pra ficar
dentro de casa durante o dia.
Na minha cabea, eu repassei a conversa de novo...
Rene e eu andamos pela calada, tentando ficar ao alcance das sombras inconstantes que vinham das palmeiras. Apesar de ser cedo, o calor estava comeando a se acumular.
O ar estava to pesado com a umidade que simplesmente inspirar e expirar j era um exerccio para os meus pulmes.
"Bella?", minha me perguntou, olhando atravs da areia para as ondas quebrando enquanto falava.
"O que , me?"
Ela suspirou, sem me olhar nos olhos. "Eu estou preocupada..."
"O que ?" eu perguntei, ficando imediatamente ansiosa. "O que eu posso fazer?"
"No sou eu". Ela balanou a cabea. "Eu estou preocupada com voc... e Edward".
Rene finalmente olhou pra mim quando disse o nome dele, o rosto dela estava apologtico.
"Oh", eu murmurei, fixando o meu olhar num par de corredores enquanto eles passaram por ns, molhados de suor.
"Vocs dois so mais srios do que eu estive pensando", ela continuou.
Eu fiz uma careta, rapidamente revendo os ltimos dois dias na minha cabea. Edward e eu mal nos tocamos - ns frente dela, pelo menos. Eu me perguntei se Rene ia
me passar um sermo sobre responsabilidade tambm. No me importava como com o de Charlie. Com a minha me isso no era vergonhoso. Afinal, era eu quem vivia passando
esse sermo nela de vez em quando pelos ltimos dez anos.
"H alguma coisa... estranha com o jeito de vocs dois juntos", ela murmurou, a testa dela estava enrugando sobre os seus olhos confusos. "O jeito como ele olha
pra voc -  to... protetor. Como se ele estivesse prestes a se jogar na frente de uma bala pra te salvar ou algo assim".
Eu ri, apesar de ainda no ser capaz de olha-la nos olhos. "Isso  uma coisa ruim?"
"No", ela fez uma careta enquanto lutava pra encontrar as palavras. "S  diferente. Ele  muito intenso com voc... e muito cuidadoso. Eu sinto como no entendesse
realmente o relacionamento de vocs. Como se houvesse um segredo que eu estou perdendo..."
"Eu acho que voc est imaginando coisas, me". Eu disse rapidamente, lutando pra manter minha voz leve. Havia um friozinho no meu estmago. Eu havia esquecido o
quanto a minha me via. Alguma coisa na sua forma simples de ver o mundo ultrapassava todas as distraes e penetrava diretamente na verdade das coisas. Isso nunca
foi um problema antes. At agora, nunca houve um segredo que eu no pudesse contar pra ela.
"No  s ele". Ela juntou os lbios em defesa. "Eu queria que voc pudesse ver como se move perto dele".
"O que voc quer dizer?"
"A forma como voc se move - voc se orienta ao redor dele sem nem sequer pensar nisso. Quando ele se move, mesmo que um pouco, voc ajusta a sua posio ao mesmo
tempo. Como ims... ou gravidade. Voc  como um satlite, ou algo assim. Eu nunca vi nada parecido".
Ela torceu os lbios e olhou pra baixo.
"No me diga", eu zombei, forando um sorriso. "Voc est lendo mistrios de novo, no est? Ou dessa vez  fico cientfica?"
Rene corou em um rosa delicado. "A questo vai alm disso".
"Achou algo bom?"
"Bom, houve um - mas isso no importa. Ns estamos falando de voc agora".
"Voc devia continuar nos romances, me. Voc sabe que voc enlouquece".
Os lbios dela torceram pra cima nos cantos. "Eu estou sendo boba, no estou?"
Por meio segundo, eu no pude responder. Rene era to facilmente distrada. As vezes isso era uma coisa boa, porque nem todas as idias dela eram prticas. Mas
me machucou ver o quo rapidamente ela se rendia s minhas perguntas, especialmente j que ela estava absolutamente certa dessa vez.
Ela olhou pra cima, e eu controlei a minha expresso.
"Boba no - s sendo me".
Ela sorriu e depois fez um gesto largo na direo das areias brancas que se estendiam para a gua azul.
"E tudo isso no  suficiente pra fazer voc voltar a morar com a sua me boba?"
Eu bati a minha me dramaticamente na minha testa, e depois fingi estar torcendo os meus cabelos.
"Voc se acostuma com a umidade", ela prometeu.
"Voc tambm pode se acostumar  chuva", eu apontei.
Ela me acotovelou de brincadeira e depois pegou a minha me enquanto caminhvamos de volta para o carro.
Apesar das preocupaes dela comigo, ela parecia feliz o suficiente. Contente. Ela ainda olhava para Phil com olhos abobalhados, e isso era reconfortante. Com certeza
a vida dela era plena e satisfatria. Com certeza ela no sentia a minha falta tanto assim, mesmo agora...
Os dedos gelados de Edward alisavam a minha bochecha. Eu olhei pra cima, piscando, voltando para o presente. Ele se inclinou e me deu um beijo na testa.
"Voc est em casa, Bela Adormecida. Hora de acordar".
Ns estvamos parados na frente da casa de Charlie. A luz da varanda estava acesa e a viatura estava parada na entrada de carros. Enquanto eu examinava a casa, eu
vi a cortina se mexer na janela da sala de estar, jogando uma linha de luz amarela atravs da grama escura.
Eu suspirei.  claro que Charlie estava esperando para reclamar.
Edward deve ter pensado a mesma coisa, porque a expresso dele estava rgida e os olhos dele estavam remotos enquanto ele vinha abrir a porta pra mim.
"Quo ruim?", eu perguntei.
"Charlie no vai ser difcil", Edward prometeu, o nvel de voz dele no continha humor. "Ele sentiu a sua falta".
Os meus olhos se estreitaram duvidosamente. Se esse era o caso, ento porque Edward estava tenso como se para batalhar?
A minha mala era pequena, mas ele insistiu em carrega-la at em casa. Charlie segurou a porta aberta para ns.
"Bem vinda ao lar, guria!" Charlie gritou como se estivesse falando srio. "Como foi Jacksonville?"
"mido. E com insetos".
"Ento Rene no te convenceu a ir para a universidade da Flrida?"
"Ela tentou. Mas eu prefiro beber gua do que inal-la".
Os olhos de Charlie se moveram sem vontade para Edward. "Voc se divertiu?"
"Sim", Edward respondeu numa voz serena. "Rene foi muito hospitaleira".
"Isso ... hum, bom. Fico feliz que voc se divertiram". Charlie virou de costas pra Edward e me puxou em um abrao inexperado.
"Impressionante", eu suspirei no ouvido dele.
Ele abafou um riso. "Eu realmente senti sua falta, Bells. A comida aqui  uma droga quando voc no est".
"Eu vou cuidar disso", eu disse enquanto ele me soltava.
"Voc poderia ligar para Jacob antes? Ele esteve me enchendo a casa cinco minutos desde as seis horas dessa manh. Eu prometi que te faria ligar pra ele antes mesmo
de desfazer as malas."
Eu no tive que olhar pra Edward pra saber que ele estava rgido demais, frio demais ao meu lado. Ento esse era o motivo da tenso.
"Jacob quer falar comigo?"
"Muito, eu diria. Ele no quis me dizer sobre o que era - s disse que era importante".
Ento o telefone tocou, barulhento e insistente.
" ele de novo, eu aposto o meu prximo salrio", Charlie murmurou.
"Eu atendo". Eu corri para a cozinha.
Edward me seguiu enquanto Charlie desaparecia na sala de estar.
Eu agarrei o telefone no meio do toque, e me virei at que fiquei encarando a parede. "Al?"
"Voc est de volta", Jacob disse.
A familiar voz rouca dele mandou uma onda de por mim. Um milho de memrias giraram na minha cabea, se enroscando - uma praia cheia de pedras cercada de rvores
de salgueiro, uma garagem feita de telhas de plstico, refrigerantes quentes em um saco de papel, uma sala pequena com uma poltrona pequena demais. O sorriso em
seus olhos profundos-muito pretos, o calor febril da mo grande dele, e o brilho dos seus dentes brancos em contraste com sua pele escura., o rosto dele se contraindo
em um grande sorriso que sempre foi a chave para a porta secreta onde apenas bons espritos eram permitidos de entrar.
Parecia ser uma espcie de saudade de casa, essa vontade do lugar e da pessoa que havia me protegido na minha noite mais escura.
Eu limpei o caroo da minha garganta. "Sim", eu respondi.
"Porque voc no me ligou?", Jacob quis saber.
O tom raivoso da voz dele rapidamente me trouxe de volta. "Porque eu estava em casa a exatamente quatro segundos e a sua ligao interrompeu Charlie que estava dizendo
que voc ligou".
"Oh. Desculpe".
"Claro. Agora, porque voc est assediando Charlie?"
"Eu preciso falar com voc"
", eu descobri essa parte sozinha. V em frente"
Houve uma curta pausa.
"Voc vai para a escola amanh?"
Eu fiz uma careta para mim mesma, incapaz de entender o sentido dessa pergunta. " claro que vou. Porque no iria?"
"Eu no sei. S curioso".
Outra pausa.
"Ento sobre o que voc queria falar, Jake?"
Ele hesitou. "na verdade nada, eu acho. Eu... eu queria ouvir a sua voz".
", eu sei. Eu estou to feliz por voc ter ligado. Eu..." Mas eu no sabia o que mais dizer. Eu queria dize-lo que estava a caminho de La Push agora. E eu no podia
diz-lo isso.
"Eu tenho que ir", ele disse abruptamente.
"O que?"
"Eu falo com voc em breve, ta legal?"
"Mas Jake -"
Ele j tinha ido embora. Eu escutei o tom de discagem sem acreditar.
"Isso foi curto", eu murmurei.
"Est tudo bem?" Edward perguntou. A voz dele estava baixa e cuidadosa.
Eu me virei lentamente pra ele. A expresso dele estava perfeitamente suave - impossvel de ler.
"Eu no sei. Eu me pergunto o que foi isso". No fazia sentido que Jake tivesse rondado Charlie o dia inteiro s pra me perguntar se eu ia para a escola. E se ele
queria ouvir a minha voz, ento porque ele desligou to rpido?
"A sua suposio provavelmente  melhor do que a minha", Edward disse, a sombra de um sorriso aparecendo nos cantos da boca dele.
"Mmm", eu murmurei. Isso era verdade. Eu conhecia Jake por dentro e por fora. No devia ser to complicado descobrir as motivaes dele.
Com os meus pensamentos a milhas de distncia - cerca de quinze milhas de distncia, na estrada para La Push - eu comecei a mexer na frigideira, misturando os ingredientes
do jantar de Charlie. Edward se inclinou no balco, e eu estava distantemente consciente dos olhos dele no meu rosto, mas preocupada demais para me preocupar com
o que ele via l.
A coisa da escola parecia ser a chave pra mim. Essa foi a nica pergunta de verdade que Jake fez. E ele devia estar procurando a resposta para alguma coisa, seno
ele no teria chateado Charlie to insistentemente.
No entanto, porque o meu registro de presena era importante pra ele?
Eu tentei pensar nisso de forma lgica. Ento, se eu no estivesse indo para a escola amanh, qual seria o problema com isso, na perspectiva de Jacob? Charlie me
passou um pequeno sermo por perder um dia de aula to perto das provas finais, mas eu o convenci de que uma Sexta no ia atrapalhar os meus estudos. Jake dificilmente
se importaria com isso.
O meu crebro se recusava a ter uma intuio brilhante. Talvez eu estivesse perdendo um pedao vital de informao.
O que havia mudado nos ltimos trs dias que era to importante a ponto de fazer Jacob quebrar o longo perodo de se recusar a atender meus telefonemas e entrar
em contato comigo? Que diferena trs dias podia fazer?
Eu congelei no meio da cozinha.
O pacote de hambrguer congelado escorregou da minha mo pelos meus dedos entorpecidos. Me levou um lento segundo pra perder o barulho que ele devia ter feito ao
bater no cho.
Edward o havia pego e atirado no balco. Os braos dele j estavam ao meu redor, os lbios dele no meu ouvido.
"Qual  o problema?"
Eu balancei minha cabea, confusa.
Trs dias podiam mudar tudo.
Eu no estava pensando no quanto a faculdade era impossvel? Como eu no poderia nem chegar perto de pessoas durante os dolorosos trs dias da converso que ia me
livrar da mortalidade, pra que eu pudesse passar a eternidade com Edward? A converso que me faria pra sempre prisioneira da minha prpria sede...
Ser que Charlie tinha contado pra Billy que eu desapareci por trs dias? Ser que Billy tinha tirado concluses? Ser que Jacob realmente estava me perguntando
se eu ainda era humana? Tendo certeza de que o trato dos lobisomens continuava intacto - que nenhum dos Cullen havia mordido um humano... mordido... no matado...?
Mas ele realmente achava que eu voltaria para casa pra Charlie se esse fosse o caso?
Edward me chacoalhou. "Bella?" ele perguntou, realmente ansioso dessa vez.
"Eu acho... eu acho que ele estava checando". Eu murmurei. "Checando pra ter certeza. De que eu sou humana, eu quero dizer".
Edward enrijeceu, e um rugido baixo soou no meu ouvido.
"Ns teremos que ir embora", eu suspirei. "Antes. Para que o acordo no seja quebrado. Ns no seremos mais capazes de voltar".
Os braos dele se apertaram ao meu redor. "Eu sei".
"Ahem" Charlie limpou sua alto a voz atrs de ns.
Eu pulei e depois me livrei dos braos de Edward, meu rosto ficando quente. Edward se inclinou de volta no balco. Os olhos dele estavam estreitos. Eu podia ver
preocupao neles, e raiva.
"Se voc no quer fazer o jantar, eu peo uma pizza", Charlie ofereceu.
"No, est tudo bem. Eu j comecei".
"Okay", Charlie disse. Ele se encostou no arco da porta, cruzando os braos.
Eu suspirei e comecei a trabalhar, tentando ignorar a minha platia.
"Se eu te pedisse pra fazer uma coisa, voc confiaria em mim?", Edward perguntou, com um tom em sua voz macia.
Ns estvamos quase na escola. Edward estava relaxado e fazendo piada a apenas um momento atrs, e agora as mos dele estavam agarrando o volante com fora, as articulaes
dele lutando com o esforo para no quebr-lo em pedaos.
Eu encarei a expresso ansiosa dele - os olhos dele estavam distantes, como se ele estivesse ouvindo vozes distantes.
O meu pulso acelerou em resposta ao estresse dele, mas eu respondi cautelosamente. "Isso depende".
Ns entramos no estacionamento da escola.
"Eu temia que voc fosse dizer isso".
"O que voc quer que eu faa, Edward?"
"Eu quero que voc fique no carro", ele parou na sua vaga habitual e desligou o motor enquanto falava. "Eu quero que voc espere aqui at eu voltar pra te buscar".
"Mas... porque?"
Foi a que eu vi ele. Ele teria sido difcil de no reparar, parecendo uma torre sobre os estudantes como ele estava, mesmo se ele no estivesse encostado em sua
moto preta, que estava estacionada ilegalmente na calada.
"Oh"
O rosto de Jake era uma mscara de calma que eu conhecia bem. Era o rosto de que ele usava quando estava disposto a manter as suas emoes sob controle. Ela fazia
ele parecer Sam, o mais velho dos lobos, o lder do bando Quileute. Mas Jacob nunca conseguia controlar a perfeita serenidade que Sam sempre demonstrava.
Eu havia me esquecido do quanto aquele rosto me incomodava. Apesar de eu ter conhecido Sam muito bem antes dos Cullen voltarem - at gostar dele - eu nunca fui completamente
capaz de ignorar o ressentimento que eu sentia quando Jacob imitava a expresso de Sam. Era um rosto estranho. Ele no era o meu Jacob quando o usava.
"Voc tirou a concluso errada na noite passada", Edward murmurou. "Ele perguntou sobre a escola porque ele sabia que eu estaria onde voc estivesse. Ele estava
procurando por um lugar seguro pra conversar comigo. Um lugar com testemunhas".
Ento eu havia interpretado mal os motivos de Jacob na noite passada. Perdendo informaes, esse era o problema. Informaes como porque nesse mundo Jacob ia querer
falar com Edward.
"Eu no vou ficar no carro", eu disse.
Edward rosnou baixinho. " claro que no. Bem, vamos acabar logo com isso".
O rosto de Jacob endureceu quando caminhamos em direo a ele, de mos dadas.
Eu reparei nos outros rostos tambm - os rostos dos meus colegas de classe. Eu reparei em como os olhos deles arregalavam enquanto eles observavam os 2,4m do longo
corpo de Jacob, mais musculoso do que um garoto de dezesseis anos e meio podia ser. Eu vi aqueles olhos se mexerem em cima da sua camisa preta apertada - com mangas
curtas, apesar de ser um dia razoavelmente frio - seus jeans surrados e sujos de graxa, e a moto preta brilhante na qual ele estava se encostando. Os olhos deles
no ficavam em seu rosto - alguma coisa na expresso dele fazia com que eles desviassem o olhar rapidamente. E eu reparei no grande espao que todos davam pra ele,
a bolha de espao da qual ningum ousava se aproximar.
Com uma sensao de surpresa, eu me dei conta de que Jacob parecia perigoso para eles. Que estranho.
Edward parou a alguns metros de Jacob, e eu podia notar que ele estava desconfortvel por me ter to perto de um lobisomem. Ele colocou sua mo pra trs um pouco,
me colocando um pouco atrs do seu corpo.
"Voc podia ter nos ligado", Edward disse numa voz dura como ao.
"Desculpe", Jacob respondeu, o rosto dele se contorcendo em uma careta de zombaria. "Eu no tenho sanguessugas na minha discagem rpida".
"Voc podia ter me encontrado na casa de Bella,  claro".
A mandbula de Jacob flexionou, e as sobrancelhas dele estavam juntas. Ele no respondeu.
"Esse dificilmente  o lugar, Jacob. Podamos discutir isso depois?"
"Claro, claro. Eu vou passar na sua cripta depois da escola". Jacob bufou. "Qual  o problema com agora?"
Edward olhou ao redor apontando, os olhos dele pairando sobre as testemunhas que mal estavam fora do alcance auditivo. Algumas pessoas estavam hesitando na calada,
seus olhos brilhando de expectativa. Como se eles estivessem esperando que um briga fosse comear para aliviar o tdio de outra manh de Segunda. Eu vi Tyler Crowley
cutucando Austin Marks, e os dois pararam no caminho para a aula deles.
"Eu j sei o que voc veio pra dizer" Edward lembrou Jacob numa voz to baixa que eu mal consegui ouvir. "Mensagem entregue. Nos considere avisados".
Edward olhou pra baixo pra mim por um rpido segundo com olhos preocupados.
"Avisados?" eu perguntei sem entender. "Do que vocs esto falando?"
"Voc no contou pra ela?" Jacob perguntou, seus olhos arregalando de descrena. "O que foi, voc estava com medo de que ela escolhesse o nosso lado?"
"Por favor deixa pra l, Jacob" Edward disse com uma voz uniforme.
"Porque?" Jacob desafiou.
Eu fiz uma careta de confuso. "O que eu no sei? Edward?"
Edward simplesmente encarou Jacob como se no tivesse me ouvido.
"Jake?"
Jacob ergueu uma sobrancelha para mim. "Ele no te contou que o... irmo mais velho dele cruzou a linha Sbado  noite?" ele perguntou, o seu tom ficou pesado com
uma camada de sarcasmo. E a os olhos dele voltaram para Edward. "Paul est totalmente justificado em -"
"Aquela terra no tem donos!" Edward assobiou.
"No  no!"
Jacob estava ficando visivelmente nervoso. As mos dele tremiam. Ele balanou a cabea e sugou o ar profundamente para os pulmes duas vezes.
"Emmett e Paul?" eu sussurrei. Paul era o irmo mais voltil do bando de Jacob. Foi ele quem perdeu o controle naquele dia na floresta - a memria do lobo cinza
repentinamente estava vvida na minha mente. "O que aconteceu? Eles estavam brigando?" A minha voz foi aumentando com o pnico. "Porque? Paul se machucou?"
"Ningum brigou" Edward disse baixinho, s pra mim. "Ningum se machucou. No fique ansiosa".
Jacob estava olhando pra ns com olhos incrdulos. "Voc no a contou absolutamente nada, contou? Foi por isso que voc a levou embora? Pra que ela no soubesse
que -?"
"V embora agora". Edward o cortou no meio da frase, e o rosto dele ficou repentinamente assustador. Por um segundo, ela pareceu com... com um vampiro. ele olhou
pra Jacob com dio cruel, descontrolado.
Jacob ergueu as sobrancelhas, mas no fez outro movimento. "Porque voc no contou pra ela?"
Eles se encararam silenciosamente por um longo momento. Mais estudantes se acumularam atrs de Tyler e Austin. Eu vi Mike ao lado de Ben - Mike estava com uma mo
sobre o ombro de Ben, como se estivesse segurando-o no lugar.
No silncio mortal, todos os detalhes de repente se encaixaram pra mim como uma exploso de intuio.
Alguma coisa que Edward no queria que eu soubesse.
Alguma coisa que Jacob no teria escondido de mim.
Algo que havia lanado tanto os Cullen quanto os lobisomens na floresta, movendo em perigosa proximidade uns dos outros.
Alguma coisa que faria Edward insistir pra que eu voasse atravs do pas.
Alguma coisa que Alice tinha visto na viso da semana passada - uma viso sobre a qual Edward havia mentido pra mim.
Uma coisa pela qual eu j estava esperando do mesmo jeito. Uma coisa que eu sabia que aconteceria de novo, no importava o quanto eu desejasse que no acontecesse.
Isso no ia acabar nunca, no ?
Eu ouvi o rpido gasp, gasp, gasp, gasp do ar passando pelos meus lbios, mas eu no conseguia evitar. Parecia que a escola estava tremendo, como se houvesse um
terremoto, mas eu sabia que era o meu prprio tremor que causava a iluso.
"Ela voltou por mim" eu me engasguei.
Victria nunca ia desistir at que eu estivesse morta. Ela continuaria repetindo o mesmo padro - aparecer e fugir, aparecer e fugir - at que ela encontrasse um
buraco entre os meus defensores.
Talvez eu tivesse sorte. Talvez os Volturi me encontrassem primeiro - pelo menos, eles me matariam mais rpido.
Edward me segurou com fora ao seu lado, angulando seu corpo para que ele ainda estivesse entre mim e Jacob, e acariciou meu rosto com mos ansiosas. "Est tudo
bem", ele sussurrou. "Est tudo bem. Eu nunca vou deixa-la se aproximar de voc. Est tudo bem".
Ento ele encarou Jacob. "Isso responde a sua pergunta, mongol?"
"Voc no acha que Bella tem o direito de saber?" Jacob desafiou. " a vida dela"
Edward manteve sua voz baixa; mesmo Tyler, que estava se inclinando uns centmetros para a frente, seria incapaz de ouvir. "Porque ela devia ser assustada se ela
nunca estava em perigo?"
"Melhor assustada do que enganada".
Eu tentei me recompor, mas os meus olhos estavam nadando em umidade. Eu podia v-la por trs das minhas plpebras - eu podia ver o rosto de Victoria, seus lbios
erguidos sobre seus dentes, seus olhos vermelhos brilhando com sua obsesso por vingana; ela responsabilizava Edward pela morte do seu amor, James. Ela no pararia
at que o amor dele fosse tirado tambm.
Edward limpou as lgrimas das minhas bochechas com as pontas dos dedos.
"Voc realmente acha que machuca-la  melhor do que proteg-la?" ele murmurou.
"Ela  mais durona do que voc pensa" Jacob disse. "E ela j passou por coisa pior".
Repentinamente, a expresso de Jacob mudou, e ele estava olhando pra Edward com uma expresso estranha, especulativa.
Os olhos dele ficaram estreitos como se ele estivesse tentando resolver um problema difcil de matemtica na cabea.
Eu senti Edward enrijecer. Eu olhei pra ele, e o rosto dele estava contorcido com o que s podia ser dor. Por um momento terrvel, eu me lembrei daquela tarde na
Itlia, no macabro quarto na torre dos Volturi, onde Jane havia torturado Edward com o seu dom maligno, queimando-o apenas com seus pensamentos...
A memria me arrancou da minha histeria e colocou tudo em perspectiva. Porque eu preferiria que Victoria me matasse mil vezes do que ver Edward sofrer aquilo de
novo.
"Isso  engraado" Jacob disse, rindo enquanto ele olhava o rosto de Edward.
Edward gemeu, mas suavizou a expresso com um pouco de esforo. Ele no conseguia esconder muito bem a agonia em seus olhos.
Eu olhei, com os olhos arregalados, da careta de Edward para o riso de Jacob.
"O que voc est fazendo com ele?" eu quis saber.
"No  nada, Bella" Edward me disse baixinho. "Jacob tem uma boa memria, isso  tudo".
Jacob deu um sorriso largo e Edward gemeu de novo.
"Pare com isso! O que quer que voc esteja fazendo".
"Claro, se voc quer", Jacob levantou os ombros. "No entanto,  culpa dele mesmo que ele no gosta do que eu lembro".
Eu o encarei, e ele sorriu de volta cinicamente - como uma criana que foi pega fazendo alguma coisa que ele sabe que no devia por uma pessoa que ele sabe que no
vai castig-lo.
"O diretor est  caminho para desencorajar badernas no terreno escolar". Edward murmurou pra mim. "Vamos para a aula de Ingls, Bella, pra que voc no se involva".
"Ele  super protetor, no ?" Jacob disse, falando s comigo. "Um pouco de problema  divertido. Deixa eu adivinhar, voc no tem permisso pra se divertir, no
?"
Edward encarou, e seus lbios se ergueram um pouco sobre seus lbios.
"Cala a boca, Jake", eu disse.
Jacob riu. "Isso soa como um no. hey, se um dia voc sentir vontade de ter uma vida novo, voc podia vir me ver. Eu ainda estou com a sua moto na garagem".
Essa notcia me distraiu. "Era pra voc ter vendido aquilo. Voc prometeu a Charlie que venderia". Se eu no tivesse implorado por Jacob - afinal, foi ele quem trabalhou
nas duas motos, e ele merecia um pouco do meu troco - Charlie teria jogado a minha moto num lixo. E possivelmente incendiaria o lixo.
", certo. Como se eu fosse fazer isso. Ela pertence a voc, no a mim. De qualquer forma, eu vou guard-la at voc voltar".
Uma pequena sombra do sorriso que eu lembrava repentinamente estava brincando nos cantos dos lbios dele.
"Jake..."
Ele se inclinou para a frente, agora seu rosto estava ansioso, o sarcasmo cido estava desaparecendo. "Eu acho que estava errado antes, sabe, sobre e eu voc no
sermos capazes de ser amigos. Talvez pudssemos lidar com isso, no meu lado da linha. Venha me ver".
Eu estava vividamente consciente de Edward, com seus braos ainda me cercando protetoramente, imvel como uma pedra. Eu dei uma olhada no rosto dele - estava calmo,
paciente.
Jacob abriu mo completamente da fachada antagonista. Foi como se ele tivesse esquecido que Edward estava l, ou pelo menos ele estava determinado a agir dessa forma.
"Eu sinto sua falta todos os dias, Bella. No  a mesma coisa sem voc".
"Eu sei e eu sinto muito, Jake,  s que eu..."
Ele balanou a cabea e suspirou. "Eu sei. No importa, certo? Eu acho que eu vou sobreviver ou algo assim. Quem precisa de amigos?" Ele fez uma careta, tentando
esconder a dor com uma fina tentativa de bravura.
O sofrimento de Jacob sempre fazia o meu lado protetor despertar. Isso no era completamente racional - Jacob dificilmente precisaria de qualquer proteo fsica
que eu pudesse oferecer. Mas os meus braos, apertados embaixo dos de Edward, queriam alcan-lo. Envolver a sua cintura grande, quente em uma promessa silenciosa
de aceitao e conforto.
Os braos protetores de Edward se tornaram restritivos.
"Tudo bem, para as salas" uma voz diferente soou atrs de ns. "Mova-se, Sr. Crowley".
"V para a escola, Jake", eu sussurrei, ansiosa assim que eu reconheci a voz do diretor. Jacob freqentava a escola Quileute mas ele ainda podia ter problemas por
invaso ou algo assim.
Edward me soltou, segurando apenas a minha mo e me puxando pra trs do seu corpo de novo.
O Sr. Greene abriu caminho pelo crculo de espectadores, as suas sobrancelhas pressionadas pra baixo como nuvens de uma tempestade mal humorada em cima dos seus
olhos pequenos.
"Eu falo srio", ele estava ameaando. "Deteno pra todo mundo que ainda estiver aqui quando eu me virar de novo".
A platia de dissolveu antes que ele terminasse a frase.
"Ah, Sr. Cullen. Temos um problema aqui?"
"Absolutamente no, Sr. Greene. Ns estvamos a caminho da aula".
"Excelente. Eu no pareo reconhecer o seu amigo" O Sr. Greene virou seu olhar para Jacob. "Voc  um estudante novo aqui?"
Os olhos do Sr. Greene estudaram Jacob, e eu podia ver que ele havia chegado a concluso que todos haviam chegado: perigoso. Um encrenqueiro.
"No", Jacob respondeu, um meio sorriso nos seus lbios cheios.
"Ento eu sugiro que voc se retire da propriedade escola imediatamente, meu jovem, antes que eu ligue para a polcia".
O pequeno sorriso de Jacob se transformou num riso aberto, e eu sabia que ele estava imaginando Charlie aparecendo para prend-lo. Esse sorriso era cido demais,
muito cheio de zombaria para o meu gosto. Esse no era o sorriso que eu estive esperando pra ver.
Jacob disse "Sim, senhor" e fez uma saudao militar antes de montar em sua motocicleta e dar a partida l mesmo na calada. O motor roncou e os pneus cantaram quando
ele fez uma curva fechada. Em questo de segundos, Jacob estava fora de vista.
O Sr. Greene arranhou os trincou os dentes enquanto ele assistia essa performance.
"Sr. Cullen, eu espero que voc pea que seu amigo se retenha de invadir de novo".
"Ele no  meu amigo, Sr Greene, mas eu vou passar o aviso".
O Sr. Greene torceu os lbios. As notas perfeitas e os registros impecveis de Edward eram claramente uma fator para a anlise do Sr Greene do incidente. "Eu entendo.
Se voc estiver preocupado com qualquer problema, eu ficaria feliz em -"
"No h nada com o que se preocupar, Sr. Greene. No haver nenhum problema".
"Eu espero que isso esteja correto. Bem, ento. Para a aula. Voc tambm, Srta. Swan".
Edward acenou com a cabea, e me puxou junto rapidamente em direo ao prdio da aula de Ingls.
"Voc se sente bem o suficiente para ir para a aula?" ele sussurrou quando passamos do diretor.
"Sim" eu sussurrei de volta, sem ter certeza de se era uma mentira.
Quer eu me sentisse bem ou no, essa dificilmente era a considerao mais importante. Eu precisava falar com Edward imediatamente, e a aula de Ingls no era o local
ideal para a conversa que eu tinha em mente.
Mas com o Sr. Greene bem atrs de ns, no haviam muitas outras opes.
Ns chegamos na aula um pouco atrasados e nos sentamos rapidamente. O Sr. Berty estava recitando um poema de Frost. Ele ignorou a nossa entrada, se recusando a nos
deixar quebrar o seu ritmo.
Eu arranquei uma pgina em branco do meu caderno e comecei a escrever, a minha escrita estava mais ilegvel do que o normal graas a minha agitao.
-O que aconteceu? Me conte tudo. E para com essa bobagem de me proteger, por favor.
Eu joguei o bilhete para Edward. Ele suspirou e ento comeou a escrever. Ele levou menos tempo que eu, apesar dele ter escrito um pargrafo inteiro com a sua caligrafia
particular antes de passar o papel de volta.
-Alice viu que Victoria estava vindo. Eu te tirei da cidade meramente por precauo - nunca houve uma chance de que Victoria chegasse em algum lugar perto de voc.
Emmett e Jasper por pouco no pegaram ela, mas Victoria parece ter algum instinto para fuga.
-Ela escapou bem por baixo das fronteira Quileute como se ela estivesse vendo um mapa. No ajudou muito as habilidades de Alice serem inteis com os Quileute. Para
ser honesto, os Quileute podiam ter pego ela tambm, se ns no tivssemos entrado no caminho. O grande cinza achou que Emmett tinha ultrapassado a barreira e ficou
defensivo.  claro que Rosalie reagiu a isso, e todos abandonaram a caada pra proteger seus companheiros. Carlisle e Jasper conseguiram acalmar as coisas antes
que elas sassem do controle. Mas at a, Victoria j tinha escapado. Isso  tudo.
Eu fiz uma careta para as letras na pgina. Todos eles haviam estado nisso - Emmett, Jasper, Alice, Rosalie e Carlisle. Talvez at Esme, apesar dele no ter mencionado
ela. E tambm Paul e o resto do bando Quileute. Podia ter sido to fcil as coisas acabarem em briga, colocando a minha futura famlia e os meus velhos amigos uns
contra os outros. E qualquer um deles podia ter se machucado. Eu imaginei que os lobisomens estariam em maior perigo, mas imaginando a pequena Alice perto de um
dos enormes lobisomens, lutando...
Eu tremi.
Cuidadosamente, eu apaguei o pargrafo inteiro com a minha borracha e escrevi no topo:
-E quanto a Charlie? Ela podia ter estado atrs dele.
Edward j estava balanando a cabea antes de eu ter terminado, obviamente preparado pra lidar com qualquer perigo que afligisse Charlie. Ele levantou a mo, mas
eu ignorei e comecei de novo.
-Voc no pode saber que ela no estava pensando isso, porque voc no estava aqui. Flrida foi uma m idia.
Ele pegou o papel de baixo da minha mo
-Eu no estava disposto a te mandar sozinha. Com a sua sorte, nem a caixa preta sobreviveria.
No foi isso o que eu quis dizer; eu no tinha pensado em ir sem ele. Eu quis dizer que ns devamos ter ficado aqui juntos. Mas eu fui distrada pela resposta,
e um pouco ofendida. Como se eu no pudesse voar pelo pas sem fazer o avio cair. Muito engraado.
-Ento digamos que a minha m sorte tivesse derrubado o avio. O que exatamente voc teria feito sobre isso?
-Porque o avio est caindo?
Agora ele estava tentando esconder um sorriso.
-Os pilotos desmaiaram de bbados.
-Fcil. Eu pilotaria o avio.
 claro. Eu torci os meus lbios de novo.
-Os dois motores explodiram e estamos caindo em espiral em direo  morte.
-Eu vou esperar at estarmos bem perto do cho, te segurar bem apertado, chutar a parede fora, e pular. Depois ns voltaramos a cena do acidente, e ns andaramos
por a como os dois sobreviventes mais sortudos da histria.
Eu o encarei sem palavras.
"O que?" ele sussurrou.
Eu balancei a minha cabea abobalhada. "Nada" eu fiz com a boca.
Eu deixei pra l a conversa desconcertante e escrevi mais uma linha.
-Voc vai me contar da prxima vez.
Eu sabia que haveria uma prxima vez. Esse padro continuaria at que algum perdesse.
Edward me olhou nos olhos por um longo tempo. Eu me perguntei qual seria a aparncia do meu rosto - ele estava frio, como se o sangue ainda no tivesse retornado
para as minhas bochechas. Os meus clios ainda estavam molhados.
Ele suspirou e depois balanou a cabea uma vez.
-Obrigada.
O papel desapareceu de baixo da minha mo. Eu olhei pra cima, piscando com a minha surpresa, exatamente quando o Sr. Berty vinha andando pelo corredor.
"H alguma coisa que voc queira dividir a, Sr. Cullen?"
Edward olhou pra cima inocentemente e levantou uma folha de papel do topo do seu caderno. "As minhas anotaes?" ele perguntou, parecendo confuso.
O Sr. Berty vasculhou as anotaes - sem dvida era um bela prescrio da aula dele - e depois foi embora fazendo uma careta.
Foi mais tarde, na aula de Clculo - a nica que eu no tinha com Edward - que eu ouvi a fofoca.
"O meu dinheiro est no grande ndio", algum estava dizendo.
Eu espiei pra ver que Tyler, Mike, Austin e Ben estavam com as cabeas juntas, absolvidos em uma conversa.
"", Mike sussurrou. "Vocs viram o tamanho daquele garoto Jacob? Eu acho que ele derrubava o Cullen" Mike parecia feliz com a idia.
"Eu no acho", Ben discordou. "Tem alguma coisa em Edward. Ele  sempre to... confiante. Eu tenho a sensao de que ele saberia cuidar de si mesmo".
"Eu estou com Ben", Tyler concordou. "Alm do mais, se qualquer outro garoto mexesse com Edward voc sabe que aqueles irmos mais velhos dele iam se involver".
"Voc j esteve em La Push ultimamente?" Mike perguntou. "Lauren e eu fomos  praia umas duas semanas atrs, e pode acreditar em mim, os amigos de Jacob so to
grandes quanto ele."
"Huh" Tyler disse. "Que pena que no deu em nada. Acho que a gente nunca vai saber como teria acabado".
"Pra mim no pareceu acabado" Austin disse. "Talvez tenhamos a chance de ver."
Mike riu. "Algum t a fim de apostar?"
"Dez no Jacob" Austin disse imediatamente.
"Dez em Cullen" Tyler se juntou.
"Dez em Edward", Bem concordou.
"Hey, algum de vocs sabe do que se tratou?" Austin pensou. "Isso pode afetar os resultados".
"Eu posso imaginar" Mike disse, e ento deu uma olhada para mim ao mesmo tempo que Ben e Tyler.
Pelas expresses deles, eles no se deram conta de que eu estava a uma distncia audvel. Eles todos desviaram o olhar rapidamente, enfiando papis em suas mesas.
"Eu ainda digo Jacob", Mike murmurou por baixo do flego.

4. Natureza
Eu estava tendo uma semana ruim.
Eu sabia que essencialmente nada havia mudado. Tudo bem, ento Victoria no tinha desistido, mas ser que eu tinha sonhado por um momento que ela havia? O reaparecimento
dela spo confirmava o que eu j sabia. Nenhum motivo pra novo pnico.
Teoricamente. No entrar em pnico era mais fcil de dizer do que fazer.
A formatura era daqui a umas semanas, mas eu me perguntei se no era um pouco bobo ficar sentada, fraca e saborosa, esperando pelo prximo desastre. Parecia perigoso
demais ser humana - simplesmente implorar pra ter problemas. Uma pessoa com a minha sorte tende a ser um pouco desesperanada.
Mas ningum me escutava.
Carlisle dizia "Ns somos sete, Bella. E com Alice ao nosso lado, eu no acho que Victoria v nos pegar fora de guarda. Eu acho que  importante, pelo bem de Charlie,
que ns continuemos com o plano original.
Esme disse "Ns nunca permitiremos que nada acontea com voc, querida. Voc sabe disso. Por favor, no fique ansiosa." E a ela me deu um beijo na testa.
Emmett disse "eu estou feliz por Edward no ter te matado. Tudo  muito mais divertido com voc por perto".
Rosalie encarou ele.
Alice revirou os olhos e disse "Eu estou ofendida. Voc no est honestamente preocupada com isso, est?"
"Se no  nada importante, ento porque Edward me arrastou para a Flrida?" eu quis saber.
"Voc no reparou ainda, Bella, que Edward tem uma pequena tendncia a ser exagerado?"
Jasper havia silenciosamente apagado todo o pnico e a tenso do meu corpo com o seu curioso talento de mudar as emoes na atmosfera. Eu me sent segura, e deixei
que eles me convecessem a sair do meu rogo desesperado.
 claro que a calma desapareceu assim que eu e Edward samos da sala.
Ento, o consenso era de que eu devia esquecer que uma vampira alucinada estava me perseguindo, com inteno de me matar. Se meter nos meus assuntos.
Eu tentei. E surpreendentemente, haviam outras coisas igualmente estressantes para duelas comigo pelo status na lista de espcies em perigo...
Porque a resposte de Edward foi a mais frustrante de todas.
"Isso  entre voc e Carlisle", ele disse. " claro, voc sabe que eu estou desejoso de fazer com que seja entre voc e eu a qualquer hora que voc desejar. Voc
sabe a minha condio". E ele sorriu angelicalmente.
Ugh. Eu sabia a condio dele. Edward havia prometido que ele mesmo me transformaria quando eu quisesse... contanto que eu me casasse com ele primeiro.
As vezes eu me perguntava se ele no estava s fingindo que no lia a minha mente. De outra forma, como ele ia manter a insistncia na nica condio que eu tinha
problema em aceitar? A nica condio que me fazia desacelerar.
Tudo em tudo, uma semana muito ruim. E hoje era o pior dia dela.
Era sempre ruim quando Edward estava longe. Alice no havia previsto nada fora do normal esse fim de semana, ento eu insist que ele aproveitasse a oportunidade
e fosse caar com os seus irmos. Eu sabia o quanto o deixava chateado caar as presas chatas, fceis que haviam por perto.
"V se divertir", eu disse pra ele. "Traga alguns lees da montanha para mim".
Eu jamais admitiria pra ele o quanto era difcil pra mim quando ele estava longe - como isso trazia de volta os meus pesadelos de abandono. Se ele soubesse disso,
isso faria com que ele se sentisse horrvel e ele ficaria com medo de me deixar de novo, mesmo pelas razes mais necessrias. Foi assim desde o comeo, quando ele
retornou da Itlia. Os olhos dourados dele haviam ficcado pretos e ele sofria com a sede mais do que j era necessrio que ele sofresse. Ento eu fazia uma cara
corajosa e chutava ele pra fora de casa toda vez que Emmett e Jasper queriam ir.
No entanto, eu acho que ele via alm de mim. Um pouco. Essa manho havia um bilhete no meu travesseiro:
- Eu volto logo pra que voc no precise sentir a minha falta. Tome conta do meu corao - eu deixei ele com voc.
Ento agora eu tinha um longo Sbado vazio com nada alm do meu turno matutino no Newton's Olympics Outfitters pra me distrair. E,  claro,. eu tinha a promessa
muito confortadora de Alice.
"Eu vou ficar perto de casa pra caar. Eu s estarei a quinze minutos de distncia se voc precisar de mim. Eu vou ficar de olho se tiverem problemas pra voc".
Traduo: no tente nada engraadinho s porque Edward est longe.
Alice certamente era to capaz de arruinar a minha caminhonete quanto Edward.
Eu tentei olhar as coisas pelo lado bom. Depois do trabalho, eu tinha planos pra ajudar Angela com os anncios dela, ento, isso seria uma distrao. E Charlie estava
com excelente humor por causa da ausncia de Edward, ento eu devia aproveitar enquanto durava. Alice passaria a noite comigo se eu fosse pattica o suficiente pra
ped-la. E a amanh, Edward estaria de volta. Eu ia sobreviver.
No querendo chegar ridicilarmente cedo para o trabalho, eu tomei o caf da manh lentamente. Um cereal de cada vez. Ento, quando eu lavei os pratos, eu arrumei
os ims na geladeira em uma linha perfeita. Talvez eu estivesse adquirindo um transtorno obcessivo compulsivo.
Os ltimos dois ims - pedaos utilitrios arredondados pretos que eram os meus favoritos porque odiam segurar dez folhas de papel na geladeira sem esforo - no
quiseram cooperar com a minha fixao. As polaridades deles eram reversas; toda vez que eu tentava alinhar um deles, o outro pulava fora do lugar.
Por alguma razo - mania iminente, talvez - isso realmente me irritou. Porque que eles no podiam simplesmente ser bonzinhos? Estpida de teimosia, eu continuei
a coloc-los juntos como se estivesse esperando que eles desistissem de repente. Eu podia trocar um de lugar, mas isso ia parecer uma derrota. Finalmente, mais exasperada
comigo mesma do que com os ims, e os tirei da geladeira e os juntei com as duas mos. Exigiu um pouco de esforo - eles eram fortes o suficiente para sustentar
uma briga - mas eu os forcei a coexistir, lado a lado.
"Vejam", eu disse em voz alta - falando com objetos inanimados, nunca um bom sinal - "No  to horrvel, ?"
Eu fiquei l feito uma idiota por um segundo, sem ser exatamente capaz de admitir que eu no estava tendo nenhum efeito duradouro nos princpios cientficos. Ento,
com um suspiro, eu coloquei os ims de volta na geladeira, um centmetro separados.
"No h necessidade de ser to inflexvel", eu murmurei.
Ainda era muito cedo, mas eu decid que era melhor eu sair de casa antes que os objetos inanimados comeassem a responder.
Quando eu cheguei nos Newton, Mike estava passando pano metodicamente nos corredores enquanto a mo dele arrumava o novo display do balco. E os peguei no meio de
um discusso, inconscientes de que eu havia chegado.
"Mas  a nica hora que Tyler pode ir", Mike reclamou. "Voc disse que depois da formatura -"
"Voc simplesmente vai ter de esperar", a Sra. Newton disparou. "Voc e Tyler podem pensar em outra coisa pra fazer. Voc no vai  Seattle at que a polcia pare
o que quer que esteja aontecendo l. Eu sei que Beth Crowley disse a mesma coisa a Tyler, ento no haja como se eu fosse o bandido - oh, bom dia, Bella", ela disse
quando me viu, iluminando o seu tom imediatamente. "Voc chegou cedo".
Karen Newton era a ltima pessoa a quem eu pediria ajuda numa loja de equipamentos de esporte. O seu cabelo loiro perfeitamente claro estava sempre preso em uma
elegante trana na parte de trs do seu pescoo, as unhas dela eram pintadas por profissionais, assim como as unhas de seus ps - que eram visveis pelos sapatos
altos de tiras que no se assemelhava em nada com o que Newton oferecia no longo corredor de botas de caminhada.
"Pouco trnsito", eu brinquei enquanto pegava o meu odioso uniforme laranja florescente debaixo do balco. Eu estava supresa pela Sra. Newton estar to afetada por
essa coisa em Seattle quanto Charlie. Eu pensei que ele estava sendo exagerado.
"Bem, er..." a Sra. Newton hesitou por um momento, brincando desconfortavelmente com a pilha de panfletos que ela estava arrumando na registradora.
Eu parei com um brao s no meu uniforme. Eu conhecia aquele olhar.
Quando eu avisei os Newton de que no estaria trabalhando aqui no vero - abandonando-os na poca mais agitada, na verdade - eles comearam a treinar Kate Marshall
pra ficar no meu lugar. Eles no podiam pagar ns duas ao mesmo tempo, ento, quando parecia ser um dia calmo...
"Eu ia ligar" a Sra. Newton continuou. "Eu no acho que estamos esperando uma tonelada de trabalho hoje. Mike e eu provavelmente podemos cuidar das coisas. Eu lamento
por termos feito voc dirigir at aqui..."
Num dia normal, eu estaria estasiada por essa virada nos planos. Hoje... no tanto.
"Okay", eu suspirei. Os meus ombros caram. O que eu ia fazer agora?
"Isso no  justo, me", Mike disse. "Se Bella quer trabalhar -"
"No, est tudo bem Sra. Newton. Srio, Mike. Eu tenho que estudar para as provas finais e tudo mais..." eu no queria ser a fonte de um discrdia familiar quando
eles j estavam discutindo.
"Obrigada, Bella. Mike, voc esqueceu o corredor quatro. Um, Bella, voc se incomodaria em jogar esses panfletos fora enquanto estiver saindo? Eu disse  garota
que os deixou aqui que eu os colocaria no balco, mas eu realmente no tenho espao".
"Claro, sem problema". Eu tirei o meu uniforme, e enfiei os panfletos embaixo do brao e sa para a fina chuva.
O lixo ficava no lado de trs do Newton's, perto de onde os funcionrios deviam estacionar. Eu me arrastei, chutando pedrinhas petulantemente no caminho. Eu estava
prestes a jogar a pilha de papis amarelos na lata de lixo quando a impresso no topo da pgina chamou minha ateno. Uma palavra em particular aumentou minha ateno.
Eu apertei os papis com ambas as mos e olhei para a foto embaixo das legendas. Um caroo me subiu  garganta.
SALVE O LOBO DO OLMPICO
Embaixo das palavras, havia um desenho detalhado de um lobo na frente de uma rvore, com a cabea pra trs enquanto parecia uivar para a lua. Era uma foto desconcertante;
alguma coisa na postura melanclica do lobo fez com que ele parecesse abandonado. Como se ele estivesse uivando de tristeza.
E ento eu estava correndo para a minha caminhonete, ainda agarrando os panfletos.
Quinze minutos - isso era tudo o que eu tinha. Mas isso devia ser o suficiente. Eram apenas quinze minutos at La Push, e certamente eu ia alcanar  fronteira antes
de alcanar a cidade.
A minha caminhonete ligou sem nenhuma dificuldade.
Alice no podia ter me visto fazendo isso, porque eu no estive planejando. Uma deciso repentina, essa era a chave! E contanto que eu me movesse rpido o suficiente,
eu seria capaz de realiz-la.
Eu joguei os panfletos amarelos na minha pressa e eles se espalharam numa baguna brilhante no meu banco do passageiro - cem letras de legendas, cem lobos escuros
uivantes se esboavam no fundo amarelo.
Eu embarrilei pela estrada molhada, ligando os limpadores de vidros e ignorando o barulho do motor velho. Cinquenta e cinco era quase o limite mximo da minha caminhonete,
e eu rezei pra que isso fosse suficiente.
Eu no fazia idia de onde ficava a linha da fronteira, mas eu comecei a me sentir mais segura quando comecei a passar pelas primeiras casas da sada de La Push.
Isso devia alm de onde Alice tinha permisso de ir.
Eu ia ligar pra ela da casa de Angela essa tarde, eu pensei, pra que ela soubesse que eu estava bem. No havia razo pra ela ficar preocupada. Ela no precisava
ficar com raiva de mim - Edward ficaria com raiva o suficiente pelos dois quando voltasse.
A minha caminhonete estava certamente a ponto de desistir quando eu parei na frente da casa familiar de um vermelho gasto. O caroo voltou  minha garganta enquanto
eu olhava para o pequeno lugar que um dia foi meu refgio. J fazia tanto tempo desde que eu tinha estado l.
No silncio repentino quando o motor da caminhonete morreu, eu o ouv ofegar.
"Bella?"
"Hey, Jake!"
"Bella!", ele gritou de volta, e o sorriu pelo qual eu estava esperando se abriu no rosto dele como se fosse o sol saindo por entre as nuvens. Os dentes dele cintilaram
brilhantes contra a sua pele ruiva. "Eu no acredito!"
Ele correu para a caminhonete e meio que me arrancou pela porta aberta, e depois ns dois estavamos pulando pra cima e pra baixo feito duas crianas.
"Como voc chegou aqui?"
"Eu escapul!"
"Maravilhoso!"
"Hey, Bella!", Billy havia se empurrado at o arco da porta pra ver do que se tratava toda aquela comoo.
"Hey, Bil -!"
Ento o meu ar desapareceu - Jacob me agarrou em um abrao de urso apertado demais pra me deixar respirar e me girou em crculo.
"Uau,  bom te ver aqui!"
"No consigo... respirar!", eu botei pra fora.
Ele riu e me colocou no cho.
"Bem vinda, Bella", ele disse, rindo. E o jeito como ele disse as palavras fez com que parecesse Bem vinda ao lar.
Ns comeamos a andar, animados demais pra ficarmos sentados em casa. Jacob estava praticament pulando enquanto se movia, e eu tive que lembr-lo algumas vezes de
que as minhas pernas no tinham dez metros de comprimento.
Enquanto caminhvamos, eu sent que estava entrando em outra verso de mim mesma, a pessoa que eu era com Jacob. Um pouco mais jovem, um pouco mais irresponsvel.
Algum que podia, em uma certa ocasio, fazer algum realmente muito estpido por nenhum bom motivo.
A nossa exuberncia durou durante os primeiros tpicos da nossa conversa: como estvamos indo, o que estvamos fazendo, quanto tempo eu tinha, e o que havia me trazido
aqui. Quando eu hesitantemente o contei sobre os panfletos do lobo, a sua risada estrondosa ecoou nas rvores.
Mas depois, quando ns passamos pela loja e passamos pelos arbustos grossos que cercavam a Primeira Praia, ns fomos para as partes mais difceis.
Cedo demais ns tivemos que comear a falar sobre os motivos por trs da nossa longa separao, e eu observei o rosto do meu amigo endurecer at se transformar naquela
mscara cida com a qual eu j era bem familiar.
"Qual  a histria, afinal?" Jacob me perguntou, chutando um pedao de graveto fora do seu caminho com fora demais. Ele viajou pela areia e depois se espatifou
nas rochas. "Quer dizer, da ltima vez que ns... bem, antes de, voc sabe..." Ele lutou pelas palavras. Ele respirou fundo e tentou de novo. "O que eu estou perguntando
... tudo est de volta a ser como era antes dele ir embora? Voc perdoou ele por aquilo tudo?"
Eu respirei fundo. "No havia nada pra perdoar".
Eu queria pular essa parte, as traies, as acusaes, mas eu sabia que teramos que falar tudo antes que fssemos capazes de superar todo o resto.
O rosto de Jacob enrugou como se ele tivesse lambido um limo. "Eu queria que Sam tivesse tirado uma foto quando ele te encontrou naquela noite em Setembro. Ela
seria a prova A"
"Ningum est em julgamento"
"Talvez algum devesse estar"
"Voc no o culparia por ir embora se soubesse as razes dele pra ir embora".
Ele me encarou por alguns segundos. "Tudo bem", ele me desafiou acidamente. "Me surpreenda".
A hostilidade dele estava me cansando - era como esfregar algo spero, doa quando ele estava com raiva de mim. Eu me lembrei da tarde, ha muito tempo atrs, quando
- com as ordens de Sam - ele me disse que no podamos ser amigos. Eu levei um longo segundo pra me recompor.
"Edward me deixou porque ele no achava que eu devia estar andando com vampiros. Ele achou que seria mais saudvel pra mim se ele fosse embora".
Jacob ingeriu isso. Ele teve que pensar por um minuto. O que quer que ele estivesse planejando dizer, claramente no funcionava mais. Eu estava feliz por ele no
saber o que fez a deciso de Edward ser tomada. Eu s podia imaginar o que ele pensaria se ele soubesse que Jasper tinha tentado me matar.
"No entanto, ele voltou, no voltou?" Jacob murmurou. "Que pena que ele no pode sustentar a deciso".
"Se voc se lembra, eu fui e peguei ele".
Jacob olhou pra mim por um momento, e depois desistiu. O rosto dele relaxou, e sua voz estava mais calma quando ele falou.
"Isso  verdade. Eu nunca ouv a histria. O que aconteceu?"
Eu hesitei, mordendo o meu lbio.
" um segredo?" A voz dele tomou um tom de zombaria. "Voc no tem permisso pra me contar?"
"No", eu disparei. "S que  uma histria muito longa".
Jacob sorriu, arrogante, e virou pra caminhar para a praia, esperando que eu o seguisse.
No tinha graa estar com Jacob se ele ia agir desse jeito. Eu o segu automaticamente, sem ter certeza se eu devia me virar e ir embora. Porm, eu ia ter que enfrentar
Alice, quando eu chegasse em casa... eu acho que no estava com pressa.
Jacob caminhou para um enorme, familiar, pedao de salgueiro - uma rvore inteira, com razes e tudo, esbranquiado, e bem afundado na areia; era a nossa rvore,
de certa forma.
Jacob sentou no banco natural, e deu uns tapinhas no espao ao lado dele.
"Eu no me importo com histrias longas. Tem ao?"
Eu revirei os meus olhos enquanto me sentava ao lado dele. "Tem um pouco de ao", eu permit.
"No seria uma histria de terror se no tivesse ao"
"Terror!", eu repreend. "Voc pode ouvir, ou voc vai ficar me interrompendo com comentrios rudes sobre os meus amigos?"
Ele fingiu trancar os lbios e depois jogou a chave invisvel por cima do ombro. Eu tentei no sorrir, e falhei.
"Eu tenho que comear por onde voc j estava", eu decid, trabalhando pra organizar as histrias na minhacabea antes de comear.
Jacob ergueu a mo.
"Pode falar"
"Isso  bom", ele disse. "Eu no entend muito bem o que estava acontecendo naquela hora".
", bem, vai ficar complicado, ento preste ateno. Voc sabe como Alice v as coisas?"
Eu entend a careta dele - os lobisomens no estavam felizes porque as lendas sobre os vampiros possuirem dons sobrenaturais eram verdadeiras - como um sim, e prossegui
com a histria da minha corrida pela Itlia para resgatar Edward.
Eu a mant o mais suscinta possvel - deixando de fora qualquer coisa que no fosse essencial. Eu tentei ler as expresses de Jacob, mas o rosto dele estava enigmtico
quando eu expliquei como Alice tinha visto Edward planejando se matar quando ele ouviu que eu havia morrido. As vezes Jacob parecia to absolvido em pensamentos,
que eu no tinha certeza de que ele estava ouvindo. Ele s interrompeu uma vez.
"A sugadora de sangue que v o futuro no pode nos ver?" ele ecoou, o rosto dele estava to feroz quanto estava alegre. "Srio? Isso  excelente!"
Eu trinquei os meus dentes, e ns sentamos em silncio, o rosto dele estava cheio de expectativa enquanto ele esperava que eu continuasse. Eu o encarei at que ele
reparasse no seu erro.
"Oops!", ele disse. "Desculpe" Ele trancou os lbios de novo.
A resposta dele foi fcil de ler quando eu contei sobre os Volturi. Os dentes dele trincaram, os braos dele ficaram arrepiados, e as narinas dele inflaram. Eu no
fui especfica, eu s o contei que Edward havia copnseguido nos tirar do problema, sem revelar a promessa que ns tivemos que fazer, ou da visita que estvamos esperando.
Jacob no precisava ter os meus pesadelos.
"Agora voc sabe a histria toda", eu conclu. "Ento  a sua vez de falar. O que aconteceu enquanto eu estava com a minha me esse fim de semana?" Eu sabia que
Jacob me daria mais detalhes do que Edward havia me dado. Ele no estava com medo de me assustar.
Jacob se inclinou para a frente, instantaneamente animado. "Ento Embry e Quil e eu estvamos correndo na nossa patrulha no Sbado  noite, s as coisas de rotina,
e do nada -bam!" Ele levantou os braos, personalisando uma exploso.
"L estava - uma trilha fresca, no tinha nem quinze minutos. Sam queria que ns esperssemos por ele, mas eu no sabia que voc no estava aqui, e no sabia se
os seus sugadores de sangue estavam de olho em voc ou no. Ento ns perseguimos ela a toda velocidade, mas ela cruzou a linha do acordo antes que a alcanssemos.
Ns nos separamos pela linha, esperando que ela voltasse. Foi frustrante, deixe eu te dizer." Ele balanou a cabea e os cabelos - que estavam crescendo do corte
curto que ele havia adotado quando ele se juntou ao bando - caram em seus olhos. "Ns acabamos perto demais do Sul. Os Cullen a perseguiram de volta para o nosso
lado at apenas algumas milhas do nosso Norte. Teria sido a emboscada perfeita se ns subessemos onde esperar".
Ele balanou a cabea, agora fazendo careta. "Foi a que ficou feio. Sam e os outros a alcanaram antes de ns, mas ela estava danando bem alm da linha, e o grupo
inteiro estava bem al do outro lado. O grande, como  o nome dele -"
"Emmett"
", ele. Ele tentou atac-la, mas aquela ruiva  rpida! Ele passou bem por trs dela e quase bateu em Paul. Ento Paul... bem, voc conhece Paul".
"".
"Ele perdeu o foco. Eu no posso dizer que o culpo - o sugador de sangue grando estava bem em cima dele. Ele saltou - ei, no me olhe desse jeito. O vampiro estava
nas nossas terras".
Eu tentei recompor o meu rosto para que ele continuasse. As minhas unhas estavam enterradas nas minhas palmas com o estresse da histria, mesmo sabendo que tudo
tinha acabado bem.
"De qualquer forma, Paul errou, e o vampiro voltou para o lado dele. Mas a a, uh, bem a, uh, loira..." A expresso de Jacob era uma cmica mistura de nojo e de
admirao sem querer enquanto ele tentava encontrar uma palavra para descrever a irm de Edward.
"Rosalie".
"Que seja. Ela ficou cheia de s, ento Sam e eu voltamos pra perto de Paul. A o lder deles e o outro loiro -"
"Carlisle e Jasper"
Ele me deu um olhar exasperado.
"Voc sabe que eu no me importo de verdade. De qualquer forma, ento Carlisle falou com Sam, tentando acalmar as coisas. Ento foi estranho, porque todo mundo ficou
muito calmo bastante rpido. Foi aquele outro sobre quem voc me falou, que estava zoando com as nossas cabeas. Mas mesmo que soubssemos o que ele estava fazendo,
ns no conseguimos no ficar calmos".
", eu sei como "
"Muito chato,  isso que . S que voc s consegue ficar com raiva depois". Ele balanou a cabea com raiva. "Ento Sam e o vampiro lider concordaram que Victoria
era a prioridade, e ns samos atrs dela de novo. Carlisle nos deu a linha, para que pudssemos sentir o cheiro apropriadamente, mas a ela chegou nos penhascos
a norte do condado de Makah, l onde a linha abraa a costa por alguns quilmetros. Ela escapou pela gua de novo. O grando e o calmo pediram permisso para ultrapassar
a linha pra ir atrs dela, mas  claro que ns dissemos no".
"Bom. Quer dizer, voc estava sendo estpido, mas eu estou feliz. Emmett nunca  cuidadoso o suficiente. Ele podia ter se machucado".
Jacob bufou. "Ento o seu vampiro te disse que ns atacamos sem nenhuma razo e que o grupo completamente inocente dele -"
"No", eu interromp. "Edward me contou a mesma histria, s que no com tantos detalhes".
"Huh", Jacob disse por baixo do flego, e se abaixou para pegar uma pedras entre os milhes de pedrinhas aos nossos ps. Com um movimento casual, ele fez ela sair
voando uns bons cem metros pra fora da baa. "Bom, ela vai voltar, eu acho. Ns vamos ter outra chance com ela".
Eu levantei os ombros;  claro que ela ia voltar. Edward realmente me diria da prxima vez? Eu no tinha certeza. Eu ia ter que ficar de olho em Alice, pra procurar
por sinais de que o padro estava prestes a se repetir...
Jacob no pareceu reparar a minha reao. Ele estava olhando para as ondas com um expresso pensativa no rosto, com seus lbios grossos fazendo beicinho.
"No que voc est pensando?", eu perguntei depois de um longo tempo, em silncio.
"Eu estou pensando no que voc me disse. Sobre quando o vidente viu voc pular do penhasco e pensou que voc tinha se suicidado, e como tudo saiu do controle...
Voc se d conta de que se voc tivesse esperado por mim como devia, ento depois a su -Alice no tivesse sido capaz de te ver pular? Nada teria mudado. Ns provavelmente
estariamos na minha garagem agora, como em qualquer outro Sbado. No haveriam vampiros em Forks, e voc e eu..." Ele parou, perdido em pensamentos.
O jeito que ele disse isso foi desconcertante, como se fosse uma coisa que no houvessem vampiros em Forks. O meu corao bateu fora de ordem por causa do vazio
do quadro que ele pintou.
"Edward teria voltado do mesmo jeito".
"Voc tem certeza disso?" ele perguntou, agressivo de novo assim que eu falei o nome de Edward.
"Estar separados... No funcionou muito bem para nenhum de ns"
Ele comeou a dizer alguma coisa, alguma coisa raivosa pela expresso dele, mas ele se deteve, respirou fundo, e comeou de novo.
"Voc sabia que Sam est com raiva de voc?"
"Eu?" Eu levei um segundo. "Oh. Eu entendo. Ele acha que eles teriam ficado longe se eu no estivesse aqui".
"No. No  isso".
"Qual  o problema ento?"
Jacob se abaixou para pegar outra pedra. Ele a girou pra l e pra c em seus dedos; os olhos dele estavam grudados na pedra preta enquanto ele falava com uma voz
baixa.
"Quando Sam viu... como voc estava no comeo, quando Billy os disse o quanto Charlie estava preocupado quando voc no melhorou, e a voc comeou a pular de penhascos..."
Eu fiz uma cara. Ningum ia me deixar esquecer aquilo.
Os olhos de Jacob vieram para os meus. "Ele pensou que voc era a nica pessoa no mundo que teria tantas razes para odiar os Cullen quanto ele. Sam se sente meio...
trado por voc simplesmente ter deixado eles voltarem para a sua vida como se eles nunca tivessem te machucado".
Eu no acreditei nem por um segundo que era Sam que se sentia assim.
E o cido na minha voz agora era para eles dois.
"Voc pode dizer a Sam que ele -"
"Olhe pra isso", Jacob me interrompeu, apontando para uma guia que estava voando pra baixo em direo ao oceano de uma altura incrvel. Ela se deteve no ltimo
minuto, apenas as suas garras quebrando a superfcie das ondas, s por um instante. Depois ela levantou vo, suas asas se debatendo contra o peso de um peixe enorme
e ela tinha pego.
"Aqui voc v isso o tempo inteiro" Jacob disse, sua voz repentinamente distante. "A natureza tomando o seu curso - o caador e a presa, e o interminvel ciclo de
vida e morte".
Eu no entend a necessidade do discurso sobre a natureza; eu imaginei que ele estivesse s tentando mudar de assunto. Mas depois ele olhou de volta para mim com
humor negro nos olhos.
"E mesmo assim, voc no v o peixe tentando dar um beijo na guia. Voc nunca v isso". Ele deu um sorriso de zombaria.
Eu correspond com um sorriso forado, apesar do gosto amargo ainda estar na minha boca. "Talvez o peixe estivesse tentando", eu suger. " difcil dizer o que o
peixe estava pensando. guias so pssaros de boa aparncia, voc no acha?"
" disso que se trata?" A voz dele estava abruptamente mais afiada. "Boa aparncia?"
"No seja estpido, Jacob"
" o dinheiro, ento?", ele insistiu.
"Isso  legal" eu murmurei, me levantando da rvore. "Eu estou lisonjeada que voc pense to bem de mim". Eu dei as costas pra ele e comecei a ir embora.
"Aw, no fique com raiva". Ele estava bem atrs de mim; ele agarrou o meu pulso e me virou. "Eu estou falando srio! Eu estou tentando entender, e estou ficando
em branco"
As minhas sobrencelhas se uniram raivosamente, e os olhos dele estavam pretos nas sombras escuras.
"Eu amo ele. No porque ele  lindo ou porque ele  rico!" eu joguei a palavra em Jacob.
"Eu preferiria se ele no fosse nenhum dos dois. Isso iria balancear as coisas entre ns um pouquinho - porque ele ainda seria a pessoa mais amorosa e altrusta
e brilhante e decente que eu j conhec.  claro que eu amo ele. Ser que isso  difcil de entender?"
" impossvel de entender".
"Por favor, me esclarea ento, Jacob" eu deixei o sarcasmo voar solto. "Qual  o motivo vlido pra se amar algum? J que aparentemente eu estou fazendo isso errado".
"Eu acho que o melhor lugar pra comear seria procurar entre a nossa prpria espcie. Isso geralmente funciona".
"Bem, isso  uma droga!" eu atirei. "Eu acho que estou presa com Mike Newton afinal de contas".
Jacob enrijeceu e mordeu o lbio. Eu podia notar que as minhas palavras haviam machucado ele, mas eu ainda estava com raiva demais pra me sentir mal sobre isso.
Ele soltou o meu pulso e cruzou os braos no peito, desviando de mim pra encarar o oceano.
"Eu sou humano", ele murmurou, sua voz quase inaudvel.
"Voc no  to humano quanto Mike" eu continuei rudemente. "Voc ainda acha que essa  a considerao mais inportante?"
"No  a mesma coisa", Jacob no desviou o olhar das ondas cinzas. "Eu no escolh isso".
Eu r mais uma vez sem acreditar. "Voc acha que Edward escolheu? Ele no sabia o que estava acontecendo com ele mais do que voc sabia. Ele no se inscreveu pra
isso".
Jacob estava balanando a cabea pra frente e pra trs, num movimento pequeno, rpido.
"Sabe, Jacob, voc  terrivelmente cheio de s - levando em considerao que voc  um lobisomem e tudo mais".
"No  a mesma coisa", ele repetiu, olhando pra mim.
"Eu no vejo porque no. Voc podia ser um pouco mais compreensvo com os Cullen. Voc no tem idia do quo realmente bons eles so - demais, Jacob".
A careta dele se aprofundou. "Eles no deviam existir. A existncia deles vai contra a natureza".
Eu o encarei com um sobrancelha erguida incredulamente. Levou um tempo at que ele reparesse.
"O que ?"
"Falando de sobrenatural..." eu indiquei.
"Bella", ele disse com uma voz lenta e diferente. Amadurecida. Eu me dei conta de que de repente ele parecia ser mais velho que eu - como uma pai ou um professor.
"O que eu sou nasceu comigo. Isso  parte de quem eu sou, de quem a minha famlia , de quem toda a tribo  - essa  a razo pela qual ainda estamos aqui.
"Alm do mais" - ele olhou pra mim, seus olhos pretos ilegveis. "Eu ainda sou humano".
Ele pegou a minha mo e pressionou no seu peito febriamente quente. Atravs da sua camisa, eu podia sentir as batidas uniformes do corao dele na minha palma.
"Humanos normais no podem andar em motos do jeito que voc faz".
Ele deu um meio sorriso fraco. "Humanos normais fogem de monstros, Bella. E eu nunca disse que era normal. S humano."
Ficar com raiva de Jacob era trabalhoso demais. Eu comecei a sorrir enquanto tirava a minha mo do peito dele.
"Voc  bastante humano pra mim", eu permit. "No momento".
"Eu me sinto humano". Ele olhou atravs de mim, o rosto dele estava entristecido. O lbio inferior dele estremeceu, e ele o mordeu com fora.
"Oh, Jake", eu sussurrei, pegando a mo dele.
Era por isso que eu estava l. Era por isso que eu aguentaria qualquer recepo que estivesse esperando por mim quando eu voltasse. Porque, por baixo de toda aquela
raiva e sarcasmo, Jacob estava sentindo dor. Nesse momento, isso estava muito claro nos olhos dele. Eu no sabia como ajud-lo, mas eu j sabia que eu tinha que
tentar. Isso era mais do que porque eu o devia. Era porque a dor dele me machucava tambm. Jacob havia se tornado uma parte de mim, e no havia como mudar isso agora.

5. Imprimido
"Voc est bem, Jake? Charlie disse que voc est passando por um momento difcil... Isso no t melhorando?"
A mo quente dele circulou a minha. "No  to ruim", ele disse, mas ele no me olhava nos olhos.
Ele caminhou lentamente para o banco de salgueiro, olhando para as pedrinhas com cor de arco-ris, e me puxando para o lado dele. Eu me sentei na nossa rvore, mas
ele preferiu se sentar no cho molhado, coberto de pedras do que perto de mim. Eu me perguntei se era pra que ele pudesse esconder o rosto com mais facilidade. Ele
continuou segurando minha mo.
Eu comecei a tagarelar para acabar com o silncio. "J faz tanto tempo desde que eu estive aqui. Eu provavelmente perd uma tonelada de coisas. Como esto Sam e
Emily? E Embry? E Quil -?"
Eu parei no meio da frase, lembrando que o amigo de Jacob, Quil, costumava ser uma assunto sensvel.
"Ah, Quil", Jacob suspirou.
Ento j devia ter acontecido - Quil deve ter se juntado ao bando.
"Eu lamento", eu murmurei.
Para a minha surpresa, Jacob bufou. "No diga isso a ele".
"O que voc quer dizer?"
"Quil no est procurando por pena. Pelo contrrio - ele est contente. Simplesmente louco de felicidade".
Isso no fazia sentido pra mim. Todos os outros lobos tinham estado to deprimidos com a idia do amigo deles dividir esse mesmo destino. "Huh?"
Jacob pendeu a cabea de lado pra olhar pra mim. Ele sorriu e revirou os olhos.
"Quil acha que isso  a coisa mais legal que j aconteceu com ele. Agora ele j sabe realmente o que est acontecendo. E ele est feliz por ter os amigos de volta
- por ser parte "do grupo". Jacob bufou de novo. "Eu no devia estar supreso, eu acho. Isso  to Quil".
"Ele gosta disso?"
"Honestamente... a maioria deles gosta", Jacob admitiu lentamente. "Definitivamente tm lados bons nisso - a velocidade, a liberdade, a fora... o sensao de -
de famlia... Sam e eu somos os nicos que se sentem mal. E Sam j superou isso a muito tempo. Ento agora eu sou o beb choro." Jacob riu de s mesmo.
Haviam tantas coisas que eu queria saber. "Porque voc e Sam so diferentes? O que aconteceu com Sam, afinal? Qual  o problema dele?" As perguntas iam escapando
sem dar tempo pra uma resposta, e Jacob riu de novo.
"Essa  uma longa histria".
"Eu te contei uma longa histria. Alm do mais, eu no estou com pressa." Eu disse, e depois fiz uma careta quando eu pensei no problema em que ia me meter.
Ele olhou pra mim rapidamente, ouvindo o tom de dvida nas minhas palavras. "Ele vai ficar com raiva de voc?"
"Sim", eu adimit. "Ele realmente odeia quando eu fao coisas que ele considera... arriscadas".
"Como andar com lobisomens"
"".
Jacob levantou os ombros. "Ento no volte. Eu durmo no sof".
"Essa  uma tima idia" eu rosnei. "Porque a ele ia vir procurar por mim".
Jacob enrijeceu, e sorriu sem sinceridade. "Viria?"
"Se ele estivesse com medo de que eu fosse me machucar ou coisa assim - provavelmente"
"A minha idia est parecendo melhor a cada segundo".
"Por favor, Jake. Isso realmente me incomoda"
"O que?"
"Que vocs dois estejam to prontos pra matar um ao outro!" eu reclamei. "Isso me deixa louca. Porque vocs dois no podem ser civilizados?"
"Ele est pronto pra me matar?" Jacob perguntou com um sorriso de zombaria, despreocupado com a minha raiva.
"No como voc parece estar!" eu me dei conta de que estava gritando. "Pelo menos ele consegue ser maturo em relao a isso. Ele sabe que te machucar ia me machucar
- ento ele nunca faria isso. Voc no parece se importar com isso nem um pouco!"
", t", Jacob murmurou. "Estou certo de que ele  um pacificador".
"Ugh!" eu puxei a minha mo da dele e empurrei a cabea dele pra longe. Ento eu puxei os meus joelhos para o meu peito e passei os meus braos com fora ao redor
deles.
Eu olhei para o horizonte, enfurecida.
Jacob ficou quieto por alguns minutos. Finalmente, ele levantou do cho e se sentou ao meu lado, colocando o brao ao redor do meu ombro. Eu o afastei.
"Desculpe", ele disse baixinho.
"Eu vou tentar me comportar".
Eu no respond.
"Voc quer ouvir sobre Sam?", ele ofereceu.
Eu levantei os ombros.
"Como eu disse,  uma longa histria. E muito... estranha. Existem muitas coisas estranhas sobre essa nova vida. Eu no tive tempo pra te contar nem a metade. E
essa coisa com Sam - bem, eu no sei se serei capaz de explicar direito".
As palavras dele eriaram a minha curiosidade apesar da minha irritao.
"Eu estou ouvindo", eu disse rigidamente.
Pelo canto do meu olho, eu v os cantos da boca dele se levantarem em um sorriso.
"Sam e eu sofremos muito mais com isso do que os outros. Porque ele foi o primeiro, e ele estava sozinho, e ele no tinha ningum pra diz-lo o que estava acontecendo.
O av de Sam morreu antes que ele tivesse nascido, e o pai dele nunca esteve por perto. No havia nigum l pra reconhecer os sinais. Na primeira vez que aconteceu
- a primeira vez que ele se transformou - ele pensou que tinha enlouquecido. Ele levou duas semanas pra se acalmar o suficiente pra voltar ao normal.
"Isso foi antes de voc vir a Forks, ento voc no poderia lembrar. A me de Sam e Leah Clearwater fizeram os guardas da floresta procurar ele, a polcia. As pessoas
pensaram que ele tinha sofrido um acidente ou algo assim..."
"Leah", eu perguntei, surpresa. Leah era a filha de Harry. Ouvir o nome mandou uma onda imediata de piedade por mim. Harry Clearwater, velho amigo de Charlie, tinha
morrido de um ataque do corao na primavera passada.
A voz dele mudou, ficou mais pesada. ". Leah e Sam eram namorados na escola. Eles comearam a namorar quando ela ainda era caloura. Ela ficou frentica quando ele
desapareceu."
"Mas ele e Emily -"
"Eu vou chegar l - isso  parte da histria", ele disse. Ele inalou lentamente, e exalou com fora.
Eu acho que eu tinha sido boba por pensar que Sam nunca havia amado ningum alm de Emily. A maioria das pessoas se apaixona e desapaixona tantas vezes na vida.
 s que eu tinha visto Sam com Emily, e eu no conseguia imagin-lo com mais ningum.
O jeito como ele olhava pra ela... bem, isso me lembrava de um olhar que eu j tinha visto algumas vezes nos olhos de Edward - quando ele estava olhando pra mim.
"Sam voltou", Jacob disse. "mas ele no disse a ningum onde havia estado. Os rumores comearam a aparecer - de que ele no estava fazendo nada bom, em grande parte.
E depois Sam se bateu com o av de Quil quando o velho Quil Ateara veio visitar a Sra. Uley. Sam balanou a mo dele. O velho Quil quase teve um derrame". Jacob
parou pra rir.
"Porque?"
Jacob colocou a mo na minha bochecha e puxou meu rosto pra que eu pudesse olhar pra ele - ele estava inclinado na minha direo. A palma dele queimava a minha pele,
como se ele estivesse com febre.
"Oh, certo", eu disse. Eu estava desconfortvel, tendo o meu rosto to perto do dele e a mo quente dele na minha pele. "Sam estava com a temperatura alta".
Jacob riu de novo. "Parecia que Sam tinha colocado a mo dele no fogo".
Ele estava to perto, que eu podia sentir a sua respirao quente. Eu alcancei casualmente, pra retirar a mo dele e libertar o meu rosto, mas entralecei meus dedos
com os dele pra no magoar seus sentimentos. Ele sorriu e se afastou, sem ser enganado com a minha tentativa de ser gentil.
"Ento o Sr. Ateara foi at os ancies", Jacob continuou. "Eles eram os nicos que haviam restado que ainda sabiam, ainda lembravam. O Sr. Ateara, Billy e Harry
realmente haviam visto seus avs se tranformando. Quando o velho Quil os contou, eles se encontraram com Sam secretamente e explicaram.
"Foi mais fcil quando ele entendeu - quando ele no estava mais sozinho. Eles sabiam que ele no seria o nico a ser afetado pela volta dos Cullen" - ele pronunciou
o nome com uma acidez incosciente - "mas ningum mais era velho o suficiente. Ento Sam esperou at que o resto de ns se juntasse a ele..."
"Os Cullen no tinham idia", eu disse em um sussurro. "Eles no sabiam que os lobisomens ainda existiam aqui. Eles no sabiam que vir aqui faria com que vocs mudassem".
"Isso no muda o fato de que fez"
"Me lembre no no mexer com o seu lado ruim".
"Voc acha que eu devia perdo-los como voc? Ns no podemos ser todos Santos e Mrtires".
"Cresa, Jacob."
"Eu queria poder", ele murmurou baixinho.
Eu o encarei, tentando entender o sentido da frase dele. "O que?"
Jacob gargalhou. "Uma daquelas muitas coisas estranhas que eu mencionei".
"Voc... no pode... crescer?" eu disse vazia. "Voc o que? No vai... envelhecer? Isso  uma piada?"
"Nope", ele estalou os lbios no P.
Eu sent o sangue escapando do meu rosto. Lgrimas - lgrimas de raiva - encheram os meus olhos. Os meus dentes rangeram, com um audvel som incmodo.
"Bella? O que foi que eu disse?"
Eu estava de p de novo, minhas mos eram bolas nos meus pulsos, o meu corpo estava tremendo.
"Voc. No. Vai. Envelhecer". Eu rug por entre os dentes.
Jacob puxou o meu brao gentilmente, tentando me fazer sentar. "Nenhum de ns vai. Qual  o problema com voc?"
"Eu sou a nica que tem que ficar velha? Eu estou ficando mais velha a cada dia nojento!" eu preticamente gritei, jogando as mos pra o ar. Uma parte de mim reconheceu
que eu estava fazendo um escndalo Charlie-esco, mas essa parte racional estava dominada pela parte irracional. "Droga! Que espcie de mundo  esse? Onde est a
justia?"
"Pega leve, Bella"
"Cala a boca, Jacob. S cala a boca!  to injusto!"
"Voc seriamente acabou de bater o p? Eu pensei que as garotas s faziam isso na TV".
Eu rosnei de forma no impressionante.
"No  to ruim quanto voc pensa. Sente e eu vou explicar".
"Eu vou ficar de p"
Ele revirou os olhos. "T certo. O que voc quiser. Mas escute, eu vou envelhecer... algum dia".
"Explique".
Ele deu um tapinha na rvore. Eu rosnei por um segundo, mas depois eu me sentei; meu temperamento melhorou to rapidamente quanto tinha piorado e eu me acalmei o
suficiente pra me dar conta que eu estava fazendo papel de boba.
"Quando nos tornarmos velhos o suficiente pra desistir..." Jacob disse. "Quando ns pararmos de nos transformar por uma slida quantidade de tempo, ns envelheceremos
de novo. No  fcil". Ele balanou a cabea, abruptamente duvidoso. "Vai levar bastante tempo para aprender esse tipo de restrino, eu acho. Sam ainda nem chegou
l.  claro que no ajuda o fato de que h um enorme grupo de vampiros por perto. Ns no podemos nem pensar em desistir enquanto a tribo precisar de protetores.
Mas voc no devia ficar louca por causa disso, de qualquer forma, porque eu j sou mais velho de que voc, fisicamente, pelo menos".
"Do que  que voc est falando?"
"Olha pra mim, Bells. Voc acha que eu pareo ter dezesseis?"
Eu olhei para a estatura de mamute dele, tentando ser imparcial. "No exatamente, eu acho".
"Nem um pouco. Porque ns atingimos a maturidade mxima dentro de alguns meses quando o gene lobisomem  ativado.  um tremendo perodo de crescimento." Ele fez
uma cara. "Fisicamente, eu provavelmente tenho vinte e cinco ou coisa parecida. Ento voc no precisa se preocupar em ser velha demais pra mim por pelo menos sete
anos".
Vinte e cinco ou coisa assim. A idia mexeu com a minha cabea. Mas eu me lembrei daquele perodo de crescimento - eu me lembrei de observar ele crescer bem em frente
aos meus olhos. Eu me lembrei de como ele parecia diferente todos os dias... eu balancei a minha cabea, me sentindo tonta.
"Ento, voc quer ouvir sobre Sam, ou voc quer gritar mais comigo por coisas que esto fora do meu controle?"
Eu respirei fundo. "Desculpa. Idade  um assunto complicado pra mim. Isso atacou meus nervos".
Os olhos de Jacob estreitaram, como se ele estivesse tentendo decidir a forma de falar alguma coisa.
J que eu no queria falar sobre as coisas realmente complicadas pra mim - meus planos pra o futuro, ou os acordos que podiam ser quebrados por tais planos, eu fiz
ele ir em frente.
"Ento, quando Sam entendeu o que estava acontecendo, quando ele tinha Billy e Harry e o Sr. Ateara, voc disse que no foi mais difcil. E, como voc tambm disse,
existem partes boas..." eu hesitei brevemente. "O que faz Sam odia-los tanto? O que faz ele desejar que eu os odei?"
Jacob suspirou. "Essa  a perte realmente estranha".
"Eu sou profissional em coisas estranhas".
", eu sei". Ele riu antes de continuar. "Ento, voc est certa. Sam sabia o que estava acontecendo, e tudo estava meio que bem. Em maioria, a vida dele estava,
bem, no normal. Mas melhor". A a expresso de Jacob endureceu, como se alguma coisa dolorosa estivesse vindo. "Sam no podia contar a Leah. Ns no devemos contar
a ningum que no deva saber. E no era muito seguro ele estar perto dela - mas ele trapaceou, exatamente como eu fiz com voc. Leah ficou furiosa por ele no cont-la
o que estava acontecendo - onde ele havia estado, onde ele esteve a noite inteira, porque ele estava sempre to exausto - mas eles estavam fazendo dar certo. Eles
estavam tentando. Eles realmente se amavam".
"Ela descobriu? Foi isso que aconteceu?"
Ele balanou a cabea. "No, esse no  o problema. A prima dela, Emily Young, veio da reserva de Makah pra fazer uma visitar ela num fim de semana".
Eu sufoquei. "Emily  prima de Leah?"
"Prima de segundo grau. No entanto, elas so prximas. Elas eram como irms quando eram crianas."
"Isso ... horrvel. Como Sam pde...?" eu parei, balanando minha cabea.
"No o julgue ainda. Algum j te disse... Voc j ouviu falar da impresso?"
"Impresso?" eu repet a palavra estranha. "No. O que significa?"
" uma daquelas coisas estranhas com as quais eu tenho que lidar. Isso no acontece com todo mundo. Na verdade, eu acho que  uma rara excesso, no uma regra. At
essa hora, Sam j havia ouvido todas as histrias, as histrias que todos ns costumvamos pensar que eram lendas. Ele ouviu da impresso, mas ele nunca sonhou que..."
"O que ?" eu instiguei.
Os olhos de Jacob grudaram no oceano. "Sam amava Leah. Mas quando ele viu Emily, isso no importou mais. As vezes... ns no sabemos exatamente porque... ns encontramos
as nossas parceiras assim". Os olhos dele voltaram pra mim, o rosto dele ficando vermelho. "Eu quero dizer... as nossas almas gmeas".
"Que jeito? Amor  primeira vista?" eu r silenciosamente.
Jacob no estava rindo. Os olhos dele estavam criticando a minha reao. "Isso  um pouco mais poderoso do que isso. Mais absoluto".
"Desculpa", eu murmurei. "Voc esto falando srio, no est?"
", eu estou".
"Amor  primeira vista? Mas mais poderoso?" A minha voz soava duvidosa, e ele podia ouvir isso.
"No  fcil explicar. De qualquer forma, no importa". Ele levantou os ombros indiferentemente. "Voc queria saber o que aconteceu com Sam pra faz-lo odiar os
vampiros por fazer ele mudar, pra faz-lo odiar a s mesmo. E foi isso que aconteceu. Ele partiu o corao de Leah. Ele teve que voltar atrs em todas as promessas
que havia feito a ela. Todos os dias ele tem que ver a acusao nos olhos dela, e saber que ela est certa".
Ele parou de falar abruptamente, como se ele tivesse dito alguma coisa que no devia ter dito.
"Como Emily lidou com isso? Se ela era to prxima a Leah...?" Sam e Emily eram extremamente certos juntos, duas partes de quebra-cabeas, feitos um para o outro
exatamente. Ainda assim... Como Emily ignorou o fato de que ele pertencia a outra pessoas? Quase a irm dela.
"Ela ficou com muita raiva no incio, mas era dificil resistir quele nvel de compromisso e adorao". Jacob suspirou. "E depois, Sam pde contar tudo pra ela.
No existem regras que te impeam quando voc realmente encontra a sua outra metade. Voc sabe como ela se machucou?"
"Sei". A histria em Forks era de que ela tinha sido atacada por um urso, mas eu sabia do segredo.
Lobisomens so instveis, Edward tinha dito. As pessoas prximas a eles se machucam.
"Bem, estranhamente o suficiente, isso foi meio que a forma como eles acertaram as coisas. Sam ficou to horrorizado, to enojado consigo mesmo, to cheio de dio
pelo que ele havia feito... Ele teria se atirado na frente de um nibus se isso fizesse com que ela se sentisse melhor. Ele deve ter feito do mesmo jeito, s pra
escapar do que ele havia feito. Ele estava arrasado... Ento, de alguma forma, era ela que estava confortando ele, e no fim das contas..."
Jacob no terminou o seu pensamento, e eu sent que a histria tinha se tornado pessoal demais pra dividir.
"Pobre Emily", eu sussurrei. "Pobre Sam. Pobre Leah..."
", Leah ficou com a pior parte", ele concordou. "Ela faz cara de durona. Ela vai ser uma das damas de honra".
Eu olhei pra longe, para as rochas pontudas que se erguiam do oceanos como se fossem dedos quebrados ao sul do porto, enquanto eu tentei entender o sentido disso
tudo. Eu podia sentir os olhos dele no meu rosto, esperando que eu dissesse alguma coisa.
"Isso aconteceu com voc?", eu finalmente perguntei, ainda olhando pra longe. "Essa coisa de amor  primeira vista?"
"No", ele respondeu vivamente. "Sam e Jared so os nicos".
"Hmm" eu disse, tentando soar educadamente interessada. Eu estava aliviada, e eu tentei explicar a minha reao para mim mesma. Eu decid que eu s estava feliz
que no havia nenhuma ligao mstica, de lobos, entre ns. O nosso relacionamento j era confuso o suficiente do jeito que era. Eu no queria mais nada sobrenatural
alm daquilo com o que eu j tinha que lidar.
Ele estava quieto tambm, e o silncio ficou um pouco estranho. A minha intuio me disse que eu no ia querer saber o que ele estava pensando.
"Como foi que isso funcionou pra Jared?" eu perguntei pra quebrar o silncio.
"Nenhum drama aqui. Era s uma garota da qual ele passou o ano todo sentando perto na escola e ele nunca a olhou duas vezes. E depois, quando ele foi transformado,
ele olhou pra ela e no conseguiu desviar o olhar".
"Kim ficou muito feliz. Ela tinha uma enorme queda por ele. Ela tinha escrito o sobrenome dele depois do nome dela no dirio dela inteiro". Ele sorriu de zombaria.
Eu fiz uma careta. "Jared te contou isso? Ele no devia ter contado".
Jacob mordeu o lbio. "Eu acho que no devia rir. No entanto,  engraado".
"Bela alma gmea".
Ele suspirou. "Jared no nos contou de propsito. Eu j te contei essa parte, lembra?"
"Oh, . Vocs podem ouvir os pensamentos uns dos outros, mas s quando so lobos, certo?"
"Certo. Igual ao seu sugador de sangue".
"Edward", eu corrig.
"Claro, claro.  assim que eu sei tanto sobre como Sam se sentiu. No  como se ele fosse nos contar isso se ele tivesse escolha. Na verdade, isso  uma coisa que
todos ns odiamos." A acidez repentinamente endureceu a voz dele. " horrvel. Sem privacidade, sem segredos. Todas as coisas das quais voc se envergonha, expostas
pra todo mundo ver". Ele estremeceu.
"Parece horrvel", eu sussurrei.
"Isso  til quando ns precisamos nos coordenar", ele disse carrancudo. "Uma vez a cada lua azul, quando um sugador de sangue ultrapassa o nosso territrio. Laurent
foi divertido. E se os Cullen no tivessem ficado no nosso caminho no Sbado passado... ugh!" ele rugiu. "Ns podamos ter agarrado ela!" Os punhos dele viraram
duas bolas raivosas.
Eu enrijec. Mesmo me preocupando que Jasper ou Emmett se machucassem, isso no era nada comparado com o pnico que eu sent com a idia de Jacob tentando enfrentar
Victoria. Emmett e Jasper eram as duas coisas mais prximas do indestrutvel que eu podia imaginar. Jacob ainda era quente, ainda era comparativamente humano. Mortal.
Eu pensei em Jacob enfrentando Victoria, seu cabelo brilhante esvoaando ao redor do seu rosto estranhamente felino... e estremec.
Jacob olhou pra mim com uma expresso curiosa. "Mas no  assim pra voc o tempo todo? Tendo ele em sua cabea?"
"Oh, no. Edward nunca est em minha cabea. Ele s deseja isso".
A expresso de Jacob ficou confusa.
"Ele no pode me ouvir", eu expliquei, a minha voz estava um pouco presumida por causa do hbito. "Eu sou a nica que  assim pra ele. Ns no sabemos porque ele
no pode".
"Estranho", Jacob disse.
"", a presuno desapareceu. "Isso provavelmente significa que tem alguma coisa errada com o meu crebro", eu admit.
"Eu j sabia que tinha alguma coisa errada com o seu crebro", Jacob murmurou.
"Obrigada".
O sol saiu do meio das nuvens de repente, uma surpresa que eu no estava esperando, e eu tive que apertar os meus olhos pra olhar para a gua. Tudo tinha mudado
de cor - as ondas mudaram de cinza para azul, as rvores de uma cor de oliva chata para um brilhante jade, e as pedrinhas com cor de arco-ris brilhavam como se
fossem pedras preciosas.
Ns piscamos por um segundo, deixando os nossos olhos se ajustarem. No havia nenhum som alm do murmrio das ondas que ecoavam de todos os lados do porto abrigado,
o som suave das pedras batendo umas contra as outras a cada movimento que a gua fazia, e o choro das gaivotas l no alto. Era muito tranquilo.
Jacob se aproximou de mim, at que ele estava se inclinando no meu brao. Ele era to quente. Depois de um minuto disso, eu tirei o meu casaco de chuva. Ele fez
um sonzinho de contentamento no fundo da garganta, e descansou o seu queixo em cima da minha cabea. Eu podia sentir o sol esquentando a minha pele - apesar dele
no ser to quente quanto Jacob. E eu me perguntei  toa quanto tempo eu levaria at me queimar.
Com a mente ausente, eu virei minha mo direita para o lado, e observei a minha pele brilhar subtamente na cicatriz que James havia me deixado l.
"No que voc est pensando?" ele murmurou.
"O sol".
"Hmm.  legal".
"No que voc est pensando?"
Ele gargalhou para s mesmo. "Eu estava lembrando daquele filme idiota que voc me levou. E de Mike Newton vomitando em tudo".
Eu r tambm, surpresa de ver como o tempo havia mudado aquela memria. Ela costumava ser uma memria de estresse, de confuso.
Tanta coisa mudou naquela noite... E agora eu podia rir. Essa foi a ltima noite que eu e Jacob haviamos tido antes que ele soubesse a verdade sobre a sua herana.
A ltima memria humana. Uma memria estranhamente agradvel agora.
"Eu sent falta disso", Jacob disse. "Do jeito que isso costumava ser to fcil... descomplicado. Eu estou feliz por ter uma boa memria". Ele suspirou.
Ele sentiu a tenso repentina no meu corpo quando as memrias dele desencadearam as minha prprias memrias.
"O que foi?" ele perguntou?
"Sobre essa sua boa memria..." eu me separei dele pra que assim eu pudesse ver o seu rosto. No momento, ele estava confuso. "Voc se importa de dizer o que voc
estava fazendo na Segunda de manh? Voc estava pensando em alguma coisa que incomodou Edward". Incomodaram no era exatamente a palavra pra isso, mas eu queria
uma resposta, ento eu achei que era melhor no comear muito severamente.
O rosto de Jacob brilhou com a compreenso, e ele riu. "Eu s estava pensando em voc. Ele no gostou muito, no ?"
"Em mim? O que sobre mim?"
Jacob sorriu de novo, dessa vez com um tom mais duro. "Eu estava me lembrando do jeito como voc estava na noite em que Sam te achou - eu v isso na cabea dele,
e  como se eu estivesse l; aquela memria sempre perseguiu Sam, sabe. E depois eu me lembrei de como voc estava na primeira vez que foi na minha casa. Eu aposto
que voc no imagina a confuso que voc estava na poca, Bella. Levaram semanas at que voc comeasse a parecer humana de novo. E eu me lembrei de como voc sempre
costumava passar os braos ao redor de s mesma, tentando se manter inteira..." Jacob gemeu, e depois balanou a cabea. " difcil pra mim lembrar do quanto voc
estava triste, e no era minha culpa. Ento eu me dei conta de que seria mais difcil pra ele. E eu pensei que ele devia dar uma olhada no que ele tinha feito".
Eu bat no ombro dele. Isso machucou a minha mo. "Jacob Black, nunca mais faa isso de novo! Me prometa que voc no vai".
"De jeito nenhum. Eu no me divertia daquele jeito ha meses".
"Ento me ajude, Jake -"
"Oh, deixa dessa, Bella. Quando  que eu vou conseguir v-lo de novo? No se preocupe com isso".
Eu fiquei de p, e ele segurou a minha mo enquanto comeamos a caminhar. Eu tentei me soltar.
"Eu vou embora, Jacob".
"No, no v ainda", ele protestou, a mo dele apertando a minha. "Me desculpe. E... est bem, eu no vou fazer aquilo de novo. Prometo".
Eu suspirei. "Obrigada, Jake".
"Vamos l, vamos voltar para a minha casa", ele disse ansiosamente.
"Na verdade, eu acho que eu realmente preciso ir. Angela Weber est me esperando, e eu sei que Alice est preocupada. Eu no quero deix-la muito chateada."
"Mas voc acabou de chegar aqui!"
" que parece", eu concordei. Eu olhei para o sol, de alguma forma ele j estava diretamente  frente. Como o tempo tinha passado to rapidamente?
As sobrancelhas dele se juntaram em cima dos seus olhos. "Eu no sei quando vou ver voc de novo", ele disse com uma voz machucada.
"Eu volto da prxima vez que ele estiver longe", eu promet impulsivamente.
"Longe?" Jacob rolou os olhos. "Essa  uma forma legal de descrever o que ele est fazendo. Parasitas nojentos".
"Se voc no consegue ser gentil, eu no vou voltar!" eu ameacei, tentando soltar a minha mo. Ele se recusou a soltar.
"Aw, no fique com raiva", ele disse, rindo. "Reao instantnea".
"Se eu vou tentar vir outra vez, voc vai ter que entender bom uma coisa, certo?"
Ele esperou.
"Entenda", eu expliquei. "Eu no me importo com quem  o vampiro e quem  o lobisomem. Isso  irrelevante. Voc  Jacob, e ele  Edward, e eu sou Bella. Nada mais
importa".
Os olhos dele estreitaram um pouco. "Mas eu sou um lobisomem", ele disse sem vontade. "E ele  um vampiro", ele disse com bvia repulsa.
"E eu sou do signo de Virgem!" eu gritei, exasperada.
Ele ergueu as sobrancelhas, medindo a minha expresso com olhos curiosos. Finalmente, ele ergueu os ombros.
"Se voc realmente consegue ver dessa forma..."
"Eu consigo. Eu vejo."
"Est bem. Simplesmente Bella e Jacob. Nada desses Virginianos esquisitos por aqui". Ele sorriu pra mim, o sorriso clido, familiar do qual eu sentia tanta falta.
Eu sent o sorriso de resposta se abrindo no meu rosto.
"Eu realmente sent sua falta, Jake" Eu admit impulsivamente.
"Eu tambm" o sorriso dele abriu mais. Os olhos dele estavam felizes e claros, livres pelo menos uma vez da raiva cida. "Mais do que voc sabe. Voc vai voltar
logo?"
"Assim que eu puder", eu prometi

6. Sua
Enquanto eu dirigia pra casa, eu no estava prestando muita ateno na estrada que brilhava com a gua no sol. Eu estava pensando o jorro de informaes que Jacob
havia dividido comigo, tentando desvendar tudo, forar isso a ter sentido. Apesar da sobre-carga, eu me sentia mais leve. Ver Jacob sorrir, ter todos os segredos
colocados pra fora... isso no deixava as coisas perfeitas, mas as fazia melhores. Eu estava certa por ter ido. Jacob precisava de mim. E obviamente, eu pensei enquanto
piscava com causa da claridade, no havia nenhum perigo.
Ele apareceu do nada. Num minuto no havia nada alm da pista clara no meu espelho retrovisor. No minuto seguinte, o sol estava resplandescendo em um Volvo prateado
que estava na minha cola.
"Aw, droga", eu choraminguei.
Eu considerei parar. Mas eu era covarde demais pra enfrent-lo imediatamente. Eu estava contando com algum tempo pra me preparar... e ter Charlie por perto como
amortecedor. Pelo menos ele ia se esforar pra manter a voz baixa.
O Volvo seguia a uns metros atrs de mim. Eu mantive os meus olhos na estrada em frente.
Como a covarde que eu era, eu dirig direto para a casa de Angela sem encontrar nenhuma vez os olhos que eu sentia me queimando um buraco no espelho retrovisor.
Ele me seguiu at que eu parei na calada na frente da casa dos Weber. Ele no parou, e eu no olhei pra cima quando ele passou. Eu no queria ver a expresso no
rosto dele. Eu corr pela curta calada de concreto at a porta de Angela quando ele estava fora de vista.
Ben atendeu a porta antes que eu pudesse terminar de bater, como se ele estivesse de p atrs dela.
"Hey, Bella!", ele disse, surpreso.
"Oi, Ben. Er, Angela est aqui?" eu me perguntei se Angela teria esquecido os nossos planos, e estremec com o pensamento de voltar pra casa mais cedo.
"Claro", Ben disse exatamente quando Angela chamou, "Bella!" e apareceu no topo das escadas.
Ben espiou atravs de mim enquanto ns dois ouvimos o som de um carro na estrada; o som no me assustou - esse motor fez barulho quando parou, acompanhado pelo estouro
da descarga. Nada como o ronco do Volvo. Esse devia ser o visitante que Ben estava esperando.
"Austin est aqui", Ben disse quando Angela chegou ao lado dele.
Uma buzina soou na rua.
"Eu te vejo mais tarde", Ben prometeu. "J sinto sua falta".
Ele jogou o brao ao redor do pescoo de Angela e trouxe o rosto dela pra baixo at a altura dele pra que ele pudesse dar um beijo nela com entusiasmo. Depois de
um segundo disso, Austin buzinou de novo.
"Tchau, Ang! Te amo!", Ben gritou enquanto passava correndo por mim.
Angela virou, o rosto dela levemente rosado, depois se recuperou e acenou at que Ben e Austin estivessem fora de vista. Depois ela se virou pra mim e sorriu significantemente.
"Obrigada por fazer isso, Bella", ela disse. "Do fundo do meu corao. Voc no est apenas salvando as minhas mos de danos permanentes, voc tambm me poupou de
duas longas horas de um filme chato e com artes-marcias de m qualidade." Ela suspirou aliviada.
"Feliz por servir", Eu estava sentindo um pouco menos de pnico, e era capaz de respirar um pouco mais uniformemente. Eu me sentia to normal aqui. As dramas fceis
de Angela eram estranhamente tranquilizadores. Era legal saber que eu era normal em algum lugar.
Eu segu Angela pelas escadas at o quarto dela. Ela chutou brinquedos fora do caminho enquanto passava. A casa estava estranhamente quieta.
"Onde est a sua famlia?"
"Os meus pais levaram os gmeos para uma festa de aniversrio em Port Angeles. Eu no posso acreditar que voc realmente vai me ajudar com isso. Ben est fingindo
que tem tendinite". Ela fez uma cara.
"Eu no me importo nem um pouco". Eu disse, e ento entrei no quarto de Angela e v as pilhas de envelopes esperando.
"Oh!" eu ofeguei. Angela virou pra olhar pra mim, pedindo desculpas com os olhos. Eu podia ver porque ela esteve adiando isso, e porque Ben pulou fora.
"Eu pensei que voc estivesse exagerando", eu admit.
"Eu queria. Voc tem certeza que quer fazer isso?"
"Me faa trabalhar. Eu tenho o dia inteiro"
Angela dividiu uma pilha na metade e colocou o livro de endereos da me dela entre ns em cima da mesa. Por um momento ns nos concentramos, e s havia o som das
nossas canetas passando quietamente sobre o papel.
"O que Edward vai fazer essa noite?", ela perguntou depois de alguns minutos.
A minha caneta afundou no envelope no qual eu estava escrevendo. "Emmett est em casa para o fim de semana. Eles deviam estar caminhando".
"Voc diz isso como se no tivesse certeza".
Eu levantei os ombros.
"Voc tem sorte que Edward tem os irmos pra fazer as caminhadas e os acampamentos. Eu no sei o que eu faria se Ben no tivesse Austin para essa coisa de garotos."
", o ar livre no  pra mim. E no tem jeito de eu ser capaz de acompanhar".
Angela riu. "Eu tambm prefiro ficar em casa".
Ela se concentrou na sua pilha por um minuto. Eu escrev mais quatro endereos. Nunca havia a presso de encher uma pausa com tagarelice sem sentido com Angela.
Como Charlie, ela ficava confortvel com o silncio.
Mas, como Charlie, ela tambm era muito observadora as vezes.
"Tem algo errado?" ela perguntou com uma voz baixa agora. "Voc parece... ansiosa".
Eu sorr bobamente. " assim to bvio?"
"Na verdade no".
Ela provavelmente estava mentindo pra fazer eu me sentir melhor.
"Voc no precisa falar disso a no ser que queira", ela me assegurou. "Eu vou escutar se voc achar que eu posso ajudar".
Eu estava prestes a dizer obrigada, mas no, obrigada. Afinal, haviam segredos demais que eu precisava guardar. Eu realmente no podia discutir os meus problemas
com algum humano. Isso era contra as regras.
E mesmo assim, com uma intensidade estranha, repentina, isso era exatamente o que eu queria. Eu queria falar com uma amiga normal e humana. Eu queria gemer um pouco,
como qualquer outra garota adolescente.
Eu queria que os meus problemas fossem assim to simples. Tambm seria legal ter algum de fora dessa baguna de vampiros-lobisomens pra colocar as coisas em perspectiva.
Uma pessoa neutra.
"Eu vou cuidar dos meu prprios assuntos", Angela prometeu, sorrindo para o endereo no qual ela estava trabalhando.
"No", eu disse. "Voc est certa. Eu estou ansiosa. ...  Edward".
"O que h de errado?"
 to fcil conversar com Angela. Quando ela perguntava uma coisa assim, eu podia notar que ela no estava apenas morbidamente curiosa ou procurando uma fofoca,
como Jssica estaria. Ela se importava por eu estar chateada.
"Oh, ele est com raiva de mim".
"Isso  difcil de imaginar", ela disse. "Do que ele est com raiva?"
Eu suspirei. "Voc se lembra de Jacob Black?"
"Ah", ela disse
"".
"Ele est com cimes".
"No, no com cimes..." eu devia ter mantido a minha boca fechada. No tinha jeito de explicar isso direito. Mas eu queria continuar falando do mesmo jeito. Eu
no tinha me dado conta de que estava faminta por conversa humana. "Edwad pensa que Jacob ... uma minfluncia, eu acho. Meio... perigoso. Voc sabe em quantos
problemas eu me met h uns meses atrs... no entanto, isso  ridculo".
Eu fiquei surpresa por ver Angela balanando a cabea.
"O que?", eu perguntei.
"Bella, eu v como Jacob Black olha pra voc. Eu apostaria que o problema de verdade  cime".
"No  assim com Jacob".
"Pra voc, talvez, mas pra Jacob..."
Eu fiz uma careta. "Jacob sabe como eu me sinto. Eu o disse tudo".
"Edward  apenas um humano, Bella. Ele vai reagir como qualquer outro garoto".
Eu fiz uma careta. Eu no tinha uma resposta pra isso".
Ela deu um tapinha na mo. "Ele vai superar isso".
"Eu espero que sim. Jacob est passando por um perodo meio difcil. Ele precisa de mim".
"Voc e Jacob so muito prximos, no so?"
"Como famlia", eu concordei.
"E Edward no gosta dele... Isso deve ser difcil. Eu me pergunto como Ben lidaria com isso?" ela meditou.
Eu dei um meio sorriso. "Provavelmente como qualquer outro garoto".
Ela riu. "Provavelmente"
A ela mudou de assunto. Angela no era de forar a barra, e ela pareceu pressentir que eu no ia - que eu no podia - dizer mais nada.
"Eu peguei a minha inscrio para o dormitrio hoje. O prdio mais afastado do campus, naturalmente".
"Ben j sabe onde ele vai ficar?"
"No dormitrio mais prximo do campus. Ele ficou com toda a sorte. E quanto a voc? Voc j decidiu pra onde vai?"
Eu olhei pra baixo, me concentrando nos garranchos da minha caligrafia. Por um segundo eu me distra com o pensamento de Angela e Ben na Universidade de Washington.
Ser que a ameaa de vampiros mais jovens j teria se mudado pra outro lugar? Haveria outro lugar, alguma outra cidade tremendo com as manchetes de filmes de terror?
Seriam essas manchetes por minha causa?
Eu tentei deixar isso pra l e respond a pergunta dela um pouco atrasada. "Alaska, eu acho. A universidade l de Juneau".
eu podia ouvir a surpresa na voz dela. "Alaska? Oh. Mesmo? Quer dizer, isso  timo. Eu s achei que voc fosse pra um lugar mais... quente".
Eu r um pouco, ainda olhando para o envelope. ". Forks realmente mudou a minha perspectiva de vida".
"E Edward?"
Apesar do nome dele ter feito borboletas flutuarem no meu estmago, eu olhei pra cima e sorr pra ela. "Alaska tambm no  frio demais pra Edward."
Ela sorriu de volta. " claro que no" E depois ela suspirou. " longe demais. Voc no ser capaz de voltar pra casa com muita frequncia. Eu vou sentir sua falta.
Voc me manda e-mails?"
Uma onda de tristeza silenciosa passou por mim; talvez fosse um erro me aproximar de Angela agora. Mas no seria ainda mais triste perder essas ltimas chances?
Eu deixei pra l os pensamentos tristes, pra poder responder a ela com zombaria.
"Se eu puder digitar de novo depois disso" Eu acenei com a cabea em direo  pilha de envelopes que eu havia feito.
Ns rimos, e depois foi fcil conversar sobre alegremente sobre as aulas e os formandos enquanto terminvamos o resto - Tudo o que eu tive que fazer foi no pensar
nisso. De qualquer forma, haviam coisas mais urgentes com as quais me preocupar hoje.
Eu ajudei ela a colocar os selos tambm. Eu estava com medo de ir embora.
"Como est a sua mo?" ela perguntou.
Eu flexionei os meus dedos. "Eu acho que recuperarei completamente o uso... algum dia".
A porta bateu l embaixo, e ns duas olhamos pra cima.
"Ang?", Ben chamou.
Eu tentei sorrir, mas os meus lbios tremeram. "Eu acho que essa  a minha deixa pra ir embora".
"Voc no precisa ir. Apesar de que ele provavelmente vai descrever o filme pra mim... em detalhes".
"De qualquer maneira Charlie vai ficar se perguntando onde eu estou."
"Obrigada por me ajudar".
"Na verdade, eu me divert. Ns devamos fazer algo assim de novo.  legal ter um tempo de garotas".
"Definitivamente".
Houve uma batida de leve na porta do quarto.
"Entre, Ben", Angela disse.
Eu me levantei e me estiquei.
"Hey, Bella! Voc sobreviveu", Ben me saudou rapidamente antes de ir tomar o meu lugar ao lado de Angela. Ele olhou o nosso trabalho. "Belo trabalho. Que pena que
no tem mais nada pra fazer, eu teria..." Ele deixou o pensamento parar, e recomeou excitadamente. "Ang, eu no acredito que voc perdeu isso! Foi timo. Houve
essa sequncia de luta no final - a coreografia foi inacreditvel! Esse cara - bem, voc vai vai ter que ver pra saber o que eu estou falando -"
Angela revirou os olhos pra mim.
"Te vejo na escola", eu disse com uma risada nervosa.
Ela suspirou. "A gente se v".
Eu estava inquieta na caminho at a caminhonete, mas a rua estava vazia. Eu passei toda a viagem olhando ansiosamente em todos os meus espelhos, mas nunca havia
nenhum sinal do carro prateado.
O carro dele tambm no estava na frente de casa, apesar de que isso significava pouco.
"Bella?" Charlie perguntou quando eu abr a porta.
"Oi, pai"
Eu o encontrei na sala de estar, na frente da TV.
"Ento, como foi o seu dia?"
"Bom", eu disse. Eu podia ter contado tudo a ele - ele ouviria isso de Billy em breve. Alm do mais, isso ia deix-lo feliz. "Eles no precisaram de mim no trabalho,
ento eu fui at La Push".
No houve surpresa suficiente no rosto dele. Billy j tinha falado com ele.
"Como est Jacob?" Charlie perguntou, tentando soar indiferente.
"Bem", eu disse, igualmente indiferente.
"Voc foi  casa dos Weber?"
"Sim. Ns endereamos todos os anncios dela".
"Isso  legal" Charlie deu um sorriso largo. Ele estava estranhamente concentrado, considerando o fato de que estava passando um jogo. "Eu estou feliz que voc tenha
passado tempo com os seus amigos hoje".
"Eu tambm".
Eu segui em direo a cozinha, procurando algo em que trabalhar. Infelizmente, Charlie j tinha limpado o seu almoo. Eu fiquei l, olhando para a trilha brilhante
que o sol fez no cho. Eu sabia que no podia adiar isso pra sempre.
"Eu vou estudar", eu anunciei sem entusiasmo enquanto eu ia para a escada.
"Te vejo mais tarde", Charlie chamou.
Se eu sobreviver, eu pensei comigo mesma.
Eu fechei a porta do meu quarto cuidadosamente antes de me virar para enfrentar o meu quarto.
 claro que ele estava l. Ele estava contra a parede na minha frente, na sombra ao lado da janela aberta. O rosto dele estava duro e a postura dele estava tensa.
Ele me encarou sem dizer nada.
Eu aguentei, esperando pela tempestade, mas ela no veio. Ele s continuou a encarar, possivelmente com raiva demais pra falar.
"Oi", eu disse finalmente.
O rosto dele podia ter sido cravado em uma pedra. Eu contei at cem na minha cabea, mas no houve mudana.
"Er... ento, eu ainda estou viva", eu comecei.
Um rugido se fez ouvir baixinho no peito dele, mas a expresso dele no mudou.
"Nenhum dano causado", eu insist, encolhendo os ombros.
Ele se moveu. Os olhos dele se fecharam, e ele segurou a base do nariz entre os dedos da mo direita dele.
"Bella", ele sussurrou. "Voc tem alguma idia do quanto eu estive perto de cruzar a linha hoje? De quebrar o acordo e ir atrs de voc? Voc sabe o que isso teria
significado?"
Eu ofeguei e ele abriu os olhos. Eles estavam to frios e duros como a noite.
"Voc no pode!" eu disse alto demais. Eu trabalhei em modular o volume da minha voz pra que Charlie no ouvisse, mas eu queria gritar as palavras. "Edward, eles
no vo usar nenhuma desculpa para uma briga. Eles adorariam isso. Voc no pode quebrar as regras nunca!"
"Talvez eles no sejam os nicos que gostariam de uma luta".
"No comece" eu soltei. "Vocs fizeram o acordo - obedea ele".
"Se ele tivesse machucado voc -"
"Chega!" eu cortei ele. "No h nada com o que se preocupar. Jacob no  perigoso".
"Bella" ele revirou os olhos. "Voc no  exatamente a melhor juza do que  ou no perigoso".
"Eu sei que eu no preciso me preocupar com Jake. E nem voc".
Ele apertou os dentes. As mos dele estavam transformadas em bolas nos pulsos dos lados dele. Ele ainda estava contra a parede, e eu odiava o espao entre ns.
Eu respirei fundo e atravessei o quarto. Ele no se moveu quando eu passei os meus braos ao redor dele. Perto do resto do calor do fim do sol da tarde que passava
pela janela, a pele dele estava especialmente gelada. Ele parecia gelo tambm, congelado do jeito que estava.
"Eu sinto muito por ter te deixado ansioso", eu murmurei.
Ele suspirou e relaxou um pouco. Os braos dele seguraram a minha cintura.
"Ansioso  uma indicao bem incompleta", ele murmurou. "Esse dia foi bem longo".
"No era pra voc saber sobre isso" eu lembrei ele. "Eu pensei que voc passaria mais tempo caando".
Eu olhei para o rosto dele, para os seus olhos defensivos; eu no reparei no estresse do momento, mas eles estava escuros demais. Os crculos embaixo deles eram
roxo-escuros. Eu fiz uma careta de desaprovao.
"Quando Alice te viu desaparecer, eu voltei", ele explicou.
"Voc no devia ter feito isso. Agora voc vai ter que ir de novo". A minha careta se intensificou.
"Eu posso esperar".
"Isso  ridculo. Quer dizer, eu sabia que ela no podia me ver com Jacob, mas voc devia saber que -"
"Mas eu no sabia" ele interrompeu. "E voc no pode esperar que eu -"
"Oh, sim, eu posso" eu interromp ele. "Isso  exatamente o que eu espero".
"Isso no vai acontecer de novo".
"Exatamente! Porque voc no vai ser exagerado da prxima vez".
"Porque voc no vai outra vez".
"Eu entendo quando voc precisa ir embora, mesmo que eu no goste -"
"Isso no  o mesmo. Eu no estou arriscando a minha vida".
"E nem eu".
"Lobisomens constituem um risco".
"Eu discordo".
"Eu no estou negociando isso, Bella"
"Nem eu".
As mos dele estavam nos pulsos de novo. Eu podia sent-las nas minhas costas.
As palavras saram sem que eu pensasse. "Isso se trata realmente da minha segurana?"
"O que voc quer dizer?" ele quis saber.
"Voc no est..." A teoria de Angela parecia mais boba agora do que antes. Foi difcil concluir o pensamento. "Eu quero dizer, voc sabe que no precisa sentir
cime, certo?"
Ele ergueu uma sobrancelha. "Eu sei?"
"Fale srio".
"Facilmente - no h nada remotamente engraado nisso".
Eu fiz uma careta de suspeita. "Ou... isso  mais alguma coisa? Uma daquelas bobagens sobre vampiros e lobisomens serem inimigos? Ou isso  s cheio de testosterona
-"
Os olhos dele brilharam. "Isso  s sobre voc. Tudo com o que eu me importo  que voc esteja em segurana".
Era impossvel duvidar do fogo negro dos olhos dele.
"Tudo bem", eu suspirei. "Eu acredito nisso. Mas eu quero que voc saiba de uma coisa - quando se trata dessa bobagem de inimigos, eu estou fora. Eu sou um pas
neutro. Eu sou a Sua. Eu me recuso a participar de disputas territoriais entre criaturas msticas. Jacob  da famlia. Voc ... bem, voc no  exatamente o amor
da minha vida, porque eu espero te amar por muito mais tempo que isso. O amor da minha existncia. Eu no me importo com quem  o lobisomem e que  o vampiro. Se
Angela virar uma bruxa, ela pode se juntar a festa tambm".
Ele olhou pra mim silenciosamente por entre olhos apertados.
"Sua", eu repet de novo pra dar nfase.
Ele fez uma careta pra mim, e depois suspirou. "Bella...", ele comeou, mas depois parou, e o nariz dele enrugou de desgosto.
"O que foi agora?"
"Bem... no se ofenda, mas voc est cheirando como um cachorro", ele me disse.
E depois ele deu um sorriso torto, ento eu sabia que a briga tinha acabado. Por enquanto.
Edward teria que ajeitar as coisas por ter perdido a viagem de caa, ento ele ia na Sexta  noite com Jasper, Emmett e Carlisle para atacar alguma reserva ao Norte
da Califrnia que estivesse com problemas com lees da montanha.
Ns no chegamos ao um acordo no problema com os lobisomens, mas eu no me senti culpada por ligar para Jake - durante a minha pequena janela de oportunidade quando
Edward levou o Volvo pra casa antes de entrar de novo pela minha janela - pra deix-lo saber que eu estaria voltando no Sbado de novo. Eu no ia ficar me escondendo.
Edward sabia como eu me sentia. E se ele quebrasse a minha caminhonete de novo, ento eu pediria que Jake viesse me buscar. Forks era neutra, assim como a Sua
- assim como eu.
Ento, quando eu sa na Quinta e era Alice quem estava me esperando no Volvo no lugar de Edward, eu no suspeitei inicialmente. A porta do passageiro estava aberta,
e uma msica que eu no reconhecia estava fazendo as estruturas tremerem quando o baixo soava.
"Ei, Alice", eu gritei por cima do som enquanto eu entrava. "Onde est o seu irmo?"
Ela estava acompanhando a msica, a voz dela estava um oitavo mais alta do que a melodia, seguindo ela com uma harmonia complicada. Ela acenou pra mim com a cabea,
ignorando a minha pergunta enquanto se preocupava em acompanhar a msica.
Eu fechei a porta e coloquei as mos em cima dos ouvidos. Ela sorriu, e baixou o volume at que a msica estava apenas no fundo. Ento ela travou as portas e pisou
no acelerador no mesmo segundo.
"O que est acontecendo?" Eu perguntei, comeando a me sentir inquieta. "Onde est Edward?"
Ela levantou os ombros. "Eles foram mais cedo".
"Oh", eu tentei controlar a minha decepo absurda. Se ele tinha ido embora antes, significava que ele estaria de volta mais cedo, eu lembrei a mim mesma.
"Todos os garotos foram, e ns vamos ter uma festa do pijama!" ela anunciou em uma voz alegre, cantante.
"Uma festa do pijama?" eu repet, a suspeita finalmente estava entrando.
"Voc no est excitada?" ela gritou de alegria.
Eu encontrei o olhar animado dela por um segundo.
"Voc est me sequestrando, no est?"
Ela sorriu e balanou a cabea. "At Sbado. Esme falou com Charlie; voc vai ficar comigo por duas noites, e eu vou te levar e te trazer da escola amanh".
Eu virei o meu rosto para a janela, os meus dentes se apertando.
"Desculpa", Alice disse sem soar nem um pouco arrependida. "Ele me pagou".
"Como?" eu assobiei por entre os dentes.
"O Porsche.  exatamente como o que eu roubei na Itlia". Ela suspirou alegremente.
"Eu no devo dirig-lo em Forks, mas se voc quiser, ns podemos ver quanto tempo leva pra ir daqui at Los Angeles - eu aposto que te traria de volta antes de meia
noite".
Eu respirei fundo. "Eu acho que vou passar", eu suspirei, reprimindo um tremor.
Ns continuamos, sempre rpido demais, pelo longo caminho. Alice parou na garagem, e eu rapidamente olhei para os carros.
O jipe grande de Emmett estava l, com um brilhante Porsche amarelo cor de canrio entre ele e o conversvel vermelho de Rosalie.
Alice saiu graciosamente e foi passar a mo no suborno dela. " bonito, no ?"
"Bonito at demais", eu murmurei, incrdula. "Ele te deu isso s pra voc me manter prisioneira por dois dias?"
Alice fez uma cara.
Um segundo depois, a compreenso veio e eu sufoquei de horror. " por todo o tempo que ele esteve longe, no ?"
Ela acenou com a cabea.
Eu bat a minha porta e marchei em direo  casa. Ela danou ao meu lado o tempo inteiro, ainda sem se arrepender.
"Alice, voc no acha que isso  um pouco controlador demais? Um pouquinho psictico, talvez?"
"Na verdade no", ela fungou. "Voc no parece compreender o quanto um lobisomem jovem pode ser. Especialmente quando eu no consigo v-los. Edward no tem nenhuma
forma de saber se voc est segura. Voc no devia ser to irresponsvel".
Minha voz se tornou cida. "Sim, porque uma festa do pijama de vampiro  pinculo de um comportamento conscientemente seguro".
Alice riu. "Eu vou ser sua pedicure e tudo", ela prometeu.
No foi to ruim, exceto pelo fato de que eu estava sendo segurada contra a minha vontade. Esme comprou comida Italiana - coisas boas, diretamente de Port Angeles
- e Alice estava preparada com os meus filmes favoritos. At Rosalie est l, silenciosamente no fundo. Alice insistiu em ser pedicure, e eu me perguntei se ela
tinha feito uma lista - talvez uma coisa que ela tenha inventado depois de assitir seriados ruins.
"Quo tarde voc quer ficar acordada?" ela perguntou quando as minhas unhas estavam brilhando um vermelho sangue. O entusiasmo dela continuou a no mexer com o meu
humor.
"Eu no quero ficar acordada. Ns temos escola amanh".
Ele fez beicinho.
"Onde  que eu vou dormir, afinal?" eu med o sof com os meus olhos. Ele era um pouco curto. "Ser que eu no posso dormir sob vigilncia em minha casa?"
"Que espcie de festa do pijama seria esta?" Alice balanou a cabea exasperada.
"Voc vai dormir no quarto de Edward".
Eu suspirei. O sof de couro preto dele era mais longo do que esse. Na verdade, o carpete dourado do quarto dele provavelmente era grosso o suficiente pra que o
cho tambm no fosse uma m idia.
"Posso ir  minha casa pra pegar as minhas coisas, pelo menos?"
Ela sorriu. "J cuidei disso".
"Eu tenho permisso de usar o seu telefone?"
"Charlie sabe que voc est aqui"
"Eu no ia ligar pra Charlie". Eu fiz uma careta. "Aparentemente, eu tenho planos pra cancelar".
"Oh", ela pensou. "Eu no tenho certeza quanto a isso".
"Alice!" eu choraminguei alto. "Vamos!"
"T bom, t bom", ela disse, saindo do quarto. Ela estava de volta em menos de meio segundo, com o celular na mo.
"Ele no proibiu isso especificamente..." ela murmurou pra s mesma enquanto passava ele pra mim.
Eu disquei o nmero de Jacob, esperando que ele no estivesse fora caando com os amigos esta noite. A sorte estava ao meu lado - foi Jacob que atendeu.
"Al?"
"Ei, Jake, sou eu" Alice me olhou com olhos inexpressvos por um segundo, antes de e se virar e ir se sentar ao lado de Rosalie e Esme no sof.
"Oi, Bella", Jacob disse, cuidadoso de repente. "O que foi?"
"Nada de bom. No fim das contas eu no vou poder ir no Sbado".
Ficou silencioso por um segundo. "Sugador de sangue estpido", ele finalmente murmurou. "Eu pensei que ele ia embora. Ser que voc no pode ter uma vida quando
ele est longe? Ou ele te tranca no caixo dele?"
Eu r.
"Eu no achei engraado".
"Eu s estou rindo porque voc est perto", eu disse a ele. "Mas ele vai estar aqui no Sbado, ento isso no importa".
"Ele vai estar se alimentando em Forks ento?" Jacob perguntou curtamente.
"No" eu no me deixei ficar irritada com ele. Eu no estava to longe de estar com tanta raiva quanto ele estava. "Ele foi mais cedo".
"Oh. Bem, ei, venha agora, ento", ele disse com entusiasmo repentino. "No est to tarde. Ou eu vou te buscar na casa de Charlie".
"Eu queria. Eu no estou na casa de Charlie", eu disse amargamente. "Eu estou meio que sendo mantida prisioneira".
Ele ficou em silncio enquanto isso se encaixava, e ento ele rosnou. "Ns vamos buscar voc", ele prometeu numa voz vazia, passando rapidamente pelo plural.
Um tremor percorreu a minha espinha, mas eu respond num voz leve e zombeteira. "Tentador. Eu estou sendo torturada - Alice pintou as unhas dos meus ps".
"Estou falando srio".
"No fale. Eles s esto tentando me manter segura".
Ele rosnou de novo.
"Eu sei que  bobagem, mas o corao deles est no lugar certo".
"O corao deles!" Jacob zombou.
"Eu lamento por Sbado", eu me desculpei. Eu tenho que ir para a cama" - o sof, eu corrig mentalmente - "mas eu te ligo de novo em breve".
"Voc tem certeza que eles vo deixar?" ele perguntou num tom severo.
"No completamente", eu suspirei. "Boa noite, Jake".
"A gente se v por a".
Alice estava abruptamente ao meu lado, a mo dela estava erguida para o telefone, mas eu j estava discando. Ela viu o nmero.
"Eu acho que ele no est com o telefone dele", ela disse.
"Eu vou deixar uma mensagem"
O telefone tocou quatro vezes, seguidas por um bipe. No havia nenhuma saudao.
"Voc est com problemas" eu disse lentamente, enfatizando cada palavra. "Problemas enormes. Ursos pardos raivosos no sero nada perto do que est te esperando
em casa".
Eu fechei o telefone e o coloquei na mo dela que estava esperando. "Eu acabei".
Ela sorriu. "Essa coisa de refm  divertida".
"Eu vou dormir agora", eu anunciei, indo para as escadas. Alice veio junto.
"Alice", eu suspirei. "Eu no vou escapulir. Voc saberia se eu estivesse planejando isso, e voc me pegaria se eu tentasse".
"Eu s vou te mostrar onde as suas coisas esto", ela disse inocentemente.
O quarto de Edward ficava no fim do corredor do terceiro andar, difcil de me enganar mesmo se a casa enorme fosse menos familiar. Mas quando eu acend a luz, eu
parei, confusa. Eu tinha escolhido o quarto errado?
Era o mesmo quarto, eu reparei rapidamente; s que os mveis haviam sido re-arrumados. O sof tinha sido empurrado para a parede norte e o som estava enfiado contra
as vastas prateleiras de CD's - pra dar espao  cama colossal que agora dominava o espao no centro.
A parede de vidro ao sul refletia a cena como um espelho, fazendo ela parecer duas vezes pior.
Ela combinava. A colcha era de um dourado fraco, um pouco mais claro que as paredes; a armao era preta, feita com um ao forte e patenteado. Rosas esculpidas de
metal se espalhavam em vinhas pelo alto poste e formavam um entrelaado gracioso em cima. Os meus pijamas estavam cuidadosamente dobrados no p da cama, e a minha
bolsa de coisas de toilete estava ao lado.
"Que diabos  tudo isso?" eu disparei.
"Voc no achou realmente que ele fosse te deixar dormir no sof, pensou?"
Eu murmurei inteligivelmente enquanto marchava para arrancar as minhas coisas da cama.
"Eu vou te dar um pouco de privacidade", Alice riu. "Te vejo de manh".
Depois que os meus dentes estavam escovados e eu estava vestida, eu peguei um travesseiro de penas fofo da cama e arrastei a coberta dourada at o sof. Eu sabia
que estava sendo boba, mas no me importava. Porsches de suborno e camas King-size em casas onde ningum dormia - era irritante ao extremo. Eu desliguei as luzes
e me curvei no sof, me perguntando se estava chateada demais para dormir.
No escuro, a parede de vidro no era mais um espelho escuro, duplicando o quarto. A luz da lua brilhava nas nuvens do lado de fora da janela. Enquanto os meus olhos
se ajustavam, eu podia ver um brilho difuso destacando o topo das rvores, e fazendo um pequeno pedao do rio cintilar. Eu olhei a luz prateada, esperando que os
meus olhos ficassem pesados.
Houve uma batida de leve na porta.
"O que, Alice?" eu assobiei. Eu estava na defensiva, imaginando a diverso dela quando ela visse a minha cama improvisada.
"Sou eu", Rosalie disse suavemente, abrindo a porta o suficiente pra que eu pudesse ver o brilho prateado tocar o seu rosto perfeito. "Posso entrar?"

7. Final Infeliz
Rosalie hesitou na porta, seu rosto arrebatador estava incerto.
" claro" eu respondi, minha voz estava um oitavo mais alta com a surpresa. "Entre".
Eu sentei, escorregando para o fim do sof pra dar espao. O meu estmago revirou nervosamente enquanto a nica Cullen que no gostava de mim se moveu silenciosamente
pra se sentar no espao aberto. Eu tentei pensar numa razo pela qual ela ia querer me ver, mas a minha mente estava vazia at o momento.
"Voc se importa de conversar comigo por alguns minutos?" ela perguntou. "Eu no te acordei nem nada, acordei?" Os olhos dela passaram da cama desforrada e de volta
para o meu sof.
"No, eu estava acordada. Claro, ns podemos conversar" Eu me perguntei se ela podia ouvir o alarme na minha voz to claramente quanto eu.
Ela sorriu levemente, e o som pareceu com sinos tocando. "Ele to raramente te deixa sozinha", ela disse. "Eu achei que seria melhor que eu tirasse o melhor dessa
oportunidade".
O que ela queria dizer que no podia ser dito na frente de Edward? As minhas mos torceram e destorceram na porta da colcha.
"Por favor no pense que eu estou interferindo horrivelmente", Rosalie disse, a voz dela estava gentil e quase implorativa. Ela cruzou as mos no colo e olhou pra
elas enquanto falava. "Eu tenho certeza que j magoei os seus sentimentos o suficiente no passado, e eu no quero fazer isso de novo".
"No se preocupe com isso, Rosalie. Os meus sentimentos esto timos. O que ?"
Ela riu de novo, parecendo estranhamente envergonhada. "Eu vou tentar te dizer porque eu acho que voc devia permanecer humana - porque eu permaneceria humana se
eu fosse voc".
"Oh".
Ela sorriu com o tom chocado da minha voz, e ento suspirou.
"Edward te contou o que levou a isso?" ela perguntou, fazendo um gesto para o seu glorioso corpo imortal.
Eu balancei a cabea lentamente, repentinamente sombria. "Ele disse que foi perto do que aconteceu comigo em Port Angeles, s no havia ningum l pra salvar voc".
Eu tremi com a memria.
"Isso  realmente tudo o que ele te contou?" ela perguntou.
"Sim", eu disse, a minha voz estava pasma de confuso. "Havia mais?"
Ela olhou pra mim e sorriu; era uma expresso dura, cida - mas ainda estonteante.
"Sim",ela disse. "Havia mais".
Eu esperei enquanto ela olhava pela janela. Ela parecia estar tentando se acalmar.
"Voc gostaria de ouvir a minha histria, Bella? Ela no tem um final feliz - mas qual das nossas tem? Se ns tivssemos finais felizes, ns estaramos embaixo de
lpides agora".
Eu balancei a cabea, apesar de estar assustada com o tom na voz dela.
"Eu vivi em um mundo diferente de voc, Bella. O meu mundo humano era um lugar muito mais simples. Era mil novecentos e trinta e trs. Eu tinha dezoito, e era linda.
A minha vida era perfeita".
Ela olhou pelas janelas para as nuvens prateadas, a expresso dela estava distante.
"Os meus pais eram inteiramente classe mdia. O meu pai tinha um emprego estvel num banco, algo de que agora eu percebo que ele era presumido - ele viu a sua prosperidade
como uma recompensa pelo seu talento e trabalho duro, e no reconhecendo a sorte que envolvia isso. Nessa poca eu achava que tudo estava garantido; na minha casa,
era como se a Grande Depresso fosse apenas um rumor problemtico.  claro que eu via as pessoas pobres, aquelas que no tinham tanta sorte. O meu pai me passou
a impresso de que eles haviam trazido os problemas para si mesmos.
"Era trabalho da minha me manter a nossa casa - e eu mesma e os meus dois irmos mais jovens - para mant-la impecvel. Era claro que eu era tanto a sua prioridade
como tambm a sua favorita. Eu no entendia completamente na poca, mas eu estava sempre vagamente consciente que os meus pais no estavam satisfeitos com os que
eles tinham, mesmo que isso fosse to mais do que a maioria tinha. Eles queriam mais. Eles tinham aspiraes sociais - escalas sociais, eu acho que voc chamaria.
A minha beleza era como um presente pra eles. Eles viam muito mais potencial nela do que eu.
"Eles no estavam satisfeitos, mas eu estava. Eu estava muito feliz por ser eu, por ser Rosalie Hale. Agradada porque os olhos dos homens me observavam onde quer
que eu fosse, desde o ano que eu fiz doze anos. Deliciada porque as minhas amigas suspiravam de inveja quando elas tocavam o meu cabelo. Feliz porque a minha me
estava orgulhosa de mim e que o meu pai gostava de me comprar vestidos bonitos.
"Eu sabia o que eu queria da vida, no parecia que haveria uma forma de eu no conseguir o que eu queria. Eu queria ser amada, ser adorada. Eu queria ter um casamento
enorme, todo florido, onde todos na cidade ia me observar entrar na igreja de brao dado com o meu pai e pensar que eu era a garota mais bonita que eles j tinham
visto. Admirao era como ar pra mim, Bella. Eu era boba e superficial, mas eu era feliz." Ela sorriu, divertida com sua prpria avaliao.
"A influncia dos meus pais tinha sido tanta que eu tambm queria coisas materiais da vida. Eu queria uma casa grande com mveis elegantes que outra pessoa limparia
e uma cozinha moderna na qual outra pessoa cozinharia. Como eu disse, superficial. Jovem e muito superficial. E eu no via nenhuma razo pela qual eu no conseguiria
essas coisas.
"Haviam algumas coisas que eu queria que eram mais significantes. Uma em particular. A minha amiga mais prxima era uma garota chamada Vera. Ela se casou jovem,
apenas aos dezessete.
Ela se casou com um homem que os meus pais jamais considerariam pra mim - um carpinteiro. Um ano depois ela teve um filho, um lindo menino com covinhas nas bochechas
e cabelos pretos encaracolados. Foi a primeira vez na minha vida inteira que eu senti inveja de outra pessoa."
Ela olhou pra mim com olhos insondveis. "Era uma poca diferente. Eu estava com a mesma idade que voc, mas eu j estava pronta pra tudo isso. Eu desejava ter o
meu prprio beb. Eu queria ter a minha prpria casa e um marido que me beijasse quando chegasse do trabalho - como Vera. S que eu tinha um tipo diferente de casa
em mente..."
Era difcil pra mim imaginar o tipo de mundo que Rosalie havia conhecido. A histria dela parecia mais como um conto de fadas pra mim. Com um pequeno choque, eu
me dei conta de que esse estava muito aproximado do tipo de mundo que Edward havia experimentado quando ele era humano, o mundo no qual ele havia crescido. Eu imaginei
- enquanto Rosalie sentou em silncio por um momento - ser que meu mundo parecia to confuso pra ele como o que Rosalie parecia pra mim?
Rosalie suspirou, e quando ela falou de novo a voz dela estava diferente, a saudade tinha ido embora.
"Em Rochester, havia uma famlia real - Os King, ironicamente o suficiente. Royce King era dono do banco onde meu pai trabalhava, e de praticamente todos os negcios
bem sucedidos da cidade. Foi assim que o filho dele, Royce King Segundo" - aboca dela torceu com o nome, e ele saiu por entre os dentes dela - "me viu pela primeira
vez. Ela ia herdar o banco, e ento ele comeou a vigiar diferentes posies. Dois dias depois, a minha me convenientemente esqueceu de mandar o almoo do trabalho
pro meu pai. Eu me lembro de ter ficado confusa quando ela insistiu que eu usasse o meu vestido branco de organza e prendesse o meu cabelo s pra ir at o banco"
Rosalie sorriu sem humor.
"Eu no reparei em Royce me observando particularmente. Todos me observavam. Mas naquela noite, a primeira das rosas veio. Todas as noites da nossa corte, ele me
mandava um buqu de rosas. O meu quarto estava sempre transbordando com elas. Eu cheguei ao ponto de ficar com cheiro de rosas quando saa de casa.
"Royce era bonito tambm. O cabelo dele era mais claro que o meu, e olhos azuis claros. Ele disse que os meus olhos eram como violetas, e a elas comearam a aparecer
junto s rosas.
"Os meus pais aprovaram - pra dizer o mnimo. Isso era tudo com o que eles haviam sonhado. E Royce era tudo com o que eu havia sonhado. O prncipe dos contos de
fada, que veio me transformar em princesa. Tudo o que eu queria, e mesmo assim no era nada alm do que eu esperava. Ns estvamos noivos dois meses depois que eu
o conheci.
"Ns no passvamos muito tempo juntos. Royce me disse que ele tinha muitas responsabilidades no trabalho, e, que quando estvamos juntos, ele gostava que as pessoas
olhassem pra ns, que me vissem nos braos dele. Eu gostava disso tambm. Haviam muitas festas, danas, e belos vestidos. Quando voc eram um King, todas as portas
estavam abertas pra voc, todos os tapetes vermelhos rolavam pra te saudar.
"No foi um noivado longo. Os planos foram em frente para o casamento mais prdigo. Ia ser tudo o que eu havia desejado. Eu estava completamente feliz. Quando eu
ligava pra Vera, eu no estava mais com inveja. Eu imaginava as minhas prprias crianas cabeludas brincando nos enormes gramados da propriedade dos King, e eu senti
pena dela".
Rosalie parou de repente, apertando os dentes. Isso me tirou da histria, e eu me dei conta de que o terror no estava muito longe. No haveria um final feliz, como
ela havia prometido. Eu me perguntei se era por isso que ela era to mais amarga do que o resto deles - porque ela esteve ao alcance de tudo o que queria quando
a vida dela foi interrompida.
"Eu estava na casa de Vera naquela noite", Rosalie sussurrou. O rosto dela estava suave como mrmore, e to duro quanto. "O pequeno Henry era realmente adorvel,
todo sorrisos e covinhas - ele j estava se sentando sozinho. Vera me acompanhou at a porta quando eu estava indo embora, seu beb nos braos e o marido a seu lado,
o brao dele estava na cintura dela. Ele beijou ela na bochecha quando pensou que eu no estava vendo. Aquilo me incomodou. Quando Royce me beijava, no era a mesma
coisa - de alguma forma, no era to doce... Eu coloquei esse pensamento de lado. Royce era o meu prncipe. Alguma dia, eu seria rainha".
Era difcil dizer na luz da lua, mas parecia que o seu rosto branco estava mais plido.
"As ruas estavam escuras, as lmpadas j estavam acesas. Eu no tinha me dado conta do quanto era tarde." Ela continuou a sussurrar quase inaudivelmente. "Estava
frio tambm. Frio demais pra um final de Abril. O casamento seria em apenas uma semana, e eu estava preocupada com o clima enquanto me apressava pra ir pra casa
- eu me lembro disso claramente. Eu me lembro de cada detalhe daquela noite. Eu me apeguei a isso com tanta fora... no inicio. Eu no pensava em nada mais. E ento
eu me lembro disso, quando tantas outras memrias agradveis haviam desaparecido completamente..."
Ela suspirou, e comeou a sussurrar de novo. "Sim, eu estava me preocupando com o clima... eu no queria ter que passar o casamento pra um lugar fechado...
"Eu estava a algumas ruas da minha casa quando eu ouvi eles. Uma corja de homens embaixo de uma lmpada quebrada na rua, rindo alto demais. Bbados. Eu desejei ter
ligado para o meu pai pra que ele me acompanhasse at em casa, mas o caminho era to curto, e me pareceu bobagem. E ento ele chamou o meu nome.
"Rose!' ele gritou, e os outros riram estupidamente.
"Eu no tinha percebido que os bbados estavam to bem vestidos. Eram Royce e alguns outros amigos, filhos de outros homens ricos.
"' Aqui est a minha Rose!' Royce gritou, rindo com eles, soando igualmente estpido. 'Voc est atrasada. Ns estamos com frio, por causa do tempo que voc nos
fez esperar'".
"Eu nunca havia visto ele bbado antes. Um brinde, de vez em quando, nas festas. Ele me disse que no gostava de champagne. Eu no tinha me dado conta de que ele
gostava de algo muito mais forte.
"Ele tinha um novo amigo - o amigo de um amigo, vindo de Atlanta.
"O que eu te disse, John" Royce gritou alegremente, agarrando o meu brao e me puxando pra perto. 'Ela no  mais adorvel do que os seus pssegos de Gergia?'
"O homem chamado John tinha cabelos escuros e era bronzeado do sol. Ele me olhou como se eu fosse um cavalo que ele estivesse comprando.
' difcil dizer' ele disse lentamente. 'Ela est toda coberta".
"Eles riram, Royce riu como o resto.
"De repente, Royce arrancou o casaco dos meus ombros - foi um presente dele - arrancando fora os botes. Eles saram de espalhando pela rua.
"Mostre a ele como voc , Rose!' Ele riu de novo, e ento ele arrancou o meu chapu da minha cabea. Os broches estavam presos nas razes dos meus cabelos, e eu
chorei de dor. Eles pareceram gostar disso - do som da minha dor..."
Rosalie olhou para mim de repente, como se ela tivesse esquecido que eu estava l. Eu estava certa que o meu rosto estava to branco quanto o dela. A no ser que
ele estivesse verde.
"Eu no vou te fazer ouvir o resto", ela disse baixinho. "Eles me deixaram na rua, ainda rindo enquanto eles iam embora tropeando. Eles pensaram que eu estivesse
morta. Eles estavam zombando de Royce dizendo que ele teria que arrumar uma nova noiva. Ele riu e disse que antes ele teria que aprender a ter pacincia.
"Eu esperei pra morrer na rua. Estava frio, apesar de eu estar sentindo tanta dor que eu me surpreendi por isso estar me incomodando. Comeou a nevar, e eu me perguntei
porque eu no estava morrendo. Eu estava impaciente para a morte chegar, e acabar com a dor. Estava demorando tanto...
"A Carlisle me achou. Ele sentiu o cheiro do sangue, e veio investigar. Eu me lembro de ficar vagamente irritada enquanto ele trabalhava em mim, tentando salvar
a minha vida. Eu nunca gostei do Dr. Cullen ou de sua esposa e o irmo dela - como Edward fingia ser na poca. Eu ficava aborrecida por eles serem mais bonitos do
que eu era, especialmente os homens. Mas eles no se misturavam com a sociedade, ento eu s os tinha visto uma ou duas vezes.
"Eu pensei que tinha morrido quando ele me tirou do cho e comeou a correr comigo - por causa da velocidade - eu senti como se estivesse voando. Eu me lembro de
ter ficado horrorizada quando a dor no parou...
"Ento eu estava nunca sala clara, e estava quente. Eu estava ficando inconsciente, e eu fiquei grata pois a dor estava comeando a diminuir. Mas de repente alguma
coisa afiada estava me cortando, minha garganta, meus pulsos, meus tornozelos. Eu gritei com o choque, pensando que ele havia me trazido pra me machucar mais. Ento
o fogo comeou a me queimar, e eu no me importei com mais nada. Eu implorei que ele me matasse. Quando Esme e Edward voltaram pra casa, eu implorei que eles me
matassem tambm. Carlisle se sentou comigo. Ele segurou a minha mo e disse que sentia muito, prometendo que aquilo acabaria.
Ele me disse tudo, e as vezes eu escutava. Ele me disse o que ele era, e o que eu estava me tornando. Eu no acreditei nele. Ele pedia perdo toda vez que eu gritava.
"Edward no ficou feliz. Eu lembro de ouvi-los discutindo sobre mim. Eu parava de gritar as vezes. Gritar no adiantava de nada.
"No que voc estava pensando, Carlisle?' Edward disse. 'Rosalie Hale?" Rosalie imitou o tom de Edward com perfeio. "Eu no gostava do jeito como ele dizia o meu
nome, como se houvesse alguma coisa errada comigo.
"' Eu no podia simplesmente deixa-la morrer' Carlisle disse baixinho. 'Foi demais - horrvel demais, muito desperdcio."
"' Eu sei', Edward disse, eu pensei que ele parecia estar desinteressado. Isso me irritou. Nessa poca eu no sabia que ele podia ver exatamente o que Carlisle havia
visto.
'Era desperdcio demais. Eu no podia abandona-la' Carlisle repetiu em um sussurro.
" claro que voc no podia', Esme concordou.
"Pessoas morrem o tempo todo' Edward lembrou ele com uma voz dura. 'No entanto, voc no acha que ela  um pouco reconhecvel demais? Os King vo fazer uma enorme
procura - no que algum suspeite daquele demnio', ele rugiu.
"Eu fiquei satisfeita por eles parecerem saber que Royce era o culpado.
"Eu no me dei conta de que j estava quase acabado - que estava ficando mais forte e que eu era capaz de me concentrar no que eles estavam dizendo. A dor estava
comeando a desaparecer das pontas dos meus dedos.
"O que ns vamos fazer com ela?' Edward disse, enojado - ou pelo menos, foi assim que soou pra mim.
"Carlisle suspirou. 'Isso depende dela,  claro. Ela pode querer seguir seu prprio caminho'.
"Eu acreditei o suficiente nele para as suas palavras me deixarem aterrorizada. Eu sabia que a minha vida estava acabada, e que no havia volta pra mim. Eu no conseguia
suportar a idia de ficar sozinha...
"A dor finalmente passou e eles me explicaram de novo o que eu era. Dessa vez eu acreditei. Eu senti a sede, a dureza da minha pele; eu vi meus olhos vermelhos brilhantes.
"Superficial como eu era, eu me senti melhor quando vi minha reflexo no espelho pela primeira vez. Apesar dos olhos, eu era a coisa mais bonita que eu j havia
visto" Ela riu de si mesma por um momento. "Levou algum tempo at que eu comeasse a culpar a beleza pelo que havia me acontecido - pra que eu pudesse ver a maldio
por trs dela. Eu desejei ser... bem, no feia, mas normal. Como Vera. Assim eu teria sido capaz de casa com algum que me amasse, e ter belos bebs. Era isso que
eu realmente queria, o tempo inteiro. Isso ainda no parece ser demais pra pedir."
Ela ficou pensativa por um momento, e eu me perguntei se ela havia esquecido a minha presena de novo. Mas ento, ela sorriu pra mim, a expresso dela repentinamente
triunfante.
"Sabe, o meu histrico  quase to limpo quanto o de Carlisle", ela me disse. "Melhor que Esme. Mil vezes melhor que Edward. Eu nunca experimentei sangue humano",
ela anunciou orgulhosamente.
Ela entendeu a minha expresso confusa enquanto eu me perguntava porque o histrico dela era quase to limpo.
"Eu matei cinco humanos", ela me disse com um tom complacente. "Se eque voc pode chama-los de humanos. mas eu tive bastante cuidado pra no derramar o sangue deles
- eu sabia que no seria capaz de resistir a isso, e eu no queria nenhuma parte deles em mim, sabe.
"Eu deixei Royce por ltimo. Eu esperei que ele tivesse ouvido as mortes dos seus amigos e compreendesse, soubesse o que estava pra acontecer com ele. Eu esperava
que o medo fosse tornar o fim pior pra ele. E eu acho que funcionou. Ele estava se escondendo num quarto sem janelas atrs de uma porta to grossa quanto a de um
cofre de banco, protegida por fora por homens armados, quando eu o peguei. Oops - sete assassinatos", ela se corrigiu. "Eu esqueci dos guardas dele. Eles s levaram
um segundo".
"Eu fui extremamente teatral. Foi meio infantil, na verdade. Eu estava usando um vestido de noiva que eu havia roubado para a ocasio. Ele gritou quando me viu.
Ele gritou bastante aquela noite. Deixar ele por ltimo foi uma boa idia - isso facilitou o meu auto-controle, me ajudou a faze-lo mais devagar -"
Ela parou de repente, e olhou pra mim. "Me desculpe", ela disse com uma voz pesarosa. "Eu estou te assustando, no estou?"
"Eu estou bem", eu menti.
"Eu me deixei levar".
"No se preocupe com isso".
"Eu estou surpresa por Edward no ter te contado mais sobre isso".
"Ele no gosta muito de contar as histrias dos outros - ele se sente como se estivesse traindo confidncias, j que ele ouve tantas coisas sobre voc que ele no
deveria ter ouvido".
Ela sorriu e balanou a cabea. "Eu provavelmente devo dar mais crdito a ele. Ele realmente  muito decente, no ?"
"Eu acho que sim".
"D pra notar". Ento ela suspirou. "Eu tambm no fui justa com voc, Bella. Ele te disse porque? Ou isso era confidencial demais?"
"Ele disse que era porque eu era humana. Ele disse que era mais difcil pra voc ter algum de fora que voc no conhecia".
A risada musical de Rosalie me interrompeu. "Agora eu realmente me sinto culpada. Ele foi muito, muito mais bonzinho comigo do que eu merecia", ela pareceu mais
clida enquanto sorria, como se ela tivesse baixado uma guarda que nunca esteve ausente na minha presena. "Que mentiroso aquele garoto ". Ela riu de novo.
"Ele estava mentindo?" eu perguntei, repentinamente cautelosa.
"Bom, provavelmente essa palavra seja forte demais. Ele s no te contou a histria inteira. O que ele te contou era verdade, ainda mais verdadeira agora do que
era antes. No entanto, naquela poca..." Ela se deteve, gargalhando nervosamente. "Isso  vergonhoso. Veja, no incio, eu estava em grande parte, mais enciumada
porque ele queria voc e no eu".
As palavras dela mandaram uma onda de medo por mim. Sentada l, na luz prateada, ela era mais bonita do que qualquer coisa que eu pudesse imaginar. Eu no podia
competir com Rosalie.
"Mas voc ama Emmett..." eu murmurei.
Ela balanou a cabea pra frente e pra trs, divertida. "Eu no quero Edward desse jeito, Bella. Eu nunca quis - eu amo ele como irmo, mas ele me irritou desde
o primeiro momento que eu o ouvi falando. Voc tem que entender, porm... eu estava acostumada s pessoas querendo a mim. E Edward no estava nem um pouco interessado.
Isso me frustrou, e at me ofendeu no incio. Mas ele nunca quis ningum, ento isso no me incomodou por muito tempo. Mesmo quando Edward encontrou o cl de Tnia
pela primeira vez em Denali - todas aquelas fmeas! - Edward nunca demonstrou nem a mnima preferncia. E a ele conheceu voc". Ela me olhou com olhos confusos.
Eu s estava prestando ateno pela metade. Eu estava pensando em Edward e Tnia e todas aquelas fmeas, e os meus lbios se pressionaram em uma linha dura.
"No que voc no seja bonita, Bella", ela disse, se enganando com a minha expresso. "Mas  s que isso significava que ele tinha te achado mais atraente do que
eu. Eu sou vaidosa o suficiente pra me importar".
"Mas voc disse 'no incio'. Isso no te incomoda... ainda, incomoda? Quer dizer, ns duas sabemos que voc  a pessoa mais bonita no planeta".
Eu ri por ter que dizer as palavras - isso era to bvio. Que estranho que Rosalie precisasse ter desse tipo de segurana.
Rosalie riu tambm. "Obrigada, Bella. E no, isso realmente no me incomoda mais. Edward sempre foi um pouco estranho". Ela riu de novo.
"Mas voc ainda no gosta de mim", eu sussurrei.
O sorriso dela desapareceu. "Eu lamento por isso".
Ns sentamos em silncio por algum tempo, e ela no parecia inclinada a continuar.
"Voc pode me dizer porque? Eu fiz alguma coisa...?" Ser que ela estava zangada por eu ter colocado a famlia dela - o Emmett dela - em perigo? De novo e de novo.
James, e agora Victoria...
"No, voc no fez nada", ela murmurou. "Ainda no".
Eu olhei pra ela, perplexa.
"Voc no v, Bella?" A voz dela estava repentinamente mais apaixonada do que antes, mesmo quando ela me contou a sua histria infeliz. "Voc j tem tudo. voc tem
uma vida inteira  sua frente - tudo o que voc quer. E voc simplesmente vai jogar tudo fora. Ser que voc no v que eu trocaria tudo o que eu tenho pra ser voc?
Voc tem a escolha que eu no tive, e voc est fazendo a escolha errada!".
Eu enrijeci por causa da expresso penetrante dela. Eu me dei conta de que a minha boca estava aberta e eu a fechei.
Ela me encarou por um longo momento, e lentamente, o fervor nos olhos dela diminuiu. De repente, ela estava envergonhada.
"E eu tinha tanta certeza de que poderia fazer isso com calma", ela balanou a cabea, parecendo confusa com a fluncia das emoes. " s que  mais difcil agora
do que era antes, quando isso no passava de vaidade".
Ela encarou a lua silenciosamente. Levaram alguns minutos at que eu fosse corajosa o suficiente pra quebrar o devaneio dela.
"Voc ia gostar mais de mim se eu continuasse humana?"
Ela se virou pra mim, os lbios dela estavam tremendo com a sombra de um sorriso. "Talvez".
"No entanto, voc conseguiu o seu final feliz", eu lembrei ela. "Voc tem Emmett".
"Eu tenho a metade". Ela riu. "Voc sabe que eu salvei Emmett do urso que estava atacando ele, e o carreguei at Carlisle. Mas ser que voc pode adivinhar porque
eu no permiti que o urso comesse ele?"
Eu balancei minha cabea.
"Com os cachos escuros... as covinhas que apareciam mesmo quando ele estava fazendo caretas de dor... a estranha inocncia que parecia to incomum no rosto de um
homem adulto... ele me lembrou do pequeno Henry de Vera. Eu no queria que ele morresse - tanto que, mesmo odiando essa vida, eu fui egosta o suficiente pra pedir
que Carlisle transformasse ele.
"Eu tive mais sorte do que merecia. Emmett  tudo o que eu pediria se eu conhecesse a mim mesma bem o suficiente pra saber o que pedir. Ele  exatamente o tipo de
pessoa que algum como eu precisa. E, estranhamente o suficiente, ele precisa de mim tambm. Essa parte funcionou melhor do que eu podia ter esperado. Mas nunca
haver mais do que apenas ns dois. Eu nunca vou me sentar em uma varanda em algum lugar, com ele grisalho ao meu lado, cercados pelos nossos netos."
O sorriso dela era gentil agora. "Isso soa um tanto bizarro pra voc, no ? De algumas maneiras, voc  muito mais madura do que eu era aos dezoito anos. Voc 
jovem demais pra saber o que voc vai querer daqui a dez anos, quinze anos - e jovem demais pra desistir de tudo sem pensar. Voc no vai querer se apressar sobre
coisas permanentes, Bella", ela deu um tapinha na minha mo, mas o gesto no pareceu condescendente.
Eu suspirei.
"S pense nisso um pouco. Uma vez que isso esteja feito, no pode ser desfeito. Esme nos tem como substitutos... e Alice no lembra nada do que  ser humana, ento
ela no pode sentir falta disso... voc, porm, ir se lembrar.  muita coisa pra abrir mo".
Mas muito mais coisas pra receber, eu no disse isso em voz alta. "Obrigada, Rosalie.  bom entender... te conhecer melhor".
"Eu peo perdo por ser uma monstra". Ela sorriu. "Eu vou tentar me comportar de agora em diante".
Eu sorri de volta pra ela.
Ns no ramos amigas ainda, mas eu tinha certeza de que ela j no me odiava tanto.
"Eu vou te deixar dormir agora". Os olhos de Rosalie passaram para a cama, e os lbios dela se torceram. "Eu sei que voc est frustrada por ele ter te trancado
assim, mas no o castigue muito quando ele voltar. Ele te ama mais do que voc imagina. Ele fica aterrorizado por ficar longe de voc". Ela se levantou silenciosamente
e deslizou at a porta. "Boa noite, Bella", ela sussurrou enquanto fechava a porta atrs de si mesma.
"Boa noite, Rosalie", eu disse um segundo tarde demais.
Eu levei um longo tempo pra dormir depois disso.
Quando eu dormi, eu tive um pesadelo. Eu estava me arrastando no escuro, as pedras frias de uma ruas desconhecida, embaixo da neve que caia levemente, deixando uma
trilha de sangue atrs de mim. Um anjo sombrio em um longo vestido branco observou o meu progresso com olhos ressentidos.
Na manh seguinte, Alice me levou para a escola enquanto eu olhava inexpressivamente pelo pra-brisa. Eu estava sentindo a falta de sono, e isso deixou a minha irritao
por ser prisioneira ainda mais forte.
"Hoje  noite ns vamos  Olympia ou alguma coisa assim", ela prometeu. "Isso seria divertido, no ?"
"Porque voc simplesmente no me tranca no poro?", eu sugeri "e esquece a cota de acar?"
Alice fez uma careta. "Ele vai pegar o Porsche de volta. Eu no estou fazendo um trabalho muito bom. Era pra voc estar se divertindo".
"No  sua culpa", eu murmurei. Eu no conseguia acreditar que realmente estava me sentindo culpada. "Eu te vejo no almoo".
Eu fui para a aula de Ingls. Sem Edward, o dia dava garantias de ser insuportvel. Eu fiquei amuada durante a minha primeira aula, bem consciente de que a minha
atitude no estava ajudando em nada.
Quando o sino tocou, eu me levantei sem muito entusiasmo. Mike estava l na porta, segurando ela aberta pra mim.
"Edward est caminhando esse fim de semana?" ele perguntou socialmente enquanto caminhvamos para a leve chuva.
"".
"Voc quer fazer alguma coisa essa noite?"
Como  que ele ainda podia ter tantas esperanas?
"No posso. Eu vou a uma festa do pijama", eu rosnei. Ele me deu uma olhada estranha enquanto processava o meu humor.
"Com quem voc -"
A pergunta de Mike foi cortada quando um ronco alto de um motor emergiu atrs de ns no estacionamento. Todo mundo na calada se virou pra olhar, encarando sem acreditar,
a moto preta que parou bruscamente na beira do concreto, com o motor ainda roncando.
Jacob acenou pra mim urgentemente.
"Corra, Bella!" ele gritou por cima do ronco do motor.
Eu fiquei congelada por um segundo antes de entender.
Eu olhei pra Mike rapidamente. Eu sabia que s tinha alguns segundos.
At onde Alice iria pra me restringir em pblico?
"Eu fique doente e fui pra casa, tudo bem?" eu disse para Mike, a minha voz cheia com excitao repentina.
"Ta bom", ele murmurou.
Eu dei um beijo rpido na bochecha de Mike. "Obrigada, Mike. Eu te devo uma!", eu falei enquanto saa correndo.
Jacob acelerou o motor, sorrindo. Eu pulei atrs do seu banco, passando os meus braos com fora na cintura dele.
Eu vi Alice, congelada perto do refeitrio, os olhos dela brilhando de fria, os lbios dela curvados em cima dos dentes.
Eu lancei um olhar de piedade pra ela.
Ento estvamos correndo na rua com tanta velocidade que o meu estmago se perdeu em algum lugar atrs de mim.
"Se segure", Jacob gritou.
Eu escondi meu rosto nas costas dele enquanto ele aumentava a velocidade na pista. Eu sabia que ele diminuiria quando atingisse a fronteira dos Quileute. Eu s tinha
que me segurar at l. Eu rezei silenciosamente e ferventemente pra que Alice no nos seguisse, e que Charlie no me visse...
Foi bvio quando ns chegamos  zona segura. A moto diminuiu de velocidade, e Jacob se endireitou e rosnou de rir. Eu abri os meus olhos.
"Ns conseguimos!" ele gritou. "Nada mal pra uma fuga da priso, no ?"
"Belo pensamento, Jake".
"Eu me lembrei do que voc disse sobre a sanguessuga vidente no ser capaz de prever o que eu vou fazer. Eu estou feliz que voc no tenha pensado nisso - ela no
teria deixado voc ir para a escola".
"Foi por isso que eu no levei isso em considerao".
Ele sorriu triunfantemente. "O que voc quer fazer hoje?"
"Qualquer coisa!" eu ri de volta. Era timo me sentir livre.
Ns acabamos na praia de novo, andando sem rumo. Jacob ainda estava cheio de si por ter arquitetado a minha fuga.
"Voc acha que eles vo vir aqui te procurando?" ele perguntou, soando esperanoso.
"No", eu tinha certeza disso. "No entanto, eles vo estar furiosos comigo essa noite".
Ele pegou uma pedra e a atirou nas ondas. "Ento no volte", ele sugeriu de novo.
"Charlie ia amar isso", eu disse sarcasticamente.
"Eu aposto que ele no ia se incomodar".
Eu no respondi. Jacob estava certo, e isso me fez apertar os meus dentes. A preferncia clara que Charlie tinha pelos meus amigos Quileute era to injusta. Eu me
perguntei se ele pensaria a mesma coisa se soubesse que a escolha de verdade estava entre vampiros e lobisomens.
"Ento qual  o ltimo escndalo do bando?" eu perguntei levemente.
Jacob parou no ato, e olhou pra mim com olhos chocados.
"O que? Isso foi uma piada".
"Oh", ele olhou pra longe.
Eu esperei que ele falasse de novo, mas ele pareceu perdido em pensamentos.
"H um escndalo?" eu imaginei.
Jacob gargalhou uma vez. "Eu tinha esquecido como , estar perto de uma pessoa que sabe de tudo o tempo inteiro. Ter um lugar quieto, privado, na minha cabea".
Ns caminhamos lado a lado na praia cheia de pedras por alguns minutos.
"Ento o que ?" eu perguntei finalmente. "Que todo mundo na sua cabea j sabe?"
Ele hesitou por um momento, como se ele no estivesse muito certo de como me dizer. A ele suspirou, e disse "Quil teve uma impresso. Agora so trs. O resto de
ns est comeando a ficar preocupado. Talvez seja mais comum do que nas histrias que elas contam..." Ele fez uma careta, e a se virou pra me encarar
Ele me olhou nos olhos sem falar, as sobrancelhas dele estavam enrugadas de concentrao.
"O que voc t olhando?" eu perguntei, me sentindo intimidada.
Ele suspirou. "Nada".
Jacob comeou a caminhar de novo. Sem parecer pensar no que fazia, ele pegou a minha mo. Ns andamos silenciosamente pelas rochas.
Eu pensei no que estvamos parecendo caminhando de mos dadas pela praia - com um casal, certamente - e me perguntei se eu deveria me opor. Mas as coisas sempre
foram desse jeito com Jacob... No havia razo pra ficar preocupada com isso.
"Porque Quil tendo uma impresso  um escndalo to grande?" eu perguntei, quando no parecia que ele ia continuar. " porque ele  o mais novo?"
"Isso no tem nada a ver".
"Ento qual  o problema?"
" outra daquelas coisas de lenda. Eu me pergunto, quando  que vamos parar de nos surpreender por elas serem todas verdadeiras?" ele murmurou pra s mesmo.
"Voc vai me contar? Ou eu vou ter que adivinhar?"
"Voc nunca adivinharia. Entenda, Quil no tem sado muito conosco, sabe, at recentemente. Ento, ele no tinha estado na casa de Emily com frequncia".
"A impresso de Quil foi com Emily tambm?" eu ofeguei.
"No! Eu disse que voc no ia adivinhar. Emily est recebendo as duas sobrinhas em visita... e Quil conheceu Claire."
Ele no continuou. Eu pensei nisso por um momento.
"Emily no quer a sobreinha dela com um lobisomem? Isso  um pouco de hipocrisia", eu disse.
Mas eu podia entender porque ela, entre todas as pessoas, se sentia dessa forma. Eu pensei de novo nas longas cicatrizes que marcavam o rosto dela e que se estendiam
em todo o seu brao direito. Sam s havia perdido o controle uma vez quando estava perto demais dela. Uma vez foi tudo o que precisou... Eu tinha visto a dor nos
olhos de Sam quando ele olhou o que ele havia feito com Emily. Eu podia entender porque Emily ia querer proteger a sobrinha dela daquilo.
"Ser que voc pode parar de tentar adivinhar por favor? Voc est errada. Emily no se importa com essa parte,  s que, bem,  um pouco cedo".
"O que voc quer dizer com cedo?"
Jacob me olhou com os olhos apertados. "Tente no fazer julgamentos, tudo bem?"
Eu balancei a cabea cautelosamente.
"Claire tem dois anos", Jacob me disse.
A chuva comeou a cair. Eu pisquei furiosamente enquanto as gotas caam no meu rosto.
Jacob esperou em silncio. Ele no estava usando casaco, como sempre; a chuva deixou uma trilha de pontos escuros na camisa preta dele, e encharcou o seu cabelo
que estava pingando. O rosto dele estava sem expresso enquanto ele observava o meu.
"Quil... teve um impresso... com uma garota de dois anos de idade?" eu finalmente fui capaz de perguntar.
"Isso acontece", Jacob levantou os ombros. Ele abaixou pra pegar outra pedra e a fez sair voando atravs da baa. "Ou pelo menos isso  o que as histrias dizem".
"Mas ela  um beb", eu protestei.
Ele olhou pra mim com um divertimento negro. "Quil no vai envelhecer", ele me lembrou, com um pouco de cido em seu tom. "Ele s vai ter que ser paciente por algumas
dcadas".
"Eu... no sei o que dizer".
Eu estava fazendo o meu melhor pra no ser crtica, mas, na verdade, eu estava horrorizada. At agora, nada sobre os lobisomens haviam me incomodado desde o dia
que eu descobr que no eram eles que estavam cometendo os assassinatos como eu havia suspeitado.
"Voc est fazendo julgamentos", ele acusou. "Eu posso ver no seu rosto".
"Me desculpe", eu murmurei. "Mas isso soa muito esquisito".
"No  bem assim, voc entendeu tudo errado" Jacob defendeu o amigo, repentinamente veemente. "Eu v como , pelos olhos dele. No ha absolutamente nada romntico
nisso, no pra Quil, no por enquanto." Ele respirou fundo, frustrado.
" difcil descrever. No  como se fosse amor  primeira vista, na verdade.  mais como... ao da gravidade. Quando voc v ela, de repente no  mais a terra
que est te segurando aqui. Ela te segura. E nada importa mais do que ela. E voc faria qualquer coisa por ela, seria qualquer coisa por ela... Voc se torna qualquer
coisa que ela precisa que voc seja, seja o protetor dela, ou um amante, ou um amigo, ou um irmo.
"Quil ser o melhor irmo mais velho e o mais gentil que algum j teve. No existe um beb que seja mais bem cuidado do que aquela garotinha ser. E depois, quando
ela for mais velha e precisar de um irmo, ele ser mais compreensvo, confiavel e presente do que qualquer pessoa que ela conhea. E depois, quando ela for adulta,
eles sero to felizes quanto Emily e Sam".
"Claire no tem uma escolha aqui?"
" claro. Mas porque ela no escolheria ele, afinal? Ele ser o par perfeito pra ela. Como se ele tivesse sido inventado s pra ela".
Ns caminhamos em silncio por um momento, at que eu parei pra atirar uma pedra no oceano. Ela caiu na praia ha muitos metros antes da gua. Jacob riu.
"Ns no podemos ser todos sinistramente fortes" eu murmurei.
Ele suspirou.
"Quando voc acha que isso vai acontecer com voc?" eu perguntei rapidamente.
A resposta dele foi vazia e imediata. "Nunca".
"Isso no  uma coisa que voc pode controlar, ?"
Ele ficou em silncio por alguns minutos. Inconscientemente, ns dois caminhamos mais devagar, quase sem nos mover.
"No deve ser", ele admitiu. "Mas voc tem que ver ela - aquela que supostamente foi feita pra voc."
"E voc acha que s porque voc no a viu ainda, que ela no est por a?" eu pergutei ceticamente. "Jacob, voc no viu muito do mundo - menos que eu, at".
"No, eu no v", ele disse em uma voz baixa. Ele olhou para os meus olhos com olhos repentinamente penetrantes.
"Mas eu nunca vou ver mais ningum, Bella. Eu s vejo voc. Mesmo quando eu fecho os meus olhos e tento pensar em outra coisa. Pergunte a Quil e Embry. Isso deixa
eles loucos".
Eu deixei os meus olhos carem para as pedras.
Ns no estvamos caminhando mais. O nico som vinha das ondas se batendo nas costas de rochas. Eu no consegu ouvir a chuva acabar com o seu ronco.
"Talvez seja melhor eu ir pra casa", eu sussurrei.
"No!" ele protestou, surpreso com essa concluso.
Eu olhei pra ele e os seus olhos estavam ansiosos agora.
"Voc tem o dia inteiro de folga, no tem? O sugador de sangue no vai estar em casa ainda".
Eu encarei ele.
"Sem inteno de ofender", ele disse rapidamente.
"Sim, eu tenho o dia todo. Mas, Jake..."
Ele levantou as mos. "Perdo", ele se desculpou. "Eu no vou ser mais assim. Eu vou s ser Jacob".
Eu suspirei. "Mas isso  o que voc est pensando..."
"No se preocupe comigo" ele insistiu, sorrindo com alegria proposital, brilhante demais. "Eu sei o que eu estou fazendo.  s me dizer se eu estiver aborrecendo
voc".
"Eu no sei..."
"Vamos, Bella. Vamos voltar pra casa e pegar as nossas motos. Voc tem que andar na moto regularmente pra no perder o costume".
"Eu realmente no acho que eu tenho permisso".
"De quem? De Charlie ou do sugador - dele?"
"De ambos".
Jacob sorriu o meusorriso, e de repente ele era o Jacob do qual eu mais tinha saudade, ensolarado e clido.
Eu no pude deixar de rir de volta.
A chuva diminuiu, se transformou em um chuvisco.
"Eu no vou contar pra ningum", ele prometeu.
"Exceto a todos os seus amigos".
Ele balanou a cabea sobriamente e ergueu a mo direita. "Eu prometo que no vou pensar nisso".
Eu sorr. "Se eu me machucar, foi porque eu tropecei".
"O que voc disser".
Ns andamos nas nossas motos nas estradas de La Push at que a chuva as deixou com muita lama e Jacob insistiu que ia desmaiar se no comesse nada rpido.
Billy me saudou facilmente quando ns chegamos na casa, como se a minha apario repentina no significasse nada mais complicado do que eu querendo passar um dia
com o meu amigo. Depois que ns comemos os sanduches que Jacob fez, ns samos para a garagem e eu o ajudei a limpar as motos. Eu no tinha estado aqui ha meses
- desde que Edward havia retornado - mas no havia nenhuma sensao de importncia nisso. Era s uma outra tarde na garagem.
"Isso  legal" eu comentei quando ele tirou os refrigerantes quentes do saco de papel da mercearia. "Eu senti falta desse lugar".
Ele sorriu, olhando para as telhas de plstico juntas acima das nossas cabea. ". Eu posso entender isso. Todo o esplendor do Taj Mahal, sem a incovenincia das
dispesas de uma viagem  India".
"Ao pequeno Taj Mahal de Washington", eu brindei, levantando a minha lata.
Ele tocou a sua lata na minha.
"Voc se lembra do ltimo Dia dos Namorados? Eu acho que aquela foi a ltima vez que voc esteve aqui - a ltima vez em que as coisas estavam... normais, eu quero
dizer."
Eu r. " claro que eu me lembro. Eu troquei uma vida de servido por uma caixinha em formato de corao. Isso no  uma coisa que eu ache provavel esquecer".
Ele riu comigo. " isso a. Hmm, servido. Eu vou ter que pensar em alguma coisa boa". A ele surpirou. "Parece que j fazem anos. Uma outra era. Uma era mais feliz".
Eu no podia concordar com ele. Essa era a minha era feliz agora. Mas eu fiquei surpresa por me dar de quantas coisas eu sentia falta das minhas prprias eras negras.
Eu olhei para a abertura na floresta cheia de musgos. A chuva estava mais forte de novo, mas estava quente na pequena garagem, sentada perto de Jacob. Ele era to
bom quanto uma lareira.
Os dedos dele alisaram a minha mo. "As coisas realmente mudaram"
"" Eu disse, e a eu me inclinei e dei um tapinha no pneu de trs da minha moto. "Charlie costumava gostar de mim. Eu espero que Billy no o conte nada sobre hoje..."
eu mord o meu lbio.
"Ele no vai. Ele no fica esquentado com as coisas do jeito que Charlie fica. Ei, eu nunca me desculpei oficialmente por aquele lance estpido com as motos. Eu
realmente sinto muito por ter te dedurado pro Charlie. Eu queria no ter feito isso".
Eu revirei os meus olhos. "Eu tambm".
"Eu realmente, realmente sinto muito".
Ele olhou pra mim esperanosamente, seu cabelo preto molhado, emaranhado, estava em todo canto no rosto implorativo dele.
"Oh, t legal! Voc est perdoado".
"Obrigado, Bells!"
Ns rimos um pro outro por um segundo, e ento o rosto dele sombreou.
"Sabe aquele dia, quando eu levei as motos... Eu estava esperando te perguntar uma coisa", ele disse lentamente. "Mas tambm... no queria".
Eu fiquei muito imvel - uma reao ao estresse. Esse era um hbito que eu havia pego de Edward.
"Voc estava s sendo teimosa porque estava com raiva de mim, ou voc estava realmente falando srio?" ele sussurrou.
"Sobre o que?" eu sussurrei de volta, apesar de eu ter certeza de que sabia sobre o que ele estava falando.
Ele me encarou. "Voc sabe. Quando voc disse que no era da minha conta... se - se ele te mordesse". Ele enrijeceu visivelmente no final.
"Jake" a minha garganta parecia inchada. Eu no consegu terminar.
Ele fechou os olhos e respirou fundo. "Voc estava falando srio?"
Ele estava tremendo bem de leve. Os olhos dele ficaram fechados.
"Sim" eu sussurrei.
Jacob inalou, devagar e profundo. "Eu acho que sabia disso".
Eu olhei para o rosto dele, esperando que seus olhos se abrissem.
"Voc sabe o que isso vai significar?" ele perguntou de repente. "Voc entende isso, no entende? O que vai acontecer se eles quebrarem o acordo?"
"Ns vamos embora primeiro", eu disse com uma voz pequena.
Os olhos dele se abriram, as profundidades pretas estavam cheias de raiva e de dor.
"No havia um limite geogrfico para o acordo, Bella. Os nossos avs s concordaram em manter a paz porque os Cullen juraram que eles eram diferentes, que os humanos
no estariam em perigo por causa deles. Eles prometeram que nunca iam matar ou transformar algum de novo. Se eles derem pra trs com a sua palavra, o acordo no
tem valor, e eles no sero diferentes dos outros vampiros. Uma vez que isso est estabelecido, quando ns os acharmos -"
"Mas, Jake, voc j no quebrou o acordo", eu perguntei, me segurando  palha. "No era parte do acordo que voc no poderiam contar s pessoas sobre os vampiros?
E voc me contou. Ento o acordo no pode ser debatido, de alguma forma?"
Jake no gostou do lembrete; a dor dos olhos dele endureceu at se transformar em animosidade. ", eu quebrei o acordo - antes, quando eu no acreditava em nada
disso. E eu tenho certeza de que eles esto informados disso", ele olhou amargamente para a minha testa, sem encontrar o meu olhar envergonhado. "Mas no  como
se isso os desse uma colher de ch. No h um castigo para uma falta. Eles s tm uma opo de se opor ao que eu fiz. A mesma opo que ns teremos se eles quebrarem
o acordo: atacar. Comear a guerra."
Ele fez com que isso soasse inevitvel. Eu trem.
"Jake, as coisas no tm que ser assim".
Os dentes dele se apertaram. " assimque "
O silncio depois da declarao dele pareceu muito alto.
"Voc nunca vai me perdoar, Jacob?", eu sussurrei. Assim que eu disse as palavras, eu desejei no ter dito. Eu no queria ouvir a resposta dele.
"Voc no ser mais Bella", ele me disse. "A minha amiga no vai existir. No haver ningum pra perdoar".
"Isso soa como um no". Eu sussurrei.
Ns encaramos um ao outro por um momento sem fim.
"Isso  adeus, ento, Jake?"
Ele piscou rapidamente, a expresso penetrante dele derretendo com a surpresa. "Porque? Ns ainda temos alguns anos. Ns no podemos ser amigos at que no haja
mais tempo?"
"Anos? No, Jake, no anos". Eu balancei a minha cabea e r uma vez sem humor. "Semanas  mais preciso".
Eu no estava esperando a reao dele.
De repente ele estava de p, e houve um alto pop quando a lata de refrigerante estorou na mo dele. Voou refrigerante pra todo lado, me molhando, como se ele estivesse
saindo de uma magueira.
"Jake!" eu comecei a reclamar, mas eu fiquei em silncio quando eu percebi que o corpo inteiro dele estava tremendo de raiva. Ele me encarou selvagemente, um rosnado
nascendo no peito dele.
Eu congelei no lugar, chocada demais pra lembrar de como me mexer.
A tremedeira passava por ele, ficando mais rpida, at que pareceu que ele estava vibrando. O corpo dele parecia um vulto...
E a Jacob apertou os dentes, e os rosnados pararam. Ele apertou a mo com fora de concentrando; a tremedeira parou at que apenas as mos dele estavam tremendo.
"Semanas", Jacob disse num tom vazio.
Eu no consegu responder; eu ainda estava congelada.
Ele abriu os olhos. Eles estavam alm da fria agora.
"Ele vai te transformar em uma sugadora de sangue suja em apenas algumas semanas!" Jacob assobiou por entre os dentes.
Pasma demais pra me importar com o insulto nas palavras dele, eu s balancei a cabea, muda.
O rosto dele ficou verde por baixo da pele ruiva.
" claro, Jake" eu sussurrei, depois de um longo minuto de silncio. "Ele tem dezessete, Jacob. E eu estou mais prxima dos dezenove a cada dia. Alm do mais, qual
 a necessidade de esperar? Ele  tudo o que eu quero. O que mais eu posso fazer?"
Essa pergunta era pra ser retrica.
As palavras dele saram como se fossem um chicote. "Qualquer coisa. Qualquer outra coisa. Era melhor que voc estivesse morta. Eu preferiria se voc estivesse".
Eu dei um passo pra trs como se ele tivesse me batido. A dor foi pior do que se ele tivesse batido.
E a, enquanto a dor passou por mim, a minha prpria raiva se fez em chamas.
"Talvez voc tenha sorte", eu disse, vazia, ficando de p. "Talvez eu bata em um caminho no meu caminho de volta".
Eu peguei a minha moto e a arrastei para a chuva. Ele no se moveu quando eu passei por ele. Assim que eu cheguei no pequeno caminho lamacento, e me inclinei e dei
partida na moto. O pneu traseiro espirrou uma fonte de lama em direo  garagem, e eu esperei que sujasse ele.
Eu fiquei absolutamente encharcada enquanto corria pela estrada na direo  casa do Cullen. O vento parecia estar congelando a chuva no meu corpo, e os meus dentes
estavam batendo antes que eu estivesse a meio caminho de l.
Motos eram imprticas demais para Washington. Eu ia vender a coisa estpida quando tivesse a primeira oportunidade. Eu levei a moto at a garagem cavernosa dos Cullen
e no me surpreend ao encontrar Alice esperando por mim, encostada levemente no cap do seu Porsche. Alice alisou a pintura amarela brilhante.
"Eu nem tive a chance de dirig-lo". Ela suspirou.
"Desculpa", eu cuspi por entre os dentes.
"Voc parece estar precisando de um banho quente", ela disse, improvisando, enquanto se colocava levemente de p.
"".
Ela torceu os lbios, olhando cuidadosamente para a minha expresso. "Voc quer falar sobre isso?"
"No".
Ela assentiu com a cabea, mas os olhos dela ainda estavam inquietos de curiosidade.
"Voc quer ir  Olympia essa noite?"
"Na verdade no. Eu no posso ir pra casa?"
Ela fez uma careta.
"Deixa pra l, Alice", eu disse. "Eu fico, se isso facilita as coisas pra voc".
"Obrigada", ela suspirou aliviada.
Eu fui dormir cedo naquela noite, me dobrando no sof de novo.
Ainda estava escuro quando eu acordei. Eu estava grogue, mas eu sabia que ainda no estava perto de ser manh. Os meus olhos se fecharam e eu me estiquei, rolando.
Eu levei um segundo pra perceber que o movimento devia ter me derrubado no cho. E eu estava muito mais confortvel.
Eu rolei de volta, tentando enxergar.
Estava mais escuro que na noite passada - as nuvens estavam grossas demais para a lua brilhar atravs delas.
"Desculpe" ele murmurou to suavemente que as palavras dele pareciam parte da escurido. "Eu no queria te acordar".
Eu fiquei tensa, esperando pela fria - tanto a dele quanto a minha - mas s estava calmo e quieto na escurido do quarto dele. Eu quase podia sentir a doura da
reunio no ar, uma fragrncia separada do perfume da respirao dele; o vazio de quando estvamos separados deixou um gosto amargo. uma coisa que eu no percebia
conscientemente at que ele era removido.
No havia frico no espao entre ns. A imobilidade era apaziguadora - no como a calma depois da tempestade, mas como uma noite clara que no foi nem tocada com
o sonho de uma tempestade.
E eu no me importei se eu devia estar com raiva dele. Eu no me importava se eu devia estar com raiva de todo mundo. Eu me inclinei pra ele, encontrei a sua mo
na escurido, e me puxei pra mais perto dele. Os braos dele me circundaram, me segurando contra o peito dele. Os meus lbios procuraram, caando na garganta dele,
no seu queixo, at que eu finalmente encontrei os lbios dele.
Edward me beijou suavemente por um momento, e ento ele gargalhou.
"Eu estava todo preocupado por causa da briga que ia envergonhar os ursos pardos, e  isso que eu ganho? Eu devia te deixar furiosa mais vezes".
"Me d um minuto pra ajeitar isso", eu caoei, beijando ele de novo.
"Eu espero o quanto voc quiser", ele sussurrou nos meus lbios. Os dedos dele se entrelaaram nos meus cabelos.
A minha respirao estava ficando desigual. "Talvez de manh".
"O que voc preferir".
"Bem vindo ao lar" eu disse enquanto os lbios frios dele se pressionaram na minha mandbula. "Eu estou feliz por voc ter voltado".
"Isso  uma coisa muito boa".
"Mmm", eu concordei, apertando mais os meus dedos no pescoo dele.
A mo dele se curvou no meu cotovelo, descendo lentamente pelo meu brao, atravs das minhas costelas e pela minha cintura, traando o meu quadril e descendo pela
minha perna, ao redor do meu joelho. Ele parou a, a mo dele circulando o meu tornozelo. Ele puxou a minha perna pra cima de repente, passando ela pelo quadril
dele.
Eu parei de respirar. Esse no era o tipo de coisa que ele permitia. Apesar das mos frias dele, eu me sent quente de repente. Os lbios dele se moveram na base
da minha garganta.
"No  pra trazer a ira prematuramente", ele sussurrou. "Mas ser que voc pode me dizer o que h nessa cama a que voc se ope?"
Antes que eu pudesse responder, antes que eu sequer pudesse me concentrar o suficiente pra entender o significado das palavras dele, ele rolou para o lado, me colocando
em cima dele. Ele segurou o meu rosto com as mos, angulando ele para que a sua boca pudesse alcansar a minha garganta. A minha respirao estava muito alta - era
quase embaraoso, mas eu no conseguia me importar o suficiente pra ficar envergonhada.
"A cama?" ele perguntou de novo. "Eu acho ela legal".
" desnecessria", eu consegui botar pra fora.
Ele puxou o meu rosto de volta pra o dele, e os meus lbios se encaixaram nos dele. Lentamente dessa vez, ele rolou at estar em cima de mim. Ele se segurou cuidadosamente
pra que eu no sentisse nada do peso dele, mas eu podia sentir a frieza de mrmore do seu corpo pressionado no meu. O meu corao estava batendo to alto que foi
difcil ouvir o riso baixo dele.
"Isso  debatvel", ele discordou. "Isso ia ser difcil no sof".
Fria como gelo, a lngua dele traou os cortornos dos meus lbios.
A minha cabea estava girando - o ar estava vindo rpido demais e muito superficialmente.
"Voc mudou de idia?" eu perguntei sem flego. Talvez ele tivesse repensado as suas regras cuidadosas. Talvez houvesse mais significncia nessa cama do que eu havia
pensado originalmente. O meu corao bateu quase dolorosamente enquanto eu esperava pela resposta dele.
Edward suspirou, rolando de novo at que estvamos de novo dos nossos lados.
"No seja ridcula, Bella", ele disse, a desaprovao estava forte na voz dele - claramente ele entendeu do que eu estava falando. "Eu s estava tentando ilustrar
os benefcios de uma cama da qual voc no parece gostar. No se deixe levar".
"Tarde demais", eu murmurei. "E eu gosto da cama", eu acrescentei.
"Bom", eu podia ouvir o sorriso na voz dele enquanto ele beijava a minha testa. "Eu tambm gosto".
"Mas eu ainda acho que  desnecessrio", eu continuei. "Se ns no vamos nos deixar levar, qual  o ponto?"
Ele suspirou de novo. "Pela centsima vez, Bella -  perigoso demais".
"Eu gosto de perigo", eu insist.
"Eu sei", havia um tom amargo na voz dele, e eu me dei conta de que ele devia ter visto a moto na garagem.
"Eu vou te dizer o que  perigoso", eu disse rapidamente, antes que ele pudesse passar para um novo tpico da discusso. "Eu vou entrar em combusto espontnea um
dia desses - e voc no vai poder culpar ningum alm de s mesmo".
Ele comeou a me afastar.
"O que voc est fazendo?", eu reclamei, me apertando a ele.
"Te protegendo da combusto. Se isso for demais pra voc..."
"Eu posso aguentar", eu insist.
Ele deixou que eu me recolocasse no crculo dos braos dele.
"Eu lamento por ter te dado a impresso errada", ele disse. "Eu no queria te deixar infeliz. Aquilo no foi legal".
"Na verdade, foi muito, muito legal".
Ele respirou fundo. "Voc no est cansada? Eu devia te deixar dormir".
"No, eu no estou. Eu no me importo se voc me ser a impresso errada de novo".
"Essa provavelmente  uma m idia. Voc no  a nica que se deixa levar".
"Sou sim", eu murmurei.
Ele gargalhou. "Voc no tem idia, Bella. E tambm no ajuda muito que voc esteja to determinada a quebrar o meu auto-controle".
"Eu no vou me desculpar por isso".
"Posso eupedir desculpa?"
"Pelo qu?"
"Voc estava com raiva de mim, lembra?"
"Oh, isso".
"Eu lamento. Eu estava errado.  muito mais fcil pensar nas perspectivas com clareza quando voc est segura aqui" Os braos dele se apertaram ao meu redor. "Eu
fico um pouco frentico quando eu tento te deixar. Eu no acho que vou to longe de novo. No vale a pena".
Eu sorr. "Voc no achou nenhum leo da montanha?"
"Sim, na verdade eu achei. Mas ainda no vale a ansiedade. Eu sinto muito por ter feito Alice te fazer de refm. Isso foi uma m idia".
"Sim", eu concordei.
"Eu no vou fazer de novo".
"T certo", eu disse facilmente. Ele j estava perdoado. "Mas festas do pijama tm suas vantagens..." Eu cheguei mais perto, pressionando os meus lbios na clavcula
dele. "Voc pode me fazer de refm sempre que quiser".
"Mmm", ele suspirou. "Eu posso me aproveitar disso".
"Ento  minha vez agora?"
"Sua vez?" a voz dele estava confusa.
"De pedir desculpas".
"Pelo que voc vai pedir desculpas?"
"Voc no est com raiva de mim?" eu perguntei sem entender.
"No".
Ele soou como se estivesse falando srio.
Eu sent as minhas sobrancelhas se juntando. "Voc no viu Alice quando chegou em casa?"
"Sim - Porque?"
"Voc vai pegar o Porsche dela de volta?"
" claro que no. Foi um presente".
Eu desejei poder ver a expresso dele.
"Voc no quer saber o que eu fiz?" eu perguntei, comeando a ficar confusa com a aparente falta de preocupao dele.
Eu sent ele erguer os ombros. "Eu sempre estou interessado no que voc faz - mas voc no tem que me contar a menos que voc queira".
"Mas eu estive em La Push".
"Eu sei".
"E eu faltei  escola"
"Eu tambm".
Eu encarei na direo da voz dele, traando o rosto dele com os meus dedos, tentando entender o humor dele. "De onde foi que veio toda essa tolerncia?", eu quis
saber.
Ele suspirou.
"Eu decid que voc estava certa. O meu problema antes era mais com... o meu preconceito com os lobisomens do que por outra coisa. Eu vou tentar ser mais razovel
e confiar no seu julgamento. Se voc diz que  seguro, ento eu acredito em voc".
"Uau".
"E... o mais importante... eu no estou a fim de deixar isso construir uma ponte entre ns".
Eu descansei a minha cabea no peito dele e fechei os meus olhos, totalmente contente.
"Ento" ele murmurei em um tom casual. "Voc fez planos pra ir  La Push em breve?"
Eu no respond. A pergunta dele trouxe as palavras de Jacob de volta  minha mente, e de repente a minha garganta estava apertada.
Ele entendeu mal a minha falta de palavras e a rigidez no meu corpo.
"S pra que eu possa fazer os meus prprio planos", ele explicou rpido. "Eu no quero que voc sinta que precisa se apressar s porque eu estou sentado por aqui
te esperando".
"No" eu disse numa voz que pareceu estranha pra mim. "Eu no tenho planos pra voltar".
"Oh. Voc no tem que fazer isso por mim".
"Eu no acho que sou mais bem vinda", eu sussurrei.
"Voc atropelou o gato de algum?" ele perguntou levemente. Eu sabia que ele no queria me forar a contar a histria, mas eu podia ouvir a curiosidade queimando
por baixo das palavras dele.
"No", eu respirei fundo, e depois murmurei rapidamente a minha explicao. "Eu pensei que Jacob tivesse se dado conta... Eu no pensei que isso fosse surpreend-lo".
Edward esperou enquanto eu hesitei.
"Ele no estava esperando... que fosse ser to cedo".
"Ah", Edward disse baixinho.
"Ele disse que preferiria me ver morta" A minha voz quebrou na ltima palavra.
Edward ficou parado demais por um momento, controlando qualquer que fosse a reao que ele no queria me deixar ver.
Ento ele me apertou gentilmente no peito dele. "Eu lamento muito".
"Eu pensei que voc ficaria feliz", eu murmurei.
"Feliz por uma coisa que machucou voc?" ele murmurou no meu cabelo. "Eu acho que no, Bella".
Eu suspirei e relaxei, me encaixando no formato de pedra dele. Mas ele estava imvel de novo, tenso.
"Qual  o problema?" eu perguntei.
"No  nada".
"Voc pode me dizer".
Ele pausou por um momento. "Isso pode te deixar com raiva".
"Eu ainda quero saber".
Ele suspirou. "Eu literalmente bem que podia matar ele por dizer isso pra voc. Eu quero matar ele".
Eu r sem muita vontade. "Eu acho que  uma coisa boa que voc tenha tanto auto-controle"
"Eu podia escorregar" O tom dele estava pensativo.
"Se voc vai ter um lapso de controle, eu posso pensar em um lugar melhor pra isso". Eu alcancei o rosto dele, tentando me levar pra cima pra dar um beijo nele.
Os braos dele me seguraram com mais fora, me restringindo.
Ele suspirou. "Ser que eu preciso ser sempre o responsvel?"
Eu sorri para a escurido. "No. Me deixa ficar no controle da responsabilidade por alguns minutos... ou horas"
"Boa noite, Bella."
"Espere - Havia algo mais sobre o que eu queria te perguntar".
"O que ?"
"Eu estava falando com Rosalie na noite passada..."
O corpo dele ficou tenso de novo. "Sim. Ela estava pensando nisso quando eu entrei. Ela te deu muitas coisas pra levar em considerao, no foi?"
A voz dele estava ansiosa, e eu me dei conta de que ele pensou que eu queria falar nas razes que Rosalie havia me dado pra continuar humana. Mas eu estava interessada
em outra coisa muito mais grave.
"Ela me contou um pouco... sobre a poca que a sua famlia viveu em Denali".
Houve uma curta pausa; esse comeo havia pego ele de surpresa. "Sim?"
"Ela mencionou algumas coisas sobre um monte de fmeas vampiras... e voc".
Ele no respondeu, apesar de eu ter esperado por um longo tempo.
"No se preocupe" eu disse, depois que o silncio ficou desconfortvel. "Ela me disse que voc no... demonstrou nenhum preferncia. Mas eu s estava me perguntando,
sabe, se alguma delas demonstrou. Demonstrou preferncia por voc, eu quero dizer".
De novo ele no disse nada.
"Qual delas?" eu perguntei, tentando manter a minha voz casual, e sem conseguir. "Ou havia mais de uma?"
Nenhuma resposta. Eu desejei poder ver o rosto dele, pra que assim eu pudesse tentar adivinhar o que o silncio significava.
"Alice vai me dizer", eu disse. "Eu vou perguntar a ela agora".
Os braos dele se apertaram; eu fui incapaz de me mover um centmetro.
"Est tarde", ele disse. A voz dele estava com um tom que era algo novo. Meio nervosa, talvez um pouco envergonhada. "Alm do mais, eu acho que Alice saiu..."
" ruim" eu adivinhei. " realmente ruim, no ?" eu comecei a entrar em pnico, o meu corao acelerando enquanto eu imaginava a linda rival imortal que eu nunca
imaginei que tivesse.
"Se acalme, Bella", ele disse, beijando a ponta do meu nariz. "Voc est sendo absurda".
"Estou? Ento porque voc no me diz?"
"Porque no ha nada pra dizer. Voc est colocando isso fora de proporo".
"Qual delas"? eu insisti.
Ele suspirou. "Tnia expressou um pouco de interesse. Eu deixei ela saber, de uma maneira muito corts, cavalheiresca, que eu no retornava o interesse. Fim da histria".
Eu mantive a minha voz o mais uniforme possvel. "Me diga uma coisa - como Tnia se parece?"
"Exatamente como o resto de ns - pele branca, olhos dourados", ele respondeu rapidamente demais.
"E,  claro, extraordinariamente linda".
Eu sent ele erguer os ombros.
"Eu acho, para os olhos humanos", ele disse, indiferente. "No entanto, quer saber?"
"O que?" a minha voz estava petulante.
Ele colocou os lbios no meu ouvido direito; a respirao gelada dele fez ccegas. "Eu prefiro as morenas".
"Ela  loira. No  de estranhar".
"Loira morango - absolutamente no faz o meu tipo".
Eu pensei nisso por um momento, tentando me concentrar enquanto os lbios dele se moviam lentamente pela minha bochecha. Ele fez o circuito trs vezes antes que
eu falasse.
"Eu acho que est tudo bem, ento", eu decid.
"Hmm", ele sussurrou na minha pele. "Voc  adorvel quando est com cimes.  surpreendentemente agradvel".
Eu fiz uma careta no escuro.
"Est tarde", ele disse de novo, murmurando, quase sofejando agora, a voz dele era mais macia que seda. "Durma, minha Bella. Tenha sonhos felizes. Voc  a nica
que j tocou meu corao. Ele ser sempre seu. Durma, meu nico amor".
Ele comeou a cantar a minha cano de ninar, e eu sabia que seria apenas uma questo de tempo at que eu sucumbisse, ento eu fechei os meus olhos e me aconcheguei
mais no peito dele.

8. Alvo
Alice me deixou em casa de manh, pra manter a charada da festa do pijama. No demoraria muito at que Edward aparecesse, oficialmente retornando da sua viagem de
"caminhada". Todas as farsas estavam comeando a me cansar. Eu no ia sentir falta dessa parte de ser humana.
Charlie espiou pela janela da frente quando ele me viu bater a porta do carro. Ele acenou pra Alice, e depois foi abrir a porta pra mim.
"Voc se divertiu?" Charlie perguntou.
"Claro, foi timo. Muito... garotas".
Eu carreguei as minhas coisas pra dentro, amontoei todas elas no p da escada, e fui para a cozinha pra procurar um lanche.
"Voc tem uma mensagem", Charlie falou atrs de mim.
No balco da cozinha, o bloco de mensagens telefnicas estava aberto conspicuosamente contra uma panela de molho.
Jacob ligou, Charlie havia escrito.
Ele disse que no teve a inteno, e que ele sente muito. Ele quer que voc ligue pra ele. Seja boazinha e d uma chance a ele. Ele parecia chateado.
Eu fiz uma careta. Geralmente Charlie no editava as minhas mensagens.
Jacob podia ir em frente e ficar chateado. Eu no queria falar com ele. Da ltima vez que eu tive notcias, eles no eram bons em aceitar ligaes do outro lado.
Se Jacob me preferia morta, ento talvez ele devesse comear a se acostumar com o silncio.
O meu apetite evaporou. Eu quase fiz uma careta e fui guardar as minhas coisas.
"Voc no vai ligar pra Jacob?" Charlie perguntou. Ele estava se inclinando ao redor da parede da sala de estar, me observando recolher as coisas.
"No"
Eu comecei a subir as escadas.
"Esse no  um comportamento muito atraente, Bella", ele disse. "Perdoar  divino".
"Cuide dos seus assuntos", eu murmurei por baixo do flego, baixo demais pra ele ouvir.
Eu sabia que as roupas sujas estavam se acumulando, ento, depois que eu guardei a minha pasta de dentes e joguei as minhas roupas sujas no cesto, eu fui desforrar
a cama de Charlie. Eu deixei os lenis dele em uma pilha no topo das escadas e fui buscar os meus.
Eu parei ao lado da cama, pendendo a minha cabea de lado.
Onde estava o meu travesseiro? Eu fiz um crculo, vasculhando o quarto. Nada de travesseiro. Eu reparei que o meu quarto estava estranhamente arrumado. A camisa
do meu moletom no tinha sido jogada no poste baixo da cama no encosto de ps? E eu podia jurar que havia um par de meias sujas atrs da cadeira de balano, junto
com uma blusa vermelha que eu tinha experimentado a duas manhs atrs, mas eu decidi que era arrumada demais para a escola, e pendurei ela no brao... eu me virei
de novo. O meu cesto no estava vazio, mas no estava transbordando, do jeito que eu pensava que estava.
Charlie estava lavando a roupa? Isso era fora do comum.
"Pai, voc comeou a lavar as roupas?", eu gritei pela minha porta.
"Um, no", ele gritou de volta, soando culpado. "Voc queria que eu comeasse?"
"No, eu fao isso. Voc estava procurando alguma coisa no meu quarto?"
"No. Porque?"
"Eu no consigo encontrar... uma camisa..."
"Eu no estive a"
E a eu me lembrei que Alice havia estado aqui pra pegar os meus pijamas. Eu no percebi que ela havia levado o meu travesseiro tambm - provavelmente porque eu
tinha evitado a cama. Parecia que ela tinha feito uma limpeza quando passou. Eu corei por causa da minha desorganizao.
Mas a blusa vermelha no estava realmente suja, ento eu fui salva-la do cesto.
Eu esperava encontra-la perto do topo, mas ela no estava l. Eu escavei a pilha inteira e mesmo assim no consegui encontra-la. Eu sabia que provavelmente eu estava
ficando paranica, mas parecia que mais alguma coisa estava faltando, ou talvez mais de uma coisa. Ele no estava cheio nem pela metade.
Eu tirei os meus lenis e fui para o armrio da lavanderia, pegando os de Charlie no caminho. A mquina de lavar estava vazia. Eu chequei a secadora tambm, meio
que esperando encontrar roupas lavadas esperando por mim, cortesia de Alice. Nada. Eu fiz uma careta, confusa.
"Voc encontrou o que estava procurando?" Charlie gritou.
"Ainda no".
Eu voltei l pra cima pra procurar em baixo da minha cama. Nada alm de coelhinhos de poeira. Eu comecei a procurar na minha cmoda. Talvez eu tivesse guardado a
camisa vermelha e tivesse esquecido.
Eu desisti quando a campainha tocou. Devia ser Edward.
"A porta" Charlie me informou do sof enquanto eu passei correndo por ele.
"No fique tenso, pai".
Eu abri a porta com um grande sorriso no rosto.
Os olhos dourados de Edward estavam arregalados, as narinas estavam infladas, seus lbios estavam puxados pra cima dos dentes.
"Edward?" a minha voz estava afiada com o choque enquanto eu li a expresso dele. "O que -?"
Ele colocou seus dedos nos meus lbios. "Me d dois segundos", ele sussurrou. "No se mova".
Eu fiquei congelada na porta e ele... desapareceu. Ele se moveu to rapidamente que Charlie nem viu ele passar.
Antes que eu pudesse me recompor o suficiente pra contar at dois, ele estava de volta.
Ele colocou o brao ao redor da minha cintura e me puxou rapidamente em direo  cozinha. Os olhos dele vasculharam o espao, e ele me segurou contra o seu corpo
como se estivesse me protegendo de alguma coisa.
Eu joguei um olhar na direo de Charlie no sof, mas ele estava estudiosamente nos ignorando.
"Algum esteve aqui", ele murmurou no meu ouvido depois de me puxar para o fundo da cozinha. A voz dele estava tensa; era difcil ouvi-lo com o barulho da mquina
de lavar pratos.
"Eu juro que nenhum lobisomem -" eu comecei a dizer.
"No um deles" ele me interrompeu rapidamente, balanando a cabea. "Um de ns".
O tom na voz dele deixou claro que no estava falando de um membro da famlia dele.
Eu senti o sangue escapando do meu rosto.
"Victoria?" eu botei pra fora.
"No  um cheiro que eu reconheo."
"Um dos Volturi", eu adivinhei.
"Provavelmente"
"Quando?"
" por isso que eu acho que foi um deles - no foi a muito tempo, cedo hoje de manh enquanto Charlie estava dormindo. E quem quer que tenha sido no tocou nele,
ento deve ter sido por outro propsito".
"Procurando por mim".
Ele no respondeu. O corpo dele estava congelado, uma esttua.
"Sobre o que vocs dois esto cochichando?" Charlie perguntou suspeitosamente, virando na esquina com uma tigela de pipoca vazia nas mos.
Eu fiquei verde. Um vampiro havia estado dentro de casa procurando por mim enquanto Charlie estava dormindo. O pnico me dominou, fechou minha garganta. Eu no consegui
responder, eu s encarei ele horrorizada.
A expresso de Charlie mudou. Abruptamente, ele estava sorrindo. "Vocs dois esto brigando... bem, no me deixem interromper."
Ainda sorrindo, ele colocou a sua tigela na pia e saiu da cozinha.
"Vamos", Edward disse num voz dura e baixa.
"Mas Charlie!" O medo estava apertando o meu peito, tornando difcil respirar.
Ele pensou por um breve segundo, e ento o telefone dele estava em sua mo.
"Emmett", ele murmurou no receptor. Ele comeou a falar to rpido que eu no conseguia entender as palavras. Ele comeou a me puxar em direo  porta.
"Emmett e Jasper esto a caminho", ele sussurrou quando sentiu a minha resistncia. "Eles vo vasculhar a floresta. Charlie est bem".
A eu deixei ele me arrastar junto, em pnico demais pra pensar com clareza. Charlie encontrou os meus olhos amedrontados com um sorriso presumido, que de repente
se transformou em confuso. Edward j tinha me levado porta afora antes que Charlie pudesse dizer qualquer coisa.
"O que ns vamos fazer?" eu no pude deixar de sussurrar, mesmo depois que j estvamos dentro do carro.
"Ns vamos falar com Alice" ele me disse, o volume de sua voz estava normal mas ela estava vazia.
"Voc acha que talvez ela tenha visto alguma coisa?"
Ele olhou para a pista com os olhos apertados. "Talvez".
Eles j estavam esperando por ns, alertados pela ligao de Edward. Era como entrar num museu, todos estavam imveis como esttuas em vrias poses de estresse.
"O que aconteceu", Edward quis saber assim que passamos pela porta. Eu fiquei chocada ao ver que ele estava encarando Alice, as mos dele nos pulsos com raiva.
Alice continuou com os braos cruzados no peito com fora. S os lbios dela se moveram. "Eu no falo idia. Eu no vi nada".
"Como isso  possvel?", ele assobiou.
"Edward" eu disse, uma baixa reprimenda. Eu no gostava dele falando com Alice desse jeito.
Carlisle interrompeu com um voz calmante. "No  uma cincia exata, Edward".
"Ele estava no quarto dela, Alice. Ele podia ainda estar l - esperando por ela".
"Eu teria visto isso".
Edward jogou as mos pra cima em exasperao. "Mesmo? Voc tem certeza?"
A voz de Alice estava fria quando ela respondeu. "Voc j me tem observando as decises dos Volturi, observando a volta de Victoria, observando cada passo de Bella.
Voc quer acrescentar mais alguma coisa? Eu tenho que observar Charlie, ou o quarto de Bella, ou a casa, ou a rua inteira tambm? Edward, se eu fizer muita coisa,
as coisas vo comear a sair do meu controle".
"Parece que elas j esto", Edward disparou.
"Ela nunca esteve em perigo. No havia nada pra ver".
"Se voc estava vigiando a Itlia, porque voc no os viu mandar -"
"Eu no acho que sejam eles", Alice insistiu. "Eu teria visto isso".
"Quem mais teria deixado Charlie vivo?"
Eu estremeci.
"Eu no sei", Alice disse.
"Ajudou".
"Pare com isso, Edward", eu sussurrei.
Ele virou pra mim, seu rosto ainda estava lvido, seus dentes estavam trincados. Ele me encarou por meio segundo, e depois, de repente, ele exalou. Os olhos dele
arregalarem e a mandbula dele relaxou.
"Voc est certa, Bella. Me desculpe", Ele olhou pra Alice. "Me perdoe, Alice. Eu no devia estar descontando em voc. Isso foi indesculpvel".
"Eu entendo", Alice o assegurou. "Eu tambm no estou feliz com isso".
Edward respirou fundo. "Tudo bem, vamos ver isso logicamente. Quais so as possibilidades?"
Todo mundo pareceu descongelar ao mesmo tempo. Alice relaxou e se encostou nas costas do sof. Carlisle caminhou lentamente em direo a ela, com os olhos distantes.
Esme estava sentada no sof em frente a Alice, cruzando as pernas no acento. Apenas Rosalie continuou sem se mover, de costas pra ns, olhando pela parede de vidro.
Edward me puxou para o sof e eu me sentei perto de Esme, que mudou de posio pra passar o brao por mim. Ele segurou uma das minhas mos apertada entre as duas
dele.
"Victoria?" Carlisle perguntou.
Edward balanou a cabea. "No. Eu no conhecia o cheiro. Ele devia ser dos Volturi, algum que eu nunca conheci.."
Alice balanou a cabea. "Aro ainda no pediu a ningum pra procurar por ela. Eu vou ver isso. Eu estou esperando por isso".
Edward levantou a cabea. "Voc est esperando por uma ordem oficial".
"Voc acha que algum est agindo por conta prpria? Porque?"
"Idia de Caius." Edward sugeriu, o rosto dele endurecendo.
"Ou de Jane...", Alice disse. "Os dois tm recursos para mandar um rosto desconhecido..."
Edward fez uma carranca. "E a motivao".
"No entanto, isso no faz sentido", Esme murmurou, alisando meu cabelo.
"Mas ento qual  a inteno?" Carlisle meditou.
"Checar pra ver se eu ainda sou humana?", eu adivinhei.
"Possvel", Carlisle disse.
Rosalie deu um suspiro, alto suficiente pra que eu ouvisse. Ela tinha descongelado, e o rosto dela estava virado expectantemente na direo da cozinha. Edward, por
outro lado, parecia desencorajado.
Emmett entrou pela porta da cozinha, Jasper bem atrs dele.
"Foi embora h tempo, horas atrs", Emmett anunciou, desapontado. "A trilha ia para o Leste, e depois para o Sul, e desaparecia ao lado da estrada. Um carro estava
esperando".
"Que falta de sorte", Edward murmurou. "Se ele tivesse ido para o oeste... bem, seria bom para aqueles cachorros se fazerem teis".
Eu estremeci, e Esme esfregou o meu ombro.
Jasper olhou pra Carlisle. "Nenhum de ns reconheceu ele. Mas aqui". Ele segurou uma coisa verde e amassada. Carlisle pegou dele e levou at o seu rosto. Eu vi,
enquanto ele trocava de mos, que era uma folha de samambaia partida. "Talvez voc conhea o cheiro".
"No". Carlisle disse. "No  familiar. No  algum que eu j tenha conhecido".
"Talvez ns estejamos olhando para isso da forma errada. Talvez seja uma coincidncia..." Esme comeou, mas parou quando viu as expresses incrdulas nos rostos
dos outros.
"Eu no estou dizendo que  uma coincidncia que um estranho tenha escolhida a casa de Bella pra fazer uma visita ao acaso. Eu quis dizer que talvez algum esteja
s curioso. O nosso cheiro est nela inteira. Ser que ele estava se perguntando o que havia nos levado l?"
"Porque ele no viria aqui, ento? De ele estava curioso?" Emmett quis saber.
"Voc viria", Esme disse com repentino sorriso de afeio. "O resto de ns no  to direto. A nossa famlia  muito grande - ele ou ela pode ter estado assustado.
Mas Charlie no foi ferido. Esse no precisa ser um inimigo".
S curioso. Como James e Victoria haviam estado curiosos, no comeo? O pensamento de Victoria me fez estremecer, apesar de que a nica coisa da qual eles tinham
certeza era de que no era ela. No dessa vez. Ela manteria o padro obsessivo dela. Esse era outra pessoa, um estranho.
Eu estava lentamente me dando conta de que ao vampiros eram muito mais participantes desse mundo do que eu havia pensado. Quantas vezes os humanos normais passavam
por eles, completamente inconscientes? Quantas mortes, obviamente reportadas como crimes e acidentes, eram realmente devido  sede deles? Quo lotado seria esse
novo mundo quando eu me juntasse a ele?
O futuro sombrio mandou um frio pela minha espinha.
Os Cullen ponderaram as palavras de Esme com vrias expresses. Eu podia ver que Edward no havia aceitado a teoria, e que Carlisle queria muito aceitar.
Alice torceu os lbios. "Eu no acho. O senso de horrio foi perfeito demais... O visitante foi cuidadoso demais pra no estabelecer contato. Quase como se ele ou
ela soubesse que eu podia ver..."
"Ele podia ter outras razes pra no fazer contato", Esme lembrou ela.
" realmente importante quem ele ?" eu perguntei. "S a chance de que algum estavaprocurando por mim... isso j no  razo suficiente? Ns no devamos esperar
at a formatura."
"No, Bella", Edward disse rapidamente. "Isso no  to ruim. Se voc realmente estiver em perigo, ns vamos saber".
"Pense em Charlie", Carlisle me lembrou. "Pense em como iria machuca-lo se voc desaparecesse".
"Eu estou pensando em Charlie!  com ele que eu estou preocupada! E se o meu convidado estivesse com sede ontem? Enquanto eu estiver ao lado de Charlie, ele  um
alvo tambm. Se alguma coisa acontecesse com ele, isso seria minha culpa!"
"Dificilmente, Bella", Esme disse, alisando o meu cabelo de novo. "E nada vai acontecer com Charlie. Ns s teremos que ser mais cuidadosos".
"Mais cuidadosos?", eu repeti sem acreditar.
"Tudo vai ficar bem, Bella", Alice prometeu; Edward apertou minha mo.
Eu podia ver, olhando pra todos os seus lindos rostos um a um, que nada que eu pudesse dizer ia faz-los mudar de idia.
A viagem pra casa foi silenciosa. Eu estava frustrada. Contra o meu melhor julgamento, eu ainda era humana.
"Voc no estar sozinha por um segundo", Edward prometeu enquanto me levava pra casa de Charlie. "Sempre haver algum l. Emmett, Alice, Jasper..."
Eu suspirei. "Isso  ridculo. Eles vo ficar to chateados, que eles mesmos tero que me matar, s pra ter algo pra fazer".
Edward me deu um olhar amargo. "Hilrio, Bella".
Charlie estava de bom humor quando ns voltamos. Ele podia ver a tenso entre eu e Edward, e ele estava distorcendo as coisas. Ele me observou preparar o jantar
dele com um sorriso presumido no rosto. Edward se desculpou por um momento, pra fazer um pouco de vigilncia, eu presumi, mas Charlie esperou at que ele estivesse
de volta pra me passar as minhas mensagens.
"Jacob ligou de novo", Charlie disse assim que Edward estava na sala. Eu mantive o meu rosto to vazio quanto o prato na frente dele.
"Isso  um fato?"
Charlie fez uma careta. "No seja petulante, Bella. Ele parecia bem pra baixo".
"Jacob est te pagando pra ser R.P, ou voc  voluntrio?"
Charlie murmurou incoerentemente pra mim at que a comida cortou o sua reclamao ranzinza.
Apesar dele no ter se dado conta, ele encontrou sua marca.
Minha vida estava parecendo muito com um jogo de dados agora - ser que a prxima rodada traria olhos de cobra? E se alguma coisa acontecesse comigo? Parecia pior
do que ser petulante, deixar Jacob se sentir culpado pelo que ele disse.
Mas eu no queria falar com ele com Charlie por perto, pra ter que observar cada uma das minhas palavras pra que nada escorregasse. Pensar nisso me fez ter inveja
do relacionamento entre Jacob e Billy. Como devia ser fcil quando voc no tinha segredos com a pessoa com a qual voc vive.
Ento eu ia esperar pela manh. Eu provavelmente no ia dormir essa noite, afinal, e no ia doer deixar que ele se sentisse culpado por mais doze horas. Isso ia
ser bom pra ele.
Quando Edward oficialmente foi embora pela noite, eu me perguntei quem estava l fora de guarda, mantendo um olho em Charlie e eu. Eu me senti horrvel por Alice
ou quem quer que pudesse ser, mas ainda assim confortada. Eu tinha admitir que era legal, saber que eu no estava sozinha. E Edward voltou em tempo recorde.
Ele cantou pra que eu dormisse de novo e - consciente at mesmo na inconscincia de que ele estava l - eu dormi livre de pesadelos.
De manh, Charlie foi pescar com o Deputado Mark antes que eu estivesse acordada. Eu decidi fazer com que essa falta de superviso fosse divina.
"Eu vou tirar Jacob do gancho", eu avisei Edward depois que comi o meu caf da manh.
"Eu sabia que voc ia perdoa-lo", ele disse com um sorriso fcil. "Guardar rancores no  um dos seus muitos talentos".
Eu revirei meus olhos, mas eu estava agradada. Realmente parecia que Edward havia superado aquela coisa de anti-lobisomem.
"Al?", uma voz sem graa disse.
"Jacob?"
"Bella!", ele exclamou. "Oh, Bella, eu sinto muito!", ele tropeou nas palavras enquanto se apressava pra faze-las sair. "Eu juro que no quis dizer aquilo. Eu s
estava sendo estpido. Eu estava com raiva - mas isso no  desculpa. Foi a coisa mais estpida que eu j disse em toda a minha vida e eu sinto muito. No fique
com raiva de mim, por favor? Por favor. Eu ofereo servido eterna - tudo o que voc tem que fazer  me perdoar".
"Eu no estou com raiva. Voc est perdoado".
"Obrigado", ele disse ferventemente. "Eu no consigo acreditar que fui to idiota".
"No se preocupe com isso - eu j estou acostumada".
Ele riu, exuberante de alvio. "Venha aqui me ver", ele implorou. "Eu quero acertar as coisas com voc".
Eu fiz uma careta. "Como?"
"Qualquer coisa que voc quiser. Mergulho do penhasco", ele sugeriu, rindo de novo.
"Oh, a est uma idia brilhante".
"Eu te manteria segura", ele prometeu. "No importa o que voc queira fazer".
Eu olhei pra Edward. O rosto dele estava calmo, mas eu sabia que essa no era a hora.
"Agora no".
"Ele no est muito feliz comigo, est?", pelo primeira vez, a voz de Jacob estava mais envergonhada do que amarga.
"Esse no  o problema. H... bem, h outro problema que  um pouco mais preocupante do que um lobisomem adolescente com mal humor..." eu tentei manter o meu tom
de piada, mas isso no o enganou.
"O que h de errado?" ele quis saber.
"Um" eu no estava certa do que eu devia cont-lo.
Edward levantou a mo para o telefone. Eu olhei para o rosto dele cuidadosamente. Ele parecia calmo o suficiente.
"Bella?", Jacob perguntou.
Edward suspirou, trazendo a mo mais pra perto.
"Voc se importa em falar com Edward?" eu perguntei apreensivamente. "Ele quer falar com voc".
Houve uma longa pausa.
"Tudo bem", Jacob concordou. "Isso vai ser interessante".
Eu passei o telefone para Edward; eu esperei que ele pudesse ler o aviso nos meus olhos.
"Ol, Jacob", Edward disse, perfeitamente educado.
Houve um silncio. Eu mordi o meu lbio, tentando adivinhar o que Jacob iria responder.
"Algum esteve aqui - no  um cheiro que eu conheo", Edward explicou. "O seu bando encontrou algo novo?"
Outra pausa enquanto Edward acenava com a cabea para si mesmo, sem surpresa.
"Aqui est o ponto crucial, Jacob. Eu no vou deixar Bella sair da minha vista at que eu tenha cuidado disso. No  nada pessoal -"
Jacob interrompeu ele a, e eu pude ouvir o rudo da voz no receptor. O que quer que fosse que ele estivesse dizendo, ele estava mais interessando do que antes.
Eu tentei sem sucesso compreender as palavras.
"Voc pode estar certo -", Edward comeou, mas Jacob estava discutindo de novo. Nenhum dos dois parecia estar com raiva, pelo menos.
"Essa  uma sugesto interessante. Ns estamos bastante interessados em renegociar. Se Sam for malevel".
A voz de Jacob estava mais baixa agora. Eu comecei a morder a unha do meu polegar enquanto eu tentava ler a expresso no rosto de Edward.
"Obrigado", Edward respondeu.
A Jacob disse alguma coisa que fez um expresso de surpresa atravessar o rosto de Edward.
"Eu havia planejado ir sozinho, na verdade", Edward disse, respondendo a pergunta inesperada. "E deixar ela com os outros".
A voz de Jacob cresceu como um belisco, pra mim pareceu que ele estava tentando ser persuasivo.
"Eu vou tentar considerar isso objetivamente", Edward prometeu. "To objetivamente quanto eu for capaz."
A pausa foi mais curta dessa vez.
"Essa no  uma idia muito ruim. Quando?... no, isso est bem. Eu gostaria de ter uma chance de seguir a trilha pessoalmente, do mesmo jeito. Dez minutos... Certamente".
Edward disse. Ele segurou o telefone pra mim. "Bella?"
Eu o peguei lentamente, me sentindo confusa.
"O que foi tudo isso?", eu perguntei a Jacob, minha voz irritada. Eu sabia que era infantil, mas eu me senti excluda.
"Uma trgua, eu acho. Ei, me faa um favor", Jacob sugeriu. "Tente convencer o seu sugador de sangue que o lugar mais seguro pra voc ficar - especialmente quando
ele vai embora -  na reserva. Ns seremos capazes de lidar com qualquer coisa".
"Era isso que voc estava tentando dizer pra ele?"
"Sim. Faz sentido. Charlie provavelmente tambm vai ficar melhor aqui. Tanto quanto for possvel".
"Coloque Billy na histria", eu concordei. Eu odiei estar colocando Charlie ao alcance encruzilhadas que sempre pareciam me ter no centro. "O que mais?"
"S re-arrumando algumas fronteiras, pra que possamos pegar qualquer um que se aproxime de Forks. Eu no tenho certeza de que Sam vai aceitar isso, mas at que ele
aparea, eu vou manter um olho nas coisas".
"O que voc quer dizer com 'manter um olho nas coisas'?"
"Significa que se voc vir um lobo correndo ao redor da sua casa, no atire nele".
" claro que no. Voc realmente no deva fazer nada... arriscado, porm".
Ele bufou. "No seja estpida. Eu posso tomar conta de mim mesmo".
Eu suspirei.
"Eu tambm tentei convenc-lo a te deixar nos visitar. Ele tem preconceitos, ento no deixe ele te convencer com aquela bobagem de segurana. Ele sabe to bem quanto
eu que voc ficar segura aqui".
"Eu manterei isso em mente".
"Te vejo daqui a pouco", Jacob disse.
"Voc vai vir aqui?"
". Eu vou sentir o cheiro do seu visitante pra que ns possamos rastre-lo quando ele voltar".
"Jake, eu realmente no gosto da idia de voc caando -"
"Oh, por favor, Bella", ele interrompeu. Jacob riu, e a desligou.

9. Cheiro
Tudo foi muito infantil. Porque nesse mundo Edward precisava ir embora pra que Jacob viesse? Ns no havamos superado esse tipo de imaturidade?
"No  que eu sinta algum antagonismo pessoal em relao a ele, Bella,  s que  mais fcil pra ns dois", Edward me disse na porta. "Eu no estarei longe. Voc
estar segura".
"Eu no estou preocupada com isso".
Ele sorriu , e ento um olhar astuto apareceu em seus olhos. Ele me puxou mais pra perto, enterrando o rosto no meu cabelo. Eu podia sentir a respirao dele fazer
meu cabelo flutuar enquanto ele exalava; isso fez o meu pescoo arrepiar.
"Eu volto logo", ele disse, e depois riu alto como se tivesse acabado de contar uma piada.
"O que  to engraado?"
Mas Edward s sorriu e saiu em direo s rvores sem responder.
Murmurando pra mim mesma, eu fui limpar a cozinha. Antes mesmo que a pia estivesse cheia de gua, a campainha da porta soou. Era difcil me acostumar com quo mais
rpido Jacob era sem o seu carro. Como todo mundo parecia muito mais rpido que eu...
"Entre, Jake!", eu gritei.
Eu estava me concentrando em empilhar os pratos na gua com sabo, e eu tinha me esquecido que Jacob se movia como um fantasma nesses dias. Ento quando de repente
eu ouv a voz dele por trs de mim, isso me fez pular.
"Voc devia mesmo deixar a porta destrancada desse jeito? Oh, desculpe".
Eu espirrei a gua com sabo em mim mesma quando ele me assustou.
"Eu no estou preocupada com ningum que seria detido por uma porta", eu disse enquanto enxugava a frente da minha camisa com uma toalha de pratos.
"Bem lembrado", ele concordou.
Eu me virei pra olhar pra ele, olhando-o criticamente. " realmente impossvel usar roupas, Jake?" Eu perguntei. Mais uma vez, Jake estava com o peito n, usando
nada alm de um jeans velho rasgado. Secretamente, eu me perguntei se ele estava to orgulhoso dos seus novos musculos que no conseguia cobr-los. Eu tinha que
admitir, eles eram impressionantes - mas eu nunca pensei nele como vaidoso.
"Eu quero dizer, eu sei que voc no fica mais com frio, mas mesmo assim".
Ela passou uma mo pelo seu cabelo molhado; ele estava caindo em seus olhos.
" mais fcil", ele explicou.
"O que  mais fcil?"
Ele sorriu condescendentemente. "J  incmodo suficiente carregar um par de shorts comigo, imagina uma roupa completa. O que eu pareo, uma mula de carga?"
Eu fiz uma careta. "Do que voc est falando, Jacob?"
A expresso dele era superior, como se eu estivesse deixando passar algo bvio. "As minhas roupas no desaparecem simplesmente quando eu me transformo - eu tenho
que carreg-las comigo enquanto eu corro. Perdoe-me por esconder a luz do meu fardo".
Eu mudei de cor. "Eu no tinha pensado nisso", eu murmurei.
Ele riu e apontou para uma tira de couro preto, fina como uma fita de estame, que estava amarrada trs vezes no tornozelo dele, como uma tornozeleira. Eu no havia
notado antes que ele estava de ps descalos tambm. "Isso  mais do que apenas uma tendncia de moda -  muito ruim carregar jeans na boca".
Eu no sabia o que dizer.
Ele sorriu. "O meu semi-n te incomoda?"
"No".
Jacob riu de novo, e eu me virei de costas pra ele pra me concentrar nos pratos. Eu esperei que ele se desse conta de que eu estava corada porque estava envergonhada
com a minha prpria estupidez, e que isso no tinha nada a ver com a pergunta dele.
"Bem, eu acho que devia comear a trabalhar" Ele suspirou. "Eu no quero que ele tenha nenhuma desculpa pra dizer que h desleixo do meu lado".
"Jacob, no  seu trabalho -"
Ele levantou as mos pra me cortar. "Eu estou trabalhando como voluntrio aqui. Agora, onde o cheiro do intruso  mais forte?"
"Meu quarto, eu acho".
Os olhos dele estreitaram. Ele no parecia ter gostado disso mais que Edward.
"Eu volto em um minuto".
Eu esfreguei metodicamente o prato que eu estava segurando. O nico som era o da escova de plstico arranhando a cermica de novo e de novo. Eu tentei escutar alguma
coisa l de cima, um rangido do cho, o clique da porta. No houve nada.
Eu me dei conta de estava lavando o mesmo prato por mais tempo que o necessrio, e tentei prestar ateno no que eu estava fazendo.
"Whew!", Jake disse, centmetros atrs de mim, me assustando de novo.
"Nossa, Jake, pra com isso!"
"Desculpe. Aqui -" Jacob pegou a toalha a removeu o novo meu molhado. "Eu vou me desculpar com voc. Voc ensaboa, eu lavo e seco".
"T bom", eu dei o prato a ele.
"Bem, o cheiro foi suficientemente fcil de sentir. Alis, o seu quarto est fedendo".
"Eu vou comprar um purificador de ar".
Ele riu.
Eu lavei e ele secou em um silncio de companheirismo por alguns minutos.
"Posso te perguntar uma coisa?"
Eu dei outro prato a ele. "Isso depende do que voc quer saber".
"Eu no vou ser um idiota nem nada assim - eu estou honestamente curioso", Jacob me assegurou.
"T bom. V em frente".
Ele pausou por meio segundo. "Como  - ter um vampiro como namorado?"
Eu revirei meus olhos. " o mximo".
"Eu estou falando srio. Essa idia no te incomoda - isso nunca te assusta?"
"Nunca".
Ele estava em silncio enquanto pegou a tigela das minhas mos. Eu dei uma olhada para o rosto dele - ele estava fazendo careta, o lbio inferior dele estava pra
fora.
"Mais alguma coisa?", eu perguntei.
Ele enrugou o nariz de novo. "Bem... eu estava me perguntando... voc... voc sabe, beija ele?"
Eu r. "Sim".
Ele estremeceu. "Ugh".
"Cada um tem o que merece".
"Voc no se preocupa com as presas?"
Eu bat no brao dele, molhando ele com a gua dos pratos. "Cala a boca, Jacob! Voc sabe que ele no tem presas!"
"Chega bem perto", ele murmurou.
Eu apertei meus dentes e esfreguei uma faca com mais fora do que o necessrio.
"Posso perguntar mais uma?" ele pergutou suavemente quando eu passei a faca pra ele. "S curiosidade, de novo"
"T", eu disparei.
Ele virou e virou a faca nas mos embaixo do jato de gua. Quando ele falou, era apenas um cochicho. "Voc disse algumas semanas... Quando, exatamente...?" Ele no
conseguiu terminar.
"Formatura", ei cochichei de volta, observando o rosto dele cautelosamente. Isso ia tirar ele do srio de novo?
"To cedo", ele respirou, seus olhos fechando. Isso no parecia ser uma pergunta. Parecia com um lamento. Os musculos dele se apertaram e seus ombros estavam rgidos.
"OW!" Ele gritou; tudo havia ficado to quieto na cozinha que eu dei um pulo de um metro por causa da exploso dele.
A mo direita dele tinha se encurvado tensamente no pulso na lmina da faca - ele abriu a mo e a faca resvalou no balco. Na palma dele, havia um corte longo, profundo.
O sangue correu pelos dedos dele e pingou no cho.
"Droga! Ai!", ele reclamou.
Minha cabea rodou e meu estmago revirou. Eu me agarrei no balco com uma mo, respirei fundo pela boca, e me forcei a ficar bem pra poder cuidar dele.
"Oh, no, Jake!Oh, droga! Aqui, feche com isso aqui!", Eu joguei a toalha de pratos pra ele, pegando a mo dele. Ele se afastou de mim.
"No  nada, Bella, no se preocupe com isso".
A cozinha comeou a tremer um pouquinho nas beiras.
"Eu respirei fundo de novo. "No se preocupe?! Voc fatiou a sua mo!"
Ele ignorou a toalha que eu havia jogado pra ele. Ele colocou a mo embaixo da torneira e deixou a gua correr pela ferida. A gua ficou vermelha. A minha cabea
girou.
"Bella", ele disse.
Eu tirei os olhos da ferida, olhando pra rosto dele. Ele estava fazendo uma careta, mas a expresso dele estava calma.
"O qu?"
"Voc est com cara de quem vai desmaiar, e voc vai arrancar o seu lbio. Pare com isso. Relaxe. Respire. Eu estou bem".
Eu inalei pela minha boca e remov os meus dentes do meu lbio inferior. "No seja corajoso".
Ele revirou os olhos.
"Vamos l. Eu vou te levar para o pronto socorro" eu tinha certeza de que estava bem pra dirigir. As paredes estavam paredas agora, pelo menos.
"No  necessrio" Jacob fechou a gua e pegou a toalha das minhas mos. Ele a passou folgadamente pela palma.
"Espere", eu protestei. "Deixe eu dar uma olhada". Eu agarrei o balco com mais fora, pra me manter de p se a ferida me deixasse tonta de novo.
"Voc tem algum diploma de medicina do qual nunca me contou?"
"S me d uma chance de decidir se eu vou ou no dar um piti pra te levar pro hospital".
Ele fez uma cara de horror de brincadeira. "Por favor, um piti no!"
"Se voc no me deixar ver a sua mo, um piti est garantido".
Ele inalou profundamente, e deixou a respirao sair num suspiro forte. "T bom".
Ele retirou a toalha e, quando eu me inclinei pra tirar ela, ele colocou a mo na minha.
Eu levei alguns segundos. Eu at virei a mo dele, apesar de ter certeza de que ele hava cortado a mo. Eu virei a mo dele pra cima de novo, finalmente me dando
conta de que a linha inchada, num cor de rosa forte, era tudo o que havia restado da ferida.
"Mas... voc estava sangrando... tanto"
Ele puxou a mo de volta, seus olhos diretos e sombrios nos meus.
"Eu saro rpido".
"Eu que o diga", eu murmurei.
Eu tinha visto o longo corte claramente, tinha visto o sangue que flua na pia. O cheiro de sal e ferrugem dele quase me fez desmaiar. Ele devia precisar de pontos.
Aquilo devia ter levado dias pra fechar e depois levado semanas pra se transformar naquela linha rosada que agora marcava a pele dele.
Ele rasgou a boca pra cima num meio sorriso no rosto e bateu com o pulso uma vez no peito. "Lobisomem, lembra?"
Os olhos dele seguraram os meus por um momento imensurvel.
"Certo", eu disse finalmente.
Ele riu da minha expresso. "Eu te disse isso. Voc viu a cicatriz de Paul".
Eu balancei minha cabea pra limp-la. " uma pouco diferente, ver a ao em sequncia em primeira mo".
Eu me ajoelhei e puxei o desinfetante do gabinete embaixo da pia. Ento, eu coloquei um pouco no esfrego e comecei a esfregar o cho. O cheiro forte do desinfetante
limpou o resto da tontura da minha cabea.
"Deixe eu limpar", Jacob disse.
"Deixa comigo. Jogue a toalha na mquina, t?"
Quando eu tive certeza que o cho no cheirava a mais nada alm de desinfetante, eu me levantei e limpei o lado direito da pia com desinfetante tambm. A eu fui
para o armrio da lavanderia ao lado da dispensa, e despejei um copinho dele dentro da mquina antes de lig-la. Jacob me observou com um olhar de desaprovao no
rosto.
"Voc tem transtorno obcessivo compulsivo?" ele perguntou quando eu acabei.
Huh. Talvez. Mas pelo menos dessa vez eu tinha uma boa desculpa. "Ns somos um pouco sensveis a sangue por aqui. Eu tenho certeza que voc pode entender isso".
"Oh", ele enrugou o nariz de novo.
"Porque no fazer to fcil quanto for possvel pra ele? O que ele est fazendo j  difcil o suficiente".
"Claro, claro. Porque no?"
Eu puxei o ralo e deixei a gua suja descer pela pia.
"Posso te perguntar uma coisa, Bella?"
Eu suspirei.
"Como  - ter um lobisomem como melhor amigo?"
Essa pergunta me pegou fora de guarda. Eu ri alto.
"Isso te assusta?", ele pressionou antes que eu pudesse responder.
"No. Quando o lobisomem est sendo legal", eu qualifiquei. " o mximo".
Ele deu um sorriso largo, os dentes dele brilhando contra a pele ruiva. "Obrigado, Bella", ele disse, e depois pegou a minha mo e me puxou pra mais um dos seus
abraos de quebrar os ossos.
Antes que eu tivesse tempo de reagir, ele me soltou de seus braos e se afastou.
"Ugh", ele disse, seu nariz enrugando. "O seu cabelo est fedendo mais que o seu quarto".
"Desculpe", eu murmurei. De repente eu entend do que Edward estava rindo mais cedo, depois de respirar em mim.
"Um dos muitos riscos de se socializar com vampiros", Jacob disse, levantando os ombros. "Faz voc cheirar mal. Um risco menor, em comparao".
Eu encarei ele. "Eu s cheiro mal pra voc, Jake".
Ele sorriu largamente. "Te vejo por a, Bells"
"Voc vai embora?"
"Ele est esperando que eu v. Eu posso ouv- lo l fora".
"Oh".
"Eu vou por trs", ele disse, e ento pausou.
"Espere um pouco - ei, voc acha que pode ir at La Push hoje  noite? Ns vamos fazer uma festa de fogueira. Emily estar l, e voc podia conhecer Kim... E eu
sei que Quil quer ver voc. Ele est bem irritado porque voc descobriu o que ele fez".
Eu sorr disso. Eu bem que podia imaginar como isso tinha afetado Quil - o amiguinho humano de Jacob estava andando entre lobisomens sem sequer saber. E a eu suspirei.
", Jake, eu no sei. Entenda, as coisas esto um pouco tensas agora..."
"Vamos, voc acha que algum vai conseguir passar por cima - por cima de ns seis?"
Houve uma pausa estranha e ele estremeceu no fim da sua pergunta. Eu me perguntei se ele tinha problemas em dizer a palavra lobisomem em voz alta, do mesmo jeito
que eu frequentemente tenho dificuldade com vampiro.
Os grandes olhos dele estavam cheios de rogo desavergonhado.
"Eu vou pedir", eu disse duvidosamente.
Ele fez um barulho no fundo de sua garganta. "Agora ele  seu carcereiro tambm? Sabe, eu v essa histria no jornal semana passada sobre relacionamentos adolescentes
controladores, abusivos e -"
"T legal!" Eu cortei ele, e depois bat em seu brao. "Hora do lobisomem dar o fora!"
Ele sorriu. "Tchau, Bells. Tenha certeza de que pediu permisso".
Ele se abaixou pra sair pela porta da cozinha antes que eu pudesse encontrar alguma coisa pra jogar nele. Eu rosnei incoerentemente para a cozinha vazia.
Segundos depois que ele foi embora, Edward entrou lentamente na cozinha, gotas de chuva reluzindo como diamantes no seu cabelo cor de bronze. Os olhos dele estavam
cautelosos.
"Vocs dois brigaram?", ele perguntou.
"Edward!" eu cantei, antes de me jogar em cima dele.
"Oi, a". Ele riu e jogou seus braos ao meu redor. "Voc est tentando me distrair? Est funcionando".
"No, eu no briguei com Jacob. Muito. Porque?"
"Eu s estava me perguntando porque voc esfaqueou ele. No que eu me oponha". Com o queixo, ele fez um gesto para a faca em cima do balco.
"Droga! Eu pensei que tivesse limpado tudo".
Eu me separei dele e corr pra colocar a faca na pia antes de lav-la com o desinfetante.
"Eu no esfaqueei ele", eu expliquei enquanto trabalhava. "Ele esqueceu que estava com a faca na mo".
Edward gargalhou. "No  nem de perto to engraado quanto o jeito que eu imaginei".
"Seja bonzinho".
Ele pegou um grande envelope de dentro do casaco dele e o jogou no balco. "Voc recebeu correspondncia".
"Alguma coisa boa?"
"Eu acho que sim".
Os meus olhos se estreitaram suspeitosamente com o tom dele. Eu fui investigar.
Ele havia dobrado o grande envelope no meio. Eu o abr, surpresa com o peso do papel caro, e l o endereo do remetente.
"Dartmouth? Isso  uma piada?"
"Eu tenho certeza que  uma aceitao.  exatamente igual ao meu".
"Belo consolo, Edward - o que voc fez?"
"Eu mandei a sua inscrio, s isso".
"Eu posso at no ser material pra Dartmouth, mas eu no sou estpida o suficiente pra acreditar nisso".
"Dartmouth parece pensar que voc  material pra Dartmouth".
Eu respirei fundo e contei lentamente at dez. "Isso  muito generoso da parte deles", eu disse finalmente. "No entanto, aceita ou no, esse ainda  o menor problema
com a instituio. Eu no posso pagar, e eu no vou deixar voc gastar o dinheiro de outro carro esporte s para fingir que eu vou pra Dartmouth ano que vem".
"Eu no preciso de outros carros esporte. E voc no precisa fingir nada", ele murmurou. "S um ano de faculdade no vai te matar. Talvez voc at gostasse. Pense
nisso, Bella. Imagine o quanto Rene e Charlie ficariam excitados..."
A voz de veludo dele pintou um quadro na minha cabea antes que eu pudesse bloque-lo.  claro que Charlie ia explodir de orgulho - ningum em Forks seria capaz
de escapar da exploso dessa alegria. E Rene ficaria histrica de alegria pelo meu triunfo - apesar de que ela ia jurar que no estava surpresa...
Eu tentei sacudir a imagem da minha cabea. "Edward. Eu j estou preocupada em sobreviver at a formatura, imagine at o prximo inverno ou vero".
Os olhos dele se fecharam ao meu redor. "Ningum vai te machucar. Voc tem todo o tempo do mundo".
Eu suspirei. "Eu vou enviar o extrato da minha conta para o Alaska amanh. Esse  o nico libi que eu preciso. Isso  longe o suficiente pra que Charlie no espere
que eu venha visit-lo at o Natal pelo menos. At l eu tenho certeza que consigo pensar em uma desculpa. Sabe", eu brinquei sem muita vontade. "esse segredo todo
e essa coisa de decepo  um pouco chata".
A expresso de Edward endureceu. "Fica mais fcil. Depois de alguma dcadas, todos que voc conhece tero morrido. Problema resolvido".
Eu enrigec.
"Desculpe, isso foi duro".
Eu olhei para o grande envelope branco, sem v-lo. "Mas ainda  a verdade".
"Se eu resolver isso, o que quer que seja com o que estamos lidando, voc por favor consideraria esperar?"
"No".
"Sempre to teimosa".
"Sim".
A mquina de lavar fez um barulho e parou de funcionar.
"Pedao de lixo estpido", eu murmurei enquanto me afastava dele. Eu retirei a toalha que era a nica pea na mquina, e a liguei de novo.
"Isso me lembra", eu disse. "Ser que d pra voc perguntar a Alice o que ela fez com as coisas que ela limpou no meu quarto? Eu no consegu encontrar em lugar
nenhum".
Ele me olhou com olhos confusos. "Alice limpou o seu quarto?"
", eu acho que era isso que ela estava fazendo. Quando ela veio pegar os meus pijamas e o meu travesseiro e essas coisas pra me fazer de refm. "Eu encarei ele
brevemente. "Ela pegou tudo que estava jogado, as minhas camisas, minhas meias, e eu no sei onde ela os colocou".
Edward continou a parecer confuso por um breve momento, e depois, abruptamente, ele ficou rgido.
"Quando voc reparou que as suas coisas estavam faltando?"
"Quando eu voltei da falsa festa do pijama. Porque?"
"Eu no acho que Alice pegou nada. Nem as suas roupas, nem o seu travesseiro. Essas coisas so coisas que voc havia usado... e tocado... e dormido?"
"Sim. O que , Edward?"
A expresso dele estava repuxada. "Coisas com o seu cheiro".
"Oh!"
Nos olhamos nos olhos um do outro por um longo momento.
"O meu visitante", eu murmurei.
"Ele estava juntando pistas... provas. Pra provar que ele havia te encontrado?"
"Porque?" eu sussurrei.
"Eu no sei. Mas, Bella, eu juro que eu vou descobrir. Eu vou".
"Eu sei que vai", eu disse, colocando a minha mo no peito dele. Inclinada al, eu sent o telefone dele vibrar no bolso dele.
Ele puxou o telefone e olhou para o nmero. "Exatamente a pessoa com quem eu precisava falar", ele murmurou e abriu o telefone. "Carlisle, eu -" Ele parou e escutou,
o rosto dele ficou enrugado de concentrao por alguns minutos. "Eu vou checar isso. Oua..."
Ele explicou sobre as coisas desaparecidas, mas do lado que eue estava ouvindo, parecia que Carlisle no tinha intuies pra ns.
"Talvez eu v..."Edward disse, parando quando os seus olhos passaram pra mim. "Talvez no. No deixe Emmett ir sozinho, voc sabe como ele fica. Pea a Alice que
fique de olho nas coisas. Ns vamos descobrir isso depois".
Ele fechou o telefone. "Onde est o jornal?", ele me perguntou.
"Um, eu no tenho certeza. Porque?"
"Eu preciso ver uma coisa. Charlie j o jogou fora?"
"Talvez..."
Edward desapareceu.
Ele estava de volta em meio segundo, novos diamantes em seus cabelos, um jornal molhado nas mos. Ele o espalhou na mesa, os olhos dele passando rapidamente pelas
manchetes. Ele se inclinou, atento em alguma coisa que ele estava lendo, um dedo passando sobre as passagens que mais o interessavam.
"Carlisle estava certo... sim... muito espirradinho. Jovem e enlouquecido? Ou procurando a morte?" ele murmurou pra s mesmo.
Eu fui espionar por cima do ombro dele.
A manchete do Seattle Times dizia: "Epidemia de Assassinatos Continua - Polcia No Tem Novas Pistas".
Era quase a mesma histria sobre a qual Charlie estava reclamando semanas atrs - a violncia das grandes cidades que estava colocando Seattle no topo da lista nacional
de assassinatos.
No entanto, no era exatamente a mesma histria. Os nmeros eram muito mais altos.
"Est ficando pior", eu murmurei.
Ele fez uma careta. "Completamente fora de controle. Isso no pode ser trabalho de apenas um vampiro recm nascido. O que esta acontecendo?  como se eles nunca
tivessem ouvido falar dos Volturi. O que  impossvel, eu acho. Ningum explicou as regras pra eles... ento quem os est criando?"
"Os Volturi?", eu repet, estremecendo.
"Esse  exatamente o tipo de coisa que eles rotineiramente exterminam - imortais que ameaam nos expor. Eles limparam uma baguna exatamente igual a essa ha alguns
anos em Atlanta, e aquilo no tinha sido nem de perto to ruim. Eles vo interferir em breve, muito em breve, a no ser que ns encontremos uma forma de acalmar
a situao. Eu realmente preferiria que eles no viessem a Seattle por enquanto. Enquanto eles estiverem to perto... eles podem decidir dar uma olhada em voc".
Eu estremec de novo. "O que ns podemos fazer?"
"Ns precisamos saber mais antes de decidir isso. Talvez, se ns conseguirmos falar com esses jovens, explicar as regras, isso se resolva pacificamente". Ele fez
uma careta, como se no achasse que as chances disso acontecer fossem boas. "Ns vamos esperar at que Alice tenha alguma idia do que est acontecendo... Ns no
queremos nos meter at que seja absolutamente necessrio. Afinal, no  nossa responsabilidade. Mas  bom que tenhamos Jasper", ele acrescentou quase pra si mesmo.
"Se ns estamos lidando com recm nascidos, ele vai ajudar".
"Jasper? Porque?"
Edward sorriu obscuramente. "Jasper  uma espcie de expert em vampiros recm nascidos".
"O que voc quer dizer, um expert?"
"Voc vai ter que perguntar a ele - a histria dele est envolvida".
"Que confuso", eu murmurei.
" isso que parece, no ? Como se isso estivesse nos atingindo por todos os lados ultimamente". Ele suspirou. "Voc j pensou que a sua vida podia ser mais fcil
se voc no estivesse apaixonada por mim?"
"Talvez. Porm,no seria exatamente uma vida"
"Pra mim", ele emendou baixinho. "E agora, eu acho" ele continuou com um sorriso torto, "Voc tem alguma coisa pra perguntar pra mim?"
Eu olhei pra ele sem entender. "Tenho?"
"Ou talvez no", ele sorriu. "Eu estava com a impresso de que voc havia me prometido que pediria permisso pra ir a algum tipo de festa de lobisomens hoje  noite".
"Ouvindo escondido de novo?"
Ele sorriu. "S um pouquinho, no final".
"Bem, eu no ia te pedir do mesmo jeito. Eu entend que voc j tem bastante coisas pra se estressar".
Ele colocou a mo embaixo do meu queixo, e segurou o meu rosto pra que ele pudesse ver meus olhos. "Voc gostaria de ir?"
"No  nada demais. No se preocupe".
"Voc no tem que me pedir permisso, Bella. Eu no sou o seu pai - graas aos cus por isso. No entanto, talvez voc devesse pedir a Charlie".
"Mas voc sabe que Charlie vai dizer sim".
"Eu tenho um pouco mais de intuio sobre a resposta dele do que outras pessoas teriam,  verdade".
Eu olhei pra ele, tentando entender o que ele queria, e tentando tirar da minha mente a vontade que eu estava de ir  La Push pra que eu no fosse enganada pelos
meus prprios desejos. Era estupidez querer sair com um monte de garotos-lobos estpidos quando haviam muito mais coisas assustadoras e inexplicadas acontecendo.
 claro, isso era exatamente o motivo pelo qual eu queria ir. Eu queria escapar das ameaas de morte, s por algumas horas... ser menos madura, ser mais a Bella
irresponsvel que podia rir com Jacob, mesmo que brevemente. Mas isso no importava.
"Bella", Edward disse. "Eu disse que ia ser razovel e confiar no seu julgamento. Eu falei srio. Eu confio nos lobisomens, ento eu no vou me preocupar com eles".
"Uau", eu disse, como havia dito na noite passada.
"E Jacob est certo - sobre uma coisa, pelo menos - uma bando de lobisomens deve ser o suficiente pra te proteger at voc por uma noite".
"Voc tem certeza?"
" claro. S..."
Eu me segurei.
"Eu espero que voc no se importe em tomar algumas precaues? Me deixando te levar at a linha da fronteira, pra comear. E tambm levando um celular, pra que
eu saiba quando ir te buscar".
"Isso soa... muito razovel".
"Excelente".
Ele sorriu pra mim, e eu no pude ver nenhum trao de apreenso em seus olhos que parecia, jias.
Para a surpresa de ningum, Charlie no teve problema nenhum em me deixar ir  La Push pra um fogueira. Jacob gritou com uma exultao indisfaravel quando eu liguei
pra ele pra dar as notcias, e ele pareceu suficientemente ansioso pra aceitar as medidas cautelosas de Edward. Ele prometeu nos encontrar na linha que dividia os
territrios s seis.
Eu havia decidido, depois de um curto debate interno, que eu no ia vender a moto. Eu ia lev-la de volta  La Push, onde ela pertencia, e quando eu no precisasse
mais dela... bem, a, eu insistiria que Jacob ele cuidasse do seu trabalho de alguma forma. Ele podia vend-la ou dar a uma amigo. Eu no me importava.
Essa noite parecia ser uma boa pra devolver a moto para a garagem de Jacob. Me sentindo sensvel como eu estava nos ltimos dias, todo dia parecia ser possivelmente
o ltimo. Eu no tinha tempo para adiar nenhuma tarefa, no importava o quo pequena fosse.
Edward apenas balanou a cabea quando eu expliquei o que eu queria, mas eu pensei ter visto uma fasca de consternao nos olhos dele, e eu sabia que ele no estava
mais feliz com a idia da moto do que Charlie estava.
Eu o segu de volta para casa dele, para a garagem onde eu havia deixado a moto. No foi at que eu estacionei a caminhonete e desc que eu perceb que talvez dessa
vez a consternao no fosse em relao a minha segurana.
Ao lado da minha moto antiga, obscurecendo-a, havia outro veculo. Chamar esse outro veculo de moto no parecia muito justo, j que ela no parecia pertencer a
mesma famlia que a minha moto, repentinamente rota.
Essa era grande e esguia e prateada - e mesmo totalmente imvel - ela parecia rpida.
"O que  isso?"
"Nada", Edward murmurou.
"Isso no parece ser nada".
A expresso de Edward estava casual; ele parecia determinado a esquecer isso. "Bem, eu no sabia se voc ia perdoar o seu amigo, e nem ele a voc, e eu me perguntei
se voc ia querer andar na sua moto mesmo assim. Parecia ser algo que voc gostava de fazer. Eu pensei que eu podia ir com voc, se voc quisesse". Ele levantou
os ombros.
Eu encarei a linda mquina. Ao lado dela, a minha moto parecia ser um tricclo quebrado. Eu me sent repentinamente triste quando me dei conta de que essa provavelmente
era uma analogia  forma como eu parecia ao lado de Edward.
"Eu no seria capaz de te acompanhar", eu sussurrei.
Edward colocou sua mo embaixo do meu queixo e puxou o meu rosto pra que ele pudesse v-lo direito. Com um dedo, ele tentou puxar o canto da minha boca pra cima.
"Eu vou acompanhar voc, Bella"
"Isso no seria muito divertido pra voc".
" claro que seria, se estivssemos juntos".
Eu mord o meu lbio e imaginei isso por um momento. "Edward, se voc pensasse que eu estava indo rpido demais ou perdendo o controle da moto ou algo assim, o que
voc faria?"
Ele hesitou, obviamente tentando encontrar a resposta certa. Eu sabia a verdade: ele ia tentar encontrar uma forma de me salvar antes que eu casse.
A ele sorriu. Pareceu ser sem esforo, exceto pelo pequeno aperto defensivo que havia nos olhos dele.
"Isso  uma coisa que voc faz com Jacob. Agora eu entendo".
" s que, bem, eu no quero ele to triste, sabe. Eu podia tentar, eu acho..."
Eu olhei para a moto prateada duvidosamente.
"No se preocupe com isso", Edward disse, e a ele sorriu levemente. "Eu v Jasper admirando ela. Talvez seja hora dele descobrir um novo jeito de viajar. Afinal,
agora Alice tem o Porsche dela".
"Edward, eu -"
Ele me interrompeu com um beijo rpido. "Eu disse pra no se preocupar. Mas voc faria uma ciosa por mim?".
"Qualquer coisa que voc precise", eu promet rapidamente.
Ele soltou o meu rosto e se inclinou ao lado da moto grande, retirando alguma coisa que ele havia colocado l.
Ele voltou com um um objeto que era preto e sem forma, e com outro que era vermelho e com um formato facilmente indentificavel.
"Por favor?" ele pediu, mostrando o sorriso torto que sempre destrua as minhas defesas.
Eu peguei o capacete vermelho, medindo o peso em minhas mos. "Eu vou parecer estpida".
"No, voc vai parecer esperta. Esperta o suficiente pra no se machucar." Ele jogou a coisa preta, o que quer que fosse, por cima do brao e pegou o meu rosto nas
mos. "Existem coisas entre minhas mos agora sem as quais eu no posso viver. Voc podia cuidar delas".
"Tudo bem, t certo. Qual  a outra coisa?", eu perguntei suspeitosamente.
Ele sorriu e desenrolou uma espcie de jaqueta. " uma jaqueta de montaria. Eu sei que estradas molhadas so bem desconfortaveis, no que eu mesmo pudesse saber".
Ele a segurou pra mim. Com um profundo suspiro, eu coloquei o meu cabelo pra trs e coloquei o capacete na cabea. A eu passei os meus braos pelas mangas da jaqueta.
Ele fechou o zper, um sorriso brincando nos cantos da boca dele, e deu um passo pra trs.
Eu me sent boba.
"Seja honesto, quo odiosa eu estou?"
Ele deu outro passo pra trs e torceu os lbios.
"Ruim assim, hein?" eu murmurei.
"No, no, Bella. Na verdade..." ele pareceu estar lutando pra encontrar a palavra certa. "Voc est... sexy".
Eu r alto. "Certo".
"Muito sexy, na verdade".
"Voc s est dizendo isso pra que eu use", eu disse. "Mas est tudo bem. Voc est certo,  mais inteligente".
Ele passou os braos ao meu redor e me trouxe para o peito dele. "Voc  boba. Eu acho que isso  parte do seu charme. No entanto, eu tenho que admitir, esse capacete
tem suas desvantagens".
Ento ele retirou o capacete pra poder me beijar.
Enquanto Edward me levava at La Push algum tempo mais tarde, eu me dei conta de que a falta de precedentes dessa situao parecia estranhamente familiar. Eu levei
algum tempo pra entender a fonte
Eu levei algum tempo pra entender qual era a fonte do dj vu.
"Sabe do que isso me lembra?" eu perguntei. " igual a quando eu era criana e Rene me deixava com Charlie pra passar o vero. Eu me sinto como se tivesse sete
anos".
Edward riu.
Eu no mencionei isso em voz alta, mas a nica diferena entre as duas situaes era que Rene e Charlie se davam bem.
A cerca de meio caminho de La Push, ns fizemos um curva e encontramos Jacob enconstado do lado do seu Volkswagen vermelho que ele havia construdo sozinho desde
as peas. A expresso cuidadosamente neutra de Jacob se dissolveu em um sorriso quando eu acenei no banco da frente.
Edward estacionou o Volvo a uns trinta metros de distncia.
"Me ligue quando voc quiser voltar pra casa", ele disse. "E eu estarei aqui".
"Eu no vou demorar", eu promet.
Edward puxou a minha moto e minhas novas vestimentas do porta-malas do seu carro - eu fiquei bem surpresa por tudo ter entrado. Mas isso no era to difcil de conseguir
quando voc  forte o suficiente pra levanta vans, quanto mais pequenas motos.
Jacob observou, sem fazer nenhum movimento pra se aproximar, o sorriso dele tinha obscurecido e os olhos dele eram indecifraveis.
Eu coloquei o capacete embaixo do brao e joguei a jaqueta no acento.
"Voc pegou tudo?", Edward perguntou.
"Sem problema", eu o assegurei.
Ele suspirou e se inclinou pra mim. Eu virei meu rosto pra cima pra um beijo de despedida, mas Edward me pegou de surpresa, passando seus braos ao meu redor com
fora e me beijando com tanto entusiasmo quanto ele havia feito na garagem - em pouco tempo, eu estava sem ar.
Edward riu baixinho de alguma coisa, e depois me soltou.
"Tchau", ele disse. "Eu realmente gostei da jaqueta".
Enquanto eu virei de costas pra ele, eu pensei ter visto um flash de alguma coisa nos olhos dele que no era pra eu ter visto. Eu no podia dizer com certeza o que
era. Preocupao, talvez. Por um segundo, eu pensei que fosse pnico. Mas provavelmente eu estava imaginando algo que no existia, como sempre.
"O que  isso tudo?", Jacob perguntou, sua voz cautelosa, observando a moto com uma expresso enigmtica.
"Eu achei que eu devia colocar isso de volta onde ela pertence" eu disse a ele.
Ele pensou nisso por um segundo, e a um sorriso se abriu no rosto dele.
Eu sabia exatamente que estvamos em territrio de lobisomens porque Jacob se afastou rapidamente do seu carro e veio pra cima de mim, fechando a longo distncia
com apenas trs passos longos. Ele pegou a moto de mim, colocando-a no trip, e me pegou em outro abrao de urso.
Eu ouv o motor do Volvo roncar, e lutei pra ficar livre.
"Pare com isso, Jake!" eu ofeguei, sem ar.
Ele riu e me colocou no cho. Eu me virei pra acenar um adeus, mas o carro prateado j estava desaparecendo na curva da estrada.
"Legal", eu comentei, deixando que um pouco de cido escapasse na minha voz.
Os olhos dele se arregalaram com falsa inocncia. "O que foi?"
"Ele est sendo muito tolernte com essa coisa toda; voc no precisa testar sua sorte".
Ele riu de novo, mais alto que antes - ele realmente achou o que eu disse muito engraado. Eu tentei ver qual era a piada enquanto ele arrodeava o Rabbit pra abrir
a porta pra mim.
"Bella", ele disse finalmente - ainda gargalhando - enquanto fechava a porta atrs de mim. "Voc no pode testar aquilo que voc no tem"

10.Lendas
"Voc vai comer esse cachorro quente?" Paul perguntou a Jacob, os olhos dele permaneceram grudados nos ltimos vestgios de uma enorme refeio que os lobisomens
haviam consumido.
Jacob se encostou nos meus joelhos e brincou com o cachorros quente que estava enfiado num fio de ao esticado, as chamas nas beiras da fogueira lambiam a sua pele
empolada. Ele suspirou com fora e deu um tapinha no estmago. De alguma forma, ele ainda estava plano, apesar de eu j ter perdido as contas de quantos cachorros
quentes ele havia comido depois do dcimo. Sem mencionar um saco gigante de batatas e duas garrafas de cerveja preta.
"Eu acho", Jacob disse lentamente. "Eu estou to cheio que estou prestes a vomitar, mas eu acho que ainda posso for-lo a descer. No entanto, eu no vou gostar
disso nem um pouco". Ele disse de novo tristemente.
Apesar do fato de que Paul havia comido pelo menos tanto quanto Jacob, ele ficou com raiva e as mos dele fincaram nos pulsos.
"Nossa", Jacob riu. "Brincando, Paul. Aqui".
Ele jogou a comida feita em casa atravs do crculo, eu esperei que o cachorro quente casse na areia, mas Paul o pegou pela direita sem dificuldade.
Andar por a com ningum alm de pessoas destras o tempo todo ia acabar me deixando com complexo.
"Valeu, cara", Paul disse, j superando o seu breve acesso de raiva.
A fogueira de partiu, baixando mais na areia. Fascas brilharam numa nuvem repentina de um laranja brilhante contra o cu preto. Engraado, eu no tinha reparado
que o sol tinha se posto. Pelo primeiro vez, eu me perguntei quo tarde era. Eu perdi completamente a noo do tempo.
Era mais fcil ficar com os meus amigos Quileute do que eu tinha esperado.
Enquanto Jacob e eu deixvamos a minha moto na garagem - e ele admitia sem vontade que o capacete era uma boa idia e que ele devia ter pensado nisso - eu comecei
a me preocupar em aparecer com ele na fogueira, imaginando que os lobisomens iam me considerar uma traidora agora.
Ser que eles ficariam com raiva de Jacob por ter me convidado? Ser que eu arruinaria a festa?
Mas quando Jacob me acompanhou pela floresta para o topo dos penhascos no local do encontro - onde o fogo j queimava mais brilhante do que o sol obscurecido pelas
nuvens - tudo estava muito leve e casual.
"Ei, garota vampira!", Embry me cumprimentou alto. Quil tinha levantado pra bater na minha mo e me beijar na bochecha. Emily apertou a minha mo quando eu me sentei
no cho frio de pedra ao lado dela e de Sam.
Alm das reclamaes de brincadeira - em maioria de Paul - sobre estar com fedor de sugadores de sangue, eu fui tratada com algum que pertencia ali.
E tambm no foi s uma festa de jovens. Billy estava l, sua cadeira de rodas estacionada no que parecia ser a cabea natural do crculo. Ao lado dele, numa cadeira
dobrvel, parecendo bastante frgil, estava o velho av de Quil, de cabelos brancos, o Velho Quil. Sue Clearwater, viva de Harry o amigo de Charlie, estava numa
cadeira do outro lado; os dois filhos dela, Leah e Seth, tambm estavam l, sentados no cho como o resto de ns. Isso me surpreendeu, mas claramente eles trs faziam
parte do segredo agora. Pelo jeito que Billy e o velho Quil falavam com Sue, parecia que ela tinha tomado o lugar de Harry no conselho. Ser que isso fazia os filhos
dela membros automticos da sociedade mais secreta de La Push?
Eu me perguntei o quanto devia ser horrvel pra Leah se sentar num crculo com Sam e Emily. Seu rosto adorvel traa a emoo, mas ela nunca desviou o rosto das
chamas.Olhando para a perfeio do rosto de Leah, eu no pode deixar de compara-lo com o rosto arruinado de Emily. O que Leah pensava das cicatrizes de Emily, agora
que ela sabia a verdade por trs delas? Ser que elas pareciam com justia nos olhos dela?
O pequeno Seth Clearwater j no era mais pequeno. Com o seu enorme sorriso feliz atravessando seu rosto, feito sem fora, ele me lembrava de um Jacob muito mais
novo.
Essa semelhana me fez sorrir, e depois suspirar. Ser que Seth estava predestinado a ter a sua vida to drasticamente mudada quanto as do resto dos rapazes? Seria
esse o futuro pelo qual ele e sua famlia tinham permisso de ficar aqui?
O bando inteiro estava l: Sam com a sua Emily, Paul, Embry, Quil, Jared com a sua Kim, a garota com a qual ele tinha tido uma impresso.
A minha primeira impresso de Kim foi de que ela era uma garota legal, um pouco tmida, um pouco normal. Ela tinha um rosto largo, as mas do rosto grandes, com
olhos pequenos demais pra equilibra-los. Seu nariz e boca eram largos demais pra se ajustarem ao padro tradicional de beleza. Seu cabelo liso era fino e assanhado
com o vento que nunca parecia parar no topo do penhasco.
Essa foi a minha primeira impresso. Mas depois de algumas horas observando Jared e Kim, eu no conseguia ver mais nada de normal na garota.
O jeito que ele olhava pra ela! Era como um homem cego vendo o sol pela primeira vez. Como um colecionador achando um Da Vinci desconhecido, como uma me olhando
para o rosto do filho recm-nascido.
Seus olhos sonhadores me fizeram ver coisas novas sobre ela- a pele de cor ruiva dela parecia seda na luz do fogo, como a forma dos lbios dela eram uma curva dupla
perfeita, como os dentes dela eram brancos em contraste com eles, como os clios dela eram longos, varrendo suas bochechas quando ela olhava pra baixo.
As vezes a pele de Kim escurecia quando ela encontrava o olhar fascinado de Jared, e os olhos dela baixavam como se fosse por vergonha, mas ela tinha dificuldade
em manter os olhos longe dele por muito tempo.
Observando eles, eu senti que podia entender melhor o que Jacob havia me dito antes sobre a impresso -  difcil resistir a esse nvel de comprometimento e adorao.
Kim estava balanando a cabea no peito de Jared, os braos dele ao redor dela. Eu imaginei que ela devia estar bem aquecida ali.
"Est ficando tarde", eu murmurei pra Jacob.
"No comece com isso ainda" Jacob murmurou de volta - apesar de que certamente metade do crculo tinha ouvidos sensveis o bastante pra nos ouvir mesmo assim. "A
melhor parte est chegando"
"Qual  a melhor parte? Voc vai engolir uma vaca inteira?"
Jacob riu seu riso baixo, gutural. "No. Esse  o final. Ns no nos encontramos s pra comer a comida equivalente a uma semana inteira. Isso  tecnicamente uma
reunio do conselho. Essa  a primeira vez de Quil, e ele ainda no ouviu as histrias. Bem, ele havia ouvido elas, mas essa  a primeira vez que ele sabe que elas
so verdadeiras. Isso tende a fazer um cara prestar mais ateno.  a primeira vez de Kim e Seth e Leah tambm".
"Histrias?"
Jacob inclinou pra trs ao meu lado, onde eu me encostava num cume baixo da pedra. Ele passou o brao pelos meus ombros e falou ainda mais baixo no meu ouvido.
"As histrias que sempre pensamos que fossem lendas", ele disse. "As histrias de como chegamos a existir. A primeira histria sobre os espritos guerreiros".
Era quase como se Jacob estivesse sussurrando a introduo. A atmosfera mudou de repente ao redor da fogueira baixa. Paul e Embry se sentaram mais eretos. Jared
cutucou Kim e ento puxou ela gentilmente pra cima.
Emily pegou um caderno de espiral e uma caneta, parecendo exatamente com uma estudante que havia sido escolhida para uma palestra importante. Sam se virou apenas
um pouco ao lado dela - at que ele estivesse olhando na mesmo direo que o velho Quil, que estava do seu outro lado - e de repente eu me dei conta de que os ancies
do conselho no eram trs, mas quatro em nmero.
Leah Clearwater, o rosto dela ainda era uma linda mscara sem emoo, fechou os olhos- no como se ela estivesse cansada, mas como se fosse pra ajudar na concentrao.
O irmo dela se inclinou ansiosamente na direo dos ancies.
A fogueira partiu, mandando outra exploso de fascas brilhando na noite.
Billy limpou sua garganta, e, sem nenhuma outra introduo alm do sussurro dos seu filho, comeou a contar a histria com sua voz rica, profunda. As palavras fluam
com preciso, como se ele as soubesse com o corao, mas tambm com sentimento e um subto ritmo. Como uma poesia recitada pelo seu autor.
"Os Quileute tm sido poucas pessoas desde o incio", Billy disse. "E ainda somos poucas pessoas, mas ns nunca desaparecemos. Isso  porque sempre houve a mgica
em nosso sangue. No era a mgica de mudar de forma - isso veio depois. Primeiro, ns ramos espritos guerreiros".
Eu nunca havia reconhecido antes a realeza que havia na voz de Billy, apesar de que agora eu me dava conta de que a autoridade sempre esteve l.
Emily escrevia nas folhas de papel enquanto tentava acompanhar ele.
"No comeo, a tribo se assentou nesse porto e se transformaram em habilidosos construtores de barco e pescadores. Mas a tribo era pequena, e o porto era rico em
peixes. Haviam outros que desejavam as nossas terras, e ns ramos poucos pra enfrenta-los. Uma tribo maior se moveu contra ns, e ns entramos em nossos navios
pra escapar deles.
"Kaheleha no foi o primeiro esprito guerreiro, mas ns no lembramos de outras histrias que venham antes dessa. Ns no lembramos de quem foi o primeiro a descobrir
esse poder, ou como ele havia sido usado antes dessa crise. Kaheleha foi o primeiro grande Esprito Chefe na nossa histria. Nessa emergncia, Kaheleha usou a sua
magia pra defender as nossas terras.
"Ele e todos os seus guerreiros abandonaram o navio - no seus corpos, mas seus espritos. As suas mulheres cuidaram de seus corpos e das ondas,e os homens levaram
seus espritos de volta ao nosso porto.
"Eles no podiam tocar fisicamente a tribo inimiga, mas eles tinham outros meios. As histrias nos contam que eles puderam fazer um vento feroz soprar nos acampamentos
inimigos; eles podiam fazer um grande grito no vento que aterrorizou seus inimigos. As histrias tambm nos contam que os animais podiam ver os espritos guerreiros
e compreende-los; os animais os licitavam.
"Kaheleha levou o seu exrcito de espritos e criou o caos entre os intrusos. Essa tribo invasora tinha grandes bandos de ces grandes, furiosos que eles usavam
pra puxar seus trens no norte congelado. Os espritos guerreiros fizeram com que os ces se virassem contra seus mestres e trouxessem uma poderosa infestao de
morcegos das cavernas no penhascos. Eles usaram o vento gritante pra ajudar os ces a confundir os homens. Os ces e os morcegos venceram. Os sobreviventes fugiram,
dizendo que o porto era amaldioado. Os cachorros correram livres quando os espritos guerreiros os libertaram. Os Quileute retornaram pra seus corpos e suas esposas,
vitoriosos.
"As outras tribos vizinhas, os Hoh e os Makah, fizeram acordos com os Quileute. Eles no queriam nada com a nossa magia. Ns vivemos em paz com eles. Quando um inimigo
vinha contra ns, os espritos guerreiros os afastavam.
"Geraes se passaram. Ento veio o primeiro grande Esprito Chefe, Taha Aki. Ele era conhecido por sua sabedoria, e por ser um homem de paz. As pessoas viviam bem
e contentes sob seus cuidados.
"Mas haviam um homem, Utlapa, que no estava contente."
Um assobio correu pela fogueira. Eu era lenta demais pra descobrir de onde ele tinha vindo. Billy ignorou e continuou com a lenda.
"Utlapa era um dos espritos guerreiros mais fortes do Chefe Taha Aki - um homem poderoso, mas um homem ganancioso tambm. Ele achava que as pessoas deviam usar
sua magia pra expandir suas terras, escravizar os Hoh e os Makah e construir um imprio.
"Agora, quando os guerreiros se transformavam em seus espritos, eles podiam ouvir os pensamentos uns dos outros. Taha Aki viu o que Utlapa sonhava, e ficou bravo
com Utlapa. Utlapa foi ordenado a deixar o povo, e nunca usar o seu esprito de novo. Utlapa era um homem poderoso, mas os guerreiros do chefe eram um nmero que
ele. Ele no teve escolha a no ser ir embora. O furioso excludo se escondeu na floresta nas proximidades, esperando pela chance pra se vingar de seu chefe.
"Mesmo em tempo de paz, o Chefe Esprito era vigilante na proteo ao seu povo. Frequentemente ele ia para um lugar secreto, sagrado, nas montanhas. Ele deixava
o seu corpo pra trs e andava pelas florestas e pela costa, pra ter certeza de que nenhuma ameaa se aproximava.
"Um dia, quando o Chefe Taha Aki saiu pra fazer o seu trabalho, Utlapa o seguiu. No incio, Utlapa apenas planejava matar o chefe, mas seu plano tinha suas desvantagens.
Com certeza os espritos guerreiros iam procura-lo e destru-lo, e eles podiam persegui-lo mais rpido do que ele podia fugir. Enquanto ele se escondia nas rochas
o observava o chefe se preparar pra deixar seu corpo, outro plano ocorreu a ele.
"Taha Aki deixou seu corpo no local secreto e voou com os ventos pra manter a vigilncia sobre seu povo. Utlapa esperou at que ele tivesse certeza de que o chefe
havia viajado certa distncia com seu ser esprito.
"Taha Aki soube o instante em que Utlapa se juntou a ele no mundo dos espritos, e tambm soube do plano de assassinato de Utlapa. Ele correu de volta para o seu
local secreto, mas mesmo os ventos no foram rpidos o suficiente pra salva-lo. Quando ele retornou, o seu corpo j tinha ido embora. O corpo de Utlapa estava abandonado,
mas Utlapa no tinha deixado Taha Aki com uma escolha - ele havia cortado a garganta do seu prprio corpo com as mos de Taha Aki.
"Taha Aki seguiu o seu prrpio corpo pela montanha. Ele gritou com Utlapa, mas Utlapa o ignorou como se ele fosse apenas o vento.
"Taha Aki observou com desespero enquanto Utlapa pegava o seu lugar como chefe dos Quileute. Por algumas semanas, Utlapa no fez nada alm de se certificar de que
todos acreditavam que ele era Taha Aki. A as mudanas comearam - a primeira ordem de Utlapa foi que qualquer guerreiro entrasse no mundo dos espritos. Ele clamou
que tinha uma viso do perigo, mas na verdade ele estava com medo. Ele sabia que Taha Aki estaria esperando pela chance de contar a sua histria. O prprio Utlapa
estava com muito medo de entrar no mundo dos espritos, sabendo que Taha Aki rapidamente clamaria seu corpo. Ento seus sonhos de conquista com um exrcito de espritos
guerreiros era impossvel, e ele teve que se contentar em reinar sobre a tribo. Ele se tornou um fardo - procurando privilgios que Taha Aki nunca havia pedido,
se recusando a trabalhar junto dos seus guerreiros, se casando com uma segunda jovem esposa, e depois uma terceira, apesar da esposa de Taha Aki ainda viver - em
algum lugar desconhecido da tribo. Taha Aki observou furioso sem poder fazer nada.
"Eventualmente, Taha Aki tentou matar seu prprio corpo pra salvar a tribo dos desmandos de Utlapa. Ele trouxe um lobo feroz das montanhas, mas Utlapa se escondeu
atrs de seus guerreiros. Quando o lobo matou um jovem que estava protegendo seu falso chefe, Taha Aki sentiu um terrvel pesar. Ele ordenou que o lobo fosse embora.
"Todas as histrias nos contam que no eram fcil ser um esprito guerreiro. Era mais assustador do que excitante estar fora do seu prprio corpo. Era por isso que
eles s usavam sua magia em tempos de necessidade. As viagens solitrias do chefe pra manter guarda eram um fardo e um sacrifcio. Ficar sem corpo era desorientador,
desconfortvel, aterrorizante. Taha Aki esteve longe de seu corpo por tanto tempo que chegou um ponto que ele sentiu agonia. Ele sentiu que estava sentenciado -
a nunca cruzar a linha para a terra final onde todos os seus ancestrais esperavam, preso naquele nada torturante pra sempre.
"O grande lobo seguiu o esprito de Taha Aki se contorcia e se estorcia em agonia pelas florestas. O lobo era muito grande para a sua espcie, e lindo. Taha Aki
de repente ficou com inveja do animal. Pelo menos ele tinha um corpo. Pelo menos ele tinha uma vida. At a vida como um animal seria melhor do que essa horrvel
conscincia vazia.
"E a Taha Aki teve a idia que mudou todos ns. Ele pediu ao lobo que dividisse o espao com ele, pra compartilharem. O lobo permitiu. Taha Aki entrou no corpo
do lobo com alvio e gratido. No era o seu corpo humano, mas era melhor do que o buraco negro do mundo dos espritos.
"Pra comear, o homem e o lobo voltaram  vila no porto. As pessoas correram com medo, gritando pra que os guerreiros viessem. Os guerreiros correram pra encontrar
o lobo com suas lanas. Utlapa,  claro, ficou seguramente escondido.
"Taha Aki no atacou seus guerreiros. Ele se afastou lentamente deles, falando com seus olhos e tentando uivar as canes do seu povo. Os guerreiros comearam a
notar que o lobo no era um animal qualquer, que havia uma influncia espiritual nele. Um guerreiro ancio, uma homem chamado Yut, decidiu desobedecer a ordem do
falso chefe e tentar se comunicar com o lobo.
"Assim que Yut cruzou para o mundo espiritual, Taha Aki saiu do lobo - o animal esperou pacientemente pelo seu retorno - pra falar com ele. Yut compreendeu a verdade
em um instante, e deu as boas vindas ao lar a seu chefe.
"A essa hora, Utlapa veio ver se o lobo havia sido derrotado. Quando ele viu Yut cado sem vida no cho, cercado por guerreiros protetores, ele se deu conta do que
estava acontecendo. Ele pegou sua faca e correu pra matar Yut antes que ele pudesse retornar ao seu corpo.
"Traidor', ele gritou, e os guerreiros no sabiam o que fazer. O Chefe havia proibido viagens espirituais, e era a deciso do chefe como punir aqueles que desobedecessem.
"Yut pulou de volta para o seu corpo, mas Utlapa estava com a faca em seu pescoo em com uma mo em sua boca. O corpo de Taha Aki era forte, e Yut era fraco com
a idade. Yut nem sequer pde dizer uma palavra pra alertar os outros antes que Utlapa o silenciasse pra sempre.
"Taha Aki observou enquanto o esprito de Yut ia embora para as terras finais das quais Taha Aki havia sido barrado pra sempre. Ele sentiu uma grande raiva, mais
poderosa do que qualquer coisa que ele j havia sentido. Ele entrou no lobo novamente, com a inteno de rasgar a garganta de Utlapa. Mas, enquanto ele se juntava
ao lobo, uma grande mgica aconteceu.
"A raiva de Taha Aki era a raiva de um homem. O amor que ele tinha pelo seu povo e o dio que ele sentia pelo seu opressor era vasto demais para o corpo do lobo,
humano demais. O lobo estremeceu, e - ante os olhos dos guerreiros chocados e de Utlapa - ele se transformou em homem.
"O novo homem no se parecia com o corpo de Taha Aki. Ele era muito mais glorioso. Ele era uma interpretao fresca do esprito de Taha Aki. Os guerreiros reconheceram
ele imediatamente, no entanto, pois eles conheciam o esprito de Taha Aki.
"Utlapa tentou correr, mas Taha Aki tinha a fora de um lobo em seu novo corpo. Ele agarrou o ladro e arrancou o esprito dele antes que ele pudesse pular do corpo
roubado.
"As pessoas ficaram muito felizes quando se deram conta do que estava acontecendo. Taha Aki rapidamente arrumou as coisas, trabalhando novamente com o seu povo e
devolvendo as jovens esposas s suas famlias. A nica mudana que ele no desfez foi a proibio das viagens espirituais. Ele sabia que isso era muito perigoso,
agora que a idia de roubar uma vida estava por ali. Os espritos guerreiros j no existiam.
"Desse ponto em diante, Taha Aki eram mais do que apenas um lobo ou um homem. Eles chamavam ele, Taha Aki, de o Grande Lobo. Ele liderou a tribo por muitos, muitos
anos, pois ele no envelhecia. Quando o perigo ameaava, ele reassumia seu eu lobo pra lutar ou assustar o inimigo.
As pessoas viviam em paz. Taha Aki foi pai de muitos filhos, e alguns deles descobriram que, depois que eles atingiam a maturidade, eles tambm podiam se transformar
em lobos. Os lobos eram todos diferentes, porque eles eram espritos lobos e refletiam o que o homem era por dentro."
"Ento  por isso que Sam  preto", Quil murmurou por baixo do flego, sorrindo, "Corao negro, plo negro".
Eu estava to envolvida na histria, que foi um choque voltar ao presente, para o crculo ao redor do fogo morrendo. Com outro choque, eu me dei conta de que o crculo
j feito dos netos - no importava em que graus - de Taha Aki.
O fogo jogou uma salva de fascas para o cu, e elas tremeram e danaram, fazendo formas que eram quase indecifrveis.
"E o seu plo cor de chocolate reflete o que?" Sam sussurrou de volta pra Quil. "O quanto voc  doce?"
Billy ignorou as piadas deles. "Alguns dos filhos se tornaram guerreiros com Taha Aki, e no mais envelheceram. Os outros, que no gostaram da transformao, se
recusaram a se juntar ao bando de homens lobos. Esses comearam a envelhecer novamente, e a tribo descobriu que os homens lobo podiam envelhecer como qualquer outra
pessoa, se desistissem de seus espritos guerreiros. Taha Aki viveu o tempo de vida de trs homens. Ele havia se casado com uma terceira esposa depois da morte das
duas primeiras, e encontrou nela a sua verdadeira esposa espiritual. Apesar dele ter amado as outras, essa era algo mais. Ele decidiu desistir de seu esprito lobo
pra morrer quando ela morreu.
"Foi assim que a mgica veio at ns, mas esse no  o fim da histria..."
Ele olhou pra o Velho Quil Atearra, que mudou de posio em sua cadeira, ajeitando seus ombros frgeis. Billy deu um gole numa garrafa de gua e enxugou sua testa.
A caneta de Emily nunca hesitava enquanto ela escrevia furiosamente no papel.
"Essa foi a histria dos espritos guerreiros", o Velho Quil comeou num voz de tenor. "Essa  a histria do sacrifcio da terceira esposa."
"Muitos anos depois de Taha Aki ter desistido de seu esprito lobo, quando ele j era um homem velho, um problema comeou ao norte, com os Makah. Vrias mulheres
jovens da tribo deles havia desaparecido, e eles colocaram a culpa nos lobos das redondezas, a quem eles temiam e desconfiavam. Os homens-lobo ainda podiam ouvir
os pensamentos uns dos outros enquanto em sua forma de lobo, assim como seus ancestrais haviam feito enquanto estavam na forma de espritos. Eles sabiam que nenhum
em seu grupo era o culpado. Taha Aki tentou pacificar o chefe de Makah, mas havia medo demais. Taha Aki no queria ter uma guerra em suas mos. Ele j no era um
guerreiro pra liderar seu povo. Ele encarregou seu filho lobo mais velho, Taha Wi, de encontrar o verdadeiro culpado antes que as hostilidades comeassem.
"Taha Wi liderou os outro cinco lobos em seu bando em uma procura pelas montanhas, procurando por alguma evidncia sobre o desaparecimento das Makah. Eles se depararam
com uma coisa que eles nunca haviam visto antes - um cheiro doce, estranho na floresta que queimava seus narizes a ponto de doer."
Eu fui um pouco mais pro lado de Jacob. Eu v o canto da sua boca vibrar com o humor, e o brao dele se apertou ao meu redor.
"Eles no sabiam que criatura podia ter deixado aquele cheiro, mas eles o seguiram", O Velho Quil continuou. Sua voz tremendo no era to majestosa como a de Billy,
mas havia um stranho tom de urgncia penetrante nela. O meu pulso acelerou quando as palavras saram mais rpidas.
"Eles acharam traos fracos de cheiro humano, e de sangue humano, pela trilha. Eles estavam certos de que esse era o inimigo que eles estavam procurando.
"A jornada deles os levou pra to longe ao norte que Taha Wi mandou metade do bando, os mais novos, devolta pra o porto pra avisar Taha Aki.
"Taha Wi e seus dois irmos no retornaram.
"Os irmos mais novos procuraram pelos seus ancestrais, mas s encontraram silncio. Taha Aki lamentou por seus filhos. Ele desejava vingar a morte dos filhos, mas
ele j era velho."
"Eles foi ao chefe de Makah ainda com as roupas da manh e o contou o que havia acontecido. O chefe de Makah acreditou em seu pesar, e as tenses acabaram entre
as tribos.
"Um ano depois, duas donzelas de Makah desapareceram de suas casas na mesma noite. Os Makah chamaram os lobos Quileute imediatamente, que encontraram o mesmo fedor
doce em todo lugar no vilarejo dos Makah. Os lobos foram caar de novo.
"Apenas um retornou. Ele era Yaha Uta, o filho mais velho da terceira esposa de Taha Aki, e o mais novo no bando. Ele trouxe algo consigo que nunca havia sido antes
pelos Quileute - um cadver estranho, frio de pedra, que ele carregava aos pedaos. Todos aqueles que tinham o sangue de Taha Aki, at mesmo aqueles que no eram
lobos, podiam sentir o cheiro forte da criatura morta. Esse era o inimigo dos Makah.
"Yaha Uta descreveu o que havia acontecido: ele e seus irmos haviam encontrado a criatura, que se parecia com um homem mas era duro como um pedra de granito, com
duas filhas de Makah. Uma garota ja estava morta, branca e sem sangue no cho. A outra estava nos braos da criatura, a boca dele em seu pescoo. Ela podia estar
viva quando eles chegaram na cena odiosa, mas a criatura rapidamente quebrou seu pescoo e jogou seu corpo sem vida no cho enquanto eles se aproximavam. Seus lbios
brancos estavam cobertos com o sangue dela, e seus olhos brilhavam vermelhos.
"Yaha Uta descreveu a fora feroz e a velocidade da criatura. Um de seus irmos rapidamente se tornou uma vtima quando subestimou aquela fora. A criatura o partiu
como se fosse um boneco. Yaha Uta e seus irmos foram mais cautelosos. Eles trabalharam juntos, chegando nas criaturas pelos seus lados, manobrando-a. Eles tiveram
que atingir o limite de sua fora e de sua velocidade de lobo, coisa que eles jamais haviam testado antes. A criatura era dura como pedra e fria como gelo. Eles
descobriram que seus dentes podiam machuc-lo. Eles comearam a rasgar a criatura em pequenos pedaos enquanto lutavam com ela.
"Mas a criatura aprendeu com velocidade, a logo estava compativel com as manobras deles. Ele ps as mos no irmo de Yaha Uta. Yaha Uta encontrou uma abertura em
seu pescoo, e atacou. Os dentes dele arrancaram a cabea da criatura, mas as mos continuaram apertando o seu irmo.
"Yaha Uta rasgou a criatura em pedaos irreconhecveis, rasgando os pedaos numa tentativa desesperada de salvar seu irmo. Ele estava atrasado, mas, no final, a
criatura foi destruda.
"Ou assim eles pensaram. Yaha Uta espalhou os pedaos para os ancies examinarem. Uma mo destroada estava ao lado de um pedao do brao de granito da criatura.
Dois pedaos se tocaram quando os ancies os uniram com pontos, e a mo foi em direo ao brao, tentanto se unir novamente.
"Aterrorizados, os ancies tocaram fogo no que restou. Uma grande nuvem de fumaa forte, vil, poluiu o ar. Quando ja no haviam nada alm das cinzas, eles separeram
as cinzas em pequenos sacos e os separou a grandes espaos uns dos outros - uns no oceano, alguns na floresta, alguns nas cavernas dos penhascos. Taha Aki usava
um dos saquinhos em seu pescoo, pra que ele pudesse ser avisado se um dia a criatura tentasse se juntar de novo".
O Velho Quil pausou e olhou pra Billy. Billy puxou uma fita de couro do seu pescoo. Preso na ponta havia um velho saquinho, escurecido com o tempo. Algumas pessoas
ofegaram. Eu posso ter sido uma delas.
"Eles o chamaram de O Frio, O Bebedor de Sangue, e viveram com medo de que ele no estivesse sozinho. Eles s tinham mais um lobo protetor, o jovem Yaha Uta.
"Eles no tiveram que esperar muito. A criatura tinha uma parceira, outra bebedora de sangue, que veio at os Quileute em busca de vingana.
"As histrias dizem que A Mulher Fria era a coisa mais linda que os olhos humanos j haviam visto. Ela parecia com a deusa do alvorecer quando entrou na vila naquela
manh; o sol estava brilhando pelo menos dessa vez, e ele cintilava na pele branca dela e iluminava seu cabelo loiro que chegava nos joelhos."
"O rosto dela era mgico em sua beleza, os olhos eram pretos em seu rosto. Alguns caram de joelhos pra ador-la.
"Ele perguntou alguma coisa em uma voz alta, penetrante, em uma linguagem que ningum nunca tinha ouvido. As pessoas ficaram abobalhadas, sem saber o que diz-las.
No havia ningum com o sangue de Taha Aki entre as testemunhas a no ser um garotinho. Ele se apertou a sua me e gritou que o cheiro estava machucando o nariz
dele. Um dos ancies, que estava a caminho do conselho, ouviu o garoto e se deu conta do que havia chegado pra eles. Ele gritou pra que as pessoas corressem. Ela
o matou primeiro.
"Haviam vinte testemunhas da chegada da Mulher Fria. Dois sobreviveram, apenas porque ela ficou destrada com o sangue, e parou pra saciar sua sede. Eles correram
pra Taha Aki, que estava no conselho com os outros ancies, seus filhos, e sua terceira esposa.
"Yaha Uta se transformou em seu esprito lobo assim que ele ouviu as notcias. Ele foi sozinho combater a bebedora de sangue. Taha Aki, e sua terceira esposa, e
seus ancies seguiram ele.
"No inicio eles no conseguiram encontrar a criatura, s as evidncias de seu ataque. Corpos estavam quebrados, alguns completamente sem sangue, espalhados pela
estrada por onde ela havia aparecido. A eles ouviram os gritos e correram para o porto.
"Vrios Quileute haviam corrido para os navios para se refugiarem. Ela nadou atrs deles como um tubaro, e quebrou o casco do navio deles com sua incrvel fora.
Quando o navio afundou, ela agarrou aqueles que tentaram fugir a nado, e quebrou eles tambm.
"Ela viu o grande lobo na costa, e esqueceu dos nadadores flutuando. Ela nadou to rpido que se transformou num vulto, pingando e gloriosa, ela veio ficar de p
na frente de Yaha Uta. Ela apontou para ele uma vez com seu dedo branco e fez outra pergunta incompreensvel. Yaha Uta esperou.
"Foi uma luta apertada. Ela no era to boa lutadora quanto o seu parceiro havia sido. Mas Yaha Uta estava sozinho - no havia ningum pra distra-la da fria com
ele.
"Quando Yaha Uta perdeu, Taha Aki gritou em desafio. Ele tropeou para a frente e se transformou em um lobo ansio, com plo branco. O lobo era velho, mas esse era
o Esprito Homem de Taha Aki, e sua raiva o tornou forte. A luta recomeou.
"A terceira esposa de Taha Aki havia acabado de ver seu filho morrer diante de seus olhos. Agora o seu marido lutava, e ela no tinha esperanas de que ele pudesse
vencer. Ela havia ouvido cada palavra que a vtima havia dito no conselho. Ela havia ouvido a histria da primeira vitria de Yaha Uta, e ela sabia que a distrao
de seus irmos haviam salvado ele.
"A terceira pegou uma faca do cinto de um dos filhos que estava ao seu lado. Eles eram todos filhos jovens, ainda no eram homens, e ela sabia que eles morreriam
quando o seu marido falhasse.
"A terceira esposa correu em direo  Mulher Fria com a adaga erguida. A Mulher Fria sorriu, pouco destrada da sua luta com o lobo velho. Ela no tinha medo de
uma mulher humana fraca e nem da faca que no causaria nenhum arranho em sua pele, e ela estava prestes a dar o golpe de misericrdia em Taha Aki.
"E a, a terceira esposa fez algo que A Mulher Fria no estava esperando. Ela caiu de joelhos aos ps da bebedora de sangue e enfiou a faca em seu prprio corao.
"O sangue escorreu pelos dedos da terceira esposa e espirrou na Mulher Fria. A bebedora de sangue no pde resistir  luxuria do sangue fresco que estava deixando
o corpo da terceira esposa. Instintivamente, ela se virou para a mulher que estava morrendo, por um segundo inteiramente consumida pelo sangue.
"Os dentes de Taha Aki se fecharam no pescoo dela.
"Aquele no foi o fim da batalha, mas agora, Taha Aki no estava mais sozinho. Vendo a me deles morrer, dois filhos mais novos sentiram tanta raiva que se lanaram
para a frente como seus espritos lobos, apesar de ainda no serem homens. Com seu pai, eles exterminaram a criatura.
"Taha Aki nunca se reuniu  tribo. Ele nunca se transformou em homem de novo."
"Ele deitou por um dia ao lado do corpo da terceira esposa, rosnando toda vez que algum tentava encostar nela, e a ele foi para a floresta e nunca mais retornou.
"Problemas com os frios eram raros e aconteciam de vez em quando. Os filhos de Taha Aki guardaram a tribo at que seus filhos fossem velhos o suficiente pra ficarem
em seu lugar. Nunca houveram mais de trs lobos de cada vez. Era o suficiente. Ocasionalmente um bebedor de sangue aparecia por essas terras, mas eles eram pegos
de surpresa, sem esperar os lobos. De vez em quando um lobo morria, mas eles nunca foram dezimados de novo como da primeira vez. Eles haviam aprendido como lutar
com os frios, e eles passaram o conhecimento de lobo pra lobo, de mente de lobo pra mente de lobo, de esprito pra esprito, de pai pra filho.
"O tempo passou, e os descendentes de Taha Aki j no se transformavam mais em lobos quando atingiam a idade adulta. S muito raramente, se um frio estava por perto,
os lobos retornavam, e o bando continuava pequeno.
"Um grupo maior chegou, e os seus prprios bisavs se prepararam pra lutar contra eles. Mas o lder falou com Ephraim Black como se fosse um homem, e prometeu no
machucar os Quileute. Os seus estranhos olhos amarelos davam alguma espcie de prova do que ele dizia sobre eles no serem iguais aos outros bebedores de sangue.
Os lobisomens estavam em menor nmero; no havia necessidade dos frio pedirem um acordo sendo que eles podiam ter vencido a batalha. Ephraim aceitou. Eles cumpriram
com a sua parte, apesar de que a presena deles tendia a puxar outros.
"E o nmero deles forou o bando a atingir um nmero que a tribo nunca havia visto", o Velho Quil disse, e por um momento em seus olhos pretos, afundados nas rugas
e na pele dobrada ao redor deles, pareceram parar em mim. "Exceto,  claro, no tempo de Taha Aki", ele disse, e ento suspirou. "E ento os filhos da nossa tribo
carregam novamente o fardo e dividem o sacrifcio que seus pais suportaram antes deles".
Tudo ficou em silncio por um longo momento. Os descendentes vivos da magia e das lendas olharam uns para os outros atravs do fogo com tristeza nos olhos. Todos
menos um.
"Fardo", ele zombou em uma voz baixa. "Eu acho que  legal", o lbio inferior de Quil ficou um pouco pra fora.
Do outro lado do fogo que estava morrendo, Seth Clearwater - seus olhos estavam arregalados de adulao pela fraternidade dos irmos protetores da tribo - balanou
a cabea concordando.
Billy gargalhou, baixa e longamente, e a mgica pareceu desaparecer nas brasas brilhantes. De repente, era apenas um crculo de amigos de novo. Jared jogou uma pedra
pequena em Quil, e todo mundo sorriu quando isso fez ele pular. Conversas baixas murmuravam ao nosso redor, zombeteiras e casuais.
Os olhos de Leah Clearwater no se abriram. Eu achei ter visto alguma coisa como uma lgrima brilhando na bochecha dela, mas quando eu olhei de volta um momento
depois j no estava mais l.
Nem Jacob nem eu falamos. Ele estava to imvel ao meu lado, a respirao dele to profunda e uniforme, que eu pensei que ele devia estar perto de dormir.
A minha mente estava h um milho de anos de distncia. Eu no estava pensando em Yaha Uta ou em outros lobos, ou na linda Mulher Fria - eu podia imaginar ela bem
demais. No, eu estava pensando em algum de fora de toda essa magia. Eu estava tentando o rosto da mulher sem nome que havia salvado a tribo inteira, a terceira
esposa.
S uma mulher humana, sem nenhum dom ou poder especial. Fisicamente mais fraca e lenta do que qualquer dos outros monstros na histria. Mas ela havia sido a chave,
a soluo. Ela havia salvado seu marido, seus filhos, a tribo inteira.
Eu queria que eles lembrassem do nome dela...
Alguma coisa balanou meu brao.
"Vamos, Bells", Jacob disse. "Estamos aqui".
Eu pisquei, confusa porque o fogo parecia ter desaparecido. Eu olhei para a inexperada escurido, tentando entender as minhas redondezas. Eu levei um minuto pra
me dar conta que eu j no estava mais no penhasco.
Eu ainda estava nos braos dele, mas no estava mais no cho.
Como  que eu cheguei no carro de Jacob?
"Oh, droga!", eu sufoquei enquanto me dava conta de que havia pego no sono. "Que horas so? Droga, onde est aquele telefone estpido?" eu tateei meus bolsos, frentica,
e encontrando eles vazios.
"Fcil. Ainda no  nem meia noite. E eu j liguei pra ele por voc. Olhe - ele est esperando al".
"Meia noite?" eu respond estupidamente, ainda desorientada. Eu olhei para a escurido, e as batidas do meu corao aceleraram quando os meus olhos encontraram as
formas do Volvo, a trinta metros de distncia. Eu encontrei a maaneta da porta.
"Aqui", Jacob disse, e colocou um coisa pequena na minha mo. O telefone.
"Voc ligou pra Edward por mim?"
Os meus olhos estavam ajustados o suficiente pra ver o brilho cintilante do sorriso de Jacob. "Eu achei que se bancasse o bonzinho, eu teria mais tempo com voc".
"Obrigada, Jake", eu disse, tocada. "Mesmo, obrigada. E obrigada por me convidar essa noite. Aquilo foi... "As palavras me faltaram. "Uau. Aquilo foi algo mais".
"E voc nem sequer ficou acordada pra me ver engolir uma vaca". Ele riu. "No. Eu estou feliz por voc ter gostado. Foi... legal pra mim. Ter voc aqui".
Houve um movimento  distncia na escurido - alguma coisa plida estava flutuando entre as rvores. Vagando?
", ele no  to paciente, ?" Jacob disse, reparando na minha distrao. "V em frente. Mas volte logo, t legal?"
"Claro, Jake", eu promet, abrindo a porta. O ar frio bateu nas minhas pernas e me fez estremecer.
"Durma bem, Bells. No se preocupe com nada - eu vou estar te observando essa noite".
Eu pausei, um p no cho. "No, Jake. Descance um pouco, eu vou estar bem".
"Claro, claro", mas ele parecia mais estar aceitando do que concordando.
"Boa noite, Jake. Obrigada"
"Boa noite, Bella", ele sussurrou enquanto eu corria para a escurido.
Edward me pegou na linha da fronteira.
"Bella", ele disse, o alvio estava forte na voz dele; seus braos fortemente ao meu redor.
"Oi. Desculpa por eu ter me atrasado. Eu ca no sono e -"
"Eu sei. Jacob explicou". Ele comeou a ir na direo do carro, e eu tropecei cambaleante ao lado dele. "Voc est cansada? Eu podia te carregar".
"Eu estou bem".
"Voc te levar pra casa e te colocar na cama. Voc se divertiu?"
"Sim - foi incrvel, Edward. Eu queria que voc tivesse vindo. Eu nem posso explicar. O pai de Jake nos contou algumas histrias e elas eram como... como magia."
"Voc vai ter que me contar. Depois que voc dormir".
"Eu no vou contar direito", eu disse, e a bocejei enormemente.
Edward gargalhou. Ele abriu a minha porta pra mim, me levantou me colocando l dentro, e prendeu o cinto de segurana ao meu redor.
Luzes claras brilharam e bateram em ns. Eu acenei na direo dos faris de Jacob, mas eu no sabia de ele tinha visto o gesto.
Naquela noite - depois que eu passei por Charlie que no me deu tantos problemas quanto eu esperava porque Jacob havia ligado pra ele tambm - ao invs de colidir
na cama imediatamente, eu me inclinei pra abrir a janela enquanto eu esperava que Edward voltasse. A noite estava surpreendentemente fria, quase invernal. Eu no
tinha reparado nisso nos penhascos; eu imaginei que isso tinha menos a ver com a fogueira e mais a ver com o fato de estar sentada ao lado de Jacob.
Pedacinhos de gelos se espalharam pelo meu rosto quando a chuva comeou.
Estava escuro demais pra ver alguma coisa alm dos tringulos das samambaias se inclinando e balanando com o vento. Mas eu forcei os meus olhos mesmo assim, procurando
por outras formas na tempestade. Uma silhueta plida, se movendo feito um fantasma pela escurido... ou talvez as linhas sombradas de um enorme lobo... Os meus olhos
estava fracos demais.
Ento, houve um movimento na noite, bem ao meu lado. Edward entrou pela minha janela aberta, suas mos mais frias que a chuva.
"Jacob est l fora?", eu perguntei, tremendo enquanto Edward me puxava para o crculo dos seus braos.
"Sim... em algum lugar. E Esme est indo pra casa".
Eu suspirei. "Est to frio e molhado. Isso  bobagem". Eu trem de novo.
Ele gargalhou. "S est frio pra voc, Bella"
Estava frio nos meus sonhos tambm, talvez porque eu tenha dormido nos braos de Edward. Mas eu sonhei que estava l fora na tempestade, o vento fazendo o meu cabelo
bater em meu rosto e cegando os meus olhos. Eu estava na roche crescente da praia, tentando entender os movimentos das formas rpidas que eu mal podia enxergar direito
na escurido da beira da costa. Primeiro, no havia nada alm de um flash de branco e preto, indo na direo um do outro e danando pra longe. E ento, quando a
lua repentinamente apareceu entre as nuvens, eu pude ver tudo.
Rosalie, com seus cabelos molhados se movimentando e dourados, na altura do joelho, estava se jogando na direo em um lobo enorme - os dentes dele brilhavam prateados
- que eu reconhec como sendo Billy Black.
Eu comecei a correr, mas me encontrei me movendo frustramentemente devagar no sonho. Eu tentei gritar pra eles, dizer que eles paressem, mas a minha voz era roubada
pelo vento, e eu no conseguia fazer um som. Eu balancei os braos, esprando chamar a ateno deles. Alguma coisa brilhou na minha mo, e eu reparei pela primeira
vez que a minha mo no estava vazia.
Eu estava segurando uma longa lmina, velha e prateada, suja com sangue seco e empretecido.
Eu me afastei da faca, e os meus olhos se abriram na escurido do quarto. A primeira coisa que eu reparei foi que eu no estava sozinha, e eu virei meu rosto pra
enterr-lo no peito de Edward, sabendo que o doce cheiro da pele dele afastaria o pesadelo com mais eficcia do que qualquer outra coisa.
"Eu te acordei?", ele sussurrou. Houve o som de papeis, pginas virando, e um fraco thump quando alguma coisa leve caiu no cho de madeira.
"No", eu murmurei, suspirando de contentamento quando os braos dele me apertaram. "Eu tive um pesadelo".
"Voc no quer me contar sobre ele?"
Eu balancei minha cabea. "Cansada demais. Talvez de manh, se eu lembrar".
Eu sent um riso silencioso balanar ele.
"De manh", ele concordou.
"O que voc estava lendo?", eu murmurei, no completamente acordada.
"O Morro dos Ventos Uivantes", ele disse.
Eu fiz uma careta sonolenta. "Eu pensei que voc no gostasse desse livro".
"Voc me fez mudar de idia", ele murmurou, sua voz suave me lanando para a inconsciencia. "Alm do mais... quanto mais tempo eu passo com voc, mais emoes humanas
se tornam compreensveis pra mim. Eu estou descobrindo que sinto simpatia por Heathcliff de maneiras que eu no julgava possveis antes".
"Mmm", eu suspirei.
Ele disse mais alguma coisa, alguma coisa baixa, mas eu j tinha adormecido.
A manh seguinte acordou cinzenta e perolada. Edward me perguntou sobre o meu sonho, mas eu no consegu lembrar dele. Eu s me lembrei que estava frio, e que fiquei
feliz quando acordei porque ele estava l. Ele me beijou, por tempo suficiente pra acelerar o meu pulso, e depois foi pra casa pra trocar de roupa de pegar seu carro.
Eu me vest rapidamente, com poucas opes. Quem quer que tenha pego as minhas coisas havia diminuido o meu guarda-roupa criticamente. Se isso no fosse assutador,
seria seriamente incmodo.
Quando estava prestes a descer pra o caf da manh, eu v a minha cpia j gasta de O Morro dos Ventos Uivantes cada no cho onde Edward havia derrubado ela na
noite passada, deixando a capa envelhecida do jeito que eu sempre deixava.
Eu o peguei com curiosidade, tentando lembrar do que ele havia dito. Algo sobre estar sentindo simpatia por Heathcliff, entre todas as pessoas. Isso no podia estar
certo; eu devo ter sonhado com essa parte.
As palavras na pgina aberta me chamaram a ateno, e eu me inclinei pra ler o pargrafo mais de perto. Era Heathcliff falando, e eu conhecia bem aquela passagem.
E a voc v a distino entre os nossos sentimentos: se ele estivesse no meu lugar e eu no dele, apesar de eu odi-lo com um dio que esfolou a minha vida, eu jamais
teria erguido a mo contra ele. Voc pode no acreditar, se assim o desejar! Eu jamais o teria banido da sociedade dela enquanto ela desejasse a dele. No momento
em que a considerao dela tivesse cessado, eu teria arrancado o corao dele fora, e bebido seu sangue! Mas, at l - se voc no me acredita, no me conhece -
at l, eu teria morrido a poucos centmetros antes de tocar um fio sequer da cabea dele!
As trs palavras que me chamaram a ateno foram "Bebido seu sangue".
Eu estremec.
Sim, eu certamente havia sonhado com Edward dizendo alguma coisa positiva sobre Heathcliff. E essa pgina provavelmente no era a que ele estava lendo. O livro devia
ter cado aberto em qualquer pgina.

11. Tempo
"Eu tinha previsto...", Alice comeou num tom ominoso.
Edward jogou o cotovelo nas costelas dela, que ela desviou por pouco.
"T", ela rosnou. "Edward est me fazendo fazer isso. Mas eu prev que seria mais difcil se eu surpreendesse voc".
Ns estvamos caminhando para o carro depois da escola, e eu no tinha a mnima idia do que ela estava falando.
"Em Ingls?", eu quis saber.
"No seja um beb sobre isso. Nada de acessos de raiva".
"Ento voc - quer dizer, ns - vamos ter uma festa de formatura. No  nada grande. Nada com o que se preocupar. Mas eu v que voc ia enlouquecer se eu tentasse
fazer uma festa surpresa" - ela danou fora do caminho quando Edward se aproximou pra bagunar o cabelo dela - "e Edward disse que eu tinha que te contar. Mas no
 nada. Prometo."
Eu suspirei com fora. "Existe alguma necessidade de discusso?".
"Absolutamente no".
"Est bem, Alice. Eu estarei l. E eu vou odiar cada minuto dela. Prometo".
"Esse  o esprito! Alis, eu adorei o meu presente. No precisava".
"Alice, eu no dei!"
"Oh, eu sei disso. Mas voc vai".
Eu revirei o meu crebro, tentando lembrar do que eu havia decidido dar pra ela como presente de formatura que ela pudesse ter visto.
"Incrvel", Edward murmurou. "Como  que algum to pequeno pode ser to irritante?"
Alice riu. " um talento".
"Ser que voc no podia ter esperado umas semanas pra me contar sobre isso?", eu perguntei petulantemente. "Agora eu vou ficar estressada com isso por muito mais
tempo".
Alice fez uma careta pra mim.
"Bella", ela disse pra mim. "Voc sabe que dia  hoje?"
"Segunda?"
Ela revirou os olhos. "Sim.  Segunda... dia quatro". Ela puxou meu cotovelo, me virou, e apontou para um grande pster amarelo pregado na porta do ginsio. L,
em letras pretas pontudas, estava o dia da formatura. A exatamente uma semana de hoje.
"Dia quatro? De Junho? Voc tem certeza?"
Nenhum dos dois respondeu.
Alice apenas balanou a cabea tristemente, fingindo estar desapontada, e as sobrancelhas de Edward se ergueram.
"No pode ser! Como foi que isso aconteceu?" Eu tentei fazer as contas na minha cabea, mas eu no conseguia descobrir pra onde os dias haviam ido.
Eu sent como se algum tivesse chutado as minhas pernas de baixo de mim. As semanas de estresse, de preocupao... de alguma forma, no meio de toda a minha obcesso
com o tempo, o tempo tinha desaparecido. O meu espao pra resolver tudo, pra fazer planos, havia desaparecido. Eu estava sem tempo.
E eu no estava preparada.
Eu no sabia como fazer isso. Como dizer adeus  Charlie e  Rene... pra Jacob... a ser humana.
Eu sabia exatamente o que eu queria, mas de repente eu estava morrendo de medo de pegar.
Em teoria, eu estava ansiosa, e at apressada pra trocar a mortalidade pela imortalidade. Afinal, ela era a chave pra ficar com Edward pra sempre. E a havia o fato
de que eu estava sendo caada por inimigos conhecidos e desconhecidos. Eu preferiria no ficar sentada, desamparada e deliciosa, esperando que eles viessem me encontrar.
Em teoria, isso tudo fazia sentido.
Na prtica... ser humana era tudo o que eu conhecia. O futuro alm disso era um grande abismo escuro que eu no podia conhecer at me jogar nele.
O simples conhecimento, a data de hoje - que era to bvia que eu devia estar repreendendo-a subconscientemente - fez com que o prazo final pelo qual eu estive esperando
to impacientemente, parecesse um encontro com um esquadro de tiro.
De uma maneira vaga, eu estava consciente de Edward segurando a porta aberta do carro pra mim, de Alice tagarelando no banco de trs, da chuva batendo no pra-brisa.
Edward pareceu reparar que eu s estava l em corpo; ele no tentou me tirar da minha abstrao. Ou talvez ele tentou, e eu no reparei.
Ns acabamos em minha casa, onde Edward me levou at o sof e me puxou pra baixo com ele. Eu olhei pela janela, para a nvoa cinza lquida, e tentei descobrir pra
onde a minha resoluo havia ido.
Porque eu estava entrando em pnico agora? Eu sabia que o prazo estava acabando. Porque devia me assustar que ele j estivesse aqui?
Eu no sei por quanto tempo ele me deixou olhar para a janela em silncio. Mas a chuva j estava desaparecendo na escurido quando foi demais pra ele.
Ele colocou suas mos frias em ambos os lados do meu rosto e fixou seus olhos dourados em mim.
"Ser que voc poderia por favor me dizer o que voc est pensando? Antes que eu fique louco?"
O que eu podia dizer pra ele? Que eu era covarde? Eu procurei pelas palavras.
"Seus lbios esto brancos. Fale, Bella"
Eu exalei em uma grande rajada. Por quanto tempo eu estive prendendo a respirao?
"A data me pegou fora de guarda", eu sussurrei. "Isso  tudo".
Ele esperou, seu rosto cheio de preocupao e ceticismo.
Eu tentei explicar. "Eu no tenho certeza... do que dizer  Charlie... o que dizer... como dizer..." A minha voz escapou.
"Isso no  por causa da festa?"
Eu fiz uma careta. "No. Mas obrigada por me lembrar".
A chuva estava mais alta enquanto ele leu o meu rosto.
"Voc no est pronta", ele sussurrou.
"Eu estou", eu ment imediatamente, uma reao de reflexo. Eu pude notar que ele viu isso, ento eu respirei fundo, e contei a verdade. "Eu tenho que estar".
"Voc no tem que estar nada".
Eu podia sentir o pnico surgindo em meus olhos enquanto eu falava as razes. "Victoria, Jane, Caius, quem quer que fosse que estava no meu quarto...!"
"Muito mais razes pra esperar".
"Isso no faz sentido, Edward!"
Ele pressionou as mos com mais fora no meu rosto e falou deliberadamente devagar.
"Bella. Nenhum de ns teve a escolha. Voc viu o que isso fez... com Rosalie, especialmente. Ns todos lutamos, tentando reconciliar a ns mesmos por uma coisa sobre
a qual nunca tivemos controle. No ser assim pra voc. Voc vai ter uma escolha".
"Eu j fiz a minha escolha".
"Voc no vai passar por isso porque tem um espada erguida sobre a sua cabea. Ns vamos tomar conta dos problemas, e eu vou tomar conta de voc", ele prometeu.
"Quando no estivrmos passando por isso, no houver nada forando a sua deciso, ai voc pode decidir se unir  mim, se voc ainda quiser. Mas no porque voc est
com medo. Voc no ser forada a isso".
"Carlisle prometeu", eu murmurei, contrariando s pelo hbito. "Depois da formatura".
"No at que voc esteja pronta", ele disse com uma voz segura. "E definitivamente no enquanto voc se sentir ameaada".
Eu no respond. Eu no conseguia encontrar nada pra discutir; no momento eu no parecia encontrar o meu comprometimento.
"Ai", ele beijou a minha testa. "Nada com o que se preocupar".
Eu r um riso estremecido. "Nada alm da distruio iminente."
"Confie em mim".
"Eu confio".
Ele ainda estava observando o meu rosto, esperando que eu relaxasse.
"Posso te perguntar uma coisa?", eu disse.
"Qualquer coisa".
Eu hesitei, mordendo o meu lbio, e a fiz uma pergunta diferente daquela que estava me preocupando.
"O que eu vou dar  Alice como presente de formatura?"
Ele riu silenciosamente. "Parecia que voc ia dar a ns dois ingressos para um show-"
"Isso mesmo!" eu estava to aliviada que quase sorr. "O show em Tacoma. Eu v o anncio em um jornal na semana passada, e eu pensei que seria uma coisa que voc
gostaria, j que voc disse que o CD era bom".
" uma tima idia. Obrigado".
"Eu espero que j no esteja lotado".
" o pensamento que conta. Eu bem sei".
Eu suspirei.
"Tem outra coisa que voc est querendo perguntar", ele disse.
Eu fiz uma careta. "Voc  bom".
"Eu tenho bastante prtica em ler o seu rosto. Me pergunte".
Eu fechei os olhos e me inclinei pra ele, escondendo o meu rosto no peito dele. "Voc no quer que eu seja vampira".
"No, eu no quero.", ele disse suavemente. "Isso no  uma pergunta", ele testou depois de um momento.
"Bem... eu estava me preocupando com... porque voc se sente assim".
"Se preocupando?" Ele escolheu as palavras com surpresa.
"Voc pode me dizer porque? Toda a verdade, sem poupar meus sentimentos?"
Ele hesitou um momento. "Se eu vou responder a sua pergunta, voc vai me explicar a sua pergunta?"
Eu balancei a cabea, o meu rosto ainda escondido.
Ele respirou fundo antes de responder. "Voc podia fazer coisa muito melhor, Bella. Eu sei que vocacredita que eu tenho uma alma, mas eu no estou inteiramente
convencido nesse aspecto, e isso te arrisca..." Ele balanou a cabea lentamente. "Pra que eu permita isso - deixar que voc se torne o que eu sou s pra que eu
nunca tenha que te perder -  o ato mais egosta que eu posso imaginar. Eu quero isso mais do que qualquer outra coisa, por mim mesmo. Mas pra voc, eu quero to
mais. Permitir isso - parece um crime.  a coisa mais egosta que eu jamais terei que fazer, mesmo se eu viver pra sempre.
"Se houvesse uma forma de eu me transformar em humano pra voc - no importa qual fosse o preo, eu pagaria".
Eu me sentei muito rgida, absolvendo isso.
Edward pensava que ele estava sendo egosta.
Eu sent o sorriso cruzar lentamente pelo meu rosto.
"Ento... no  porque voc est com medo de... no gostar tanto de mim quando eu for diferente - quando eu no for mais macia e quente e quando no tiver o mesmo
cheiro? Voc realmente me quer, no importa no que eu me transforme?"
Ele exalou agudamente. "Voc estava preocupada que eu no fosse gostar de voc?" ele quis saber. Ento, antes que eu pudesse responder, ele estava rindo. "Bella,
pra uma pessoa to intuitiva, voc consegue ser to obtusa!"
Eu sabia que ele pensava que era bobagem, mas eu estava aliviada. Se ele realmente me queria, eu podia passar pelo resto... de alguma forma. Egosta, de repente
pareceu ser uma palavra linda.
"Eu no acho que voc se d conta do quo mais fcil isso ser pra mim, Bella", ele disse, o eco do seu humor ainda estava em sua voz. "quando eu no tiver mais
que me concentrar o tempo todo em te matar. Crtemente, havero coisas das quais eu sentirei falta. Isso pra comear..."
Ele me olhou nos olhos enquanto alisava a minha bochecha, e eu sent o sangue correr e colorir o meu rosto. Ele riu gentilmente.
"E o som do seu corao", ele continuou, mais srio, mas ainda sorrindo um pouco. " o som mais significante no mundo. Eu estou to conectado a ele agora, que eu
juro que poderia identific-lo  milhas de distncia. Mas nenhum dessas coisas importa. Isso", ele disse pegando o meu rosto nas mos. "Voc.  isso que eu vou guardar.
Voc sempre ser a minha Bella, s que voc s ser um pouco mais durvel".
Eu suspirei e deixei os meus olhos se fecharem de contentamento, descansando nas mos dele.
"Agora, voc vai responder uma pergunta pra mim? A verdade, sem poupar os meus sentimentos?" ele perguntou.
" claro", eu respond imediatamente, meus olhos se abrindo com a surpresa.
Ele falou as palavras lentamente. "Voc no quer ser minha esposa".
O meu corao parou e depois comeou a saltar. Um suor frio se acumulou na minha nuca e as minhas mos se transformaram em gelo.
Ele esperou, observando e escutando a minha reao.
"Isso no  uma pergunta", eu finalmente sussurrei.
Ele olhou pra baixo, seu clios formando grandes sombras nas mas de seu rosto, e ele deixou as mos carem do meu rosto pra pegar a minha mo esquerda congelada.
Ele brincou com os meus dedos enquanto falava.
"Eu estava me preocupando com porque voc sente desse jeito"
Eu tentei engolir. "Isso tambm no  uma pergunta", eu cochichei.
"Por favor, Bella?"
"A verdade?", eu perguntei, apenas formando as palavras com a boca.
" claro. Eu posso aguentar, seja l o que for".
Eu respirei fundo. "Voc vai rir de mim".
Ele virou se olhar pra mim, chocado. "Rir? Eu no posso imaginar isso".
"Voc vai ver", eu murmurei, e depois suspirei. O meu rosto foi de branco para um repentino tom escarlate com o pesar. "t, tudo bem. Eu tenho certeza que isso tudo
vai soar como uma grande piada pra voc, mas realmente!  to... to... embaraoso!", eu confessei, e escond meu rosto no peito dele de novo.
Houve uma breve pausa.
"Eu no estou te entendendo".
Eu levantei a minha cabea de volta e encarei ele, a vergonha me deixou brava, agressiva.
"Eu no sou aquela garota, Edward. Aquela que se casa logo quando sai da escola como se fosse uma garota de interior que se apaixonou pelo namorado! Voc sabe o
que as pessoas iriam dizer? Voc sabe que sculo  esse? As pessoas no se casam aos dezoito anos! No as pessoas inteligentes, no as pessoas responsveis, no
as pessoas maduras! Eu no ia ser aquela garota! Essa no sou eu..." Eu parei, pendendo a trilha.
O rosto de Edward era impossvel de ler enquanto ele pensava na minha resposta.
"Isso  tudo?", ele perguntou finalmente.
Eu pisquei. "J no  o suficiente?"
"No  porque voc estava mais ansiosa... com a imoralidade em s do que apenas por mim?"
E a, apesar de eu ter previsto que ele ia rir, de repente era eu que estava ficando histrica.
"Edward!", eu ofeguei entre os paradoxismos das risadas. "E aqui... eu sempre... pensei que... voc fosse... to mais... inteligentes que eu!"
Ele me pegou em seus braos, e eu podia sentir que ele estava rindo comigo.
"Edward", eu disse, conseguindo falar mais claramente com certo esforo. "no h necessidade de viver pra sempre sem voc. Eu no ia querer um dia sem voc".
"Bem, isso  um alvio", ele disse.
"Ainda assim... isso no muda nada".
"No entanto,  bom entender. E eu compreendo a sua perspectiva, Bella, eu realmente compreendo. Mas eu gostaria muito so voc considerasse a minha".
At a eu j estava sbria, ento eu balancei a cabea e lutei pra no fazer uma careta.
Seus olhos dourados lquidos ficaram hipnticos enquanto seguravam os meus.
"Entenda, Bella, eu era aquele garoto. No meu mundo, eu j era um homem. Eu no estava procurando por amor - no, eu estava ansioso demais por ser soldado pra me
preocupar com isso; eu no pensava em nada alm do ideal de glria de guerra que eles estavam vendendo para os cadetes na poca - mas se eu tivesse descoberto..."
Ele pausou, pendendo a cabea para o lado. "Eu ia dizer: se eu tivesse encontrado algum, mas isso no basta. Se eu tivesse encontrado voc, no h dvida na minha
cabea sobre o que eu teria feito. Eu era aquele garoto, que teria - assim que eu tivesse descoberto que era por voc que eu estava procurando - ficaria de joelhos
e seguraria a sua mo. Eu iria querer voc pela eternidade, mesmo se essa palavras no tivesse as mesmas conotaes".
Ele sorriu seu sorriso torto pra mim.
Eu encarei ele com os meus olhos arregalados congelados.
"Respire, Bella", ele me lembrou, sorrindo.
Eu respirei.
"Voc pode ver o meu lado, Bella, um pouquinho?"
E por um segundo, eu pude. Eu v eu mesma com uma saia longa e com uma blusa de gola alta, com o meu cabelo preso em um coque em cima da minha cabea. Eu v Edward
vindo na luz do sol com um buqu de flores do campo na mo, se sentando ao meu lado num balano na varanda.
Eu balancei minha cabea e engoli seco. Eu estava tendo flashbacks com Anne of Green Gables.
"O negcio , Edward" eu disse com minha voz tremendo, evitando a pergunta. "na minha cabea, casamento e eternidade no so conceitos mutuamente exclusivos ou mutualmente
inclusivos. E j que estamos vivendo no meu mundo no momento, ns devamos seguir o tempo, se voc entende o que eu quero dizer".
"Mas por outro lado", ele contrariou. "em breve voc estara deixando o tempo completamente pra trs. Ento porque esse costumes transitrios de cultura local deveriam
afetar tanto essa deciso?"
Eu torc os lbios. "Quando em Roma?"
Ele riu de mim. "Voc no tem que dizer sim ou no hoje, Bella.  bom entender ambos os lados, no entanto, voc no acha?"
"Ento a sua condio...?"
"Ainda est em efeito. Entendo o seu ponto, Bella, mas se voc quer que eu mesmo te mude..."
"Dum, dum, dah-dum", eu sofejei por baixo do flego. Eu ia fazer uma marcha nupcial, mas pareceu mais com um canto.
O tempo continuou a se mover muito rpido.
A noite se passou sem sonhos, e a amanheceu e a formatura estava me encarando. Eu tinha uma pilha de coisas pra estudar para as minhas provas finais e eu sabia
que no conseguiria estudar nem a metade com os poucos dias que eu tinha de sobra.
Quando eu desc para o caf da manh, Charlie j tinha ido embora. Ele tinha deixado o jornal em cima da mesa, e isso me lembrou que eu tinha compras a fazer. Eu
esperava que o anuncio do show ainda estivesse rolando; eu precisava do nmero de telefone pra comprar as estpidas entradas. No parecia mais um bom presente agora
que no era mais surpresa.  claro, tentar surpreender Alice no era o plano mais brilhante, pra comeo de histria.
Eu esperava ir diretamente para a seo de entretenimento, mas a machete em letras grossas e pretas me chamou a ateno. Eu sent uma pontada de medo enquanto chegava
mais perto pra ler a primeira pgina da histria.
SEATTLE ATERRORIZADA POR ASSASSINATOS
Fazem menos de dez anos desde que a cidade de Seattle estava caando o mais perigoso dos serial-killers da histria dos E.U. Gary Ridgeway, o assassino de Green
River, foi condenado pelo assassinato de 48 mulheres. E agora, a assediada Seattle tem que lidar com a possibilidade de estar lidando com um monstro ainda mais aterrorizante
dessa vez.
A polcia no acha que a recente onda de homicdios e desaparecimentos seja trabalho de um serrial-killer. Pelo menos, ainda no. Este assassino - se, na verdade,
for apenas uma pessoa - teria sido acusada por 39 homicdios qualificados e desaparecimentos apenas em menos de trs meses.
Em comparao, a onda de 48 assassinatos provocada por Ridgeway foi espalhada num perodo de mais de 21 anos. Se essas mortes puderem ser ligadas a apenas um homem,
ento, esse seria o mais violento ataque de um assassino em srie da histria Americana.
A polcia, no entanto, est inclinada na teoria de um involvimento com atividade de gangues. Ele teoria  apoiada pelo grande npumero de vtimas, e pelo fato de
que no parece haver um padro de escolha entre as vtimas.
De Jack o Estripador  Ted Bundy, os alvos de serial-killers esto geralmente conectados por similaridades em idade, gnero, raa, ou uma combinao dos trs. As
vtimas desse ataque de crimes tm idades entre a da estudante Amanda Reed de 15 anos, ao carteiro aposentado, Omar Janks, de 67 anos de idade. Os assassinatos qualificados
incluem cerca de 18 mulheres e 21 homens. As vtimas tinham raas diversas: Caucasianos, Afro-Americanos, Hispnicos e Asiticos.
A seleo parece ser randmica. O motivo parece no ter outra razo a no ser simplesmente matar.
Ento porque considerar a idia de um serrial-killer?
Existem similaridades suficiente no modo de operao dos crimes para selecion-los como crimes no relacionados. Todos as vtimas descobertas foram queimadas a tal
ponto que foi necessrio um exame de arcada dentria para identific-los. O uso de algum acelerante, gasolina ou lcool, parece ser um indicativo das conflagraes;
nos entanto, nenhum trao de acelerantes parecem ter sido encontrado ainda. Todos os corpos foram enterrados negligentemente, sem tentativa de encobrimento.
Mais horrvel ainda, a maioria dos restos parece conter sinais de violncia brutal - ossos quebrados e esmagados por algum tipo de presso tremenda - que os mdicos
examinadores acreditam haver ocorrido antes da hora da morte, apesar de se ser difcil ter certeza sobre essas concluses, considerando o estado das evidncias.
Outra similaridade que aponta para a possibilidade de um serrial: todos os crimes esto perfeitamente limpos de evidncias, alm dos restos por s s. Nenhuma impresso
digital, nenhuma marca de pneu ou um fio de cabelo  deixado pra trs. No houve nenhuma testemunha oculares para nenhum suspeito nos desaparecimentos.
E ento temos os prprios desaparecimentos - altamente sigilosos em todos os aspectos. Nenhuma das vtimas podia ser considerada um alvo fcil. Nenhum deles era
um fugitivo ou sem teto, que desaparecem to facilmente e que dificilmente tm seus desaparecimentos reportados. Vtimas desapareceram de suas casas, de um apartamento
de quatro andares, de um spa, de uma recepo de casamento. Talvez o mais impressionante: o boxeador amador de 30 anos de idade, Robert Walsh, entrou em um cinema
com sua acompanhante; depois de poucos minutos no cinema, a mulher se deu conta de que ele no estava em seu lugar. O corpo dele foi encontrado apenas trs horas
depois quando os bombeiros foram chamados  cena de um lixo em incndio, a vinte quilmetros de distncia.
Outro padro presente nos assassinatos: todas as vtimas desapareceram  noite.
E o padro mais alarmante? Acelerao. Seis homicdios foram cometidos no primeiro ms, 11 no segundo. Vinte e dois ocorreram apenas nos ltimos dois dias. E a polcia
no est mais perto de encontrar o responsvel do que estavam quando o primeiro corpo carbonizado foi encontrado.
A evidncia  conflitante, os pedaos so aterrorizantes. Uma nova gangue viciada ou um serial-killer selvagemente ativo? Ou alguma outra coisa que a polcia ainda
no tenha levado em considerao?
Uma nica concluso  indesputvel: algo horrvel est perseguindo Seattle.
Eu precisei tentar trs vezes pra ler a ltima frase, e eu me dei conta de que o problema era o estremecimento das minhas mos.
"Bella?"
Focada como eu estava, a voz de Edward, apesar de baixa e no totalmente inexperada, me fez ofegar e girar.
Ele estava inclinado na porta, com as sobrancelhas juntas. Ento, de repente ele estava ao meu lado, segurando a minha mo.
"Eu assustei voc? Eu lamento. Eu no bat..."
"No, no", eu disse rapidamente. "Voc j viu isso?" Eu apontei para o jornal.
Uma careta enrugou a testa dele.
"Eu ainda no v as notcias de hoje. Mas eu sabia que estava piorando. Ns vamos ter que fazer alguma coisa... rapidamente".
Eu no gostei disso. Eu odiava qualquer um deles tentando a sorte, e o que quer ou quem quer que estivesse em Seattle estava realmente comeando a me assutar. Mas
a idia dos Volturi voltando era igualmente assutadora.
"O que Alice diz?"
"Esse  o problema" A careta dele endureceu. "Ela no consegue ver nada... apesar de j termos decidido um milho de vezes que ns vamos investigar. Ela est comeando
a perder a confiana. Ela sente como se estivesse perdendo muito esses dias, que alguma coisa est errada. Talvez as vises dela estejam desaparecendo".
Meus olhos arregalaram. "Isso pode acontecer?"
"Quem sabe? Ningum nunca fez um estudo... mas eu realmente duvido. Essas coisas tendem a intensificar com o tempo. Olhe pra Aro e Jane".
"Ento o que ha de errado?"
"Profecias auto-realizveis, eu acho. Ns continuamos esperando que Alice veja alguma coisa pra que possamos ir... e ela no v nada porque ns no iremos at que
ela veja alguma coisa. Ento ela no pode nos ver l. Talvez ns tenhamos que fazer isso s cegas".
Eu estremec. "No".
"Voc tem um forte desejo de assitir aula hoje? Ns s estamos a dois dias das provas finais; eles no vo nos ensinar nada novo".
"Eu posso viver sem escola por um dia. O que vamos fazer?"
"Eu quero falar com Jasper".
Jasper se novo. Isso era estranho. Na famlia Cullen, Jasper estava sempre um pouco de lado, parte das coisas, mas nunca no centro delas. A minha assuno silnciosa
era de que ele s estava l por Alice. Eu tinha a sensao de que ele seguiria Alice pra onde quer que fosse, mas esse estilo de vida no era sua primeira escolha.
O fato de que ele tinha menos comprometimento do que os outros era provavelmente o motivo pelo qual ele tinha mais dificuldade de se ajustar.
De qualquer forma, eu nunca havia visto Edward se sentir dependente de Jasper. Eu me perguntei de novo o que ele queria dizer sobre Jasper ser um expert. Eu realmente
no sabia muito sobre a histria de Jasper, s que ele tinha vindo de algum lugar no sul antes de Alice encontrar ele. Por alguma razo, Edward sempre se esquivava
de perguntas sobre seu irmo mais novo. Eu sempre me sent intimidada demais pelo alto vampiro loiro que parecia mais com um astro de cinema em asceno pra pergunt-lo
diretamente.
Quando estvamos na casa, ns encontramos Carlisle, Esme, e Jasper assistindo atentamente o noticirio, apesar do som estar to baixo que era impossvel pra mim
ouvir. Alice estava sentada no topo da grande escadaria, o rosto nas mos com uma expresso desencorajada. Enquanto entrvamos, Emmett entrou pela porta da cozinha,
parecendo perfeitamente tranquilo. Nada nunca incomodava Emmett.
"Ei, Edward. Faltando aula, Bella?" Ele sorriu pra mim.
"Ns dois estamos", Edward lembrou ele.
Emmett riu. "Sim, mas  a primeira vez dela no colegial. Ela pode perder alguma coisa".
Edward rolou os olhos, de outra maneira ignorando seu irmo favorito. Ele jogou o jornal pra Carlisle.
"Voc viu que agora eles esto considerando um serial-killer?", ele perguntou.
Carlisle suspirou. "Eles estavam com dois especialistas no CNN debatendo essa possibilidade hoje".
"Ns no podemos continuar assim".
"Vamos agora", Emmett disse com um entusiasmo repentino. "Eu estou morto de chateao".
Um assobio ecoou de cima das escadas at embaixo.
"Ela  to pessimista", Emmett murmurou pra s mesmo.
Edward concordou com Emmett. "No vamos ter que ir alguma hora".
Rosalie apareceu no topo das escadas e desceu lentamente. O rosto dela estava suave, sem expresso.
Carlisle estava balanando a cabea. "Eu estou preocupado. Ns nunca nos envolvemos nesse tipo de coisa antes. No somos Volturi".
"Eu no quero que os Volturi venham aqui", Edward disse. "Isso nos d muito menos tempo de reao".
"E todos aqueles humanos inocentes em Seattle", Esme murmurou. "No pe certo deix-los morrer desse jeito".
"Eu sei", Carlisle disse.
"Oh", Edward disse repentinamente, virando sua cabea um pouco pra olhar pra Jasper. "Eu acho que no tinha pensado nisso. Eu entendo. Voc est certo, tem que ser
isso. Bem, isso muda tudo".
Eu no fui a nica que o encarou confusa, mas eu devo ter sido a nica que no pareceu nem um pouco incomodada.
"Eu acho que  melhor voc explicar aos outros", Edward disse pra Jasper. "Qual seria o propsito disso?", Edward comeou a andar de um lado pro outro, olhando para
o cho, perdido em pensamentos.
Eu no tinha visto ela se levantar, mas Alice j estava l ao meu lado. "Porque ele est vagando?" ela perguntou a Jasper. "O que voc est pensando?"
Jasper no pareceu gostar de toda a ateno. Ele hesitou, lendo cada um dos rostos no crculo - j que todo mundo tinha se aproximado pra ouvir o que ele tinha a
dizer - e ento os olhos dele pausaram no meu rosto.
"Voc est confusa", ele disse pra mim, sua voz profunda estava muito baixa.
No havia pergunta em sua suposio. Jasper sabia o que eu estava sentindo, o que todos estavam sentindo.
"Ns estamos todos confusos", Emmett murmurou.
"Vocs tm tempo pra ser pacientes", Jasper disse a ele. "Bella devia entender isso tambm. Ela  uma de ns agora".
As palavras dele me pegaram de surpresa. To pouco que eu havia lidado com Jasper, especialmente desde o meu ltimo aniversrio quando ele tentou me matar, eu no
havia me dado conta de que ele pensava em mim desse jeito.
"Quanto voc sabe sobre mim, Bella?", Jasper perguntou.
Emmett suspirou teatralmente, e se atirou no sof pra esperar com exagerada impacincia.
"No muito", eu admit.
Jasper olhou pra Edward, que olhou pra cima pra encontrar seu olhar.
"No", Edward respondeu o seu pensamento. "Eu tenho certeza que voc entende porque eu nunca contei essa histria pra ela. Mas eu acho que ela precisa saber agora".
Jasper balanou a cabea pensativamente, e a comeou a enrolar pra cima a manga do seu suter marfim.
Eu observei, curiosa e confusa, tentando entender o que ele estava fazendo. Ele segurou o seu pulso embaixo de uma luminria que estava ao lado dele, perto da luz
da lmpada, e passou o dedo em uma marca crescente em sua pele plida.
Eu levei um segundo pra entender porque aquela forma me parecia estranhamente familiar.
"Oh", eu respirei quando a realizao bateu. "Jasper, voc tem uma cicatriz exatamente igual a minha".
Eu levantei minha mo, a protuberncia prateada era mais proeminente na minha pele cor de creme do que na sua, cor de alabastro.
Jasper sorriu fracamente. "Eu tenho muitas cicatrizes como as suas, Bella".
O rosto de Jasper estava ilegvel enquanto ele puxava a manga do seu suter mais pra cima. No incio, os meus olhos no conseguiram entender a textura grossa que
estava marcada na pele dele. Meias luas cruzadas umas por cimas das outras em um padro que s era visvel, branco no branco como era, porque o forte brilho da lmpada
ao lado dele fazia com que as marcas ficassem um pouco em relevo, com uma leve sombra marcando as formas. E ento eu entend que o padro era feito com meias luas
individais como a no pulso dele... como a da minha mo.
Eu olhei de volta para a minha cicatriz pequena, solitria - e me lembrei de como eu a receb. Eu olhei para a forma dos dentes de James, embossada pra sempre na
minha pele.
E a eu sufoquei, olhando pra ele. "Jasper, o que aconteceu com voc?"

12. Recm-nascido
"A mesma coisa que aconteceu na sua mo", Jasper respondeu numa voz baixa. "Repetido mil vezes". Ele sorriu um pouco amargamente e esfregou seu brao. "O nosso veneno
 a nica coisa que deixa cicatriz".
"Porque?, eu respirei horrorizada, me sentindo rude mas me sentindo incapaz de desviar os olhos da sua pele subitamente castigada.
"Eu no tive a mesma... criao que os meus irmos adotivos aqui. O meu comeo foi uma coisa inteiramente diferente". A voz dele estava dura quando ele terminou.
Eu abri uma brecha pra ele, intimidada.
"Antes que eu te conte a minha histria", Jasper disse. "Voc precisa entender que existem lugares no nosso mundo, Bella, onde o tempo de vida daqueles que no envelhecem
 medida em semanas, e no em sculos".
Os outros j tinham ouvido isso antes. Carlisle e Emmett viraram sua ateno para a TV de novo. Alice havia se movido um pouco pra se sentar aos ps de Esme. Mas
Edward estava to absolvido quando eu; eu podia sentir os olhos dele no meu rosto, lendo cada mudana de emoo.
"Pra entender realmente o porque, voc tem que olhar pra o mundo por uma perspectiva diferente. Voc tem que imaginar o jeito como ele parece para os poderosos,
os gananciosos... os perpetuamente sedentos.
"Entenda, existem lugares no mundo que so mais desejveis pra ns do que outros. Lugares onde ns podemos ter menos restries, e ainda evitar a deteco.
"Imagine, por exemplo, um mapa do hemifrio oeste. Imagine cada vida humana como um pequeno ponto vermelho. Quanto mais vermelho, mas facilmente ns - bem, aqueles
que vivem desse jeito - podem se alimentar sem atrair ateno".
Eu estremec com a imagem na minha cabea, com a palavra alimentar. Mas Jasper no estava preocupado em me assustar, ele no era super protetor como Edward era.
Ele continuou sem uma pausa.
"No que os grupos ao sul liguem muito se os humanos vo notar ou no. So os Volturi que mantm um olho nisso. Eles so os nicos que os grupos do sul temem."
"Se no fossem os Volturi, o resto de ns seria rapidamente exposto".
Eu fiz uma careta pelo jeito que ele pronunciou o nome - com respeito, quase gratido. A idia dos Volturi como os mocinhos de qualquer maneira era difcil de aceitar.
"O Norte , em comparao, muito civilizado. A maioria de ns daqui so nmades que gostam do dia tanto quanto da noite, que permitem que os humanos interajam conosco
sem levantar suspeitas - anonimato  muito importante pra todos ns.
" um mundo diferente no Sul. Os imortais de l s saem  noite. Eles passam o dia planejando seu prximo passo, antecipando seu inimigo. Como houve guerra no Sul,
guerra constante por sculos, sem nenhum momento de trgua. Os grupos de l mal reparam na existncia dos humanos, a no ser como soldados que notam um rebanhos
de vacas no lado de uma pista - comida pra pegar. Eles s se escondem do conhecimento do rebanho por causa do Volturi".
"Mas pelo qu eles esto lutando?" eu perguntei.
Jasper sorriu. "Lembra do mapa com os pontos vermelhos?"
Ele esperou, ento eu balancei a cabea.
"Eles lutam pelo controle do maior nmero de pontos vermelhos.
"Veja, se ocorresse que uma pessoa, se ele fosse o nico vampiro, digamos no Novo Mxico, ento, ele poderia se alimentar toda noite, duas vezes, trs vezes, e ningum
nunca repararia. Ele planeja as formas certas pra se livrar da competio.
"Outros tiveram a mesma idia. Alguns apareceram com tticas mais efetivas do que outros.
"Mas a ttica mais efetiva foi inventada por um vampiro bastante jovem chamado Benito. Da primeira vez que qualquer um ouviu falar nele, ele tinha vindo de algum
lugar  norte de Dallas e massacrou dois grupos pequenos que dividiam uma rea perto de Houston. Duas noites depois, ele pegou um cl muito mais forte de aliados
que controlava Monterrey no norte no Mxico. De novo, ele venceu."
"Como foi que ele venceu?" eu perguntei com curiosidade cautelosa.
"Benito havia criado um exrcito de vampiros recm nascidos. Ele foi o primeiro a pensar nisso, e, no comeo, ele era impossvel de parar. Vampiros jovens so muito
volteis, selvagens, e quase impossveis de controlar.  possvel ser razovel com um recm-nascido, ensin-lo a se controlar, mas dez, quinze juntos so um pesadelo.
Eles vo se virar um contra o outro com tanta facilidade como se fosse um inimigo para o qual voc aponta. Benito teve que ficar fazendo mais  medida que eles se
destruam, e os grupos que ele derrotava matavam metade de sua fora antes de perderem a luta.
"Veja, apesar dos recm-nascidos serem perigosos, eles ainda so possveis de derrotar se voc souber o que est fazendo. Eles so incrvelmente poderosos fisicamente,
pelo primeiro ano ou coisa assim, e se eles forem permitidos a usar a fora pra aguentar, eles podem derrotar um vampiro mais velho com facilidade. Mas eles so
escravos de seus instintos, e por isso so previsveis. Geralmente, eles no tem nenhuma habilidade com luta, apenas musculos e ferocidade. E nesse caso, maior nmero.
"Os vampiros ao Sul do Mxico se deram conta do que estava vindo pra eles, e fizeram a nica coisa que podiam pra enfrentar Benito. Eles mesmos fizeram exrcitos...
"E o inferno correu solto - e eu estou falando da forma mais literal que voc possa imaginar. Ns imortais temos as nossas histrias tambm, e essa guerra em particular
nunca ser esquecida.  claro, tambm no era uma poca muito boa pra se ser humano no Mxico".
Eu estremec.
"Quando a contagem dos corpos tomou propores epidmicas - de fato, as suas histrias culpam as doenas pela baixa na populao - os Volturi finalmente interviram.
A guarda inteira veio junta e acabou com todos os recm-nascidos na metade de cima da Amrica do Norte. Benito estava escondido em Puebla, construindo seu exrcito
o mais rpido que podia pra poder tomar o seu prmio - a Cidade do Mxico. Os Volturi comearam com ele, e depois passaram pro resto."
"Qualquer um que fossem encontrado com vampiros recm-nascidos era executados imediatamente, e, j que todos estavam tentando se proteger de Benito, Mxico ficou
esvaziada de vampiros por algum tempo.
"Os Volturi ficaram limpando a casa por quase um ano. Esse  outro captulo da nossa histria que ser sempre lembrado, apesar de que houveram poucas testemunhas
restantes pra falar de como foi. Eu falei com uma pessoa que uma vez tinha,  distncia, observado o que aconteceu quando eles visitaram Culiancn".
Jasper estremeceu. Eu me dei conta de que eu nunca havia visto ele com medo ou aterrorizado antes. Essa era a primeira vez.
"Isso foi o suficiente pra que a febre de conquista no se espalhasse pelo Sul. O resto do mundo ficou so. Nos devemos aos Volturi pelo nosso estilo de vida atual.
"Mas quando os Volturi voltaram para a Itlia, os sobreviventes foram rpidos pra apostar em suas posses ao Sul.
"No demorou muito tempo pra que os grupos comeassem a disputar novamente. Havia muito sangue ruim, se voc perdoa a expresso. Vinganas por todo lado. A idia
dos recm-nascidos j estava l, e alguns no foram capazes de resistir. Porm, os Volturi ainda no haviam sido esquecidos, e os grupos do sul foram mais cuidadosos
dessa vez. Os recm-nascidos eram escolhidos entre os humanos com mais cuidado, e eram mais treinados. Eles eram usados circunspectamente, e os humanos continuaram,
em grande parte, sem saber de nada. Os criadores deles no deram aos Volturi nenhum motivo pra voltar.
"As guerras foram reassumidas, mas em uma escala menor. De vez em quando, se algum ia muito longe, especulaes comeavam a aparecer nos jornais dos humanos, e
os Volturi voltavam pra limpar a cidade. Mas eles deixavam os outros, os mais cuidadosos, continuarem..."
Jasper estava olhando para o espao.
"Foi assim que voc foi transformado". A minha realizao foi um sussurro.
"Sim", ele concordou. "Quando eu era humano, eu viv em Houston, Texas. Eu estava quase com dezessete anos quando eu me juntei ao Exrcito Confederado em 1861. Eu
ment pra os recrutadores e disse que tinha vinte anos. Eu era alto o suficiente pra escapar com a mentira.
"A minha carreira militar foi curta, mas muito promissora. As pessoas sempre... gostaram de mim, escutaram o que eu tinha a dizer. O meu pai dizia que era carisma.
 claro, agora eu sei que provavelmente era algo mais. Mas, qualquer que fosse a razo, eu fui rapidamente promovido entre as patentes, acima de homens mais velhos,
mais experientes. O Exrcito Confederado era novo e estava comeando a se organizar, ento, isso tambm promoveu oportunidades. Na primeira batalha em Galveston
- bem, foi mais um desfarce, na verdade - eu era o Major mais novo do Texas, se que sequer soubessem minha verdadeira idade.
"Eu fiquei com a responsabilidade de evacuar as mulheres e as crianas da cidade quando os barcos do morteiro Union atracaram no porto. Eu levei um dia pra prepar-los,
e ento eu part com o primeiro grupo de civis pra carreg-los at Houston.
"Eu me lembro daquela noite muito claramente.
"Ns chegamos  cidade quando j estava escuro. Eu s fiquei por tempo suficiente pra ter certeza se o grupo inteiro estava seguramente situado. Assim que isso foi
feito, eu peguei um cavalo novo pra mim, e voltei pra Galveston. No havia tempo pra descansar.
"A apenas um metro fora da cidade, eu encontrei trs mulheres a p. Eu pensei que elas estavam perdidas e desmontei imediatamente pra oferec-las meu auxlio. Mas,
quando eu consegu ver o rosto delas na luz difusa da lua, eu fiquei silenciosamente fascinado. Elas eram, sem dvida, as trs mulheres mais bonitas que eu j havia
visto.
"Elas tinham uma pele to plida, que eu me lembro de ficar maravilhado. Mesmo a garota pequena de cabelos pretos, de quem as feies era claramente mexicanas, pareciam
porcelana  luz da lua."
"Elas pareciam jovens, todas elas, ainda jovens o suficiente pra serem chamadas de garotas. Eu sabia que elas no eram membros perdidos do nosso grupo. Eu teria
me lembrado de vez aquelas trs.
"Ele est sem voz' disse a garota mais alta com uma voz adorvel, delicada - era como uma brisa de vento. Ela tinha bastante cabelo, e a pele dela era branca como
neve.
"A outra era mais loira e mesmo assim, sua pele era igualmente branca. O rosto dela era como o de um anjo. Ela inclinou na minha direo com os olhos meio fechados
e inalou profundamente.
"Mmm' ela suspirou. 'Adorvel'.
"A menor, uma morena pequena, colocou a mo no brao da outra e falou rapidamente. A voz dela estava muito suave e musical pra ser rspida, mas isso parecia ser
o que ela pretendia.
"Se concentre, Nettie', ela disse.
"Eu sempre tive uma boa sensao de como as pessoas se relacionam umas com as outras, e ficou claro imediatamente que a morena estava no comando das outras. Se elas
fossem militares, eu diria que ela se sobressaa s outras.
"Ele parece ser certo - jovem, forte, um oficial...' a morena pausou, e eu tentei falar sem sucesso. 'E tem mais alguma coisa... vocs esto sentindo?' ela perguntou
s outras duas. 'Ele ... coagente'.
"Oh, sim' Nettie concordou rapidamente, se inclinando na minha direo de novo.
"Paciencia', a morena avisou ela. 'Eu quero ficar com esse'.
"Nettie fez uma careta, ela pareceu aborrecida.
" melhor voc fazer isso, Maria', a loira mais alta falou de novo. 'Se ele  importante pra voc. Eu os mato duas vezes mais do que os crio'.
"'Sim, eu vou fazer isso', Maria concordou. 'Eu realmente gosto desse. Leve Nettie pra longe, t? Eu no quero ter que proteger as minhas costas enquanto estou tentando
me concentrar.'
"O meu cabelo estava arrepiando na minha nuca, apesar no se eu no entender o significado de nada do que aquelas lindas criaturas estavam falando."
"Os meus instintos me diziam que eu estava em perigo, que aquele anjo estava falando srio quando falou em matar, mas meu julgamento dominou os meus instintos. Eu
nunca fui ensinado a temer mulheres, e sim a proteg-las.
"Vamos caar', Nettie concordou entusiasticamente, pegando a mo da garota alta. Elas foram embora - elas eram to graciosas! - e saram em direo  cidade. Elas
pareciam prestes a levantar vo, de to rpidas que eram - seus vestidos brancos esvoaavam atrs delas como se fossem asas. Eu pisquei pasmificado, e elas foram
embora.
"Eu me virei pra encarar Maria, que estava me olhando com curiosidade.
"Eu nunca havia sido supersticioso em minha vida. At aquele segundo, eu nunca havia acreditado em fantasmas e nessas bobagens. De repente, eu no tinha certeza.
"Qual  o seu nome, soldado?' Maria me perguntou.
"Major Jasper Withlock, madame', eu gaguejei, incapaz de ser mal educado com a mulher, mesmo se ela fosse um fantasma.
"Eu realmente espero que voc sobreviva, Jasper'. Ela disse com uma voz gentil. 'Eu tenho um bom sentimento sobre voc.'
"Ela deu um passo mais pra perto, e inclinou a cabea como se ela fosse me beijar. Eu fiquei congelado no lugar, apesar dos meus instintos estarem gritando pra que
eu corresse."
Jasper pausou, seu rosto estava pensativo. "Alguns dias depois", ele finalmente disse, e eu no pude ter certeza se ele havia editado a histria pro meu bem ou porque
ele estava respondendo  tenso que at eu podia sentir exalando de Edward. "Eu fui apresentado  minha nova vida.
"Os nomes delas eram Maria, Nettie, e Lucy. Elas no estavam juntas ha muito tempo - Maria havia encontrado as outras duas - todas as trs eram sobreviventes de
batalhas recentemente perdidas. A parceria delas era de convenincia. Maria queria vingana, e ela queria seus territrios de volta. As outras duas estavam ansiosas
pra aumentar suas... terras de rebanho, eu acho que voc pode dizer. Elas estavam criando um outro exrcito, e iam ser mais cuidadosas com isso do que o normal."
"Foi idia de Maria. Ela queria um exrcito superior, ento ela escolhia humanos especficos que tivessem potencial. A ela nos deu muito mais ateno, muito mais
treinamento do que outra pessoa tinha se incomodado em fazer. Ela nos ensinou a lutar, e nos ensinou a ser invisveis para os humanos. Quando ns fazamos direito,
ns ramos recompensados..."
Ele parou, editando de novo.
"No entanto, ela estava com pressa. Maria sabia que a fora massiva dos recm-nascidos ia diminuindo no perodo de um ano, e ela queria agir enquanto ramos fortes.
"Haviam seis de ns quando eu me juntei ao bando de Maria. Ela fez mais quatro no perodo de uma noite. Ns ramos todos homens - Maria queria soldados - e isso
fez com que fosse um pouco mais dificil no brigarmos entre ns mesmos. Eu lutei minhas primeiras batalhas contra os meus prprios camaradas no exrcito. Eu era
mais rpido que os outros, melhor no combate. Maria estava satisfeita comigo, apesar de ter que continuar repondo aqueles que eu destrua. Eu era recompensado com
frequncia, e isso me deixava mais forte.
"Maria era uma boa juza de carter. Ela decidiu me colocar no comando dos outros - como se eu estivesse sendo promovido. Isso servia perfeitamente com a minha natureza.
As brigas diminuiram dramaticamente, e o nosso nmero aumentou at que ramos cerca de vinte.
"Esse era um nmero considervel levando em considerao os tempos cuidadosos em que vivamos. A minha habilidade, ainda que indefinida, de controlar a atmosfera
emocional ao meu redor era vitalmente efetiva. Em breve ns comeamos a trabalhar juntos de uma forma que os vampiros recm-nascidos jamais haviam cooperado antes.
At Maria, Nettie, e Lucu eram capazes de trabalhar juntas com mais facilidade.
"Maria ficou muito apegada a mim - ela comeou a depender de mim. E, de algumas formas, eu adorava o cho em que ela pisava. Eu no fazia idia de que outra vida
era possvel. Maria nos disse que esse era o jeito como as coisas eram, e ns acreditamos".
"Ela pediu que eu dissesse a ela quando os meus irmos e ela estivssemos prontos pra lutar, e eu estava ansioso pra me provar. Eu havia juntado um exrcito de vinte
e trs no final - vinte e trs vampiros inacreditavelmente fortes, organizados e habilidosos com nenhum outro antes. Maria estava estasiada.
"Ns nos movemos em direo  Monterrey, sua antiga casa, e ela no soltou em cima de seus inimigos. Naquela hora eles s tinham nove recm-nascidos, e um par de
vampiros mais velhos controlando eles. Ns os derrotamos mais facilmente do que Maria podia acreditar, perdendo apenas quatro no processo. Eu estava na ponta da
margem de vitria.
"E ns ramos todos bem treinados. Ns fizemos isso sem atrair ateno. Naquele primeiro ano, ela estendeu seu controle pra controlar a maior parte do Texas e do
norte do Mxico. Ento os outros vieram do Sul pra enfrentar ela."
Ele passou dois dedos nas fracas marcas das cicatrizes no brao dele.
"A luta foi intensa. Muitos comearam a se preocupar que os Volturi fossem voltar. Dos vinte e trs originais, eu fui o nico a sobreviver nos primeiros oito meses.
Ns tanto perdemos quanto vencemos. Eventualmente Nettie e Lucy se viraram contra Maria - mas essa ns vencemos.
"Maria e eu fomos capazes de segurar Monterrey. As coisas de acalmaram um pouco, apesar das guerras continuarem. A idia de conquista estava morrendo; agora a maioria
era por vingana e por terras. Muitos deles haviam perdido seus parceiros, e isso  uma coisa que a nossa espcie no perdoa.
"Maria e eu sempre mantnhamos cerca de doze recm-nascidos prontos. Eles significavam pouco pra ns - eles eram moeda de troca, eram descartveis. Quando eles no
eram mais teis, ns mesmos nos livrvamos deles. A minha vida continuou o mesmo padro violnto e o ano se passou. Eu j estava de saco cheio de tudo muito antes
das coisas mudarem...
"Dcadas depois, eu desenvolv uma amizade com um recm-nascido que continuou sendo til e sobreviveu aos seus trs primeiros anos, apesar das chances."
"O nome dele era Peter. Eu gostava de Peter; ele era... civilizado - eu acho que essa  a palavra correta. Ele no gostava de lutar, apesar de ser bom nisso.
"Ele foi encarregado de lidar com os recm-nascidos - ser bab deles, pode-se dizer. Era um trabalho de tempo integral.
"E a era hora de fazer uma limpeza de novo. Os recm-nascidos iam perdendo a fora; eles precisavam ser repostos. Era pra Peter me ajudar com isso. Ns cuidvamos
deles individualmente, entende, um por um... Era sempre uma noite muito longa. Dessa vez, ele tentou me convencer de que alguns tinham potencial, mas Maria havia
me dado instrunes pra me livrar deles. Eu disse no a ele.
"Ns estavamos quase na metade, e eu podia sentir que isso estava exigindo uma grande carga de Peter. Eu estava decidindo se eu devia ou no mand-lo embora e acabar
com tudo sozinho enquanto eu chamava a prxima vtima. Pra minha surpresa, ele ficou com raiva de repente, furioso. Eu suportei o que quer que fosse que o humor
dele queria dizer - ele era um bom lutador, mas no era preo pra mim.
"O recm-nascido que eu havia chamado era uma fmea, que havia acabado de completar um ano. O nome dela era Charlotte. Os sentimentos dele mudaram quando ela apareceu;
eles o traram. Ele gritou pra que ela corresse, e ele mesmo correu atrs dela. Eu podia ter perseguido eles, mas no persegu. Eu sent... averso a destru-lo.
"Maria ficou irritada comigo por isso.
"Cinco anos depois, Peter voltou pra me ver. Ele escolheu um bom dia pra aparecer.
"Ela estava confusa com o meu humor j deteriorado. Ela nunca sentia uma depresso momentnea, e eu me perguntei porque eu era diferente. Eu comecei a notar a diferena
nas emoes dela quando ela estava perto de mim - as vezes ela ficava com medo... e com malcia. Eu estava me preparando pra distruir a minha nica aliada, a semente
da minha existncia, quando Peter retornou.
"Peter me contou sobre sua nova vida com Charlotte, me contou sobre opes que eu nunca sonhei que tivesse."
"Em cinco anos, eles nunca tiveram uma briga, apesar deles haverem conhecido muitos outros no norte. Outros que podiam co-existir sem viverem em um caos constante.
"Em uma conversa, ele convenceu. Eu estava pronto pra ir embora, e um pouco aliviado por no ter que matar Maria. Eu fui companheiro dela por tantos anos quantos
Carlisle e Edward estiveram juntos, e mesmo assim, o lao entre ns nem de perto era to forte quanto o deles. Quando voc vive para a luta, para o sangue, os relacionamentos
que voc forma so tenazes e facilmente quebrados. Eu fui embora sem olhar pra trs.
"Eu viajei com Peter e Charlotte por alguns anos, tento uma sensao desse mundo novo, mas pacfico. Mas a depresso no foi embora. Eu no entendia o que havia
de errado comigo, at que Peter comeou a reparar que eu sempre ficava pior depois de caar.
"Eu pensei nisso. Em tantos anos de matana e carnagem, eu havia perdido praticamente toda a minha humanidade. Eu era um inegavelmente um pesadelo, um monstro do
tipo mais odiavel. Toda vez que eu encontrava outra vtima humana, eu sentia uma leve pontada de semelhana com aquela outra vida. Observando os olhos delas se abrirem
impressionados com a minha beleza, eu me lembrava de Maria e as outras em minha cabea, o que elas haviam parecido pra mim na ltima noite em que eu fui Jasper Withlock.
Era mais forte pra mim - essa memria emprestada - do que era para os outros, porque eu podia sentir tudo o que a minha presa estava sentindo. E eu vivia as emoes
deles enquanto os estava matando.
"Voc j experimentou a forma como eu consigo manipular as emoes ao meu redor, Bella, mas eu me perguntou se voc se j imaginou o quanto as emoes de uma sala
me afetam. Eu vivo todos os dias em uma variao de emoes. Pelo primeiro sculo de minha vida, eu viv num mundo de vingana sanguenta. dio era o meu companheiro
constante. Isso se acalmou um pouco quando eu deixei Maria, mas eu ainda sentia o horror e o medo da minha presa".
"Isso comeou a ser demais.
"A depresso ficou pior, e eu me afastei de Peter e Charlotte. Mesmo civilizados como eles eram, eles no sentiam a mesma averso que eu comeava a sentir. Eles
s queriam paz das lutas. Eu estava cansado de matar - matar qualquer um, at meros humanos.
"E mesmo assim eu tinha que continuar matando. Que escolha eu tinha? Eu tentei matar com menos frequncia, mas a eu ficava com muita sede e desistia. Depois de
um sculo de gratificao instantnea, eu achava a auto-disciplina... desafiadora. Eu ainda no havia aperfeioado isso."
Jasper estava perdido na histria, assim como eu. Eu fiquei surpresa quando sua expresso desolada se suavizou em um sorriso pacfico.
"Eu estava na Philadlfia. Houve uma tempestade, e eu havia sado durando o dia - coisa com a qual eu ainda no estava completamente confortvel. Eu sabia que ficar
de p na chuva ia chamar a ateno, ento eu entrei numa lanchonete meio vazia. Os meus olhos estavam escuros o suficiente pra ningum reparar neles, apesar disso
significar que eu estava com sede, e isso me preocupou um pouco.
"Ela estava l - me esperando, naturalmente". Ele gargalhou uma vez. "Ela pulou do banco alto no balco assim que eu entrei e veio andando diretamente em minha direo.
"Isso me chocou. Eu no tinha certeza se ela queria atacar. Essa  a nica interpretao de comportamento dela que o meu passado tem a oferecer. Mas ela estava sorrindo.
E as emoes que emanavam dela eram uma coisa que eu nunca havia sentido antes.
"'Voc me deixou esperando por muito tempo', ela disse"
Eu no tinha me dado conta de que Alice tinha vindo ficar de p atrs de mim novamente.
"E voc abaixou a cabea, como um bom cavalheiro do Sul, e disse 'Eu lamento, madame'" Alice riu com a memria.
Jasper sorriu pra ela. "Voc levantou a mo, e eu a peguei sem me dar conta do que estava fazendo. Pela primeira vez em um sculo, eu sent esperana".
Jasper pegou as mos de Alice enquanto falava.
Alice deu um sorriso largo. "Eu estava aliviada. Eu pensei que voc no fosse aparecer nunca".
Eles sorriram um pro outro por algum tempo, e a Jasper olhou de volta pra mim, ainda com a expresso suave.
"Alice me disse que tinha visto sobre Carlisle e a famlia dele. Eu mal podia acreditar que um experincia assim fosse possvel. Mas Alice me fez otimista. Ento
ns fomos encontr-los".
"E matar eles de susto tambm", Edward disse, revirando os olhos pra Jasper antes de se virar pra mim e explicar. "Emmett e eu estvamos fora caando. Jasper aparece,
coberto de marcas de batalhas, acompanhando essa estranha pequena" - ele cutucou Alice de brincadeira - "que se refere a todo mundo pelo nome, sabe tudo sobre eles,
e quer saber em que quarto ela vai ficar".
Alice e Jasper riram em harmonia, soprano e baixo.
"Quando eu voltei pra casa, todas as minhas coisas estavam na garagem", Edward continuou.
Alice lvantou os ombros. "O seu quarto tinha a melhor vista".
Agora todos eles riram juntos.
"Essa  uma histria legal", eu disse.
Trs pares de olhos questionaram a minha sanidade.
"Eu estou falando da ltima parte", eu me defend. "O final feliz com Alice".
"Alice fez toda a diferena", Jasper concordou. "Esse  um clima que eu gosto".
Mas a pausa momentnea no estresse no podia durar muito.
"Um exrcito", Alice disse. "Porque voc no me contou?"
Os outros estavam atentos de novo, os olhos deles presos no rosto de Jasper.
"Eu pensei que pudesse estar interpretando os sinais incorretamente. Porque, qual  o motivo? Porque algum criaria um exrcito em Seattle? No existe histria l,
nada de vinganas. Uma disputa por um lugar de destaque tambm no faz sentido. Os nmades passam por l, mas no h ningum pra lutar por isso. No h ningum pra
defender isso.
"Mas eu j v isso antes, e no existe outra explicao. H um exrcito de vampiros recm-nascidos em Seattle. Pouco menos de vinte, eu acho. A parte difcil  que
eles esto completamente destreinados."
"Quem quer que os tenha criado deixou eles soltos. Isso s vai piorar, e no vai demorar muito at os Volturi intervirem. Na verdade, eu estou surpreso por estar
demorando tanto".
"O que podemos fazer?" Carlisle perguntou.
"Se ns queremos evitar o envolvimento dos Volturi, ns vamos ter que destruir os recm-nascidos, e ns vamos ter que fazer isso em breve". O rosto de Jasper estava
duro. Agora que eu conhecia a histria dele, eu podia entender o quanto essa avaliao perturbava ele. "Eu posso ensinar vocs agora. No vai ser fcil na cidade.
Os jovens no esto preocupados em manter segredo, mas ns temos que estar. Isso vai nos deixar limitados de formas que eles no esto. Talvez possamos atra-los".
"Talvez ns no tenhamos que fazer isso" a voz de Edward estava vazia. "J ocorreu a algum que o nico motivo pra se montar um exrcito nessa rea... somos ns?"
Os olhos de Jasper estreitaram, os de Carlisle se abriram, chocados.
"A famlia de Tnia tambm est por perto", Esme disse, sem querer aceitas as palavras de Edward.
"Os recm-nascidos no iam querer tomar um Ancoradouro, Esme. Eu acho que devemos considerar a idia de que ns somos os alvos".
"Eles no esto vindo atrs de ns," Alice insistiu, e depois pausou. "Oh... eles no sabem que esto. Ainda no".
"O que  isso?" Edward perguntou, curioso e tenso. "O que  isso que voc est lembrando?"
"Vestgios", Alice disse. "Eu no consigo ver uma imagem clara quando eu tento ver o que est acontecendo, nada concreto. Mas eu estou tendo esse flashes estranhos.
No  o suficiente pra entender o sentido deles.  como se algum ficasse mudando de idia, movendo de um curso de ao pra outro to rapidamente que eu nem consigo
ter uma boa imagem..."
"Indeciso?" Jasper perguntou sem acreditar.
"Eu no sei..."
"No  indeciso", Edward rosnou. "Conhecimento. Algum sabe que voc no consegue ter uma viso at que uma deciso seja tomada. Algum est se escondendo de ns.
Brincando com os buracos das suas vises".
"Quem saberia disso?" Alice suspirou.
Os olhos de Edward estavam duros como gelo. "Aro sabe tanto sobre voc quanto voc prpria".
"Mas eu teria visto se eles decidissem vir..."
"A no ser que eles no quisesse sujar as mos".
"Um favor", Rosalie sugeriu, falando pela primeira vez. "Algum do Sul... algum que j tenha tido problemas com as regras. Algum j devia ter sido destrudo e
a quem uma segunda chance foi oferecida - se eles cuidarem desse pequeno probleminha... isso explicaria a resposta lenta dos Volturi"
"Porque?", Carlisle perguntou, ainda chocado. "No h motivo pra os Volturi -"
"H sim" Edward discordou rapidamente. "Eu estou surpreso por isso ter vindo to cedo, porque os outros pensamentos eram mais fortes. Na cabea de Aro, ele me via
em um dos seus lados e Alice no outro. O presente e o futuro, como se fossem um s. O poder da idia intoxicou ele. Eu teria imaginado que ele levaria muito mais
tempo pra desistir daquele plano - ele o queria demais. Mas a havia o pensamento em voc, Carlisle, na nossa famlia, crescendo e ficando mais forte. A inveja e
o medo: voc tendo... no mais do que o que ele tinha, mas ainda assim, coisas que ele queria. Ele tentou no pensar nisso, mas no conseguiu esconder completamente.
A idia de eliminar a competio j estava l; alm da deles, o nosso grupo  o maior que eles j encontraram..."
Eu olhei horrorizada para o rosto dele. Ele no havia me contado nada disso, mas eu acho que sabia o porque. Eu podia ver isso na minha cabea agora, o sonho de
Aro.
Edward e Alice em robes pretos, esvoaantes, andando ao lado de Aro, seus olhos frios e vermelhos cor de sangue...
Carlisle interrompeu o meu pesadelo da vida real. "Eles esto comprometidos demais com sua misso. Eles jamais quebrariam as regras. Isso vai contra tudo o que eles
trabalharam".
"Eles vo limpar tudo depois. Uma traio dupla", Edward disse com uma voz mal humorada. "Nenhum prejuzo".
Jasper se inclinou pra frente, balanando a cabea.
"No, Carlisle est certo. Os Volturi no quebram as regras. Alm do mais,  muito descuidado. Essa pessoa... essa ameaa - eles no tinham idia do que estavam
fazendo.  um iniciante, eu posso jurar. Eu no posso acreditar que os Volturi estejam envolvidos. Mas eles vo estar"
Eles encararam uns aos outros, congelados pelo estresse.
"Vamos l", Emmett quase rugiu. "O que estamos esperando?"
Carlisle e Edward trocaram um longo olhar. Edward balanou a cabea.
"Ns vamos precisar que voc nos ensine, Jasper", Carlisle disse finalmente. "Como destru-los", a mandbula de Carlisle estava dura, mas eu podia ver a dor nos
olhos dele enquanto ele dizia as palavras. Ningum odiava violncia mais que Carlisle.
Haviam alguma coisa me incomodando, mas eu no conseguia identificar. Eu estava entorpecida, aterrorizada, mortalmente assustada. E mesmo assim, por baixo disso,
eu podia sentir que estava esquecendo algo importante. Alguma coisa que fizesse sentido nesse caos. Que o explicaria.
"Ns vamos precisar de ajuda", Jasper disso. "Voc acha que Tnia e sua famlia esto a fim...? Outros cinco vampiros maduros fariam uma enorme diferena. E Kate
e Eleazar seria enormemente vantajosos para o nosso lado. Seria quase fcil, com a ajuda deles".
"Eu vou perguntar", Carlisle disse.
Jasper levantou um celular. "Precisamos nos apressar".
Eu nunca v a calma inata de Carlisle to abalada. Ele pegou o telefone, e caminhou na direo das janelas. Ele discou um nmero, segurou o telefone em seu ouvido,
e apoiou a outra mo no vidro. Ele olhou para a nvoa da manh com uma expresso magoada e ambivalente.
Edward pegou a minha mo e me puxou pra o sof com ele. Eu sentei ao lado dele, olhando para o rosto dele enquanto ele olhava pra Carlisle.
A voz de Carlisle estava baixa e rpida, difcil de ouvir. Eu ouv ele saudar Tnia, e a ele passou a situao rpido demais pra que eu pudesse entender, apesar
de eu entender que os vampiros do Alaska no eram ignorantes ao que estava acontecendo em Seattle.
Alguma coisa mudou na voz de Carlisle.
"Oh", ele disse, a voz dele estava mais rspida com a surpresa. "Ns no havamos nos dado conta... que Irina se sentia assim".
Edward rosnou ao meu lado e fechou os olhos. "Maldio. Que Laurent seja amaldioado s profundezas do inferno onde ele pertence".
"Laurent", eu sussurrei, o sangue escapando do meu rosto, mas Edward no respondeu, concentrado nos pensamentos de Carlisle.
O meu curto encontro com Laurent no incio da primavera no havia sido uma coisa que saiu ou ficou esquecida na minha cabea. Eu ainda me lembrava de cada palavra
que ele havia dito antes de Jacob e seu bando interromper.
Na verdade eu venho aqui como um favor pra ela.
Victoria. Laurent foi a primeira manobra que ela fez - ela o mandou pra observar, pra ver quo difcil seria me pegar. Ele no sobreviveu aos lobos pra contar a
histria.
Apesar de ter mantido seu velho lao com Victoria depois da morte de James, ele tambm havia formado novos vnculos e relacionamentos. Ele foi viver com Tnia e
sua famlia no Alaska - Tnia, a loira morango - os amigos mais prximos dos Cullen no mundo dos vampiros, praticamente uma extenso da famlia. Laurent esteve com
eles por quase um ano antes de sua morte.
Carlisle estava falando, sua voz no estava exatamente passiva. Persuasiva, talvez, mas com um tom.
"No h dvida disso", Carlisle disse numa voz esternada. "Ns temos um acordo. Eles no o quebraram e ns tambm no iremos. Eu lamento ouvir isso...  claro. Teremos
que fazer o melhor sozinhos".
Carlisle fechou o telefone sem esperar a resposta. Ele continuou a olhar para a nvoa.
"Qual  o problema?" Emmett murmurou pra Edward.
"Irina esteve mais envolvida com o nosso amigo Laurent do que pensvamos. Ele est com rancor dos lobos por terem destrudo ele pra salvar Bella. Ela quer -" Ele
pausou, olhando pra mim.
"V em frente" eu disse to uniformemente quanto pude.
Os olhos dele se apertaram. "Ela quer vingana. Destruir o bando. Eles trocariam sua ajuda pela nossa permisso".
"No!", eu ofeguei.
"No se preocupe", ele disse com uma voz vazia. "Carlisle jamais concordaria com isso". Ele hesitou, e depois suspirou. "E nem eu. Laurent sabia que isso aconteceria"-
isso era quase um rosnado - "e eu ainda devo aos lobos por aquilo".
"Isso no  bom", Jasper disse. " uma luta apertada demais. Ns teramos uma vantagem com habilidades, mas no em nmero. Ns venceramos, mas a que preo?"
Os olhos dele passaram pro rosto de Alice e depois se desviaram.
Eu quis gritar alto quando eu entend o que Jasper queria dizer.
Ns venceramos, mas perderamos. Algum no ia sobreviver.
Eu olhei ao redor da sala para os rostos deles - Jasper, Alice, Emmett, Rose, Esme, Carlisle... Edward - os rostos da minha famlia.

13. Declarao
"Voc no pode estar falando srio", eu disse, na quarta  tarde. "Voc est completamente louca!"
"Diga o que voc quiser sobre mim", Alice respondeu. "A festa ainda vai acontecer".
Eu encarei ela, os meus olhos estavam to arregalados de descrena que parecia que eles estavam prestes a cair e cair na minha bandeja do almoo.
"Oh, se acalme, Bella! No h razo pra no continuar com isso. Alm do mais, os convites j foram enviados".
"Mas... o... voc... eu... louca!", eu estalei.
"Voc j comprou o meu presente", ela me lembrou. "Voc no precisa fazer nada alm de aparecer".
Eu fiz uma esforo pra me acalmar. "Com tudo o que est acontecendo, uma festa dificilmente  apropriada."
"A formatura  o que est acontecendo, e uma festa  to apropriada que  quase pass".
"Alice!"
Ela suspirou, e tentou ficar sria. "Existem algumas coisas que precisamos pr em ordem agora, e isso vai levar algum tempo. Enquanto estivermos aqui sentados esperando,
ns podemos muito bem comemorar as coisas boas. Voc s vai se formar do colegial - pela primeira vez - uma vez. Voc no vai ser humana de novo, Bella. Essa  uma
chance nica na vida".
Edward, que estava em silncio durante a nossa discusso, deu um olhar de aviso pra ela. Ela mostrou a lngua pra ele. Ela estava certa - a voz suave dela nunca
ia se sobrepor  tagarelice do refeitrio. E em qualquer caso, ningum ia entender mesmo o significado das palavras dela.
"Que poucas coisas ns precisamos pr em ordem?", eu perguntei, me recusando a ser passada pra trs.
Edward respondeu com uma voz baixa. "Jasper acha que poderamos usar um pouco de ajuda. A famlia de Tnia no  a nica opo que temos. Carlisle est tentando
encontrar alguns velhos amigos, e Jasper est procurando por Peter e Charlotte. Ele est considerando falar com Maria..."
Alice estremeceu delicadamente.
"No deve ser to difcil convenc-los a ajudar", ele disse. "Ningum quer uma visita da Itlia".
"Mas esse amigos - eles no vo ser... vegetarianos, certo?", eu protestei, usando o apelido seguro que os Cullen davam a s mesmos.
"No", Edward respondeu, repentinamente sem expresso.
"Aqui? Em Forks?"
"Eles so amigos", Alice me assegurou. "Tudo vai ficar bem. No se preocupe. E depois, Jasper ter que nos dar alguns cursos sobre eliminao de recm-nascidos..."
Os olhos de Edward brilharam com isso, e um breve sorriso apareceu no rosto dele. De repente, parecia que o meu estmago estava cheio de de pequenos pedaos de gelo.
"Quando vocs vo?", eu perguntei com uma voz fraca. Eu no conseguia aguentar isso - a idia de que algum podia no voltar. E se fosse Emmett, to corajoso e irresponsvel
que nunca era nem minimamente cuidadoso? Ou Esme, to doce e maternal que eu nem podia imagin-la numa luta? Ou Alice, to pequena, de aparncia to frgil? Ou...
mas eu nem conseguia pensar no nome, considerar a possibilidade.
"Uma semana", Edward disse casualmente. "Isso deve nos dar tempo suficiente".
Os pedaos de gelo reviraram desconfortavelmente no meu estmago. De repente eu estava nauseada.
"Voc est verda, Bella", Alice comentou.
Edward passou o brao ao meu redor e me puxou com fora contra o lado do seu corpo. "Tudo vai ficar bem, Bella. Confie em mim".
Claro, eu pensei comigo mesma. Confie nele. No era ele que ia ter que sentar e se perguntar se a razo da existncia dele ia voltar pra casa.
E foi a que me ocorreu. Talvez eu no tivesse que ficar sentada. Uma semana era tempo mais que suficiente pra mim.
"Voc esto procurando por ajuda", eu disse lentamente.
"Sim", a cabea de Alice pendeu pra o lado enquanto ela processava o tom da minha voz.
Eu s olhei pra ela enquanto respondia. A minha voz s era um pouco mais alta que um suspiro quando eu respondi. "Eu podia ajudar".
O corpo de Edward ficou rigido de repente, o brao dele me apertando demais. Ele exalou, e o som foi um assobio.
Mas foi Alice, ainda calma, quem respondeu. "Isso no seria realmente uma ajuda"
"Porque no?", eu discut; eu podia ouvir a desespero na minha voz. "Oito  melhor que sete. H mais tempo do que o suficiente".
"No h tempo suficiente pra fazer com que voc seja uma ajuda, Bella", ela discordou friamente. "Voc se lembra de como Jasper descreveu os jovens? Voc no seria
boa em uma luta. Voc no seria capaz de controlar seus instintos, e isso faria de voc um alvo fcil. E a Edward ia se machucar tentando proteger voc" Ela cruzou
os braos no peito, satisfeita com a sua lgica indiscutvel.
E eu sabia que ela estava certa, quando ela falava desse jeito. Eu afundei na minha cadeira, a minha esperana repentina estava derrotada. Ao meu lado, Edward relaxou.
Ele sussurrou no meu ouvido. "No porque voc est com medo".
"Oh", Alice disse, e um olhar vazio passou pelo rosto dela. A expresso dela se tornou amarga. "Eu odeio cancelamentos de ltima hora. Ento isso significa que apenas
sessenta e cinco pessoas iro  festa..."
"Sessente e cinco!" Meus olhos se arregalaram de novo. Eu no tinha tantos amigos assim. Ser que eu conhecia tantas pessoas?
"Quem cancelou?" Edward imaginou, me ignorando.
"Rene"
"O qu?", eu ofeguei.
"Ela ia te fazer uma surpresa pela sua formatura, mas alguma coisa deu errado. Voc vai ter uma mensagem quando chegar em casa".
Por um momento, eu me deixei aproveitar o alvio. O que quer que tenha dado errado para a minha me, eu estava eternamente grata. Se ela tivesse vindo a Forks agora...
eu nem queria pensar nisso. A minha cabea ia explodir.
A luz de mensagens estava ligada quando eu cheguei em casa. O meu sentimento de alvio cresceu de novo quando eu ouv a minha me descrever o acidente de Phil no
campo de bola - enquanto estava demonstrando um passe, ele se bateu com o pegador e quebrou o osso da coxa; ele estava inteiramente dependente dela, e no tinha
como ela poder deixar ele. A minha me ainda estava se desculpando quando a mensagem caiu.
"Bom, essa  uma", eu suspirei.
"Uma o que?", Edward perguntou.
"Uma pessoa que eu no preciso me preocupar que seja assassinada essa semana"
Ele revirou os olhos.
"Porque voc e Alice no levam isso a srio?", eu quis saber. "Isso  srio"
Ele sorriu. "Confiana'.
"Maravilhoso", eu murmurei. Eu peguei o telefone e disquei o nmero de Rene. Eu sabia que essa seria uma longa conversa, mas eu tambm sabia que eu no teria que
contribuir muito.
Eu s escutei, e reassegurei ele todas as vezes que eu tinha a chance de falar: Eu no estava desapontada, eu no estava com raiva, eu no estava magoada. Ela podia
se conncentrar apenas em fazer Phil melhorar. Eu passei o meu "melhore logo" pra Phil, e promet ligar pra ela com todos os mnimos detalhes da formatura genrica
da Forks High. Finalmente, eu tive que usar a minha necessidade desesperada de estudar pra as provas finais para sair do telefone.
A pacincia de Edward no tinha fim. Ele esperou educadamente durante a conversa inteira, s brincando com o meu cabelo e sorrindo toda vez que eu olhava pra cima.
Provavelmente era superficial ficar reparando nessas coisas enquanto eu tinha tantas coisas importante com as quais me preocupar, mas o sorriso dele ainda me deixava
sem flego. Ele era to lindo que as vezes isso tornava difcil pensar em outra coisa, era difcil me concetrar nos problemas de Phil ou nas desculpas de Rene ou
em exrcitos de vampiros hosts. Eu era s uma humana.
Assim que eu desliguei, eu fiquei na pontas dos ps pra dar beijar ele. Ele colocou as mos em volta da minha cintura e me colocou no balco da cozinha, pra que
eu no tivesse que me esticar tanto. Isso fucionava pra mim. Eu travei os meus braos no pescoo dele e derret no peito frio dele.
Cedo demais, como sempre, ele se afastou.
Eu sent o meu rosto fazer um beicinho. Ele riu da minha expresso enquanto se destravava dos meus braos e das minhas pernas. Ele se inclinou no balco ao meu lado
e colocou um brao levemente sobre os meus ombros.
"Eu sei que voc pensa que eu tenho um tipo de auto-controle perfeito, inflexvel, mas na verdade esse no  o caso."
"Eu queria", eu suspirei.
E ele suspirou tambm.
"Amanh depois da escola", ele disse, mudando de assunto. "Eu vou caar com Carlisle, Esme e Rosalie. S por algumas horas - ns vamos ficar por perto. Alice, Jasper
e Emmett devem ser capazes de te manter segura".
"Ugh", eu murmurei. Amanh era o primeiro dia das provas finais, e s tnhamos aula durante a metade do dia. Eu tinha prova de Clculo e Histria - os dos nicos
desafios na minha lista - ento eu teria o dia quase o dia todo sem ele, e nada pra fazer alm de me preocupar. "Eu odeio ficar com babs".
" temporrio", ele prometeu.
"Jasper vai ficar enfadado. Emmett vai fazer piada de mim".
"Eles vo estar em seu melhor comportamento".
"Certo", eu estrondei.
E foi a que me ocorreu que eu tinha uma opo opo alm das babs. "Sabe... eu no estive em La Push desde a fogueira".
Eu observei o rosto dele pra qualquer mudana de expresso. Os olhos dele se estreitaram s um pouco.
"Eu ficaria segura o suficiente l", eu lembrei ele.
Ele pensou nisso por alguns segundos. "Provavelmente voc est certa".
O rosto dele estava calmo, mas estava suave demais. Eu quase perguntei se ele preferiria que eu ficasse aqui, mas a ei pensei nas bobagens que Emmett induvidavelmente
soltaria, e eu mudei de assunto. "Voc j est com sede?", eu me inclinei pra tocar as leves sombas embaixo dos olhos dele. As ris dele ainda tinham uma profunda
cor dourada.
"Na verdade no" Ele pareceu relutante em responder, e isso me surpreendeu. Eu esperei por uma explicao.
"Ns queremos estar to fortes quanto for possvel", ele explicou, ainda relutante. "Ns provavelmente vamos caar de novo no caminho, procurando por animais grandes"
"Isso te deixa mais forte?"
Ele procurou por alguma coisa no meu rosto, mas no havia nada pra encontrar alm de curiosidade.
"Sim", ele disse finalmente. "O sangue humano nos torna mais fortes, mas apenas fracionalmente. Jasper anda pensando em burlar as regras - mesmo tendo averso 
idia, ele  prtico demais - mas ele no quer nos sugerir. Ele sabe o que Carlisle vai dizer".
"Isso no ia ajudar?" eu perguntei baixinho.
"Isso no importa. No vamos mudar quem somos".
Eu fiz uma careta. Se alguma ajudava nas chances... e a eu estremec, me dando conta de que eu estava desejando que um estranho morresse pra proteger ele. Eu estava
horrorizada comigo mesma, mas tambm no era inteiramente capaz de descartar a idia.
Ele mudou de assunto de novo. " por isso que eles so to fortes,  claro. Os recm-nascidos so cheios de sangue humano - o prprio sangue deles, reagindo  mudana.
Ele permanece nos tecidos e os deixa mais forte. O corpo deles vai enfraquecendo lentamente, como Jasper disse, e a fora vao comeando a esvair em cerca de um ano".
"Quo forte eu vou ser?"
Ele sorriu pra mim. "Mais forte que eu".
"Mais forte que Emmett?"
O sorriso ficou maior. "Sim. Me faa o favor de desafiar ele para uma luta de brao. Seria uma boa experincia pra ele".
Eu r. Isso soava to ridculo.
A eu suspirei e desc do balco, porque eu realmente no podia mais adiar isso. Eu tinha que estudar, e estudar muito. Por sorte, eu tinha Edward pra me ajudar,
e Edward era um professor excelente - j que ele sabia absolutamente tudo. Eu me dei conta de que o meu maior problema seria me concentrar nos testes. Se eu no
me cuidasse, eu ia acabar escrevendo a minha redao de Histria sobra a guerra dos vampiros do Sul.
Eu fiz uma pausa pra ligar pra Jake, e Edward pareceu estar to confortvel quanto estava quando eu estava no telefone com Rene. Ele brincou com o meu cabelo de
novo.
Apesar de ser o meio da tarde, o meu telefonema acordou Jacob, e no incio ele estava grogue. Ele se alegrou imediatamente quando eu perguntei se podia fazer um
visita no dia seguinte.
A escola Quileute j estava de frias para o vero, ento ele me disse pra ir o mais cedo que pudesse. Eu estava contente por ter uma opo alm de ficar com babs.
Havia um pouco mais de dignidade em passar o dia com Jacob.
Um pouco dessa dignidade se perdeu quando Edward insistiu de novo em me levar  linha da fronteira como se fosse um beb mudando de custdia.
"Como voc acha que se saiu nas provas?" Edward perguntou no caminho, tentando puxar conversa.
"Histria foi fcil, mas eu no sei sobre Clculo. Parecia que estava fazendo um pouco de sentido, ento isso provavelmente significa que eu reprovei".
Ele riu. "Eu tenho certeza que voc se saiu bem. Ou, se voc estiver realmente preocupada, eu podia subornar o Sr. Varne pra ele te dar um Dez".
"Er, obrigada, mas no, obrigada".
Ele riu de novo, mas parou de repente quando ns viramos na ltima curva e vimos o carro vermelho esperando. Ele fez uma careta de concentrao, e ento, enquanto
parava o carro, ele suspirou.
"O que h de errado?", eu perguntei, minha mo na porta.
Ele balanou a cabea. "Nada". Os olhos dele estavam apertados enquanto ele olhava para o outro carro atravs do pra-brisa. Eu j tinha visto aquele olhar antes.
"Voc est escutando Jacob, no est?", eu acusei.
"No  muito fcil ignorar uma pessoa quando ela est gritando".
"Oh", eu pensei nisso por um segundo. "O que ele est gritando?", eu sussurrei.
"Eu estou absolutamente certo de que ele mesmo vai mencionar", Edward disse com um tom torto.
Provavelmente eu pudesse ter pressionado o assunto, mas a Jacob tocou sua buzina - duas vezes impacientemente.
"Isso  falta de educao", Edward rosnou.
"Esse  Jacob", eu suspirei, e eu me apressei pra sair antes que Jacob realmente fizesse alguma coisa que levasse os dentes de Edward ao limite.
Eu acenei pra Edward antes de entrar no Rabbit e,  distncia, parecia que ele realmente estava chateado com a histria da buzina... ou com o que quer que Jacob
estivesse pensando.
Mas os meus olhos eram fracos e cometiam erros o tempo inteiro.
Eu queria que Edward viesse comigo. Eu queria fazer com que eles dois sassem de seus carros e balanassem suas mos e fossem amigos - ser Edward e Jacob ao invs
de vampiro e lobisomem. Era como se eu tivesse aqueles dois ims teimosos nas minha mos de novo, e eu estava segurando eles juntos, tentando forar a natureza a
se reverter...
Eu suspirei e entrei no carro de Jacob.
"Ei, Bells", o tom de Jake era alegre, mas a voz dele estava embargada. Eu examinei o rosto dele enquanto ele descia a estrada, dirigindo seu carro mais rpido que
eu, mas mais devagar que Edward, no caminho de volta pra La Push.
Jacob parecia doente, talvez at doente. As plpebras dele caram e o rosto dele estava absorto. Seu cabelo cheio estava saindo em direes variadas; ele estava
quase chegando no queixo dele em alguns lugares.
"Voc est bem, Jake?"
"S cansado", ele conseguiu botar pra fora antes de dar um bocejo gigantesco. Quando ele terminou, ele perguntou. "O que voc quer fazer hoje?"
Eu olhei ele por um momento. "Vamos s ficar na sua casa por enquanto", eu suger. Ele no parecia estar com disposio pra fazer muito mais do que isso. "Ns podemos
andar nas nossas motos mais tarde".
"Claro,claro", ele disse, bocejando de novo.
A casa de Jacob estava vazia, e isso parece estranho. Eu me dei conta de que eu pensava em Billy praticamente como uma instalao permanente de l.
"Onde est o seu pai?"
"Na casa dos Clearwater. Ele tem ido bastante l desde que Harry morreu. Sue fica sozinha".
Jacob se sentou no sof que no era maior do que uma poltrona e foi um pouco pro lado pra me dar mais espao.
"Oh. Isso  legal. Pobre Sue".
"... ela est tendo alguns problemas...", ele hesitou. "Com os filhos".
"Claro, deve ser difcil pra Seth e Leah, perder o pai..."
"Uh-huh", ele concordou, perdido em pensamentos. Ele pegou o controle remoto e ficou passando os canais sem parecer prestar ateno nisso. Ele bocejou.
"O que h com voc, Jake? Voc parece um zumb".
"Eu dorm umas duas horas na noite passada, e quatro horas na noite anterior", ele me disse. Ele esticou seus longos braos lentamente, e eu pude ouvir as juntas
dele estalarem enquanto ele se flexionava. Ele colocou o brao em cima do encosto do sof atrs de mim, e se encostava pra descansar a sua cabea na parede. "Eu
estou exausto".
"Porque voc no est dormindo?", eu perguntei.
Ele fez uma cara. "Sam est sendo difcil. Ele no confia de verdade nos seus sugadores de sangue. Eu estive correndo em turno duplo por duas semanas e ningum me
tocou ainda, mas ele ainda assim no confia. Ento eu estou sozinho por enquanto".
"Turnos duplos? Isso  porque voc est tentando me vigiar? Jake, isso  errado! Voc precisa dormir. Eu vou ficar bem".
"No  grande coisa". Os olhos dele ficaram mais alerta abruptamente. "Ei, voc j descobriu quem estava no seu quarto? H algo novo?"
Eu ignorei a segunda pergunta. "No, ns no descobrimos nada sobre o meu, um, visitante".
"Ento eu vou ficar por perto", ele disse enquanto os olhos dele se fechavam.
"Jake..." eu comecei a choramingar.
"Ei, isso  o mnimo que eu posso fazer - eu oferec servido eterna. Eu sou seu escravo por uma vida".
"Eu no quero um escravo!"
Os olhos dele no se abriram. "O que voc quer, Bella?"
"Eu quero o meu amigo Jacob - e eu no quero ele meio-morto, se machucando em alguma tentativa desmandada de -"
Ele me cortou. "Olhe desse jeito - eu estou esperando encontrar um vampiro que eu possa matar, tudo bem?"
Eu no respond. A ele olhou pra mim, olhando para a minha reao.
"Brincando, Bella".
Eu encarei a TV.
"Ento, algum plano especial para a semana que vem? Voc vai se formar. Uau. Isso  grande". A voz dele ficou plana, e, o rosto dele, j cado, pareceu campletamente
desfigurado quando ele fechou os olhos de novo - dessa vez no com exausto, mas com negao.
Eu me dei conta de que a formatura ainda tinha uma significncia horrvel pra ele, apesar das minhas intenes estarem confusas agora.
"Nada de planos especiais", eu disse cuidadosamente, esperando que ele ouvisse a confiana nas minhas palavras sem precisar de explicaes detalhadas. Eu no queria
falar nisso agora. Pra comear, eu sabia que ele podia ler demais nas minhas reaes. "Bem, eu vou ter que ir a uma festa de formatura. A minha." eu fiz um som de
desgosto. "Alice adora festas, e ela convidou a cidade inteira para uma noitada. Vai ser horrvel".
Os olhos dele se abriram enquanto eu falava, e um sorriso aliviado fez o rosto dele parecer menos cansado. "Eu no fui convidado. Eu estou magoado", ele zombou.
"Considere-se convidado. Essa supostamente  a minha festa, ento eu devia poder convidar quem eu quiser".
"Obrigado", ele disse sarcasticamente, os olhos dele se fechando mais uma vez.
"Eu queria que voc pudesse vir", eu disse, sem nenhuma esperana. "Ia ser divertido. Pra mim, quer dizer".
"Claro, claro", ele murmurou. "Isso seria muito... sbio..." a voz dele parou.
Alguns segundos depois, ele estava roncando.
Pobre Jacob. Eu estudei seu rosto sonhador, e gostei do que v. Enquanto ele dormia, todos os traos de defesa e de amargura desapareceram, e de repente ele era
o garoto que havia sido o meu melhor amigo antes que toda essa bobagem de lobisomem se metesse no caminho. Ele parecia muito mais jovem. Ele parecia ser o meu Jacob.
Eu fiquei sentada no sof pra esperar o cochilo dele, esperando que ele dormisse um pouco e compensasse um pouco pelo que ele havia perdido. Eu passei pelos canais,
mas no havia muito passando. Eu escolh um programa culinrio, sabendo, enquanto eu assistia, que eu nunca havia me esforado tanto no jantar de Charlie. Jacob
continuava a roncar, ficando mais alto. Eu aumentei a TV.
Eu estava estranhamente relaxada, quase sonolenta tambm.
Essa casa parecia ser mais segura que a minha prpria, talvez porque ningum nunca havia vindo me procurar aqui. Eu me curvei no sof e pensei em tirar uma soneca
tambm. Talvez eu at tivesse, mas os roncos de Jacob eram impossveis de ignorar. Ento, ao invs de dormir, eu deixei minha mente vagar.
As provas finais tinham acabado, e a maioria delas tinha sido uma moleza. Clculo, a nica exceo, havia ficado pra trs, tendo eu passado ou reprovado. A minha
educao colegial estava acabada. E eu no sabia o que eu realmente sentia em relao a isso. Eu no conseguia olhar pra isso objetivamente, sendo que isso estava
conectado com o fim da minha vida humana.
Eu me perguntei por quanto tempo Edward usaria essa desculpa de "no porque voc est com medo". Eu ia ter que bater o p uma hora dessas.
Se eu estivesse pensando com praticidade, eu saberia que faria mais sentido se Carlisle me transformasse no segundo que eu ultrapassasse a barreira da formatura.
Forks estava se tornando quase to perigosa quanto uma zona de guerra. No, Forks era uma zona de guerra. Sem mencionar... essa seria uma boa desculpa pra perder
a festa de formatura. Eu sorr pra mim mesma quando pensei na mais trivial das razes para a minha mudana. Bobagem... mas ainda assim tentador.
Mas Edward estava certo - eu ainda no estava totalmente pronta.
E eu no queria ser prtica. Eu queria que Edward fizesse isso. Esse no era um desejo racional. Eu tinha certeza de que - cerca de dois segundos depois que algum
tivesse me mordido e o veneno comeasse a passar pelas minhas veias - eu realmente no me importaria com quem tinha feito. Ento isso no fazia diferena.
Era difcil definir, at pra mim mesma, porque isso importava. S que havia alguma coisa sobre ser ele a decidir a fazer a escolha - a querer ficar comigo o suficiente
pra permitir a minha mudana, era ele quem ia agir pra me manter junto a ele. Era infantil, mas eu gostava da idia de que os lbios dele seriam as ltimas coisas
que eu sentiria.
Mais vergonhoso ainda, uma coisa que eu jamais diria em voz alta, eu queria o veneno dele no meu sistema. Isso me faria pertencer a ele de maneira tangvel, qualificvel.
Mas eu sabia que ele ia ficar grudado nesse esquema de casamento feito cola - porque um adiamento era claramente o que ele estava procurando e at agora ele estava
conseguindo. Eu tentei me imaginar dizendo aos meus pais que ia me casar nesse vero. Seria mais fcil dizer pra eles que eu ia me tornar uma vampira. Eu eu tinha
certeza de que pelo menos a minha me - se eu contasse a ela todos os detalhes da verdade - iria se opor muito mais firmemente a me ver casando do que me tornando
uma vampira. Eu fiz uma careta pra mim mesma enquanto imaginei e expresso horrorizada dela.
Ento, por apenas um segundo, eu tive a mesma viso estranha de Edward e eu no balano da varanda, vestindo roupas de um outro tipo de mundo. Um mundo onde no seria
uma surpresa se eu usasse o anel dele no meu dedo. Um lugar mais simples, onde o amor era definido de formas simples. Um mais um igual a dois...
Jacob bufou e virou de lado. O brao dele escapuliu das costas do sof e me pressionou no corpo dele.
Minha nossa, mas ele era pesado! E quente. Eu j estava suando depois de alguns segundos.
Eu tentei escapar do brao dele sem acord-lo, mas eu tive que empurr-lo um pouco, e quando o brao dele caiu de cima de mim, os olhos dele se abriram. Ele ficou
de p num pulo, olhando ao redor ansiosamente.
"O qu? O qu?", ele perguntou, desorientado.
"Sou s eu, Jake. Desculpe por ter te acordado".
Ele virou pra olhar pra olhar mim, piscando e confuso. "Bella?"
"Oi, dorminhoco".
"Oh, cara! Eu peguei no sono? Eu lamento! Por quanto tempo eu fiquei fora?"
"Alguns anos luz. Eu perd as contas".
Ele se jogou de volta no sof ao meu lado. "Uau. Me desculpe por isso, srio".
Eu alisei o cabelo dele, tentando arrumar o emaranhado selvagem. "No se sinta mal. Eu estou feliz por voc ter dormido um pouco".
Ele bocejou e se esticou. "Eu estou intil esses dias. No  de se estranhar que Billy nunca est em casa. Eu sou to chato".
"Voc  legal", eu assegurei ele.
"Ugh, vamos l pra fora. Eu preciso caminhar seno eu vou desmaiar de novo".
"Jake, volte a dormir. Eu estou bem. Eu vou ligar pra Edward pra ele vir me pegar." Eu tateava os meus bolsos enquanto falava, e me dei conta de que eles estavam
vazios. "Droga, eu vou ter que usar o seu telefone. Eu acho que devo ter deixado no carro dele". Eu comecei a me desdobrar.
"No!", Jacob insistiu, pegando minha mo. "No, fique. Voc mal chegou aqui. Eu no posso acreditar que perd esse tempo todo".
Ele me puxou do sof enquanto falava, e guiou o caminho pro lado de fora, abaixando a cabea enquanto passava pelo arco da porta. Parecia ser Fevereiro, no Maro.
O ar invernal pareceu deixar Jacob mais alerta. Ele andou pra frente e pra trs na frente da casa por um minuto, me arrastando com ele.
"Eu sou um idiota", ele murmurou pra s mesmo
"Qual  o problema, Jake? E da que voc pegou no sono", eu levantei os ombros.
"Eu queria falar com voc. Eu no consigo acreditar nisso".
"Me diga agora", eu disse.
Jacob encontrou meus olhos por um segundo, e depois desviou o olhar rapidamente na direo das rvores. Quase pareceu que ele estava ficando corado, mas era difcil
dizer com a pele escura dele.
De repente eu me lembrei do que Edward me disse quando me deixou l - que Jacob me diria o que quer que ele estivesse gritando na cabea dele. Eu comecei a mordiscar
o meu lbio.
"Olha", Jacob disse. "Eu estava planejando fazer isso um pouco diferente". Ele riu, e a pareceu que ele estava rindo de s mesmo. "Mais sutilmente", ele acrescentou.
"Eu ia trabalhar nisso, mas" - e ele olhou para as nuvens, mais escuras com o progresso da tarde - "Eu estou sem tempo pra trabalhar".
Ele riu de novo, nervoso. Ns ainda estvamos vagando lentamente.
"Do que ns estamos falando?" eu quis saber.
Ele respirou fundo. "Eu quero te dizer uma coisa. E voc j sabe o que ... mas eu acho que devia dizer isso em voz alta do mesmo jeito. S pra que no haja confuso
sobre o assunto".
Eu plantei meus ps, e ele parou. Eu afastei a minha mo e cruzei os braos no peito. De repente eu tinha certeza de que no queria saber o que quer que ele estivesse
planejando.
As sobrancelhas de Jacob se uniram, jogando seus olhos fundos nas sombras. Eles eram pretos cor de piche quando ele olhou para os meus.
"Eu estou apaixonado por voc, Bella", ele disse com uma voz forte, segura. "Bella, eu te amo. E eu quero que voc me escolha ao invs dele. Eu sei que voc no
se sente assim, mas eu preciso colocar a verdade pra fora pra que voc conhea as suas opes. Eu no quero que nenhum mal entendido fique no nosso caminho."

14. Aposta
Eu encarei ele por um longo minuto, sem fala. Eu no podia pensar em uma coisa pra dizer pra ele.
Enquanto ele observava a minha expresso abobalhada, a seriedade abandonou o rosto dele.
"Tudo bem", ele disse sorrindo. "Isso  tudo".
"Jake -" eu me sent como se houvesse alguma coisa grande enfiada na minha garganta. Eu tentei limpar a obstruo. "Eu no posso - Eu quero dizer que eu no... eu
tenho que ir".
Eu me virei, mas ele agarrou meus ombros e me virou.
"No, espere. Eu sei disso, Bella. Mas, olha, me responda isso, tudo bem? Voc quer que eu v embora e nunca mais te veja te novo? Seja honesta".
Era difcil me concentrar na pergunta dele, ento eu levei um minuto pra responder. "No, eu no quero isso". Eu finalmente admit.
Jacob sorriu de novo. "Entendo".
"Mas eu no te quero por perto pela mesma razo que voc me quer por perto", eu me opus.
"Me diga exatamente porque voc me quer por perto, ento".
Eu pensei cuidadosamente. "Eu sinto sua falta quando voc no est por perto. Quando voc est feliz", eu qualifiquei cuidadosamente, "isso me deixa feliz. Mas eu
poderia dizer a mesma coisa sobre Charlie, Jacob. Voc  famlia. Eu amo voc, mas eu no estou amando voc".
Ele balanou a cabea, sem se abater. "Mas voc me quer por perto".
"Sim", eu suspirei. Ele era impossvel de desencorajar.
"Ento eu vou ficar por perto".
"Voc est pedindo por um castigo", eu rosnei.
"", ele acariciou a minha bochecha direita com a ponta dos seus dedos. Eu afastei a mo dele.
"Voc acha que pode se comportar um pouco melhor, pelo menos?", eu perguntei, irritada.
"No, eu no posso. Voc decide, Bella. Voc pode me ter do jeito que eu sou - com mal comportamente includo - ou no me ter".
Eu encarei ele, frustrada. "Isso  mal".
"Voc tambm ".
Isso me pegou de surpresa, e eu dei um passo involuntrio pra trs. Ele estava certo. Se eu no fosse m - e gananciosa tambm - eu diria a ele que no queria ser
sua amiga e iria embora.
Eu no sabia o que eu estava fazendo aqui, mas de repente eu tive certeza de que isso no era bom.
"Voc est certo", eu sussurrei.
Ele riu. "Eu te perdo. S tente no ficar com raiva demais de mim. Porque recentemente eu decid que eu no vou desistir. Essa  a parte irresistivel de uma causa
perdida".
"Jacob", eu o encarei em seus olhos escuros, tentando fazer ele me levar a srio. "Eu amo ele, Jacob. Ele  a minha vida".
"Voc me ama tambm", ele me lembrou. Ele levantou a mo quando eu comecei a protestar. "No do mesmo jeito, eu sei. Mas ele tambm no  sua vida. No mais. Talvez
ele tenha sido um dia, mas ele foi embora. E agora ele vai ter que lidar com as consequncias dessa escolha - eu".
Eu balancei minha cabea. "Voc  impossvel".
De repente, ele estava srio de novo. Ele pegou meu queixo com as mos, segurando firmemente pra que eu no pudesse desviar o olhar do seu.
"At que o seu corao pare de bater, Bella", ele disse. "Eu vou estar aqui - lutando. No esquea que voc tem opes".
"Eu no quero opes", eu discordei, tentando soltar meu queixo sem sucesso. "E as batidas do meu corao esto contadas, Jacob. O tempo est quase acabando".
Os olhos dele se estreitaram. "Muito mais razes pra lutar - lutar mais agora, enquanto eu posso.", ele sussurrou.
Ele ainda estava segurando o meu queixo - os dedos dele segurando com muita fora, at que doeu - e de repente eu v a resoluo nos olhos dele.
"N -", eu comecei a me opor, mas era tarde demais.
Os lbios dele apertaram os meus, parando o meu protesto. Ele me beijou raivosamente, a sua outra mo apertando a minha nuca com fora, tornando impossvel escapar.
Eu empurrei o peito dele com toda a minha fora, mas ele nem pareceu reparar. A boca dele era macia, apesar da raiva, os lbios dele se moldando aos meus de uma
forma clida, desconhecida.
Eu agarrei o rosto dele, tentando afast-lo, falhando novamente. Dessa vez, no entando, ele pareceu reparar, e isso o deixou agravado.
Os lbios dele foraram os meus a se abrir, e eu podia sentir a respirao quente dele na minha boca.
Agindo por instinto, eu deixei as minhas mos cairem dos meus lados, e fiquei quieta. Eu abri os meus olhos e no lutei, no sent... eu s esperei que ele parasse.
Funcionou. A raiva pareceu evaporar, e ele me afastou pra olhar pra mim. Ele pressionou os lbios dele levemente nos meus de novo, uma vez, duas... uma terceira
vez. Eu fing que era uma esttua e esperei.
Finalmente, ele soltou o meu rosto e se afastou.
"Voc acabou agora?" eu perguntei com uma voz sem expresso.
"Sim", ele suspirou. Ele comeou a sorrir, fechando os olhos.
Eu coloquei o meu brao pra trs, e o lancei pra frente, socando ele na boca com todo o poder que eu consegu forar a sair do meu corpo.
Houve um som de algo se partindo.
"Ow! OW!", eu gritei, pulando pra cima e pra baixo freneticamente com agonia enquanto apertava a minha mo no meu peito. Ela estava quebrada, eu podia sentir isso.
Jacob me encarou chocado. "Voc est bem?"
"No, droga! Voc quebrou a minha mo!"
"Bella, vocquebrou a sua mo. Agora pare de danar e me deixe dar uma olhada nisso".
"No me toque! Eu vou pra casa agora!"
"Eu vou pegar o meu carro", ele disse calmamente. Ele nem sequer estava esfregando a mandbula do jeito como as pessoas faziam nos filmes. Que pattico.
"No, obrigada", eu assobiei. "Eu prefiro caminhar" Eu me virei na direo da estrada. Seriam apenas alguns metros at a fronteira. Assim que eu me afastasse dele,
Alice ia me ver. Ela ia mandar algum pra vir me buscar.
"S me deixe te levar pra casa", Jacob insistiu. Inacreditavelmente, ele teve os nervos de passar o brao pela minha cintura.
Eu me afastei dele.
"T!", eu rosnei. "Me leve! Eu mal posso esperar pra ver o que Edward vai fazer com voc. Eu espero que ele quebre o seu pescoo, seu CACHORRO idiota, obnxio, mongolide!"
Jacob revirou os olhos. Ele me acompanhou at o lado do passageiro e me ajudou a entrar.
Quando ele sentou no lugar do motorista, ele estava assobiando.
"Eu no te machuquei nem um pouquinho?", eu perguntei, furiosa e enlouquecida.
"Voc est brincando? Se voc no tivesse comeado a gritar, eu podia nem ter descoberto que voc estava tentando me dar um soco. Eu posso no ser feito de pedra,
mas eu no sou to macio assim"
"Eu te odeio, Jacob Black".
"Isso  bom. dio  uma emoo apaixonada".
"Eu vou te dar paixo", eu murmurei por baixo do meu flego. "Assassinato, o maior crime apaixonado".
"Oh, vamos", ele disse, todo alegrinho e me olhando como se estivesse prestes a comear a assobiar de novo. "Aquilo teve que ser melhor do que beijar uma pedra".
"Nem remotamente perto", eu o disse friamente.
Ele torceu os lbios. "Voc pode estar dizendo isso da boca pra fora".
"Mas eu no estou".
Isso pareceu incomodar ele por um segundo, mas a ele continuou. "Voc s est com raiva. Eu no tenho experincia com esse tipo de coisa, mas eu mesmo achei que
foi bem incrvel".
"Ugh", eu rosnei.
"Voc vai pensar nisso essa noite. Quando ele achar que voc est adormecida, voc vai estar pensando nas suas opes".
"Se eu pensar em voc essa noite, ser porque eu estou tendo um pesadelo".
Ele diminuiu a velocidade do carro, se virando pra olhar pra mim com seus olhos escuros arregalados e ansiosos. "Pense em como poderia ser, Bella", ele urgiu com
uma voz suave, ansiosa. "Voc no teria que mudar nada por mim. Voc sabe que Charlie ficaria feliz se voc me escolhesse. Eu posso te proteger tanto quanto um vampiro
pode - talvez melhor. E eu te faria feliz, Bella. H tantas coisas que eu poderia te dar que ele no pode. Eu aposto que ele nem poderia te beijar daquele jeito
- porque ele iria te machucar. Eu jamais, jamais te machucaria, Bella".
Eu levantei a minha mo ferida.
Ele suspirou. "Isso no foi minha culpa. Voc devia saber que no devia fazer isso".
"Jacob, eu no posso ser feliz sem ele".
"Voc nunca tentou", ele discordou.
"Quando ele foi embora, voc gastou todas as suas energias se mantendo presa a ele. Voc podia ser feliz se voc esquecesse. Voc podia ser feliz comigo".
"Eu no quero ser feliz com ningum alm dele", eu insist.
"Voc nunca poder ter tanta certeza dele como tem de mim. Ele foi embora uma vez, ele pode ir de novo".
"No, ele no vai", eu disse por entre os dentes. A dor da minha memria bateu em mim como se fosse um golpe de chicote. Isso me fez querer machucar ele de volta.
"Voc me deixou uma vez", eu lembrei ele com uma voz fria, pensando nas semanas que ele havia se escondido de mim, as palavras que ele havia me dito na floresta
atrs da casa dele...
"Eu nunca fiz isso" ele discutiu ferventemente. "Ele me disseram que eu no podia te contar - que no era seguro pra voc se ns ficssemos juntos. Mas eu nunca
fui embora, nunca! Eu costumava correr ao redor da sua casa de noite - como eu fao agora. S pra ter certeza de que voc estava bem".
Eu no ia me deixar sentir mal por ele agora.
"Me leve pra casa. A minha mo est doendo".
Ele suspirou, e comeou a dirigir num velocidade normal, observando a estrada.
"S pense nisso, Bella".
"No", eu disse teimosamente.
"Voc vai. Essa noite. E eu vou estar pensando em voc enquanto voc estiver pensando em mim".
"Como eu disse, um pesadelo".
Ele sorriu maliciosamente pra mim. "Voc me beijou de volta".
Eu ofeguei, prendendo as minhas mos nos punhos de novo sem pensar, gemendo quando a minha mo quebrada reagiu.
"Voc est bem?", ele perguntou.
"Eu no correspond"
"Eu acho que eu sei dizer a diferena"
"Obviamente voc no sabe - aquilo no foi beijar de volta, aquilo foi tentar tirar voc de cima de mim, seu idiota".
Ele riu um riso baixo, gutural. "Tocante. Quase defensivo demais, eu diria".
Eu respirei fundo. No havia nenhum ponto em discutir com ele; ele ia distorcer tudo que eu dissesse. Eu me concentrei na minha mo, tentando flexionar os meus dedos,
pra tentar identificar quais eram as partes quebradas.
Dores agudas atingiram minhas juntas. Eu rosnei.
"Eu realmente sinto muito pela sua mo", Jacob disse, quase soando sincero. "Da prxima vez que voc quiser me bater use um basto de baseball ou uma alavanca, ok?"
"Eu no acho que eu vou esquecer disso", eu murmurei.
Eu no me dei conta de pra onde estvamos indo at que estvamos a estrada.
"Pra onde voc est me levando?" eu quis saber.
Ele me olhou com um olhar vazio. "Eu pensei que voc tivesse dito que queria ir pra casa?"
"Ugh. Eu acho que voc no pode me levar pra casa de Edward, pode?", eu apertei os meus dentes de frustrao.
Dor passou pelo rosto dele, e eu podia ver que isso tinha afetado ele mais do que qualquer outra coisa que eu tinha dito.
"Essa  a sua casa, Bella", ele disse em voz baixa.
"Sim, mas algum mdico mora aqui?" eu perguntei, levantando minha mo de novo.
"Oh", ele pensou nisso por um minuto. "Eu vou te levar pro hospital. Ou Charlie leva".
"Eu no quero ir para o hospital.  vergonhoso e desnecessrio".
Ele deixou o Rabbit encostar na porta da minha casa, pensando com uma expresso incerta. A viatura de Charlie estava na entrada de carros.
Eu suspirei. "V pra casa, Jacob".
Eu sai do carro estranhamente, indo em direo  casa. Ele desligou o motor atrs de mim, e eu estava menos surpresa do que aborrecida por ver Jacob ao meu lado
de novo.
"O que voc vai fazer?", ele perguntou.
"Eu vou colocar um pouco de gelo na minha mo, e depois eu vou ligar pra Edward e pedir pra ele vir me pegar e me levar at Carlisle pra ele poder conserta a minha
mo. Depois, se voc ainda estiver aqui, eu vou procurar uma alavanca".
Ele no respondeu. Ele abriu a porta da frente e a segurou aberta pra mim.
Ns passamos silenciosamente pela sala onde Charlie estava deitado no sof.
"Oi, crianas", ele disse, se inclinando pra frente. "Legal te ver por aqui, Jacob".
"Ei, Charlie", ele respondeu casualmente, pausando enquanto eu entrava na cozinha.
"O que h de errado com ela?" Charlie se perguntou.
"Ela acha que quebrou a mo", eu ouv Jacob dizer a ele. Eu fui para o freezer e tirei uma bandeja de gelo.
"Como ela fez isso?" Como meu pai, eu achava que Charlie devia estar um pouco menos divertido e um pouco mais preocupado.
Jacob riu. "Ela me bateu".
Charlie riu tambm, e eu fiz uma carranca enquanto batia a bandeja de gelo na pia. O gelo se soltou da bacia, e eu agarrei uma mo cheia deles com a minha mo boa
e coloquei os cubos de gelo em uma toalha de prato em cima do balco.
"Porque ela te bateu?"
"Porque eu beijei ela", Jacob disse, sem vergonha.
"Bom pra voc, garoto", Charlie parabenizou ele.
Eu apertei meus dentes e fui para o telefone. Eu liguei para o celular de Edward.
"Bella?", ele atendeu no primeiro toque. Ele parecia mais que aliviado - ele estava deliciado. Eu podia ouvir o motor do Volvo no fundo; ele j estava no carro -
isso era bom. "Voc esqueceu o telefone... eu lamento, Jacob te levou pra casa?"
"Sim" eu rosnei. "Voc pode vir me pegar, por favor?"
"Eu estou a caminho", ele disse imediatamente. "Qual  o problema?"
"Eu quero que Carlisle d uma olhada na minha mo. Eu acho que est quebrada".
Tudo tinha ficado quieto na sala da frente, e eu me perguntei quando Jacob ia embora. Eu dei um sorriso malfico, quando imaginei o desconforto dele.
"O que aconteceu?" Edward quis saber, a voz dele ficando vazia.
"Eu dei um murro em Jacob" eu admit.
"Bom", Edward disse vaziamente. "Apesar de eu lamentar que voc tenha se machucado".
Eu r uma vez, porque ele parecia to agradado quanto Charlie estava.
"Eu queria ter machucado ele", eu suspirei frustrada. "Eu no fiz nenhum estrago sequer".
"Eu posso arrumar isso", ele ofereceu.
"Eu estava esperando que voc dissesse isso"
Houve uma pequena pausa. "Essa no parece ser voc", ele disse, cauteloso agora. "O que ele fez?"
"Ele me beijou", eu rosnei.
E tudo o que eu ouv do outro lado da linha foi o som de um motor acelerando.
Na outra sala, eu ouv Charlie falando.
"Talvez seja melhor voc ir embora, Jake", ele sugeriu
"Eu acho que vou ficar por aqui, se voc no se importar".
"O funeral  seu", Charlie murmurou.
"O cachorro ainda est a?", Edward finalmente falou de novo.
"Sim".
"Eu estou na esquina", ele disse obscuramente, e a linha desconectou.
Eu desliguei o telefone, sorrindo, eu ouv o carro dele em alta velocidade na rua. Os freio protestaram altamente quando ele parou na frente de casa. Eu fui abrir
a porta.
"Como est a sua mo?" Charlie perguntou enquanto eu passei pela sala. Charlie pareceu desconfortvel. Jacpb sentou no sof ao lado dele, perfeitamente tranquilo.
Eu levantei o pacote de gelo pra mostrar. "Est inchando".
"Talvez voc devesse escolher gente do seu tamanho", Charlie sugeriu.
"Talvez", eu concordei. Eu caminhei pra abrir a porta. Edward estava esperando.
"Me deixe ver", ele murmurou.
Ele examinou minha mo gentilmente, to cuidadosamente que quase no me causou dor nenhuma. As mos dele eram quase to frias quanto gelo, e elas eram uma boa sensao
na minha pele.
"Voc estava certa quanto a estar quebrada", ele disse. "Eu estou orgulhoso de voc. Voc teve ter colocado um tanto de fora nisso aqui".
"Toda a que eu tinha", eu suspirei. "Aparentemente, no o suficiente".
Ele beijou a minha mo suavemente. "Eu vou cuidar disso", ele prometeu. E a ele chamou. "Jacob", a voz dele ainda estava baixa e uniforme.
"Agora, agora", Charlie precaviu.
Eu ouv Charlie levantar do sof. Jacob chegou no corredor primeiro, e muito mais silenciosamente, mas Charlie no estava muito atrs dele. A expresso de Jacob
estava alerta e ansiosa.
"Eu no quero nenhuma briga, voc est entendendo?" Charlie s olhou pra Edward enquanto falava. "Eu posso colocar o meu distintivo na histria se precisar fazer
o meu pedido ser mais oficial".
"Isso no ser necessrio", Edward disse com uma voz restringida.
"Porque voc no me prende, Pai?", eu suger. "Sou eu que estou distribuindo socos".
Charlie ergueu uma sobrancelha.
"Voc quer prestar queixa, Jake?"
"No", Jacob sorriu, incorrigvel. "Eu vou querer o troco um diz desses".
Edward fez uma careta.
"Pai, voc no tem um taco de baseball em algum lugar no seu quarto? Eu quero ele emprestado por um minuto".
Charlie olhou pra mim uniformemente. "Chega, Bella".
"Vamos fazer Carlisle dar uma olhada na sua mo antes que voc acabe num cela de cadeia", Edward disse. Ele colocou o brao ao meu redor e me puxou em direo 
porta.
"T", eu disse, me inclinando pra ele. Eu j no estava mais com tanta raiva, agora que Edward estava comigo. E me sent confortada, e a minha mo j no me incomodava
tanto.
Ns estvamos na calada quando eu ouv Charlie sussurrando ansiosamente atrs de mim.
"O que voc est fazendo? Voc est louco?"
"Me d um minuto, Charlie", Jacob respondeu. "No se preocupe, eu volto logo".
Eu olhei pra trs e Jacob estava nos seguindo, parando pra fechar a porta na cara surpresa e nervosa de Charlie.
Edward ignorou ele no incio, me levando para o carro. Ele me ajudou a entrar, fechou a porta, e a se virou pra encarar Jacob na calada.
Eu me inclinei ansiosamente pela janela aberta. Charlie era visvel de dentro da casa, espiando pelas cortinas da sala da frente.
A postura de Jacob estava casual, os braos cruzados no peito, mas os msculos da mandbula dele estavam trincados.
Edward falou numa voz to pacfica e gentil que isso deixou as palavras estranhamente ainda mais assustadoras. "Eu no vou te matar, porque isso iria aborrecer Bella".
"Hmph", eu rosnei.
Edward se virou um pouco pra me jogar um sorriso. O rosto dele ainda estava calmo. "Isso ia te encomodar de manh", ele disse, acariciando a minha bochecha com os
dedos.
Ele virou de volta pra Jacob.
"Mas se voc a trouxer machucada de novo - eu no me importo de quem seja a culpa; eu no me importo se ela s tropear, ou se um meteoro cair do cu e atingir a
cabea dela - se voc retornar com ela em uma condio menos que perfeita do que aquela em que eu a deixei, voc vai correr com trs pernas. Voc entendeu isso,
mongol?"
Jacob revirou os olhos.
"Quem vai voltar l?", eu murmurei.
Edward continuou como se no tivesse me ouvido. "E se voc a beijar de novo, eu vou quebrar a sua mandbula por ela", ele prometeu, a voz dele ainda gentil e macia
e mortal.
"E se ela quiser que eu a beije?" Jacob respondeu, arrogante.
"Hah!", eu ronquei.
"Se isso for o que ela quer, eu no vou me opor", Edward levantou os ombros, sem problemas. "Voc deve querer que ela diga que quer, ao invs de confiar na sua interpretao
de linguagem corporal - mas o rosto  seu".
Jacob sorriu.
"Voc bem que queria", eu rosnei.
", ele quer", Edward murmurou.
"Bom, se voc j colocou medo na minha cabea", Jacob disse com um tom grosso de aborrecimento. "Porque voc no cuida da mo dela?"
"Mais uma coisa", Edward disse lentamente. "Eu vou lutar por ela tambm. Voc devia saber disso. Eu no estou dando nada como garantido, e eu vou lutar duas vezes
mais que voc".
"Bom", Jacob rosnou. "No tem graa derrotar uma pessoa que se d por vencido".
"Ela  minha" a voz baixa de Edward ficou sombria de repente, no to composta como antes. "Eu no disse que ia lutar justo".
"Nem eu".
"Boa sorte".
Jacob balanou a cabea. "Que o melhor homem vena".
"Isso parece certo... cozinho".
Jacob fez uma careta brevemente, e a comps o rosto e se inclinou ao redor de Edward pra sorrir pra mim. Eu rosnei de volta.
"Eu espero que a sua mo melhore logo. Eu realmente lamento que voc tenha se machucado".
Infantilmente, eu virei o meu rosto pra desviar dele.
Eu no olhei pra cima de novo enquanto Edward arrodeava o carro e entrava no lado do motorista, ento eu no sabia se Jacob tinha voltado pra casa ou se continuava
l, me olhando.
"Como voc se sente?", Edward perguntou enquanto ia embora.
"Irritada"
Ele gargalhou. "Eu estava falando da sua mo".
Eu levantei os ombros. "Eu j passei por pior".
"Verdade", ele concordou, e fez uma careta.
Edward arrodeou a casa, indo at a garagem. Emmett e Rosalie estavam l, as pernas perfeitas de Rosalie eram reconhecveis, mesmo com um jeans rasgado, estavam saindo
por debaixo do jipe enorme de Emmett. Emmett estava sentado ao lado dela, uma mo inclinada por debaixo do jipe em direo a ela. Me levou um momento pra perceber
que ele estava agindo como ajudante.
Emmett observou curiosamente enquanto Edward me ajudava a sair do carro cuidadosamente. Os olhos dele pararam na mo que eu estava segurando contra o peito.
Emmett sorriu. "Caiu de novo, Bella?"
Eu encarei ele penetrantemente. "No, Emmett. Eu dei um soco na cara de um lobisomem".
Emmett piscou, e a caiu num riso estrondoso.
Enquanto Edward passava por eles, Rosalie falou de baixo do carro.
"Jasper vai ganhar a aposta", ela disse presumidamente.
Emmett parou de rir imediatamente, e ele me estudou com olhos apreensivos.
"Que aposta?", eu quis saber, parando.
"Vamos te levar at Carlisle", Edward apressou. Ele estava encarando Emmett. A cabea dele balanou minimamente.
"Que aposta"?, eu insist enquanto me virava pra ele.
"Obrigado, Rosalie", ele murmurou enquanto apertava seu brao ao redor da minha cintura e me puxava em direo  casa.
"Edward...", eu rosnei.
" uma infantilidade", ele levantou os ombros. "Emmett e Jasper gostam de apostar".
"Emmett vai me contar", eu tentei me virar, mas o brao dele parecia ao ao meu redor.
Ele suspirou. "Eles esto apostando quantas vezes voc vai... escorregar no seu primeiro ano".
"Oh", eu fiz uma careta e tentei esconder o meu horror enquanto me dava conta do que ele queria dizer.
"Eles esto apostando quantas pessoas eu vou matar?"
"Sim", ele admitiu sem vontade. "Rosalie acha que o seu temperamento vai virar as chances a favor de Jasper".
Eu me sent um pouco alta. "Jasper est apostando alto".
"Se voc tiver dificuldades em se ajustar, isso vai fazer com que ele se sinta melhor. Ele est cansado de ser o elo mais fraco".
"Claro.  claro que sim. Eu acho que eu posso cometer alguns homicdios extras, se isso deixa Jasper feliz. Porque no?" eu estava tagarelando, a minha voz era um
tom vazio e montono. Na minha cabea eu estava vendo as manchetes de jornais, as listas com os nomes...
Ele me apertou. "Voc no precisa se preocupar com isso agora. Na verdade, voc nunca vai ter que se preocupar com isso, se no quiser".
Eu gem, e Edward, pensando que era a minha dor que estava me incomodando, me puxou mais rpido em direo  casa.
A minha mo estava quebrada, mas no havia nenhum dano srio, s uma fissura pequena numa das juntas. Eu no quis gesso, e Carlisle disse que eu ficaria bem com
uma tipia se eu prometesse no tir-la. Eu promet.
Edward reparou que eu estava fora enquanto Carlisle colocava cuidadosamente uma tipia na minha mo. Ele perguntou preocupado algumas vezes se eu estava com dor,
mas eu o assegurei de que estava bem.
Como se eu precisasse - ou tivesse espao pra isso - me preocupar com outra coisa.
Todas as histrias de Jasper sobre vampiros recm-criados haviam estado coladas na minha cabea desde que ele explicou o seu passado. Agora essas histrias pulavam
afiadamente na minha mente por causa da notcia da aposta dele e de Emmett. Eu me perguntei  toa o que eles estavam apostando. Que tipo de prmio te motiva quando
voc j tem tudo?
Eu sempre soube que eu seria diferente. Eu esperava ser to forte quanto Edward disse que eu seria. Forte e rpida, e acima de tudo, linda. Algum que podia ficar
ao lado de Edward e sentir que era l que ela pertencia.
Eu estive tentando no pensar muito nas outras coisas que eu seria. Selvagem. Sedenta por sangue. Talvez eu no fosse capaz de me impedir a matar as pessoas. Estranhos,
pessoas que nunca me fizeram mal. Pessoas como o nmero de vtimas que crescia em Seattle, que tinham famlia e amigos e futuros. Pessoas que tinham vidas. E eu
podia ser o monstro que as tiraria delas.
Mas, na verdade, eu podia lidar com essa parte - porque eu confiava em Edward, confiava nele absolutamente, pra me impedir de fazer qualquer coisa da qual eu me
arrependesse. Eu sabia que ele me levaria para a Antrtida pra caar pinguins se eu pedisse isso a ele. E eu faria o que quer que fosse pra ser uma pessoa boa. Uma
boa vampira. Isso pensamento me faria rir, se no fosse a preocupao.
Porque, se eu fosse desse jeito de alguma forma - como as imagens dos recm-nascidos dos pesadelos que eu tinha na minha cabea - como  que eu podia possivelmente
ser eu? E se eu quisesse matar pessoas, o que aconteceria com as coisas que eu queria agora?
Edward estava obcecado pra que eu no perdesse nada enquanto era humana. Geralmente, isso parecia meio bobo. No eram as experincias humanas que eu tinha medo de
perder. Contanto que eu estivesse com Edward, o que mais eu poderia pedir?
Eu observei o rosto dele enquanto ele obervava Carlisle consetar a minha mo. No havia nada no mundo que eu quisesse mais do que ele. Iria isso, poderia isso, mudar?
Ser que havia uma experincia humana da qual eu no quisesse abrir mo?

15. poca
"Eu no tenho nada pra vestir!", eu gem pra mim mesma.
Todos os tens de roupa que eu tinha estavam espalhados em cima da minha cama; as minhas gavetas e armrios estavam vazios. Eu encarei os recessos vazios, desejando
que alguma coisa que servisse aparecesse.
A minha saia khaki estava estendida nas costas da cadeira de balano, esperando que eu encontrasse alguma coisa que combinasse perfeitamente bem com ela. Alguma
coisa que me fizesse parecer linda e adulta. Alguma coisa que dissesse ocasio especial. Eu estava ficando vazia.
J estava quase na hora de ir, e eu ainda estava usando o meu moleton velho favorito. A no ser que eu conseguisse encontrar alguma coisa melhor l - e as chances
no eram boas at esse ponto - eu ia me formar usando eles.
Eu fiz uma careta para a pilha de roupas em cima da minha cama.
O problema  que eu sabia exatamente o que eu usaria se ela ainda estivesse disponvel - a minha blusa vermelha sequestrada. Eu soquei a parede com a minha mo boa.
"Vampiro estpido, ladro, chato!", eu rosnei.
"O que foi que eu fiz?", Alice quis saber.
Ela estava encostada casualmente ao lado da janela aberta como se tivesse estado l o tempo todo.
"Toc, toc", ela acrescentou com um sorriso.
"Ser que realmente  to difcil esperar que eu abra a porta?"
Ela jogou uma caixa branca, plana, em cima da cama. "Eu estou s de passagem. Eu achei que voc podia precisar de alguma coisa pra vestir".
Eu olhei para o pacote grande que estava em cima da minha pilha de roupas insatisfatrias, e fiz uma careta.
"Admita", Alice disse. "Eu sou uma salvadora".
"Voc  uma salvadora", eu murmurei. "Obrigada".
"Bem,  legal entender uma coisa certa s pra variar. Voc no sabe o quanto  irritante - perder as coisas do jeito que eu tenho perdido. Eu me sinto to intil.
To... normal". Ela estremeceu de horror com a palavra.
"Eu nem posso imaginar o quanto isso seria horrvel. Ser normal? Ugh".
Ela riu. "Bem, pelos menos isso ajeita as coisas por eu no ter visto o seu ladro chato - agora eu s tenho que descobrir o que eu no estou vendo em Seattle".
Quando ela disse as palavras assim - colocando duas situaes juntas em uma frase -bem a eu tive um clique. A coisa elusiva que esteve me incomodando por dias,
a conexo importante que eu no conseguia ligar, ficou clara de repente. Eu encarei ela, meu rosto ficou congelado com qualquer que fosse a expresso que j estava
l.
"Voc no vai abrir?", ela perguntou. Ela suspirou quando eu no me mov imediatamente, e retirou ela mesma o topo da caixa. Ela puxou alguma coisa l de dentro
e segurou, mas eu no consegu me concentrar no que era. "Bonito, voc no acha? Eu escolh azul, porque eu sei que  a cor favorita de Edward em voc".
Eu no estava ouvindo.
" o mesmo", eu sussurrei.
" o que?", ela quis saber. "Voc no tem nada parecido com isso. Pra falar a verdade, voc s tem uma saia!"
"No, Alice! Esquea as roupas, escute!"
"Voc no gostou?" o rosto de Alice ficou nublado de desapontamento.
"Alice, escute, voc no consegue ver?  o mesmo! O mesmo que invadiu e roubou as minhas coisas, e os vampiros de Seattle. Eles esto juntos!"
As roupas escapuliram dos dedos dela e caram de volta na caixa.
Alice se concentrou agora, a voz dela estava afiada de repente. "Porque voc acha isso?"
"Lembra do que Edward disse? Sobre algum estar usando os buracos das suas vises pra evitar que voc visse os recm-nascidos? E tambm o que voc disse antes, sobre
o timing ser perfeito demais - o quanto o meu ladro havia sido cuidadoso pra no entrar em contato, como se ele soubesse que voc ia ver isso. Eu acho que voc
estava certa, Alice, eu acho que ele sabia. Eu tambm acho que ele estava usando os buracos. E quais so as chances de duas pessoas no apenas saberem disso, mas
tambm decidirem agir ao mesmo tempo? Sem chance.  uma pessoa s. A mesma pessoa. A pessoa que est criando o exrcito  a pessoa que roubou o meu cheiro".
Alice no estava acostumada a ser pega de surpresa. Ela congelou, e ficou imvel por tanto tempo que eu comecei a contar na minha cabea enquanto esperava. Ela no
se moveu por dois minutos inteiros. A os olhos dela se refocaram em mim.
"Voc est certa", ela disse com um tom superficial. " claro que voc est certa. E quando voc coloca as coisas desse jeito..."
"Edward entendeu errado", eu sussurrei. "Isso era um teste... pra ver se daria certo. Se ele podia entrar e sair em segurana contanto que ele no fizesse nada que
voc estava esperando pra ver. Como tentar me matar... E ele no levou as minhas coisas pra provar que tinha me encontrado. Ele roubou o meu cheiro... pra que outros
pudessem me encontrar".
Os olhos dela estavam arregalados com o choque. Eu estava certa, e eu podia ver que ela sabia isso tambm.
"Oh, no", ela fez com a boca.
Eu j nem esperava mais que as minhas emoes fizessem sentido. Enquanto eu processava o fato de que algum havia criado um exrcito de vampiros - o exrcito que
matou horrivelmente dezenas de pessoas em Seattle - com o propsito expresso de me destruir, eu sent um espasmo de alvio.
Parte disso era dissolver aquele sentimento irritante de que eu estava perdendo algo vital.
Mas a maior parte era uma coisa completamente diferente.
"Bem", eu sussurrei, "Todo mundo pode relaxar. Ningum est tentando eliminar os Cullen no final das contas".
"Se voc pensa que alguma coisa mudou, voc est absolutamente enganada", Alice disse por entre os dentes. "Se algum quer uma de ns, vai ter passar por cima de
todos ns pra chegar at ela".
"Obrigada, Alice. Mas pelo menos ns j sabemos de quem eles realmente esto atrs. Isso deve ajudar".
"Talvez", ela murmurou. Ela comeou a andar pra frente e pra trs pelo meu quarto.
Thud, thud - um pulso bateu na porta.
Eu pulei. Alice nem pareceu reparar.
"Voc no est pronta ainda? Ns vamos nos atrasar!" Charlie reclamou, parecendo nervoso.
Charlie odiava ocasies quase tanto quanto eu. Nesse caso, muito do problema tinha a ver com me vestir.
"Quase. Me d um minuto", eu disse roucamente.
Ele ficou quieto por meio segundo. "Voc est chorando".
"No. Eu estou nervosa. V embora".
Eu ouv ele descendo as escadas.
"Eu tenho que ir". Alice sussurrou.
"Porque?"
"Edward est vindo. Se ele ouvir isso..."
"V, v!" eu apressei imediatamente. Edward ia pirar quando soubesse. Eu no podia esconder dele por muito tempo, mas talvez a cerimnia de formatura no fosse a
melhor hora para a reao dele.
"Vista isso", Alice comandou enquanto saia pela janela.
E eu fiz o que ela dizia, me vestindo em meio a uma nvoa.
Eu estive plenanejando fazer alguma coisa mais sofisticada com o meu cabelo, mas eu estava sem tempo, ento ele ficou liso e chato como em qualquer outro dia. Isso
no importava. Eu no me importei em olhar para o espelho, ento eu no fazia idia de como o suter e a saia de Alice estavam em mim. Isso tambm no importava.
Eu joguei o robe horrorozo de formatura de polister amarelo por cima do brao e corr escadas  baixo.
"Voc est bonita" Charlie disse, j abobalhado com alguma emoo suprimida. "Isso  novo?"
"", eu murmurei, tentando me concentrar. "Alice me deu. Obrigada".
Edward chegou apenas alguns minutos depois que a irm dele foi embora. Isso no foi tempo suficiente pra que eu colocasse uma fachada calma. Mas, j que amos na
viatura com Charlie, ele no teve chance de me perguntar o que havia de errado.
Charlie ficou teimoso na semana passada quando ele descobriu que eu pretendia pegar uma carona com Edward para a cerimnia de formatura. E eu entendia o ponto dele
- pais deviam ter alguns direitos nos dias de formatura. Eu conced de boa vontade, e Edward sugeriu alegremente que ns deviamos ir todos juntos. J que Carlisle
e Esme no tinham problema nenhum com isso, Charlie no pde inventar uma objeo convincente; ele concordou de m vontade.
E agora Edward estava no banco de trs do carro de polcia do meu pai, atrs do vidro de fibra, com uma expresso divertida - provavelmente devida a expresso divertida
do meu pai, e do sorriso que se abria no rosto de Charlie toda vez que Charlie olhava pra Edward pelo espelho retrovisor. O que certamente significava que Charlie
estava imaginando coisas que iam faz-lo ter problemas comigo se ele as dissesse em voz alta.
"Voc est bem?" Edward sussurrou quando ele me ajudou a sair do banco da frente no estacionamento da escola.
"Nervosa", eu respond, e isso nem era uma mentira.
"Voc est to linda", ele disse.
Ele parecia estar querendo dizer mais, mas Charlie, em uma manobra bvia que ele pretendia fazer com que fosse subta, se meteu no meio de ns dois e passou o brao
pelos meus ombros.
"Voc est excitada?", ele me perguntou.
"Na verdade no", eu admit.
"Bella, esse  um negcio grande. Voc est se formando no colegial. Esse agora  o mundo real pra voc. Faculdade. Morar sozinha... Voc no  mais a minha garotinha".
Charlie engasgou um pouco no final.
"Pai", eu gem. "Por favor no fique choramingando em cima de mim".
"Quem est choramingando?", ele rosnou. "Agora, porque voc no est excitada?"
"Eu no sei, pai. Eu acho que a ficha ainda no caiu ou algo assim".
" bom que Alice esteja dando uma festa. Voc precisa de alguma coisa pra te animar".
"Claro. Uma festa  exatamente o que eu preciso".
Charlie riu com o meu tom e apertou os meus ombros. Edward olhou para as nuvens, o rosto dele estava pensativo.
O meu pai teve que nos deixar na porta de trs do ginsio e arrodear pela entrada principal como os outros pais.
Estava um pandemnio enquanto a Sra. Cope do escritrio da frente e o Sr. Varner o professor de Matemtica tentavam colocar todo mundo em uma linha na ordem alfabtica.
"Para a frente, Sr. Cullen", o Sr. Varner rosnou.
"Ei, Bella!"
Eu olhei pra cima pra ver Jessica Stanley acenando pra mim no final da linha com um sorriso no rosto.
Edward me beijou rapidamente, suspirou, e foi ficar onde os C's estavam. Alice no estava l. O que ela ia fazer? Perder a formatura? Que timing pobre que eu tinha.
Eu devia ter esperado pra solucionar as coisas quando isso tudo j estivesse acabado.
"Aqui, Bella!" Jessica chamou de novo.
Eu caminhei pela fila pra tomar meu lugar atrs de Jessica, um pouco curiosa pra saber porque ela estava to amigvel de repente. Quando eu cheguei mais perto, eu
v Angela cinco pessoas atrs, observando Jessica com a mesma curiosidade.
Jess j estava tagarelando antes que eu estivesse no campo de audio.
"... to incrvel. Quer dizer, perece que acabamos de nos conhecer, e agora estamos nos formando juntas", ela botou pra fora. "D pra acreditar que est acabado?
Eu estou com vontade de gritar!"
"Eu tambm", eu murmurei.
"Isso tudo  to incrvel. Voc se lembra do seu primeiro dia aqui? Ns ficamos amigas, tipo, imediatamente. Desde a primeira vez que a gente se viu. Incrvel. Agora
eu vou para a Califrnia e voc vai estar no Alaska e eu vou sentir tanto a sua falta! Voc tem que prometer que a gente vai se encontrar de vez em quando! Eu estou
to feliz porque vamos ter uma festa. Isso  perfeito. Porque ns realmente no ficamos muito juntas a algum tempo e agora estamos indo embora..."
Ela tagarelou e tagarelou, e eu tinha certeza de que o retorno repentino da amizade era por causa da nostalgia da formatura e por causa do convite para a festa,
no que eu tivesse alguma coisa a ver com isso. Eu prestei tanta ateno quanto podia enquanto entrava no meu robe. E eu descobr que estava feliz que as coisas
pudessem acabar em bons termos com Jessica.
Porque as coisas estavam acabando, no importava o que Eric, o discussor, tivesse a dizer sobre comeo significar "incio" e todo o resto daquelas bobagens to usadas.
Talvez eu mais do que para o resto, mas todos ns estavam deixando alguma coisa pra trs hoje.
Tudo acabou to rpido. Eu me sent como se tivesse apertado o boto de "passar".
Era pra estarmos todos andando to rpido? E a Eric estava falando velozmente com o seu nervosismo, as palavras e as frases estavam correndo juntas at que elas
j no faziam mais sentido. O Diretor Greene comeou a chamar nomes, um depois do outro sem tempo suficiente pra uma pausa entre eles; a linha da frente do ginsio
estava se apressando pra acompanhar. A pobre Sra. Cope estava toda atrapalhada enquanto tentava dar os diplomas certos ao diretor que ia ser entregue ao estudante
certo.
Eu observei enquanto Alice, aparecendo de repente, danou at o palco pra pegar o dela, um olhar de profunda concentrao em seu rosto. Edward seguiu atrs dela,
com a expresso confusa, mas no aborrecida. Somente eles dois podiam andar por a usando aquele amarelo odioso e ainda assim ficarem daquele jeito. Eles se destacavam
do resto da multido, com sua beleza e graa alm desse mundo. Eu me perguntei como eu havia cado na fara dele de serem humanos. Um par de anjos, l de p com
suas asas intactas, seriam menos suspeitos.
Eu ouv o Sr. Greene chamar o meu nome e me levantei, esperando que a fila na minha frente se movesse. Eu estava consciente dos aplausos no fundo do ginsio, e me
virei pra ver Jacob colocando Charlie de p, eles dois estavam gritando pra me encorajar. Eu s consegu ver o topo da cabea de Billy embaixo do cotovelo de Jacob.
Eu consegu jogar pra eles a aproximao de um sorriso.
O Sr. Greene terminou com a lista de nomes, e depois continuou a nos dar os nossos diplomas com um sorriso envergonhado enquanto passvamos.
"Parabns, Senhorita Stanley", ele murmurou enquanto Jess pegou o dela.
"Parabns, Senhorita Swan", ele murmurou pra mim, pressionando o diploma na minha mo boa.
"Obrigada", eu murmurei.
E isso foi tudo.
Eu fui ficar ao lado de Jessica junto com os outros estudantes. Jess estava toda vermelha ao redor dos olhos, e ela ficava limpando os olhos com a manga do robe
o tempo inteiro. Eu levei um segundo pra entender que ela estava chorando.
O Sr. Greene disse alguma coisa que eu no ouv, e todo mundo ao meu redor comeou a gritar. Comearam a chover chapus amarelos. Eu tirei o meu, tarde demais, e
s deixei ele cair no cho.
"Oh, Bella!" Jess falou por cima dos rumores repentinos de conversa. "Eu no acredito que acabamos."
"Eu no acredito que esteja tudo acabado", eu murmurei.
Ela jogou os braos ao redor do meu pescoo. "Voc tem que me prometer que no vamos perder o contato".
Eu abracei ela de volta, me sentindo estranha enquanto despistava o pedido dela. "Eu estou to feliz, sabe, Jessica. Foram dois bons anos".
"Foram", ela suspirou, e fungou. E a ela deixou os braos carem. "Lauren!" ela esguichou, acenando por cima da cabea e empurrando a massa de roupas amarelas.
As famlias estavam comeando a se juntar, se apertando com fora uns aos outros.
Eu dei uma olhada em Angela e Ben, mas eles estavam cercados por suas famlias. Seria bom dar os parabns a eles.
Eu virei a minha cabea, procurando por Alice.
"Parabns", Edward cochichou no meu ouvido, os braos dele passando pela minha cintura. A voz dele estava subjulgada; ele no estava com pressa de me ver atingir
esse marco em particular.
"Um, obrigada".
"Parece que voc ainda no superou os nervos", ele reparou.
"Ainda no".
"O que mais te preocupa? A festa? No vai ser to horrvel".
"Provavelmente voc est certo".
"Por quem voc est procurando?"
A minha procura no era to subta quanto eu pensava. "Alice - onde ela est?"
"Ela saiu correndo assim que pegou o diploma dela".
A voz dele tomou um novo tom. Eu olhei pra cima pra ver a expresso confusa dele enquanto ele olhava na direo das portas de trs do ginsio, e eu tomei uma deciso
impulsiva - o tipo de coisa na qual eu devia pensar duas vezes antes de fazer, mas reramente pensava.
"Voc est preocupado com Alice?", eu perguntei.
"Er..." ele no queria responder a isso.
"O que ela estava pensando afinal? Quer dizer, pra te manter do lado de fora".
Os olhos dele desceram para o meu rosto, e se estreitaram com suspeita. "Ela estava traduzindo o Hino de Batalha da Repblica pra rabe, na verdade. Quando ela acabou
com isso, ela passou para a linguagem dos sinais Coreana".
Eu r nervosamente. "Eu acho que isso manteria a cabea dela ocupada o suficiente".
"Voc sabe o que ela estava escondendo de mim", ele acusou.
"Claro", eu disse com um sorriso fraco. "Fui eu que inventei isso tudo".
Ele esperou, confuso.
Eu olhei ao redor. Charlie devia estar  caminho no meio da multido agora.
"Conhecendo Alice", eu disse apressadamente. "provavelmente ela est tentando esconder isso de voc at o final da festa. Mas j que eu estou a fim de que a festa
seja cancelada - bem, no fique frentico, no importa o que acontecer, tudo bem?  sempre melhor saber o mximo que for possvel. Isso tem que ajudar de alguma
forma".
"Do que voc est falando?"
Eu v a cabea de Charlie aparecer por cima das outras enquanto ele procurava por mim. Ele me viu e acenou.
"S fique calmo, tudo bem?"
Ela balanou a cabea uma vez, a boca dele era uma linha fina.
Em sussurros apressados, eu expliquei meu raciocnio pra ele. "Eu acho que voc est errado que diz que as coisas esto vindo pra ns de todos os lados. Eu acho
que a maioria est vindo de um lado... e eu acho que est vindo atrs de mim, na verdade. Tudo est conectado, tem de estar.  apenas uma pessoa que est confundindo
as vises de Alice. O estranho no meu quarto era um teste, pra ver se algum desconfiaria dela. Essa tem que ser a mesma pessoa que continua mudando de idia, e
os recm-nascidos, e roubando as minhas roupas - tudo isso vai junto. O meu cheiro  pra eles".
O rosto dele ficou to branco que eu tive dificuldade em terminar.
"Mas ningum est vindo por vocs, voc no v? Isso  bom - Esme e Alice e Carlisle, ningum quer machucar eles!"
Os olhos dele estavam enormes, arregalados de pnico, ofuscados e horrorizados. Ele podia ver que eu estava certa, assim como Alice tinha visto.
Eu pus a minha mo na bochecha dele. "Calma", eu implorei.
"Bella!", Charlie sorriu de felicidade, empurrando as famlias apertadas pelo caminho.
"Parabns, beb!" Ele ainda estava gritando, mesmo estando bem no meu ouvido agora. Ele passou os braos ao meu redor, empurrando Edward levemente de lado quando
fez isso.
"Obrigada", eu murmurei, preocupada com a expresso no rosto de Edward. Ele ainda no tinha restabelecido o controle. As mos dele estavam meio estendidas pra mim,
como se ele estivesse prestes a me agarrar e sair correndo. Estando apenas um pouco mais sob controle do que ele estava, sair correndo no parecia ser uma idia
to terrvel pra mim.
"Jacob e Billy tiveram que ir embora - voc viu que eles estavam aqui?" Charlie perguntou, dando um passo pra trs, mas deixando suas mos nos meus ombros. Ele estava
de costas pra Edward - provavelmente um esforo pra exclu-lo, mas no momento isso estava bem. A boca de Edward estava aberta, os olhos dele ainda arregalados de
medo.
"", eu assegurei o meu pai, tentando prestar ateno suficiente. "E ouv eles tambm".
"Foi legal da parte deles aparecer", Charlie disse.
"Mm-hmm"
Tudo bem, ento dizer pra Edward no foi uma boa idia. Alice estava certa por ter mantido seus pensamentos nublados. Eu devia ter esperado at que estivssemos
sozinhos em algum lugar, talvez com o resto da famlia dele. E perto de nada que fosse quebrvel - como janelas... ou carros... prdios escolares. O rosto dele trouxe
de volta todo o meu medo e um pouco mais. A expresso dele agora estava alm do medo - era fria pura que estava visvel nas feies dele.
"Ento, onde voc quer jantar?", Charlie perguntou. "O cu  o limite".
"Eu posso cozinhar".
"No seja boba. Voc quer ir ao Lodge?", ele perguntou com um sorriso ansioso.
Eu no gostava particularmente do restaurante favorito de Charlie, mas, nesse ponto, qual era a diferena? Eu no ia conseguir comer do mesmo jeito.
"Claro, o Lodge, legal", eu disse.
Charlie deu um sorriso maior, e depois suspirou.
Ele virou a cabea meio na direo de Edward, sem realmente olhar pra ele.
"Voc vem tambm, Edward?"
Eu encarei ele, meus olhos estavam pedintes. Edward arrumou a sua expresso bem antes de Charlie se virar pra ver porque no havia recebido uma resposta.
"No, obrigado", Edward disse rspidamente, seu rosto duro e frio.
"Voc tem planos com seus pais?", Charlie perguntou, com uma careta no rosto. Edward sempre foi mais educado do que Charlie merecia; essa hostilidade repentina o
surpreendeu.
"Sim. Se voc me der licena...", Edward se virou abruptamente e foi embora por entre a multido que diminua.
"O que foi que eu disse?" Charlie perguntou com uma expresso de culpa.
"No se preocupe com isso, pai", eu o assegurei. "Eu no acho que seja voc".
"Vocs dois brigaram de novo?"
"Ningum est brigando. Cuide dos seus assuntos".
"Voc  meu assunto".
Eu revirei meus olhos. "Vamos comer".
O Lodge estava lotado. O lugar era, na minha opinio, caro e de baixa qualidade, mas era a nica coisa aproximada de um restaurante formal que havia na cidade, ento
era popular pra eventos. Eu olhei bobamente pra uma cabea de alce empalhada e com um olhar deprimido enquanto Charlie comia costelas no prato principal e olhava
por trs do seu assento para os pais de Tyler Crowley. Estava barulhento - todo mundo havia ido pra l depois da formatura, e a maioria deles estava fofocando entre
os corredores e por cima das cabines, como Charlie.
Eu estava de costas para as janelas da frente, e resist a vontade de me virar e olhar para os olhos que eu sentia cravados em mim agora. Eu sabia que no seria
capaz de ver nada. Assim como sabia que no tinha chance dele me deixar desprotegida, mesmo que por um segundo. No depois disso.
O jantar foi uma droga. Charlie, ocupado se socializando, comeu devagar demais. Eu mex com o meu hamburger, enfiando pedaoes dele no meu guardanapo quando eu tinha
que a ateno dele estava em outro lugar.
Tudo isso pareceu levar um longo tempo, mas quando eu olhei pra o relgio - o que eu fazia mais do que o necessrio - os ponteiros no haviam de movido muito.
Finalmente Charlie recebeu seu troco de volta e colocou uma gorjeta na mesa. Eu levantei.
"Com pressa?", ele me perguntou.
"Eu quero ajudar Alice a arrumar as coisas", eu disse.
"Tudo bem", ele se virou de costas pra mim pra dizer boa noite a todo mundo. Eu fui pra fora pra esperar perto da viatura.
Eu me encostei na porta do passageiro, esperando que Charlie se arrastasse pra fora da festa improvisada. Estava quase escuro no estacionamento, as nuvens estavam
to grossas que era impossvel dizer se o sol havia se posto ou no. O ar estava pesado, como se estivesse prestes a chover.
Alguma coisa se moveu entre as sombras.
A minha falta de ar se transformou em alvio quando Edward apareceu na escurido.
Sem uma palavra, ele me apertou com fora contra seu peito. Uma mo fria encontrou o meu queixo, e ele puxou o meu rosto pra cima pra poder pressionar seus lbios
com fora nos meus. Eu podia sentir a tenso na mandbula dele.
"Como voc est?", eu perguntei, assim que ele me deixou respirar.
"No muito bem", ele murmurou. "Mas eu me controlo. Eu lamento por ter perdido a cabea l atrs".
"Foi minha culpa. Eu devia ter esperado pra te contar."
"No", ele discordou. "Isso  uma coisa que eu precisava saber. Eu no consigo acreditar que no tinha visto isso!"
"Voc tem muita coisa na cabea".
"E voc no tem?"
De repente ele me beijou de novo, sem me deixar responder. Ele se afastou depois de apenas um segundo. "Charlie est vindo".
"Eu vou deixar ele em casa"
"Eu te sigo at l".
"Isso realmente no  necessrio", eu tentei dizer, mas ele j tinha ido embora.
"Bella?", Charlie chamou da porta do restaurante, tentando enxergar na escurido.
"Eu estou aqui".
Charlie entrou no carro, murmurando sobre impacincia.
"Ento, como voc se sente?", ele perguntou enquanto dirigia para o norte em direo  estrada. "Esse foi um grande dia".
"Eu estou bem", eu ment.
Ele riu, olhando atravs de mim com facilidade. "Preocupada com a festa?", ele adivinhou.
"", eu ment de novo.
Dessa vez ele no percebeu. "Voc nunca gostou de festas".
"Eu me perguntou de onde foi que eu peguei isso", eu murmurei.
Charlie gargalhou. "Bem, voc realmente est bonita. Eu queria ter pensado em te comprar alguma coisa. Desculpa".
"No seja bobo, pai".
"No  bobagem. Eu sinto que eu no fao sempre por voc o que devia fazer".
"Isso  ridculo. Voc faz um trabalho fantstico. O melhor pai do mundo. E..." No era fcil falar sobre sentimentos com Charlie, mas eu continuei depois de limpar
minha garganta. "E eu realmente estou feliz por ter vindo morar com voc, pai. Foi a melhor idia que eu j tive. Ento, no se preocupe - voc s est experimentando
o pessimismo ps-formatura."
Ele roncou. "Talvez. Mas eu tenho certeza que escorreguei em alguns lugares. Quer dizer, olha a sua mo!"
Eu olhei pra baixo vaziamente para as minhas mos. A minha mo estava descansando levemente na tipia sobre a qual eu raramente pensava. A minha mo quebrada j
no doa tanto.
"Eu nunca pensei que precisava te ensinar a dar um soco. Eu acho que estava errado sobre isso".
"Voc no estava do lado de Jacob?"
"No importa de que lado eu estou. Se algum te beija sem a sua permisso, voc devia esclarecer os seus sentimentos sem se machucar. Voc no deixou o polegar dentro
do seu pulso, deixou?"
"No, pai. Isso  muito doce de uma maneira esquisita, mas eu no acho que as suas aulas teriam ajudado. A cabea de Jacob  muito dura".
Charlie riu. "Da prxima vez bata no estmago dele".
"Da prxima vez?", eu perguntei incredulamente.
"Aw, no seja to dura com o garoto. Ele  jovem".
"Ele  um idiota".
"Ele ainda  seu amigo".
"Eu sei", eu suspirei. "Eu realmente no sei a coisa certa a fazer aqui, pai".
Charlie balanou a cabea lentamente.
". A coisa certa nem sempre  bvia. As vezes a coisa certa pra uma pessoa  a coisa errada pra outra pessoa. Ento... boa sorte tentando descobrir isso".
"Obrigada", eu murmurei secamente.
Charlie riu de novo, e depois fez uma careta. "Se essa festa ficar selvagem demais..." ele comeou.
"No se preocupe com isso, pai. Carlisle e Esme estaro l. Eu tenho certeza que voc pode vir tambm, se quiser".
Charlie fez uma careta enquanto olhava para a noite atravs do pra-brisa. Charlie gostava tanto de uma boa festa quanto eu.
"Onde  a curva, de novo?", ele perguntou. "Eles devem ter limpado a entrada deles -  impossvel encontrar no escuro".
"Bem ao redor da prxima curva, eu acho", eu torc os lbios. "Sabe, voc est certo -  impossvel encontrar. Alice disse que colocou um mapa nos convites, mas
mesmo assim, talvez todo mundo se perca". Eu fiquei levemente alegre com a idia.
"Talvez", Charlie disse quando a estrada virou para o leste. "Talvez no".
A escurido de veludo negro desaparecia  frente, bem onde a entrada dos Cullen devia ser. Algum havia prendido milhares de pequenas luzes nas rvores de ambos
os lados. Era impossvel no ver.
"Alice", eu disse amargamente.
"Uau", Charlie disse enquanto ns viramos na entrada. As suas rvores na entrada eram as nicas que no estavam iluminadas. A cerca de um vinte metros, outra baliza
iluminada nos guiava em direo  grande casa branca. Em todo o caminho - todos os trs metros do caminho.
"Ela no faz as coisas pela metade, faz?" Charlie murmurou deslumbrado.
"Tem certeza que voc no quer entrar?"
"Extremamente certo. Se divirta, guria".
"Muito obrigada, pai"
Ele estava rindo pra s mesmo enquanto eu saa e fechava a porta. Eu observei ele ir embora, ainda sorrindo. Com um suspiro, eu marchei escadas  cima para suportar
a minha festa.

16. Aliana
"Bella?"
A voz suave de Edward veio por trs de mim. Eu me virei pra ver ele saltando levemente os degraus da varanda e o cabelo dele estava assanhado com o vento da corrida.
Ele me puxou pros seus braos imediatamente, exatamente como ele havia feito no estacionamento, e me beijou de novo.
Esse beijo me assustou. Havia muita tenso, uma linha muito forte na forma como os seus lbios apertavam os meus - como se ele estivesse com medo de que no tivssemos
mais muito tempo pra ns.
Eu no podia me deixar pensar nisso. No se eu ia ter que agir como humana pelas prximas horas. Eu me afastei dele.
"Vamos acabar logo com essa festa estpida", eu murmurei, sem encontrar os olhos dele.
Ele colocou as mos em ambos os lados do meu rosto, esperando at que eu olhei pra cima.
"Eu no vou deixar nada acontecer com voc".
Eu toquei os lbios dele com os dedos da minha mo boa. "Eu no estou to preocupada comigo mesma".
"Porque eu no estou to surpreso com isso?", ele murmurou pra si mesmo. Ele respirou fundo, e depois sorriu um pouco.
"Pronta pra celebrar?", ele perguntou.
Eu rosnei.
Ele segurou a porta pra mim, mantendo seu brao seguramente ao redor da minha cintura. Eu fiquei l congelada por um minuto, depois eu balancei minha cabea lentamente.
"Inacreditvel".
Edward ergueu os ombros. "Alice sempre ser Alice".
O interior da casa dos Cullen havia se transformado em uma boate - daquele tipo que no existe na vida real, s na TV.
"Edward!", Alice chamou do lado de um auto-falante gigante. "Eu preciso do seu conselho" Ela fez um gesto para uma torre de CD's empilhados. "Ns devemos dar a eles
o familiar e reconfortante? Ou" - ela fez um gesto para pilha uma pilha diferente - "educar o gosto deles pra msica?"
"Mantenha reconfortante", Edward recomendou. "Voc s pode guiar o cavalo at a gua".
Alice balanou a cabea seriamente, e comeou a jogar os CD's educacionais em uma caixa. Eu reparei que ela havia trocado de roupa e estava usando um top e uma cala
de couro vermelha.
A pele nua dela reagia estranhamente s luzes pulsantes vermelhas e roxas.
"Eu acho que estou desarrumada"
"Voc est perfeita", Edward disse.
"Voc consegue", Alice emendou.
"Obrigada", eu suspirei. "Voc acha mesmo que as pessoas vo vir?" Qualquer um podia ouvir a esperana na minha voz. Alice fez uma cara pra mim.
"Todo mundo vai vir", Edward respondeu. "Todos esto morrendo pra ver o interior da casa dos mistrios dos reclusos Cullen".
"Fabuloso", eu gem.
No havia nada que eu pudesse fazer pra ajudar. Eu duvidava que - mesmo quando eu no precisasse mais dormir e me movesse em uma velocidade muito maior - eu fosse
capaz de fazer alguma coisa do jeito que Alice fazia.
Edward se recusou a me soltar por um segundo, me arrastando junto dele enquanto ele caava Jasper e Carlisle pra contar a eles sobre a minha epifnia. Eu escutei
horrorizada em silncio enquanto ele descutiam o seu ataque ao exrcito de Seattle. Eu podia notar que Jasper no estava feliz com os nmeros, mas eles no haviam
sido capazes de entrar em contato com ningum alm da famlia desinteressada de Tnia. Jasper no tentou esconder o seu desespero como Edward teria feito. Era fcil
reparar que ele no gostava de apostar quando os riscos eram to grandes.
Eu no podia ficar pra trs, esperando e rezando pra que eles voltassem pra casa. Eu no faria isso. Eu enlouqueceria.
A campainha da porta tocou.
Tudo de uma vez, tudo ficou surrealmente normal. Um sorriso perfeito, genuno e clido, tomou o lugar do estresse no rosto de Carlisle. Alice aumentou o volume da
msica, e danou pra ir atender a porta.
Era um Suburban lotado com os meus amigos, que estavam nervosos ou intimidados demais pra chegarem sozinhos. Jessica era a primeira na porta, com Mike bem atrs
dela. Tyler, Conner, Austin, Lee, Samantha... e at Lauren que chegou por ltimo, com seus olhos crticos iluminados de curiosidade. Todos eles estavam curiosos,
e depois ficaram dominados quando viram a enorme sala decorada como uma rave chique.
A sala no estava vazia; todos os Cullen haviam tomado seus lugares, prontos pra colocarem seus disfarces humanos de sempre. Hoje a noite eu estava sentindo que
estava atuando tanto quanto eles.
Eu fui falar com Jess e Mike, esperando que o tom na minha voz parecesse o tipo certo de excitao. Antes que eu pudesse falar com mais algum, a campainha tocou
de novo. Eu deixei Angela e Ben entrarem, deixando a porta aberta, porque Eric e Katie estavam quase nos degraus.
Eu no tive outra chance de entrar em pnico. Eu tinha que falar com todo mundo, concentrada em estar animada, uma anfitri. Apesar da festa ter sido taxada como
um evento de comemorao pra Alice, Edward, e eu, no haviam dvidas de que eu era o alvo mais popular pra as parabenizaes e os agradecimentos. Talvez porque os
Cullen pareciam um pouco errados embaixo das luzes da festa de Alice. Talvez porque as luzes deixavam a sala obscura e misteriosa. Essa no era uma atmosfera que
fazia um humano normal se sentir relaxado ao lado de algum como Emmett. Eu v Emmett dar um sorriso malicioso pra Mike por cima da mesa de comidas, as luzes vermelhas
cintilando nos dentes dele, e observei quando Mike deu um passo involuntrio pra trs.
Talvez Alice tenha feito isso de propsito, pra me forar a ser o centro das atenes - um lugar do qual ela achava que eu devia gostar mais. Ela estava eternamente
tentando me fazer ser humana do jeito como ela achava que humanos deveriam ser.
A festa claramente era um sucesso, apesar do resguardo instintivo por causa da presena dos Cullen - ou talvez isso apenas aderisse mais emoo  atmosfera. A msica
era contagiante, as luzes eram quase hipnticas. Pelo jeito que a comida havia desaparecido, ela deve ter estado boa tambm. Logo, a sala estava lotada, apesar de
nunca ficar claustrofbica. A classe inteira dos ltimo-anistas parecia estar l, junto com a maioria dos calouros.
Os corpos se mexiam de acordo com a batida que vibrava embaixo das solas dos ps deles, a festa estava constantemente no ponto de virar um baile.
No foi to difcil quanto eu pensei que seria. Eu segu a liderana de Alice, me misturando e conversando por um segundo com todo mundo. Eles pareceram suficientemente
fceis de agradar. Eu tinha certeza de que essa festa era de longe bem mais legal do que qualquer outra coisa que a cidade de Forks j tenha experimentado antes.
Alice estava quase ronronando - ningum por aqui esqueceria essa noite.
Eu circulei a sala uma vez, e voltei pra Jessica. Ela tagarelou excitadamente, e no era necessrio prestar muita ateno, porque as chances eram de que eu no precisaria
responder a ela muito cedo. Edward estava ao meu lado - se recusando a se separar de mim. Ele manteve uma mo seguramente na minha cintura, me puxando mais pra perto
de vez em quando em respostas a pensamentos que eu provavelmente no ia querer ouvir.
Ento, eu fiquei imediatamente suspeita quando ele retirou o brao e se afastou de mim.
"Fique aqui", ele murmurou pra mim. "Eu volto j".
Ele passou graciosamente pela multido sem parecer sequer encostar em nenhum dos corpos apertados, e foi embora rpido demais pra que eu tivesse tempo de perguntar
porque ele estava indo embora. Eu olhei pra ele com os olhos apertados enquanto Jessica gritava ansiosamente por cima da msica, segurando o meu cotovelo, sem se
dar conta da minha distrao.
Eu observei ele quando ele se aproximou da sombra grande ao lado da porta da cozinha, onde as luzes s iluminavam fracamente. Ele estava se inclinando na direo
de algum, mas eu no conseguia ver por cima das cabeas entre ns.
Eu me coloquei na ponta dos ps, esticando o pescoo. Bem a, uma luz passou pelas costas dele e cintilou nos cequins vermelhos da camiseta de Alice. As luzes s
tocaram o rosto dela por um segundo, mas isso foi suficiente.
"Me d licena por um minuto, Jess", eu murmurei, puxando meu brao.
Eu no parei pra ver a reao dela, nem pra ver se eu havia machucado os sentimentos dela com a minha abruptido.
Eu abri o meu caminho entre os corpos, sendo um pouco empurrada. Algumas pessoas estavam danando agora. Eu me apressei at a porta da cozinha.
Edward tinha sumido, mas Alice ainda estava na escurido, seu rosto vazio - o tipo de olhar inexpressivo que voc v no rosto de algum que acabou de testemunhar
um acidente horrvel. Uma das mos dela estavam agarrando o arco da porta, como se ela precisasse de apoio.
"O que, Alice, o que? O que voc viu?" As minhas mos estavam entrelaadas na minha frente - implorando.
Ela no olhou pra mim, ela estava olhando em outra direo. Eu segui o olhar dela e v quando ela encontrou o olhar de Edward do outro lado da sala. O rosto dele
estava vazio como uma pedra. Ele se virou e desapareceu nas sombras embaixo da escada.
Bem a a campainha tocou, horas depois da ltima vez, e Alice olhou pra cima com uma expresso confusa que se transformou rapidamente em uma de desgosto.
"Quem convidou o lobisomem?", ela me apertou.
Eu fiz uma carranca. "Culpada".
Eu pensei ter desfeito esse convite - no que eu tenha imaginado que Jacob viria aqui, de qualquer jeito.
"Bem, voc v tomar conta deles, ento. Eu tenho que falar com Carlisle".
"No, Alice, espere!" eu tentei agarrar o brao dela, mas ela j tinha ido embora e a minha mo s agarrou o ar vazio.
"Maldio!", eu rosnei.
Eu sabia que era isso. Alice tinha visto aquilo pelo que ela esteve esperando, e honestamente eu no aguentei segurar o suspense por tempo suficiente pra atender
a porta. A campainha da porta tocou de novo, por tempo demais, algum estava segurando o boto. Eu me virei de costas para a porta resolutamente, e procurei na escurido
da sala por Alice.
Eu no conseguia ver nada. Eu comecei a me empurrar para a escada.
"Ei, Bella!".
A voz profunda de Jacob pegou uma pausa na msica, e eu olhei pra cima mesmo sem querer ao som do meu nome.
Eu fiz uma cara.
No era apenas um lobisomem, eram trs. Jacob se deu permisso pra entrar, acompanhado em cada um dos lados por Quil e Embry. Eles dois pareciam horrivelmente tensos,
os olhos deles passavam pela sala como se eles tivessem acabado de entrar em uma cripta assombrada. A mo tremendo de Embry ainda estava segurando a porta, o corpo
dele estava meio preparado pra sair correndo.
Jacob estava acenando pra mim, mais calmo que os outros, apesar do nariz dele estar enrugado de desgosto. Eu acenei de volta - dizendo adeus - e me virei pra procurar
por Alice. Eu me apertei no espao entre as costas de Conner e Lauren.
Ele apareceu do nada, a mo dele estava no meu ombro me puxando de volta na direo das sombras da cozinha. Eu me afastei dele, mas ele agarrou o meu pulso bom e
me afastou da multido.
"Recepo amigvel", ele notou.
Eu soltei a minha mo e fiz uma carranca pra ele. "O que voc est fazendoaqui?"
"Voc me convidou, lembra?"
"No meu caso do meu soco de direita ter sido subto demais pra voc, me deixe traduzir: aquela era eu desconvidando voc".
"No seja m esportista. Eu te trouxe um presente de formatura e tudo".
Eu cruzei os meus braos no peito. Eu no queria briga com Jacob agora. Eu queria saber o que Alice tinha visto e o que Edward e Carlisle estavam dizendo sobre isso.
Eu desviei a minha cabea ao redor de Jacob, procurando por eles.
"Leve de volta para a loja, Jake. Eu tenho que fazer uma coisa..."
Ele ficou na frente da minha linha de viso, exigindo minha ateno.
"Eu no posso devolver. Eu no peguei numa loja - eu mesmo fiz. E tambm me levou bastante tempo".
Eu me inclinei ao redor dele de novo, mas eu no podia ver nenhum dos Cullen. Pra onde eles haviam ido? Os meus olhos procuraram pela sala escurecida.
"Oh, vamos, Bell. No finja que eu no estou aqui!"
"Eu no estou", eu no podia v-los em lugar nenhum. "Olha, Jake, eu tenho muita coisa na minha cabea agora".
Ele colocou a mo embaixo do meu queixo e puxou meu rosto pra cima.
"Ser que eu posso por favor ter alguns minutos de sua inteira ateno, Senhorita Swan?"
Eu me afastei do toque dele. "Mantenha as suas mos pra s mesmo, Jacob", eu assobiei.
"Desculpa!", ele disse imediatamente, levantando as mos em redeno. "Eu realmente lamento. Tambm, eu falo do outro dia. Eu no devia ter te beijado daquele jeito.
Eu estava errado. Eu acho... bem, eu acho que me ilud pensando que voc queria que eu fizesse aquilo".
"Iludido - que descrio perfeita!"
"Seja boazinha. Voc podia aceitar as minhas desculpas, sabe".
"T. Desculpas aceitas. Agora, se voc me der licensa por um momento..."
"Ok", ele murmurou, voz dele estava to diferente de antes que eu deixei de procurar por Alice pra estudar o rosto dele. Ele estava olhando pra o cho, escondendo
os olhos. O lbio inferior dele estava s um pouquinho pra fora.
"Eu acho que voc prefere estar com os seus amigos de verdade", ele disse com o mesmo tom abatido. "Eu entendo".
Eu rosnei. "Aw, Jake, voc sabe que isso no  justo".
"Sei?"
"Voc devia", eu me inclinei para a frente, me esticando, tentando olhar nos olhos dele. Ai ele olhou pra cima, por cima da minha cabea, evitando o meu olhar.
"Jake?"
Ele se recusou a olhar pra mim.
"Ei, voc disse que tinha feito alguma coisa pra mim, certo?", eu perguntei. "Aquilo era s conversa? Onde est o meu presente?"
A minha tentativa de fingir entusiasmo era bem triste, mas deu certo. Ele revirou os olhos e fez uma careta pra mim.
Eu mantive o fingimento barato, segurando a minha mo aberta na minha frente. "Eu estou esperando".
"Certo", ele murmurou sarcasticamente. Mas ele tambm enfiou a mo no bolso de trs do seu jeans e puxou um saquinho de um material folgado, com um tecido multi-colorido.
Ele estava amarrado com uma tira de couro. Ele colocou na minha palma.
"Ei, isso  bonito, Jake. Obrigada!"
Ele suspirou. "O presente est dentro, Bella"
"Oh".
Eu tive alguns problemas com as amarras.
Ele suspirou de novo e o tomou de mim, abrindo as amarras com facilidade apenas deslizando a corda certa. Eu levantei minha mo pra peg-lo, mas ele virou o saquinho
de cabea pra baixo e balanou alguma coisa de prata nas minhas mos. Os metais tilitaram baixinho uns contra os outros.
"Eu no fiz a pulseira", ele admitiu. "S o pingente".
Agarrado a uma das pontas da pulseira de prata estava uma pequena escultura de madeira. Eu a segurei entre os meus dedos pra olh-lo mais de perto. Havia uma quantidade
incrivel de detalhes involvidos na pequena figura - a minuatura de lobo era absolutamente realista. Ela havia sido cravada em alguma madeira marrom avermelhada que
combinava com a cor da pele dele.
" lindo", eu sussurrei. "Voc fez isso? Como?"
Ele levantou os ombros. " uma coisa que Billy me ensinou. Ele  melhor nisso do que eu".
"Isso  difcil de acreditar", eu murmurei, virando o pequeno lobo pra l e pra c entre os meus dedos.
"Voc gostou mesmo?"
"Sim!  inacreditvel, Jake"
Ele sorriu, feliz no incio, mas depois a expresso dele ficou azeda. "Bem, eu achei que talvez isso pudesse fazer voc lembrar de mim de vez em quando. Voc sabe
como , longe da cabea, longe do corao".
Eu ignorei a atitude. "Aqui, me ajude a colocar"
Eu estend o meu pulso esquerdo, j que o direito estava enfiado na tipia. Ele soltou o trinco facilmente, apesar dele parecer delicado demais para o uso dos dedos
grandes dele.
"Voc vai usar?", ele perguntou.
" claro que eu vou".
Ele sorriu pra mim - era o sorriso feliz que eu adorava ver ele usar.
Eu s retornei por um momento, mas a os meus olhos olharam reflexivamente ao redor da sala de novo, procurando ansiosamente pela multido por um sinal de Edward
ou Alice.
"Porque voc est to distraida?", Jacob se perguntou.
"No  nada", eu ment, tentando me concentrar. "Obrigada pelo presente, mesmo. Eu amei."
"Bella", as sobrancelhas dele se juntaram, jogando seus olhos profundos em suas sombras. "Alguma coisa est acontecendo, no est?"
"Jake, eu... no, no h nada".
"No minta pra mim, voc mente muito mal. Voc devia me contar o que est acontecendo. Ns queremos saber essas coisas", ele disse, passando pro plural no final.
Provavelmente ele estava certo; os lobos certamente estariam interessados no que estava acontecendo. S que eu ainda no tinha certeza do que isso era ainda. Eu
no saberia com certeza at que eu encontrasse Alice.
"Jacob, eu vou te contar. S me deixe descobrir o que est acontecendo, ok? Eu preciso falar com Alice".
Compreeso iluminou o rosto dele. "A vidente viu alguma coisa".
"Sim, bem quando voc apareceu".
"Isso  sobre o sugador de sangue no seu quarto?", ele murmurou, fazendo seu tom ficar abaixo do som da msica.
" relacionado", eu admit.
Ele processou isso por um minuto, deixando a cabea inclinar pra o lado enquanto ele lia o meu rosto. "Voc sabe de alguma coisa que no est me contando... alguma
coisa grande".
Qual era o ponto em mentir de novo? Ele me conhecia bem demais. "Sim".
Jacob me encarou por um breve segundo, e a se virou pra olhar os olhos dos seus irmos de bando que ainda estavam na porta, estranhos e desconfortveis. Quando
eles olharam para a expresso dele, eles comearam a se mover, passando agilmente pelos festeiros, quase como se estivessem danando tambm. Em meio minuto, eles
estavam em cada lado de Jacob, parecendo uma torre sobre mim.
"Agora. Explique", Jacob ordenou.
Embry e Quil olharam pra frente e pra trs entre os nossos rostos, confusos e cautelosos.
"Jacob, eu no sei de tudo", eu continuei procurando na sala, por socorro. Eles tinham me colocando contra a parede, em todos os sentidos.
"O que voc sabe, ento".
Todos eles cruzaram os braos nos seus peitos ao mesmo tempo. Foi um pouco engraado, mas era ameaador.
E a eu v Alice descendo as escadas, a sua pele branca brilhando na luz roxa.
"Alice!" eu esguichei, aliviada.
Ela olhou diretamente pra mim quando eu chamei o nome dela, apesar dos baixos altos que deviam ter abafado a minha voz. Eu acenei ansiosamente, e observei o rosto
dela quando ela viu os trs lobisomens de inclinando na minha direo. Os olhos dela se estreitaram.
Mas, antes dessa reao, o rosto dela estava cheio de estresse e medo. Eu mord o meu lbio enquanto ela deslizava para o meu lado.
Jacob, Quil e Embry se inclinaram todos pra longe dela com expresses inquietas. Ela colocou uma brao ao redor da minha cintura.
"Eu preciso falar com voc", ela murmurou no meu ouvido.
"Er, Jake, eu te vejo depois..." eu murmurei enquanto passavamos por eles.
Jacob jogou seu longo brao pra bloquear o caminho, colocando a mo contra a parede. "Ei, no to rpido".
Alice encarou ele, os olhos arregalados e incrdulos. "D licena?"
"Nos diga o que est acontecendo", ele ordenou com um rugido.
Jasper literalmente apareceu do nada. Em um segundo ramos apenas Alice e eu contra a parede, Jacob bloqueando a nossa sada, e a Jasper estava de p ao lado do
brao de Jacob, com uma expresso aterrorizadora.
Jacob puxou seu brao de volta lentamente. Esse parecia ser o melhor movimento, levando em considerao que ele queria continuar com aquele brao.
"Ns temos o direito de saber", Jacob murmurou, ainda encarando Alice.
Jasper se meteu entre eles, e os trs lobisomens se resguardaram.
"Ei, ei", eu disse, acrescentando uma gargalhada histrica. "Isso  uma festa, lembram?"
Ningum prestou ateno em mim. Jacob encarava Alice enquanto Jasper encarava Jacob. O rosto de Alice ficou pensativo de repente.
"Est tudo bem, Jasper. Na verdade, ele tem um ponto".
Jasper no relaxou de sua posio.
Eu tinha certeza de que o suspense ia fazer a minha cabea explodir em cerca de um segundo. "O que voc viu, Alice?"
Ela encarou Jacob por um segundo, e se virou pra mim, evidentemente escolhendo deix-los ouvir.
"A deciso foi tomada".
"Voc esto indo pra Seattle?"
"No".
Eu sent a cor escapar do meu rosto. Meu estmago girou. "Eles esto vindo pra c", eu botei pra fora.
Os garotos Quileute observavam em silncio, observando todas as mudanas inconscientes de emoo nos nossos rostos. Eles estavam enrraizados nos lugar, e mesmo assim
no estavam completamente imveis. Todos os trs pares de mos estavam tremendo.
"Sim".
"Pra Forks", eu sussurrei.
"Sim".
"Para?"
Ela balanou a cabea, entendendo a minha pergunta. "Um deles estava carregando a sua blusa vermelha".
Eu tentei engolir.
A expresso de Jasper era desaprovadora. Eu podia notar que ela no estava gostando que discutssemos isso na frente dos lobisomens, mas ele tinha algo mais que
ele precisava dizer. "Ns no podemos deixar eles chegarem to longe. Ns no somos suficientes pra proteger a cidade".
"Eu sei", Alice disse, o rosto dela estava desolado de repente. "Mas no importa onde paremos eles. Ns ainda no somos suficientes, e alguns deles vo vir aqui
pra procurar".
"No!" eu sussurrei.
O som da festa abafou o som da minha negao. Ao redor de ns, os meus amigos e vizinhos e inimigos insignificantes comiam e riam e danavam com a msica, ignorantes
para o fato de que eles estavam prestes a encarrar o horror, talvez perigo, talvez morte. Por minha causa.
"Alice", eu fiz seu nome com a boca. "Eu tenho que ir, eu tenho que sair daqui".
"Isso no vai ajudar. No  como se estivssemos lidando com um perseguidor. Eles viro aqui pra procurar primeiro".
"Ento eu tenho que ir encontr-los!", se a minha voz no estivesse to rouca e distorcida, ela poderia ter sido um esgicho. "Se eles acharem o que esto procurando,
talvez eles vo embora e no machuquem mais ningum!"
"Bella!", Alice protestou.
"Espere", Jacob ordenou numa voz baixa, poderosa. "O que est vindo?"
Alice passou seu olhar de gelo pra ele. "Nossa espcie. Muitos deles".
"Porque?"
"Por Bella. Isso  tudo o que sabemos".
"Existem muitos de vocs?", Jacob perguntou.
Jasper bridou.
"Ns temos algumas vantagens, cachorro. Ser uma luta justa".
"No", Jacob disse, um meio sorriso estranho, penetrante se abriu no rosto dele. "No ser justa".
"Excelente!", Alice assobiou.
Eu olhei, congelada de horror, para a nova expresso de Alice. O rosto dela estava vivo com exultao, todo o desespero foi limpo das suas feies perfeitas.
Ela riu maliciosamente pra Jacob, e ele sorriu de volta.
"Tudo desapareceu,  claro", ela disse com uma voz presumida. "Isso  incoveniente, mas, considerando todas as coisas, eu aceito".
"Ns vamos ter que nos coordenar", Jacob disse. "Isso no ser fcil pra ns. Mesmo assim, esse  mais o nosso trabalho do que o de vocs".
"Eu no iria to longe, mas ns precisamos de ajuda. Ns no vamos ficar escolhendo".
"Espere, espere, espere, espere", eu interromp eles.
Alice estava na ponta dos ps, Jacob estava abaixado se inclinando na direo dela, os rostos dos dois estavam iluminados de excitao, mas os narizes deles estava
enrugados por causa do cheiro. Eles olharam pra mim impacientemente.
"Coordenar?", eu repet por entre meus dentes trincados.
"Voc no pensou realmente que poderia nos manter de fora disso?", Jacob perguntou.
"Voc vai ficar fora disso."
"A sua vidente diz que no".
"Alice - diga a eles que no!" eu insist. "Eles vo acabar morrendo!"
Jacob, Quil e Embry todos riram alto.
"Bella", Alice chamou, a voz dela era suave, calmante "separados todos ns vamos acabar morrendo. Juntos -"
"Isso no vai ser problema", Jacob terminou a frase dela. Quil riu de novo.
"Quantos?" Quil perguntou ansiosamente.
"No!" eu gritei.
Alice nem olhou pra mim. "Isso varia - vinte e um hoje, mas os nmeros esto diminuindo".
"Porque?", Jacob perguntou, curioso.
"Longa histria" Alice disse, de repente olhando ao redor da sala. "E esse no  o lugar pra isso".
"Mais tarde essa noite?", Jacob pressionou.
"Sim", Jasper respondeu pra ele. "Ns j estamos planejando um... encontro estratgico. Se vocs vo lutar com a gente, vocs vo precisar de algumas instrues".
Todos os lobos fizeram uma cara de desgosto na ltima parte.
"No!", eu gem.
"Isso vai ser estranho", Jasper disse, pensativo. "Eu nunca considerei trabalhar junto. Essa tem que ser a primeira vez".
"Sem dvida sobre isso", Jacob concordou. Agora ele estava com pressa. "Ns temos que voltar pra Sam. A que horas?"
"Que horas  tarde demais pra vocs?"
Todos os trs reviraram os olhos. "Que horas?", Jacob repetiu.
"Trs em ponto?"
"Onde?"
"Cerca de dez milhas ao norte da estao de guarda da Floresta de Hoh. Venham pelo leste e vocs podero seguir o nosso cheiro at l".
"Ns estaremos l".
Eles se viraram pra ir embora.
"Espere, Jake!", eu chamei ele. "Por favor! No faa isso!"
Ele parou, se virando pra sorrir pra mim, enquanto Quil e Embry seguiam impacientemente para a porta. "No seja ridcula, Bells. Voc est me dando um presente muito
melhor do que o que eu te dei".
"No!", eu gritei de novo. O som de uma guitarra abafou o meu choro.
Ele no respondeu; ele se apressou pra acompanhar os seus amigos, que j tinham ido embora. Eu observei sem poder fazer nada enquanto Jacob desaparecia.

17. Instrues
"Essa tem que ter sido a festa mais longa da histria do mundo", eu reclamei no caminho pra casa.
Edward no pareceu discordar. "Est acabado agora", ele disse, esfregando o meu brao de forma calmante.
Porque eu era a nica que precisava ser acalmada. Edward estava bem agora - todos os Cullen estavam bem.
Todos eles me reasseguraram; Alice se erguendo pra dar um tapinha na minha cabea enquanto eu ia embora, olhando Jasper significantemente at que uma onda de paz
me rodeou, Esme beijando a minha testa e me prometendo que tudo estava bem, Emmett rindo tumultuosamente e me perguntando porque eu era a nica que tinha permisso
pra brigar com lobisomens... a soluo de Jacob acalmou todos eles, quase eufricos depois de longas semanas de estresse. A dvida foi trocada por confiana. A festa
havia acabado em um verdadeiro clima de celebrao.
No pra mim.
J era ruim o suficiente - horrvel - que os Cullen teriam que lutar por mim. J era demais que eu teria que permitir isso. Eu j sentia mais do que eu podia aguentar.
Jacob tambm no. No seus irmos bobos, ansiosos - a maioria deles mais nova do que eu era. Eles s eram muito grandes, crianas muito musculosas, e eles estavam
ansiosos com isso como se fosse um piquenique na praia. Eu no podia coloc-los em perigo tambm. Os meus nervos pareciam estar desfiados e expostos. Eu no sabia
por quanto tempo mais eu seria capaz de restringir a vontade de gritar alto.
Eu sussurrava agora, pra manter minha voz sob controle. "Voc vai me levar junto essa noite".
"Bella, voc est exausta".
"Voc acha que eu poderia dormir?"
Ele fez uma careta. "Isso  uma experincia. Eu no estou certo de que ser possvel pra ns... cooperar. Eu no quero voc no meio daquilo".
Como se isso no me fizesse ainda mais ansiosa pra ir. "Se voc no me levar, eu vou ligar pra Jacob".
Os olhos dele se estreitaram. Isso era golpe baixo, e eu sabia. Mas no tinha jeito de eu ser deixada pra trs.
Ele no respondeu; estvamos na casa de Charlie agora. A luz da frente estava acesa.
"Te vejo l em cima", eu murmurei.
Eu fui na porta dos ps at a porta da frente. Charlie estava adormecido na sala de estar, super-populando o sof pequeno demais, e roncando to alto que eu podia
ter ligado uma serra-eltrica e isso no teria acordado ele.
Eu balancei o ombro dele vigorosamente.
"Pai! Charlie!"
Ele murmurou, ainda com os olhos fechados.
"Eu estou em casa agora - voc vai machucar as suas costas dormindo desse jeito. Vamos, hora de se mexer".
Foram precisas mais algumas sacudidas, e os olhos dele nunca se abriram completamente, mas eu consegu tirar ele do sof. Eu ajudei ele a ir at a sua cama, onde
ele desabou no topo das cebertas, totalmente vestido, e comeou a roncar de novo.
Ele no ia procurar por mim to cedo.
Edward me esperou no meu quarto enquanto eu lavava o meu rosto e colocava um jeans e uma camisa de flanela. Ele me observou infeliz na cadeira de balano enquanto
eu estendia a roupa que Alice havia me dado no armrio.
"Venha aqui", eu disse, pegando a mo dele e puxando ele para a minha cama.
Eu puxei ele para a cama e me curvei no peito dele. Talvez ele estivesse certo e eu estivesse cansada suficiente pra dormir. Eu no ia deixar ele escapar sem mim.
Ele colocou a colcha ao meu redor, a me segurou mais perto.
"Por favor relaxe"
"Claro"
"Isso vai dar certo, Bella. Eu posso sentir".
Os meus dentes travaram.
Ele estava irradiando alvio. Ningum alm de mim se importava se Jacob e seus amigos se machucassem. Nem mesmo Jacob e seus amigos. Especialmente no eles.
Ele podia reparar que eu estava prestes a perder o controle. "Me escute, Bella. Isso vai ser fcil. Os recm-nascidos sero pegos completamente de surpresa. Eles
nem sequer tero mais certeza de que os lobisomens podiam existir mais do que voc tinha. Eu j v como eles agem em grupos, pelo jeito que Jasper se lembra. Eu
realmente acredito que as tcnicas de caa dos lobisomens vo funcionar perfeitamente contra eles".
"E com eles divididos e confusos, eles no sero suficientes pra lidar com o resto de ns. Algum vai ter que ficar descansando", ele zombou.
"Uma moleza", eu murmurei sem tom contra o peito dele.
"Shhhh", ele alisou a minha bochecha. "Voc vai ver. No se preocupe agora".
Ele comeou a sofejar a minha cano de ninar, mas, pela primeira vez, ela no me acalmou.
Pessoas - bem, na verdade, vampiros e lobisomens, na verdade, mas mesmo assim - pessoas que eu amava iam se machucar. Se machucar por minha causa. De novo. Eu queria
que a minha falta de sorte focasse um pouco mais cuidadosamente. Eu tinha vontade de gritar para o cu vazio: sou eu que voc quer - bem aqui! S eu!
Eu pensei em uma forma de fazer exatamente isso - forar a minha falta de sorte a focar apenas em mim. No ia ser fcil. Eu teria que esperar, contar o meu tempo...
Eu no ca no sono. Os minutos se passaram rapidamente, para a minha surpresa, e eu ainda estava alerta quando Edward puxou ns dois em uma posio sentada.
"Voc tem certeza que no quer ficar e dormir?"
Eu dei um olhar amargo pra ele.
Ele suspirou, e me pegou nos braos antes de pular pela minha janela.
Ele correu pela floresta quieta, escura, comigo em suas costas, e mesmo na corrida dele eu sentia a elao. Ele estava correndo como fazia quando ramos s ns,
s por diverso, s pra sentir o vento no cabelo dele. Esse era o tipo de coisas que, em tempos de menos ansiosidade, teria me deixado muito feliz.
Quando ns chegamos no grande campo aberto, a famlia dele estava l, conversando casualmente, relaxada. A risada estrondosa de Emmett ecoava no espao largo de
vez em quando. Edward me colocou no cho e ns caminhamos de mos dadas na direo deles.
Me levou um minuto, porque estava escuro demais com as nuvens escondidas atrs das nuvens, mas eu me dei conta de que estvamos na clareira de baseball. Era o mesmo
lugar onde, mais de um ano atrs, aquela tarde tranquila com os Cullen havia sido interrompida por James e seu grupo.
Era estranho estar aqui de novo - como se essa cena no estivesse completa at que James e Laurent e Victoria se juntassem a ns. Mas James e Laurent no iam voltar
nunca mais. O padro no ia mais se repetir. Talvez todos os padres estivessem quebrados.
Sim, algum havia quebrado os padres deles. Seria possvel que os Volturi fossem os flexveis nessa equao?
Eu duvidava.
Victoria sempre pareceu ser uma fora da natureza pra mim - como um furaco se movendo em direo  costa em linha reta - inevitvel, implacvel, mas previsvel.
Talvez fosse errado limit-la dessa forma. Ela tinha de ser capaz de se adaptar.
"Sabe o que eu penso?", eu perguntei a Edward.
Ele riu. "No"
Eu quase sorr.
"O que voc pensa?"
"Eu acho que est tudo conectado. No apenas dois, mas todos os trs".
"Eu estou perdido".
"Trs coisas ruins aconteceram desde que voc voltou", eu as contei nos meus dedos.
"Os recm-nascidos em Seattle. O estranho no meu quarto. E - primeiro de tudo - Victoria voltou pra me procurar".
Os olhos dele se estreitaram quanto ele pensou nisso. "Porque voc acha isso?"
"Porque eu concordo com Jasper - os Volturi amam as regras deles. Provavelmente eles fariam um trabalho melhor, de qualquer jeito". E eu j estaria morta se eles
me quisessem morta, eu acrescentei mentalmente. "Lembra de quando voc estava caando a Victoria no ano passado?"
"Sim", ele fez uma careta. "Eu no fui muito bom nisso".
"Alice disse que voc estava no Texas. Voc a seguiu at l?"
As sobrancelhas dele se juntaram. "Sim. Hmm..."
"Veja - ela pode ter tido a idia l. Mas ela no sabe o que est fazendo, ento os recm-nascidos esto fora de controle.
Ele comeou a balanar a cabea. "Somente Aro sabe como as vises de Alice funcionam".
"Aro sabia melhor, mas ser que Tnia e Irina e o resto dos seus amigos de Denali no sabiam o suficiente?"
"Laurent viveu com eles durante muito tempo. E ele ainda estava amigado o suficiente com Victoria pra fazer favores pra ela, porque ele tambm no podia ter dito
a ela tudo o que sabia?"
Edward fez uma careta. "No era Victoria no seu quarto".
"Ela no pode fazer amigos novos? Pense nisso, Edward. Se for Victoria fazendo isso em Seattle, ela fez um monte de amigos novos. Ela os criou".
Ele considerou isso, a testa dele enrugada de concentrao.
"Hmm", ele disse finalmente. " possvel. Eu ainda acho que  mais provavel que sejam os Volturi... Mas a sua teoria - tem alguma coisa a. A personalidade de Victria.
A sua teoria combina perfeitamente com ela. Ela demonstrou um talento extraordinrio por auto-preservao desde o incio - talvez seja o dom dela. Em qualquer caso,
esse plano no a colocaria me perigo com todos ns, se ela se sentasse seguramente nos fundos e deixasse que os recm-nascidos criassem um caos l. E talvez pouco
risco por parte dos Volturi tambm. Talvez ela esteja contando com que a gente ganhe, no final, apesar de que certamente isso no seria sem suas casualidades pra
ns mesmo. Mas no haveriam sobreviventes em seu pequeno exrcito pra testemunhar contra ela. De fato", ele continuou, pensando nisso, "se houvessem sobreviventes,
eu aposto que ela mesma est planejando destru-los... Hmm. Ainda assim, ela teria que ter pelo menos um amigo com mais maturidade. Nenhum recm-nascido fresco deixa
o seu pai vivo..."
Ele fez uma careta para o espao por um momento, e depois de repente ele sorriu pra mim, voltando de seu devaneio. "Definitivamente possvel. De qualquer maneira,
ns temos que estar preparedos pra qualquer coisa at termos certeza. Voc est muito perceptiva hoje", ele adicionou. " impressionante".
Eu suspirei. "Talvez eu s esteja reagindo a esse lugar. Ele me faz sentir como se ela estivesse por perto... como se ela estivesse me vendo agora".
Os msculos da mandbula dele ficaram tensos com a idia. "Ela nunca vai tocar voc, Bella", ele disse.
Apesar das palavras dele, seus olhos passaram cuidadosamente pelas rvores escuras. Enquanto ele vasculhava suas sombras, a expresso mais estranha passou pelo rosto
dele. Ele puxou seus lbios pra cima de seus dentes e os olhos dele brilharam com uma luz estranha - uma esperana selvagem, feroz.
"Mesmo assim, o que eu no daria pra ter ela to perto", ele murmurou. "Victoria e qualquer outra pessoa que tenha pensado em machucar voc. Ter a chance de acabar
com isso eu mesmo. Acabar com isso com as minhas prprias mos dessa vez".
Eu estremec com a vontade feroz na voz dele, e apertei os dedos dele com mais fora entre os meus, desejando ser forte o suficiente pra fechar as nossas mos juntas
permanentemente.
Ns estvamos quase perto da famlia dele, e eu perceb pela primeira vez que Alice no parecia to otimista quanto o resto deles. Ela estava um pouco de lado, observando
Jasper esticar os braos como se estivesse se aquecendo pra um exerccio, os lbios dela estavam fazendo biquinho.
"H algo errado com Alice?", eu sussurrei.
Edward gargalhou, era ele mesmo de novo. "Os lobisomens esto a caminho, ento ela no pode ver o que vai acontecer agora. Ela fica desconfortvel por estar cega".
Alice, apesar de ser a mais distante de ns, ouviu a voz baixa dele. Ela olhou pra cima e mostrou a lngua pra ele. Ele riu de novo.
"Ei, Edward", Emmett saudou ele. "Ei, Bella. Ele vai deixar voc praticar tambm?"
Edward rosnou pra o irmo dele. "Por favor, Emmett, no fique dando idias a ela".
"Quando os nossos convidados vo chegar?" Carlisle perguntou a Edward.
Edward se concentrou por um momento, e depois suspirou. "Um minuto e meio. Mas eu vou ter que traduzir. Eles no confiam em ns o suficiente pra usarem suas formas
humanas".
Carlisle balanou a cabea. " difcil pra eles. Eu estou grato por eles estarem todos vindo".
Eu encarei Edward, meus olhos se abriram muito. "Eles vo vir como lobos?"
Ele balanou a cabea, tomando cuidado com a minha reao.
Eu engol uma vez, me lembrando das duas vezes que eu havia visto Jacob em sua forma de lobo - a primeira vez na clareira com Laurent, a segunda vez na estrada da
floresta onde Paul ficou com raiva de mim... as duas eram memrias de terror.
Um brilho estranho apareceu nos olhos de Edward, como se alguma coisa tivesse acabado de ocorrer a ele, alguma coisa que no era nem um pouco agradavel. Ele se virou
rapidamente, antes que eu pudesse ver mais, de volta pra Carlisle e os outros.
"Preparem-se - eles esto esperando por ns".
"O que voc quer dizer?", Alice quis saber.
"Shh", ele precaviu, e olhou por cima dela para a escurido.
O crculo informal dos Cullen se abriu de repente, formando uma linha solta, com Jasper e Emmett em cada ponta. Pelo jeito que Edward se inclinava pra frente ao
meu lado, eu podia dizer que ele queria estar l com eles. Eu apertei a minha mo na dele.
Eu olhei na direo da floresta, sem ver nada.
"Droga", Emmett disse por baixo do flego. "Vocs j viram uma coisa como essas?"
Esme e Rosalie trocaram um olhar arregalado.
"O que ?", eu sussurrei to baixo quanto pude. "Eu no consigo ver".
"O bando cresceu", Edward murmurou no meu ouvido.
Eu no havia dito a ele que Quil havia se juntado ao bando? Eu me estiquei pra ver seis lobos na escurido. Finalmente, alguma coisa brilhou no escuro - os olhos
deles, mais altos do que deveriam ser. Eu tinha me esquecido do quanto os lobos eram altos. Como cavalos, s que mais grossos com os msculos e com os plos - e
os dentes como facas, impossveis de no ver.
Eu s podia ver os olhos. E enquanto eu procurava, me esforando pra ver mais, me ocorreu que haviam mais de seis pares de olhos nos encarando. Um, dois, trs...
Eu contei os pares rapidamente na minha cabea. O dobro.
Haviam dez deles.
"Fascinante", Edward murmurou quase silenciosamente.
Carlisle seu um passo lento, deliberadamente para a frente. Foi um movimento cuidadoso, designado pra reassegurar.
"Bem vindos", ele saudou os lobisomens invisveis.
"Obrigado", Edward respondeu num tom estranho, vazio, e eu me dei conta imediatamente que as palavras vinham de Sam. Eu olhei para os olhos brilhando no centro da
linha, o mais  frente, o mais alto de todos eles. Era impossvel separar o formato do grande lobo negro da escurido.
Edward falou de novo com a mesma voz destacada, falando as palavras de Sam. "Ns vamos observar e escutar, mas nada mais. Isso  o mximo que vocs podem pedir do
nosso auto-controle".
"Isso  mais do que suficiente", Carlisle respondeu. " Meu filho, Jasper" - ele fez um gesto pra onde Jasper estava, tenso e pronto -" tem experincia nessa rea.
Ele ir nos ensinar como eles lutam, como eles devem ser derrotados. Eu tenho certeza de que vocs podem continuar com o seu prprio estilo de caa".
"Eles so diferentes de vocs?" Edward perguntou pra Sam.
Carlisle balanou a cabea. "Eles so todos muito novos - tm apenas meses nessa vida. Crianas, de certa forma. Eles no tero habilidades e nem estratgia, apenas
fora bruta. Essa noite o nmero deles  de vinte. Dez pra ns, dez pra vocs - no deve ser difcil. Os nmeros podem cair. Os novos brigam entre s".
Um estrondo passou pela linha sombria dos lobos, uma baixo murmurio de rosnados que de alguma forma parecia entusiasmado.
"Ns estamos dispostos a ter mais na nossa metade, se for necessrio", Edward traduziu. O tom dele agora estava indiferente.
Carlisle sorriu. "Ns veremos como as coisas vo".
"Vocs sabem quando e como eles vo chegar?"
"Eles viro pelas montanhas daqui a quatro dias, tarde da manh. Enquanto eles se aproximam, Alice nos ajudar a interceptar o caminho deles".
"Obrigado pela informao. Ns vamos observar".
Com um som de suspiro, os olhos foram mais pra perto do cho um de cada vez.
Tudo ficou em silncio por duas batidas de corao, e a Jasper deu um passo at o espao vazio entre os vampiros e os lobos.
No foi difcil pra mim ver ele - a pele dele era to clara contra a escurido quanto os olhos dos lobos. Jasper lanou um olhar cauteloso na direo de Edward,
que balanou a cabea, e a Jasper virou suas costas para os lobisomens. Ele suspirou, claramente desconfortvel.
"Carlisle est certo", Jasper falou apenas pra ns; ele pareceu estar tentando ignorar a platia atrs dele. "Eles iro lutar como crianas. As duas coisas mais
importantes que vocs precisam lembrar so, primeiro, no deixem eles passaram os braos ao redor de vocs e, segundo, no tente matar de forma bvia.  pra isso
que eles esto preparados. Contanto que vocs os peguem pelos lados e continuem se movendo, eles ficaram confusos e respondero efetivamente. Emmett?"
Emmett saiu da linha com um enorme sorriso.
Jasper foi para a direo norte da abertura entre as duas linhas inimigas. Ele acenou que Emmett viesse pra frente.
"Ok, Emmett primeiro. Ele  o melhor exemplo de um ataque de recm-nascido".
Os olhos de Emmett se estreitaram. "Eu vou tentar no quebrar nada", ele murmurou.
Jasper riu maliciosamente. "O que eu quis dizer  que Emmett confia em sua fora. Ele  muito ansioso em relao ao ataque. Os recm-nascidos tambm no vo tentar
nada subto. V com a forma de morte mais fcil, Emmett".
Jasper retrocedeu mais alguns passos, o corpo dele ficando tenso.
"Ok, Emmett - tente me pegar".
Eu no consegu mais ver Jasper - ele era como um vulto enquanto Emmett partiu pra cima dele como um urso, sorrindo enquanto rosnava. Emmett era impossvelmente
rpido tambm, mas no como Jasper. No parecia que Jasper tinha mais substncia do que um fantasma - toda vez que parecia que as mos de Emmett tinham agarrado
ele com certeza, os dedos de Emmett apertavam nada alm de ar. Ao meu lado, Edward se inclinou pra frente atentamente, os olhos dele presos na luta. A Emmett congelou.
Jasper agarrou ele por trs, com os dentes a apenas alguns centmetros de seu pescoo.
Emmett xingou.
Houve um rosnado de apreciao entre os lobos que estavam assistindo.
"De novo", Emmett insistiu, o sorriso dele tinha desaparecido.
" a minha vez", Edward protestou. Os meus dedos ficaram tensos ao redor dos dele.
"Em um minuto", Jasper sorriu, dando um passo pra trs. "Primeiro eu quero mostrar uma coisa pra Bella".
Eu observei com olhos ansiosos enquanto ele fazia um gesto pra Alice se aproximar.
"Eu sei que voc se preocupa com ela", ele explicou enquanto ela danava despreocupadamente na arena. "Eu quero te mostrar porque isso no  necessrio".
Apesar de eu saber que Jasper jamais permitiria que alguma coisa machucasse Alice, ainda assim era difcil olhar enquanto ele entrava em posio novamente encarando
ela. Alice ficou imvel, parecendo uma bonequinha depois de Emmett, sorrindo pra s mesma. Jasper se moveu pra frente, e a escorregou pela esquerda dela.
Alice fechou os olhos.
O meu corao batia descompassadamente enquanto Jasper investia na direo de Alice.
Jasper saltou, desaparecendo. De repente, ele estava do outro lado de Alice. Ela nem parecia ter se movido.
Jasper se virou e se lanou pra cima dela novamente, s pra cair em um espao atrs dela como da primeira vez; todo o tempo Alice ficou sorrindo com os olhos fechados.
Eu observei Alice mais cuidadosamente agora.
Ela estava se movendo - s que eu estava perdendo isso, distrada pelos ataques de Jasper. Ela deu um passo pra frente no exato momento em que o corpo de Jasper
passava voando pelo lugar onde ela havia acabado de estar. Ela deu outro passo, enquanto as mos de Jasper agarravam o ar no lugar onde a cintura dela havia estado.
Jasper fechou o espao, e Alice comeou a se mover mais rpido. Ela estava danando - fazendo espirais e rodopiando e se curvando em s mesma. Jasper era o seu parceiro,
se lanando, alcanando os padres graciosos dela, sem nunca toc-la, como se todos os momentos fossem coreografados. Finalmente, Alice riu.
Do nada, ela estava agarrada nas costas de Jasper, com os lbios no pescoo dele.
"Te peguei", ela disse, e beijou a garganta dele.
Jasper gargalhou, balanando a cabea. "Voc realmente  um monstrinho assustador".
Os lobos murmuraram de novo. Dessa vez o som era cauteloso.
"Isso  bom pra eles aprenderem a ter algum respeito", Edward murmurou, divertido. A ele falou mais alto, "Minha vez."
Ele apertou minha mo antes de solt-la.
Alice veio tomar o lugar dele ao meu lado. "Legal, hein?", ela me perguntou presumidamente.
"Muito", eu concordei, sem tirar os olhos de Edward enquanto ele se movia sem nenhum rudo em direo a Jasper, os movimentos dele eram leves e observadores como
os de um gato selvagem.
"Eu estou de olho em voc, Bella", ela sussurrou de repente, a voz dela estava to baixa que eu mal consegu ouvir, apesar dos lbios dela estarem no meu ouvido.
O meu olhar passou pra ela e depois voltou pra Edward. Ele estava atento em Jasper, os dois estavam se encarando enquanto ele fechava a distncia.
A expresso de Alice estava cheia de repreenso.
"Eu vou avisar ele se os seus planos ficarem mais definidos", ela ameaou com o mesmo murmrio baixo. "No vai ajudar em nada se voc se colocar em perigo. Voc
acha que algum deles desistiria se voc morresse? Eles ainda iriam lutar, todos ns iramos. Voc no pode mudar nada, ento, seja boazinha, tudo bem?"
Eu fiz uma careta, tentando ignorar ela.
"Eu estou de olho", ela repetiu.
Edward havia fechado o espao de Jasper agora, e essa luta era mais justa do que as outras. Jasper tinha um sculo de experincia pra gui-lo, e ele tentava se guiar
apenas nos instintos sempre que podia, mas os pensamentos dele sempre o traam uma frao de segundo antes que ele agisse. Edward era um pouco mais rpido, mas os
movimentos que Jasper usava eram desconhecidos pra ele. Eles vinham pra cima um do outro de novo e de novo, nenhum dos dois conseguia ganhar vantagem, rosnados instintivos
surgiam o tempo inteiro. Era difcil de assistir, mas ainda mais difcil de desviar o olhar.
Eles se moviam rpido demais pra que eu desse entender o que estava acontecendo. De vez em quando, os olhos afiados dos lobos chamavam a minha ateno. Eu tinha
a sensao de que os lobos estavam vendo mais disso do que eu - talvez mais do que eles deviam.
Eventualmente, Carlisle limpou sua garganta.
Jasper riu e deu um passo pra trs. Edward ficou ereto e sorriu pra ele.
"De volta ao trabalho", Jasper consentiu. "Todos ns vo ter uma chance".
Todo mundo teve uma vez, Carlisle, depois Rosalie, Esme, e Emmett de novo. Eu pisquei atravs dos meus clios, me encolhendo quando Jasper atacou Esme. Esse foi
o mais difcil de observar. A ele diminuiu a velocidade, ainda no o suficiente pra que eu visse seus movimentos, e deu mais instrues.
"Vocs vem o que eu estou fazendo aqui?", ele perguntava. "Sim, exatamente assim", ele encorajava. "Se concentrem nos lados. No se esqueam de qual ser o alvo
deles. Continuem se movendo".
Edward estava sempre concentrado, observando e tambm ouvindo o que os outros no podiam ver.
Ficou mais difcil de observar quando os meus olhos ficaram mais pesados. De qualquer forma, eu no estive dormindo bem ultimamente, e j estavam se aproximando
umas slidas vinte e quatro horas desde que eu havia dormido pela ltima vez. Eu me inclinei no lado de Edward, e deixei as minhas plpebras escorregarem.
"Estamos quase acabando", ele sussurrou.
Jasper confirmou isso, se virando na direo dos lobos pela primeira vez, com uma expresso desconfortvel de novo. "Ns estaremos fazendo isso amanh. Por favor
sintam-se a vontade de observar de novo".
"Sim" Edward respondeu com a voz tranquila de Sam. "Ns estaremos aqui".
A Edward suspirou, deu um tapinha no meu brao, e se afastou de mim. Ele se virou para a famlia dele.
"O bando acha que ajudaria se eles fossem familiares com cada um dos nossos cheiros - pra que eles no cometam erroa mais tarde. Se ns pudssemos ficar bem imveis,
isso facilitaria pra eles".
"Certamente", Carlisle disse pra Sam. "O que vocs precisarem".
Houve um rosnado obscuro, gutural do bando de lobos enquanto eles se colocavam de p.
Os meus olhos ficaram arregalados de novo, a exausto estava esquecida.
A escurido profunda da noite estava comeando a desaparecer - o sol estava clareando as nuvens, apesar de que ele ainda no havia clareado o horizonte, longe do
outro lado da montanha. Enquanto eles se aproximavam, foi possvel de repente diferenciar as formas... as cores.
Sam estava no comando,  claro. Inacreditavelmente enorme, to escuro quanto a meia-noite, um monstro sado direto dos meus pesadelos - literalmente; depois da primeira
vez que eu v Sam e os outros na clareira, eles foram as estrelas principais dos meus pesadelos mais de uma vez.
Agora que eu podia ver todos eles, combinando o tamanho com cara par de olhos, eles pareciam ser mais de dez. O bando era assustador.
Pelo canto do meu olho, eu v Edward me observando, avaliando cuidadosamente a minha reao.
Sam se aproximou de Carlisle de onde ele estava na frente, o enorme bando estava bem no rabo dele. Jasper enrijeceu, mas Emmett, no outro lado de Carlisle, estava
sorrindo e relaxado.
Sam cheirou Carlisle, parecendo estremecer um pouquinho quando o fazia. A ele passou pra Jasper.
Os meus olhos correram pela linha cautelosa dos lobos. Eu tinha certeza que podia identificar suas novas adies. Havia um lobo cinza claro que era muito menor que
os outros, os pelos na sua nuca se ergueram de desgosto. Havia outro, com cor de areia do deserto, que parecia desengonado e descoordenado ao lado dos outros.
Um pequeno choramingo escapou do controle do lobo cor de areia quando o avano de Sam o deixou isolado entre Carlisle e Jasper.
Eu parei no lobo que estava bem atrs de Sam. O pelo dele era marrom-avermelhado e mais longo que os dos outros, mas desarrumado em comparao. Ele era quase to
alto quanto Sam, o segundo maior no grupo. A postura dele era casual, de alguma forma demonstrando indiferena ao que para os outros parecia ser uma provao.
O enorme lobo com plo ruivo pareceu sentir o meu olhar, e olhou pra mim com familiares olhos pretos.
Eu o encarei de volta, tentando acreditar no que eu j sabia. Eu podia sentir a maravilha e a fascinao no meu rosto.
A boca do lobo se abriu, mostrando seus dentes. Teriam sido uma expresso assustadora, exceto por a lngua dele ter rolado pra fora num sorriso de lobo.
Eu gargalhei.
O sorriso de Jacob aumentou em cima de seus dentes afiados. Ele abandounou seu lugar na fila, ignorando os olhos do bando enquanto eles o seguiam. Ele passou por
Edward e por Alice pra ficar a menos de dois metros de distncia de mim. Ela parou l, o olhar dele passando brevemente pra Edward.
Edward ficou imvel, uma esttua, os olhos dele observando a minha reao.
Jacob se inclinou nas patas da frente e deixou a cabea cair at que ela no estava mais alta do que a minha, olhando pra mim, medindo a minha reao tanto quanto
Edward.
"Jacob?", eu respirei.
A resposta foi um estrondo no fundo do peito dele que pareceu ser uma gargalhada.
Eu levantei a minha mo, meus dedos tremendo um pouco, e toquei o plo marrom-avermelhado no lado do rosto dele.
Os olhos pretos se fecharam, e Jacob inclinou sua enorme cabea na minha mo. Um zumbido trovejante ressoou na garganta dele.
O plo era macio e spero, e quente na minha mo. Eu passei os meus dedos por ele com curiosidade, sentindo a textura, alisando o seu pescoo, onde a textura se
aprofundava. Eu no tinha me dado conta do quanto havamos nos aproximado; sem aviso, Jacob lambeu o meu rosto de repente desde o queixo at a linha do cabelo.
"Eca! Que nojo, Jake!" eu reclamei, pulando pra trs e batendo nele, exatamente como eu teria feito se ele fosse humano. Ele desviou do caminho, e o latido tossido
saiu por entre os dentes dele bviamente era um riso.
Eu limpei o meu rosto com a manga da minha camisa, incapaz de evitar rir dele.
Nesse ponto eu me dei conta de que estavam todos olhando pra ns, os Cullen e os lobisomens - os Cullen com expresses perplexas eu um pouco enojadas. Era difcil
ver as expresses dos lobos. Eu achei que Sam no parecia feliz.
E depois havia Edward, nervoso e claramente desapontado. Eu me dei conta de que ele esperava outra reao da minha parte. Como gritar ou sair correndo aterrorizada.
Jacob fez o som de risada de novo.
Os lobos estavam se afastando agora, sem tirar os olhos dos Cullen enquanto iam embora. Jacob ficou ao meu lado, observando eles irem embora. Em breve, eles desapareceram
na floresta escura. Apenas dois exitaram perto das rvores, observando Jacob, suas posturas irradiando ansiedade.
Edward suspirou e - ignorando Jacob - veio ficar ao meu lado, pegando a minha mo.
"Pronta pra ir?", ele me perguntou.
Antes que eu pudesse responder, ele estava olhando por cima de mim pra Jacob.
"Eu ainda no entend os detalhes", ele disse, respondendo  pergunta nos pensamentos de Jacob.
O Jacob-lobo rosnou solenemente.
" mais complicado que isso", Edward disse. "No se preocupe; eu vou ter certeza de que  seguro".
"Do que vocs esto falando?", eu quis saber.
"Ns estamos discutindo a estratgia", Edward disse.
A cabea de Jacob se mexeu pra frente e pra trs, olhando os nossos rostos. Ento, de repente, ele saiu correndo para a floresta. Enquanto ele ia embora, eu reparei
pela primeira vez em um quadrado de tecido preto dobrado amarrado na sua perna de trs.
"Espere", eu chamei, levantando uma mo automaticamente pra alcans-lo. Mas ele desapareceu nas rvores em trs segundos, com os outros dois lobos acompanhando.
"Porque ele foi embora?", eu perguntei, magoada.
"Ele vai voltar", Edward respondeu. Ele suspirou. "Ele quer ser capaz de falar ele mesmo com voc".
Eu observei a beira da floresta por onde Jacob havia desaparecido, me inclinando no lado de Edward. Eu estava a ponto de ter um colapso, mas eu estava lutando.
Jacob apareceu de novo, dessa vez sobre duas pernas.
O peito largo dele estava n, seu cabelo estava encaracolado e desalinhado. Ele usava um par de calas de moletom, seus ps estavam descalsos no cho frio. Agora
ele estava sozinho, mas eu suspeitava que os amigos dele permaneciam nas rvores, invisveis.
Ele no levou muito tempo pra cruzar o campo, apesar dele ter dado um longo olhar para os Cullen, que estavam silenciosamente em um crculo frouxo.
"Ok, sugador de sangue", Jacob disse quando estava a alguns metros de ns, evidentemente continuando a conversa que eu havia perdido. "O que h de to complicado
nisso?"
"Eu tenho que considerar todas as possibilidades", Edward disse, sem se deixar abalar. "E se algum for machucado por voc?"
Jacob bufou com a ideia. "Tudo bem, ento deixe ela na reserva. Ns vamos fazer Collin e Brady ficar pra trs mesmo. Ela vai ficar mais segura l".
Eu fiz uma carranca. "Vocs esto falando sobre mim?"
"Eu s quero saber o que ele planeja fazer com voc durante a luta", Jacob explicou.
"Fazer comigo?"
"Voc no pode ficar em Forks, Bella", a voz de Edward era apaziguadora. "L eles sabem onde te procurar. E se algum passasse por ns?"
O meu estmago caiu e o sangue foi drenado do meu rosto. "Charlie?", eu ofeguei.
"Ele vai ficar com Billy", Jacob me assegurou rapidamente. "Se o meu pai tiver que cometer um assassinato pra lev-lo at l, ele vai fazer isso. Isso tudo provavelmente
no ser necessrio.  sbado, certo? H um jogo".
"Esse sbado?", eu perguntei, minha cabea girando. Eu estava com a cabea leve demais pra controlar os meus pensamentos selvagemente randmicos. Eu fiz uma careta
pra Edward. "Bem, que droga! L se vai o meu presente de formatura".
Edward riu. " o pensamento que conta", ele me lembrou. "Voc pode dar as entradas a outra pessoa".
A inspirao me veio rapidamente. "Angela e Ben", eu decid imediatamente. "Pelo menos isso vai tir-los da cidade".
Ele tocou minha bochecha. "Voc no pode evacuar todo mundo", ele disse com uma voz gentil.
"Te esconder  s uma precauo. Eu te disse - agora ns no teremos problemas. No havero suficiente deles pra nos manter entretidos".
"Mas e quanto a deixar ela em La Push?", Jacob interrompeu, impaciente.
"Ela ficou pra l e pra c demais", Edward disse. "Ela deixou trilhas pelo lugar todo. Alice s v vampiros muito jovens vindo para a caada, mas obviamente algum
os criou. H algum mais experiente por trs disso. Quem quer que ele" - Edward parou pra olhar pra mim - "ou ela seja, essa poderia ser uma distrao. Alice vai
ver se ele decidir vir olhar por contra prpria, mas ns estaremos muito, muito ocupados na hora que a deciso for tomada. Talvez algum esteja contando com isso.
Ela no posso deix-la em alguem lugar onde ela esteve frequentemente. Ela tem que ser difcil de achar, s na dvida.  uma chance pequena, mas eu no vou contar
com a sorte".
Eu olhei pra Edward enquanto ele explicava, com a minha testa enrugando. Ele deu um tapinha no meu brao.
"S sendo muito cuidadoso", ele prometeu.
Jacob fez um gesto para a floresta profunda  leste de ns, para a vasta expanso das Montanhas Olmpicas.
"Ento esconda ela l", ele sugeriu. "Existe um milho de possibilidades - lugares onde tanto voc quanto eu poderemos estar em apenas alguns minutos, se ela precisar".
Edward balanou a cabea. "O cheiro dela  forte demais e, combinado com o meu,  especialmente distinto. Mesmo se eu levasse ela, isso deixaria uma trilha. Nossa
trilha  fora de alcance, mas em conjuno com o cheiro de Bella, chamaria a ateno deles. Ns no temos certeza absoluta de que caminho eles vo tomar, porque
eles no sabem disso ainda. Se eles sentissem o cheiro dela antes de nos encontrarem..."
Os dois fizeram caretas ao mesmo tempo, suas sobrancelhas ficando juntas.
"Voc entende as dificuldades".
"Deve haver um jeito de fazer isso funcionar", Jacob murmurou. Ele olhou na direo da floresta, torcendo os lbios.
Eu me desequilibrei nos meus ps. Edward passou seu brao pela minha cintura, me trazendo mais pra perto e sustentando o meu peso.
"Eu preciso te levar pra casa - voc est exausta. E Charlie vai se acordar logo..."
"Espere um segundo", Jacob disse, se virando de volta pra ns, com os olhos brilhando. "O meu cheiro te incomoda, certo?"
"Hmm, nada mal", Edward j estava dois passos  frente. " possvel". Ele se virou em direo a sua famlia. "Jasper?", ele chamou.
Jasper olhou pra cima curiosamente. Ele veio at ns com Alice meio passo atrs. O rosto dela estava frustrado de novo.
"Ok, Jacob", Edward balanou a cabea pra ele.
Jacob se virou pra mim com uma estranha mistura de emoes no rosto. Ele claramente estava excitado por qualquer que fosse o plano dele, mas tambm aninda estava
um pouco intranquilo por ter seus inimigos to prximos como aliados. E foi minha vez de ser cautelosa quando ele ergueu os braos na minha direo.
Edward respirou fundo.
"Ns vamos ver se conseguimos confundir suficientemente o cheiro pra esconder a sua trilha", Jacob explicou.
Eu olhei para os braos abertos dele suspeitosamente.
"Voc vai ter que deixar ele te carregar, Bella", Edward me disse. A voz dele estava calma, mas eu conseguia ouvir o desgosto escondido.
Eu fiz uma careta.
Jacob revirou os olhos, impaciente, e se abaixou pra me agarrar nos seus braos.
"No seja to infantil", ele murmurou.
Mas os olhos dele passaram pra Edward, assim como os meus. O rosto de Edward estava composto e suave. Ele falou com Jasper.
"O cheiro de Bella  muito mais potente pra mim - eu pensei que seria um testa mais justo se outra pessoa tentasse".
Jacob deu as costas pra eles e se embrenhou rapidamente na floresta. Eu no disse nada enquanto a escurido se fechava ao nosso redor. Eu estava fazendo biquinho,
desconfortvel nos braos de Jacob. Ele parecia ntimo demais de mim - certamente ele no precisava me segurar to apertado - eu no podia deixar de me perguntar
como ele se sentia com isso.
Isso me lembrou da minha ltima tarde em La Push, e eu no queria lembrar daquilo. Eu cruzei os meus braos, aborrecida quando a tipia no meu brao intensificou
a memria.
Ns no fomos muito longe; ele fez uma volta larga e voltou para a clareira por uma direo diferente, talvez meio campo de futebol de distncia do ponto de partida
original. Edward estava l sozinho e Jacob foi em direo a ele.
"Voc pode me colocar no cho agora".
"Eu no quero ter uma chance de arruinar a experincia" Ele caminhou mais devagar e os braos dele se apertaram.
"Voc  to chato", eu murmurei.
"Obrigado".
Do nada, Alice e Jasper estavam de p ao lado de Edward. Jacob deu mais um passo, e me colocou no cho  uma meia dzia de ps de distncia de Edward. Sem olhar
de volta pra Jacob, eu caminhei para o lado de Edward e peguei a mo dele.
"Bem?", eu perguntei.
"Contanto que voc no toque nada, Bella, eu no posso imaginar como algum poderia colocar o nariz perto o suficiente da trilha pra sentir o seu cheiro", Jasper
disse, fazendo uma careta. "Ele est quase completamente obscurecido".
"Um sucesso definitivo", Alice concordou, torcendo o nariz.
"E isso me deu uma idia"
"Que vai dar certo", Alice acrescentou confiantemente.
"Inteligente", Edward concordou.
"Como voc aguenta isso?", Jacob murmurou pra mim.
Edward ignorou Jacob e olhou pra mim enquanto explicava. "Ns vamos - bem, voc vai - deixar um trilha falsa at a clareira, Bella. Os recm-nascidos esto caando,
o seu cheiro vai deix-los excitados, e eles viro exatamente por onde ns queremos que eles venham sem que tenhamos que ser cuidadosos sobre isso. Alice j pode
ver que isso vai funcionar. Quando eles sentirem o nosso cheiro, eles vo se separar e tentar nos cercar pelos dois lados. A metade ir para a floresta, onde as
vises dela desaparecem de repente..."
"Sim!", Jacob assobiou.
Edward sorriu pra ele, um sorriso de verdadeira camaradagem.
Eu me sent doente. Como eles podiam estar to ansiosos com isso?
Como eu aguentaria ter ambos em perigo? Eu no podia.
Eu no iria.
"Sem chance", Edward disse de repente, com a voz enojada. Isso me fez pular, me preocupando que ele de alguma forma tivesse ouvido a minha resoluo, mas os olhos
dele estavam em Jasper.
"Eu sei, eu sei", Jasper disse rapidamente. "Eu nem considerei isso, na verdade".
Alice pisou no p dele.
"Se Bella estivesse de verdade na clareira", Jasper explicou pra ela, "Isso os deixaria loucos. Eles no seriam capazes de se concentrar em nada alm dela. Isso
deixaria bem fcil acabarmos com eles..."
O olhar de Edward fez Jasper dar pra trs.
" claro que  perigoso demais pra ela. Foi s um pensamento  toa", ele disse rapidamente. Mas ele olhou pra mim pelo canto dos seus olhos, e o olhar era saudoso.
"No", Edward disse. A voz dele ecoava com finalidade.
"Voc est certo", Jasper disse, pegando a mo de Alice e voltando pra junto dos outros. "Vamos fazer um melhor de trs?", eu ouv ele perguntando a ela enquanto
eles iam treinar de novo.
Jacob encarou ele com desgosto.
"Jasper olha para as coisas por uma perspectiva militar", Edward defendeu seu irmo baixinho. "Ele olha pra todas as opes -  eficcia, no insensibilidade".
Jacob bufou.
Ele havia se inlinado mais pra perto inconscientemente, mergulhado em sua absoro pelos planejamentos. Agora ele estava a apenas trs ps de Edward, e, estando
entre eles dois, eu podia sentir a tenso fsica no ar. Era como esttica, uma carga desconfortvel.
Edward voltou aos negcios. "Eu vou traz-la aqui a Sexta  tarde pra espalhar a trilha falsa. Voc pode nos encontrar depois, e eu vou lev-la a um lugar que eu
conheo. Completamente fora do caminho e facilmente defensvel, no que ns cheguemos a isso. Eu vo pegar outra rota daqui".
"E depois o qu? Deixar ela com um celular?", Jacob perguntou criticamente.
"Voc tem uma idia melhor?"
Jacob ficou presumido de repente. "Na verdade, eu tenho".
"Oh... De novo, cachorro, nada mal".
Jacob se virou rapidamente pra mim, como se estivesse determinado a bancar o cara bonzinho por me passar a conversa. "Ns tentamos convencer Seth a ficar pra trs
com os dois mais jovens. Ele ainda  novo demais, mas ele  teimoso e est resistindo. Ento eu pensei em uma tarefa nova pra ele - celular".
Eu tentei parecer que estava entendendo. No enganei ningum.
"Contanto que Seth Clearwater permanea em sua forma de lobo, ele fica conectado ao bando", Edward disse. "Distncia  um problema?", ele acrescentou, se virando
pra Jacob.
"No"
"Trezentas milhas?", Edward perguntou. "Isso  impressionante".
Jacob foi o cara bonzinho de novo. "Isso  o mais longe que ns j experimentamos", ele me disse. "Claro como um sino".
Eu balancei a cabea ausentemente; eu estava me revirando com a idia de que Seth Clearwater j era um lobisomem tambm, e isso dificultou a minha concentrao.
Eu podia ver o seu sorriso brilhante, to mais jovem que Jacob na minha cabea; ele no podia ter mais de quinze anos, se  que ele tinha isso. O entusiasmo dele
no encontro do conselho na fogueira tomou um significado de repente...
"Essa  um boa idia", Edward pareceu relutante em admitir. "Eu vou me sentir melhor com Seth l, mesmo sem comunicao instantnea. Eu no sei se eu seria capaz
de deixar Bella l sozinha. No entanto, pensar nisso! Confiar em lobisomens!"
"Lutando com vampiros ao invs de contra eles!", Jacob imitou o tom de desgosto de Edward.
"Bem , voc aninda vai conseguir lutar contra alguns deles", Edward disse.
Jacob sorriu. "Essa  a razo pela qual estamos aqui".

18. Egosta
Edward me carregou pra casa em seus braos, esperando que eu no fosse capaz de me segurar. Eu devo ter cado no sono no caminho.
Quando eu acordei, eu estava na minha cama e a luz fraca entrando pela minha janela estava vindo de um ngulo estranho. Quase como se fosse se tarde.
Eu bocejei e me estiquei, meus dedos procurando por ele e encontrando o vazio.
"Edward?", eu murmurei.
Meu dedos procurando encontraram alguma coisa fria e macia. A mo dele.
"Voc realmente est acordada dessa vez?", ele murmurou.
"Mmm", eu murmurei assentindo. "Houveram muitos falsos alarmes?"
"Voc esteve inquieta - falando o dia todo".
"O dia todo?", eu pisquei e olhei pelas janelas de novo.
"Voc teve uma noite longa", ele disse me acalmando. "Voc mereceu um dia na cama".
Eu me sentei, e minha cabea virou. A luz estava entrando pela minha janela vinda do oeste. "Uau".
"Com fome?", ele adivinhou. "Voc quer caf da manh na cama?"
"Eu vou pegar", eu gemi, me esticando de novo. "Eu preciso me levantar e me mover".
Ele segurou minha mo no caminho para a cozinha, me olhando cuidadosamente, como se eu estivesse prestes a cair. Ou talvez ele pensasse que eu estava andando enquanto
dormia.
Eu mantive as coisas simples, jogando dois Pop-Tarts na torradeira. Eu dei uma olhada em mim mesma na reflexo do cromado.
"Ugh, eu t uma baguna".
"Foi uma noite longa", ele disse de novo. "Voc devia ter ficado aqui e dormido".
"Certo! E ter perdido tudo. Sabe, voc precisa comear a aceitar o fato de que eu siu uma parte da famlia agora".
Ele sorriu. "Eu provavelmente poderia me acostumar com essa idia".
Eu me sentei com o meu caf da manh, e ele sentou ao meu lado. Quando eu levantei o Pop-Tart pra dar a primeira mordida, eu reparei ele olhando para a minha mo.
Eu olhei pra baixo, e v que eu ainda estava usando o presente que Jacob havia me dado na festa.
"Posso?", ele perguntou, pegando o pequeno lobo.
Eu engol fazendo barulho. "Um, claro".
Ele moveu sua mo embaixo do pingente da pulseira e equilibrou a pequena figura na sua palma branca. Por um breve momento, eu tive medo. Apenas o menor movimento
dos seus dedos podia quebr-lo em pedaos.
Mas  claro que Edward no faria isso. Eu estava envergonhada s de ter pensado nisso. Ele s pesou o lobo em sua palma por um momento, e depois deixou ele cair.
Ele balanou levemente no meu pulso.
Eu tentei ler a expresso nos olhos dele. Tudo o que eu pude ver foi pensamento; ele manteve todo o resto escondido, se  que havia mais alguma coisa.
"Jacob Black pode te dar presentes".
No era uma pergunta, era uma acusao. S a atestao de um fato. Mas eu sabia que ele estava se referindo ao meu ltimo aniversrio e ao piti que eu dei por causa
dos presentes; eu no queria nenhum. Especialmente no de Edward. Isso no era inteiramente lgico, e,  claro, todo mundo me ignorou do mesmo jeito...
"Voc me deu presentes", eu lembrei ele. "Voc sabe que eu gosto de coisas feitas em casa".
Ele torceu os lbios por um momento. "E quando a presentes passados? Esses so aceitveis?"
"O que voc quer dizer?"
"Essa pulseira", ele passou um crculo no meu pulso com o dedo. "Voc vai usar muito isso?"
Eu levantei os ombros.
"Porque voc no ia querer magoar os sentimentos dele", ele sugeriu astutamente.
"Claro, eu acho que sim".
"Ento, voc no acha que  justo", ele perguntou, olhando para a minha mo enquanto falava. Ele virou minha palma pra cima, e correu seus dedos pelas veias dos
meus pulsos. "Se eu tiver uma pequena representao?"
"Representao?"
"Um pingente - alguma coisa que me mantenha na sua mente".
"Voc est em todos os meus pensamentos. Eu no preciso de lembretes".
"Se eu te der uma coisa, voc vai usar?", ele pressionou.
"Um presente passado?", eu chequei.
"Sim, uma coisa que eu j tenho ha algum tempo" Ele sorriu seu sorriso angelical.
Se essa era a nica reao ao presente de Jacob, eu ia aceitar alegremente. "O que te deixar feliz".
"Voc reparou na desigualdade?", ele perguntou, e a voz dele se tornou acusadora.
"Porque eu certamente reparei".
"Que desigualdade?"
Os olhos dele se estreitaram. "Todas as outras pessoas podem ir em frente e te dar coisas. Todo mundo menos eu. Eu teria amado te dar um presente de formatura, mas
eu no dei. Eu sabia que isso te incomodaria mais do que se outras pessoas te dessem. Isso  absolutamente injusto. Como voc se explica?"
"Fcil", eu levantei os ombros. "Voc  mais importante do que as outras pessoas. E voc me deu voc. Isso j  mais do que eu mereo, e qualquer outra coisa que
voc me der s vai nos colocar ainda mais fora de equilbrio".
Ele processou isso por um momento, e depois revirou os olhos. "A forma que voc pensa de mim  ridcula".
Eu mastiguei o meu caf da manh calmamente. Eu sabia que ele no ia me ouvir se eu disse que podia dizer o mesmo sobre ele.
O telefone de Edward vibrou.
Ele olhou para o nmero antes de abr-lo. "O que foi, Alice?"
Ele escutou, e eu observei a reao dele, nervosa de repente. Mas o que quer que ela tenha dito, no surpreendeu ele. Ele suspirou algumas vezes.
"Eu meio que j esperava por isso",. ele disse pra ela, me olhando nos olhos, com uma arco de desaprovao nas sobrancelhas. "Ela estava falando durante o sono".
Eu corei. O que foi que eu disse agora?
"Eu vou cuidar disso", ele prometeu.
Ele me encarou enquanto fechava o telefone. "H alguma coisa sobre a qual voc queira me falar?"
Eu pensei por um momento. Tendo em vista o aviso de Alice na noite passada, eu podia adivinhar porque ela tinha ligado. E isso me lembrou dos sonhos problemticos
que eu tive enquanto dormia durante o dia - sonhos onde eu corria atrs de Jasper, tentando segu-lo e encontrar a clareira no meio da floresta, sabendo que eu iria
encontrar Edward l... Edward e os monstros que queriam me matar, mas sem me importar com eles porque eu j havia tomado a minha deciso - eu tambm j podia adivinhar
o que Edward havia ouvido enquanto eu dormia.
Eu torc meus lbios por um momento, sem ser exatamente capaz de encontrar os olhos dele. Ele esperou.
"Eu gosto da idia de Jasper", eu disse finalmente.
Ele gemeu.
"Eu quero ajudar. Eu tenho que fazer alguma coisa", eu insist.
"Te colocar em perigo no ia ajudar".
"Jasper acha que ajudaria. Nessa rea ele  o expert".
Edward me encarou.
"Voc no pode me manter afastada", eu ameacei. "Eu no vou ficar escondida na floresta enquanto voc se enfrenta todos os riscos por mim".
De repente, ele estava lutando com um sorriso. "Alice no te viu na clareira, Bella. Ela v voc tropeando ao redor da floresta. Voc no vai conseguir nos encontrar;
voc s vai me fazer consumir mais tempo te procurando depois".
Eu tentei me manter to tranquila quanto ele estava. "Isso  porque Alice no viu o fator Seth Clearwater", eu disse educadamente. "Se ela tivesse,  claro, ela
no teria sido capaz de ver nada mais. Mas parece que Seth quer estar l tanto quanto eu. No deve ser difcil persuad-lo a me mostrar o caminho".
Raiva faiscou no rosto dele, e a ele respirou fundo pra se recompor. "Isso podia ter dado certo... se voc no tivesse me contado. Agora eu simplesmente vou pedir
a Sam que d certas ordens a Seth. Mesmo que ele possa querer muito, Seth no ser capaz de ignorar esse tipo de ordem."
Eu mantive o meu sorriso agradvel. "Mas porque Sam daria essas ordens. Se eu dissesse a ele o quanto ajudaria se eu estivesse l? Eu aposto que Sam ia preferia
fazer um favor pra mim do que pra voc".
Ele havia se composto de novo. "Talvez voc esteja certa. Mas eu tenho certeza de que Jacob no estaria nada alm de ansioso pra dar essas mesmas ordens".
Eu fiz uma careta. "Jacob?"
"Jacob est no segundo comando. Ele nunca te contou isso? As ordens dele tm que ser seguidas tambm".
Ele tinha ganhado, e pelo sorriso dele, ele tambm sabia disso. A minha testa enrugou. Jacob ia ficar do lado dele - nesse caso - eu tinha certeza. E Jacob nunca
havia me contado isso.
Edward pegou vantagem no fato de que eu fiquei momentaneamente embasbacada, continuando em sua voz suspeitosamente macia e suave.
"Eu dei uma olhada fascinante nas mentes do bando na noite passada. Era melhor que uma novela. Eu no fazia idia de como a dinmica de uma bando to grande era
complicada. O empurro de um indivduo contra o plural psquico... Absolutamente fascinante".
Ele obviamente estava tentando me distrair. Eu encarei ele.
"Jacob esteve escondendo vrios segredos", ele disse com um sorriso malicioso.
Eu no respondi, eu s continuei encarando, me segurando ao meu argumento e esperando por uma abertura.
"Por exemplo, voc reparou num lobo menor, cinza que estava l na noite passada?"
Eu balancei a cabea num movimento rgido.
Ele gargalhou, "Eles levam todas aquelas lendas to a srio. Acontece que existem coisas para as quais as histrias deles no os preparam".
Eu suspirei. "Tudo bem, eu vou morder essa. Sobre o que estamos falando?"
"Eles sempre aceitaram sem questionar que apenas os bisnetos diretos do lobo original tinham poder pra se transformar".
"Ento algum que no era descendente direto se transformou?"
"No, ela realmente  uma descendente direta".
Eu pisquei, meu olhos arregalaram. "Ela?"
Ele balanou a cabea. "Ela conhece voc. O nome dela  Leah Clearwater".
"Leah  um lobisomem!", eu gritei. "Oque? Por quanto tempo? Porque Jacob no me disse?"
"Existem coisas que ele no tem permisso de dividir - o nmero deles, por exemplo. Como eu disse antes, quando Sam d uma ordem, o bando no pode simplesmente ignor-la.
Jacob foi cuidadoso pra pensar em outras coisas enquanto estava perto de mim.  claro, depois da noite passada, tudo foi em vo".
"Eu no posso acreditar. Leah Clearwater!", de repente, eu me lembrei de Jacob falando sobre Leah e Sam, e do jeito como ele agiu, como se tivesse dito coisas demais
- depois que ele disse alguma coisa sobre Sam tendo que olhar nos olhos de Leah todos os dias e saber que ele havia quebrado suas promessas...
Leah no penhasco, uma lgrima brilhando na bochecha dela quando o Velho Quil falou sobre o fardo e o sacrifcio que os filhos Quileute dividiam... E Billy, passando
o tempo com Sue que estava tendo dificuldade com seus filhos... e o problema de verdade era que agora eles dois eram lobisomens!
Eu nunca pensei muito em Leah Clearwater, a no ser pra sentir pena dela quando Harry morreu, e depois pra sentir pena de novo quando Jacob me contou a histria
dela, sobre a estranha impresso que houve entre Sam e sua prima Emily que havia quebrado o corao de Leah.
E agora ela era parte do bando de Sam, escutando os pensamentos dele... e incapaz de esconder os dela.
Eu realmente odeio essa parte, Jacob havia dito, Todas as coisas das quais voc se envergonha, expostas pra todo mundo ver.
"Pobre Leah", eu sussurrei.
Edward bufou. "Ela est tornando a vida deles excessivamente difcil. Eu no tenho certeza de que ela merece a sua simpatia".
"O que voc quer dizer?"
"J  difcil suficiente pra eles, terem que dividir todos os seus pensamentos. A maioria deles tenta cooperar, fazer isso ser mais fcil. Mesmo quando apenas um
membro  deliberadamente malicioso, isso  doloroso pra todos".
"Ela tem razes suficientes", eu murmurei, ainda do lado dela.
"Oh, eu sei", ele disse. "A compulso da impresso  uma das coisas mais estranhas que eu j testemunhei em minha vida, e eu j v algumas coisas estranhas" Ele
balanou a cabea pensativamente. "A forma como Sam est ligado a Emily  impossvel de descrever - ou eu deveria dizer o Sam dela. Sam realmente no teve escolha.
Isso me lembra de Sonhos de Uma Noite de Vero com todo aquele caos criado pelos feitios de amor das fadas... como mgica". Ele sorriu. " realmente quase to forte
quando o que eu sinto por voc".
"Pobre Leah", eu disse de novo. "Mas o que voc quer dizer com malicioso?"
"Ela fica trazendo  tona constantemente coisas sobre as quais eles no querem pensar," ele explicou. "Como Embry, por exemplo".
"O que tem Embry?", eu perguntei, surpresa.
"A mo dele veio da reserva de Makah h dezessete anos atrs, quando ela estava grvida dele. Ela no  Quileute. Todos presumiram que ela havia deixado o pai dele
pra trs com os Makah. Mas a ele se juntou ao bando".
"Ento?"
"Ento, os principais candidatos pra pais so o Sr. Quil Ateara, Joshua Uley, ou Billy Black, e todos eles eram casados nessa poca,  claro".
"No!", eu fiquei ofegante. Edward estava certo - isso era exatamente uma novela.
"Agora, Sam, Jacob e Quil todos ficam imaginando qual deles tm um meio irmo. Todos eles gostariam de pensar que fosse Sam, j que o pai dele nunca foi uma boa
figura de pai. Mas sempre existem dvidas. Jacob nunca foi capaz de perguntar a Billy sobre isso".
"Uau. Como  que voc conseguiu pegar isso tudo em uma noite?"
"A mente do bando  hipnotisadora. Todos pensando separadamente ao mesmo tempo. H tanta coisa pra ler!"
Ele pareceu levemente arrependido, como algum que havia fechado um livro em sua melhor parte. Eu r.
"O bando  fascinante", eu concordei. "Quase to fascinante quanto voc  quando est querendo me distrair".
A expresso dele ficou educada de novo - a expresso de um jogador de pquer.
"Eu tenho que estar naquela clareira, Edward".
"No", ele disse num tom muito definitivo.
Uma certa sada clareou pra mim nesse momento.
No era muito importante que eu estivesse na clareira. Eu s tinha que estar onde Edward estava.
Cruel, eu acusei a mim mesma, Egosta, egosta, egosta! No faa isso!"
Eu ignorei os meus melhores instintos. No entanto, eu no pude olhar pra ele enquanto falava. A culpa colocou os meus olhos na mesa.
"Tudo bem, olha, Edward", eu sussurrei. "Aqui est o negcio... Eu j fiquei louca uma vez. Eu sei quais so os meus limites. Eu no vou aguentar se voc me deixar
de novo".
Eu no olhei pra cima pra ver a reao dele, com medo da quantidade de dor que eu estava inflingindo a ele.
Eu ouv ele sulgar o ar de repente e o silncio que se seguiu. Eu encarei o tampo de madeira escura da mesa, desejando pegar aquelas palavras de volta. Mas sabendo
que eu provavelmente no faria isso. Nem se desse certo.
De repente, os braos dele estavam ao redor, as mos dele alisando o meu rosto, meus braos. Ele estava me confortando. A culpa comeou a girar em espiral. Mas o
instinto de sobrevivncia era mais forte. No havia dvida de que ele era fundamental para a minha sobrevivncia.
"Voc sabe que no  assim, Bella", ele murmurou. "No vai ser longe, e tudo estar rapidamente acabado".
"Eu no posso aguentar", eu insist, olhando pra baixo. "No sem saber se voc vai estar de volta ou no. Como eu sobrevivo a isso, no importa o quo rapidamente
isso acabe?"
Ele suspirou. "Isso vai ser fcil, Bella. No existem razes para os seus medos".
"Nenhum mesmo?"
"Nenhum".
"E todos vo ficar bem?"
"Todo mundo", ele prometeu.
"Ento no jeito mesmo de que eu seva ser necessria na clareira?"
" claro no. Alice acabou de me dizer que eles foram diminudos a dezenove. Ns conseguiremos cuidar disso facilmente".
" isso mesmo - voc disse que ia ser to fcil que algum at poderia ficar de fora.", eu repet as palavras que ele disse na noite passada. "Voc realmente estava
falando srio?"
"Sim".
Parecia simples demais - ele deiva saber onde isso estava chegando.
"To fcil que voc possa ficar de fora?"
Depois de um longo momento de silncio, eu finalmente olhei para a expresso dele.
O rosto do jogador de pquer estava de volta.
Eu respirei fundo. "Ento  de um jeito ou de outro. Ou isso  mais perigoso do que o que voc est querendo me contar, e nesse caso seria certo que eu estivesse
l pra ajudar, pra fazer o que eu puder pra ajudar. Ou... isso ser to fcil que ele sero capazes de passar por isso sem voc. De que jeito vai ser?"
Ele no falou.
Eu sabia o que ele estava pensando - a mesma coisa na qual eu estava pensando.
Carlisle. Esme. Emmett. Rosalie. Jasper. E... eu me forcei a dizer o ltimo nome. E Alice.
Eu me perguntei se eu era um monstro. No do tipo que ele pensava que ele era, mas um de verdade. O tipo de verdade que machuca as pessoas. O tipo que no tem limites
quando se trata do que eles querem.
O que eu queria era mant-lo a salvo, a salvo comigo. Ser que eu tinha limites pra o que eu faria, o que eu sacrificaria por isso? Eu no tinha certeza.
"Voc est me pedindo pra ir deix-los lutar sem a minha ajuda?", ele perguntou com uma voz baixa.
"Sim", eu estava surpresa por conseguir manter a minha voz uniforme, j que eu me sentia to miservel por dentro. "Ou me deixar estar l. Qualquer um dos dois,
contanto que estejamos juntos".
Ele respirou fundo, e exalou lentamente. Ele colocou suas mos dos dois lados do meu rosto, me forando a olhar pra ele. Ele me olhou dentro dos olhos por um longo
tempo. Eu me perguntei o que ele estava procurando, e o que ele encontrou. Ser que a culpa estava to aparente no meu rosto quanto estava no meu estmago - me deixando
enjoada?
Os olhos dele se apertaram por causa de alguma emoo que eu consegu ler, e ele baixou sua mo pra pegar o telefone de novo.
"Alice", ele suspirou. "Ser que voc pode vir tomar conta de Bella por mim um pouco?" Ele ergueu uma sobrencelha, me desafiando a me opor a isso. "Eu preciso falar
com Jasper".
Ela evidentemente concordou. Ele guardou o telefone e voltou a olhar para o meu rosto.
"O que voc vai dizer pra Jasper?", eu sussurrei.
"Eu vou discutir... a minha sada".
Era fcil ver no rosto dele o quanto essas palavras eram difceis pra ele.
"Eu lamento".
Eu lamentava. Eu odiava ter que fazer isso com ele. Mas no o suficiente pra dar um sorriso falso e dizer que ele seguisse em frente sem mim. Definitivamente no
tanto assim.
"No se desculpe", ele disse, sorrindo s um pouquinho. "Nunca tenha medo de me dizer como voc se sente, Bella. Se isso  o que voc precisa..." ele levantou os
ombros. "Voc  minha primeira prioridade"
"Eu no queria que parecesse desse jeito - como se voc tivesse que escolher entre mim e sua famlia".
"Eu sei disso. Alm do mais, no foi isso o que voc pediu. Voc me deu duas alternativas com as quais voc podia conviver, e eu escolh a alternativa com a qual
eu posso conviver.  assim que um compromisso deve funcionar".
Eu me inclinei pra frente e encostei minha testa no peito dele. "Obrigada", eu sussurrei.
"A qualquer hora", ele respondeu, beijando o meu cabelo. "Qualquer coisa".
Ns no tivemos que nos mexer por um longo momento. Eu mantive o meu rosto escondido, pressionado contra a camisa dele. Duas vozes discutiam dentro de mim. Uma que
queria ser boa e corajosa, e uma que falava pra a boa que ficasse de bico fechado.
"Quem  a terceira esposa?", ele me perguntou de repente.
"Huh?", eu perguntei, protelando. Eu no me lembrava de ter tido aquele sonho de novo.
"Voc estava murmurando alguma coisa sobre "a terceira esposa" na noite passada. O resto fez um pouco de sentido, mas a voc me deixou confuso".
"Oh. Um, . Essa foi apenas uma das histrias que eu ouv na fogueira na noite passada", eu levantei os ombros. "Eu acho que ficou grudada em mim".
Edward se afastou de mim e deixou a cabea pender pro lado, provavelmente confuso pelo tom confuso da minha voz.
Antes que ele pudesse pergunta, Alice apareceu na porta da cozinha com uma expresso azeda.
"Voc vai perder toda a diverso", ela murmurou.
"Ol, Alice", ele saudou de volta. Ele colocou um dedo embaixo do meu queixo e levantou o meu rosto e me dar um beijo de adeus.
"Eu vou voltar mais tarde essa noite", ele prometeu. "Eu vou trabalhar isso com os outros... rearrumar as coisas".
"Tudo bem".
"No h muito pra rearrumar", Alice disse. "Eu j contei pra eles. Emmett est contente".
Edward suspirou. " claro que ele est".
Ele saiu pela porta, me deixando pra enfrentar Alice.
Ela me encarou.
"Eu lamento", eu me desculpei de novo. "Voc acha que isso tornar as coisas mais difceis pra vocs?"
Alice bufou. "Voc se preocupa demais, Bella. Voc vai ficar prematuramente grisalha".
"Ento, porque voc est aborrecida?"
"Edward  um resmungo quando no consegue fazer as coisas do jeito que ele quer. Eu s estou antecipando como vai ser viver com ele pelos prximos meses". Ela fez
uma cara. "Eu acho que, se isso te deixa s, vale a pena. Mas eu queria que voc pudesse controlar o seu pessimismo, Bella.  to desnecessrio".
"Voc deixaria Jasper ir sem voc?", eu quis saber.
Alice fez uma careta. "Isso  diferente".
"Claro que ".
"V se limpar", ela me ordenou. "Charlie vai estar em casa em quinze minutos, e se ele te encontrar acabada desse jeito, ele no vai mais querer deixar voc sair"
Uau, eu realmente tinha perdido o dia inteiro. Isso parecia um desperdcio. Eu estava feliz por no ter que perder o meu tempo dormindo pra sempre.
Eu estava inteiramente apresentvel quando Charlie chegou em casa - totalmente vestida, com o cabelo decente, e na cozinha colocando o jantar dele na mesa. Alice
sentou no lugar de costume de Edward, e isso pareceu iluminar o dia de Charlie.
"Ol, Alice! Como vai voc, querida?"
"Eu estou bem, Charlie, obrigada"
"Eu vejo que voc finalmente saiu da cama, dorminhoca", ele disse pra mim enquanto eu me sentava ao lado dele, antes de se virar de volta pra Alice. "Todo mundo
est falando da festa que os seus pais deram na noite passada. Eu aposto que vocs tm uma baita limpeza pra fazer hoje".
Alice levantou os ombros. Conhecendo ela, j estava tudo feito".
"Valeu a pena", ela disse. "Foi uma festa tima".
"Onde est Edward?", Charlie perguntou um pouco mal-humorado. "Ele est ajudando com a limpeza?"
Alice suspirou e o rosto dela ficou trgico. Provavelmente era uma atuao, mas era perfeita demais pra que eu fosse otimista. "No. Ele est planejando o fim de
semana com Emmett e Carlisle".
"Vo caminhar de novo?"
Alice balanou a cabea, de repente com uma expresso abandonada.
"Sim. Todos eles vo menos eu. Ns sempre vamos acampar no final do ano escolar, um tipo de celebrao, mas esse ano eu decid que preferia fazer compras do que
caminhar, e nenhum deles quis ficar pra trs comigo. Eu estou abandonada".
O rosto dela se contorceu, uma expresso to devastada que Charlie se inclinou em direo a ela automaticamente, com uma mo erguida, procurando alguma forma de
ajudar. Eu encarei ela suspeitosamente. O que ela estava fazendo?
"Alice, querida, porque voc no vem ficar conosco?", Charlie ofereceu. "Eu odeio pensar que voc vai ficar sozinha naquela casa grande".
Ela suspirou. Alguma coisa chutou meu p por debaixo da mesa.
"Ow!", eu protestei.
Charlie se virou pra mim. "O que?"
Alice me lanou um olhar frustrado. Eu podia notar que ela estava pensando que eu estava muito lenta essa noite.
"Bat o meu dedo", eu murmurei.
"Oh", ele olhou de volta pra Alice. "Ento, que tal?"
Ela chutou o meu p de novo, dessa vez no com tanta fora.
"Er, pai, sabe, ns realmente no temos as melhores acomodaes aqui. Eu aposto que Alice no quer dormir no cho..."
Charlie torceu os lbios. Alice fez aquela expresso devastada de novo.
"Talvez Bella devesse ficar l com voc", ele sugeriu. "S at os seus parentes voltarem".
"Oh, voc faria isso, Bella?" Alice sorriu radiantemente pra mim. "Voc no se importaria em fazer comprar comigo, certo?"
"Claro", eu concordei. "Compras. Ok".
"Quando eles vo embora?" Charlie perguntou.
Alice fez outra cara. "Amanh"
"Quando voc quer que eu v?", eu perguntei.
"Depois do jantar, eu acho", ela disse, colocando um dedo no queixo, pensativa. "Voc no tem nada pra fazer no Sbado, tem? Eu quero sair da cidade pra fazer compras,
e vai ser coisa de uma tarde inteira".
"Seattle no", Charlie interviu, com as sobrancelhas se juntando.
" claro que no", Alice concordou imediatamente, apesar de que ns duas sabamos que Seattle estaria bastante segura no Sbado. "Eu estava pensando em Olympia,
talvez..."
"Voc vai gostar disso, Bella", Charlie disse, alegre de alvio. "Passar algum tempo na cidade".
", pai, vai ser timo".
Com uma conversa fcil, Alice havia limpado a minha agenda para a batalha.
Edward voltou no muito mais tarde. Ele aceitou os desejos de Charlie para uma boa viagem sem surpresa. Ele disse que eles estavam partindo cedo no dia seguinte,
e disse boa noite mais cedo que o normal. Alice foi embora com ele.
Eu ped licena pouco tempo depois que eles foram embora.
"Voc no pode estar cansada", Charlie protestou.
"Um pouco", eu ment.
"No  de estranhar que voc gosta de escapar de festas", ele murmurou. "Voc demora bastante pra se recuperar".
L em cima, Edward estava deitado na minha cama.
"Que horas ns vamos encontrar os lobos?", eu murmurei enquanto ia me juntar a ele.
"Em uma hora".
"Isso  bom. Jake e os amigos dele precisam descansar um pouco".
"Eles no precisam disso tanto quanto voc", Edward apontou.
Eu passei pra outro tpico, presumindo que ele estava prestes a tentar me convencer a ficar em casa. "Alice te contou que ela vai me sequestrar?"
Ele sorriu maliciosamente. "Na verdade, ela no vai".
Eu encarei ele, confusa, e ele riu baixinho da minha expresso.
"Sou eu que tem permisso pra te fazer de refm, lembra?", ele disse. "Alice vai caar com os outros". Ele suspirou. "Eu acho que eu no preciso mais fazer isso".
"Voc est me sequestrando?"
Ele balanou a cabea.
Eu pensei nisso brevemente. Nada de Charlie ouvindo l embaixo, ou vindo me checar com certa frequncia. E nada de uma casa cheia de vampiros acordados com suas
audies intromissvas... S ele e eu - realmente sozinhos.
"Isso est bem?", ele perguntou, preocupado com o meu silncio.
"Bem... claro, exceto por uma coisa".
"Que coisa?" Os olhos dele estavam ansiosos. Era uma tremenda bobagem, mas, de alguma forma, ele ainda parecia incerto quanto ao poder sobre mim. Talvez eu precisasse
me fazer mais clara.
"Porque Alice no disse a Charlie que vocs iam embora hoje  noite?", eu perguntei.
Ele riu, aliviado.
Eu aproveitei mais a viagem at a clareira do que na noite passada. Eu ainda me sentia culpada, mas eu j no estava mais aterrorizada. Eu podia pensar. Eu podia
olhar para o que estava acontecendo, e quase acreditar que talvez as coisas poderiam acabar bem. Aparentemente Edward estava bem com a idia de perder a luta...
e isso fez ser muito difcil de acreditar quando ele disse que seria fcil. Ele no abandonaria a famlia dele se ele mesmo no acreditasse nisso. Talvez Alice estivesse
certa, eu me preocupava demais.
Ns fomos os ltimos a chegar  clareira.
Jasper e Emmett j estavam lutando - pelo som das risadas deles eles s estavam se aquecendo. Alice e Rosalie estavam sentadas no cho duro, olhando. Esme e Carlisle
estavam conversando a alguns metros de distncia, suas cabeas estavam juntas, os dedos entrelaados, sem prestar ateno.
Essa noite estava muito mais clara, a lua estava brilhando atravs das nuvens grossas, e eu podia ver claramente os trs lobos sentados na beira da arena de luta,
um pouco espaados pra observarem de ngulos diferentes.
Tambm foi fcil reconhecer Jacob; eu teria reconhecido ele imediatamente, mesmo se ele no tivesse olhado pra cima e olhado para a direo do som da nossa chegada.
"Onde est o resto dos lobos?", eu me perguntei.
"Eles no precisam estar todos aqui. Apenas um bastaria, mas Sam no confia em ns o suficiente pra mandar apenas Jacob, apesar disso ser o que Jacob queria. Quil
e Embry como sempre so seu... acho que voc poderia dizer ajudantes".
"Jacob confia em voc".
Edward balanou a cabea. "Ele confia que ns no tentaremos matar ele. No entanto, isso  tudo".
"Voc vai participar essa noite?", eu perguntei a ele, hesitante. Eu sabia que seria to difcil pra ele ser deixado pra trs quanto teria sido pra mim. Talvez mais
difcil.
"Eu vou ajudar quando Jasper precisar. Ele quer tentar alguns agrupamentos desiguais, ensin-los a lidar com alguns ataques mltiplos".
Ele levantou os ombros.
E uma onda de pnico lavou a minha breve sensao de confiana.
Eles ainda estavam em menor nmero. Eu estava piorando isso.
Eu olhei para o campo, tentando esconder a minha reao.
Esse era o lugar errado, lutando como eu estava comigo mesma, pra me convercer de que tudo acabaria da forma como eu precisava que acabasse. Porque quando eu forcei
os meus olhos a se afastarem dos Cullen - pra longe da imagem da luta de brincadeira dele que seria real e mortal em alguns dias - Jacob capturou os meus olhos e
sorriu pra mim.
Era o mesmo sorriso de lobo de antes, os olhos dele se estreitando como faziam quando ele era humano.
Era difcil de acreditar que, h no muito tempo atrs, eu tinha achado os lobisomens assustadores - perdia o sono com pesadelos sobre eles.
Eu sabia, sem perguntar, qual deles era Embry e qual era Quil. Porque Embry claramente era o lobo cinza mais magro com os pontos escuros nas costas, que se sentava
pacientemente observando, enquanto Quil - cor de chocolate forte, mas clara no rosto dele - se mexia constantemente, parecendo que ele estava morrendo de vontade
de se juntar  luta de brincadeira. Eles no eram monstros, mesmo desse jeito. Eles eram amigos.
Amigos que nem de perto pareciam ser to indestrutveis quanto Emmett e Jasper pareciam ser, se movendo mais rapidamente do que ataques de cobra enquanto a luz da
lua reluzia em suas peles duras como granito. Amigos que no pareciam entender o perigo envolvido aqui. Amigos que de certa forma ainda pareciam ser mortais, amigos
que podiam sangrar, amigos que podiam morrer...
A confiana de Edward era tranquilizadora, porque estava claro que ele no estava realmente preocupado com a sua famlia. Mas ser que ele ficaria magoado se alguma
coisa acontecesse com os lobos? Ser que haviam razes pra que ele ficassem ansioso, sendo que provavelmente isso no incomodava ele?
A confiana de Edward s aplacava uma parte dos meus medos.
Eu tentei sorrir de volta pra Jacob, engolindo o caroo da minha garganta. Eu parecia estar fazendo isso certo.
Jacob se ps levemente de p, a agilidade dele era um contraste com a sua massa, e correu at onde Edward e eu estavamos s observando as coisas.
"Jacob", Edward o saudou educadamente.
Jacob ignorou ele, seus olhos escuros estavam em mim. Ele abaixou a cabea at o meu nvel, como tinha feito ontem, pendendo ela pra um lado. Um chorinho baixo escapou
pelo fucinho dele.
"Eu estou bem", eu respond, sem precisar da traduo que Edward estava prestes a dar. "S preocupada, sabe".
Jacob continuou a me encarar.
"Ele quer saber porque", Edward murmurou.
Jacob rosnou - um som ameaador, um som aborrecido - e os lbios de Edward se torceram.
"O qu?", eu perguntei.
"Ele acha que a minha traduo deixa algo a desejar. O que ele pensou mesmo foi 'Isso  muito estpido. O que h pra se preocupar?' Eu editei, porque eu achei que
era rude".
Eu dei um meio sorriso, ansiosa demais pra me divertir. "Tm muitas coisas pra se preocupar", eu disse a Jacob. "Tipo um monte de lobisomens idiotas se machucando".
Jacob sorriu o seu rosnado tossido.
Edward suspirou. "Jasper que ajuda. Voc vai ficar bem sem tradutor?"
"Eu consigo".
Edward me olhou saudosamente por um minuto, a expresso dele era difcil de entender, e depois se virou e correu para onde Jasper estava esperando.
Eu me sentei onde estava. O cho era frio e desconfortvel.
Jacob deu um passo pra frente, a olhou pra mim, um choro baixo apareceu na garganta dele. Ele deu outro meio passo.
"V sem mim", eu disse a ele. "Eu no quero olhar".
Jacob inclinou sua cabea para o lado por um momento, e depois se curvou no cho ao meu lado com um suspiro ruidoso.
"De verdade, voc pode ir em frente", eu assegurei ele. Ele no respondeu, s colocou a cabea nas patas da frente.
Eu olhei pra cima para as nuvens prateadas, sem querer ver a luta.
A minha imaginao j tinha combustvel mais que suficiente. Uma brisa soprou na clareira, e eu estremec.
Jacob se trouxe mais pra perto de mim, pressionando seu plo quente no meu lado esquerdo.
"Er, obrigada", eu murmurei.
Depois de alguns minutos, eu estava encostada em seu ombro largo. Era muito mais confortvel desse jeito.
As nuvens se moviam lentamente pelo cu, escurecendo e ficando mais claras enquanto as figuras grossas se aproximavam da lua e passavam por ela.
Ausentemente, eu comecei a passar os meus dedos pelo plo do pescoo dele. O mesmo som estranho de zumbido que ele havia feito ontem resoou na garganta dele. Era
um som familiar. Mais spero, maior do que o ronco de um gato, mas convinha do mesmo contentamento.
"Sabe, eu nunca tive um cachorro", eu meditei. "Eu sempre quis ter um, mas Rene  alrgica".
Jacob riu, o corpo dele estremeceu embaixo de mim.
"Voc no est nem um pouco preocupado com Sbado?", eu perguntei.
Ele virou sua cabea enorme na minha direo, pra que eu pudesse ver os olhos dele se revirando.
"Eu queria poder ser to positiva".
Ele encostou a cabea na minha perna e comeou a zumbir de novo. E isso me fez ficar s um pouco melhor.
"Ento ns temos um pouco de caminhada pra fazer amanh, eu acho".
Ele rosnou; o som estava entusiasmado.
"Essa pode ser uma longa caminhada", eu avisei a ele. "Edward no julga distncias do jeito que uma pessoa normal faz".
Jacob latiu outra risada.
Eu me afundei mais no plo dele, descansando a minha cabea no plo dele.
Era estranho. Mesmo quando ele estava nessa forma bizarra, ele parecia ser mais parecido com o Jake que eu conhecia - a amizade fcil, sem esforos que era to natural
quanto respirar pra dentro e pra fora - do que nas poucas vezes em que eu estava com Jacob enquanto ele era humano. Era estranho que eu pudesse encontrar isso aqui,
quando eu achava que toda essa coisa de lobo foi o que causou sua perda.
Os jogos mortais continuaram na clareira, e eu olhava para a lua nebulosa.

19. Compromisso
Tudo estava pronto.
Eu estava com as malas prontas para a minha visita de dois dias com "Alice", e a minha mala esperava por mim no banco do passageiro da minha caminhonete. Eu havia
dado os ingressos do show para Angela, Ben e Mike. Mike ia levar Jessica, que era exatamente o que eu esperava. Billy havia pego o barco do Velho Quil Ateara emprestado
e convidou Charlie pra uma pescaria em mar aberto  tarde antes que o jogo comeasse. Collin e Brady, os dois lobisomens mais jovens, foram deixados pra trs pra
proteger de La Push - eles eram apenas crianas, eles dois tinham apenas treze anos. Mesmo assim, Charlie ainda estaria mais seguro do que qualquer pessoa deixada
em Forks.
Eu tinha feito tudo o que podia. E tentei aceitar isso, e colocar coisas que estavam fora do meu controle pra trs na minha cabea, pelo menos por essa noite. De
uma forma ou de outra, tudo isso estaria acabado em quarenta e oito horas. Esse pensamento era quase reconfortante.
Edward havia pedido que eu relaxasse, e eu ia fazer o melhor que eu pudesse.
"S por essa noite, ser que podemos tentar esquecer tudo alm de simplesmente voc e eu?", ele havia implorado, despejando todo o poder dos seus olhos em mim. "Parece
que eu nunca tenho tempo assim suficiente. Eu preciso estar com voc. S voc".
Esse no era um pedido dificil de se concordar, apesar de eu saber que esquecer o meus medos era muito mais fcil de dizer do que de fazer. Outras coisas estavam
na minha cabea agora, sabendo que ns teramos essa noite pra ficar sozinhos, e isso ia ajudar.
Haviam algumas coisas que haviam mudado.
Por exemplo, eu estava pronta.
Eu estava pronta pra me juntar  famlia dele e ao seu mundo. O medo e a culpa e a angstia que eu estava sentindo agora haviam me ensinado isso. Eu tinha tido uma
chance de me concentrar nisso - eu tinha olhado para a lua atravs das nuvens e havia me encostado em um lobisomem - e eu sabia que no entraria em pnico de novo.
Da prxima vez que alguma coisa estivesse vindo pra ns, eu estaria pronta.
Um recurso, no uma responsabilidade. Ele nunca mais teria que escolher entre mim e sua famlia de novo. Ns seramos parceiros, como Alice e Jasper. Da prxima
vez, eu faria a minha parte.
Eu esperaria at que a espada fosse tirada de cima da minha cabea, pra que Edward ficasse satisfeito. Mas isso no era necessrio. Eu estava pronta.
S havia um pedao faltando.
Um pedao, porque haviam coisas que no haviam mudado, e isso inclua a forma desesperada como eu amava ele. Eu tive bastante tempo pra pensar nas ramificaes da
aposta de Jasper e Emmett - pra descobrir as coisas que eu estava querendo perder com a minha humanidade, e na parte da qual eu no estava com vontade de desistir.
Eu sabia em qual experincia eu ia insistir antes de me tornar no-humana.
Ento ns tnhamos algumas coisas pra fazer essa noite. Depois de tudo o que eu havia visto nos ltimos dois anos, eu no acreditava mais na palavra impossvel.
Ia ser necessrio mais do que isso pra me deter agora.
Ok, bem, honestamente, provavelmente isso ia ser muito mais complicado que isso. Mas eu ia tentar.
To decidida quanto eu estava, eu no estava to surpresa por me sentir nervosa enquanto eu dirigia pelo longo caminho at a casa dele - eu no sabia como fazer
o que eu estava tentando fazer, e isso me garantiu uma sria agitao. Ele estava sentado no banco do passageiro, tentando no sorrir do meu passo lento. Eu estava
surpresa por ele no ter insistido em pegar o volante, mas essa noite ele parecia contente em seguir a minha velocidade.
J estava escuro quando ns chegamos  casa dele. A despeito disso, a clareira estava brilhando com as luzes que saiam de todas as janelas.
Assim que eu desliguei o motor, ele estava na minha porta, abrindo ela pra mim. Ele me levantou da cabine com um brao, pegando a minha mala da caminhonete e jogando-a
por cima do ombro com a outra. Os lbios dele encontraram os meus enquanto eu ouvia ele chutar a porta da caminhonete pra fech-la atrs de mim.
Sem quebrar o beijo, ele me levantou at que eu estava aninhada em seus braos e me levou pra dentro de casa.
A porta j estava aberta? Eu no sabia. Contudo, ns j estavamos dentro, e eu estava atordoada. Eu tive que me lembrar de respirar.
Esse beijo no me assustou. No foi como antes quando eu podia sentir o medo e o pnico escapando do controle dele. Os lbios dele no estavam mais ansiosos, mas
agora estavam entusisticos - ele parecia to feliz quanto eu por termos essa noite pra nos concentrarmos um no outro. Ele continuou a me beijar por vrios minutos,
parados na entrada; ele pareceu menos resguardado do que o normal, a boca dele era fria e urgente na minha.
Eu comecei a me sentir cuidadosamente otimista. Talvez conseguir o que eu queria no fosse to difcil quanto eu estava esperando.
No,  claro que ia ser exatamente difcil desse jeito.
Com uma risadinha, ele me afastou, me segurando nos braos.
"Bem-vinda ao lar", ele disse, seus olhos estavam lquidos e quentes.
"Isso parece legal", eu disse, sem ar.
Ele me colocou gentilmente de p. Eu passei meus dois braos ao redor dele, me recusando a deixar que algum espao se formasse entre ns.
"Eu tenho uma coisa pra voc", ele disse, com um tom conversional.
"Oh?"
"O seu presente passado, lembra? Voc disse que isso era permitido".
"Oh,  mesmo. Eu acho que disse isso".
Ele gargalhou com a minha relutncia.
"Est l no meu quarto. Vamos peg-lo?"
O quarto dele? "Claro", eu concordei, me sentindo bastante desviada enquanto entrelaava os meus dedos com os dele. "Vamos l".
Ele devia estar ansioso pra me dar o meu no-presente, porque a velocidade humana no foi suficiente pra ele. Ele me pegou nos braos de novo e praticamente voou
pelas escadas at o quarto dele. Ele me colocou no cho na porta, e foi at o seu closet.
Ele j estava de volta antes que eu desse um passo, mas eu ignorei ele e fui at a enorme cama dourada, me sentando na beira e depois deslizando at o centro.
Eu me curvei em uma bola, meus braos ao redor dos meus joelhos.
"Ok", eu murmurei. Agora que eu estava onde queria estar, eu podia me dar ao luxo de relutar um pouco. "Pode me dar".
Edward riu.
Ele subiu na cama pra sentar ao meu lado, e o meu corao disparou desigualmente. Eu tinha esperanas de que ele interpretasse isso como algum tipo de reao a ele
me dando presentes.
"Um presente passado", ele me lembrou duramente. Ele puxou meu pulso esquerdo pra longe da minha perna, e tocou a pulsei de prata s por um momento. A ele devolveu
meu brao.
Eu o examinei cuidadosamente. No lado oposto de onde estava o lobo, agora balanava um cristal brilhante em formato de corao. Ele estava cortado em milhes de
facetas, ento, mesmo com a luz fraca de saia da luminria, ele brilhou. Eu inalei em um ofego baixo.
"Era da minha me" Ele levantou os ombros num gesto implorativo. "Eu herdei muitas coisinhas como essa. Eu dei algumas pra Esme e Alice. Ento, claramente, essa
no  uma grande coisa de qualquer maneira".
Eu sorri sentidamente com a garantia dele.
"Mas eu achei que essa era uma boa representao", ele continuou. " duro e frio" Ele riu. "E faz arco-ris na luz do sol".
"Voc esqueceu da similaridade mais importante", eu murmurei. " lindo".
"O meu corao  igualmente silencioso", ele meditou. "E ele tambm, agora  seu".
Eu virei o meu pulso pra que o corao reluzisse. "Obrigada. Pelos dois".
"No, obrigado voc.  um alvio que voc aceite um presente to facilmente.  bom pra voc praticar tambm" Ele sorriu, mostrando seus dentes.
Eu me inclinei pra ele, colocando minha cabea embaixo do brao dele e me aconchegando no lado dele. Isso provavelmente era similar se aconchegar em David de Michelangelo,
exceto que essa criatura perfeita de mrmore passou os braos ao meu redor e me trouxe mais pra perto.
Esse pareceu ser um bom lugar pra comear.
"Podemos discutir uma coisa? Eu apreciaria se voc comeasse com a mente aberta".
Ele hesitou por um momento. "Eu vou me esforar o quanto puder", ele concordou, agora cuidadoso.
"Eu no estou quebrando regra nenhuma", eu promet. "Isso  estritamente sobre eu e voc". Eu limpei minha garganta. "Ento... eu fiquei impressionada de ver o quanto
ns fomos capazes de nos comprometer na outra noite. Eu estava pensando que eu gostaria de aplicar o mesmo princpio para uma situao diferente", eu me perguntei
porque eu estava sendo to formal. Deviam ser os nervos.
"O que voc gostaria de negociar?", ele perguntou, um sorriso em sua voz.
Eu lutei, tentando encontrar as palavras certas pra comear.
"Oua o seu corao voar", ele murmurou. "Ele est tremulando como as asas de um bando de pssaros. Voc est bem?"
"Eu estou tima".
"Por favor v em frente ento", ele encorajou.
"Bem, eu acho, primeiro, eu queria falar sobre aquela coisa ridcula da condio do casamento".
"S  ridcula pra voc. O que tem ela?"
"Eu estava me perguntando... essa  uma negociao aberta?".
Edward fez uma careta, srio agora. "Eu j fiz a maior concesso por agora e por depois - eu concordei em tomar sua vida mesmo contra o meu melhor julgamento. E
isso devia me garantir alguns compromissos da sua parte".
"No", eu balancei minha cabea, me concentrando em manter meu rosto composto. "Essa parte j  um negcio fechado. Ns no estamos negociando as minhas... renovaes
agora. Eu quero martelar em alguns outros detalhes".
Ele me olhou suspeitosamente. "De que detalhes voc fala exatamente?"
Eu hesitei. "Primeiro vamos esclarecer os seus pr-requisitos".
"Voc sabe o que eu quero".
"Matrimnio", eu fiz parecer que essa era uma palavra suja.
"Sim", ele deu um sorriso largo. "Pra comear".
O choque estragou a minha expresso composta. "Tem mais?"
"Bem", ele disse, e seus rosto estava calculando. "Se voc  minha esposa, ento o que  meu  seu... como o dinheiro para a faculdade. Ento no haveria problema
com Dartmouth".
"Mais alguma coisa? J que voc j est sendo absurdo?"
"Eu no me importaria com um pouco mais de tempo".
"No. Tempo no. S isso j quebraria o trato".
Ele suspirou desejando. "S um ano ou dois?"
Eu balancei a cabea, meus lbios faziam uma careta de teimosia. "Passe para a prxima".
"Isso  tudo. A no ser que voc queira falar sobre carros..."
Ele deu um largo sorriso quando eu fiz uma careta, e a pegou minha mo e comeou a brincar com os meus dedos.
"Eu no tinha me dado conta de que havia mais alguma coisa que voc queria alm de ser transformada em um monstro tambm. Eu estou extremamente curioso" A voz dele
era baixa e suave. O pequeno nervosismo seria difcil de detectar se eu no o conhecesse to bem.
Eu pausei, olhando para as suas mos nas minhas. Eu ainda no sabia como comear. Eu sentia os olhos dele me observando e estava com medo de olhar pra cima. O sangue
comeou a queimar no meu rosto.
Os dedos frios dele alisaram a minha bochecha. "Voc est corando?" ele perguntou surpreso. Eu mantive os meus olhos baixos. "Por favor, Bella, esse suspense  to
doloroso".
Eu mord meu lbio.
"Bella". Agora o tom dele estava me repreendendo, me lembrando que era difcil pra ele quando eu quardava os meus pensamentos s pra mim.
"Bem, eu estou um pouco preocupada... sobre depois", eu admit, finalmente olhando pra ele.
Eu sent o corpo dele ficar tenso, mas a voz dele estava gentil e parecia veludo. "O que te deixa preocupada?"
"Todos vocs parecem estar to convencidos de que a nica coisa na qual eu vou estar interessada, depois,  em matar todos na cidade", eu confessei, enquanto ele
gemia com a minha escolha de palavras. "E eu estou com medo de estar to preocupada com o caos que eu no serei mais eu mesma... e que eu no... eu no vou te querer
da mesma forma que eu quero agora."
"Bella, essa parte no dura pra sempre", ele me assegurou.
Ele no estava entendendo o ponto.
"Edward", eu disse, nervosa, olhando pra uma sarda no meu pulso. "Tem uma coisa que eu quero fazer antes que eu no seja mais humana".
Ele esperou que eu continuasse. Eu no continuei. O meu rosto estava todo quente.
"Qualquer coisa que voc quiser", ele encorajou, ansioso e completamente sem pistas.
"Voc promete?", eu murmurei, sabendo que a minha tentativa de criar uma armadilha com as palavras dele no iam funcionar, mas incapaz de resistir.
"Sim", ele disse. Eu olhei pra cima pra ver que os olhos dele estavam srios e confusos. "Me diga o que voc quer, e voc ter".
Eu no podia acreditar no quanto me sentia estranha e idiota. Eu era inocente demais - que era,  claro, o centro da discusso. Eu no tinha nem a mais breve idia
de como ser sedutora. Eu teria que dar um jeito sendo corada e tmida.
"Voc", eu murmurei quase incoerentemente.
"Eu sou seu". Ele sorriu, ainda inconsciente, tentando segurar o meu olhar enquanto eu desviava os olhos.
Eu respirei fundo e me inclinei pra frente at que estava de joelhos na cama. E a eu passei meus braos pelo pescoo dele e o beijei.
Ele me beijou de volta, desnorteado mas com vontade. Os lbios dele eram gents contra os meus, e eu podia notar que a mente dele estava em outro lugar - tentando
descobrir onde estava a minha mente. Eu decid que ele precisava de uma dica.
As minhas mos estavam tremendo um pouco enquanto eu tirei os meus braos do pescoo dele. Os meus dedos deslizaram at o colarinho da camisa dele. A tremedeira
no me ajudou enquanto eu me apressava pra abrir os botes dele antes que ele me parasse.
Os lbios congelarem, e eu quase pude ouvir o clique na cabea dele enquanto ele juntava as minhas palavras e aes.
Ele me afastou imediatamente, o rosto dele estava duramente desaprovador.
"Seja razovel, Bella".
"Voc me prometeu - tudo o que eu quisesse", eu lembrei ele sem esperana.
"Ns no vamos ter essa discusso". Ele me encarou enquanto fechava os dois botes que eu tinha conseguido abrir.
Meus dentes se apertaram.
"Eu digo que vamos", eu rosnei. Eu mov as minhas mos para a minha blusa e abr o primeiro boto.
Ele agarrou os meus pulsos e os colocou dos meus lados.
"Eu digo que no vamos", ele disse numa voz vazia.
Ns nos encaramos.
"Voc queria saber", eu apontei.
"Eu pensei que fosse uma coisa minimamente realista".
"Ento, voc pode pedir por qualquer coisa estpida, ridcula que voc queira - tipo casar- mas eu nem sequer tenho permisso pra discutir o que eu-"
Enquanto eu estava falando, ele havia colocado as minhas mos juntas pra restring-las em um das dele, e ele colocou a outra mo na minha boca.
"No", o rosto dele estava duro.
Eu respirei fundo pra me acalmar. E, quando a raiva comeou a desaparecer, eu sent outra coisa.
Me levou um minuto pra que eu reconhecesse porque eu estava olhando pra baixo de novo, voltando a ficar corada - porque o meu estmago estava inquieto, porque havia
umidez demais nos meus olhos, porque de repente eu queria sair saindo do quarto.
A rejeio passou por mim, instintiva e forte.
Eu sabia que era irracional. Ele foi bem claro em outras ocasies que a minha segurana era o nico fator. Mesmo assim, eu nunca havia estado to vulnervel antes.
Eu fiz uma careta para a colcha que combinava com a cor dos olhos dele e tentei banir a reao reflexiva que me dizia que ele no me desejava e que eu no era desejada.
Edward suspirou. A mo que estava em cima da minha boca se moveu pra debaixo do meu queixo, e ele puxou o meu rosto pra cima at que eu tive que eu tivesse que olhar
pra ele.
"O que foi agora?"
"Nada", eu murmurei.
Ele estudou o meu rosto por um longo momento enquanto eu tentava sem sucesso me afastar do olhar dele. As sobrancelhas dele se juntaram, e a expresso dele ficou
horrorizada.
"Eu magoei os seus sentimentos?", ele me perguntou, chocado.
"No", eu ment.
To rpido que eu nem tive certeza de como isso tinha acontecido, eu estava nos braos dele, meu rosto aninhado entre seu ombro e sua mo, enquanto o polegar dele
alisava a minha bochecha me acalmando.
"Voc sabe porque eu tenho que dizer no", ele murmurou. "Voc sabe que eu te quero tambm".
"Quer?", eu sussurrei, minha voz cheia de dvida.
" claro que eu quero, sua garota boba, linda, super sensvel." Ele riu uma vez, e a a voz dele ficou vazia. "Todo mundo no quer? Eu sinto como se houvesse uma
linha atrs de mim, correndo pra chegar na frente, esperando que eu cometa um erro grande o suficiente... Voc  desejvel demais pro seu prprio bem".
"Quem est sendo bobo agora?" Eu me perguntei se estranha, tmida, e inapta eram considerados desejveis no livro de algum.
"Voc que eu faa uma petio pra te fazer acreditar? Ser que eu devo te dizer quais os nomes que estariam no topo da lista? Voc sabe de alguns deles, alguns iam
te surpreender".
Eu balancei a minha cabea contra o peito dele, fazendo uma careta. "Voc s est tentando me distrair. Vamos voltar ao assunto".
Ele suspirou.
"Me diga se h algo errado comigo", eu tentei soar como se no me importasse. "As sua demanda  o casamento" - eu no consegu dizer a palavra sem fazer uma cara
-
"pagar a minha faculdade, mais tempo, e voc no se incomodaria se o meu veculo fosse um pouco mais rpido". Eu ergu as minhas sobrancelhas. "Eu disse tudo? Essa
 uma lista comprida".
"S a primeira  uma demanda". Ele parecia estar tendo dificuldades em manter um rosto srio. "Os outros so meros pedidos".
"E a minha nica demanda, solitria,  -"
"Demanda?", ele perguntou, de repente srio de novo.
"Sim. Demanda".
Os olhos dele se estreitaram.
"Casamento  uma extenso pra mim. Eu no vou dizer sim a no ser que eu ganhe alguma coisa em troca".
Ele se inclinou pra sussurrar no meu ouvido. "No", ele murmurou suavemente. "Agora no  possvel. Depois, quando voc for menos quebrvel. Seja paciente, Bella".
Eu tentei manter minha voz firme a razovel. "Mas esse  o problema. No ser a mesma coisa quando eu for menos quebrvel. No ser o mesmo! Eu no sei quem eu serei
at l".
"Voc ainda ser Bella", ele prometeu.
Eu fiz uma careta. "Eu serei to diferente que eu iria querer matar Charlie - eu iria querer beber o sangue de Jacob ou de Angela se eu tivesse a chance - como 
que isso pode ser verdade?"
"Isso vai passar. E eu duvido que voc v querer beber o sangue do cachorro". Ele fingiu estremecer com o pensamento. "Mesmo sendo uma recm-nascida voc vai ter
um gosto melhor que isso".
Eu ignorei a tentativa dele de me distrair. "Mais isso sempre ser o que eu vou querer mais, no ?", eu desafiei. "Sangue, sangue e mais sangue!"
"O fato de que voc ainda est viva prova que isso no  verdade", ele apontou.
"Mais de oitenta anos depois", eu lembrei ele. "De qualquer forma, eu quis dizer fisicamente. Intelectualmente, eu sei que serei capaz de ser eu mesma... depois
de algum tempo. Mas puramente fisicamente - eu sempre sentirei mais sede do que qualquer outra coisa"
Ele no respondeu.
"Ento eu serei diferente", eu conclu sem me opor. "Porque agora mesmo, fisicamente, no h nada que eu queira mais do que voc. Mais do que comida ou gua ou oxignio.
Intelectualmente, eu tenho as minhas prioridades em uma ordem um pouco mais sensvel. Mas fisicamente..."
Eu virei a minha cabea pra beijar a palma da mo dele.
Ele respirou fundo. Eu fiquei surpresa de notar que isso foi um pouco instvel.
"Bella, eu podia te matar", ele sussurrou.
"Eu no acho que voc poderia".
Os olhos de Edward estreitaram. Ele levantou sua mo e pegou rapidamente atrs de s mesmo alguma coisa que eu no podia ver. Houve um som apafado de alguma coisa
partindo, e a cama estremeceu embaixo de ns.
Alguma coisa escura estava na mo dele; ele a levantou para o meu curioso exame. Era uma flor de metal, uma das rosas que adornavam o poste de metal e o plio da
armao da cama dele. A mo dele se fechou por um breve segundo, os dedos dele se contraindo suavemente, e a se abriu de novo.
Sem uma palavra, ele me ofereceu a bola de metal preto amassada, desigual.
Havia uma marca do interior da mo dele, como um pedao de massa de modelar espremida na mo de uma criana. Meio segundo se passou, e a forma se transformou em
areia preta na mo dele.
Eu encarei ele. "No foi isso que eu quis dizer. Eu j sei o quanto voc  forte. Voc no precisava quebrar o mvel".
"O que voc quis dizer, ento?", ele perguntou com uma voz sombria, jogando os vestgios da areia preta no canto do quarto; eles bateram na parece e soaram como
chuva.
Os olhos dele estavam atentos no meu rosto enquanto eu tentava explicar.
"Obviamente no era que voc no  capaz de me machucar fisicamente, se voc quisesse... Mais isso, voc no quer me machucar...  tanto que eu no acho voc um
dia pudesse".
Ele comeou a balanar a cabea antes que eu tivesse acabado.
"Isso pode no funcionar assim, Bella"
"Pode", eu bufei. "Voc no faz mais idia do que est falando do que eu".
"Exatamente. Voc acha que eu ia expor voc a esse tipo de risco?"
Eu olhei nos olhos dele por um longo minuto. No havia nenhum sinal de compromisso, nenhuma ponta de indeciso neles.
"Por favor", eu sussurrei finalmente, sem esperanas. "Isso  tudo o que eu quero. Por favor". Eu fechei os meus olhos, vencida, esperando por um no rpido e final.
Mas ele no respondeu imediatamente. Eu hesitei sem acreditar,aturdida ao descobrir que a respirap dele estava nstavel de novo.
Eu abri os meus olhos, e o rosto dele estava arrasado.
"Por favor?",eu sussurrei de novo,meu corao comeando a bater mais rpido. As minhas palavras tropaaram umas nas outras enquanto eu me apressava pra tirar vantagem
da incerteza repentina nos olhos dele. "Voc no tem que me dar nenhuma garantia. Se isso no der certo,bem, ento  isso. Vamos s tentar... s tentar. E eu vou
te dar o que voc quer",eu promet rapidamente. "Eu caso com voc. Eu deixo voc pagar por Dartmouth, e eu no vou reclamar dos subornos que voc me der. Voc pode
me comprar um carro veloz se isso te deixa feliz! S... por favor"
Os braos gelados dele se apertaram ao me redor, e os lbios dele estavam na minha orelha; a respirao fria dele me fez estremecer. "Isso  insuportvel. Tantas
coisas que eu queria dar pra voc - e isso  o que voc decide pedir. Voc tem idia do quanto  doloroso, tentar te recusar quando voc me implora desse jeito?"
"Ento no recuse", eu suger, sem flego.
Ele no respondeu.
"Por favor", eu tentei de novo.
"Bella", ele balanou a cabea lentamente, mas no parecia ser uma negao enquanto o rosto dele, seus lbios, se moviam pra frente e pra trs na minha garganta.
Parecia mais uma redeno. O meu corao, j correndo, batia freneticamente.
De novo, eu tomei toda a vantagem que podia. Quando o rosto dele virou em direo ao meu com o leve movimento da sua indeciso, eu me virei rapidamente nos braos
dele at que os meus lbios alcanaram os dele. As mos dele seguraram o meu rosto, e eu pensei que ele fosse me afastar de novo.
Eu estava errada.
A boca dele no estava gentil; havia uma nova extremidade de conflito e desespero na forma como os seus lbios de moviam. Eu travei os meus braos no pescoo dele,
e, para a minha pele repentinamente mais quente, a pele dele parecia mais fria do que nunca. Eu estremec, mas no era pelo frio.
Ela no parou de me beijar. Fui eu quem teve que parar, ofegando por ar. Mesmo assim os lbios dele no saram da minha pele, eles s se moveram para a minha garganta.
A sensao de vitria deu uma alta estranha; isso me fez poderosa. Corajosa. As minhas mos agora estavam inquietas; eu passei pelos botes da camisa dele com facilidade
dessa vez, e os meus dedos traaram as formas perfeitas do peito gelado dele. Ele era lindo demais. Qual era a palavra que ele havia acabado de usar? Insuportvel
- isso  o que era. A beleza dele era demais pra suportar...
Ele colocou a sua boca de volta na minha, e ele pareceu estar to ansioso quanto eu estava.
Uma das mos dele ainda segurava o meu rosto, seu outro brao estava apertado na minha cintura, me trazendo mais pra perto. Isso tornou as coisas um pouco mais difceis
enquanto eu tentava alcanar a frente da minha camisa, mas no impossvel.
Algemas frias como metal se fecharam nos meus pulsos, e puxaram as minhas mos pra cima da minha cabea, que de repente estava em cima de um travesseiro.
Os lbios dele estavam no meu ouvido de novo. "Bella", ele murmurou, a voz dele era quente e macia. "Voc pode por favor parar de tentar tirar as suas roupas?"
"Voc quer fazer essa parte?", eu perguntei, confusa.
"Essa noite no", ele respondeu suavemente. Agora os lbios dele estavam mais devagar na minha bochecha e na minha mandbula, toda a urgncia havia desaparecido.
"Edward, no -", eu comecei a discutir.
"Eu no estou dizendo no", ele me assegurou. "Eu estou dizendo no essa noite".
Eu pensei nisso por um momento e a minha respirao se acalmou.
"Me d uma razo pela qual essa noite no  to boa quanto qualquer outra noite", eu ainda estava sem flego; isso deixou a frustrao na minha voz menos impressionante.
"Eu no nasci ontem" Ele gargalhou no meu ouvido. "Entre ns dois qual  aquele que est com mais vontade de dar ao outro o que ele quer? Voc s prometeu se casar
comigo antes de qualquer mudana, mas se eu fizer isso essa noite, o que me garante que voc no vai sair correndo pra Carlisle de manh? Eu sou - claramente - muito
menos relutante em te dar o que voc quer. Portanto... voc primeiro".
Eu exalei num alto acesso de ira. "Voc vai me fazer casar com voc antes?", eu perguntei sem acreditar.
"Esse  o acordo -  pegar ou largar. Compromisso, lembra?"
Os braos dele se entrelaaram ao meu redor, e ele comeou a me beijar de uma forma que devia ser ilegal. Muito persuasiva - isso era compulso, coero. Eu tentei
manter minha cabea limpa... e falhei rapidamente e absolutamente.
"Eu realmente acho que essa  uma m idia", eu ofeguei quando ele me deixou respirar.
"Eu no estou surpreso que voc se sinta assim" Ele deu um sorriso malicioso. "Voc tem uma cabea pouco aberta".
"Como foi que isso aconteceu?", eu murmurei. "Eu pensei que ia fazer as coisas do meu jeito essa noite - pra variar - e agora, do nada -"
"Voc est noiva", ele terminou.
"Eca! Por favor no diga isso em voz alta".
"Voc vai voltar com a palavra?", ele quis saber. Ele se afastou pra ler o meu rosto. A expresso dele estava divertida. Ele estava se divertindo.
Eu encarei ele, tentando ignorar a forma como o sorriso dele fazia o meu corao reagir.
"Voc vai?", ele pressionou.
"Ugh!", eu gem. "No. Eu no vou. Voc est feliz agora?"
O sorriso dele era dominante. "Exepcionalmente".
Eu gem de novo.
"Voc no est nem um pouco feliz?"
Ele me beijou de novo antes que eu pudesse responder. Outro beijo persuasivo demais.
"Um pouco", eu admit quando pude falar. "Mas no por estar me casando".
Ele me beijou outra vez. "Voc est com a sensao de que tudo est ao contrrio?", ele riu no meu ouvido. "Tradicionalmente, no era voc que devia estar discutindo
no meu lugar, e eu no seu?"
"No tem muita coisa tradicional entre voc e eu".
"Verdade".
Ele me beijou de novo, e continuou at que o meu corao estava disparado e a minha pele estava corando.
"Olha, Edward", eu murmurei, minha voz lisonjeando, quando ele parou pra beijar a palma da minha mo. "Eu disse que me casaria com voc, e eu vou. Eu prometo. Eu
juro. Se voc quiser, eu assino um contrato com o meu prprio sangue".
"Isso no foi engraado", ele murmurou na parte de dentro do meu pulso.
"O que eu estou dizendo  isso - Eu no vou te enganar nem nada. Voc me conhece melhor que isso. Ento no h razo pra esperar. Ns estamos completamente sozinhos
- com que frequncia isso acontece? - e voc arrumou essa cama to grande e confortvel..."
"Essa noite no", ele disse de novo.
"Voc no confia em mim?"
" claro que eu confio"
Usando a mo que ele ainda estava beijando, eu puxei o rosto dele de volta pra onde eu podia ver a expresso dele.
"Ento qual  o problema? No  como se voc no soubesse que vai vencer no final". Eu fiz uma careta e murmurei. "Voc sempre ganha".
"S estou garantindo as minhas apostas", ele disse calmamente.
"H mais alguma coisa", eu adivinhei, meus olhos estreitando. Havia uma defesa no rosto dele, uma leve pista de um motivo secreto que ele estava tentando esconder
com o seu jeito casual. "Voc est planejando dar pra trs na sua palavra?"
"No", ele prometeu solenemente. "Eu juro pra voc, ns vamos tentar. Depois que voc casar comigo".
Eu balancei a minha cabea, e r bobamente. "Voc est me fazendo parecer um vilo de um melodrama - revirando o bigode enquanto tenta roubar a virtude de uma pobre
garotinha".
Os olhos dele estavam cautelosos enquanto passaram pelo meu rosto, a ele rapidamente se abaixou pra pressionar seus lbios na minha clavcula.
" isso, no ?", o riso curto que escapou de mim era mais chocado que divertido. "Voc est tentando proteger a sua virtude!", eu cobri a minha boca com a minha
mo pra abafar as gargalhadas que se seguiram. As palavras eram to... antiquadas.
"No, garota boba", ele murmurou contra o meu ombro. "Eu estou tentando proteger a sua. Voc est tornando isso chocantemente difcil".
"Entre todas as ridculas -"
"Me deixe te perguntar uma coisa", ele me interrompeu rapidamente. "Ns j tivemos essa discusso antes, mas me distraia. Quantas pessoas nesse quarto tm uma alma?
Uma chance no cu, ou o que quer que haja depois dessa vida?"
"Duas", eu respondi imediatamente, minha voz furiosa.
"Tudo bem. Talvez isso seja verdade. Agora, existe um mundo cheio de dissenes sobre isso, mas a vasta maioria acha que existem algumas regras que precisam ser
seguidas".
"As regras dos vampiros no so suficientes pra voc? Voc tem que se preocupar com as dos humanos tambm?"
"Isso no pode fazer mal", ele levantou os ombros. "S na dvida".
Eu encarei ele atravs de olhos apertados.
"Agora,  claro, pode ser tarde demais pra mim, mesmo se voc estiver certa sobre a minha alma".
"No, no ", eu discut, com raiva.
"'No matars'  comumente aceito pelos maiores sistemas de crenas. E eu j matei muitas pessoas, Bella".
"S pessoas ms".
Ele levantou os ombros. "Talvez isso conte, mas talvez no conte. Mas voc no matou ningum -"
"Que voc saiba", eu murmurei.
Ele sorriu, mas de outra forma, ignorou a interrupo. "E eu vou fazer o meu melhor pra te manter fora do caminho da tentao".
"Ok. Mas ns no estvamos brigando por cometer assassinatos", eu lembrei ele.
"O mesmo princpio se aplica - a nica diferena  que nessa rea eu sou to imaculado quanto voc. Ser que eu no posso ter uma regra que no quebrei?"
"Uma?"
"Voc sabe que eu j roubei, eu j ment, eu j cobicei... a minha virtude  tudo o que me sobra". Ele deu um sorriso torto.
"Eu minto o tempo todo".
"Sim, mas voc mente mente to mal que isso nem conta. Ningum acredita em voc".
"Eu realmente espero que voc esteja errado quanto a isso - porque seno Charlie pode estar prestes a invadir essa quarto com uma arma carregada".
"Charlie fica mais feliz quando ele finge engolir as suas histrias. Ele prefere menti pra s mesmo do que olhar muito de perto", ele sorriu pra mim.
"Mas o que voc j cobiou?", eu perguntei duvidosamente. "Voc tem tudo".
"Eu cobicei voc", o sorriso dele escureceu. "Eu no tinha o direito de querer voc - mas eu fui l e te peguei do mesmo jeito. E agora veja o que voc se tornou!
Tentando seduzir um vampiro" Ele balanou a cabea com horror de brincadeira.
"Voc pode cobiar o que j  seu", eu informei ele. "Alm do mais, eu pensei que era com a minha virtude que voc estava preocupado".
"E . Se  tarde demais pra mim... Bem, eu serei amaldioado - sem preteno de trocadilho - se eu deixar eles te pegarem tambm".
"Voc no pode me fazer ir pra um lugar onde voc no vai estar", eu jurei. "Essa  a minha definio de inferno. De qualquer forma, eu tenho uma soluo fcil pra
isso: no vamos morrer nunca, t certo?"
"Isso parece fcil o suficiente. Porque eu no pensei nisso?"
Ele sorriu pra mim e eu desist com um humph raivoso. "Ento  isso. Voc no vai dormir comigo at que estejamos casados".
"Tecnicamente, eu no posso dormir com voc nunca".
Eu revirei os meus olhos. "Muito maduro, Edward".
"Mas, todos os outros detalhes, sim, voc os entendeu corretamente".
"Eu acho que voc tem um motivo escondido".
Os olhos dele se arregalaram inocentemente. "Mais um?"
"Voc sabe que isso vai apressar as coisas", eu acusei.
Ele tentou no sorrir. "S h uma coisa que eu quero apressar, o resto pode esperar pra sempre... mas por isso,  verdade, os seus hormnios humanos impacintes
so os meus maiores aliados nesse momento".
"Eu no posso acreditar que estou caindo nessa. Quando eu penso em Charlie... e Rene! Voc consegue imaginar o que Angela vai pensar? Ou Jessica? Ugh. Eu j posso
ouvir a fofoca agora".
Ele ergueu uma sobrancelha pra mim, e eu sabia porque. O que importava o que eles dissessem sobre mim quando eu estaria indo embora em breve pra nunca mais voltar?
Ser que realmente eu era to sensvel que eu no poderia aguentar umas semanas de olhares de lado e de ser motivo de perguntas?
Talvez isso no me incomodasse tanto se eu no soubesse que eu estaria fofocando to condescendentemente quanto eles se outra pessoa estivesse se casando nesse vero.
Gah. Casada esse vero! Eu estremec.
E depois, talvez isso no me incomodasse tanto se eu no estremecesse s de pensar em casamento.
Edward interrompeu as minhas irritaes. "No tem que ser uma grande produo. Eu no preciso de festa. Voc no precisa dizer a ningum e nem mudar nada. Ns vamos
 Las Vegas - voc pode usar jeans velhos e ns iremos  uma capela com uma janela drive-thru. "
"Eu s quero que seja oficial - que voc pertena a mim e a mais ningum".
"Isso no podia ser mais oficial do que j ", eu murmurei. Mas a descrio dele no soava to mal. S Alice ficaria desapontada.
"Ns veremos isso" Ele sorriu complacentemente. "Eu suponho que voc no queira o seu anel agora?"
Eu tive que engolir antes de poder falar. "Voc sups corretamente".
Ele riu da minha expresso. "Est bem. Eu vou coloc-lo no seu dedo em breve."
Eu encarei ele. "Voc fala como se j tivesse um".
"Eu tenho", ele disse, sem vergonha. "Pronto pra ser forado em voc ao menor sinal de fraqueza."
"Voc  inacreditvel".
"Voc quer v-lo?", ele perguntou. Seus olhos lquidos de topzio estavam brilhando de repente com excitao.
"No!", eu quase gritei, uma reao em reflexo. Eu me arrepend imediatamente. O rosto dele ficou um pouco abatido. "A no ser que voc realmente queira me mostrar",
eu emendei. Eu apertei os meus dentes pra evitar que o horror ilgico aparecesse.
"Est tudo bem", ele levantou os ombros. "Eu posso esperar".
Eu suspirei. "Me mostra a droga do anel, Edward".
Ele balanou a cabea. "No".
Eu estudei a expresso dele por um longo minuto.
"Por favor?", eu ped baixinho, experimentando essa minha nova arma recm-descoberta. Eu toquei o rosto dele levemente com as pontas dos meus dedos. "Por favor,
eu posso v-lo?"
Os olhos dele se estreitaram. "Voc  a criatura mais perigosa que eu j conhec", ele murmurou. Mas ele se levantou e se moveu com uma graa inconsciente pra se
ajoelhar perto do pequeno criado da cama. Ele estava de volta  sua cama em uma instante, se sentando ao meu lado com um brao nos meus ombros. Na sua outra mo
havia uma caixinha preta. Ele a equilibrou no meu joelho esquerdo.
"V em frente e olhe, ento", ele disse bruscamente.
Pegar a caixinha inofensiva foi mais difcil do que deveria ser, mas eu no queria mago-lo de novo, ento eu tentei evitar que as minhas mos tremessem. A superficie
era de um cetim preto macio.
Eu alisei ele com os dedos, hesitando.
"Voc no gastou muito dinheiro, gastou? Minta pra mim, se voc gastou".
"Eu no gastei nada", ele me assegurou. " s outro presente passado. Esse  o anel que o meu pai deu para a minha me".
"Oh", a surpresa coloriu a minha voz. Eu peguei a tampa entre o meu polegar e indicador, mas no a abr.
"Eu acho que est um pouco ultrapassado" O tom dele estava apologtico de brincadeira. "Ultrapassado, exatamente como eu. Eu posso te dar alguma coisa mais moderna.
Alguma coisa da Tiffany's?"
"Eu gosto de coisas ultrapassadas", eu murmurei hesitantemente enquanto levantava a tampa.
Enfiado no cetim preto, o anel de Elizabeth Masen resplandeceu na luz fraca. A face era de um longo oval, cercado de pedras brilhantes arredondadas enfileiradas.
A faixa era de ouro - delicada e estreita. O ouro fazia uma delicada teia ao redor dos diamantes. Eu nunca tinha visto nada parecido.
Sem pensar, eu alisei as gemas brilhantes.
" to bonito, eu murmurei pra mim mesma, surpresa.
"Voc gostou?"
" lindo", eu levantei os ombros, fingindo falta de interesse. "O que h pra no gostar?"
Ele gargalhou. "Veja se cabe".
A minha mo esquerda se curvou num punho.
"Bella", ele suspirou. "Eu no vou sold-lo no seu dedo. S experimente pra ver se o tamanho precisa ser ajustado. Depois voc pode tir-lo".
"T bom", eu murmurei.
Eu fui pegar o anel, mas os dedos longos dele ganharam de mim. Ele pegou a minha mo esquerda na dele, e deslizou o anel no meu terceiro dedo. Ele segurou minha
mo, e ns dois examinamos o brilho oval contra a minha pele. No era to horrvel quanto eu havia temido, ter ele l.
"Serve perfeitamente", ele disse indiferentemente. "Isso  bom - me poupa de uma viagem at o joalheiro".
Eu podia ouvir alguma emoo forte queimando por baixo do tom casual dele, e eu olhei pra cima pra ver o rosto dele. Estava nos olhos dele tambm, apesar da cuidadosa
indiferena da expresso dele.
"Voc gostou dele, no gostou?", eu perguntei suspeitosamente, tremulando os meus dedos e pensando que realmente era uma pena que eu no tivesse quebrado a mo esquerda.
Ele ergueu os ombros. "Claro", ele disse, ainda casual. "Ele fica muito bem em voc".
Eu olhei nos olhos dele, tentando decifrar a emoo que borbulhava bem embaixo da superfcie. Ele olhou de volta, a falsa pretenso casual escorregou de repente.
Ele estava cintilando - seu rosto de anjo estava brilhando com alegria e vitria. Ele estava to glorioso que me deixou sem flego.
Antes que eu recuperasse o flego, ele estava me beijando, os lbios dele estavam exultantes. Eu estava com a cabea leve quando ele moveu seus lbios pra falar
em meu ouvido - mas a respirao dele estava to abalada quanto a minha.
"Sim, eu gosto disso. Voc no faz idia".
Eu r, refolegando um pouco. "Eu acredito em voc".
"Voc se importa se eu fizer uma coisa?", ele murmurou, seus braos se apertaram ao meu redor.
"O que voc quiser".
Mas ele me soltou e se afastou.
"Qualquer coisa menos isso", eu reclamei.
Ele me ignorou, pegando a minha mo e me puxando da cama tambm. Ele ficou na minha frente, mos nos meus ombros, o rosto srio.
"Agora, eu quero fazer isso. Por favor, por favor, mantenha em mente que voc j concordou com isso, e no arruine o momento pra mim".
"Oh, no", eu resfoleguei enquanto ele se ps em um joelho.
"Seja boazinha", ele murmurou.
Eu respirei fundo.
"Isabella Swan?", ele olhou pra mim atravs daqueles clios impossivelmente grandes, os olhos dele estavam suaves mas, de alguma forma, chamuscando. "Eu prometo
te amar pra sempre - todos os dias do pra sempre. Voc quer se casar comigo?"
Haviam muitas coisas que eu queria dizer, algumas delas no eram nem um pouco legais, e algumas delas eram mais pasmamente apaixonadas e romnticas do que ele provavelmente
sonhava que eu era capaz. Ao invs de me envergonhar com alguma dessas coisas, eu sussurrei. "Sim".
"Obrigado", ele disse simplesmente. Ele pegou minha mo esquerda e beijou todas as pontas dos meus dedos antes de beijar o anel que j era meu.

20. Rastros
Eu odiava perder alguma parte da noite domindo, mas isso era inevitvel. O sol estava brilhante fora da parede-janela quando eu acordei, com pequenas nuvens fugindo
rapidamente no cu. O vento balanava o topo das rvores at que parecia que a floresta inteira ia se partir.
Ele me deixou sozinha pra se vestir, e eu aproveitei essa chance pra pensar. De alguma forma, o meu plano da noite passada havia sado horrivelmente distorcido,
e eu precisava ter algumas idias das consequncias. Apesar de eu ter dado o anel herdado de voltar assim que eu pude fazer isso sem machucar os sentimentos dele,
a minha mo esquerda parecia mais pesada, como se ele ainda estivesse no lugar, s que invisvel.
Isso no devia me incomodar, eu raciocinei. No era uma coisa to grande - uma viagem de carro  Las Vegas. Eu usaria uma coisa melhor que jeans velhos - eu usaria
moletons velhos. A cerimnia certamente no demoraria muito tempo; no mais que quinze minutos no mximo, certo? Ento eu podia lidar com isso.
E a, quando estivesse acabado, ele teria que cumprir com a sua parte na barganha. Eu ia me concentrar nisso, e esquecer o resto.
Ele disse que eu no precisava contar pra ningum, e eu estava tentando for-lo ao mesmo.  claro, foi muito estpido da minha parte no pensar em Alice.
Os Cullen chegaram em casa por volta do meio dia. Havia uma nova atmosfera, toda profissional, cercando eles, e isso me puxou de volta para a enormidade do que estava
prestes a acontecer.
Alice parecia estar incomumente mal humorada. Eu engol a frustrao dela at que pareceu normal, porque as primeiras palavras dela pra Edward eram uma reclamao
sobre trabalhar junto com os lobos.
"Eu acho" - ela fez uma cara enquanto usava a palavra incerta - "que voc vai querer os lobos por perto para o clima frio, Edward. Eu no posso ver exatamente onde
voc est, porque voc vai sair com aquele cachorro hoje  tarde. Mas a tempestade que est vindo parece particularmente ruim naquela rea em geral".
Edward balanou a cabea.
"Vai nevar nas montanhas", ela avisou ele.
"Eca, neve", eu murmurei pra mim mesma. Era Junho, pra dizer o mnimo.
"Use um casaco", Alice disse. A voz dela no estava amigvel, e isso me surpreendeu. Eu tentei ler o rosto dela, mas ela desviou.
Eu olhei pra Edward, ele estava sorrindo; o que quer que estivesse incomodando Alice estava divertindo ele.
Edward tinha utenslios de camping mais do que sufcientes - benefcios na farsa de serem humanos; os Cullen eram bons clientes da loja dos Newton. Ele pegou um
saco de dormir, uma pequena barraca, e vrios pacotes de comida desidratada - dando um sorriso malicioso quando eu fiz uma careta pra eles - e enfiou todos eles
em uma mochila.
Alice ficou vagando pela garagem enquanto ns estvamos l, observando as preparaes de Edward sem dizer uma palavra. Ele ignorou ela.
Quando ele acabou de empacotar as coisas, Edward me deu seu telefone. "Ligue pra Jacob e diga a ele que estaremos prontos em mais ou menos uma hora. Ele sabe onde
nos encontrar".
Jacob no estava em casa, mas Billy prometeu que ia sair procurando at encontrar um lobisomem disponvel pra passar as notcias.
"No se preocupe com Charlie, Bella", Billy disse. "Eu estou com a minha parte disso sob controle".
", eu sei que Charlie estar bem" Eu no me sentia to confiante sobre a segurana do filho dele, mas eu no queria acrescentar isso.
"Eu queria poder estar com o resto deles amanh", Billy gargalhou ressentidamente. "Ser um velho  dureza, Bella"
A necessidade de brigar definitivamente devia ser uma caracterstica entre o cromossomo Y. Eles eram todos os mesmos.
"Se divirta com Charlie".
"Boa sorte, Bella", ele disse. "E... passe isso para os, er, Cullen por mim"
"Eu passo", eu promet, surpresa pelo gesto.
Enquanto eu passava o telefone de volta pra Edward, eu v que ele e Alice estavam tendo algum tipo de discusso silenciosa. Ela estava encarando ele, implorando
com os olhos. Ele estava fazendo uma careta de volta, infeliz com o que quer que ela quisesse.
"Billy desejou 'boa sorte'".
"Isso foi generoso da parte dele", Edward disse, desviando dela.
"Bella, ser que eu poderia por favor falar com voc sozinha?", Alice pediu rapidamente.
"Voc est prestes a fazer a minha vida ser mais dura do que o necessrio, Alice" Edward avisou ela por entre os dentes. "Eu realmente preferiria se voc no fizesse
isso".
"Isso no  sobre voc, Edward", ela disparou de volta.
Ele riu. Alguma coisa na resposta dela era engraada pra ele.
"No ", Alice insistiu. " uma coisa feminina".
Ele fez uma careta.
"Deixe ela falar comigo", eu disse a ele. Eu estava curiosa.
"Foi voc quem pediu", ele murmurou. Ele riu de novo - meio com raiva, meio divertido - e saiu marchando da garagem.
Eu me virei pra Alice, preocupada agora, mas ela no olhou pra mim. O mal humor dela ainda no havia passado.
Ela foi se sentar no cap do Porsche dela, com o rosto abatido. Eu a segui, e me encostei no carro ao lado dela.
"Bella?", Alice chamou numa voz triste, mudando de posio e se curvando no meu lado. A voz dela parecia to miservel que eu passei o meu brao ao redor dos ombros
dela pra confort-la.
"O que h de errado, Alice?"
"Voc no me ama?", ela perguntou com o mesmo tom triste.
" claro que amo. Voc sabe disso".
"Ento porque voc est escapulindo pra Las Vegas pra se casar sem me convidar?"
"Oh", eu murmurei, minhas bochechas ficando cor-de-rosa. Eu podia notar que havia magoado seriamente os sentimentos dela, e eu corri pra me defender. "Voc sabe
que eu odeio fazer um grande evento com as coisas. De qualquer jeito, foi idia de Edward".
"No me importa de quem  a idia. Como voc pde fazer isso comigo? Eu esperava esse tipo de coisa de Edward, mas no de voc. Eu te amo como se voc fosse minha
prpria irm".
"Pra mim, Alice, voc  uma irm".
"Palavras!" ela rosnou.
"T bom, voc pode vir. No haver muito pra ver".
Ela ainda estava fazendo careta.
"O que?", eu quis saber.
"O quanto voc me ama, Bella?"
"Porque?"
Ela me olhou com seus olhos implorativos, as longas sobrancelas dela estavam se aproximando do meio e se juntando, os lbios dela estavam tremendo nos cantos. Era
uma expresso de partir o corao.
"Por favor, por favor, por favor", ela sussurrou. "Por favor, Bella - se voc realmente me ama... Por favor me deixe fazer o seu casamento".
"Aw, Alice!", eu gem, me afastando e ficando de p. "No! No faa isso comigo!"
"Se voc realmente, verdadeiramente me ama, Bella".
Eu cruzei os braos no peito. "Isso  to injusto. E Edward meio que j usou isso pra cima de mim".
"Eu aposto que Edward preferiria fazer isso tradicionalmente, apesar de que ele nunca te diria isso. E Esme - pense no que isso significaria pra ela!"
Eu gem. "Eu preferiria enfrentar os recm-nascidos sozinha".
"Eu vou te dever por uma dcada".
"Voc me deveria por um sculo!"
Os olhos dela brilharam. "Isso  um sim?"
"No! Eu no quero fazer isso!"
"Voc no tem que fazer nada alm de andar alguns metros e repetir as palavras do juz de paz".
"Ugh! Ugh, ugh!"
"Por favor?", ela comeou a saltitar no mesmo lugar. "Por favor, por favor, por favor, por favor, por favor?"
"Eu nunca, nunca vou te perdoar por isso, Alice".
"Yay!", ela esguichou, batendo as mos.
"Isso no  um sim!"
"Mas ser", ela cantou.
"Edward!", eu gritei, saindo da garagem. "Eu sei que voc est escutando. Venha aqui." Alice estava bem atrs de mim, ainda batendo palmas.
"Muito obrigado, Alice", Edward disse acidamente, vindo por trs de mim. Eu me virei pra despejar nele, mas a expresso dele estava to preocupada e aborrecida que
eu no consegu fazer minhas reclamaes. Ao invs disso, eu atirei os meus braos ao redor dele, escondendo o meu rosto, s no caso de a umidade raivosa dos meus
olhos fizesse parecer que eu estava chorando.
"Vegas", Edward prometeu no meu ouvido.
"Sem chance", Alice rosnou. "Bella jamais faria isso comigo. Sabe, Edward, como irmo, as vezes voc  uma decepo".
"No seja m", eu murmurei pra ela. "Ele est tentando me fazer feliz, diferente de voc".
"Eu tambm estou tentando te fazer feliz, Bella. S que eu sei melhor o que te deixar feliz... a longo prazo. Voc vai me agradecer por isso. Talvez no daqui a
quinze anos, mas algum dia".
"Eu nunca pensei que veria o dia em que eu estaria disposta a apostar contra voc, Alice, mas esse dia chegou".
Ele riu o seu sorriso prateado. "Ento, voc vai me mostrar o anel?"
Eu fiz uma careta de horror quando ela agarrou a minha mo e a soltou igualmente rpido.
"Huh. Eu v ele colocando-o em voc... Eu perd alguma coisa?", ela perguntou. Ela se concentrou por meio segundo, apertando as sobrancelhas, antes de responder
s suas prprias perguntas. "No. O casamento ainda est de p".
"Bella tem um problema com jias", Edward explicou.
"O que  mais um diamante? Eu acho que o anel tem muitos diamantes, mas o meu ponto  que ele j colocou um -"
"Basta, Alice!" Edward cortou ela de repente. O jeito que ele encarava ela... ele parecia com um vampiro de novo. "Ns estamos com pressa".
"Eu no entendo. O que tm os diamantes?", eu perguntei.
"Ns vamos falar sobre isso depois", Alice disse. "Edward est certo -  melhor vocs irem. Vocs tm que armar uma armadilha e fazer acampamento antes que a tempestade
chegue". Ela fez uma careta, e a expresso dela estava ansiosa, quase nervosa. "No esquea o seu casaco, Bella. Parece que... estar frio demais para a estao".
"Eu j cuidei disso", Edward assegurou ela.
"Tenham uma boa noite", ela nos disse como adeus.
A distncia at a clareira foi duas vezes maior que o normal; Edward fez um longo desvio, pra ter certeza de que o meu cheiro no chegasse nem perto da trilha onde
Jacob se esconderia essa noite. Ele me carregou nos braos, a mochila lotada estava no meu lugar de costume.
Ele parou na ponta mais distante da clareira, me colocando de p.
"Tudo bem. S ande pelo norte, tocando o que voc puder. Alice me deu uma imagem clara do caminho deles, e no vamos demorar a intercept-los".
"Norte?"
Ele sorriu e apontou a direo certa.
Eu vaguei pela floresta, deixando a luz amarela do dia estranhamente ensolarado na clareira pra trs de mim. Talvez a viso nebolosa de Alice com a neve estivesse
errada. Eu esperei que sim. O cu em grande parte estava limpo, apesar de que o vento soprava furiosamente nos espaos abertos. Nas rvores estava mais calmo, mas
estava frio demais para Junho - mesmo usando uma camisa de mangas longas com um suter mais grosso por cima, os meus braos estavam arrepiados. Eu caminhei lentamente,
passando os meus dedos em tudo que estivesse perto o suficiente: a casca grossa da rvore, as samambaias molhadas, as pedras cobertas de musgos.
Edward ficou comigo, caminhando em uma linha paralela a cerca de vinte metros de distncia.
"Eu estou fazendo isso direito?", eu chamei.
"Perfeitamente".
Eu tive uma idia. "Isso vai ajudar?" eu perguntei enquanto passava as mos pelos meus cabelos e pegava alguns fios soltos. Eu os soltei em cima das samambaias.
"Sim, isso deixa o rastro mais forte. Mas voc no tem que arrancar seus cabelos, Bella. Vai ficar tudo bem".
"Eu tenho algns fios extras dos quais posso me dispor".
Estava nebuloso embaixo das rvores, e eu desejei poder andar mais perto de Edward e segurar a sua mo.
Eu coloquei outro cabelo meu em um tronco quebrado que fechava o meu caminho.
"Voc no precisa fazer as coisas do jeito de Alice, sabe", Edward disse.
"No se preocupe com isso, Edward. Acontea o que acontecer, eu no vou te deixar no altar", eu tinha um forte pressentimento de que Alice ia conseguir o que queria,
em grande parte porque ela era totalmente inescrupulosa quando se tratava de conseguir o que ela queria, e tambm porque eu era uma perdedora quando se tratava de
sentir culpa.
"No  com isso que eu estou preocupado. Eu quero que isso seja do jeito como voc quer que seja".
Eu reprim um suspiro. Saber a verdade ia magoar os sentimentos dele - que isso realmente no importava, que eram s graus de variaes de algo horrvel do mesmo
jeito.
"Mesmo se ela fizer as coisas do jeito dela, ns podemos fazer uma coisa pequena. S ns. Emmett pode arrumar uma licena de clrigo na internet".
Eu gargalhei. "Isso soa melhor". No soaria muito oficial se Emmett lesse os votos, o que era uma ponto a favor. Mas eu ia ter dificuldades em ficar sria.
"Veja", ele disse sorrindo. "Sempre h um compromisso".
Me levou algum tempo pra chegar at o local onde os recm-nascidos certamente cruzariam com o meu rastro, mas Edward nunca ficou impaciente com a minha velocidade.
Ele teve que guiar um pouco mais no caminho de volta, pra me manter no mesmo caminho. Tudo isso era a minha cara.
Ns estvamos quase na clareira quando eu ca. Eu podia ver a grande abertura logo em frente, e provavelmente foi por isso que eu fiquei ansiosa demais pra cuidar
dos meus ps. Eu me segurei antes que a minha cabea batesse na rvore mais prxima, mas um pequeno graveto escapuliu embaixo da minha mo esquerda e cortou a minha
palma.
"Ouch! Oh, fabuloso", eu murmurei.
"Voc est bem?"
"Eu estou bem. Fique onde est. Eu estou sangrando. Eu vou parar em um minuto".
Ele me ignorou. Ele j estava l antes que eu pudesse terminar.
"Eu estou com um kit de primeiros socorros", ele disse, puxando a mochila. "Eu estava com o pressentimento de que precisaria dele".
"No  to ruim. Eu posso cuidar disso - voc no precisa ficar desconfortvel".
"Eu no estou desconfortvel," ele disse calmamente. "Aqui - me deixe limpar isso".
"Espere um segundo, eu acabei de ter outra idia".
Sem olhar para o sangue e respirando pela minha boca, s pra o caso do meu estmago comear a reagir, eu pressionei a minha mo em uma rocha que estava ao meu alcance.
"O que voc est fazendo?"
"Jasper vai amar isso", eu murmurei pra mim mesma.
Eu comecei a ir para a clareira de novo, pressionando a minha palma em tudo no meu caminho. "Eu aposto que isso vai enlouquec-los".
Edward suspirou.
"Segure o flego", eu disse a ele.
"Eu estou bem. Eu s acho que voc est indo longe demais."
"Isso  tudo o que eu posso fazer. Eu quero fazer um trabalho".
Ns passamos pelas ltimas rvores enquanto eu falava. Eu deixei minha mo ferida passar pelas samambaias.
"Bem, voc fez", Edward me assegurou. "Os recm-nascidos ficaro frenticos, e Jasper ficar bastante impressionado com a sua dedicao. Agora me deixe tratar a
sua mo - voc sujou o corte".
"Me deixe fazer isso, por favor".
Ele pegou a minha mo e sorriu enquanto a examinava. "Isso no me incomoda mais".
Eu o observei cuidadosamente enquanto ele limpava a ferida, procurando por algum sinal de angstia. Ele continuou a respirar uniformemente pra dentro e pra fora,
o mesmo sorriso pequeno em seus lbios.
"Porque no?", eu perguntei finalmente enquanto ele amaciava o curativo na minha palma.
Ele levantou os ombros. "Eu superei isso".
"Voc... superou isso? Quando? Como?" Eu tentei me lembrar da ltima vez que ele havia prendido a respirao perto de mim. Tudo em que eu pude pensar foi na minha
festa de aniversrio catastrfica do Setembro passado.
Edward torceu os lbios, parecendo tentar encontrar as palavras. "Eu viv por vinte e quatro horas inteiras pensando que voc estivesse morta, Bella. Isso mudou
a minha forma de ver as coisas".
"Isso mudou o jeito como eu cheiro pra voc?"
"Nem um pouco. Mas... tendo experimentado a sensao de pensar que eu tinha perdido voc... as minhas reaes mudaram. Todo o meu ser se protege de qualquer curso
que possa inspirar aquele tipo de dor novamente".
Eu no sabia o que dizer a isso.
Ele sorriu da minha expresso. "Eu acho que voc poderia chamar isso de uma experincia muito educacional".
O vento invadiu a clareira de novo, lanando o meu cabelo no meu rosto e me fazendo estremecer.
"Tudo bem", ele disse, pegando a mochila dele de novo. "Voc fez a sua parte". Ele puxou o meu casaco de inverno pesado e o segurou pra que eu deslizasse meus braos
nele. "Agora no est mais nas suas mos. Vamos acampar!"
Eu r com o entusiasmo de brincadeira na voz dele.
Ele pegou a minha mo com o curativo - a outra estava pior, ainda na tipia - e comeou a ir para o outro lado da clareira.
"Onde ns vamos encontrar Jacob?", eu perguntei.
"Bem aqui", ele fez um gesto para as rvores na nossa frente exatamente quando Jacob saiu cautelosamente das sombras.
Eu no devia ter ficado surpresa por v-lo humano. Eu no tinha certeza de porque eu estava procurando o lobo grande marrom-avermelhado.
Jacob pareceu maior de novo - sem dvida isso era produto das minhas expectativas; eu devia estar esperando inconscientemente pelo Jacob menor das minhas memrias,
o amigo fcil que no havia tornado as coisas to difceis. Ele estava com os braos cruzados no peito n, um casaco preso no pulso. Ele estava sem expresso enquanto
nos observava.
Os lbios de Edward caram nos cantos. "Tinha que haver um jeito melhor de fazer isso".
"Agora  tarde demais", eu murmurei mal humorada.
Ele suspirou.
"Oi, Jake", eu o cumprimentei quando ns nos aproximamos.
"Oi, Bella".
"Ol, Jacob", Edward disse.
Jacob ignorou a delicadeza, todo profissionalismo. "Onde eu levo ela?"
Edward puxou um mapa de dentro de um bolso lateral da mochila e o ofereceu a ele. Jacob o desdobrou.
"Ns estamos aqui agora", Edward se aproximou pra tocar o ponto certo. Jacob se afstou da mo dele automaticamente, e a se endireitou. Edward fingiu no reparar.
"E voc vai lev-la at aqui" Edward continuou, traando uma serpentina nas linhas elevadas do papel. "Dificilmente chega a ser nove milhas".
Jacob balanou a cabea uma vez.
"Quando voc estiver a cerca de uma milha de distncia, voc vai cruzar com o meu rastro. Isso vai te guiar at l. Voc precisa do mapa?"
"No, obrigado. Eu conheo muito bem essa rea. Eu j que sei pra onde eu estou indo".
Jacob parecia lutar mais do que Edward pra manter o tom educado.
"Eu vou pegar uma rota mais longa", Edward disse. "E eu vou encontrar vocs em algumas horas".
Edward olhou pra mim infeliz. Ele no gostava dessa parte do plano dele.
"A gente se v", eu murmurei.
Edward desapareceu entre as rvores, indo para a direo oposta.
Assim que ele foi embora, Jacob se tornou alegre.
"E a, Bella?", ele me perguntou com um grande sorriso.
Eu revirei os meus olhos. "Tudo velho, tudo velho".
"", ele concordou. "Um monte de vampiros tentando matar voc. O de sempre".
"O de sempre".
"Bem", ele disse, vestindo o seucasaco pra liberar os seus braos. "Vamos indo".
Fazendo uma cara, eu dei um passo pra me aproximar dele.
Ele se abaixou e passou o brao por trs dos meus joelhos, tirando eles de baixo de mim. O outro brao dele me agarrou antes que a minha cabea batesse no cho.
"Estpido", eu murmurei.
Jacob gargalhou, j correndo pelas rvores. Ele manteve um passo fixo, uma corrida viva cujo ritmo um humano normal poderia acompanhar... em um terreno plano...
se eles no estivessem carregando uma trouxa de cinquenta e trs quilos, como ele estava.
"Voc n precisa correr. Voc vai ficar cansado".
"Correr no me deixa cansado", ele disse. A respirao dele estava uniforme - como se ele tivesse ajustado o ritmo de um maratonista. "Alm do mais, vai esfriar
em breve. Eu espero que ele consiga arrumar o acampamento antes de chagarmos l".
Eu bat os dedos acolchoado grosso do casaco de pele dele. "Eu pensei que voc no ficasse com frio".
"Eu no fico. Eu s trouxe isso pra voc, s pro caso de voc no estar preparada" Ele olhou para o meu casaco, quase como se estivesse decepcionado por eu estar
preparada. "Eu no gosto do inverno. Ele me deixa nervoso. Voc reparou em como ns no vimos nenhum animal?"
"Um, na verdade no".
"Eu podia imaginar que voc no tinha. Os seus sentidos so entorpecidos demais".
Eu deixei essa passar. "Alice tambm estava preocupada com a tempestade".
" preciso muita coisa pra silnciar a floresta desse jeito. Voc escolheu uma noite dos infernos pra acampar"
"A idia no foi inteiramente minha".
O caminho sem trilhas que ele tomou comeou a declinar mais e mais abruptamente, mas isso no o fez diminuir a velocidade. Ele saltava facilmente de pedra pra pedra,
sem parecer precisar absolutamente das suas mos. O equilbrio perfeito dele me fez lembrar de uma cabra da montanha.
"Qual  a dessa adio na sua pulseira?", ele perguntou.
Eu olhei pra baixo, e me dei conta de que o corao de cristal estava na face de cima do meu pulso.
Eu ergu os ombros sentindo culpa. "Outro presente formatura".
Ele bufou. "Uma rocha. No  de estranhar".
Uma pedra? De repente eu me lembrei da frase inacabada de Alice na garagem. Eu olhei para o cristal branco brilhante e tentei me lembrar do que Alice estivera dizendo
antes... sobre diamantes.
Ser que ela estava tentando dizer ele j te deu um? Como em, eu j estava usando um diamante de Edward? No, isso era impossvel. Ocorao teria uns cinco quilates
ou alguma coisa louca como essas! Edward no iria -
"Ento j faz um tempo que voc no vem at La Push", Jacob disse, interrompendo as minhas conjecturas perturbadoras.
"Eu estive ocupada", eu disse a ele. "E... provavelmente eu no teria ido visitar, do mesmo jeito"
Ele fez uma careta. "Eu achei que era pra voc ser aquela que perdoava, e que eu era aquele que quardava rancores"
Eu dei de ombros.
"Voc esteve pensando bastante naquela ltima vez, no ?"
"No".
Ele riu. "Ou voc est mentindo, ou voc  a pessoa mais teimosa viva".
"Eu no sei sobre a segunda parte, mas eu no estou mentindo".
Eu no gostava de ter essa conversa sob as presentes condies -com os braos dele presos com fora ao meu redor sem que houvesse nada que eu pudesse fazer sobre
isso. O rosto dele estava mais prximo do que eu queria que estivesse. Eu queria poder dar um passo pra trs.
"Uma pessoa inteligente olha para todos os lados de uma deciso".
"Eu olhei", eu retorqu.
"Se voc no pensou na nossa... er, conversa que ns tivemos da ltima vez que voc apareceu, ento isso no  verdade".
"Aquela conversa no  relevante para a minha deciso".
"Algumas pessoas fazer qualquer coisa para iludirem a s mesmas".
"Eu reparei que os lobisomens em particular tm uma propeno a cometer esse erro - voc acha que  uma coisa gentica?"
"Isso significa que ele beija melhor que eu?", Jacob perguntou, mal humorado de repente.
"Eu realmente no sei dizer, Jake. Edward  a nica pessoa que eu j beijei".
"Alm de mim".
"Mas eu no conto aquilo como um beijo, Jacob. Eu penso naquilo mais como um assdio".
"Ouch! Isso foi frio"
Eu ergu os ombros. Eu no ia retirar aquilo.
"Eu me desculpei por aquilo", ele me lembrou.
"E eu te perdoei... em grande parte. Isso no muda a forma como eu me lembro daquilo".
Ele murmurou alguma coisa impossvel de entender.
Depois, tudo ficou quieto por um tempo; s havia o som da respirao comedida dele e do vento soprando acima de ns no topo das rvores. Uma face de penhasco apareceu
completamente na nossa frente, uma pedra cinza, nua, spera. Ns seguimos a base enquanto ela se curvava pra cima na floresta.
"Eu acho que isso  bem irresponsvel", Jacob disse se repente.
"O que quer que voc esteja pensando, voc est errado".
"Pense nisso, Bella. De acordo com voc, voc s beijou uma pessoa - que nem sequer  uma pessoa de verdade - na sua vida inteira, e voc est chamando isso de quite?
Como  que voc sabe que isso  o que voc quer? Ser que voc~e no devia explorar as possibilidades um pouco?"
Eu mantive a minha voz calma. "Eu sei exatamente o que eu quero".
"Ento no vai machucar checar mais uma vez. Talvez voc devesse tentar beijar outra pessoa - s pra fazer uma comparao... j que o que aconteceu no outro dia
no conta. Voc podia me beijar, por exemplo. Eu no vou me incomodar se voc me usar como cobia".
Ele me segurou mais apertado em seu peito, at que o meu rosto estava perto do dele. Ele estava sorrindo da sua piada, mas eu no ia contar com a sorte.
"No mexa comigo, Jake. Eu juro que no vou imped-lo se ele quiser quebrar a sua mandbula".
O tom de pnico na minha voz fez o sorriso dele crescer. "Se voc me pedir um beijo, ele no ter nenhuma razo pra ficar aborrecido. Ele disse que isso estava bem".
"No segure o flego, Jake - no, espere, eu mudei de idia. V em frente. Segure a respirao at que eu te pea pra me beijar".
"Voc est de mal humor hoje"
"Eu me pergunto, porque?"
"As vezes eu penso que voc gosta mais de mim como lobo".
"As vezes eu gosto. Isso provavelmente tem a ver com o fato de que voc no pode falar".
Ele torceu seus lbios largos pensativamente. "No. Eu no acho que seja isso. Eu acho que  mais fcil pra voc ficar perto de mim quando eu no sou humano, porque
voc no precisa fingir que no est atrada por mim".
Aminha boca se abriu com um pequeno som de algo espoucando. Eu a fechei imediatamente, apertando os meus dentes.
Ele ouviu isso. Os lbios dele se abriram largamente em seu rosto em um sorriso triunfante.
Eu respirei fundo lentamente antes de falar. "No. Eu estou certa de que  porque voc no fala".
Ele suspirou. "Voc nunca se cansa de mentir pra s mesma? Voc tem que saber o quo consciente de mim voc . Fisicamente, eu quero dizer".
"Como algum pode no ser cnscio de voc fisicamente, Jacob?" eu quis saber. "Voc  um monstro enorme que se recusa a respeitar o espao pessoal dos outros".
"Eu te deixo nervosa. Mas s quando eu sou humano. Quando eu sou lobo, voc fica mais confortvel ao meu lado".
"Nervosismo e irritao no so a mesma coisa".
Ele olhou pra mim por um minuto, diminuindo at estar caminhando, a diverso estava desaparecendo do rosto dele. Os olhos dele se estreitaram, ficaram pretos na
sombra das sobrancelhas dele. A respirao dele, to regular enquanto ele corria, comeou a acelerar.
Lentamente, ele inlinou o seu rosto mais pra perto do meu.
Eu encarei ele, sabendo exatamente o que ele estava tentando fazer.
"O rosto  seu", eu lembrei ele.
Ele riu alto e comeou a fazer piada de novo. "Eu realmente no quero brigar com o seu vampiro essa noite - quer dizer, qualquer outra noite, com certeza. Mas ns
dois temos um trabalho a fazer amanh, e eu no gostaria de deixar os Cullen com um a menos".
De repente, uma inesperada onda de vergonha distorceu a minha expresso.
"Eu sei, eu sei", ele respondeu, sem entender. "Voc acha que ele pode me enfrentar".
Eu no podia falar. Eu estava deixando-os com um a menos. E se algum se machucasse por eu ser to fraca? Mas e se eu fosse corajosa e Edward... eu no podia nem
pensar nisso.
"Qual  o problema com voc, Bella?" a mscara de comdia desapareceu do rosto dele, revelando o meu Jacob na superfcie, como se estivesse retirando a mscara.
"Se alguma coisa que eu disse te aborreceu, voc sabe que eu s estava brincando. Eu no estava falando srio - ei, voc est bem? No chore, Bella", ele implorou.
Eu tentei me recompor. "Eu no vou chorar".
"O que eu disse?"
"No  nadda que voc disse. , bem, sou eu. Eu fiz uma coisa... m".
Ele me encarou, os olhos dele arregalados de confuso.
"Edward no vai lutar amanh" eu sussurrei a explicao. "Eu estou fazendo ele ficar comigo. Eu sou uma enorme covarde".
Ele fez uma careta. "Voc acha que isso no vai dar certo? Que eles vo te encontrar aqui? Voc sabe de alguma coisa que eu no sei?"
"No, no. Eu no estou com medo disso. Eu s... no posso deix-lo ir. Se ele no voltasse..." eu estremec, fechando os meus olhos pra escapar do pensamento.
Jacob estava quieto.
Eu continuei sussurrando, meus olhos fechados. "Se algum se machucar, isso ser minha culpa. E mesmo se ningum se machucar... eu fui horrvel. Eu tive que ser,
pra convenc-lo a ficar comigo. Ele jamais usaria isso contra mim, mas eu sempre saberei o que eu fui capaz de fazer".
Eu me sent um pouco melhor, tirando isso do meu peito. Mesmo se eu s pudesse confessar isso a Jacob.
Ele bufou, meus olhos se abriram lentamente, e eu fiquei triste de ver que a mscara dura estava de volta nele.
"Eu no consigo acreditar que ele deixou voc convenc-lo a ficar de fora. Eu no perderia isso por nada".
Eu suspirei. "Eu sei".
"Isso no significa nada, porm" Ele estava devolvendo de repente. "Isso no significa que ele te ama mais do que eu".
"Mas voc no teria ficado comigo, nem se eu implorasse".
Ele torceu os lbios por um momento, e eu me perguntei se ele tentaria negar isso. Ns dois sabamos a verdade. "Isso  s porque voc sabe melhor", ele disse finalmente.
"Tudo vai dar certo sem dvida. Mesmo se voc me pedisse e eu disesse no, voc no ficaria brava comigo depois"
"Se tudo der certo, voc provavelmente est certo. Eu no ficaria com raiva. Mas durante todo o tempo que voc estivesse longe, eu estaria doente de preocupao,
Jake. Eu enlouqueceria".
"Porque?", ele perguntou mal humorado. "Porque voc se importa se alguma coisa acontecer comigo?"
"No diga isso. Voc sabe o quanto significa pra mim. Eu lamento que no seja do jeito como voc quer, mas  assim que . Voc  meu melhor amigo. Pelo menos, voc
costumava ser. E algumas vezes ... quando voc baixa a guarda".
Ele sorriu aquele velho sorriso que eu amava. "Eu sempre sou isso", ele prometeu. "Mesmo quando eu... me comporto to bem quanto eu deveria. Por baixo, eu estou
sempre aqui".
"Eu sei. Porque seno porque mais eu te aguentaria?"
Ele riu comigo, e a os olhos dele ficaram tristes. "Quando voc vai se dar conta finalmente de que voc est apaixonada por mim tambm?"
"Deixe voc arruinar o momento".
"Eu no estou dizendo que voc no ama ele. Eu no sou burro. Mas  possvel amar mais de uma pessoa de cada vez, Bella. Eu j v isso em ao".
"Eu no sou um lobisomem esquisito, Jacob".
Ele entortou o nariz, e eu estava prestes a pedir desculpas pela ltima baboseira, mas ele mudou de assunto.
"No estamos longe agora, eu sinto o cheiro dele".
Eu suspirei aliviada.
Ele se enganou na interpretao. "Eu diminuiria a velocidade com alegria, Bella, mas voc vai gostar de estar em um abrigo antes que aquilo caia".
Ns dois olhamos para o cu.
Uma nuvem slida de uma cor roxo-enegrecida estava correndo do oeste, escurecendo a floresta embaixo dela enquanto passvamos.
"Uau", eu murmurei. " melhor voc se apressar. Voc vai querer estar em casa antes que ela chegue aqui".
"Eu no vou pra casa".
Eu encarei ele, exasperada. "Voc no vai acampar conosco"
"No tecnicamente - como em, dividindo uma tenda ou qualquer coisa. Eu refiro a temprestade ao cheiro. Mas eu tenho certeza que o seu sugador de sangue vai querer
manter contato com o bando por propsitos de coordenao, ento, eu graciosamente vou prover esses servios".
"Eu pensei que esse era o trabalho de Seth".
"Ele vai me substituir amanh, durante a luta".
Essa lembrana me silnciou por alguns segundos. Eu encarei ele, preocupao aparecendo com uma penetrncia repentina.
"Eu no acho que h uma forma de te fazer ficar, j que voc j est aqui?", eu suger. "Se eu implorasse? Ou se trocasse uma vida de servido ou alguma coisa assim?"
"Tentador, mais no. De novo, implorar pode ser interessante pra que voc veja. Voc pode se dar uma tentativa se voc quiser".
"Realmente no h nada, absolutamente nada que eu posso dizer?"
"No. A no ser que voc possa me prometer uma luta melhor. De qualquer jeito, Sam faz as convocaes, no eu".
Isso me lembrou.
"Edward me disse uma coisa no outro dia... sobre voc"
Ele ficou eriado. "Provavelmente  mentira".
"Oh, mesmo? Voc no  o segundo no comando do bando, ento?"
Ele piscou, o rosto dele ficando branco de surpresa. ""Oh. Isso".
"Como  que voc nunca me contou isso?"
"Porque eu contaria? No  nada importante".
"Eu no sei. Porque no?  interessante. Ento, como  que isso funciona? Como Sam acabou sendo o Alpha, e voc como... o Beta?"
Jacob gargalhou com o meu termo inventado. "Sam foi o primeiro, o mais velho. Fazia sentido que ele ficasse no comando".
Eu fiz uma careta. "Mas ento no seriam Jared ou Paul a ser o segundo? Eles foram os prximos a se transformar".
"Bem...  difcil de explicar", Jacob disse evasivamente.
"Tente".
Ele suspirou. " mais uma coisa de linhagem, sabe? Meio ultrapassado. Porque devia importar quem foi o seu av, certo?"
Eu me lembrei de uma coisa que Jacob havia me dito ha um longo tempo atrs, antes que qualquer um de ns soubesse sobre os lobisomens.
"Voc no disse que Ephraim Black foi o ltimo chefe que os Quileute tiveram?"
",  isso mesmo. Porque ele era o Alpha. Voc sabia que, tecnicamente, Sam  o chefe da tribo inteira agora?" Ele riu. "Tradies loucas".
Eu pensei nisso por um segundo, tentando fazer pedaos se encaixarem. "Mas voc tambm disse que eles ouviam ao seu pai mais do que a qualquer outra pessoa no conselho,
porque ele era o neto de Ephraim?"
"O que tem isso?"
"Bem, se isso  sobre a linhagem... voc no devia ser o chefe, ento?"
Jacob no me respondeu. Ele olhou para a floresta escurecendo, como se de repente ele precisasse se concentrar em pra onde ele estava indo.
"Jake?"
"No. Esse  o trabalho de Sam" Ele manteve os olhos no caminho no demarcado.
"Porque? O tatarav dele era Levi Uley, certo? Levi era Alpha tambm?"
"S h um Alpha", ele respondeu automaticamente.
"Ento o que Levi era?"
"Meio que o Beta, eu acho" He bufou com o meu termo. "Como eu".
"Isso no faz sentido".
"Isso no importa".
"Eu s quero entender".
Finalmente Jacob encontrou meu olhar confuso, e a suspirou. ". Era pra eu ser o Alpha".
As minhas sobrancelhas se juntaram. "Sam no quis descer do posto?"
"Dificilmente. Eu no quis subir".
"Porque no?"
Ele fez uma careta, desconfortavel com as minhas perguntas. Bem, era a vez dele de se sentir desconfortavel.
"Eu no quis nada daquilo, Bella. Eu no queria que nada mais mudasse. Eu no queria ser um chefe lendrio".
"Eu nem queria ser parte de um bando de lobisomens, quanto mais lider-los. Eu no aceitei quando Sam ofereceu".
Eu pensei nisso por um longo momento. Jacob no interrompeu. Ele estava encarando a floresta de novo.
"Mas eu pensei que voc estava mais feliz. Que voc estava se dando bem com isso", eu sussurrei finalmente.
Jacob sorriu me reassegurando. ". Realmente no  to ruim.  excitante as vezes, como essa coisa de amanh. Mas no incio parecia que eu estava sendo convocado
pra uma guerra que eu nem sabia que existia. No havia escolha, sabe? E foi to definitivo" Ele levantou os ombros. "De qualquer jeito, eu acho que estou alegre
agora. Tinha que ser feito, e ser que eu poderia confiar em mais algum pra fazer isso direito?  melhor que eu mesmo tenha certeza".
Eu encarei ele, sentindo um inexperado tipo de admirao pelo meu amigo. Ele era mais adulto do que eu havia acreditado que ele fosse. Como com Billy na outra noite
na fogueira, havia uma realeza l que eu no estava esperando.
"Chefe Jacob", eu sussurrei, sorrindo pelo jeito que as palavras soavam juntas.
Ele revirou os olhos.
Bem a, o vento balanou mais ferozmente atravs das florestas ao nosso redor, e parecia que ele estava soprando diretamente de um congelador. O som agudo de madeira
se partindo ecoou nas montanhas. Apesar da luz estar desaparendo enquanto as nuvens nebulosas cobriam o cu, eu ainda pude ver os pequenos flocos brancos que flutuavam
entre ns.
Jacob apressou o passo, mantendo os olhos dele no cho agora, enquanto ele corria. Eu me curvei com mais vontade no peito dele, me protegendo da neve mal-vinda.
Foram apenas dez minutos desde que ele havia comeado a correr ao redor do lado do pico de pedra e eu j podia ver a pequena tenda erguida contra uma face que a
abrigava. Mais flocos fltuaram ao nosso redor, mas o vento estava violento demais pra deix-los cair em um lugar.
"Bella!", Edward chamou em um alvio agudo. Ns o encontramos no meio de um movimento de andar pra frente e pra trs.
Ele veio rapidamente para o meu lado, meio que se transformando num vulto quando ele se movia to rpido. Jacob enrijeceu, e a ele me colocou de p. Edward ignorou
a reao dele e me pegou num abrao apertado.
"Obrigado", Edward disse por cima da minha cabea. O tom dele era inequivocavelmente sincero. "Isso foi mais rpido do que eu esperava, e eu realmente aprecio isso".
Eu me virei pra ver a reao de Jacob.
Jacob meramente levantou os ombros, toda a amigabilidade havia sido limpa do rosto dele. "Leve ela pra dentro. Isso vai ser feito - o meu cabelo est arrepiando
no meu crnio. Essa tenda  segura?"
"Eu a crevei na rocha".
"Bom".
Jacob olhou para o cu - agora preto com a tempestade, manchado com os pedacinhos de neve. As narinas dele inflaram.
"Eu vou trocar de roupa", ele disse. "Eu quero saber o que est acontecendo l em casa".
Ele pendurou o seu casaco em um arbusto baixo, grosso, e caminhou para a floresta obscura sem olhar pra trs.

21- Fogo e Gelo
O vento estremeceu a tenda de novo, e eu estremec junto com ela.
A temperatura estava caindo. Eu podia sentir isso atravs do saco, atravs da minha jaqueta. Eu estava completamente vestida, as minhas botas de caminhada ainda
estavam no lugar. Isso no fez nenhuma diferena. Como  que podia estar to frio? Como  que podia continuar esfriando. Ele tinha que estabilizar alguma hora, no
tinha?
"Q-q-q-q-q-que h-h-h-h-horas so?" Eu forcei as palavras a sair pelos meus dentes se batendo.
"Duas", Edward respondeu.
Edward estava sentado to longe de mim quanto era possvel em um espao apertado, com medo at de respirar em cima de mim quando eu j estava com tanto frio. Estava
escuro demais pra que eu visse seu rosto, mas a voz dele estava selvagem de preocupao, indeciso e frustrao.
"Talvez..."
"No, eu t b-b-b-b-b-bem, m-m-m-mesmo. Eu no q-q-q-quero i-i-ir l fora".
Ele j tinha tentado me convencer a fazer uma corrida uma dzia de vezes, mas eu estava morta de medo de deixar o meu abrigo. Se estava to frio aqui, protegido
do vendo rajante, eu podia imaginar o quo ruim seria se estivssemos correndo por ele.
E isso ia estragar todos os esforos dessa tarde. Ser que ns teramos tempo de recomear tudo depois que a tempestade tivesse acabado? E se ela no acabasse?
No fazia sentido me mexer agora. Eu podia ficar tremendo por uma noite.
Eu estava preocupada que o rastro que eu tinha deixado pudesse ter se perdido, mas ele me prometeu que isso ainda seria suficiente pra os monstros que estavam pra
chegar.
"O que eu posso fazer?", ele quase implorou.
Eu s balancei a minha cabea.
L fora na neve, Jacob choramingou infeliz.
"S-s-s-sai d-d-d-daqui", eu ordenei de novo.
"Ele s est preocupado com voc", Edward traduziu. "Ele est bem. O corpo dele  equipado pra lidar com isso".
"E-e-e-e-e-e", eu queria dizer que ele devia ir embora mesmo assim, mas eu no consegu fazer isso passar pelos meus dentes. Eu quase arranquei a minha lngua fora.
Pelo menos, Jake parecia estar bem equipado para a neve, melhor at do que os outros do bando com o seu pelo ruivo mais grosso, mais longo, desarrumado. Eu me perguntei
o porque disso.
Jacob choramingou, um rugido alto, um incmodo de reclamao.
"O que voc quer que eu faa?", Edward rosnou, ansioso demais pra continuar se incomodando em ser educado.
"Carreg-la em meio a isso? Eu no estou vendo voc se fazer til. Porque voc no vai pescar um aquecedor ou alguma coisa assim?"
"Eu t b-b-b-b-b-bem", eu protestei. Julgando pelo gemido de Edward e pelo rosnado murmurado do lado de fora da tenda, eu no tinha convencido ningum. O vento balanou
a tendo com fora, e eu estremec em harmonia com ela.
Um rugido repentino soou pelo ronco do vento, e eu cobr os meus ouvidos com o barulho. Edward fez uma careta.
"Isso no era muito necessrio", ele murmurou. "E essa  a pior idia que eu j ouv", ele chamou mais alto.
" melhor do que alguma coisa que voc tenha sugerido", Jacob respondeu, a voz humana dele me assustando. "V pescar um aquecedor", ele murmurou. "Eu no sou um
So Bernardo".
Eu ouv o som do zper da porta tenda sendo puxado rapidamente pra baixo.
Jacob escorregou pelo menor espao que conseguiu, enquanto o vento rtico flua ao redor dele, alguns flocos de neve caindo no cho  porta da tenda. Eu trem tanto
que era como uma convulso.
"Eu no gosto disso", Edward assobiou enquanto Jacob fechava o zper da porta da tenda. "Simplesmente d o casaco a ela e se mande".
Os meus olhos s estavam ajustados o suficiente pra ver as formas - Jacob estava carregando o casaco de pele que esteve pendurado em uma rvore prxima a tenda.
Eu tentei perguntar sobre o que eles estavam falando, mas tudo o que saiu da minha boca foi, "O-o-o-o-o-o-o", enquanto os tremores me faziam balanar incontrolavelmente.
"A pele  para amanh - ela est com frio demais pra aquec-la sozinha. A pele est congelada" Ele a largou na porta.
"Voc disse que precisava de uma aquecedor, e aqui estou eu", Jacob abriu os braos tanto quanto a tenda permitiu. Como sempre, quando ele havia estado correndo
por a como lobo, ele s estava carregando o que era essencial - um par de calas de moletom, sem camisa, sem sapatos.
"J-J-J-J=Jake, voc vai c-c-c-congel-l-l-lar", eu tentei reclamar.
"Eu no", ele disse alegremente. "Eu estou com uns slidos cinquenta e dois graus esses dias. Eu vou comear a te fazer suar rapidinho"
Edward rosnou, mas Jacob nem sequer olhou pra ela. Ao invs disso, ele comeou a rastejar pra o meu lado e a abrir o zper do saco de dormir.
A mo de Edward estava dura no brao dele de repente, restringindo, branca como neve na pele escura. A mandbula de Jake se contraiu, as narinas dele inflando, o
corpo dele se afastando do toque frio. Os msculos dos longos braos dele se flexionaram automaticamente.
"Mantenha a sua mo longe de mim", ele rosnou por entre os dentes.
"Mantenha as suas mos longe dela" Edward respondeu com um tom vazio.
"N-n-n-no b-b-b-briquem", eu implorei. Outro tremor me balanou. Eu pensei que os meus dentes fossem se partir, de to forte que eles estavam se batendo.
"Eu tenho certeza de que ela vai te agradecer por isso quando comear a ficar preta e a se decompor", Jacob disparou.
Edward hesitou, e depois a mo dele caiu e ele voltou para a sua posio no canto.
A voz dele era vazia e assustadora. "Se cuide".
"Chega mais, Bella", ele disse, abrindo ainda mais o zper do saco de dormir.
Eu encarei ele ultrajada. No era de surpreender que Edward estivesse reagindo desse jeito.
"N-n-n-n-n", eu tentei protestar.
"No seja estpida", ele disse, exasperado. "Voc no gosta de ter dez dedos nos ps?"
O corpo dele encheu um espao inexistente, forando o zper a se abrir atrs de s mesmo.
A eu no pude mais me opor - eu no queria mais me opor. Ele era to quente. Os braos dele se apertaram ao meu redor, me segurando largadamente em seu peito n.
O calor era irresistvel, como se fosse ar depois de ficar muito tempo embaixo da gua. Ele se afastou quando eu pressionei meus dedos frios ansiosamente na pele
dele.
"Nossa, voc t congelando, Bella", ele reclamou.
"D-d-d-d-desculpa" eu gaguejei.
"Tente relaxar", ele sugeriu enquanto outro tremor me balanou violentamente. "Voc vai estar aquecida em um minuto.  claro, voc se aqueceria mais rapidamente
se eu pudesse tirar as suas roupas".
Edward rosnou afiadamente.
"Esse  simplesmente um fato", Jacob se defendeu. "Primeiros-Socorros".
"C-c-c-corta essa, Jake", eu disse com raiva, apesar do meu corpo se recusar a sequer tentar se afastar dele. "N-n-n-ningum p-p-p-precisa de verdade de todos os
dez d-d-dedos do p".
"No se preocupe com o sugador de sangue", Jacob sugeriu, o tom da voz dele estava um pouco presumido. "Ele s est com cimes".
" claro que eu estou". A voz de Edward era veludo de novo, sob controle, um murmrio musical na escurido. "Voc no tem nem a mais distante idia do que eu daria
pra estar fazendo o que voc est fazendo por ela, mongl"
"Esses so os pontos", Jacob disse levemente, mas o tom dele estava um pouco azedo. "Pelo menos voc sabe que ela gostaria que fosse voc".
"Verdade", Edward concordou.
Os tremores diminuiram, ficaram suportvei enquanto iam embora.
"A est", Jacob disse, agradado. "Se sentindo melhor?"
Eu finalmente fui capaz de falar claramente. "Sim".
"Os seus lbios ainda esto azuis", ele meditou. "Quer que eu os aquea pra voc tambm? Voc s precisa pedir".
Edward suspirou pesadamente.
"Se comporte", eu murmurei, pressionando o meu rosto no ombro dele. Ele se afastou de novo quando a minha pele fria tocou a dele, e sorriu com uma satisfao levemente
vingativa.
J estava quente e confortvel dentro do saco de dormir. O corpo de Jacob parecia radiar calor de todos os lugares - talvez porque houvesse tanto dele. Eu tirei
as minhas botas, e empurrei os meus dedos nas pernas dele.
Ele deu um pequeno pulo, e a inclinou a cabea pra baixo pra pressionar a sua bochecha quente na minha orelha dormente.
Eu reparei que a pele de Jake tinha um cheiro amadeirado, de almscar - combinava com a ocasio, aqui no meio da floresta. Eu me perguntei se os Cullen e os Quileute
no estariam apenas inventando aquele problema todo dos odores por causa de seus preconceitos. Todo mundo cheirava bem pra mim.
A tempestava rosnava como um animal atacando a tenda, mas agora ele no me preocupava. Jacob estava fora do frio, e eu tambm. Alm do mais, eu estava simplesmente
exausta demais pra me preocupar com alguma coisa - cansada apenas por ficar acordada at to tarde, dolorida pelos espasmos dos msculos. O meu corpo relaxou lentamente
enquanto descongelava, pedao congelado a pedao congelado, e depois ficaram flcidos.
"Jake?", eu murmurei sonolenta. "Posso te pedir uma coisa? Eu no estou tentando ser uma boboca nem nada assim, eu estou honestamente curiosa". Eram as mesmas palavras
que ele havia usado na minha cozinha... quanto tempo fazia isso agora?
"Claro", ele gargalhou, lembrando.
"Porque voc  to mais peludo do que os seus amigos? Se eu estiver sendo rude, voc no precisa responder" Eu no conhecia as regras de etiqueta quando elas se
tratavam da cultura dos lobisomens.
"Porque o meu cabelo  mais longo", ele disse, divertido - pelo menos a minha pergunta no tinha ofendido ele. Ele balanou a cabela pra que seu cabelo rebelde -
que agora estava perto da altura do queixo - fizesse ccegas na minha bochecha.
"Oh", eu estava surpresa, mas isso fazia sentido. Ento foi por isso que eles todos cortavam os cabelos, quando se juntavam ao bando. "Ento porque voc no corta
ele? Voc gosta de ser to felpudo?"
Dessa vez ele no respondeu imediatamente, e Edward riu por baixo do flego.
"Desculpa", eu disse, parando pra bocejar. "Eu no quis ser intrometida. Voc no precisa me dizer".
Jacob fez um som aborrecido. "Oh, ele vai te dizer do mesmo jeito, ento eu tambm posso... Eu estava deixando o cabelo crescer porque... parecia que voc gostava
mais dele longo".
"Oh", eu me sent estranha. "Eu, er, gosto dos dois jeitos, Jake. Voc no precisa... ter incovenientes".
Ele levantou os ombros. "Acontece que ele foi bem conveniente essa noite, ento no se preocupe".
Eu no tinha mais nada pra dizer. Enquanto o silncio aumentou, as minhas plpabras cairam e se fecharam, e a minha respirao ficou mais lenta, mais uniforme.
"Isso mesmo, meu bem, v dormir", Jacob sussurrou.
Eu suspirei, contente, j meio adormecida.
"Seth est aqui", Jacob murmurou pra Jacob, e de repente eu esntend a necessidade do rosnado.
"Perfeito. Agora voc pode ficar de olho nas outras coisas, enquanto eu cuido da sua namorada pra voc".
Edward no respondeu, mas eu gem groque. "Pare com isso", eu murmurei.
Ai tudo ficou silncioso, pelo menos do lado de dentro. Do lado de fora, o vento soprava insamamente entre as rvores. A dana da tenda tornou difcil dormir. Os
postes estremeciam e balanavam de repente, me trazendo de volta da beira da inconsciencia toda vez que eu j estava afundando. Eu me sentpi to mal pelo lobo, pelo
garoto que estava preso do lado de fora na neve.
A minha mente vagava e esperava at que o sono me achasse. O pequeno espao quente me fez pensar nos dias anteriores com Jacob, e eu me lembrei de como as coisas
costumavam quando ele era o meu sol de reserva, o calor que tornava a minha vida suportvel. J fazia um tempo que eu no pensava em Jake dessa forma, mas aqui estava
ele, me aquecendo de novo.
"Por favor!", Edward assobiou. "Voc se importa!"
"O que?", Jacob sussurrou de volta, seu tom estava surpreso.
"Ser que voc acha que podia tentar controlar os seus pensamentos?" O sussurro baixo de Edward estava furioso.
"Ningum disse que voc precisava ouvir", Jacob murmurou, desafiador, e mesmo assim um pouco envergonhado.
"Saia da minha cabea".
"Eu queria poder. Voc no faz idia de como as suas pequenas fantasias so altas.  como se voc estivesse gritando elas pra mim".
"Eu vou tentar manter o volume baixo", Jacob sussurrou sarcasticamente.
Houve um breve momento de silncio.
"Sim", Edward respondeu a um pensamento no falado em um murmurio to baixo que eu mal conseguia ouvir. "Eu estou com cime disso tambm".
"Eu imaginei que fosse assim", Jacob sussurrou presumidamente. "Isso meio que iguala um pouco o jogo, no ?"
Edward gargalhou. "Nos seus sonhos".
"Sabe, ela ainda pode mudar de idia", Jacob cutucou ele. "Considerando todas que eu posso fazer com ela que voc no pode. Isso , pelo menos, no sem matar ela".
"V dormir, Jacob", Edward murmurou. "Voc est comeando a me deixar nervoso".
"Eu acho que eu vou. Eu estou muito confortvel".
Edward no respondeu.
Eu estava apagada demais pra pedir que eles parassem de falam de mim como se eu no estivesse l. A conversa havia tomado caractersticas de sonho pra mim, e eu
no tinha certeza de que realmente estava acordada.
"Talvez eu fosse", Edward disse depois de um momento, respondendo a uma pergunta que eu no havia ouvido.
"Mas voc seria honesto?"
"Voc sempre pode perguntar e ver", o tom de Edward me fez imaginar se eu no estaria perdendo uma piada.
"Bem, voc v dentro da minha cabea - me deixe ver dentro da sua hoje,  o justo". Jacob disse.
"A sua cabea est cheia de perguntas. Qual voc quer que eu responda?"
"Esse cime... ele esteve te comendo. Voc no pode estar to seguro de s quanto parece. A no ser que voc no tenha emoes".
" claro que est." Edward concordou, no mais divertido. "Nesse momento est to ruim que eu mal posso controlar a minha voz.  claro, isso  ainda pior quando
ela est longe de mim, com voc, e eu no posso v-la".
"Voc pensa nisso o tempo inteiro?", Jacob sussurrou. " difcil pra voc se concentrar quando ela no est com voc?"
"Sim e no", Edward disse; ele parecia determinado a responder honestamente. "A minha mente no funciona exatamente como a sua. Eu posso pensar em mais coisas ao
mesmo tempo.  claro que isso significa que eu sempre sou capaz de pensar em voc, sempre capaz de me perguntar se  a que a mente dela est, quando ela est quieta
e pensativa".
Eles dois ficaram quietos por um minuto.
"Sim, eu acho que ela pensa em voc com frequncia", Edward murmurou em resposta aos pensamentos de Jacob. "Com mais frequncia do que eu gosto. Ela se preocupa
que voc esteja infeliz. No que voc no saiba disso. No que voc no use isso".
"Eu tenho que usar qualquer coisa que eu puder", Jacob murmurou. "Eu no estou trabalhando com as suas vantagens - vantagens como saber que ela est apaixonada por
voc".
"Isso ajuda", Edward disse com um tom moderado.
Jacob estava desafiador. "Ela est apaixonada por mim tambm, sabe".
Edward no respondeu.
Jacob suspirou. "Mas ela no sabe ainda".
"Eu no sei dizer se voc est certo".
"Isso incomoda voc? Voc queria ver o que ela est pensando tambm?"
"Sim... e no, de novo. Ela prefere que seja assim, e, apesar de que isso as vezes me deixa louco, eu prefiro que ela fique feliz".
O vento soprou na tenda, estremecendo como se fosse um terremoto. Os braos de Jacob me apertaram protetoramente.
"Obrigado", Edward sussurrou. "Mesmo que isso parea estranho, eu estou feliz que voc esteja aqui, Jacob".
"Voc quer dizer 'mesmo que eu fosse adorar matar voc, eu estou feliz que ela esteja aquecida', certo?"
" uma trgua desconfortvel, no ?"
O sussurro de Jacob estava presumido de repente. "Eu sabia que voc estava to louco de cimes quanto eu".
"Eu no sou to idiota pra usar isso como uma carta na manga como voc. Isso no ajuda o seu caso, sabe".
"Voc  mais paciente do que eu".
"Eu devia. Eu tive cem anos pra ganh-la. Cem anos de espera por ela".
"Ento... em que ponto voc resolveu bancar o cara bonzinho e paciente?"
"Quando eu v o quanto estava machucando ela ter que decidir. Isso geralmente no  to difcil de controlar. Eu posso amortecer os... sentimentos menos civiizados
que eu possa ter por voc muito mais facilmente na maior parte do tempo. As vezes eu acho que ela v atravs de mim, mas eu no posso ter certeza".
"Eu acho que voc s est preocupado que se voc realmente a forasse a escolher, ela podia no te escolher".
Edward no respondeu imediatamente. "Isso  uma parte", ele admitiu finalmente. "Mas s uma parte pequena. Todos ns temos nossos momentos de dvida. Em grande parte,
eu estava preocupado que ela pudesse se machucar fugindo pra ver voc. Depois que eu aceitei que ela estava mais ou menos segura com voc - to segura quanto Bella
sempre  - pareceu ser melhor parar de levar ela aos limites".
Jacob suspirou. "Eu teria dito tudo isso a ela, mas ela nunca teria acreditado em mim".
"Eu sei", pareceu que Edward estava sorrindo.
"Voc acha que sabe de tudo", Jacob murmurou.
"Eu no sei o futuro", Edward disse, sua voz insegura de repente.
Houve uma pausa mais longa.
"O que voc faria se ela mudasse de idia?", Jacob perguntou.
"Eu tambm no sei isso".
Jacob gargalhou baixinho. "Voc tentaria me matar?" Sarcstico de novo, como se estivesse duvidando da capacidade de Edward de fazer isso.
"No".
"Porque no?" o tom de Jacob ainda estava zombador.
"Voc realmente acha que eu magoaria ela desse jeito?"
Jacob hesitou por um segundo, e depois suspirou. ", voc est certo. Eu sei que isso est certo. Mas as vezes..."
"As vezes  uma idia intrigante".
Jacob pressionou o rosto no saco de dormir pra abafar os risos. "Exatamente", ele concordou eventualmente.
Que sonho estranho esse era. Eu me perguntei se era o vento insessante que estava me fazendo imaginar todos esses sussurros. S que o vento estava gritando mais
do que sussurrando...
"Como ? Perder ela?" Jacob perguntou depois de um momento quieto, e no havia nenhum trao de humor na sua voz repentinamente rouca.
"Quando voc pensou que tinha perdido ela pra sempre? Como voc... continuou?"
" muit difcil pra mim falar disso".
Jacob esperou.
"Houveram duas horas diferentes nas quais eu pensei nisso", Edward falou cada palavra um pouco mais devagar que o normal. "A primeira vez, quando eu pensei que podia
deixar ela... isso foi... quase suportvel. Porque eu pensei que ela esqueceria de mim e seria como se eu nunca tivesse tocado a vida dela. Por mais de seis meses
eu fui capaz de me manter longe, de manter a minha promessa de que no interferiria de novo. Estava chegando perto - eu estava lutando, mas eu sabia que no ia vencer;
eu teria que voltar... s pra checar ela. Pelo menos, isso era o que eu teria dito a mim mesmo. E se eu tivesse encontrado ela razoavelmente feliz... eu gosto de
pensar que teria sido capaz de ir embora de novo.
"Mas ela no estava feliz. E eu teria ficado. Foi assim que ela me convenceu a ficar com ela amanh,  claro. Voc estava se perguntando sobre isso antes, o que
poderia ter me motivado... porque ela estava se sentindo to desnecessariamente culpada por causa disso. Ela me lembrou do que eu fiz com ela quando fui embora -
o que ainda faz quando eu tenho que ir embora. Ela se sente horrvel por tocar no assunto, mas ela est certa. Eu nunca serei capaz de acertar as coisas, mas mesmo
assim eu nunca vou parar de tentar".
Jacob no respondeu por um momento, escutando a tempestade ou digerindo o que havia acabado de ouvir, eu no sabia qual dos dois.
"E a outra vez - quando voc pensou que ela estava morta?" Jacob sussurrou speramente.
"Sim", Edward respondeu a uma pergunta diferente. "Isso provavelmente vai parecer assim pra voc, no vai? Pela forma como voc nos persegue, voc pode no ser capaz
de v-la mais como Bella. Mas essa  que ela ser".
"No foi isso que eu perguntei".
Os braos de Jacob se flexionaram ao meu redor.
"Mas voc se foi porque no queria transform-la em uma sugadora de sangue. Voc quer que ela seja humana".
Edward falou lentamente. "Jacob, desde o segundo em que eu me dei conta de que amava ela, eu sabia que s haveriam quatro possibilidades. A primeira alternativa,
a melhor pra Bella, seria que ela no tivesse sentimentos to fortes por mim - e que ela me esquecesse e seguisse em frente. Eu teria aceitado isso, apesar de que
isso nunca mudaria a forma como eu me sinto. Voc pensa em mim como... uma pedra viva - dura e fria. Isso  verdade. Ns somos presos da forma como somos, e  muito
raro pra ns experimentar uma mudana de verdade. Quando isso acontece, como quando Bella entrou em minha vida,  uma mudana permanente. No h como voltar atrs...
"A segunda alternativa, a que eu havia escolhido originalmente, era ficar com ela durante a sua vida humana. Essa no era uma boa opo pra ela, desperdiar a sua
vida com algum que no podia ser to humano quanto ela, mas essa era a alternativa que eu podia aceitar com mais facilidade. Sabendo o tempo inteiro que, quando
ela morresse, eu encontraria uma forma de morrer tambm. Seis anos, sessenta anos - isso pareceria um tempo muito, muito curto pra mim... Mas depois ficou comprovado
que era perigoso demais pra ela viver em uma proximidade to grande com o meu mundo. Parecia que tudo o que podia dar errado, deu. Ou estava ao nosso lado... esperando
pra dar errado. Eu estava morrendo de medo de no conseguir aqueles sessenta anos se eu ficasse perto dela enquanto ela era humana.
"Ento, eu escolh a terceira opo. Que acabou sendo o pior erro que eu comet em minha longa vida, como voc sabe. Eu escolh tirar a mim mesmo do mundo dela,
esperando for-la a primeira alternativa. No deu certo, e isso quase matou a ns dois.
"O que eu tinha de sobra a no ser a quarta opo?  o que ela quer - pelo menos, ela acha que quer. Eu estive tentando atras-la, pra dar a ela tempo de encontrar
um motivo que a fizesse mudar de idia, mas ela  muito... teimosa. Voc sabe disso. Eu terei sorte se conseguir esticar isso por mais alguns meses."
"Ela tem horror a envelhecer, e o aniversrio dela  em Setembro..."
"Eu gosto da primeira opo", Jacob murmurou.
Edward no respondeu.
"Voc sabe exatamente o quanto eu odeio aceitar isso", Jacob sussurrou lentamente, "mas eu posso ver que voc ama ela... da sua maneira. Eu no posso mais discutir
com isso.
"Dito isso, eu no acho que voc devia desistir da primeira alternativa, ainda no. Eu acho que h uma chance muito boa de que ela ficaria bem. Depois de um tempo.
Sabe, se ela no tivesse pulado do penhasco em Maro... e se voc tivesse esperado mais seis meses at ver checar ela... Bem, voc podia ter encontrado ela razoavelmente
feliz. Eu tinha um plano de jogo".
Edward gargalhou. "Talvez ele tivesse dado certo. Foi um plano bem pensado".
"", Jake suspirou. "Mas... " de repente ela estava sussurrando to rpido que as palavras estavam se misturando, "me d um ano su- Edward. Eu realmente acho que
poderia faz-la feliz. Ela  teimosa, ningum sabe disso melhor do que eu, mas ela  capaz de se curar. Ela teria se curado antes. Ela ela poderia ser humana, com
Charlie e Rene, e ela poderia crescer, e ter filhos e... ser Bella.
"Voc ama ela o suficiente pra ver as vantagens do plano. Ela acha que voc  muito altrusta... voc  mesmo? Ser que voc pode considerar a idia de que eu sou
melhor pra ela do que voc?"
"Eu tenho considerado isso", Edward respondeu rapidamente. "De algumas formas, voc serviria mais pra ela do que qualqurr outro humano. Bella requer alguns cuidados,
e voc  forte o suficiente pra poder proteg-la de s mesma, e de tudo o que conspira contra ela. Voc j fez isso, e eu vou te dever por isso enquanto eu viver
- pra sempre - o que vier primeiro...
"Eu at perguntei a Alice se ela podia ver isso - ver se Bella estaria melhor com voc.
Ela no conseguiu,  claro. Ela no pode ver voc, e tambm, Bella est segura do seu curso, por enquanto".
"Mas eu no sou estpido o suficiente pra cometer o mesmo erro que eu comet antes, Jacob. Eu no vou tentar ela a seguir a primeira opo de novo. Enquanto ela
me quiser, eu estou aqui".
"E se ela decidisse que me queria?", Jacob desafiou. "Tudo bem,  difcil, eu te concedo isso".
"Eu a deixaria ir".
"Simplesmente assim?"
"No sentido de que eu jamais mostraria a ela o quo difcil isso seria pra mim, sim. Mas eu continuaria observando ela. Veja, Jacob, voc pode deixar ela algum dia.
Como Sam e Emily, voc no teria escolha. Eu estaria sempre esperando na reserva, esperando que isso acontecesse".
Jacob bufou baixinho. "Bem, voc foi muito mais honesto do que eu tinha o direito de esperar... Edward. Obrigado por me deixar entrar em sua cabea".
"Como eu disse, eu estou me sentindo estranhamente grato por sua presena na vida dela essa noite. Isso era o mnimo que eu podia fazer... Sabe, Jacob, se no fosse
pelo fato de sermos inimigos naturais e de que voc tambm est tentando roubar a razo da minha existncia, eu at podia gostar de voc".
"Talvez... se voc no fosse um vampiro nojento que est planejando sulgar a vida da garota que eu amo... bem, no, nem mesmo assim".
Edward gargalhou.
"Posso te perguntar uma coisa?", Edward perguntou.
"Porque voc precisa pedir?"
"Eu s posso ouvir se voc pensar nisso.  s uma histria que Bella pareceu relutante em me dizer no outro dia. Alguma coisa sobre uma terceira esposa...?"
"O que tem isso?"
Edward no respondeu, escutando a histria nos pensamentos de Jacob. Eu ouv seu assobio baixo na escurido.
"O que?", Jacob quis saber de novo.
" claro", Edward ferveu. " claro! Eu teria preferido se os seus ancies tivessem quardado essa histria pra s mesmos, Jacob"
"Voc no gosta que as sanguessugas esto sendo pintadas como os malvados?", Jacob zombou. "Sabe, eles so. Antes e agora".
"Eu no podia me importar menos com essa parte. Ser que voc no consegue adivinhar com qual personagem Bella se identifica?"
Jacob levou um minuto. "Oh. Ugh. A terceira esposa. Ok, eu entendo o seu ponto".
"Ela quer estar l na clareira. Pra fazer o pouco que ela puder, como ela o colocou." Ele suspirou. "Essa era a segunda razo pra que eu ficasse com ela amanh.
Ela  bastante inventiva quando quer alguma coisa".
"Sabe, aquele seu irmo militar deu a idia tanto quanto a histria".
"Nenhum dos lados pretendia nenhum mal", Edward dussurrou, agora promovendo a paz.
"E quando essa pequena trgua acaba?", Jacob perguntou. "Logo pela manh? Ou queremos esperar at depois que a luta acabar?"
Eles dois pausaram enquanto consideravam.
"Logo pela manh", eles sussurraram juntos, e depois riram baixinho.
"Durma bem, Jacob", Edward murmurou. "Aproveite o momento".
Tudo ficou silencioso de novo, e a tenda ficou quieta por alguns minutos. O vento parecia ter decidido que, afinal, no ia nos aplainar, e estava desistindo de lutar.
Edward gemeu suavemente. "Eu no estava falando to literalmente".
"Desculpe", Jacob sussurrou. "Voc podia ir embora, sabe - nos dar um pouco de privacidade".
"Voc gostaria que eu te ajudasse a dormir, Jacob?", Edward ofereceu.
"Voc podia tentar", Jacob disse, despreocupado. "Ia ser interessante ver quem ia desistir, no ia?"
"No me tente demais, lobo. A minha paciencia no  perfeita assim".
Jacob sussurrou uma risada. "Eu preferiria no me mover agora, se voc no se importa".
Edward comeou cantar pra s mesmo, mais alto do que o normal - tentando ignorar os pensamentos de Jacob, eu presum. Mas era a minha cano de ninar que ele estava
cantando, e, apesar do meu crescente disconforto com esse sonho sussurrado, eu mergulhei mais fundo na inconsciencia... em outros sonhos que faziam mais sentido.

22. Monstro
Quando eu acordei pela manh, estava muito claro - mesmo dentro da tenda, a luz do sol machucou os meus olhos. Jacob estava roncando levemente no meu ouvido, seus
braos ainda apertados ao meu redor.
Eu levantei a minha cabea do seu peito ferventemente quente e sent o penetrant frio sa manh na minha bochecha. Jacob suspirou em seu sono; seus braos se apertaram
inconscientemente.
Eu me contorc, incapaz de escapar do aperto dele, lutando pra levantar a minha cabea o suficiente pra ver...
Edward encontrou o meu olhar diretamente. O rosto dele estava calmo, mas a dor nos olhos dele era impossvel de esconder.
"Est mais quente a fora?", eu sussurrei.
"Sim. Eu no acho que o aquecedor ser necessrio hoje".
Eu tentei alcanar o zper, mas no consegu liberar os meus braos. Eu repuxei, lutando contra a fora inerte de Jacob. Jacob murmurou, ainda adormecido, os braos
dele se apertando de novo.
"Uma ajudinha?", eu ped baixinho.
Edward sorriu. "Voc queria que eu tirasse os braos dle completamente do caminho?"
"No, obrigada. S me solte. Eu vou sofrer uma hipertermia".
Edward baixou o zper do saco de dormir num movimento rpido, abrupto. Jacob caiu pra fora, o peito n dele batendo no cho gelado da tenda.
"Hey!", Ele reclamou, seus olhos se abrindo. Instintivamente, ele se afastou de frio, rolando em cima de mim. Eu asfixiei quanto o peso dele tirou meu flego.
E de repente o peso dele tinha desaparecido. Eu sent o impacto quando Jacob bateu contra as armaes da tenda e a tenda estremeceu.
O rosnado estava vindo de todos os lugares. Edward estava curvado na minha frente, e eu no conseguia ver o rosto dele, mas os rugidos estavam saindo raivosos do
peito dele. Jacob tambm estava meio curvado, seu corpo inteiro tremendo, enquanto rosnados escapavam por entre seus dentes apertados. Do lado de fora da tenda,
as rosnaduras viciosas de Seth Clearwater ecoavam nas rochas.
"Parem! Parem!", eu gritei, me arrastando estranhamente pra me colocar no meio deles dois.
O espao era to pequeno que eu nem precisei me esticar tanto pra colocar as minhas mos nos peitos dos dois. Edward passou a mo pela minha cintura, preparado pra
me tirar do caminho.
"Pare, agora", eu avisei ele.
Sob o meu toque, Jacob comeou a se acalmar. Os tremores diminuiram, mas os dentes dele ainda estavam expostos, os olhos dele furiosamente focados em Edward. Seth
continuou a rosnar, um fundo violento para o silncio repentino na tenda.
"Jacob?", eu chamei at que ele finalmente baixou seu olhar pra olhar pra mim. "Voc est machucado?"
" claro que no!", ele assobiou.
Eu me virei pra Edward. Ele estava olhando pra mim, a expresso dele estava dura e raivosa. "Isso no foi legal. Voc devia pedir desculpas".
Os olhos dele se arregalaram de nojo. "Voc deve estar brincando - ele estava te esmagando!"
"Porque voc derrubou ele no cho! Ele no fez aquilo de propsito, e ele no me machucou".
Edward rosnou, revoltado. Lentamente, ele levantou os olhos pra encarar Jacob com olhos hosts. "Minhas desculpas, cachorro".
"Nenhum dano causado", Jacob disse, um tom de escrnio na voz.
Ainda estava frio, apesar de no to frio quanto tinha estado. Eu cruzei os braos no peito.
"Aqui", Edward disse, calmo de novo. Ele pegou a pele no cho e passou ela por cima do meu casaco.
"Isso  de Jacob", eu me opus.
"Jacob tem um casaco de plos", Edward indicou.
"Eu vou usar o saco de dormir de novo, se vocs no se incomodam", Jacob ignorou ele, passando ao nosso redor e se enfiando no saco de novo. "Eu no estava completamente
pronto pra acordar. Essa no foi a melhor noite de sono que eu j tive".
"Foi idia sua", Edward disse impassivamente.
Jacob se curvou, os olhos j fechados. Ele bocejou. "Eu no disse que no foi a melhor noite que eu j passei. Eu s no consegu dormir muito. Eu pensei que Bella
no fosse calar a boca nunca"
Eu gem, imaginando o que teria sado da minha boca durante o sono. As possibilidades eram horripilantes.
"Eu estou feliz que voc tenha gostado", Edward murmurou.
Os olhos escuros de Jacob se abriram. "Voc no teve uma noite boa, ento?", ele perguntou, presumido.
"No foi a pior noite da minha vida".
"Chegou na lista das dez piores?" Jacob perguntou, perverso com a diverso.
"Possivelmente"
Jacob sorriu e fechou os olhos.
"Mas", Edward continuou. "se eu tivesse sido capaz de ficar no seu lugar na noite passada, isso no teria chegado na lista das dez melhores noites da minha vida.
Vai sonhando com isso".
Os olhos de Jacob se abriram brilhando. Ele se sentou rigidamente, seus ombros tensos.
"Sabe o que mais? Est lotado demais aqui".
"Eu no poderia concordar mais"
Eu acotovelei as costelas de Edward - provavelmente dando contuso a mim mesma.
"Acho que eu vou recuperar o meu sono depois, ento", Jacob fez uma cara. "De qualquer forma, eu preciso falar com Sam".
Ele rolou at ficar de joelhos e agarrou o zper da porta.
Uma dor se espalhou pela minha espinha e se espalhou pelo meu estmago enquanto eu me dava conta abruptamente de que esta podia ser a ltima vez que eu veria. Ele
ia voltar pra Sam, de volta pra lutar com uma horda de vampiros recm-nascidos sedentos por sangue.
"Jake, espere -" eu alcancei ele, minha mo deslizando pelo brao dele.
Ele puxou o brao antes que os meus dedos pudessem ter suporte.
"Por favor, Jake? Voc no vai ficar?"
"No"
A palavra era dura e fria. Eu sabia que o meu rosto demonstrava a dor, porque ele exalou e um meio sorriso suavisou a sua expresso.
"No se preocupe comigo, Bells. Eu vou ficar bem, como sempre fico", ele forou uma risada. "Alm do mais, voc acha que eu vou deixar Seth ir no meu lugar - se
diverti sozinho e ficar com toda a glria? T certo". Ele bufou.
"Tome cuidado -"
Ele saiu da tenda antes que eu pudesse terminar.
"D um tempo, Bella", eu ouv ele murmurar enquanto re-fechava o zper da porta.
Eu tentei ouvir o som de passos se afastando, mas tudo estava perfeitamente quieto.
No havia mais vento. Eu podia ouvir a cano matutina dos pssaros  distncia na montanha, e nada mais. Jacob se movia silenciosamente agora.
Eu me agarrei nos meus casacos, e me inclinei no ombros de Edward. Ns ficamos em silncio por algum tempo.
"Quanto tempo mais?", eu perguntei.
"Alice disse a Sam que devia sem em uma hora mais ou menos", Edward disse, suave e distante.
"Ns ficamos juntos. Acontea o que acontecer".
"Acontea o que acontecer", ele concordou, seus olhos apertados.
"Eu sei", eu disse. "Eu estou morrendo de medo por eles tambm".
"Eles sabem como se cuidar", Edward me assegurou, fazendo sua voz ficar propositadamente leve. "Eu s odeio estar perdendo a diverso".
De novo com a diverso. As minhas narinas inflaram.
Ele colocou o brao em cima dos meus ombros. "No se preocupe", ele urgiu, e a ele beijou a minha testa.
Como se houvesse algum jeito de evitar isso. "Claro, claro".
"Voc que que eu te distraia?" Ele respirou, correndo seus dedos frios na ma do meu rosto.
Eu estremec involuntariamente; a manh ainda estava congelante.
"Talvez agora no", ele mesmo respondeu, retirando a sua mo.
"Existem outras formas de me distrair".
"O que voc gostaria?"
"Voc podia me falar das suas dez melhores noites", eu suger. "Eu estou curiosa".
Ele riu. "Tente adivinhar".
Eu balancei a minha cabea. "Existem muitas noites das quais eu no sei. Um sculo delas".
"Eu vou facilitar pra voc. Todas as minhas melhores noite aconteceram desde que eu encontrei voc".
"Mesmo?"
"Sim, mesmo - e tambm, com uma margem bem grande".
Eu pensei por um minuto. "Eu s consigo pensar nas minhas", eu admit.
"Elas podem ser as mesmas", ele encorajou.
"Bem, houve a primeira noite. A noite que voc ficou".
"Sim, essa  uma das minhas tambm.  claro, voc estava inconsciente na minha parte favorita".
"Isso mesmo", eu lembrei. "Eu estava falando naquela noite tambm".
"Sim", ele concordou.
O meu rosto ficou quente de novo quando eu me perguntei o que eu poderia ter dito enquanto dormia nos braos de Jacob. Eu no conseguia me lembrar com o que eu havia
sonhado, ou se sequer eu havia sonhado, ento isso no ajudava.
"O que eu disse na noite passada?", eu sussurrei mais baixo do que antes.
Ele levantou os ombros ao invs de responder, e eu gem.
"Ruim assim?"
"Nada muito horrvel", ele suspirou.
"Por favor me diga".
"Em maioria voc disse o meu nome, como sempre".
"Isso no  ruim", eu concordei cautelosamente.
"Perto do final, no entanto, voc comeou a murmurar algumas bobagens sobre 'Jacob, meu Jacob", eu podia ouvir a dor, mesmo nos sussurros. "O seu Jacob gostou muito
disso".
Eu estiquei o meu pescoo, me inclinando pra alcanar a beira da mandbula dele com os meus lbios. Eu no podia olhar os olhos dele. Ele estava olhando para o teto
da tenda.
"Desculpa", eu murmurei. "Essa  s a forma como eu diferencio".
"Diferencia?"
"Entre o Dr. Jekyll e o Sr. Hide. Entre o Jacob que eu gosto e o que me tira do srio", eu expliquei.
"Isso faz sentido" Ele parecia mais malevel. "Me diga outra das suas noites favoritas".
"Voltar pra casa da Itlia".
Ele fez uma careta.
"Essa no  uma das suas?", eu me perguntei.
"No, na verdade, essa  uma das minhas, mas eu estou surpreso que esteja na sua lista. Voc no estava com a ridcula impresso que eu estava agindo por peso na
consciencia, e que eu ia fugir assim que as portas do avio se abrissem?"
"Sim", eu sorri. "Mas, mesmo assim, voc estava l"
Ele beijou meu cabelo. "Voc me ama mais do que eu mereo".
Eu r com a impossibilidade da idia. "A prxima seria a noite depois da Itlia", eu continuei.
"Sim, essa est na lista. Voc foi to engraada".
"Engraada?", eu me opus.
"Eu no tinha idia de que os seus sonhos eram to vvidos. Eu levei uma eternidade pra te convencer de que voc estava acordada".
"Eu ainda no tenho certeza", eu murmurei.
"Voc sempre pareceu mais com um sonho do que com a realidade. Me diga uma das suas agora. Eu adivinhei a sua primeira colocada?"
"No - essa seria ha duas noites atrs, quando voc finalmente aceitou casar comigo".
Eu fiz uma cara.
"Essa no est na sua lista?"
Eu pensei no jeito como ele tinha me beijado, na concesso que eu tinha ganho, e mudei de idia. "Sim... est. Com com reservas. Eu no entendo porque isso  to
importante pra voc. Voc j me tem pra sempre".
"Daqui a cem anos, quando voc tiver ganho perspectiva suficiente pra realmente apreciar a resposta, eu vou explicar pra voc"
"Eu vou te lembrar de explicar - daqui a cem anos".
"Voc est aquecida o suficiente?", ele perguntou de repente.
"Eu estou bem", eu assegurei ele. "Porque?"
Antes que ele pudesse responder, o silncio de fora da tenda foi partido por um rosnado ensurdecedor de dor. O som ricocheteou na face da montanha e encheu o ar
at que ele estava sendo propagado em todas as direes.
O rosnado invadiu a minha mente como um tornado, to estranho quanto familiar. Estranho porque eu nunca havia ouvido tal choro de tortura antes. Familiar porque
eu reconhec a voz imediatamente - eu reconhec o som e compreend o significado to perfeitamente como se ele tivesse sado de mim mesma. No fazia diferena se
Jake era humano ou no quando ele chorava. Eu no precisava de traduo.
Jacob estava perto. Jacob havia ouvido todas as palavras que havamos dito. Jacob estava em agonia.
O uivo foi sufocado com um estranho gargarejo, e depois tudo ficou quieto de novo.
Eu no ouv sua fuga silenciosa, mas eu podia sent-la - eu podia sentir a ausncia que eu havia imaginado erradamente que existisse antes, o espao vazio que ele
deixou pra trs.
"Porque o seu aquecedor passou dos limites", Edward respondeu rapidamente. "A trgua est acabada", ele acrescentou, to baixo que eu no podia ter realmente certeza
de que foi isso o que ele havia dito.
"Jacob estava escutando", eu sussurrei. No foi uma pergunta.
"Sim"
"Voc sabia"
"Sim".
Eu encarei o nada, vendo nada.
"Eu nunca promet que lutaria de forma justa", ele me lembrou baixinho. "E ele merecia saber".
Minha cabea caiu nas minhas mos.
"Voc est com raiva de mim?", ele perguntou.
"No de voc", eu sussurrei. "Eu estou horrorizada comigo"
"No se atormente", ele implorou.
"Sim", eu concordei acidamente. "Eu devia guardar as minhas energias pra atormentar Jacob um pouco mais. Eu ni ia querer deixar nenhuma parte dele intacta".
"Ele sabia o que estava fazendo".
"Voc acha que isso importa?" Eu estava piscando contra as lgrimas, e era fcil ouvir isso em minha voz. "Voc acha que eu me importo se ele foi ou no foi adequadamente
avisado? Eu estou machucando ele. Toda vez que eu me viro, eu estou machucando ele de novo". A minha voz estava ficando mais alta, mais histrica. "Eu sou uma pessoa
odiosa".
Ela passou seus braos com fora ao meu redor. "No, voc no ".
"Eu sou! O que h de errado comigo?", eu lutei contra os braos dele, e ele os deixou cair. "Eu tenho que ir encontr-lo".
"Bella, ele j est a minha de distncia, e est frio".
"Eu no me importo. Eu no posso simplesmente sentar aqui" Eu tirei o casaco de pele de Jacob, enfiei meus ps em minhas botas, e me arrastei rigidamente at a porta;
minhas pernas estavam dormentes. "Eu tenho que - eu tenho que..." Eu no sabia como terminar a frase, no sabia o que podia ser feito, mas eu abr o zper da porta
do mesmo jeito, e sa pela manh clara, glida.
Havia menos neve do que eu teria pensado, depois da fria da tempestade de ontem.
Provavelmente ela havia sido levada pelo vento e no derretida pelo sol que agora brilhava baixo no sudeste, cintilando na neve que faziam meus olhos no ajustados
demorarem a se acostumar e os fazia doer. O vento tinha um pouco a ver com isso, mas ele estava mortalmente calmo e se ficando lentamente mais de acordo com a estao
enquanto o sol se erguia mais.
Seth Clearwater estava encurvado num remendo de galhos secos embaixo da sombra de uma rvore, com a cabea nas patas. O pelo cor de areia dele era quase invisvel
contra os galhos, mas eu podia ver o reflexo da neve brilhante nos olhos dele. Ele estava me encarando com o que eu imaginei que fosse uma acusao.
Eu sabia que Edward estava me seguindo enquanto eu tropeava por entre as rvores. Eu no podia ouvir ele, mas o sol refletia na pele dele formando arco-ris que
danavam na minha frente. Ele no tentou me parar at que eu j estava ha vrios passos dentro das sombras da floresta.
A mo dele agarrou o meu pulso esquerdo. Ele ignorou quando eu tentei me libertar.
"Voc no pode ir atrs dele. Hoje no. J est quase na hora. E mais que tudo, voc se perder no ia ajudar ningum"
Eu torc meu pulso, puxando ele inutilmente.
"Eu lamento, Bella", ele sussurrou. "Eu lamento por ter feito isso".
"Voc no fez nada. A culpa  minha. Eu fiz isso. Eu fiz tudo errado. Eu podia ter... Quando ele... eu no devia ter... eu... eu... "Eu estava soluando.
"Bella, Bella".
Os braos dele se dobraram ao meu redor, e as minhas lgrimas molharam a camisa dele.
"Eu devia ter - dito a ele - eu devia - ter dito -" O que? O que poderia ter feito isso certo? "Ele no devia ter - descoberto isso assim"
"Voc quer que eu veja se eu consigo traz-lo de volta, pra voc poder falar com ele? Ainda h um pouco de tempo" Edward murmurou, agonia silenciada em sua voz.
Eu balancei a cabea no peito dele, com medo de ver o rosto dele.
"Fique na tenda. Eu volto logo".
Os braos dele desapareceram. Ele se foi to rapidamente que, no segundo que eu levei pra olhar pra cima, ele j tinha ido embora. Eu estava sozinha.
Um novo soluo se partiu no meu peito. Hoje eu estva magoando todo mundo. Havia alguma coisa que eu tocasse que no se estragasse?
Eu no sabia porque isso estava me atingindo com tanta fora agora. No era como se eu no soubesse o tempo todo que isso ia acontecer.
Mas Jacob nunca havia reagido to fortemente - perdido a sua forte super confiana e demonstrado a intensidade da sua dor. O som da agonia dele ainda me cortava,
em algum lugar no fundo do meu peito. Bem ao lado havia a outra dor. A dor por sentir dor por Jacob. Dor por magoar Edward tambm. Por no ser capaz de ver Jacob
ir embora com compostura, sabendo que essa era a coisa certa, o nico jeito.
Eu era egosta, eu machucava as pessoas. Eu torturava aqueles que eu amava.
Eu era como Cathy, como O Morro dos Ventos Uivantes, s que as minhas opes eram muito melhores do que as dela, nenhum deles era mau, nenhum deles era fraco. E
aqui estava eu, chorando por isso, sem fazer nada produtivo pra endireitar as coisas. Exatamente como Cathy.
Eu no podia que o que me machucava influenciasse mais nas minhas decises. Era um pouco tarde demais, mas eu tinha que fazer a coisa certa agora. Talvez isso j
estivesse acabado pra mim. Talvez Edward fosse capaz de trazer ele de volta. E a eu aceitaria isso e seguiria em frente com a minha vida. Edward nunca mais me veria
verter outra lgrima por Jacob Black. No haveriam mais lgrimas. Eu limper as ltimas delas com os meus dedos agora.
Mas se Edward voltasse com Jacob, isso era tudo. Eu ia dizer a ele pra ir embora e nunca mais voltar.
Porque isso era to difcil? To mais difcil do que dizer adeus aos meus outros amigos, a Angela, a Mike? Porque isso machucava? Isso no estava certo. Isso no
devia ter a capacidade de me machucar. Eu tinha o que eu queria. Eu no podia ter os dois, porque Jacob no podia ser s meu amigo. Estava na hora de desistir de
desejar isso. Quo ridicularmente gananciosa uma pessoa podia ser?
Eu tinha que superar esse pensamento irracional de que Jacob pertencia  minha vida. Ele no podia pertecer ao meu lado, no podia ser o meu Jacob, quando eu pertencia
a outra pessoa.
Eu caminhei de volta para a pequena clareira, meus ps se arrastando.
Quando eu entrei no espao aberto, piscando por causa da luz ofuscante, eu joguei um rpido olhar na direo de Seth - ele no havia se mexido da sua cama de gravetos
- e depois desviei o olhar, evitando os olhos dele.
Eu podia sentir que os meus cabelos estavam selvagens, enrrolado em aglomeraes, como as cobras de Medusa. Eu passei os meus dedos atravs deles, e desist rapidamente.
Afinal, quem se importava com como eu estava?
Eu peguei um cantil pendurado ao lado da porta da tenda e o balancei. Algo molhado fez barulho l dentro, ento eu desenrrosquei a tampa e dei um gole pra molhar
a minha boca com a gua gelada. Havia comida por perto em algum lugar, mas eu no estava com fome o suficiente pra procurar por ela. Eu comecei a vagar no pequeno
espao claro, sentindo os olhos de Seth em mim o tempo inteiro. Como eu no olhava pra ele, na minha cabea ele se tornou aquele garoto de novo, e no o lobo gigante.
Muito mais parecido com o Jacob mais novo.
Eu queria pedir que Seth latisse ou algo assim pra dar um sinal de que Jacob estava voltando, mas eu me imped. No importava se Jacob ia voltar. Podia ser mais
fcil se ele no voltasse. Eu queria ter alguma forma de ligar pra Edward.
Seth choramingou nesse momento, e ficou de p.
"O que ?", eu perguntei a ele, estupidamente.
Ele me ignorou, caminhando at a beira das rvores, e apontando o nariz na direo oeste. Ele comeou a choramingar.
"So os outros, Seth?", eu quis saber. "Na clareira?"
Ele olhou pra mim e ganiu suavemente uma vez, e a virou seu nariz de volta para o oeste, alerta. As orelhas dele caram pra trs, e ele choramingou de novo.
Porque eu era to boba? No que eu estava pensando, mandando Edward embora? E se Edward e Jacob se perdessem? E se Edward ecidisse se juntar  luta?
Um medo glido se apoderou do meu estmago. E se a angstia de Seth no tivesse nada a ver com a clareira, e o choro dele tivesse sido uma negao? E se Jacob e
Edward estivessem brigando um com o outro, longe na floresta?
Eles no iriam to longe, iriam?
Com uma certeza repentina, arrepiante, eu me dei conta de que eles iriam sim - se as palavras erradas tiverem sido ditas. Eu pensei na sensao de retraimento dessa
manh na tenda, e me perguntei se eu havia subestimado o quo perto eles chegaram de uma briga.
Se eu perdesse eles dois, isso no seria nada alm do que eu merecia.
O gelo travou no meu corao.
Antes que eu tivesse um colapso de medo, Seth rosnou um pouco, fundo dentro do peito, e se desviou das suas observaes e voltou para o seu lugar de descanso. Isso
me acalmou, mas me deixou irritada. Ser que ele no podia escrever uma mensagem na terra ou alguma coisa assim?
A caminhada estava me fazendo suar embaixo da minhas camadas. Eu joguei o meu casaco na tenda, e a eu voltei pra usar um pequeno lugar no centro de uma pequena
pausa entre as rvores.
De repente, Seth pulou pra ficar de p de novo, os pelos no pescoo dele estavam rigidamente em p. Eu olhei ao redor, mas no v nada. Se Seth no parasse com isso,
eu ia atirar uma pinha nele.
Ele rosnou, um som baixo de aviso, se arrastando de novo para o lado oeste, e eu repensei a minha impacincia.
"Somos s ns, Seth", Jacob disse  distncia.
Eu tentei explicar a minha mesma porque o meu corao entrou na quarta marcha quando eu ouvi ele. Eu s estava com medo do que teria que fazer agora, isso era tudo.
Eu no podia me permitir ficar aliviada porque ele estava de volta. Isso seria o oposto de uma ajuda.
Edward apareceu primeiro, seu rosto estava vazio e suave. Quando ele saiu do meio das rvores, o sol cintilou nele como fazia na neve. Seth foi saudar ele, olhando
intentamente nos olhos dele. Edward balanou a cabea lentamente, e preocupao fez a testa dele enrugar.
"Sim, isso  tudo o que precisamos", ele murmurou pra s mesmo antes de se dirigir para o grande lobo. "Eu suponho que no deveramos estar surpresos. Mas o timing
vai ser bem apertado. Por favor faa Sam pedir a Alice pra tentar acertar melhor os horrios".
Seth baixou a cabea uma vez, e eu desejei ser capaz de rosnar. Claro, agora ele podia balanar a cabea. Eu virei a minha cabea, aborrecida, e eu me dei conta
de que Jacob estava l.
Ele estava de costas pra mim, olhando pra o caminho de onde ele tinha vindo. Eu esperei cautelosamente que ele se virasse.
"Bella", Edward murmurou, repentinamente bem ao meu lado. Ele olhou pra baixo pra mim com nada alm de preocupao aparecendo em seus olhos. No havia fim para a
generosidade dele. Eu no o merecia mais agora do que sempre havia merecido.
"H uma pequena complicao", ele me disse, a voz dele cuidadosamente despreocupada. "Eu vou levar Seth em algumas direes pra entender isso. Eu no vou longe,
mas eu tambm no vou ouvir. Eu sei que voc no quer uma platia, no importa que caminho voc decida seguir".
Apenas no final a dor quebrou na voz dele.
Eu nunca ia machuc-lo de novo. Essa seria a misso da minha vida. Eu nunca seria a razo pra aquele olhar nos olhos dele novamente.
Eu estava triste demais pra pergunt-lo qual era o problema. Eu no precisava de mais nada no momento.
"Volte rpido", eu sussurrei.
Ele me beijou levemente nos lbios, e a desapareceu na floresta com Seth ao seu lado.
Jacob ainda estava nas sombras das rvores; eu no podia ver a expresso dele claramente.
"Eu estou com pressa, Bella", ele disse com uma voz inexpressiva. "Porque voc no acaba logo com isso?"
Eu engol, minha garganta estava seca de repente que eu no sabia se podia fazer algum som sair.
"S diga as palavras, e tudo est acabado".
Eu respirei fundo.
"Eu lamento por ser uma pessoa to podre", eu sussurrei. "Eu lamento por ter sido to egosta. Eu queria nunca ter te conhecido, pra no ter que te machucar do jeito
que eu fiz. Eu no farei mais isso, eu prometo. Eu vou ficar longe de voc. Eu vou me mudar do estado. Voc no vai mais ter que olhar pra mim de novo".
"Esse no  um pedido de desculpa muito bom", ele disse cidamente.
Eu no consegu fazer a minha voz ser mais alta que um cochicho. "Me diga como fazer isso certo".
"E se eu no quiser que voc v embora? E se eu preferisse que voc ficasse, egosta ou no? Ser que eu no tenho nenhuma palavra, j que voc est tentando acertas
as coisas comigo?"
"Isso no vai ajudar em nada, Jake. Foi errado ficar com voc quando voc queria coisas to diferentes. Isso no vai melhorar. Eu s vou continuar machucando voc.
Eu no quero mais te machucar. Eu odeio isso" Minha voz se partiu.
Ele suspirou. "Pare. Voc no precisa dizer mais nada. Eu entendo".
Eu queria dizer o quanto eu sentiria saudades dele, mas mord minha lngua. Isso tambm no ajudaria em nada.
Ele ficou quieto por um momento, olhando para o cho, e eu lutei contra a minha vontade de ir e passar os meus braos ao redor dele. De confortar ele.
E a a cabea dele se levantou.
"Bem, voc no  a nica capaz de se auto-sacrificar", ele disse, sua voz estava mais forte. "Nesse jogo dois podem jogar".
"O que?"
"Eu tenho me comportado muito mal ultimamente. Eu fiz isso ser muito mais difcil pra voc do que precisava ser. Eu podia ter desistido de boa vontade no incio.
Mas eu te machuquei tambm.
"Isso  minha culpa".
"Eu no vou deixar voc reclamar a culpa aqui, Bella. E nem a glria tambm. Eu sei como me redimir".
"Do que voc est falando?", eu quis saber. A luz repentina, frentica nos olhos dele me assustou.
Ele olhou para o sol e sorriu pra mim. "H uma luta bem sria prestes a acontecer aqui. Eu no acho que ser muito difcil tirar o meu time de cena".
As palavras dele mergulharam no meu crebro, vegarosamente, uma a uma, e eu no pude respirar. Apesar de todas as minhas intenes de cortar Jacob completamente
da minha vida, eu no tinha me dado conta, at esse momento, o quanto a faca teria que ser profunda pra isso.
"Oh, no, Jake! No, no, no, no", eu botei pra fora horrorizada. "No, Jake, no. Por favor, no" Os meus joelhos comearam a estremecer.
"Qual  a diferena, Bella? Isso s vai tornar as coisas mais convenientes pra todo mundo. Voc no vai ter que se mudar".
"No!" A minha voz ficou mais alta. "No, Jacob! Eu no vou deixar!"
"Como voc vai me parar?", ele escarneceu levemente, sorrindo pra tirar a pontada voz dele.
"Jacob, eu estou implorando. Fique comigo". Eu teria ficado de joelhos, se eu pudesse me mexer.
"Por quinze minutos enquanto perco uma boa rixa? Pra que voc possa fugir de mim assim que achar que eu estou a salvo? Voc deve estar brincando".
"Eu no vou fugir. Eu mudei de idia. Ns vamos conseguir dar um jeito, Jacob. Sempre h um compromisso. No v!"
"Voc est mentindo".
"No estou. Voc sabe que mentirosa horrvel eu sou. Olhe nos meus olhos. Eu fico se voc ficar".
O rosto dele endureceu. "E eu posso ser o seu padrinho de casamento?"
Levou um minuto antes que eu pudesse falar, e mesmo assim a nica resposta que eu pude dar pra ele foi, "Por favor".
"Foi isso o que eu pensei", ele disse, seu rosto ficando calmo de novo, mas havia uma luz turbulenta nos olhos dele.
"Eu te amo, Bella", ele murmurou.
"Eu amo voc, Jacob", eu sussurrei com a voz partida.
Ele sorriu. "Eu sei disso melhor que voc".
Ele se virou pra ir embora.
"Qualquer coisa', eu chamei ele com a voz estrangulada. "Qualquer coisa que voc quiser, Jacob. S no faa isso!"
Ela pausou, se virando lentamente.
"Voc no est realmente falando srio".
"Fique", eu implorei.
Ele balanou a cabea. "No, eu vou". Ele pausou, como se estivesse decidindo alguma coisa. "Mas eu podia deixar isso nas mos do destino".
"O que voc quer dizer?", eu botei pra fora?
"Voc no tem que fazer nada deliberadamente - eu podia simplesmente fazer o melhor pelo meu bando e deixar que o que tiver de acontecer, acontea". Ele levantou
os ombros. "Se voc me convencer de que realmente que eu volte - mais do que querer fazer uma coisa altrusta".
"Como?", eu perguntei.
"Voc podia me pedir", ele sugeriu.
"Volte", eu sussurrei. Como ele podia duvidar que eu estava falando srio?
Ele balanou a cabea, sorrindo de novo. "No  disso que eu estava falando".
Eu levei um segundo pra compreender o que ele estava falando, e todo o tempo ele estava olhado pra mim com aquela expresso superior - certo demais da minha reao.
Assim que a realizao bateu, no entanto, eu botei as palavras pra fora sem parar pra medir os custos.
"Jacob, voc me beija?"
Os olhos dele se arregalaram com surpresa, e a se estreitaram com surpresa. "Voc est blefando".
"Me beije, Jacob. Me beije, e depois volte".
Ele hesitou na sombra, cauteloso consigo mesmo. Ele meio que se virou de novo para o oeste, o torax dele se virando pra longe de mim enquanto os ps dele continuavam
plantados onde estavam. Ainda olhando pra longe, ele deu um passo incerto em minha direo, e depois outro. Ele virou o rosto pra olhar pra mim, os olhos dele estavam
duvidosos.
Eu encarei de volta. Eu no fazia de expresso que havia no meu rosto.
Jacob se virou nos calcanhares, e a se lanou pra frente, fechando a distncia que havia entre ns com trs passadas longas.
Eu sabia que ele ia tirar vantagem da situao. Eu esperava isso. Eu fiquei muito imvel - meus olhos fechados, meus dedos dobrados nos punhos aos lados do meu corpo
- enquanto ele segurava o meu rosto entre as mos e os lbios dele encontraram os meus com uma ansiedade que no estava distante da violncia.
Eu podia sentir a raiva dele enquanto a boca dele encontrava a minha resistncia passiva. Uma mo se moveu para a minha nuca, agarrando as razes do meu cabelo com
o seu punho. A outra mo agarrou o meu ombro com fora, me balanando, e depois me trazer pra ele. As mos dele continuaram a descer pelo meu brao, encontrando
o meu pulso e colocando o meu brao ao redor do pescoo dele. Eu o deixei l, minha mo ainda estava curvada no punho, incerta do quo longe eu iria no meu desespero
de mant-lo vivo.
Durante todo esse tempo, os lbios dele, desconcertamentemente macios e quentes, tentaram forar uma resposta aos meus.
Assim que ele teve certeza que eu no ia abaixar o brao, ele soltou o meu pulso, as mos dele indo em direo  minha cintura. A mo fervente dele encontrou a pele
das minhas costas, e ele me puxou pra frente, ajustando o meu corpo contra o dele.
Os lbios dele desistiram dos meus por um segundo, mas eu sabia que ele ainda no estava nem perto de acabar. A boca dele seguiu a linha da minha mandbula, e depois
explorou o meu pescoo. Ele soltou o meu cabelo, pegando o meu outro brao pra coloc-lo em cima do seu pescoo assim como o primeiro.
A os dois braos dele estavam na minha cintura, e os lbios dele encontraram a minha orelha.
"Voc consegue fazer melhor que isso, Bella", ele sussurrou speramente. "Voc est pensando demais".
Eu estremec quando os dentes dele morderam o lbulo da minha orelha.
"Isso mesmo", ele murmurou. "Pelo menos uma vez, deixe-se sentir o que voc sente".
Eu balancei a minha cabea mecanicamente at que uma das mos dele voltou para o meu cabelo e me parou.
A voz dele se tornou cida. "Voc tem certeza que quer que eu volte? Ouvoc realmente quer que eu morra?"
A raiva me fez balanar como se fosse um saco de areia depois de um soco forte. Isso foi demais - ele no estava lutando justo.
Os meus braos j estavam ao redor dele, ento eu agarrei uma mo cheia dos cabelos dele - ignorando a dor penetrante na minha mo direita - e lutei de volta, lutando
pra levar o meu rosto pra longe do dele.
E Jacob entendeu errado.
Ele era forte demais praa reconhecer que as minhas mos, tentando arrancar os cabelos dele das razes, tentavam caus-lo dor. Ao invs de raiva, ele imaginou paixo.
Ele pensou que eu estivesse correspondendo ele.
Com um movimento selavagem, ele trouxe sua boca de volta para a minha, os dedos dele se agarrando freneticamente  pele da minha cintura.
A onde de raiva desequilibrou o meu auto-controle tenaz; a resposta inesperada, esttica dele o subverteu inteiramente. Se houvesse apenas triunfo, eu teria resistido.
Mas a enorme alegria indefesa dele arrebentou a minha determinao, a incapacitou. O meu crebro se disconectou do meu corpo, e eu estava beijando ele de volta.
Contra todas as razes, os meus lbios estavam se movendo nos dele de formas estranhas, confusas, que nunca haviam se movimentado antes - porque eu no precisva
ser cuidadosa com Jacob, e ele certamente no estava sendo cuidadoso comigo.
Os meus dedos apertaram os cabelos dele, mas agora eu estava o trazendo mais pra perto.
Ele estava em todo lugar. A penetrante luz do sol deixou as minhas plpebras vermelhas, e a cor se ajustava, combinava com o calor. O calor estava em todo lugar.
Eu no podia ver ou ouvir ou sentir outra coisa que no fosse Jacob.
A pequena parte do meu crebro que retinha a sanidade gritava perguntas pra mim.
Porque eu no estava parando isso? Pior que isso, porque eu no podia encontrar em mim mesma nem o desejo de querer par-lo? O que significava eu no querer que
ele parasse? Que as minhas mos estavam agarrando os ombros dele, e que elas gostavam que eles fossem largos e fortes? Que as mos dele me puxassem com tanta fora
contra ele, e mesmo assim isso no era o suficiente pra mim?
As perguntas eram estpidas, porque eu sabia a resposta: eu estive mentindo pra mim mesma.
Jacob estava certo. Ele esteve certo o tempo inteiro. Ele era mais que s meu amigo. Era por isso que era to impossvel dizer adeus a ele - porque eu estava apaixonada
por ele. Tambm. Eu amava ele, muito mais do que eu deveria, e mesmo assim, no era nem de perto o suficiente. Eu estava apaixonada por ele, mas isso no era o suficiente
pra mudar tudo; s era o suficiente pra nos machucar ainda mais. Pra magoar mais do que eu j tinha feito.
Eu no me importava pra mais que isso - a dor dele. Eu merecia mais do que qualquer dor que isso causasse pra mim. Eu esperava que fosse ruim. Eu esperava que eu
realmente sofresse.
Nesse momento, parecia que ramos a mesma pessoa. A dor dele sempre foi e sempre seria a minha dor - agora a alegria dele era a minha alegria. Eu sentia alegria
tambm, e mesmo assim, a alegria dele de alguma forma tambm era dor. Quase tangvel - ela queimava na minha pele como cido, uma dor lenta.
Por um segundo breve, sem fim, um caminho interiamente diferente se expandiu atrs das plpebras dos meus olhos molhados de lgrimas. Como se eu estivesse olhando
pra algum compartimento dentro dos pensamentos de Jacob, eu podia ver exatamente as coisas das quais eu abriria mo, exatamente o que esse novo auto-conhecimento
no ia me salvar de perder. Eu podia ver Charlie e Rene misturados em uma estranha colagem com Billy e Sam e La Push. Eu podia ver os anos se passando, e significando
alguma coisa enquanto passavam, me mudando. Eu podia ver o enorme lobo marrom-avermelhado que eu amava, sempre protetor se eu precisasse dele. Pelo menor fragmento
desse segundo, eu v as cabeas saltitantes de duas crianas, de cabelos pretos, correndo pra longe de mim e pra dentro da floresta familiar. Quando eles desapareceram,
o resot da viso foi com eles.
E a, bem distintamente, eu sent uma fissura na linha do meu corao enquanto a parte menor se separava do resto.
Os lbios de Jacob ficaram imveis antes dos meus. Eu abr os meus olhos e ele estava olhando pra mim com maravilha e elao.
"Eu tenho que ir embora", ele sussurrou.
"No".
Ele sorriu, contente com a minha resposta. "Eu no vou demorar", ele prometeu. "Mas primeiro uma coisa..."
Ele se inclinou pra me beijar de novo, e no havia razo pra resistir. Qual seria a necessidade?
Dessa vez foi diferente. As mos dele estavam macias no meu rosto e os lbios dele eram gents, inesperadamente exitantes. Foi breve, e muito, muito doce.
Os braos dele se curvaram ao meu redor, e ele me abraou seguramente enquanto sussurrava no meu ouvido.
"Esse devia ter sido o nosso primeiro beijo. Antes tarde do que nunca".
Contra o peito dele, onde ele no podia ver, as lgrimas rolaram e se espalharam.

23- Deciso Repentina
Eu fiquei deitada com o rosto pra baixo no saco de dormir, esperando que a justia me encontrasse. Talvez uma avalanche me enterrasse aqui. Eu desejei que acontecesse.
Eu nunca mais queria ter que ver o meu rosto no espelho de novo.
No houve nenhum som pra me avisar. Do nada, as mos frias de Edward alisaram o meu cabelo embolado. Eu estremec de culpa embaixo do toque dele.
"Voc est bem?", ele murmurou, sua voz ansiosa.
"No. Eu quero morrer".
"Isso no vai acontecer nunca. Eu no vou permitir."
Eu gem e a sussurrei, "Voc pode mudar de idia sobre isso".
"Onde est Jacob?"
"Ele foi lutar", eu murmurei para o cho.
Jacob tinha deixado o acampamento alegremente - com um alegre "eu vou voltar" - correndo a galope para a clareira, j estremecendo enquanto ele se preparava pra
se transformar em seu outro ser. A essa altura o bando inteiro j sabia de tudo. Seth Clearwater, vagando do lado de fora da tenda, era uma testemunha ntima da
minha desgraa.
Edward ficou em silncio por um longo momento. "Oh", ele disse finalmente.
O tom da voz dele me deixou preocupada que a avalanche no estivesse chegando rpida o suficiente. Eu dei uma olhada para o rosto dele, e certamente, os olhos dele
estavam desfocados enquanto ele escutava uma coisa que eu preferia morrer a que ele ouvisse. Eu deixei meu rosto cair de volta no cho.
Eu fiquei aturdida quando Edward gargalhou relutantemente.
"E eu pensava que eu lutava sujo", ele disse com admirao invejosa. "Ele me faz parecer com os santo patrono dos ticos", a mo dele alisou a parte da minha bochecha
que estava exposta. "Eu no estou com raiva de voc, amor. Jacob  mais esperto do que eu tinha acreditado que ele fosse. No entanto, eu gostaria que voc no tivese
pedido".
"Edward", eu sussurrei atravs do nilon grosso. "Eu... eu... eu t -"
"Shh", ele me calou, os dedos dele calmantes na minha bochecha. "No foi isso que eu quis dizer.  s que ele teria te beijado de qualquer jeito - mesmo se voc
nop tivesse cado nessa - e agora eu no tenho desculpa pra quebrar a cara dele. Eu teria gostado disso tambm".
"Cado nessa?", eu murmurei quase incompreensvelmente.
"Bella, voc realmente acreditou que ele era nobre? Que ele sairia numa chama de glria s pra deixar o caminho livre pra mim?"
Eu levantei a minha cabea lentamente pra encontrar o olhar paciente dele. A expresso dele era suave, os olhos dele estavam cheios de compreenso, e no da repulsso
que eu merecia ver.
"Sim, eu acreditei nisso", eu murmurei, e depois desviei o olhar. Mas eu no sentia nenhuma raiva de Jacob por ter me enganado. No havia espao suficiente no meu
corpo pra conter mais nada alm da raiva que eu sentia de mim mesma.
Edward riu suavemente de novo. "Voc  uma pssima mentirosa, que voc acredita em qualquer um que tenha o mnimo de habilidade".
"Voc no est com raiva de mim?", eu sussurrei. "Porque voc no me odeia? Ou voc ainda no ouviu a histria inteira?"
"Eu acho que dei uma olhada bem compreensva", ele disse com uma voz leve, fcil. "Jacob faz imagens mentais vvidas. Eu quase me sinto to mal pelo bando dele quanto
eu me sinto por mim mesmo. O pobre Seth estava ficando nauseado. Mas agora Sam est fazendo Jacob se concentrar".
Eu fechei os meus olhos e balancei minha cabea agoniada. As fibras de nilon afiadas da tenda arranhavam a minha pele.
"Voc  apenas humana", ele sussurrou, alisando o meu cabelo de novo.
"Essa  a defesa mais miservel que eu j ouv".
"Mas voc  humana, Bella. E, por mais que eu queira que seja de outra forma, ele tambm ... Existem buracos na sua vida que eu no posso preencher. Eu compreendo
isso".
"Mas isso no  verdade.  isso que me faz sentir horrvel. No existem buracos".
"Voc ama ele", ele murmurou gentilmente.
Todas as clulas no meu corpo doam pra negar.
"Eu te amo mais", eu disse.
Isso era o melhor que eu podia fazer.
"Sim, eu sei disso tambm. Mas... quando eu deixei voc, Bella, eu te deixei sangrando. Foi Jacob que te costurou de novo. Isso tinha chance de deixar marcas - em
vocs dois. Eu no tenho certeza de que esse pontos se dissolvem sozinhos. Eu no posso te culpar por uma coisa que eu tornei necessria. Eu posso ganhar perdo,
mas isso no me deixa escapar das consequncias".
"Eu devia saber que voc ia encontrar alguma forma de culpar a s mesmo. Por favor, pare. Eu no aguento".
"O que voc gostaria que eu dissesse?"
"Eu quero que voc me chame de todos os nomes ruins em que conseguir pensar, em todas as lnguas que voc conhecer. Eu quero que voc me diga que est com nojo de
mim e que vai embora pra eu poder implorar e rastejar de joelhos pra que voc fique".
"Eu lamento", ele suspirou. "Eu no posso fazer isso".
"Pelo menos pare de tentar fazer com que eu me sinta melhor. Me deixe sofrer. Eu mereo".
"No", ele murmurou.
Eu balancei a cabea lentamente. "Voc est certo. Continue sendo compreensvo. Isso provavelmente  pior".
Ele ficou em silncio por um momento, e eu sent uma mudana na atmosfera, uma nova urgncia.
"Est chegando perto", eu declarei.
"Sim, mais alguns minutos agora. S tempo suficiente pra dizer mais uma coisa..."
Eu esperei. Quando ele finalmente falou de novo, ele estava cochichando. "Eu posso ser nobre, Bella. Eu no vou fazer voc escolher entre ns dois. S seja feliz,
e voc pode ter a parte de mim que voc quiser, ou nenhuma delas, se isso for o melhor. No deixe que nehum dbito que voc acha que tem comigo influenciar na sua
deciso".
Eu me empurrei do cho, me jogando nos meus joelhos.
"Droga, pare com isso!", eu gritei pra ele.
Os olhos dele se arregalaram de surpresa. "No - voc no entende. Eu no estou apenas tentando fazer voc se sentir melhor, Bella, eu estou falando srio".
"Eu sei que est", eu rosnei. "O que aconteceu com lutar de volta? No comece com o auto-sacrifcio nobre agora! Lute!"
"Como?", os olhos dele estavam envelhecidos de tristeza.
Eu me arrastei para o colo dele, jagando meus braos ao seu redor.
"Eu no me importo que seja frio aqui. Eu no me importo que eu esteja fedendo como um cachorro agora. Me faa esquecer o quanto eu sou horrvel. Me faa esquecer
ele. Me faa esquecer meu prprio nome. Lute de volta!"
Eu no esperei que ele decidesse - ou que tivesse a chance de dizer que no estava interessado em um monstro cruel, descrente como eu. Eu me empurrei contra ele
e esmaguei a minha boca em seus lbios frios como neve.
"Cuidado, amor", ele murmurou sob meu beijo urgente.
"No", eu rosnei.
Ele afastou o meu rosto gentilmente alguns centmetros. "Voc no tem que provar nada pra mim".
"Eu no estou tentando provar nada. Voc disse que eu podia ter a parte de voc que eu quisesse. Eu quero essa parte. Eu quero todas as partes" eu passei meu braos
pelo pescoo dele e me estiquei pra alcanar seus lbios. Ele abaixou a cabea pra me beijar de volta, mas a boca fria dele ficava mais hesitante enquanto a minha
impacincia ficava mais pronunciada. O meu corpo estava tornando as minhas intenes claras, me trando. Inevitavelmente, as mos dele se moveram pra me restringir.
"Talvez esse no seja o melhor momento pra isso", ele sugeriu, calmo demais pro meu gosto.
"Porque no?", eu rosnei. No havia nenhum ponto em lutar se ele ia ser racional; eu deixei meus braos carem.
"Primeiro, porque est frio". Ele se inclinou pra puxar o saco de dormir do cho; ele o passou ao meu redor como se fosse um cobertor.
"Errado", eu disse. "Primeiro, porque voc  bizarramente moral pra um vampiro".
Ele gargalhou. "Tudo bem, eu te dou essa. O frio  a segunda. E terceiro... bem, na verdade voc est fedendo, amor".
Ele torceu o nariz.
Eu suspirei.
"Quarto", ele murmurou, baixando o rosto at que ele estivesse sussurrando no meu ouvido. "Ns vamos tentar, Bella. Eu vou cumprir a minha promessa. Mas eu preferiria
muito que isso no fosse uma reao a Jacob Black".
Eu bajulei e escond meu rosto no ombro dele.
"E quinto..."
"Essa  uma lista bem longa", eu murmurei.
Ele riu. "Sim, mas voc queria iuvir a luta ou no?"
Enquanto ele falava, Seth uivou estridentemente fora da fora.
Meu corpo enrijeceu com o som. Eu no tinha me dado conta de que a minha mo esquerda tinha se curvado no punho, as unhas perfurando a minha mo com o curativo,
at que Edward a pegou e gentilmente acalmou os dedos.
"Tudo vai ficar bem, Bella", ele prometeu. "Ns temos habilidade, treinamento, e a surpresa ao nosso lado. Estar acabado muito em breve. Se eu no acreditasse nisso
verdadeiramente, eu no estaria aqui agora - e voc estaria aqui, acorrentada em uma dessas rvores ou algo ao longo dessas linhas".
"Alice  to pequena", eu gem.
Ele gargalhou. "Esse podia ser um problema... se fosse possvel algum agarrar ela."
Seth comeou a choramingar.
"O que h de errado?", eu quis saber.
"Ele s est com raiva por estar preso aqui conosco. Ele sabe que o bando o tirou da ao pra proteg-lo. Ele est salivando pra se juntar a eles".
Eu fiz uma careta na direo geral de Seth.
"Os recm-nascidos alcanaram o fim do rastro - funcionou como um feitio, Jasper  um gnio - e eles sentiram o cheiro dos que esto na clareira, ento, agora eles
esto se separando em dois grupos, assim como Alice disse", Edward murmurou, os olhos dele estavam focados em alguma coisa distante. "Sam est nos levando pra comear
a emboscada". Ele estava to atento no que estava ouvindo que usou o plural com o bando.
De repente ele olhou pra baixo pra mim. "Respire, Bella".
Eu lutei pra fazer o que ele pedia. Eu podia ouvir a respirao ofegante de Seth bem do lado de fora da parede da tenda, e eu tentei manter os meus pulmes no mesmo
passo uniforme, pra que eu no hiperventilasse.
"O primeiro grupo est na clareira. Ns podemos ouvir a luta".
Os meus dentes se prenderam uns aos outros.
Ele riu uma vez. "Ns conseguimos ouvir Emmett - ele est se divertindo".
Eu fiz eu mesma respirar fundo novamente com Seth.
"O segundo grupo est se preparando - eles no esto prestando ateno, eles ainda no nos ouviram".
Edward rosnou.
"O que foi?", eu ofeguei.
"Eles esto falando sobre voc" Os dentes dele se trincaram. "Eles devem ter certeza de que voc no vai escapar... Belo movimento, Leah! Mmm, ela  bem rpida",ele
murmurou aprovando. "Um dos recm-nascidos sentiu o nosso cheiro, e Leah o derrubou antes mesmo que ele pudesse se viram. Sam est ajudando ela a acabar com ele.
Paul e Jacob pegaram outro, mas agora os outros esto na defensiva. Eles no tm idia do que fazer conosco. Os dois lados esto se defendendo... no, deixe Sam
liderar. Fique fora do caminho.", ele murmurou. "Separe eles - no deixem que eles protejam as costas um do outro".
Seth choramingou.
"Isso  melhor, leve eles em direo  clareira", Edward aprovou. O corpo dele estava mudando de posio inconscientemente enquanto ele falava, se enrijecendo com
os movimentos que ele teria feito. As mos dele ainda seguravam as minhas; eu torc os meus dedos atravs dos dele. Pelo menos ele no estava l.
A breve ausncia de som foi o nico aviso.
A respirao pesada de Seth se cortou, e - como eu havia sincronizado a minha respirao com a dele - eu reparei.
Eu parei de respirar tambm - assustada demais at pra respirar quando eu me dei conta de que Edward havia se transformado em uma pedra de gelo ao meu lado.
Oh, no. No. No.
Quem havia pedido? Os deles ou os nossos? Meus, todos os meus. Qual era a minha perda?
To rapidamente que eu no tive exatamente certeza de como havia acontecido, eu estava de p e a tenda estava caindo em trapos rasgados aos meus ps. Edward havia
estraalhado pra tir-la do caminho? Porque?
Eu pisquei, chocada, para a luz brilhante. Seth era tudo o que eu podia ver, bem ao nosso lado, o rosto dele a apenas seis centmetros do de Edward. Eles olharam
um para o outro em absoluta concentrao por um segundo interminvel.
O sol cintilava na pele de Edward e fazia brilhos danarem no plo de Seth.
E a Edward sussurrou urgentemente. "Vai, Seth!"
O enorme lobo se virou e desapareceu nas sombras da floresta.
Ser que dois segundos inteiros haviam se passado? Pareciam ter sido horas. Eu estava aterrorizada a ponto de me sentir nauseada pelo conhecimento de que alguma
coisa tinha dado errado na clareira. Eu abri minha boca pra mandar que Edward me levasse at, e que o fizesse agora. Eles precisavam dele, precisavam de mim. Se
eu tivesse que sangrar pra salv-los, eu faria isso. Eu morreria por isso, como a terceira esposa fez. Eu no tinha uma adaga de prata na mo, mas eu daria um jeito
-
Antes que eu pudesse botar a primeira slaba pra fora, eu me sent como se estivesse sendo lanada no ar. Mas as mos de Edward nunca me soltaram - eu s estava
sendo movida, to rapidamente que eu estava com a sensao de que estava voando de lado.
Eu encontrei a mim mesma com as costas pressionadas contra a face do penhasco. Edward estava na minha frente, usando uma postura que eu reconhec imediatamente.
O alvio dominou a minha mente ao mesmo tempo que o meu estmago caiu at a sola dos meus ps.
Eu tinha entendido errado.
Alvio - nada tinha dado errado na clareira.
Horror - a crise era aqui.
Edward ficou numa posio defensiva - meio curvado, os braos dele um pouco estendidos - que eu reconhec com uma certeza doentia. A pedra nas minhas costas podia
ser uma parede de tijolos antiga da ruela Italiana onde ele havia ficado entre mim e os guerreiros Volturi com seus mantos pretos.
Alguma coisa estava vindo por ns.
"Quem?", eu sussurrei.
As palavras sairam por entre os dentes dele em um rosnado que era mais alto do que eu esperava. Alto demais. Isso significava que era tarde demais pra se esconder.
Ns estavamos encurralados, e no importava quem ouvisse a resposta dele.
"Victoria", ele disse, cuspido a palavra, fazendo com que ela fosse um xingamento.
"Ela no est sozinha. Ela sentiu o meu cheiro, seguindo os recm-nascidos pra assistir - ela nunca teve a inteno de lutar ao lado deles. Ela fez uma deciso repentina
de vir me encontrar, achando que voc estaria onde eu estivesse. Ela estava certa. Voc estava certa. Sempre foi Victoria".
Ela estava perto o suficiente pra que ele pudesse ouvir os seus pensamentos.
Alvio de novo. Se tivessem sido os Volturi, ns dois estaramos mortos. Mas Victoria no precisava ser ns dois. Edward podia sobreviver a isso. Ele era um bom
lutador, to bom quanto Jasper. Se ela no trouxesse muitos outros, ele podia lutar pra escapar, pra voltar pra sua famlia. Edward era mais rpido que qualquer
um. Ele podia conseguir.
Eu estava to feliz por ele ter mandado Seth embora.  claro, no havia ningum a quem Seth pudesse recorrer por ajuda. Victoria tomou a sua deciso com um timing
perfeito. Mas pelo menos Seth estava a salvo; eu no podia pensar no enorme lobo cor de areia enquanto pensava no nome dele - s o garotinho de quinze anos de idade.
O corpo de Edward mudou de posio - apenas minimamente, mas isso me disse pra onde olhar. Eu olhei para as sombras negras da floresta.
Era como ter os meus pesadelos vindo em minha direo pra me cumprimentar.
Dois vampiros entraram lentamente na pequena abertura do nosso campo, com os olhos atentos, sem perder nada. Eles reluziram como diamantes no sol.
Eu mal podia olhar para o garoto loiro - sim, ele era s um garoto, apesar de ser musculoso e alto, talvez ele tivesse a minha idade quando foi mudado. Os olhos
dele -do vermelho mais vvido que eu j havia visto - no conseguiram segurar os meus. Apesar dele ser o mais prximo de Edward, o perigo mais prximo, eu no consegu
olhar ele.
Porque, um metro ao lado e alguns centmetros mais atrs, Victoria estava me encarando.
O cabelo laranja dela era mais brilhante do que eu lembrava, mais parecido com uma chama. No havia vento aqui, mas o fogo ao redor do rosto dele se movia levemente,
como se estivesse vivo.
Os olhos dela estavam pretos de sede. Ela no estava sorrindo, como fazia sempre nos meus pesadelos - os lbios dela estavam pressionados em uma linha dura. Havia
uma qualidade felina na forma como ela curvava o seu corpo, uma leoa esperando por uma oportunidade de dar o bote. O seu olhar selvagem, indescansvel passava entre
Edward e eu, mas nunca parou nele por mais de meio segundo. Ela no conseguia manter os olhos dela longe do meu rosto por mais tempo do que eu conseguia manter os
meus longe do dela.
A tenso saia rolando dela, quase visvel no ar. Eu podia sentir o desejo, a paixo consumidora que a segurava em seus braos. Quase como se eu tambm pudesse ouvir
os pensamentos dela, eu sabia o que ela estava pensando.
Ela estava to prxima do que ela queria - o foco de toda a existncia dela por mais de um ano, agora estava to perto.
Minha morte.
O plano dela era to bvio como era prtico. O grande garoto loito atacaria Edward. Assim que Edward estivesse suficientemente distrado, Victoria acabaria comigo.
Seria rpido - ela no tinha tempo pra jogos aqui - mas seria completo. Uma coisa da qual seria impossvel se recuperar. Alguma coisa que nem o veneno dos vampiros
poderia reparar.
Ela teria que parar o meu corao. Talvez uma mo enfiada no meu peito, destruindo ele. Alguma coisa seguindo essas linhas.
O meu corao batia furiosamente, alto, como se fosse pra fazer o alvo ser mais bvio.
A uma imensa distncia ao longe, o uivo de um lobo ecoou no ar parado. Com Seth longe, no havia forma de interpretar o som.
O garoto loito olhou pra Victoria pelo canto dos olhos, esperando pelo comando dela.
Ele era jovem em mais maneiras que uma. Eu imaginei pelas ris rubras dele que ele no podia ser um vampiro a muito tempo. Ele seria forte, mas inapto. Edward saberia
como lutar com ele. Edward sobreviveria
Victoria apontou o queixo na direo de Edward, dando uma ordem silnciosa para o garoto ir em frente.
"Riley", Edward disse com uma voz suave, implorativa.
O garoto loiro congelou, seus olhos se arregalando.
"Ela est mentindo pra voc, Riley", Edward disse a ele. "Me oua. Ela mentiu pra voc assim como ela mentiu para os outros que agora esto morrendo na clareira.
Voc sabe que ela mentiu pra voc, que ela fez voc mentir pra eles, que nenhum de vocs dois ia ajudar eles. Ser que  to difcil de acreditar que ela tenha mentido
pra voc tambm?"
Confuso atravessou o rosto de Riley.
Edward mudou de posio alguns centmetros para o lado, e Riley automaticamente compensou a diferena mudando tambm de posio.
"Ela no ama voc, Riley", a voz suave de Edward era atraente, quase hipntica. "Ela nunca amou. Ela amou algum chamado James, e voc no passa de uma ferramenta
pra ela".
Quando ele disse o nome de James, Victoria colocou os dentes pra fora como se fosse uma careta. Os olhos dela permaneceram travados em mim.
Riley deu uma olhada frentica na direo dela.
"Riley?", Edward disse.
Riley se reconcentrou automaticamente em Edward.
"Ela sabe que eu vou te matar, Riley. Ela quer que voc morra pra que ela no tenha mais que continuar com o fingimento. Sim - voc j viu isso, no viu? Voc j
leu a relutncia nos olhos dela, suspeitou da nota falsa das promessas dela. Voc estava certo. Ela nunca te quis. Cada beijo, cada toque era uma mentira".
Edward se moveu de novo, indo alguns centmentros em direo ao garoto, alguns centmetros pra longe de mim.
Os olhos de Victoria se firmaram no espao entre ns. Levaria menos de um segundo pra me matar - ela precisava apenas damenor margem de oportunidade.
Mais lentamente dessa vez, Riley se reposicionou.
"Voc no precisa morrer", Edward prometeu, os olhos dele segurando os do garoto.
"Existem outras formas de se viver alm da que ela te mostrou. Nem tudo so sangue e mentiras, Riley. Voc pode ir embora agora mesmo. Voc no precisa morrer pelas
mentiras dela".
Edward deslizou o p para a frente e para o lado. Agora havia um p de distncia entre ns dois.
Riley circulou demais, compensando em excesso dessa vez. Victoria se inclinou para a frente no peito dos ps.
"ltima chance, Riley", Edward sussurrou.
O rosto de Riley estava desesperado enquanto ele olhava pra Victoria pra ter respostas.
"Ele  um mentiroso, Riley", Victoria disse, e minha boca se abriu com o choque por causa da voz dela. "Eu te falei sobre os truques com mentes deles. Voc sabe
que eu s amo voc".
A voz dela no era forte, selvagem, um rosnado felino que eu teria imaginado pelo seu rosto e posio. Ela era suave, era alta - um tilitar de beb, soprano. O tipo
de voz que vinha com cachos loiros e um chiclete cor de rosa. Ela no fazia nenhum sentindo sainda de seus dentes expostos, brilhantes.
A mandbula de Riley endureceu, e ele enquadrou os ombros. Os olhos dele esvaziaram - no havia mais confuso, no havia suspeita. No havia nenhum pensamento. E
ficou tenso pra atacar.
O corpo de Victoria parecia estar estremecendo, de to enrijecida que ela estava. Os dedos dela j eram garras, esperando que Edward se movesse apenas um centmetro
pra longe de mim.
O rugido no veio de nenhum deles.
Um mamute bronzeado vou pelo centro da abertura, jogando Riley no cho.
"No!", Victoria chorou, a voz de beb dela esganiou com a descrena.
A um metro e meio de mim, o enorme lobo despedaou e estraalhou o vampiro loiro embaixo dele. Alguma coisa branca e dura bateu nas pedras aos meu ps. Eu me encolh
pra longe dela.
Victoria no desperdiou um olhar com o garoto ao qual ela havia jurado amor. Os olhos dela ainda estavam em mim, cheios com um desapontamento to feroz que ela
parecia desarranjada.
"No", ela disse de novo, atravs de seus dentes, enquanto Edward comeou a se mover em direo a ela, bloqueando o caminho dela pra mim.
Riley j estava de p de novo, parecendo disforme e desfigurado, mas ele foi capaz de dar um chute violento no ombro de Seth. Eu ouv o osso quebrar. Seth se afastou
e comeou a andar em crculos, mancando.
Riley estava com os braos pra fora, preparado, apesar de aprecer que ele estava sem parte de uma mo...
A apenas alguns centmetros dessa luta, Edward e Victria estavam danando.
No exatamente circulando, porque Edward no estava permitindo que ela se posicionasse mais perto de mim. Ele moveu pra trs, se movendo de um lado pro outro, tentando
encontrar um buraco na defesa dele. Ele imitou o trabalho de ps dela levemente, perseguindo ela com uma concentrao perfeita. Ele comeou a se mexer s uma frao
de segundo antes que ela se mexesse, lendo as intenes nos pensamentos dela.
Seth se lanou em Riley pelo lado, e alguma coisa se rasgou com um horrvel som de algo guinchando. Outro pedao de algo grosso e pesado vou pra dentro da floresta
e caiu fazendo um som pesado. Riley rosnou furioso, e Seth pulou pra trs - incrivelmente leve com os ps pro tamanho dele - enquanto Riley tentava soc-lo com uma
mo mutilada.
Agora Victoria estava voando atravs dos troncos das rvores na beira mais distante da clareira. Ela estava dividida, os ps dela a guiando para a segurana enquanto
os olhos dela se ligavam aos meus como se eu fosse um im, atraindo ela. Eu podia ver o desejo de matar lutando com o seu instinto de sobrevivncia.
Edward tambm podia ver isso.
"No v, Victoria", ele murmurou naquele mesmo tom hipntico de antes. "Voc nunca ter outra chance como essa".
Ela mostrou os dentes e assobiou pra ele, mas ela pareceu incapaz de se mover pra mais longe de mim.
"Voc sempre pode fugir mais tarde", Edward ronronou. "Tem bastante tempo pra isso.  isso que voc faz, no ? Era por isso que James te mantinha por perto. til,
se voc gosta de jogar esses jogos mortais. Uma parceira com um misterioso instinto pra fugas. Ele no devia ter te deixado - ele podia ter usado as suas habilidades
quando ns o pegamos em Phoenix".
Um rosnado ricocheteou entre os dentes dela.
"No entanto, isso  tudo o que voc era pra ele. Que bobagem desperdiar tanta energia pra vingar uma pessoa que tinha menos afeio a voc do que um caador tem
por sua presa. Voc nunca foi nada alm de conveniente pra ele. Eu sei bem".
Os lbios de Edward se ergueram em um dos lados enquanto ele cutucava sua tmpora.
Com um grunhido estrangulado, Victoria saiu de dentro das rvores novamente, indo para o lado. Edward respondeu, e eles comearam a danar de novo.
Bem a, o pulso de Riley agarrou o flanco de Seth, e um ganido baixo escapou da garganta de Seth. Seth se afastou, os ombros dele se agitando como se ele estivesse
tentando sacudir a dor.
Por favor, queria implorar a Riley, mas eu no consegu encontrar os msculos pra fazer minha boca se abrir, pra empurrar o ar dos meus pulmes. Por favor, ele 
s uma criana!
Porque Seth no tinha fugido? Porque ele no fugia agora?
Riley estava fechando a distncia entre eles de novo, fazendo Seth ir em direo ao penhasco ao meu lado. De repente, Victoria estava interessada no destino do parceiro.
Eu podia v-la, pelo canto dos seus olhos, julgar a distncia entre Riley e eu.
Seth se lanou contra Riley, forando-o a ir pra trs de novo, e Victoria assobiou.
Seth j no estava mais mancando. Os crculos dele o levaram a apenas alguns centmetros de Edward; o rabo dele passou pelas costas de Edward, e os olhos de Victoria
se arregalaram.
"No, ele no vai me machucar", Edward disse, respondendo  pergunta na cabea de Victoria. Ele usou a distrao dela pra se aproximar mais. "Voc nos deu um inimigo
em comum. Voc nos tornou aliados".
Ela apertou os dentes, tentando se concentrar apenas em Edward.
"Olhe mais de perto, Victoria", ele murmurou, colocando limites  concentrao dela. "Ele realmente  to parecido com o monstro que James perseguiu na Sibria?"
Os olhos dela arregalaram, e a comearam a passar loucamente de Edward pra Seth pra mim, de novo e de novo.
"No  o mesmo?" ela rosnou com o seu soprano de menininha. "Impossvel!"
"Nada  impossvel", Edward murmurou, com a voz suave como veludo enquanto ele se movia mais um centmetro na direo dela. "Exceto o que voc quer. Voc num vai
tocar ela".
Ela balanou a cabea, rpido e bobamente, lutando contra as distraes, e tentou desviar ao redor dele, mas ele j estava no lugar pra bloquea-la assim que ela
pensou no plano. O rosto dela se contorceu de frustrao, e a ela se curvou ainda mais, uma leoa novamente, e veio pra a frente deliberadamente.
Victoria no era uam recm-nascida inexperiente, dirigida pelos instintos. Ela era letal. At eu podia reparar a diferena entre ela e Riley, e eu sabia que Seth
no duraria muito se ele estivesse lutando com essa vampira.
Edward se moveu tambm, enquanto eles se aproximavam um do outro, e era um leo contra uma leoa.
A dana aumentou de ritmo.
Era como Alice e Jasper na clareira, uma espiral turva de movimentos, s que essa dana no era coreografada com tanta perfeio. Sons agudos de algo se rachando
e quebrando ecoavam na face do penhasco toda vez que algum errava sua formao. Mas eles estavam se movendo rpido demais pra que eu pudesse ver quem estava cometendo
os erros...
Riley estava distrado com o ballet violento, seus olhos estavam ansiosos para a sua parceira. Seth atacou, arrancando outro pequeno pedao do vampiro. Riley berrou
e lanou um soco massivo com as costas da mo que pegou Seth em cheio no peito. O corpo enorme de Seth vou dez metros e se bateu na parede de rochas acima da minha
cabea com uma fora que pareceu balanar o pico inteiro. Eu ouv o ar escapar dos pulmes dele, e eu sa do caminho enquanto ele se soltou da rocha e colapsou no
cho a apenas alguns metros  minha frente.
O choro baixo escapou pelos dentes de Seth.
Fragmentos afiados de pedra cinza caram na minha cabea, arranhando a minha pele exposta. Uma estaca afiada de pedra rolou pelo meu brao direito e eu a peguei
em um reflexo.
Os meus dedos agarraram o longo fragmento enquanto os meus prprios instintos de sobrevivncia se manifestavam; j que no havia nenhum chance de voa, o meu corpo
- sem se preocupar com o quanto o gesto era ineficaz - se preparou pra lutar.
A adrenalina corria pelas minhas veias. Eu sabia que a tipia estava cortando a minha palma. Eu sabia que a minha mo quebrada estava protestando. Eu sabia disso,
mas no conseguia sentir a dor.
Atrs de Riley, tudo o que eu podia ver eram as chamas do cabelo de Victoria se contorcendo e um vulto branco. O aumento frequente dos sons metlicos de algo sendo
arrancado e torado, e os suspiros e os assobios chocados, deixavam bem claro que a dana estava se tornando mortal para algum.
Mas algum quem?
Riley se lanou em direo a mim, seus olhos vermelhos brilhavam de fria. Ele olhou para a montanha de plo cor de areia entre ns, e as mos dele - as mos mutiladas,
quebradas - se curvaram em garras. A boca dele se abriu, se arregalou, seus dentes brilhando, enquanto ele se preparava pra abrir a garganta de Seth.
Uma segunda onda de adrenalina me chutou como uma corrente eltrica, e de repente tudo ficou claro.
As duas lutas estavam prximas demais. Seth estava prestes a perder a dele, e eu no fazia idia de se Edward estava ganhando ou perdendo. Eles precisavam de ajuda.
Uma distrao. Alguma coisa pra d-los uma chance.
A minha mo segurou a pedra pontiaguda com tanta fora que o suporte na tipia se abriu.
Ser que eu era forte o suficiente? Ser que eu era corajosa o suficiente? Com quanta fora eu podia enfiar a pedra spera no meu corpo? Ser que isso compraria
tempo suficiente pra que Seth pudesse ficar de p novamente? Ser que ele se curaria rpido o suficiente pra fazer que o meu sacrifcio valesse a pena pra ele?
Eu passei a ponta do fragmento pelo meu brao, colocando o meu suter grosso pra expor a minha pele, e pressionei a ponta afiada na ponta do meu cotovelo. Eu j
tinha longa cicatriz l pelo meu ltimo aniversrio.
Naquela noite, o meu sangue fluindo foi um chamariz para a ateno de todos os vampiros, pra faz-los congelar no lugar por um instante. Eu rezei pra que funcionasse
de novo. Eu me concentrei e respirei fundo.
Victoria se distraiu com o som da minha respirao. Os olhos dela, ficando parados por uma pequeno poro de seguindo, encontraram os meus. Fria e curiosidade se
misturaram estranhamente na expresso dela.
Eu no tinha certeza de como eu havia ouvido o barulho com os outros barulhos ecoando nas rochas e batendo na minha cabea. As prprias batidas do meu corao deviam
ser suficientes pra abaf-lo. Mas na frao de segundo que eu olhei nos olhos de Victoria, eu pensei ter ouvido um suspiro famliar, exasperado.
Nesse mesmo segundo curto, a dana se separou violentamente. Tudo aconteceu to rapidamente que j tinha terminado antes que eu pudesse acompanhar as sequncias
dos fatos. Eu tentei atualizar na minha cabea.
Victoria havia voando pra fora da formao turva e se chocou numa rvore alta, a cerca de meio tronco rvore  cima. Ela caiu de volta na terra e j se posicionou
de novo pra saltar.
Simultaneamente, Edward - simplesmente invisvel com a velocidade - havia se virado de costas e pegou o brao de Riley, que estava desprevinido. Parecia que Edward
tinha plantado o p nas costas de Riley, e o levantou -
O pequeno acampamento se encheu com o grito penetrante de agonia de Riley.
Ao mesmo tempo, Seth ficou de p, cortando a maior parte da minha vista.
Mas eu ainda podia ver Victoria. E apesar de que ela parecia estranhamente deformada - como se ela tivesse sido incapaz de se refazer completamente - eu podia ver
o sorriso com o qual eu estive sonhando se abrir no rosto dela.
Ela se curvou e saltou.
Alguma coisa pequena e branca assobiou no ar e se colidiu com ela no meio do ar. O impacto pareceu com um exploso, e atirou ela contra outra rvore - mas essa se
partiu no meio. Ela j caiu de p, curvada e pronta, mas Edward j estava no lugar.
O meu corao se encheu de alvio quando eu v que ele estava ereto e perfeito.
Victoria chutou alguma coisa pra o lado com um movimento do seu p - o mssil que havia detido o seu ataque. Ele rolou em minha direo, e eu v o meu era.
O meu estmago revirou.
Os dedos ainda estavam se mexendo; agarrando tufos de grama, o brao de Riley comeou a se arrastar sozinho pelo cho.
Seth estava circulando Riley de novo, e agora Riley estava se afastando. Ele se afastou do ataque do lobisomem que se aproximava, o rosto dele estava rgido de dor.
Ele ergueu seu nico brao defensivamente.
Seth avanou pra Riley, e o vampiro caiu sem equilbrio. Eu v Seth enfiar seus dentes no ombro de Riley e arranc-lo, pulando pra trs de novo.
Com um som metlico de algo se partindo, Riley perdeu seu outro brao.
Seth balanou a cabea, atirando o brao para a floresta. O barulho de um assobio partido que saiu pelos dentes de Seth parecia uma risada.
Riley gritou num rogo de tortura. "Victoria!"
Victoria nem vacilou com o som do nome dela. Os olhos dela no olharam na direo do parceiro nem uma vez.
Seth se lanou para a frente com a fora de uma bola de canho. A fora do ataque lanou Seth e Riley pra dentro das rvores, onde o som metlico de rasges se igualou
aos gritos de Riley. Gritos que foram cortados abruptamente, enquanto o som de uma pedra sendo feita em pedaos continuou.
Apesar de no ter gastado nenhum olhar de despedida com Riley, Victoria pareceu ter se dado conta de que estava sozinha. Ela comeou a se afastar de Edward, um desapontamento
frentico brilhando em seus olhos. Ele me jogou outro curto, agoniado, olhar de desejo, e a comeou a se afastar mais rapidamente.
"No", Edward sussurrou, a voz dele sedutora. "Fique s um pouco mais".
Ela se virou e vou para o refgio da floresta como se fosse uma flecha lanada de um arco.
Mas Edward foi mais rpido - uma bala de revlver.
Ele pegou as costas desprotegidas dela na beira das rvore e, com um ltimo, simples passo, a dana estava acabada.
A boca de Edward alisou o pescoo dela uma vez, como uma carcia. Os gritos produzidos pelos esforas de Seth cobriram todos os outros barulhos, ento, no houve
nenhum som discernvel que tornasse aquela uma imagem de violncia. El podia estar beijando ela.
E a a confuso gnea de cabelos j no estava mais conectada com o resto do corpo. As ondas laranjas inquietas caram no cho, e saltitaram uma vez antes de sarem
rolando em direo s rvores.

24. Espelho
Eu forcei os meus olhos - que estavam congelados e arregalados com o choque - a se moverem pra que eu no pudesse examinar to de perto o objeto oval que foi arrancado
da raiz com os seu cabelos tremulo e gneo.
Edward estava em movimento de novo. Rpido e friamente profissional, ele desmembrou o cadver sem cabea.
Eu no podia ir at ele - eu no conseguia fazer os meus ps responderem; eles estavam travados  pedra embaixo deles. Mas eu estudei a ao a cada minuto, procurando
por qualquer evidncia de que ele tivesse sido machucado. O meu corao diminuiu a um ritmo mais saudvel quando eu no encontrei nada. Ele estava to leve e gracioso
como sempre. Eu no podia nem sequer ver um rasgo nas roupas dele.
Ele no olhou pra mim - onde eu estava grudada  parede do penhasco, horrorizada - enquanto ele empilhava os membros trmulos e os cobria com gravetos secos.Ele
ainda no encontrou o meu olhar chocado enquanto ele se embranhou na floresta procurando por Seth.
Eu no tive tempo pra me recuperar antes que ele e Seth estivessem de volta, Edward com os braos cheios de Riley. Seth estava carregando um volume grande - o trax
- em sua boca. Eles adicionaram seu fardo  pilha, e Edward puxou um tringulo prateado do seu bolso. Ele abriu o isqueiro a gs e segurou a chama na madeira seca.
Ela acendeu imediatamente; lnguas longas de fogo laranja lamberam rapidamente a pilha.
"Pegue todos os pedaos", Edward disse numa voz baixa pra Seth.
Juntos, o vampiro e o lobisomem vasculharam o local, ocasionalmente atirando pedaos pequenos de caroos brancos de pedra nas chamas. Seth manuseou os pedaos com
seus dentes. O meu crebro no estava funcionando bem o suficiente pra entender porque ele no mudava de volta pra uma forma com mos.
Edward manteve seus olhos no trabalho.
E a eles tinham acabado, e a pilha granda estava mandando uma grossa fumaa asfixiante em direo ao cu.
A fumaa grossa se curvava lentamente, parecendo ser mais slida do que devia; ela tinha cheiro de incenso queimando, e o cheiro era desconfortvel. Ele era pesado,
muito forte.
Seth fez aquele som de risada de novo, no fundo do seu peito.
Um sorriso de abriu no rosto tenso de Edward.
Edward esticou o brao, e curvou a mo no punho. Seth deu um sorriso, revelando a long fileira de dentes afiados, e bateu o seu nariz na mo de Edward.
"Belo trabalho em equipe", Edward murmurou.
Seth tossiu uma risada.
A Edward respirou fundo, e se virou lentamente pra me olhar.
Eu no entend a expresso dele. Os olhos dele estavam cautelosos como se eu fosse outro inimigo - mais que cautelosos, eles estavam com medo. E mesmo assim, ele
no demonstrou medo nenhum quando enfrentou Victoria e Riley... A minha mente estava travada, to pasma e intil quanto o meu corpo. Eu encarei ele, desnorteada.
"Bella, amor", ele disse no tom mais suave, caminhando em minha direo com lentido exagerada, as mos dele estavam pra cima, com as palmas viradas pra frente.
Ofuscada como eu estava, isso me lembrou estranhamente de um suspeito se proximando do policial, mostrando que ele no estava armado...
"Bella, voc pode soltar a pedra, por favor? Cuidadosamente. No se machuque".
Eu tinha esquecido da minha arma crua, apesar de ter me dado conta de que eu estava segurando ela com tanta fora que a minha mo estava gritando em protesto. Ser
que ela estava re-quebrada? Dessa vez Carlisle com certeza ia colocar um gesso.
Edward hesitou a alguns metros de mim, as mos dele ainda no ar, os olhos dele ainda amedrontados.
Eu levei alguns segundos pra lembrar de como os meus dedos funcionavam. A a rocha resvalou no cho, enquanto a minha mo ficou congelada na mesma posio.
Edward relaxou um pouco quando as minhas mos estavam vazias, mas no se aproximou mais.
"Voc no precisa ter medo, Bella", Edward murmurou. "Voc est a salvo. Eu no vou te machucar".
Essa promessa sem sentido s me confundiu ainda mais. Eu encarei ele como uma imbecil, tentando entender.
"Tudo vai ficar bem, Bella. Eu sei que voc est amedrontada agora, mas est acabado. Ningum vai te machucar. Eu no vou te tocar. Eu no vou te machucar", ele
disse de novo.
Meus olhos piscaram furiosamente, e eu encontrei minha voz. "Porque voc fica dizendo isso?"
Eu dei um passo instvel em direo a ele, e ele se inclinou pra longe do meu avano.
"O que h de errado?", eu sussurrei. "O que voc quer dizer?"
"Voc est..." de repente seus olhos dourados estavam to confusos quanto eu me sentia. "Voc no est com medo de mim?"
"Medo de voc? Porque?"
Eu dei outro passo pra frente, e a tropecei em alguma coisa - provavelmente meus prprios ps. Edward me pegou, e eu enterrei meu rosto no peito dele e comecei
a soluar.
"Bella, Bella, eu lamento. Est acabado, est acabado".
"Eu estou bem", eu ofeguei. "Eu estou bem. Eu s estou. Enlouquecendo. Me d. Um minuto."
Os braos dele se apertaram ao meu redor. "Eu lamento", ele murmurou, de novo e de novo.
Eu me apertei a ele at que eu pudesse respirar, a a eu estava beijando ele - seu peito, seu ombro, seu pescoo - todas as partes dele que eu conseguia alcanar.
Lentamente, o meu crebro comeou a funcionar de novo.
"Voc est bem?", eu quis saber entre os beijos. "Ela te machucou?"
"Eu estou absolutamente bem", ele prometeu, enterrando o rosto no meu cabelo.
"Seth?'
Edward gargalhou. "Mais que bem. Muito feliz consigo mesmo, na verdade".
"Os outros? Alice, Esme? Os lobos?"
"Todos bem. Est acabado l tambm. Foi tudo to calmo quanto eu te promet. Ns ficamos com o pior aqui".
Eu me deixei absolver isso por um momento, deixei isso afundar e se ajustar na minha cabea.
Minha famlia e meus amigos estavam a salvo. Victoria nunca mais viria atrs de mim. Estava acabado.
Ns todos amos ficar bem.
Mas eu no conseguia aceitar completamente as boas notcias enquanto estava to confusa.
"Me diga", eu insist. "Porque voc achou que eu estaria com medo de voc?"
"Eu lamento", ele disse, se desculpando mais uma vez - pelo qu? Eu no fazia idia.
"Lamento tanto. Eu no queria que voc visse aquilo. Que me visse daquele jeito. Eu sei que eu devo ter te deixado aterrorizada".
Eu tive que pensar nisso por um minuto, sobre a forma hesitante com a qual ele havia se aproximado de mim, com as mos pro ar. Como se eu fosse sair correndo se
ele se aproximasse rpido demais...
"Srio?", eu perguntei finalmente. "Voc... o que? Pensou que tinha me assustado?" Eu bufei. Bufar era bom; a voz no podia tremer e nem falhar enquanto voc bufava.
Eu parec impressionantemente despreocupada.
Ele colocou a mo embaixo do meu queixo e colocou a minha cabea pra trs pra ler o meu rosto.
"Bella, eu s -" ele hesitou e a forou as palavras a sairem - "Eu acabei de arrancar a cabea e desmembrar uma criatura viva a menos de vinte metros de voc. Isso
no incomoda voc?"
Ele fez uma careta pra mim.
Eu levantei os ombros. Levantar os ombros era bom tambm. Bem blas. "Na verdade no. Eu s estava com medo de que voc e Seth pudessem se machucar. Eu queria ajudar,
mas no havia muito que eu pudesse fazer..."
A expresso repentinamente lvida dele fez a minha voz desaparecer.
"Sim", ele disse, seu tom entrecortado. "Sua pequena perfomance com a pedra. Voc sabia que por pouco no me deu um ataque do corao? E isso no  a coisa mais
fcil de se fazer".
O seu olhar furioso fez com que fosse difcil responder.
"Eu queria ajudar... Seth estava machucado..."
"Seth s estava fingindo que estava machucado, Bella. Era um truque. E a voc...!" Ele balanou a cabea, incapaz de terminar. "Seth no podia ver o que voc estava
fazendo, ento eu tive que intervir. Agora Seth est um pouco aborrecido porque agora no pode dizer que foi uma batalha solo"
"Seth estava... fingindo?"
Edward balanou a cabea duramente.
"Oh."
Ns dois olhamos pra Seth, que estava nos ignorando de propsito, observando as chamas. Presuno radiava de todos os fios do plo dele.
"Bem, eu no sabia disso", eu disse, agora na ofensiva. "No  fcil ser a nica pessoa indefesa por perto. Espere at que eu seja uma vampira! Da prxima vez eu
no vou ficar sentada nos cantos".
Uma dzia de emoes passou pelo rosto dele e ele acabou ficando divertido. "Da prxima vez? Voc est antecipando outra guerra em breve?"
"Com a minha sorte? Quem sabe?"
Ele revirou os olhos, mas eu podia ver que ele estava voando - o alvio estava fazendo com ns dois ficssemos com as cabeas leves. Estava acabado.
Ou... estava?
"Espere. Voc no disse alguma coisa antes - ?" Eu vacilei, lembrando exatamente o que havia acontecido antes - o que eu ia dizer pra Jacob? Meu corao rachado
correu pra uma batida dolorosa, incmoda. Era difcil de acreditar, quase impossvel, mas a parte mais difcil desse dia no estava atrs de mim - e a eu continuei.
"Sobre uma complicao? E Alice tendo que ajustar os horrios pra Sam? Voc disse que seria apertado. O que ia ser apertado?"
Os olhos de Edward voltaram pra Seth, e eles trocaram um olhar carregado.
"Bem?", eu perguntei.
"No  nada, de verdade", Edward disse rapidamente. "Mas ns precisamos ir..."
Ele comeou a posicionar nas costas dele, mas eu enrijec e me afastei.
"Defina nada".
Edwardpegou meu rosto entre suas palmas. "Ns s temos um minuto, ento no entre em pnico, tudo bem? Eu te disse que no haviam motivos pra ter medo. Confie em
mim, por favor?"
Eu balancei a cabea, tentando esconder o horror repentino - quo mais eu podia aguentar antes de ter um colapso? "No h motivo pra ter medo. Entend"
Ele torceu os lbios por um segundo, decidindo o que dizer. E a ele olhou abruptamente pra Seth, como se o lobo tivesse chamado por ele.
"O que ela est fazendo?" Edward perguntou.
Seth choramingou; era um som ansioso, inquieto.
Ele fez os cabelos da minha nuca se arrepiarem.
Tudo ficou em um silncio de morte por um segundo sem fim.
E a Edward ficou sem flego. "No!" e uma das mos dele vou como se fosse pra pegar alguma coisa que eu no podia ver. ""No -!"
Um espasmo balanou o corpo de Seth, e um uivo, empolado de agonia, escapou dos seus pulmes.
Edward caiu de joelhos nesse exato momento, agarrando os lados da cabea dele com as duas mos, o rosto dele contorcido de dor.
Eu gritei uma vez com um terror desnorteado, e ca de joelhos ao lado dele. Estupidamente, eu tentei puxar as mos dele do seu rosto; as minhas palmas, brilhando
de suor, escorregavam da pele de mrmore dele.
"Edward! Edward!"
Os olhos dele se focaram em mim; com um esforo bvio, ele separou seus dentes trincados.
"Est tudo bem. Ns vamos ficar bem.  -" Ele parou e gemeu de novo.
"O que est acontecendo?" eu chorei enquanto Seth uivou angustiado.
"Ns estamos bem. Ns vamos ficar bem", Edward resfolegou. "Sam - ajude ele -"
E eu me dei conta nesse instante, quando ele disse o nome de Sam, que ele no estava falando de s mesmo e de Seth. Nenhuma fora desconhecda estava atacando eles.
Dessa vez, a crise no era aqui.
Ele estava usando o plural do bando.
Eu havia me queimado com tada a minha adrenalina. J no restava nada mais de mim. Eu ca, e Edward me pegou antes que eu pudesse atingir as rochas. Ele ficou de
p, comigo em seus braos.
"Seth!" Edward gritou.
Seth estava curvado, ainda tenso de agonia, parecendo que estava se preparando pra se lanar floresta  dentro.
"No!" Edward ordenou. "Voc vai direto pra casa. Agora. O mais rpido que voc puder!"
Seth choramingou, balanando a cabea de um lado pro outro.
"Seth. Confie em mim".
O enorme lobo olhou pra os olhos agoniados de Edward por um longo segundo, e a ele se endireitou e vou para as rvores, desaparecendo como um fantasma.
Edward me apertou com fora contra o seu peito, e a ns tambm estvamos correndo pela floresta sombria, tomando um caminho diferente do do lobo.
"Edward", eu forcei a sair pela minha garganta bloqueada. "O que aconteceu, Edward? O que aconteceu com Sam? Onde estamos indo? O que est acontecendo?"
"Ns temos que voltar para a clareira", ele me disse com uma voz baixa. "Ns sabamos que havia uma boa probabilidade disso acontecer. Mais cedo essa manh, Alice
viu isso e passou de Sam pra Seth. Os Volturi decidiram que era hora de interceder".
Os Volturi.
Era demais. A minha mente se recusava a entender o sentido das palavras, fingia que eu no conseguia entender.
As rvores passavam voando por ns. Ele estava correndo abaixo to rpido que eu sentia como se estivssemos levitando, perdendo o controle.
"No entre em pnico. Eles no esto vindo por ns.  s o contingente normal da guarda que geralmente limpa esse tipo de baguna. Nada importante, eles s esto
fazendo seu trabalho.  claro, eles parecem ter planejado o timing de sua chegada muito cuidadosamente. O que me leva a acreditar que ningum na Itlia teria sentido
muito se um desses recm-nascidos tivessem redizido o tamanho da famlia Cullen" As palavras sairam entre os dentes dele, duras e inexpressvas. "Eu vou saber com
certeza o que eles estavam pensando quando eles chegarem na clareira".
" por isso que estamos voltando?", eu sussurrei. Ser que eu podia lidar com isso? Imagens de robes flutuantes se grudaram na minha cabea contra a minha vontade,
e eu me separei delas. Eu estava perto do ponto final.
" parte da razo. Em grande parte, ser mais seguro se ns apresentarmos uma frente unida a esse ponto. Eles no tem motivos pra nos atacar, mas... Jane est com
eles. Se ela soubesse que estvamos em algum lugar, longe dos outros, isso podia tentar ela. Como Victoria, Jane provavelmente vai adivinhar que eu estou com voc.
Demetri,  claro, est com ela. Ele podia me encontrar, se Jane pedisse isso a ele".
Eu no queria pensar nesse nome. Eu no queria queria ver aquele rosto impressionantemente primoroso, infantil, na minha cabea. Um som estranho saiu da minha garganta.
"Shh, Bella, shh. Vai ficar tudo bem. Alice consegue ver isso".
Alice podia ver? Mas... ento onde estavam os lobos? Onde estava o bando?
"O bando?"
"Eles tiveram que ir embora rapidamente. Os Volturi no honram trguas com lobisomens".
Eu ouv a minha respirao ficar mais alta, mas eu no consegu control-la. Eu comecei a asfixiar.
"Eu juro que eles ficaro bem", Edward me prometeu. "Os Volturi no reconhecero o cheiro - eles no se daro conta de que os lobos esto aqui; essa no  uma espcie
com a qual eles esto familiarizados. O bando ficar bem".
Eu no consegu processar a explicao dele. A minha concentrao estava aos trapos por causa do medo. Ns vamos ficar bem, ele havia dito antes... e Seth, uivando
de agonia... Edward tinha evitado a minha primeira pergunta, me distraiu com os Volturi...
Eu estava muito prxima do limite - me segurando com as pontas dos dedos.
As rvores estavam passando por ele como um vulto ao redor dele, como gua de jade.
"O que aconteceu?", eu sussurrei de novo. "Antes. Quando Seth estava uivando? Quando voc estava machucado?"
Edward hesitou.
"Edward! Me diga!"
"Est tudo acabado", ele sussurrou. Eu mal conseguia ouvir ele com todo o vento que a velocidade dele criava. "Os lobos no contaram a metade deles... eles acharam
que j haviam destrudo todos.  claro, Alice no pde ver..."
"O que aconteceu?!"
"Um dos recm-nascidos estava se escondendo... Leah encontrou ele - ela estava sendo estpida, convencida, tentando provar alguma coisa. Ela cercou ele sozinha..."
"Leah", eu repet, e eu estava fraca demais pra me sentir envergonhada pelo alvio que tomou conta de mim. "Ela vai ficar bem?"
"Leah no se machucou", Edward murmurou.
Eu encarei ele por um longo segundo.
Sam - ajude ele - Edward tinha ofegado. Ele, no ela.
"Estamos quase l", Edward disse, e ele olhou para um ponto fixo no cu.
Automaticamente, os meus olhos seguiram os dele. Havia uma nuvem escura roxa pairando baixa acima das rvores. Mas estava to anormalmente ensolarado... No, no
uma nuvem - eu reconhec a coluna grossa de fumaa, assim como aquela no nosso acampamento.
"Edward, eu disse, minha voz quase inaudvel. "Edward, algum se machucou".
Eu tinha ouvido a agonia de Seth, visto a tortura no rosto de Edward.
"Sim", ele sussurrou.
"Quem?", eu perguntei, apesar,  claro, de que eu j sabia a resposta.
 claro que eu sabia.  claro.
As rvores estavam ficando mais lentas ao nosso redor enquanto nos aproximavamos do nosso destino.
Ele levou um longo momento pra responder.
"Jacob", ele disse.
Eu fui capaz de balanar a cabea uma vez.
" claro", eu sussurrei.
E a eu escorreguei do limite ao qual eu estava me segurando dentro da minha cabea.
Tudo ficou preto.
Primeiro eu fiquei consciente das mos frias me tocando. Mais do que um par de mos. Braos me segurando, uma palma curvada pra levantar a minha bochecha, dedos
alisando a minha testa, e mais dedos pressionados levemente na minha cintura.
A eu tive consciencia das vozes. No incio elas s estavam cochichando, e a elas aumentaram de volume e clareza, como se algum estivesse aumentando um rdio.
"Carlisle - j se passaram cinco minutos" A voz de Edward, ansiosa.
"Ela vai acordar quando estiver pronta, Edward", a voz de Carlisle, sempre calma e segura. "Ela teve que lidar com muitas coisas hoje. Deixe que ela proteja sua
mente por s s".
Mas a minha mente no estava protegida. Eu estava presa no conhecimento que no havia me deixado, mesmo na inconscincia - a dor que era parte da escurido.
E me sent totalmente desconectada do meu corpo. Como se eu estivesse aprisionada a alguma outra parte do meu crebro, que j no estava sob controle. Mas eu no
podia fazer nada em relao a isso. Eu no conseguia pensar. A agonia era forte demais pra isso. No havia como escapar dela.
Jacob.
Jacob.
No, no, no, no, no...
"Alice, quanto tempo ns temos?" Edward quis saber, a voz dele ainda estava tensa; as palavras tranquilizadoras de Carlisle no haviam ajudado.
De mais distante, a voz de Alice. Era um chispado brilhante. "Mais cinco minutos. E Bella vai abrir os olhos em trinta e sete segundos. Eu no duvidaria que ela
estivesse nos ouvindo agora".
"Bella, querida?" Essa era a voz suave, reconfortante de Esme. "Voc consegue me ouvir? Voc est a salvo agora querida".
Sim, eu estava a salvo. Isso realmente importava?
A haviam lbios frios no meu ouvido, e Edward estava falando as palavras que me permitiram escapar da tortura que havia me prisionado dentro da minha prpria cabea.
"Ele vai sobreviver, Bella. Jacob Black est se curando enquanto eu falo. Ele ficar bem".
Enquanto a dor e o medo se acalmavam, eu encontrei meu caminho de volta para o meu corpo. As minhas plpebras levitaram.
"Oh, Bella", Edward suspirou aliviado, e os lbios dele tocaram os meus.
"Edward", eu sussurrei.
"Sim, eu estou aqui".
Eu fiz minhas plpebras se abrirem, e eu olhei para o dourado clido.
"Jacob est bem?", eu perguntei.
"Sim", ele prometeu.
Eu procurei em seus olhos algum sinal de que ele estava tentando me acalmar, mas eles estavam perfeitamente claros.
"Eu mesmo o examinei", Carlisle falou; eu virei minha cabea pra encontrar o rosto dele, apenas alguns centmetros distante. A expresso de Carlisle estava sria
e tranquilizadora ao mesmo tempo. Duvidar dele era impossvel. "A vida dele no correr nenhum risco. Ele estava se curando a uma velocidade incrvel, apesar de que
os ferimentos dele serem extensos o suficiente pra que ele leve alguns dias pra estar de volta ao normal, mesmo se a velocidade de sua cura for estabilizada. Assim
que acabarmos aqui, eu vou ver o que posso fazer por ele. Sam est tentando fazer com que ele volte a sua forma humana. Isso far com que seja mais fcil trat-lo"
Carlisle sorriu um pouco. "Eu nunca estive na escola de veterinria".
"O que aconteceu com ele?", eu sussurrei. "Os ferimentos foram muito ruins?"
O rosto de Carlisle estava srio de novo. "Outro lobo estava com problemas -"
"Leah", eu respirei.
"Sim. Ele tirou ela do caminho, mas no teve tempo de defender a s mesmo. O recm-nascido passou os braos ao redor dele. A maioria dos ossos de seus lado direito
foram quebrados".
Eu vacilei.
"Sam e Paul chegaram l a tempo. Ele j estava melhorando quando eles o levaram de volta para La Push".
"Ele vai voltar ao normal?", eu perguntei.
"Sim, Bella. Ele no ter nenhum dano permanente".
Eu respirei fundo.
"Trs minutos", Alice disse baixinho.
Eu lutei, tentando ficar na vertical. Edward se deu conta do que eu estava tentando fazer e me ajudou a ficar de p.
Eu olhei para a cena  minha frente.
Os Cullen estavam em um semi-crculo frouxo ao redor de uma fogueira. J era difcil ver alguma chama, apenas a fumaa grossa, de um roxo escuro. Se espalhando como
uma doena contra a grama brilhante. Jasper era o que estava mais perto da nvoa de aparncia slida, em sua sombra, a pele dele no brilhava no sol tanto quanto
a pele dos outros brilhava. Ele estava de costas pra mim, os ombros dele estavam tensos, seus braos um pouco estendidos. Havia mais alguma coisa, na sombra dele.
Alguma coisa sobre a qual ele estava se curvando com cautelosa intensidade...
Eu estava entorpecida demais pra sentir mais do que um choque moderado quando eu me dei conta do que era.
Haviam oito vampiros na clareira.
A garota estava curvada em uma pequena bola ao lado das chamas, seus braos estavam ao redor de suas pernas. Ela era muito jovem. Mais jovem que eu - ela parecia
ter talvez quinze anos, tinha cabelos escuros e ralos. Os olhos dela estavam focados em mim, e as ris eram de um vermelho chocante, brilhante. Muito mais brilhantes
que os de Riley, quase cintilantes. Eles se moviam selvagemente, fora de controle.
Edward viu a minha expresso desnorteada.
"Ela se rendeu", ele me disse baixinho. "Isso  uma coisa que eu nunca v antes. Apenas Carlisle pensou em oferecer. Jasper no aprova".
Eu no podia retirar os meus olhos da cena ao lado fogo. Jasper estava esfregando ausentemente seu antebrao.
"Jasper est bem?", eu sussurrei.
"Ele est bem. O veneno coa".
"Ele foi mordido?", eu perguntei, horrorizada.
"Ele estava tentando estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Na verdade, ele estava tentando tentando certeza de que Alice no tivesse nada pra fazer". Edward
balanou a cabea. "Alice no precisa da ajuda de ningum".
Alice fez uma careta na direo do seu verdadeiro amor. "Bobo super-protetor".
A jovem fmea jogou a cabea pra trs de repente como um animal e lamentou ruidosamente.
Jasper rosnou pra ela e ela se afastou, mas os dedos dela se enterraram no cho como se fossem garras e a cabea dela balanava pra frente e pra trs, agustiada.
Jasper deu um passo em direo a ela, se curvando ainda mais. Edward se moveu com uma casualidade excedida, virando seu corpo at que ele estava entre a garota e
eu. Eu dei uma espiada ao redor do brao dele pra observar a garota e Jasper.
Carlisle estava ao de Jasper em um instante. Ele colocou uma mo restringente no brao de seu filho mais recente.
"Voc mudou de idia, minha jovem?" Carlisle perguntou, calmo como sempre. "Ns no queremos destruir voc, mas se voc no se controlar, ns iremos".
"Como vocs conseguem aguentar isso?" a garota rosnou numa voz alta, clara. "Eu quero ela". As ris escarlates brilhantes se focaram em Edward, atravs dele, alm
dele pra mim, e as unhas dela se enterraram no solo duro novamente.
"Voc deve aguentar" Carlis disse gravemente pra ela. "Voc precisa exercitar o controle.  possvel, e  a nica coisa que te salvar agora."
A garota agarrou a cabea com as mos sujas de terra, gemendo baixo.
"No devamos nos distanciar dela?", eu sussurrei, me agarrando ao brao de Edward.
Os lbios da garota se ergueram sobre seus dentes quando ela ouviu a minha, a expresso dela estava atormentada.
"Ns temos que ficar aqui", Edward murmurou. "Eles esto vindo pelo lado Norte da clareira nesse momento".
O meu corao comeou a saltar enquanto eu vasculhava a clareira, mas eu no conseguia ver nada alm da nuvem grossa de fumaa.
Depois de um segundo de procura infrutfera, o meu olhar voltou para a jovem fmea vampira. Ela ainda estava olhando pra mim, seus olhos meio-loucos.
Eu encontrei o olhar da garota por um longo momento. Um cabelo escuro na altura do queixo emoldurava o rosto dela, que era plido cor de alabstro. Era difcil dizer
se as feies dela eram bonitas, contorcida como elas estavam de raiva e de sede. Seus olhos vermelhos ferinos eram dominantes - era difcil desviar o olhar. Ela
me olhou furiosamente, estremecendo e se estorcendo a cada segundo.
Eu encarei ela, hipnotizada, me perguntando se eu estaria olhando pra um espelho de mim mesma no futuro.
A Carlisle e Jasper comearam a voltar para o resto de ns. Emmett, Rosalie, e Esme, todos se convergiram apressadamente ao redor de onde Edward estava com Alice
e eu. Uma frente unida, como Edward havia dito, comigo no corao, no lugar mais seguro.
Eu desviei a minha ateno da garota selvagem para procurar pelos monstros que se aproximavam.
No havia nada pra ver. Eu olhei pra Edward, e os olhos dele estava travados diretamente  frente. Eu tentei seguir o olhar dele, mas no havia nada alm da fumaa
- uma fumaa densa, oleosa, se torcendo baixo no cho, se erguendo preguiosamente, ondulando sobre a grama.
Ela se ondulava para a frente, mais escura no meio.
"Hmm", uma voz morta murmurou da nvoa. Eu reconhec aquela apatia imediatamente.
"Bem-vinda, Jane", o tom de Edward era friamente corts.
As formas escuras se aproximaram, se separando da nvoa, se solidificando. Eu sabia que seria Jane na frente - o manto mais escuro, quase preto, e a menor figura
por quase meio metro.
Eu mal podia ver as feies angelicais de Jane por causa das sombras do capuz.
As quatro figuras vestidas de cinza que vieram atrs dela tambm eram um tanto familiares. Eu tinha certeza de que reconhecia o maior, e enquanto eu encarava, tentando
confirmar as minhas suspeitas, Felix olhou pra cima. Ele deixou seu capuz cair um pouco pra trs pra que eu visse ele piscando e sorrindo pra mim. Edward estava
muito imvel ao meu lado, muito controlado.
O olhar de Jane se moveu lentamente entre os rostos luminosos dos Cullen e tocou a garota recm-nascida ao lado da fogueira; a garota recm-nascida colocou as mos
na cabea de novo.
"Eu no compreendo", a voz de Jane estava sem tom, mas no to desinteressada quanto antes.
"Ela se rendeu", Edward explicou, respondendo  confuso na cabea dela.
Os olhos escuros de Jane passaram para o rosto dele. "Se rendeu?"
Felix e outra sombra trocaram um rpido olhar.
Edward levantou os ombros. "Carlisle deu-a a opo".
"No existem opes para aqueles que quebram as regras", Jane disse inexpressivamente.
Carlisle falou a, a voz dele moderada. "Isso est em suas mos. Enquanto ela estava disposta a cessar o seu ataque sobre ns, eu no v nenhuma necessidade de destru-la.
Ela nunca foi ensinada".
"Isso  irrelevante", Jane insistiu.
"Como voc quiser".
Jane olhou pra Carlisle consternada. Ela balanou a cabea minimamente, e a recomps suas feies.
"Aro esperava que fssemos chegar o suficiente a oeste pra vermos voc, Carlisle. Ele manda suas saudaes".
Carlisle balanou a cabea. "Eu apreciaria se voc mandasse as minhas pra ele".
" claro", Jane sorriu. O rosto dela era quase adorvel demais quando ela estava animada. Ela voltou em direo  fumaa. "Parece que vocs fizeram o nosso trabalho
por nos hoje... em grande parte" Os olhos dela passaram para a refm. "S por curiosidade profissional, quantos eles eram? Eles deixaram um despertar de destruio
em Seattle".
"Dezoito, incluindo essa", Carlisle respondeu.
Os olhos de Jane se arregalaram, e ela olhou para o fogo de novo, parecendo medir novamente o tamanho dele. Felix e a outra sombra trocaram um olhar mais demorado.
"Dezoito?", ela repetiu, a voz dela soou incerta pela primeira vez.
"Todos novos", Carlisle disse disperssadamente. "Eles no tinham habilidade".
"Todos?", a voz dela ficou spera. "Ento quem era o criador deles?"
"O nome dela era Victoria" Edward respondeu, nenhuma emoo em sua voz.
"Era?", Jane perguntou.
Edward inclinou sua cabea em direo  floresta mais ao leste. Os olhos de Jane levantaram e se focaram em alguma coisa  distncia. A outra pilastra de fumaa?
Eu no desviei o olhar pra checar.
Jane olhou pra o leste por um longo momento, e a examinou a fogueira mais prxima novamente.
"Essa Victoria - ela separada desses dezoito aqui?"
"Sim. So havia mais um com ela. Ele no era to novo quanto esses aqui, mas no tinha mais de um ano".
"Vinte", Jane respirou. "Quem lidou com o criador deles?"
"Fui eu", Edward disse a ela.
Os olhos de Jane se estreitaram, e ela se virou para a garota ao lado da fogueira.
"Voc a", ela disse, sua voz morta estava mais spera do que antes. "Seu nome".
A garota recm-nascida deu um olhar pra Jane, os lbios dela pressionados com fora.
Jane sorriu de volta angelicalmente.
O grito de resposta da garota recm-nascida era muito estridente; o corpo dela se arqueou rigidamente em uma posio distorcida, desnatural. Eu desviei o olhar,
lutando com a vontade de cobriu meus ouvidos. Eu trinquei os meus dentes, esperando controlar o meu estmago. O grito se intensificou. Eu tentei me concentrar no
rosto de Edward, calmo e sem emoo, mas isso me fez lembrar de quando era Edward quem estava sob o olhar torturante de Jane, e eu me sent pior. Ao invs disso,
eu olhei pra Alice, e Esme ao lado dela. Os rostos delas estavam to vazios quanto o dele.
Finalmente, houve silncio.
"Seu nome", Jane disse de novo, sua voz inflexvel.
"Bree", a garota resfolegou.
Jane sorriu, a garota gritou de novo. Eu segurei a respirao at que o som da agonia dela parou.
"Ela te dir tudo o que voc quiser saber" Edward disse atravs de seus dentes. "Voc no precisa fazer isso".
Jane olhou pra cima, de repente havia humor em seus olhos geralmente mortos. "Oh, eu sei", ela disse pra Edward, sorrindo maliciosamente pra ele antes de se virar
de volta para a jovem vampira, Bree.
"Bree", Jane disse, sua voz fria de novo. "Essa histria  verdade? Haviam vinte dos seus?"
A garota estava cada arquejando, o lado de seu rosto estava pressionado contra a terra. Ela falou rapidamente. "Dezenove ou vinte, talvez mais, eu no sei!" Ela
vacilou, aterrorizada que a ignorncia dela pudesse trazer outra rodada de tortura. "Sara e um outro que eu no sei o nome se meteram em uma briga no caminho..."
"E essa Victoria - ela criou vocs?"
"Eu no sei", ela disse, se arqueando de novo. "Riley nunca disse o nome dela. Naquela noite eu no v... estava to escuro, e doeu... "Bree estremeceu. "Ele no
queria que fssemos capazes de pensar nela. Ele disse que os nossos pensamentos no eram seguros..."
Os olhos de Jane olharam pra Edward, e depois de volta para a garota.
Victoria havia planejado isso bem. Se ela no tivesse seguido Edward, nunca haveria uma forma de saber que ela tinha estado envolvida...
"Me fale sobre Riley", Jane disse. "Porque ele te trouxe aqui?"
"Riley nos disse que ns tnhamos que destruir os estranhos de olhar amarelos aqui" Bree tagarelou rapidamente e com vontade. "Ele disse que seria fcil. Ele disse
que essa cidade era deles, e que eles estavam vindo pra nos pegar. Ele disse que quando eles tivessem ido embora, todo o sangue seria nosso. Ele nos deu o cheiro
dela" Bree levantou uma mo e apontou um dedo em minha direo. "Ele disse que ns saberamos quando tivssemos encontrado o grupo certo, porque ela estaria com
eles. Ele disse que quem quer que a encontrasse primeiro, podia ficar com ela".
Eu ouv a mandbula de Edward se flexionar ao meu lado.
"Parece que Riley entendeu errado a parte de ser fcil", Jane notou.
Bree balanou a cabea, parecendo aliviada por essa conversa ter tomado um curso no doloroso. Ela se sentou cuidadosamente. "Eu no sei o que aconteceu. Ns nos
separamos, mas os outros nunca voltaram. E Riley nos deixou, e no voltou pra nos ajudar como havia prometido. E a foi to confuso, e todo mundo estava em pedaos".
Ela estremeceu de novo. "Eu estava com medo. Eu queria fugir. Aquele al" - ela olhou pra Carlisle - "disse que no me machucaria se eu parasse de lutar".
"Ah, mas esse no era um presente a se oferecer, minha jovem", Jane murmurou, a voz dela estranhamente gentil agora. "Regras quebrdas pedem por uma consequncia".
Bree encarou ela, sem compreender.
Jane olhou pra Carlisle. "Voc tem certeza de que pegaram todos eles? A outra parte que se separou?"
O rosto de Carlisle estava muito calmo enquanto ele balanava a cabea. "Ns nos dividimos tambm".
Jane deu um meio sorriso. "Eu no posso negar que estou impressionada". As grandes sombras atrs dela murmuraram concordando. "Eu nunca v um grupo escapar intacto
dessa magnetude de ataque. Vocs sabem o que estava por trs disso? Esse parece ser um comportamente extremo, considerando a forma como vocs vivem aqui. E porque
a garota era a chave?" Os olhos dela descansaram em mim sem vontade por um breve segundo.
Eu estremec.
"Victoria queria vingana contra Bella" Edward disse a ela, sua voz estava impassiva.
Jane riu - o som era dourado, a risada borbulhante de uma criana feliz. "Essa a parece trazer fortes reaes bizarras queles da nosso espcie", ela observou,
sorrindo diretamente pra mim, o rosto dela beatfico.
Edward enrijeceu. Eu olhei pro rosto dele na hora de ver o rosto dele se virando, de volta pra Jane.
"Voc poderia por favor no fazer isso?", ele perguntou com uma voz apertada.
Jane riu levemente de novo. "S checando. Aparentemente, nenhum dano causado".
Eu estremec, profundamente grata que aquela estranha falha no meu sistema - que me protegeu de Jane na ltima vez que nos encontramos - ainda fazia efeito. Os braos
de Edward se apertaram ao me redor.
"Bem, aparentemente no tem muito mais que possamos fazer. Estranho" Jane disse, a apatia estava de volta  voz dela. "Ns no estamos acostumados a ser movidos
desnecessariamente. Que pena que ns perdemos a luta. Parece que ela teria sido uma coisa muito divertida de se assistir"
"Sim", Edward respondeu rapidamente, a voz dele afiada. "E vocs estavam to perto.  uma pena que vocs no chegaram meia hora adiantados. Talvez assim vocs tivessem
concluido o seu propsito aqui".
Jane encontrou os olhos de Edward e o olhar dela no vacilou. "Sim. Realmente uma pena a forma como as coisas acabaram, no ?"
Edward balanou a cabea uma vez pra s mesmo, as suspeitas dele estavam confirmadas.
Jane se virou pra olhar para a recm-nascida Bree de novo, o rosto dela estava completamente enfadado. "Felix?", ela chamou.
"Espere", Edward interviu.
Jane ergueu uma sobrancelha, mas Edward estava olhando pra Carlisle enquanto falava numa voz urgente. "Ns poderamos explicar as regras para a jovem. Ela no parece
estar sem vontade de aprender. Ela no sabia o que estava fazendo."
" claro", Carlisle respondeu. "Ns certamente estaramos preparados pra tomar a responsabilidade por Bree".
A expresso de Jane estava dividida entre diverso e descrena.
"Ns no fazemos excesses", ela disse. "E ns no damos segundas chances.  ruim para a nossa reputao. O que me lembra..." De repente, os olhos dela estavam em
mim de novo, e seu rosto de querubim sorridente. "Caius vai ficar to interessado em ouvir que voc ainda  humana, Bella. Talvez ele decia que vai fazer uma visita".
"A data est marcada" Alice disse a Jane, falando pela primeira vez. "Talvez a gente v visitar vocs em alguns meses"
O sorriso de Jane desapareceu, e ela ergueu os ombros com indiferena, sem nunca olhar pra Alice. Ela se virou pra olhar pra Carlisle. "Bom bom conhec-lo, Carlisle
- eu pensei que Aro estava exagerando. Bem, at nos vermos novamente..."
Carlisle balanou a cabea, a expresso dele estava doda.
"Cuide disso, Felix", Jane disse, acenando com a cabea na direo de Bree, a voz dela estava pingando de enfado. "Eu quero ir pra casa".
"No olhe", Edward sussurrou no meu ouvido.
Eu estava asniosa para seguir a instruo dele. Eu havia visto mais do que o suficiente por hoje - mais do que o suficiente por uma vida. Eu apertei os meus olhos
com fora e virei o meu rosto na direo do peito de Edward.
Mas eu ainda podia ouvir.
Houve um rosnado profundo, estrondoso, e a um barulho alto e estridente que era horrivelmente familiar. Aquele som se cortou rapidamente, e a o nico som era o
de coisas se quebrando e se partindo.
Edward esfregou as mo ansiosamente nos meus ombros.
"Venham", Jane disse, e eu olhei pra cima pra ver as costas dos altos mantos cinzas indo embora em direo  fumaa encaracolada. O cheiro de incenso ficou forte
de novo - fresco.
Os mantos cinzas desapareceram dentro da nvoa grossa.

25. tica
O balco no banheiro de Alice estava coberto com milhares de produtos diferentes, todos clamando embelezar a superfcie de uma pessoa. J que todo mundo nessa casa
era perfeito e impermevel, eu s podia presumir que ela havia comprado todas essas coisas comigo em mente. Eu l os rtulos entorpecidamente, golpeada pelo desperdcio.
Eu era cuidadosa pra nunca olhar no longo espelho.
Alice penteava o meu cabelo com movimentos lentos, ritmicos.
"Isso  suficiente, Alice", eu disse sem tom. "Eu quero voltar para La Push".
Quantas horas eu esperei at que Charlie finalmente deixasse a casa de Billy pra que eu pudesse ver Jacob? Cada minuto, sem saber se Jacob estava respirando ou no,
pareciam ser dez vidas inteiras. E a, quando eu finalmente fui permitida de ir, pra descobrir eu mesma se Jacob estava vivo, o tempo foi embora rpido demais. Eu
sent como se eu mal pudesse recuperar o flego antes que Alice estivesse ligando pra Edward, insistindo que eu mantivesse essa fachada ridcula da festa do pijama.
Isso parecia to insignificante...
"Jacob ainda est inconsciente", Alice respondeu. "Carlisle ou Edward vo ligar quando ele estiver acordado. De qualquer forma, voc precisa ir ver Charlie. Ele
estava l na casa de Billy, ele viu que Carlisle e Edward esto de volta da viagem, e ele pode comear a suspeitar quando voc chegar em casa".
Eu j tinha a minha histria memorizada e confirmada. "Eu no ligo. Eu quero estar l quando Jacob acordar".
"Voc precisa pensar em Charlie agora. Voc teve um dia longo - desculpa, eu sei que isso nem comea e descrever tudo - mas isso no significa que voc possa escapar
das suas responsabilidades" A voz dela estava sria, quase me repreendendo. "Agora  mais importante do que nunca que Charlie fique seguro no escuro. Faa o seu
papel primeiro, Bella, e a voc pode fazer o que voc quiser fazer em segundo lugar. Ser meticulosamente responsavel faz parte de ser um Cullen".
 claro que ela estava certa. E se no por essa mesma razo - uma razo que era mais poderosa do que todo o meu medo e dor e culpa - Carlisle nunca teria me convencido
a deixar o lado de Jacob, inconsciente ou no.
"V pra casa", Alice ordenou. "Fael com Charlie. Use o seu libi. Mantenha-o a salvo".
Eu fiquei de p, e o sangue correu para os meus ps, picando como se fossem milhares de furadas de agulha. Eu estive sentada na mesma posio por tempo demais.
"Esse vestido fica adorvel em voc", Alice arrulhou.
"Huh? Oh. Er - obrigada de novo pelas roupas" eu murmurei mais por cortesia do que por gratido de verdade.
"Voc precisa de evidncias" Alice disse, os olhos dela inocentes e grandes. "O que  uma viagem de compras sem uma roupa nova?  muito lisonjeador, se eu puder
dizer eu mesma".
Eu pisquei, incapaz de lembrar com o que ela havia me vestido. Eu no podia evitar que os meus pensamentos escapassem de mim a cada segundo, como insetos fugindo
da luz...
"Jacob est bem, Bella", Alice disse, interpretando a minha preocupao com facilidade. "No tem pressa. Se voc se desse conta da quantidade extra de morfina que
Carlisle teve que dar pra ele - com a temperatura dele diminuindo to rpido - voc saberia que ele vai ficar fora por uns tempos".
Pelo menos ele no estava sentindo dor. Ainda no.
"H alguma coisa sobre a qual voc queira conversar antes de ir embora?" Alice perguntou com simpatia. "Voc deve estar mais do que um pouco traumatizada".
Eu sabia sobre o que ela estava curiosa. Mas eu tinha outras perguntas.
"Eu vou ser daquele jeito?", eu perguntei, minha voz subjulgada. "Como aquela garota, Bree, na clareira?"
Haviam muitas coisas nas quais eu precisava pensar, mas eu no parecia conseguir tir-la da minha cabea, a recm-nascida cuja outra vida agora estava - abruptamente-
acabada. O rosto dela, contorcido com o desejo pelo meu sangue, ficou marcado atrs das minhas plpebras.
Alice alisou o meu brao. "Todo mundo  diferente. Mas algo parecido com aquilo, sim".
Eu estava muito imvel, tentando imaginar.
"Isso passa", ela prometeu.
"Quanto tempo?"
Ela levantou os ombros. "Alguns anos, talvez menos. Pode ser diferente pra voc. Eu nunca v isso acontecer com algum que j havia feito essa escolha com antecedncia.
Vai ser interessante ver como isso te afeta".
"Interessante", eu repet.
"Ns vamos manter voc longe dos problemas".
"Eu sei disso. Eu confio em vocs". A minha voz era um monotom, morta.
A testa de Alice enrugou. "Se voc est preocupada com Carlisle e Edward, eu tenho certeza que eles ficaro bem. Eu acredito que Sam esteja comeando a acreditar
em ns... bem, confiar em Carlisle, pelo menos. Isso  uma coisa boa tambm. Eu imagino que a atmosfera tenha ficado um pouco tensa quando Carlisle teve que re-quebrar
as fraturas -"
"Por favor, Alice".
"Desculpe".
Eu respirei fundo para me recompor. Jacob havia comeado a se curar rpido demais, e alguns dos seus ossos foram para os lugares errados. Ele esteve fora durante
o processo, mas mesmo assim era difcil nisso.
"Alice, posso te fazer uma pergunta? Sobre o futuro?"
Ela estava cautelosa de repente. "Voc sabe que eu no vejo tudo".
"No  isso, exatamente. Mas voc v o meu futuro, as vezes. Porque  que, na sua opinio, que nada funciona em mim? Nada do que Jane faz, ou Edward ou Aro..."
A minha frase desapareceu com o meu nvel de interesse. A minha curiosidade nesse ponto estava levitando, pesadamente dominada por outras emoes mais conflitantes.
Alice, no entanto, achou a pergunta muito interessante. "Jasper tambm, Bella - o talento dele funciona to bem em voc no seu corpo como no de todo mundo. Isso
 diferente, voc v? As habilidades de Jasper afetam o corpo fisicamente. Ele realmente acalma o seu sistema, ou o excita. No  uma iluso. E eu tenho vises de
coisas que vo acontecer, no as razes e os pensamentos por trs des decises que as criam. Esa fora da mente, tambm no  uma iluso;  realidade, ou pelo menos,
uma verso dela".
"Mas Jane e Edward e Aro e Demetri - eles trabalham dentro da mente. Jane apenas cria a iluso de dor. Ela no machuca o seu corpo de verdade, voc s acha que sente
isso. Voc v, Bella? Voc est segura dentro de sua mente. Ningum pode te alcanar a. No  de se admirar que Aro esteja to curioso sobre as suas habilidades
futuras".
Ela observou o meu rosto pra ver se eu estava acompanhando a lgica dela. Na verdade, as palavras dela comearam a correr juntas, as slabas e os sons perdendo seus
significados. Eu no conseguia me concentrar nelas. Mesmo assim, eu balancei a cabea. Tentando parecer que tinha entendido.
Ela no se deixou enganar. Ela alisou a minha bochecha e murmurou. "Ele vai ficar bem, Bella. Eu no preciso de uma viso pra saber disso. Voc est pronta pra ir?"
"Mais uma coisa. Posso te perguntar outra coisa sobre o futuro? Eu no quero coisas especficas, s uma avaliao".
"Eu farei o meu melhor", ela disse, em duvida de novo.
"Voc ainda consegue me ver virando uma vampira?"
"Oh, essa  fcil.  claro, eu consigo".
Eu balancei a minha cabea lentamente.
Ela examinou o meu rosto, seus olhos estavam insondveis. "Voc no conhece a sua prpria mente, Bella?"
"Eu conheo. Eu s queria ter certeza".
"Eu s tenho certeza enquanto voc tiver, Bella. Voc sabe disso. Se voc mudasse de idia, o que eu vejo iria mudar... ou desaparecer, no seu caso".
Eu suspirei. "No entanto, isso no vai acontecer".
Ela colocou os braos ao meu redor. "Eu lamento. Eu no consigo realmente enfatizar. A minha primeira memria  a de ver o rosto de Jasper no meu futuro; eu sempre
soube que ele era pra onde a minha vida seguia. Mas eu posso simpatizar. Eu lamento que voc tenha que escolher entre duas coisas boas".
Eu soltei os braos dela. "No sinta pena de mim". Haviam pessoas que mereciam simpatia. Eu no era uma delas. E no havia nenhuma escolha pra fazer - agora eu s
tinha que quebrar um corao. "Agora eu vou lidar com Charlie".
Eu dirig a minha caminhonete pra casa, onde Charlie estava esperando to suspeitosamente quanto Alice havia previsto.
"Hey, Bella. Como foi a viagem de compras?", ele me cumprimentou enquanto eu entrava na cozinha. Ele estava com os braos cruzados no peito, os olhos no meu rosto.
"Longa", eu disse estupidamente. "Ns acabamos de voltar".
Charlie examinou o meu humor. "Eu acho que voc j ouviu de Jacob, ento?'
"Sim. O resto dos Cullen nos encontrou em casa. Esme nos contou onde Carlisle e Edward estavam".
"Voc est bem?"
"Preocupada com Jake. Assim que eu fizer o jantar, eu vou at La Push".
"Eu te disse que aquelas motos eram perigosas. Eu espero que isso faa voc se dar conta de que eu no estava brincando".
Eu balancei a cabea enquanto comecei a tirar coisas do congelador. Charlie se sentou na mesa. Ele parecia estar num humor mais falante do que de costume.
"Eu no acho que voc precise se preocupar muito com Jake. Qualquer um que consiga xingar com toda aquela energia pode se recuperar".
"Jake estava acordado quando voc viu ele?", eu perguntei, me virando pra olhar para ele.
"Oh, , ele estava acordado. Voc devia ter ouvido ele - na verdade,  melhor que voc no tenha ouvido. Eu no acho que houvesse algum em La Push que no conseguisse
ouvir ele. Eu no sei onde ele arranjou aquele vocabulrio, mas eu espero que ele no tenho usado aquela linguagem perto de voc".
"Ele teve uma desculpa muito boa hoje. Como ele estava?"
"Acabado. Os amigos dele carregaram ele.  bom que eles sejam garotos grandes, porque aquele garoto  um bom peso. Carlisle disse que a perna direita dele est quebrada,
e o seu brao direito. Grande parte do seu lado direito foi esmagado quando ele caiu daquela maldio de moto", Charlie balanou a cabea. "Se eu ouvir algums coisa
sobre voc montando de novo, Bella -"
"Sem problemas, pai. Voc no vai. Voc realmente acha que Jake est bem?"
"Claro, Bella, no se preocupe. Ele era ele mesmo o suficiente pra zombar de mim".
"Zombar de voc?", eu perguntei, chocada.
" - entre insultar a me de algum e falar o nome de Senhor em vo, ele disse, "Aposto que hoje voc est feliz por ela amar um Cullen ao invs de mim, huh, Charlie?"
Eu virei de volta para o congelador pra que ele no visse o meu rosto.
"E eu no pude discutir. Edward  mais maduro do que Jacob quando se trata da sua segurana, eu tenho que admitir isso sobre ele".
"Jacob  bastante maduro", eu murmurei defensivamente. "Eu tenho certeza de que isso no foi culpa dele".
"Hoje foi um dia estranho", Charlie meditou depois de um minuto. "Sabe, eu no boto muita credibilidade nessa bobagem supersticiosa. mas foi estranho... Era como
se Billy soubesse que alguma coisa ruim ia acontecer com Jake. Ele estava nervoso feito um peru na manh de ao-de-graas. Eu no acho que ele tenha ouvido nada
que eu disse pra ele.
"E a, mais estranho ainda - se lembra de Fevereiro e Mero quando tivemos aqueles problemas com os lobos?"
Eu me abaixei pra pegar uma frigideira no armrio, e me escond l um segundo a mais ou dois.
"", eu murmurei.
"Eu espero que a gente no v ter mais problemas com aquilo de novo. Essa manh, ns estvamos no barco, e Billy no estava prestando ateno em mim e nem na pescaria,
quando, do nada, voc podia ouvir os lobos uivando na floresta. Mais do que um, e, garoto, aquilo foi alto. Parecia que eles estavam l mesmo no vilarejo. A parte
mais estranha foi, Billy voltou com o barco direto para o cais como se eles o estivessem chamando pessoalmente. Ele nem me ouviu perguntar a ele o que estava acontecendo.
"O barulho parou antes que ns atracssemos o barco. Mas, do nada, Billy estava na maior pressa pra no perder o jogo, apesar de que ainda tnhamos horas. Ele estava
murmurando alguma loucura sobre uma apresentao mais cedo... de um jogo ao vivo? Eu te digo, Bella, foi estranho.
"Bem, ns encontramos um jogo que ele disse que queria assistir, mas depois ele simplesmente o ignorou."
"Ele ficou no telefone o tempo inteiro, ligando pra Sue, e Emily, e o av do seu amigo Quil. Eu no consegu entender o que ele estava procurando - ele s estava
conversando com eles bem casualmente.
"Os uivos comearam de novo bem do lado de fora da casa. Eu nunca ouv nada parecido com aquilo - os meus braos ficaram arrepiados. Eu perguntei a Billy - eu tive
que gritar por causa do barulho - se ele tinha colocado armadilhas no quintal dele. Parecia que o animal estava passando por muita dor".
Eu gem, mas Charlie estava to entretido em sua histria que no me ouviu.
" claro que eu esquec sobre tudo isso at esse momento, porque foi nessa hora que Jake chegou em casa. O lobo ficou uivando por um minuto e voc j no podia mais
ouv-lo - os xingamentos de Jake abafaram o resto. Aquele garoto tem um belo par de pulmes."
Charlie parou por um minuto, seu rosto estava pensativo. "Engraado que alguma coisa boa tenha sido tirada dessa confuso toda. Eu no pensei que eles fossem esquecer
esse preconceito bobo que eles tm contra os Cullen por l. Mas algum ligou pra Carlisle, e Billy ficou muito agradecido quando ele apareceu. Eu achei que devamos
levar Jake para o hospital, mas Billy queria mant-lo em casa, e Carlisle concordou. Eu acho que Carlisle sabe o que  o melhor.  generoso da parte dele aceitar
receber tantas chamadas em casa".
"E..." ele pausou como se no estivesse com vontade de dizer alguma coisa. Ele suspirou, e a continuou. "E Edward foi muito... legal. Ele parecia estar to preocupado
com Jacob quanto voc estava - como se fosse um irmo dele que estivesse al. O olhar nos olhos dele..." Charlie balanou a cabea. "Ele  um cara decente, Bella.
Eu vou tentar me lembrar disso. No entanto, eu no prometo nada" Ele sorriu pra mim.
"Eu no vou te fazer prometer", eu murmurei.
Charlie esticou as pernas e gemeu. " bom estar em casa. Voc no acreditaria em quo lotada a casinha de Bily pode ficar. Sete dos amigos de Jake se espremeram
na sala da frente - eu mal podia respirar".
"Voc j reparou no quanto aqueles garotos Quileute so grandes?"
"Sim, j reparei".
Charlie me encarou, os olhos dele estavam mais focados abruptamente. "Srio, Bella, Carlisle disse que Jake vai estar de p e andando por a em breve. Ele disse
que parecia muito pior do que era na verdade. Ele vai ficar bem".
Eu s balancei a cabea.
Jacob parecia to... estranhamente frgil quando eu me apressei pra ir v-lo asism que Charlie foi embora. Ele estava com suspensrios em todo lugar - Carlisle disse
que no havia necessidade de gesso, j que ele estava curando to rpido. O rosto dele estava plido e abatido, profundamente inconsciente como ele estava na hora.
Quebrvel. Mesmo enorme como ele era, ele parecia muito quebrvel. Talvez tivesse sido s a minha imaginao, junto com o conhecimento de que eu teria que quebr-lo.
Se eu pudesse ser atingida por um relmpago e ser dividida em dois pedaos. Dolorosamente, de preferncia. Pelo primeira vez, desistir de ser humana pareceu ser
um verdadeiro sacrifcio. Como se houvessem muitas coisas para perder.
Eu coloquei o jantar de Charlie na mesa ao lado do cotovelo dele e fui para a porta.
"Er, Bella? Voc pode esperar s um segundo?"
"Eu esquec alguma coisa?", eu perguntei, olhando para o prato dele.
"No, no. Eu s... quero te pedir um favor", Charlie fez uma careta e olhou para o cho. "Sente-se - isso no vai demorar muito".
Eu sentei em frente a ele, um pouco confusa. Eu tentei me concentrar. "O que voc precisa, pai?"
" aqui que est a essncia disso, Bella", Charlie ficou corado. "Talvez eu s esteja me sentindo... supersticioso depois de ter ficado com Billy enquanto ele estava
agindo to estranho o dia inteiro. Mas eu tenho essa... sensao. Eu me sinto como se fosse... te perder em breve".
"No seja bobo, pai" eu murmurei me sentindo culpada. "Voc quer que eu v para a escola, no quer?"
"S me prometa uma coisa".
Eu estava hesitante, pronta pra rescindir. "Tudo bem..."
"Voc vai me contar antes de fazer alguma coisa maior? Antes de fugir com ele ou alguma coisa assim?"
"Pai..." eu gem.
"Eu t falando srio. Eu no vou chutar o balde. S me d um aviso com antecedncia. Me d uma chance de te dar um abrao de adeus".
Vacilando mentalmente, eu levantei a minha mo. "Isso  bobagem. Mas, se isso te deixa feliz... Eu prometo".
"Obrigado, Bella", ele disse. "Eu te amo, guria".
"Eu te amo tambm, pai", eu toquei o ombro dele e me levantei da mesa. "Se voc precisar de alguma coisa, eu vou estar na casa de Billy".
Eu no olhei pra trs enquanto corria pra fora. Isso foi perfeito, exatamente o que eu precisava agora. Eu murmurei pra mim mesma no caminho pra La Push.
A Mercedes preta de Carlisle no estava na frente da casa de Billy. Isso era bom e ruim. Obviamente, eu precisava falar com Jacob a ss. E mesmo assim, eu desejava
poder segura a mo de Edward de alguma forma, como eu tinha feito antes, quando Jacob estava inconsciente. Impossvel. Mas eu sentia falta de Edward - parecia j
ter se passado muito tempo desde a minha tarde sozinha com Alice. Eu achava que isso tornava a minha resposta bastante bvia. Eu j sabia que eu no podia viver
sem Edward. Esse fato no ia tornar as coisas nem um pouco menos dolorosas.
Eu bat baixinho na porta da frente.
"Entre, Bella", Billy disse. O barulho da minha caminhonete era fcil de reconhecer.
Eu me deixei entrar.
"Hey, Billy. Ele est acordado?", eu perguntei.
"Ele se acordou a cerca de meia hora atrs, pouco antes do doutor ir embora. Eu acho que ele estava esperando por voc".
Eu vacilei, e a respirei fundo. "Obrigada".
Eu hesitei na porta do quarto de Jacob, sem ter certeza se eu devia bater. Eu decid dar uma olhadinha antes, esperando - como a covarde que eu era - que talvez
ele tivesse voltado a dormir. Eu sent que poderia usar mais alguns minutinhos.
Eu abr a porta e me inclinei pra dentro hesitantemente.
Jacob estava esperando por mim, seu rosto estava calmo e suave.
A aparncia desfigurada, abatida, tinha desaparecido, mas apenas um vazio cuidadoso estava em seu lugar. No havia nenhuma animao em seus olhos escuros.
Era difcil olhar nos olhos dele, sabendo que eu o amava. Isso fazia mais diferena do que eu teria pensado. Eu me perguntei se teria sido sempre assim to difcil
pra ele, todo esse tempo.
Gratamente, alguem o havia coberto com uma colcha. Era um alvio no precisar ver as extenses dos danos.
Eu entrei e fechei a porta baixinho atrs de mim.
"Oi, Jake", eu murmurei.
Ele no respondeu no incio. Ele olhou pro meu rosto por um longo momento. A, com algum esforo, ele rearrumou a sua expresso em um sorriso levemente zombeteiro.
", eu meio que pensei que seria assim". Ele surpirou. "Hoje definitivamente as coisas mudaram pra pior. Primeiro, eu escolh o pior lugar, perd a melhor luta,
e Seth ficou com toda a glria. Depois Leah ficou agindo feito uma idiota pra provar que era to durona quanto o resto de ns e eu tive que ser o idiota que salvou
ela. E agora isso". Ele fez um gesto com a mo esquerda na minha direo onde eu hesitei na porta.
"Como voc est se sentindo?", eu murmurei. Que pergunta idiota.
"Um pouco chapado. O Dr. Presa no tem certeza de quanta medicao eu preciso, ento ele est na base da tentativa e erro. Eu acho que ele se excedeu".
"Mas voc no est sentindo dor".
"No. Pelo menos, eu no consigo sentir os meus ferimentos", ele disse, dando um sorriso de zombaria de novo.
Eu mord o meu lbio. Eu nunca ia conseguir fazer isso. Porque ningum tentava me matar quando eu queria morrer?
O humor torto desapareceu do rosto dele, e os olhos dele se aqueceram. A testa dele enrugou, como se ele estivesse preocupado.
"E quanto a voc?", ele perguntou, realmente parecendo preocupado. "Voc est bem?"
"Eu?", eu encarei ele. Talvez ele tivesse tomado drogas demais. "Porque?"
"Bem, eu quero dizer, eu estava certo de que ele no iria te machucar de verdade, mas eu no tinha certeza do quo ruim ia ser. Eu meio que estive ficando louco
de preocupao com isso desde que eu acordei. Eu no sabia se voc teria permisso pra fazer uma visita ou algo assim. O suspense foi terrvel. Como  que foi? Ele
foi mau com voc? Eu lamento se foi ruim. Eu no queria que voc tivesse que passar por isso sozinha. Eu estava pensando que estaria l..."
Eu levei um minuto pra entender. Ele continuou tagarelando, parecendo mais e mais desajeitado, at que eu entend o que ele estava dizendo. A eu me apressei pra
reassegur-lo.
"No, no, Jake! Eu estou bem. Bem demais, na verdade.  claro que ele no foi mau.
Bem que eu queria!"
Os olhos dele se arregalaram com o que parecia ser horror. "O que?"
"Ele nem ficou com raiva de mim - ele nem ficou com raiva de voc! Ele  to altrusta que isso faz com que eu me sinta ainda pior. Eu queria que ele tivesse gritado
comigo ou coisa assim. No  como se eu no merecesse... bem, coisa muito pior do que s gritarem comigo. Mas ele no se importa. Ele s quer que eu seja feliz".
"Ele no ficou com raiva?", Jacob perguntou, incrdulo.
"No. Ele foi... gentil demais".
Jacob me encarou por outro minuto, e a de repente ele fez uma careta. "Bem, droga!", ele rosnou.
"Qual  o problema, Jake? Est doendo?" As minhas mos flutuaram inutilmente enquanto eu procurava pelos medicamentos dele.
"No", ele murmurou com um tom enojado. "Eu no consigo acreditar nisso! Ele nem te deu um ultimato ou alguma coisa assim?"
"Nem perto - o que h de errado com voc?"
Ele fez uma careta e balanou a cabea. "Eu meio que estava contando com a reao dele. Dane-se tudo. Ele  melhor do que eu pensava".
O jeito que ele disse isso, apesar de ser mais raivoso, me fez lembrar do tributo que Edward havia feito  falta de tica de Jacob essa manh na tenda. O que significava
que Jake ainda estava tendo esperanas, ainda estava lutando.
Eu gem quando essa faca se aprofundou mais.
"Ele no est jogando nenhum jogo, Jake", eu disse baixinho.
"Pode apostar que ele est. Ele est jogando to duro quanto eu, s que ele sabe o que est fazendo e eu no. No me culpe por ele ser um manipulador melhor que
eu - eu no estive na ativa a tanto tempo pra aprender todos os truques dele".
"Ele no est me manipulando!"
"Sim, ele est! Quando  que voc vai acordar e se dar conta de que ele no  to perfeito quanto voc pensa?"
"Pelo menos ele no ameaou se matar pra que eu o beijasse", eu disparei. Assim que as palavras tinham sado, eu corei de pesar. "Espere. Finja que isso no escapuliu.
Eu jurei pra mim mesma que no falaria nada sobre isso".
Ele respirou fundo. Quando ele falou, ele estava mais calmo. "Porque no?"
"Porque eu no vim aqui pra te culpar por nada".
"Contudo,  verdade", ele disse uniformemente. "Eu fiz isso".
"Eu no ligo, Jake. Eu no estou com raiva"
Ele sorriu. "Eu tambm no ligo. Eu sabia que voc ia me desculpar, e eu estou feliz por ter feito aquilo. Eu faria de novo. Pelo menos eu tenho isso. Pelo menos
eu te fiz ver que voce me ama. Isso valeu alguma coisa".
"Valeu? Isso  realmente melhor do que se eu ainda no soubesse nada?"
"Voc no acha que voc devia saber como se sente - s pra que voc no seja pega de surpresa quando j for tarde demais e voc estiver casada com um vampiro?"
Eu balancei a minha cabea. "No - eu no quis dizer melhor pra mim. Eu quis dizer melhor pra voc. Isso torna as coisas melhores ou piores pra voc, me fazer saber
que eu estou apaixonada por voc? J que isso no faz diferena do mesmo jeito. No teria sido melhor, mais fcil pra voc, se eu nunca tivesse descoberto?"
Ele estudou a minha pergunta to seriamente quanto eu esperava, pensando cuidadosamente antes de responder. "Sim, eu acho melhor que voc saiba", ele decidiu finalmente.
"Se voc no tivesse descoberto... eu sempre me perguntaria se a sua deciso teria sido diferente da que foi. Agora eu sei. Eu fiz tudo o que podia". Ele inspirou
o ar instavelmente, e fechou os olhos.
Dessa vez eu no resist - no consegu resist - a necessidade de confort-lo. Eu cruzei o quarto pequeno e me ajoelhei ao lado da cama dele, com medo de sentar
na cama com medo de empurr-lo e machuc-lo, e me inclinei pra tocar a minha testa na bochecha dele.
Jacob suspirou e colocou a mo dele no meu cabelo, me segurando l.
"Eu lamento, Jake".
"Eu sempre soube que isso seria difcil. No  culpa sua, Bella".
"Voc tambm no", eu gem. "Por favor".
Ele se afastou pra olhar pra mim. "O que?"
" minha culpa. E eu estou cansada que me digam que no ".
Ele sorriu. O sorriso no tocou os olhos dele. "Voc quer que eu te jogue na brasa?"
"Na verdade... eu acho que quero".
Ele torceu os lbios enquanto media o quo srio eu estava falando. Um sorriso apareceu brevemente no rosto dele, e a ele distorceu sua expresso em uma careta
feroz.
"Me beijar de volta daquele jeito foi indesculpvel" Ele cuspiu as palavras e mim. "Se voc sabia que ia dar pra trs, talvez voc no devesse ter sido to convincente".
Eu gem e balancei a cabea. "Eu sinto muito".
"Sentir muito no melhora as coisas, Bella. O que voc estava pensando?"
"Eu no estava", eu sussurrei.
"Voc devia ter me dito pra ir e morrer.  isso que voc quer".
"No, Jacob", eu choraminguei, lutando contra as lgrimas que se acumulavam. "No! Nunca".
"Voc no est chorando?", ele quis saber, de repente a voz dele estava de volta ao tom normal. Ele se mexeu impacientemente na cama.
"" , eu murmurei, rindo fracamente de mim mesma atravs das lgrimas que de repente eram soluos.
Ela trocou seu peso, jogando a sua perna boa pra fora da cama como se ele fosse tentar ficar de p.
"O que voc est fazendo?", eu perguntei atravs das lgrimas.
"Deite, seu idiota, voc vai se machucar!" eu pulei pra ficar de p e empurrei o ombro dele com as duas mos.
Ele se rendeu, se enconstando de novo com um gemido de dor, mas ele agarrou a minha cintura e mepuxou de volta para a cama, contra o lado bom dele. Eu fiquei curvada
l, tentando abafar os soluos bobos contra a pele quente dele.
"Eu no acredito que voc est chorando", ele murmurou. "Voc sabe que eu s disse aquelas coisas porque voc queria que eu dissesse. Eu no quis diz-las" Ele esfregou
a mo no meu ombro.
"Eu sei" eu respirei fundo, atormentada, tentando me controlar. Como  que acabou sendo eu que estava chorando e ele que estava me confortando? "Contudo, isso tudo
 verdade. Obrigada por dizer em voz alta".
"Eu ganho pontos por te fazer chorar?"
"Claro, Jake', eu tentei sorrir. "Quantos voc quiser".
"No se preocupe, Bella, querida. Tudo vai dar certo".
"Eu no vejo como", eu murmurei.
Ele deu um tapinha em cima da minha cabea. "Eu vou desistir e ser bonzinho".
"Mais jogos?", eu me perguntei, levantando o meu queixo pra poder ver ele.
"Talvez", ele riu com um pouco de esforo, e a suspirou. "Mas eu vou tentar".
Eu fiz uma careta.
"No seja to pessimista", ele reclamou. "Me d um pouco de crdito".
"O que voc quer dizer com 'ser bonzinho'?"
"Eu vou ser seu amigo, Bella", ele disse baixinho. "Eu no vou pedir por mais do que isso".
"Eu acho que  tarde demais pra isso, Jake. Como  que ns podemos ser amigos, quando ns amamos um ao outro desse jeito?"
Ele olhou para o teto, seu olhar estava atento, como se ele estivesse lendo alguma coisa que estivesse escrita l. "Talvez... essa ter que ser uma amizade a longa
distncia".
Eu apertei os meus dentes, feliz por ele no estar olhando para o meu rosto, lutando contra os soluos que ameaavam tomar conta de mim de novo. Eu precisava ser
forte, e eu no tinha idia de como...
"Voc sabe aquela histria na Biblia?" Jacob perguntou de repente, ainda lendo o teto vazio."Aquela sobre o rei e as duas mulheres brigando por um beb?"
Claro. Rei Salomo".
"Isso mesmo. Rei Salomo", ele repetiu. "E ele disse, cortem a criana no meio... mas era s um teste. S pra ver quem desistiria de sua metade pra proteger a criana".
"Sim, eu lembro".
Ele olhou de volta para o meu rosto. "Eu no vou mais te cortar no meio, Bella".
Eu entend o que ele estava dizendo. Ele estava dizendo que me amava mais, que a desistncia dele provava isso. Eu queria defender Edward, dizer a Jacob que Edward
faria a mesma coisa se eu quisesse, se eu o deixasse fazer. Era eu que no queria renunciar  minha reinvidicao sobre ele. Mas no havia necessidade de comear
uma discusso que s o magoaria mais.
Eu fechei os olhos, desejando a mim mesma que controlasse a dor. Eu no ia impor isso a ele.
Ele ficou quieto por um momento. Ele parecia estar esperando que eu dissesse alguma coisa; eu estava tentando pensar em alguma coisa pra dizer.
"Posso te dizer qual  a pior parte disso?", ele perguntou hesitantemente quando eu no disse nada. "Voc se importa? Eu vou ser bonzinho".
"Isso vai ajudar?", eu sussurrei.
"Pode ser. No pode machucar".
"Ento, qual  pior parte?"
"A pior parte  saber o que teria sido".
"O que poderia ter sido". Eu suspirei.
"No", Jacob balanou a cabea. "Eu sou exatamente certo pra voc, Bella. Teria sido fcil pra ns - confortvel, fcil como respirar. Eu era o caminho natural que
a sua vida teria tomado..." Ele olhou para o espao por um momento, e eu esperei. "Se o mundo fosse do jeito que devia ser, se no houvessem monstros e nem magia..."
Eu podia ver o que ele via, e eu sabia que ele estava certo. Se o mundo fosse o lugar so que devia ser, Jacob e eu teramos ficado juntos. E ns teramos sido felizes.
Ele era a minha alma gmea nesse mundo - e ainda teria sido a minha alma gmea se ele no tivesse sido obscurecido por algo mais forte, uma coisa to forte que no
podia existir no mundo racional.
Ser que havia isso pra Jacob tambm? Alguma coisa que trunfasse uma alma gmea? Eu tinha que acreditar que sim.
Dois futuros, duas almas gmeas... demais pra uma pessoa s. E era muito injusto que eu no fosse a nica a pagar o preo por isso. A dor de Jacob era um preo alto
demais. Vacilando com o pensamento do preo, eu me perguntei se teria tomado outro caminho, se Edward no tivesse ido embora. Se eu no soubesse como era viver sem
ele. Eu no tinha certeza. Aquele conhecimento era uma parte muito profunda de mim, e eu no conseguia imaginar como me sentiria sem ela.
"Ele  como uma droga pra voc, Bella" A voz dele aindaera gentil, nem um pouco crtica. "Eu vejo que voc no consegue viver sem ele agora.  tarde demais. Mas
eu teria sido mais saudvel pra voc. No uma droga; eu teria sido o ar, o sol".
O canto da minha boca virou pra cima em um meio sorriso saudoso. "Eu costumava pensar em voc desse jeito, sabe. Como o sol. Meu sol particular. Voc equilibrava
bem as nuvens pra mim".
Ele suspirou. "Das nuvens eu posso cuidar. Mas eu no posso lutar com um eclipse".
Eu toquei o rosto dele, descansando a minha mo na bochecha dele. Ele exalou sob o meu toque e fechou os olhos. Tudo ficou muito quieto. Por um minuto, eu pude ouvir
as batidas do corao dele, lentas e uniformes.
"Me diga qual  a por parte pra voc", ele sussurrou.
"Essa pode ser uma m idia"
"Por favor"
"Eu acho que vai doer".
"Por favor?"
Como eu podia negar alguma coisa a ele nesse ponto?
"A pior parte..." eu hesitei, e a deixei as palavras flurem, numa fonte de verdade. "A pior parte  que eu v a coisa toda - a nossa vida inteira. Eu queria muito,
Jake, eu queria tudo. Eu quero ficar bem aqui e no me mover nunca. Eu quero te amar e te fazer feliz. E eu no posso, e isso est me matando.  como Sam e Emily,
Jake - eu nunca tive uma escolha. Eu sempre soube que nada mudaria. Talvez fosse por isso que eu lutei tanto contra voc".
Ele pareceu estar se concentrando em respirar uniformemente.
"Eu sabia que no devia ter dito isso".
Ele balanou a cabea lentamente.
"No. Eu estou feliz que voc tenha dito. Obrigado", ele beijou o topo da minha cabea, e a suspirou. "Eu vou ser bonzinho agora".
Eu olhei pra cima, e ele estava sorrindo.
"Ento, voc vai se casar, huh?"
"Ns no temos que falar sobre isso".
"Eu gostaria de saber alguns dos detalhes. Eu no sei quando vou falar com voc de novo".
Eu tive que esperar por um minuto antes de falar. Quando eu tinha absoluta certeza de que a minha voz no ia se partir, eu respond a pergunta dele.
"No foi minha idia de verdade... mas, sim. Significa muito pra ele. Eu me pergunto, porque no?"
Jake balanou a cabea dele. " verdade. No  uma coisa to grande - em comparao'.
A voz dele estava muito calma, muito prtica. Eu encarei ele, curiosa pra saber como ele estava se virando, e isso arruinou tudo. Ele encontrou meus olhos por um
segundo, e a virou a cabea dele. Eu esperei pra falar at que a respirao dele estava sob controle.
"Sim. Em comparao", eu concordei.
"Quanto tempo ns ainda temos?"
"Isso depende de quanto tempo Alice leva pra organizar um casamento", eu suprim um gemido, imaginando o que Alice faria.
"Antes ou depois?", ele perguntou baixinho.
Eu sabia o que ele queria dizer. "Depois".
Ele balanou a cabea. Isso era um alvio pra ele. Eu imaginei quantas noites de insnia o pensamento da minha formatura havia dado a ele.
"Voc est assustada?", ele sussurrou.
"Sim", eu sussurrei de volta.
"Do que voc tem medo?" Agora eu mal podia ouvir a voz dele. Ele estava olhando para as minhas mos.
"Muitas coisas" Eu trabalhei pra deixar a minha voz mais leve, mas continuei honesta.
"Eu nunca fui muito masoquista, ento, eu no estou muito ansiosa pela dor. E eu queria que houvesse alguma forma de manter ele longe - eu no quero que ele sofra
comigo, mas eu no acho que haja outro jeito. Tambm h Charlie, e Rene... E a depois, eu espero ser capaz de me controlar cedo. Talvez eu seja uma ameaa to
grande que o bando vai ter que me destruir".
Ele me olhou com uma expresso desaprovadora. "Eu daria uma paralisia a qualquer um dos meus irmos que tentasse".
"Obrigada".
Ele sorriu sem vontade. A ele fez uma careta. "Mas isso no  mais perigoso que isso? Em todas as histrias, eles dizem que  difcil demais... eles perdem o controle...
as pessoas morrem..." Ele engoliu seco.
"No, eu no estou com medo disso. Jacob bobo - voc no sabe que no deve acreditar em histrias de vampiros?"
Ele obviamente no apreciou a minha tentativa de humor.
"Bem, de qualquer jeito, muita coisa pra se preocupar. Mas no fim, vale a pena".
Ele balanou a cabea sem vontade, e eu sabia que no tinha jeito de ele concordar comigo.
Eu estiquei o meu pescoo pra sussurrar no ouvido dele, descansando a minha bochecha contra a pele quente dele. "Voc sabe que eu te amo".
"Eu sei", ele respirou, os braos dele se apertando automaticamente ao redor da minha cintura. "Voc sabe o quanto eu queria que isso fosse suficiente".
"Sim".
"Eu sempre estarei esperando dos lados, Bella", ele promereu, deixando seu tom leve e afrouxando os braos. Eu me afastei com uma sensao entorpecente, arrastada,
de perda, sentindo a separao rasgante enquanto eu deixava uma parte de mim para trs, l na cama ao lado dele. "Voc sempre vai me ter como segunda opo se quiser".
Eu fiz um esforo pra sorrir. "At que o meu corao pare de bater".
Ele sorriu de volta. "Sabe, eu acho que ainda vou aceitar voc - talvez. Eu acho que vai depender do quanto voc vai feder".
"Eu devo voltar pra te ver? Ou voc preferiria que eu no viesse?"
"Eu vou pensar nisso e te avisar",ele disse. "Eu posso precisar de companhia pra evitar ficar louco. O vampiro cirurgio extraordinrio disse que eu no posso me
transformar at que ele diga que est tudo bem - isso pode estragar a forma como os meus ossos esto arrumados". Jacob fez uma cara.
"Seja bonzinho e faa o que Carlisle disser pra fazer. Voc mais melhorar mais rpido".
"Claro, claro".
"Eu me pergunto quando vai acontecer", eu disse. "Quando a garota certa vai te chamar a ateno".
"No tenha grandes esperanas, Bella" A voz de Jacob estava amarga de repente. "Apesar de que eu estou certo de que isso seria um alvio pra voc".
"Talvez, talvez no. Eu provavelmente vou achar que ela no  boa o suficiente pra voc. Eu me pergunto o quo ciumenta eu vou ser".
"Essa parte pode ser meio divertida", ele admitiu.
"Me avise quando voc quiser que eu volte, e eu estarei aqui", eu promet.
Com um suspiro, ele virou a bochecha na minha direo.
Eu me inclinei e beijei o rosto dele suavemente. "Te amo, Jacob"
Ele riu levemente. "Te amo mais".
Ele me observou sair do quarto dele com uma expresso insondvel em seus olhos pretos.

26- Necessidades
Eu no fui muito longe antes que fosse impossvel dirigir.
Quando eu no podia mais enxergar, eu deixei os meus pneus encontrarem o acostamento o rolarem lentamente at pararem. Eu me joguei no banco e deixei que a fraqueza
que eu tinha lutado no quarto de Jacob se apoderasse de mim. Foi pior do que eu pensava - isso me surpreendeu. Sim, eu tinha estado certa de esconder isso de Jacob.
Ningum devia ver isso.
Mas eu no fiquei sozinha por muito tempo - s exatamente o tempo necessrio pra Alice me ver aqui, e depois os poucos minutos que levaram at que ele chegasse l.
A porta se abriu, e ele me puxou para os seus braos.
No incio foi pior. Porque havia aquela menor parte de mim - menor, mas ficando mais alta e mais raivosa a cada minuto, gritando com o resto de mim - que desejava
um par diferente de braos. Depois houve culpa fresca pra sancionar a dor.
Ele no disse nada, s me deixou soluar at que eu comecei a dizer o nome de Charlie.
"Voc realmente est pronta pra voltar pra casa?", ele perguntou duvidosamente.
Eu consegui dizer, depois de algumas tentativas, que eu no ia ficar melhor muito cedo. Eu precisava passar por Charlie antes que fosse tarde suficiente pra ele
ligar pra Billy.
Ento, ele me levou pra casa - pela primeira vez nem chegando perto do limite de velocidade da minha caminhonete - mantendo um brao ao meu redor com fora. O caminho
inteiro, eu lutei pra ter controle. Parecia ser um esforo intil no comeo, mas eu no desist. S alguns segundos, eu disse a mim mesma. S o tempo para algumas
deculpas, algumas mentiras, e a eu podia ter um ataque de novo. Eu tinha que ser capaz de fazer isso. Eu vasculhei a minha cabea, procurando desesperadamente por
uma reserva de fora.
S havia suficiente pra que eu aquietasse os soluos - segura-los, mas no acabar com eles. As lgrimas no diminuiram. Eu no parecia conseguir encontrar controle
suficiente pra sequer comear a trabalhar com essas.
"Espere por mim l em cima", eu murmurei quando ns estvamos na frente de casa.
Ele me abraou mais paetado por um minuto, e depois ele desapareceu.
Quando dentro, eu fui direto para as escadas.
"Bella?", Charlie chamou no seu lugar de sempre no sof quando eu passei.
Eu me virei pra olhar pra ele sem falar. Os olhos dele se arregalaram, e ele se lanou pra ficar de p.
"O que aconteceu?  Jacob...?", ele quis saber.
Eu balancei a minha cabea furiosamente, tentando encontrar a minha fora. "Ele est bem, ele est bem." eu promet, minha voz baixa e rouca. A Jacob estava bem,
fisicamente, que era com o que Charlie estava preocupado no momento.
"Mas o que aconteceu?" ele agarrou os meus ombros, os olhos dele ansiosos e grandes. "O que aconteceu com voc?"
Eu devia estar pior do que eu tinha imaginado.
"Nada, pai, eu... s tive que falar com Jacob... algumas coisas que foram difceis. Eu t bem".
A ansiedade se acalmou, e foi substituda pela desaprovao.
"Ser que essa era mesmo a melhor hora?" ele perguntou.
"Provavelmente no, pai, mas eu no tinha alternativas - eu simplesmente cheguei em um ponto em que eu precisava escolher... As vezes, no tem como manter o compromisso".
Ele balanou a cabea lentamente. "Como foi que ele lidou com isso?"
Eu no respond.
Ele olhou pro meu rosto por um minuto, e a balanou a cabea. Aquela devia ser resposta suficiente.
"Eu espero que voc no tenha estragado a recuperao dele".
"Ele se cura rpido", eu murmurei.
Charlie suspirou.
Eu podia sentir o controle desaparecendo.
"Eu vou estar no meu quarto", eu disse a ele, levantando os ombros embaixo das mos dele.
"T", Charlie concordou. Ele provavelmente conseguia ver as cascatas comeando a funcionar. Nada assustava Charlie mais do que lgrimas.
Eu fiz o caminho para o meu quarto, cega e tropeando.
Uma vez dentro, eu lutei com o abridor da minha pulseira, tentando abr-la com os dedos tremendo.
"No, Bella", Edward sussurrou, capturando as minhas mos. "Isso  parte de quem voc ".
Ele me puxou para o bero dos seus braos e os soluos ficaram livres de novo.
O mais longo dos dias parecia estar se esticando mais e mais. Eu me perguntei se ele ia acabar um dia.
Mas, apesar da noite ter se passado implacavelmente, no foi a pior noite da minha vida. Eu tirei conforto disso. E eu no estava sozinha. Havia uma boa quantidade
de conforto nisso tambm.
O medo de Charlie de descontroles emocionais evitou que ele viesse me checar, apesar de eu no ter ficado quieta - ele provavelmente no dormiu mais que eu.
A minha compreenso tardia parecia insuportavelmente clara essa noite. Eu podia ver cada erro que eu havia cometido, cada dano que eu havia causado, as coisas pequenas
e as coisas grandes. Cada dor que eu havia causado a Jacob, cada ferida que eu havia dado a Edward, foram aumentando em pilhas organizadas que eu no podia ignorar
e nem negar.
Eu eu me dei conta de que estive errada o tempo inteiro sobre os ims. No eram Edward e Jacob que eu estava tentando forar a ficarem juntos, eram as duas partes
de mim mesma, a Bella de Edward e a Bella de Jacob. Mas elas no podiam existir juntas, e eu nunca devia ter tentado.
Eu havia causado tanto dano.
Em algum ponto da noite, eu me lembrei da promessa que havia feito a mim mesma essa manh - que eu nunca faria Edward ver vertendo outra lgrima por Jacob. Esse
pensamento trouxe uma rodada de histeria que assustou Edward mais do que a choradeira. Mas isso passou tambm, quando teve que passar.
Edward disse pouco; ele s me segurou na cama e me deixou arruinar a camisa dele, pingando de gua salgada.
Levou mais tempo do que eu esperava para aquela parte menor de mim, a parte quebrada, chorar tudo. Aconteceu, no entanto, e eventualmente eu fiquei exausta o suficiente
pra dormir. A inconsciencia no trouxe alvio completo da dor, s uma calma entorpecida, como se fosse um medicamento. A tornou mais suportvel. Mas ela ainda estava
l; eu estava consciente dela, mesmo adormecida, e isso me ajudou a fazer os ajustes que eu precisava fazer.
A manh trouxe consigo, se no uma perspectiva mais clara, pelo menos uma medida de controle, alguma aceitao. Instintivamente, eu soube que a nova lgrima do meu
corao sempre doeria. Isso simplesmente seria uma parte de mim agora. O tempo faria ser mais fcil - isso era o que todo mundo sempre dizia. Mas eu no me importava
se o tempo me curasse ou no, contanto que Jacob pudesse melhorar. Pudesse ser feliz de novo.
Quando eu acordei, no havia nenhuma desorientao. Eu abr meus olhos - finalmente secos - e encontrei o olhar ansioso dele.
"Hey", eu disse. Minha voz estava rouca. Eu limpei a minha garganta.
Ele no respondeu. Ele me observou, esperando que aquilo comeasse.
"No, eu estou bem", eu promet. "Aquilo no vai acontecer de novo".
Os olhos dele se estreitaram com as minhas palavras.
"Eu lamento que voc tenha que ter visto isso", eu disse. "Aquilo no foi justo com voc".
Ele colocou as mos dos dois lados do meu rosto.
"Bella... voc tem certeza? Voc fez a escolha certa? Eu nunca v voc sofrendo tanto -" A voz dele se partiu na ltima palavra.
Mas eu j havia conhecido dor pior.
Eu toquei os lbios dele. "Sim".
"Eu no sei..." A sobrancelha dele se contraiu. "Se isso te machuca tanto, como  que pode ser a coisa certa pra voc?"
"Edward, eu sei que eu no posso viver sem".
"Mas..."
Eu balancei a minha cabea. "Voc no entende. Voc pode ser corajoso o suficiente ou forte o suficiente pra viver sem mim, se isso for para o melhor. Mas eu nunca
poderia me auto-sacrificar desse jeito. Eu tenho que estar com voc.  a nica forma de que poder viver".
Eu ainda parecia estar duvidando. Eu nunca devia ter deixado ele ficar comigo na noite passada. Mas eu tinha precisado tanto dele...
"Me passa aquele livro, por favor?", eu perguntei, apontando por cima do ombro dele.
As sobrancelhas dele se juntaram de confuso, mas ele o deu pra mim rapidamente.
"Isso de novo?", ele perguntou.
"Eu s queria encontrar essa parte da qual eu me lembrei... pra ver como ela disse..." Eu passei as pginas do livro, encontrando facilmente a pgina que eu queria.
O canto estava parecendo uma orelha de cachorro pela quantidade de vezes que eu j tinha parado ali. "Cathy  um monstro, mas haviam algumas coisas que ela entendia
direito", eu murmurei. Eu l as linhas baixinho, eu grande parte pra mim mesma. "Se todo o resto perecesse, e ele permanecesse, eu deveria continuar a existir; se
todo o resto permanecesse, e ele fosse aniquilado, o universo se transformaria em um poderoso estranho", eu balancei a cabea, de novo pra mim mesma. "Eu sei exatamente
o que ela quer dizer. Eu sei quem eu no posso viver sem".
Edward pegou o livro das minhas mos e o atirou atravs do meu quarto - ele caiu com um leve thud na minha mesa. Ele passou os braos ao redor da minha cintura.
Um sorriso iluminou o seu rosto perfeito, apesar de que ainda havia uma linha de preocupao na testa dele. "Heathcliff tambm teve seus momentos",ele disse. Ele
no precisou do livro pra dizer as palavras com perfeio. Ele me puxou mais pra perto em seus braos e sussurrou no meu ouvido. "'Eu no posso viver a minha vida!
Eu no posso viver sem a minha alma!"
"Sim", eu disse baixinho. " disso que eu estou falando".
"Bella, eu no consigo aguentar que voc esteja infeliz. Talvez..."
"No, Edward. Eu fiz uma verdadeira baguna com as coisas, e eu vou ter que viver com isso. Mas eu sei o que eu quero e o que eu preciso... e o que eu vou fazer
agora."
"O que ns vamos fazer agora?"
Eu r um pouquinho com a correo dele, e a suspirei. "Ns vamos ver Alice".
Alice estava no topo das escadas da varanda, hiperativa demais pra esperar do lado de dentro. Ela parecia a ponto de comear a fazer uma dana de celebrao, de
to excitada que eu estava com a notcia que eu estava l pra dar.
"Obrigada, Bella!", ela cantou assim que ns samos da caminhonete.
"Espere, Alice", eu avisei a ela, levantando uma mo pra parar a alegria dela. "Eu tenho algumas limitaes pra voc".
"Eu sei, eu sei, eu sei. Eu s tenho at treze de Agosto no mximo, voc tem poder de veto na lista dos convidados, e se eu exagerar em alguma coisa, voc nunca
mais vai falar comigo de novo".
"Oh, ok. Bem, . Ento, voc sabe as regras".
"No se preocupe, Bella, ser perfeito. Voc quer ver o seu vestido?"
Eu tive que respirar fundo algumas vezes. Qualquer coisa que deixar ela feliz, eu disse pra mim mesma.
"Claro".
O sorriso de Alice era presumido.
"Um, Alice?", eu disse, me mantendo casual, um tom tranquilo na minha voz. "Quando foi que voc me comprou um vestido?"
Isso provavelmente no era bem um show. Edward apertou a minha mo.
Alice guiou o caminho pra dentro, indo direto para as escadas. "Essas coisas levam tempo, Bella", Alice explicou. "Quer dizer, eu no tinha certeza de que as coisas
acabariam desse jeito, mas havia uma distinta possibilidade..."
"Quando?", eu perguntei de novo.
"Perrine Bruyere tem uma lista de espera, sabe", ela disse, agora na defensiva. "Obras primas dos tecidos no acontecem da noite pra o dia. Se eu no tivesse me
adiantado, voc estaria usando um trapo qualquer!"
No parecia que eu ia conseguir uma reposta direta. "Per - quem?"
"Ele no  o maior disigner, Bella, ento no precisa dar um piti. No entanto, ele  uma promessa, e  especialista no que eu precisava".
"Eu no estou dando piti".
"No, no est" Ela olhou meu rosto calmo com suspeita. A, enquanto entravamos no quarto dela, ela se virou pra Edward.
"Voc - fora".
"Porque?", eu quis saber.
"Bella", ela gemeu. "Voc sabe as regras. Ele no pode ver o vestido at o dia".
Eu respirei fundo de novo. "Isso no importa pra mim. E voc sabe que ele j o viu em sua cabea. Mas se  assim que voc quer..."
Ela empurrou Edward de volta pela porta. Ele nem olhou pra ela - os olhos dele estavam em mim, cautelosos, com medo de me deixar sozinha.
Eu balancei a cabea, esperando que a minha expresso estivesse tranquila o suficiente pra reassegurar ele.
Alice fechou a porta no rosto dele.
"Tudo bem!", ela murmurou. "Vamos".
Ela agarrou o meu pulso e me puxou para o closet dela - que era maior do que o meu quarto - e me arrastou at o canto do fundo, onde uma bolsa de artigo de vesturio
tinha uma prateleira s pra s.
Ela abriu o zper da bolsa num movimento rpido, e depois o escorregou cuidadosamente no cabide. Ela deu um passo pra trs, segurando a mo na direo do vestido
como se fosse uma apresentadora de um game show.
"Bem?", ela perguntou sem flego.
Eu avaliei por um longo momento, brincando com ela um pouco. A expresso dela ficou preocupada.
"Ah", eu disse, e sorr, deixando ela relaxar. "Eu vejo".
"O que voc acha?", ela quis saber.
Era a minha viso de Anne of Green Gables de novo.
" perfeito,  claro. Exatamente certo. Voc  um gnio".
Ela sorriu. "Eu sei".
"Mil novecentos de dezoito?", eu adivinhei.
"Mais ou menos", ela disse, balanando a cabea. "Um pouco dele  meu design, a trena, o vu..." Ela tocou o cetim branco enquanto falava. "O lao  um vintage.
Voc gosta?"
" lindo.  exatamente certo pra ele".
"Mas  certo pra voc?", ela insistiu.
"Sim, eu acho que , Alice. Eu acho que  exatamente o que eu estava precisando. Eu sei que voc far um trabalho timo com isso... se voc puder se controlar".
Ela se irritou.
"Posso ver o seu vestido?', eu perguntei.
Ela piscou, seu rosto confuso.
"Voc no encomendou o seu vestido de dama-de-honra ao mesmo tempo? Eu no quero a minha madrinha vestindo algum trapo", eu fing estremecer de horror.
Ela jogou os braos ao redor da minha cintura. "Obrigada, Bella!"
"Como  que voc no conseguiu enxergar isso?", eu zombei, beijando o seu cabelo espetadinho. "Bela psquica voc !"
Alice danou de volta, e o rosto dela estava brilhando com excitao fresca. "Eu tenho tanto pra fazer! V brincar com Edward. Eu tenho um trabalho a fazer".
Ela saiu correndo do quarto, gritando, "Esme!" enquanto desaparecia.
Eu segu no meu prprio passo. Edward estava esperando por mim no corredor, encostado na parede forrada de madeira.
"Aquilo foi muito, muito legal da sua parte", ele disse pra mim.
"Ela parece feliz", eu concordei.
Ele tocou o meu rosto; os olhos dele - escuros demais, j fazia tanto tempo desde que ele havia me deixado - vasculharam a minha expresso minunciosamente.
"Vamos sair daqui", ele sugeriu de repente. "Vamos para a nossa clareira".
Parecia bastante tentador. "Eu acho que no preciso mais me esconder, preciso?"
"No. O perigo est atrs de ns".
Ele estava quieto, pensativo, enquanto corria. O vento batia no meu rosto, mais quente agora que a tempestade realmente havia passado. As nuvens cobriam o cu, do
jeito que faziam sempre.
A clareira hoje era um lugar pacfico, feliz. Remendos das margaridas de vero interrompiam a grama com tons de branco e amarelo. Eu me deitei, ignorando a leve
sujeira no cho, e olhei para as figuras nas nuvens. Eles eram macias demais, uniformes demais. Sem figuras, s um cobertos macio, cinza.
Edward deitou ao meu lado e segurou a minha mo.
"Treze de Agosto?", ele perguntou casualmente depois de alguns minutos de um silncio confortvel.
"Isso me d um ms at o meu aniversrio. Eu no queria chegar to perto".
Ele suspirou. "Esme  trs anos mais velha que Carlisle - tecnicamente. Voc sabia disso?"
Eu balancei a minha cabea.
"Isso no fez diferena pra eles".
A minha voz estava serena, um contraponto com a ansiedade dele. "A minha idade realmente no  to importante. Edward, eu estou preparada. Eu escolh a minha vida
- agora eu quero comear a viv-la".
Ele alisou o meu cabelo. "O veto da lista de convidados?"
"Eu realmente no ligo, mas eu... " eu hesitei, sem querer explicar isso. Era melhor acabar logo com isso. "Eu no tenho certeza de que Alice sentiria a necessidade
de convidar... alguns lobisomens".
"Eu no sei se... Jake sentiria... que ele devia vir. Como se essa  a coisa certa a fazer, ou que os meus sentimentos se magoariam se ele no viesse. Ele no devia
ter que passar por isso".
Edward ficou quieto por um minuto. Eu olhei para o topo das rvores, quase pretas contra o cinza leve do cu.
De repente, Edward me pegou pelo pulso e me puxou para o peito dele.
"Me diga porque voc est fazendo isso, Bella. Porque voc decidiu, agora, dar liberdade total  Alice?"
Eu repeti pra ele a conversa que tinha tido com Charlie na noite passada antes de ir ver Jacob.
"No seria justo manter Charlie de fora disso", eu conclu. "E isso significa Rene e Phil. Eu posso muito bem deixar Alice se divertir tambm. Talvez a coisa toda
seja mais fcil pra Charlie se ele tiver uma despedida apropriada. Se ele acha que  cedo demais, eu no vou querer roubar dele a chance de me levar pela igreja",
eu fiz uma careta com as palavras, a respirei fundo de novo. "Pelo menos a minha me e o meu pai e os meus amigos vo saber da melhor parte da minha escolha, a
parte que eu tenho permisso de contar pra eles. Eles sabero que eu escolhi voc, e eles sabero que estamos juntos. Eles sabero que eu estou feliz, onde quer
que eu esteja. Eu acho que isso  o melhor que eu posso fazer por eles".
Edward segurou o meu rosto, procurando por um breve momento.
"O acordo est acabado", ele disse abruptamente.
"O qu?", eu asfixiei. "Voc est dando pra trs? No!"
"Eu no estou dando pra trs, Bella. Eu ainda vou manter o meu lado da barganha. Mas voc fica fora disso. O que voc quiser, nada de correntes".
"Porque?"
"Bella, eu vejo o que voc est fazendo. Voc est tentando deixar todas as outras pessoas felizes. E eu no me importo com os sentimentos de mais ningum. Eu s
preciso que voc seja feliz. No se preocupe em dar as notcias a Alice. Eu vou cuidar disso. Eu prometo que ela no vai fazer com que voc se sinta culpada".
"Mas eu -"
"No. Voc vai fazer isso do seu jeito. Porque do meu jeito no funciona. Eu te chamo de teimosa, mas olha s o que eu fiz. Eu fiquei colado com essa minha obstinao
idiota da minha idia do que era melhor pra voc, apesar de que isso s te machucou. Te machucou to profundamente, de novo e de novo. Eu no confio mais em mim
mesmo. Voc pode ter a felicidade do seu jeito. O meu jeito est sempre errado. Ento" Ele mudou de posio embaixo de mim, enquandrando os ombros. "Ns vamos fazer
isso do seu jeito, Bella. Essa noite. Hoje. Quanto mais cedo melhor. Eu vou falar com Carlisle. Eu estava pensando antes que talvez, se ns te dssemos morfina suficiente,
no seria to ruim. Vale a pena tentar". Ele apertou os dentes.
"Edward, no -"
Ele colocou um dedo nos meus lbios. "No se preocupe, Bella, amor. Eu no esquec o resto dos seus pedidos".
As mos dele estavam no meu cabelo, os lbios dele se movendo suavemente - mas muito seriamente - contra os meus, antes que eu me desse conta do que ele estava dizendo.
O que ele estava fazendo.
No havia muito tempo pra agir. Se eu esperasse tempo demais, eu no seria capaz de me lembrar porque eu precisava par-lo. Eu j no conseguia respirar direito.
As minhas mos estavam apertando os braos dele, apertando mais ele contra mim, a minha boca se colou  dele e respondeu todas as perguntas no feitas que ele tinha
na cabea.
Eu tentei limpar a minha cabea, pra encontrar uma forma de falar.
Ele rolou gentilmente, me pressionando na grama.
Oh, deixa pra l! O meu lado menos noble exultou. A minha cabea estava cheia com a doura da respirao dele.
No, no, no, eu discut comigo mesma. Eu balancei a minha cabea, e a boca dele se moveu para o meu pescoo, me dando uma chance de respirar.
"Pare, Edward. Espere" A minha voz estava to fraca quanto a minha fora de vontade.
"Porque?", ele sussurrou na base da minha garganta.
Eu trabalhei pra colocar alguma resoluo no meu tom. "Eu no quero fazer isso agora".
"No quer?", ele perguntou, com um sorriso na voz. Ele moveu seu lbios de volta para os meus, e falar ficou impossvel. Calor correu pelas minha veias, queimando
a minha pele onde ela tocava a dele.
Eu me fiz ficar concentrada. Eu tive que me esforar bastante s pra libertar as minhas mos do cabelo dele, pra mov-las para o peito dele. Mas eu consegu. E ai
eu empurrei ele, tentando afast-lo. Eu no podia conseguir sozinha, mas ele respondeu como eu sabia que iria.
Ele se afastou alguns centmetros de mim pra me olhar, e os olhos dele no fizeram nada alm de ajudar na minha resoluo. Eles eram um fogo negro. Eles estavam
chamuscando.
"Porque?", ele perguntou de novo, a voz dele estava baixa e spera. "Eu amo voc. Eu te quero. Agora mesmo".
As borboletas no meu estmago flutuaram para a minha garganta. Ele se aproveitou da minha falta de fala.
"Espere, espere", eu tentei dizer atravs dos lbios dele.
"No por mim", ele murmurou em discordncia.
"Por favor?", eu ofeguei.
Ele gemeu, e se empurrou pra longe de mim, rolando de volta para as suas costas.
Ns dois ficamos l deitados por um minuto, tentando diminuir as nossas respiraes.
"Me diga porque no, Bella" ele quis saber. " melhor que isso no seja sobre mim".
Tudo no meu mundo era sobre ele. Que coisa boba pra ele esperar.
"Edward, isso  muito importante pra mim. Eu vou fazer isso do jeito certo".
"A definio de quem do que  certo?"
"A minha".
Ele rolou pra se equilibrar no cotovelo e me encarou, a expresso dele estava desaprovadora.
"Como voc vai fazer isso do jeito certo?"
Eu respirei fundo. "Com responsabilidade. Tudo na ordem certa. Eu no vou deixar Charlie e Rene sem a melhor resoluo que eu puder dar pra eles. E eu no vou negar
a diverso a Alice, j que eu vou ter um casamento do mesmo jeito. E eu vou me prender a voc de todas as formas humanas possveis, antes de te pedir que me torne
imortal. Eu vou seguir as regras, Edward".
"A sua alma  muito, muito mais que importante pra que eu brinque com ela. Voc no vai me fazer cair nessa".
"Eu aposto que eu poderia", ele murmurou, seus olhos queimando de novo.
"Mas voc no faria isso", eu disse, tentando manter o meu nvel de voz. "No sabendo que isso  o que eu realmente preciso".
"Voc no luta justo", ele acusou.
Eu sorri pra ele. "Eu nunca disse que lutava justo".
Ele sorriu de volta, saudoso. "Se voc mudar de idia..."
"Voc vai ser o primeiro a saber", eu promet.
Bem nessa hora a chuva comeou a pingar das nuvens, algumas gotas espordicas faziam leves thuds quando atingiam a grama.
Eu olhei para o cu.
"Eu vou te levar pra casa" Ele limpou as pequenas gotculas de gua das minhas bochechas.
"Chuva no  um problema", eu murmurei. "Ela s significa que est na hora de fazer uma coisa que ser muito desagradvel e que possivelmente ser altamente perigosa".
Os olhos dele se arregalaram em alarme.
" bom que voc seja a prova de balas" Eu suspirei. "Eu vou precisar daquele anel. Est na hora de contar a Charlie".
Ele riu da expresso no meu rosto. "Altamente perigoso", ele concordou. Ele riu de novo e colocou a mo no bolso do seu jeans. "Mas pelo menos no precisamos parar
no caminho".
Novamente ele escorregou o meu anel no seu lugar no terceiro dedo da minha mo esquerda.
Onde ele ia ficar - concebivelmente pelo resto da eternidade.

Eplogo - Escolha
Jacob Black
"Jacob, voc acha que isso vai demorar muito mais?", Leah quis saber. Impaciente. Chata.
Os meu dentes trincaram.
Como tido mundo no bando, Leah sabia de tudo. Ela sabia porque eu tinha vindo aqui - ao limite maior entre o cu e a terra e o mar.
Pra ficar sozinho. Ela sabia que era isso que eu queria. S ficar sozinho.
Mas mesmo assim, Leah estava forando a companhia dela a mim.
Alm de estar loucamente chateado, eu me senti presumido por um breve segundo. Porque eu nem sequer tive que pensar em controlar o meu
pensamento. Era fcil agoa, s uma coisa que eu fazia, natural. A neblina vermelha no cobria mais os meus olhos.
O calor no descia pela minha espinha. A minha voz estava calma enquanto eu respondia.
"Pule de um penhasco, Leah", eu apontei para aquele aos meus ps.
"Srio, guri" Ela me ignorou, se jogando em uma espreguiadeira no cho ao meu lado. "Voc no faz idia do quanto isso  duro
pra mim".
"Pra voc?" Eu levei um minuto pra acreditar que ela estava falando srio. "Voc tem que ser a pessoa mais auto-centrada do mundo, Leah.
Eu odiaria destruir o mundo de sonhos onde voc vive - aquele onde o solk orbita no lugar onde voc est - ento eu no vou dizer o quanto eu ligo pouco
pra qual seja o seu problema. V embora."
"S olhe pra isso pela minha perspectiva por um segundo, tudo bem?" ela continuou como se eu no tivesse dito nada.
Se ela estava atentando acabar com o meu humor, funcionou. Eu comecei a rir. Esse som doeu de maneiras estranhas.
"Pare de roncar e preste ateno", ela disparou.
"Se eu fingir que presto ateno, voc vai embora?", eu perguntei, olhando para a cicatriz permanente no rosto dela. Eu no tinha
mais certeza se ela tinha outras expresses.
Eu me lembrei dos tempos atrs quando eu costumava pensar que Leah era bonita, talvez at linda. Isso foi a um longo tempo atrs.
Agora ningum mais pensava assim. Exceto Sam. Ele nunca ia se perdoar.Como se fosse culpa dele que ela se tornou essa louca amarga.
A careta dela esquentou, como se ela pudesse adivinhar o que eu estava pensando. Provavelmente podia.
"Isso est me deixando doente, Jacob. Ser que voc pode imaginar o que isso  pra mim? Eu nem sequer gosto de Bella
Swan. E voc me fez sentir pesar por essa amante de sanguessuga como se eu estivesse apaixonada por ela tambm. Ser que voc pode ver onde
isso pode ser um pouco confuso? Eu sonhei que beijava ela na noite passada! O que diabos eu devo fazer sobre isso?"
"Eu me importo?"
"Eu no aguento mais estar na sua cabea! V se esquece ela! Ela vai se casar com aquela coisa. Ele vai transform-la em uma deles!
 hora de seguir em frente, garoto".
"Cala a boca", eu rosnei.
Seria errado devolver isso. Eu sabia. Eu estava mordendo a minha lngua. Mas ela ia lamentar se ela no fosse embora. Agora.
"Provavelmente ele vai mat-la, de qualquer jeito", Leah disse. Zombando. "Todas as histrias dizem que isso acontece com mais frequncia
do que no acontece. Talvez um funeral v ser um final melhor do que um casamento. Ha".
Dessa vez eu tinha que trabalhar. Eu fechei meus olhos e lutei com o gosto quente na minha boca. Eu empurrei e lutei contra o fogo que estava descendo
pelas minhas costas, lutando pra me manter inteiro enquanto o meu corpo tentava se dividir.
Quando eu estava sob controle de novo, eu encarei ela. Ela estava observando as minhas mos enquanto os tremores diminuiam.
Sorrindo.
Bela piada.
"Se voc est chateada por causa de uma confuso de gnero, Leah...", eu disse. Devagar, enfatizando cada palavra.
"Como  que voc acha que a gente gosta de olhar pra Sam pelos seus olhos? J  ruim o suficiente que Emily tenha que lidar
com a sua fixao. Ela no precisa do resto de ns na cola deles tambm".
Louca da vida como eu estava, eu ainda me sent culpado quando eu v o espasmo de dor que passou pelo corpo dela.
Ela ficou de p - pausando s pra cuspir na minha direo - e correu para as rvores, vibrando como se fosse um garfo se contorcendo.
Eu r sombriamente. "Voc perdeu".
Sam ia colocar o inferno em cima de mim por isso, mas valia a pena. Leah no ia me incomodar mais. E eu faria aquilo de novo
se tivesse a chance.
Porque as palavras dela ainda estavam l, se arranhando no meu crebro, a dor disso era to forte que eu mal podia respirar.
Eu no me importava muito se algum tivesse escolhido outra pessoa a mim. Essa agonia no era nada. Com essa agonia eu podia viver pro
resto da minha vida estpida, longa, esticada.
Mas me importava que ela estivesse desistindo de tudo - que ela estava deixando o seu corao parar e a sua pele virar gelo e a mente dela
se contorcer na cabea de algum predador cristalizado. Uma monstra. Uma estranha.
Eu teria pensado que no havia nada pior do que isso, nada mais doloroso no mundo inteiro.
Mas, se ele matasse ela...
De novo, eu tive que lutar com a raiva. Talvez, se no fosse por Leah, fosse bom deixar que o calor me transformasse
em uma criatura que conseguiria lidar melhor com isso. Uma criatura com instintos muito mais fortes do que as emoes humanas.
Um animal que no podia sentir a dor da mesma forma. Uma dor diferente. Uma variao, pelo menos. Mas Leah estava correndo agora,
e eu no queria compartilhar os pensamentos dela. Eu xinguei ela por baixo do meu flego pra usar isso como escapatria tambm.
A despeito de mim mesmo, minhas mos estavam tremendo. O que estava fazendo elas tremerem? Raiva? Agonia? Eu no certeza do que eu
estava lutando agora.
Eu tinha que acreditar que Bella sobreviveria. Isso pedia confiana - uma confiana que eu no queria sentir, a confiana na capacidade daquele
sugador de sangue de mant-la viva.
Ela devia ser diferente, e eu me perguntei como isso me afetaria. Seria o mesmo de que se ela estivesse morta, v-la l como uma pedra?
Como gelo? Ser que o cheiro dela queimaria as minhas narinas e desencadearia o instinto de destroar, de rasgar... Como seria isso?
Ser que eu poderia matar ela? Ser que eu poderia no querer matar um deles?
Eu observei as ondas rolando em direo  praia. Elas desapareciam de vista embaixo da beira do penhasco, mas eu ouvia elas batendo na areia.
Eu observei elas at que j era tarde, muito depois de escurecer.
Ir pra casa provavelmente era uma m idia. Mas eu estava com fome, e eu no podia pensar em outro plano.
Eu fiz uma cara quando passei o meu brao pela tipia retardada e peguei as minhas muletas. Se Charlie no tivesse me visto naquele dia e espalhado
histria de "acidente de moto". Suportes estpidos. Eu odiava eles.
Ficar com fome comeou a ficar com uma cara melhor quando eu entrei em casa e dei uma olhada na cara do meu pai. Ele estava com alguma coisa
em mente. Era fcil notar - ele sempre ficava exagerado. Agia todo casual.
Ele tambm falava demais. Ele estava tagarelando sobre o dia dele antes que eu chegasse na mesa. Ele nunca tagarelava assim a no ser que fosse uma
coisa que ele no queria dizer. Eu ignorei ele to bem quanto podia, me concentrando na comida. Quando mais rpido eu mastigasse ela...
"... E Sue apareceu hoje" A voz do meu pai estava alta. Difcil de ignorar. Como sempre. "Mulher incrvel. Aquela al,  mais durona que ursos pardos.
No entanto, eu no sei como ela lida com aquela filha dela. Agora Sue, ela sim teria dado uma tremenda loba. Leah se parece mais com wolverine".
Ele gargalhou da sua prpria piada.
Ele esperou brevemente pela minha resposta, mas no viu a minha expresso vazia, enfadada at onde no poder mais. Na maioria dos dias isso deixava
ele louco. Eu queria que ele calasse a boca sobre Leah. Eu estava tentando no pensar nela.
"Seth  muito mais fcil.  claro, voc tambm foi mais fcil que as suas irms, at que... bem, voc tem mais coisas com as quais lidar do que elas tiveram".
Eu suspirei, longa e profundamente, e olhei pra fora pela janela.
Billy ficou quieto por um segundo longo demais. "Ns recebemos uma carta hoje".
Eu podia notar que esse era o assunto que ele esteve evitando.
"Uma carta?"
Um... convite de casamento".
Todos os msculos do meu corpo se travaram. Uma pena de calor pareceu fazer ccegas nas minhas costas. Eu segurei a mesa pra manter minhas mos
estveis.
Billy continuou como se no tivesse percebido. "H um bilhete dentro que est endereado a voc. Eu no l".
Ele puxou um envelope grosso cor de marfim de onde ele havia sido enfiado entre a sua perna e a cadeira de rodas. Ele o colocou na mesa entre ns.
"Voc provavelmente no precisa ler isso. No importa muito o que ele diz".
Estpida psicologia reversa. Eu arranquei o envelope da mesa.
Era um papel pesado, um pouco rgido. Caro. Chique demais pra Forks. O carto dentro era o mesmo, tambm cuidado e formal.
Bella no tinha nada a ver com isso. No havia nenhum sinal de gosto pessoal nas camadas de pginas transparentes, ptalas-impressas.
Eu poderia apostar que ela no tinha gostado nem um pouco. Eu no l as palavras, nem sequer v a data. Eu no me importava.
Havia um pedao de papel marfim grosso dobrado no meio com o meu nome escrito  mo com uma tinta preta no fundo. Eu no reconhecia
a caligrafia, mas ela era to chique quanto o resto. Por meio segundo, eu me perguntei se o sugador de sangue estava se regozijando.
Eu o abr.
Jacob,
Eu estou quebrando as regras ao te mandar isso. Ela est com medo de te magoar, e ela no queria que voc se sentisse obrigado de forma alguma.
Mas eu sei que, se as coisas tivessem acontecido de outra forma, eu teria gostado de ter a escolha.
Eu prometo que tomarei conta dela, Jacob. Obrigado - por ela - por tudo.
Edward.
"Jake, ns s temos essa mesa", Billy disse, olhando para a minha mo esquerda.
Os meus dedos estavam agarrando a madeira com fora suficiente pra que ela realmente estivesse em perigo. Eu os soltei um a um, me concentrando
apenas nessa ao, e depois eu agarrei as minhas mos uma na outra pra que eu no pudesse quebrar nada.
", de qualquer jeito, no importa", Billy disse.
Eu me levantei da mesa, tirando a minha camisa enquanto me levantava. Esperanosamente, Leah j teria ido pra casa a essa hora.
"No  muito tarde", Billy murmurei enquanto eu socava a porta do meu caminho.
Eu j estava correndo antes de chegar nas rvores, as minhas roupas jogada atrs de mim como se fosse uma trilha de miolos - como se
eu quisesse encontrar o meu caminho de volta. Agora era quase demais me transformar. Eu no precisava pensar. O meu corpo j sabia pra
onde eu estava indo e, antes que eu pedisse por isso, ele me deu o que eu queria.
Agora eu tinha quatro pernas, e eu estava voando.
As rvores eram um borro se transformando num mar negro ao meu redor. Os meus msculos se contraam e se soltavam em um ritmo sem esforo.
Eu podia correr assim por dias e eu no ficaria cansado. Talvez, dessa vez, eu no fosse parar.
Mas eu no estava sozinho.
Eu lamento muito, Embry sussurrou na minha cabea.
Eu podia ver atravs dos olhos dele. Ele estava muito longe, ao norte, mas ele havia se virado e estava correndo pra se juntar a mim.
Eu rosnei e me empurrei mais para a frente.
Espere por ns, Quil reclamou. Ele estava mais perto, s observando do lado de fora do vilarejo.
Me deixem sozinho, eu rosnei.
Eu podia sentir a preocupao deles na minha cabea, e tentei muito me deixar mergulhar no som do vento e na floresta.
Isso era o que eu mais odiava - ver a mim mesmo pelos olhos deles, e era pior agora quando os olhos deles estavam cheios de pena.
Eles viram o dio, mas continuaram correndo atrs de mim.
Uma nova voz soou na minha cabea.
Deixem-o ir. O pensamento de Sam era suave, mas ainda era uma ordem. Embry e Quil diminuiram at que estavam andando.
Se eu apenas pudesse parar de ouvir, parar de ver o que eles viam. A minha cabea estava to lotada, mas a nica forma de ficar sozinho de novo
era ser humano, e eu no conseguia aguentar a dor.
Transformem-se de volta, Sam se dirigiu a eles. Eu vou te buscar, Embry.
Primeiro uma, depois a outra consciencia ficaram em silncio. Restou apenas Sam.
Obrigado, eu consegu pensar.
Volte pra casa quando puder. As palavras eram fracas, caindo no vazio enquanto ele ia embora tambm.
E eu estava sozinho.
Muito melhor. Agora eu podia ouvir o leve murmrio das folhas secas embaixo dos dedos dos meus ps, o sussurro das asas de uma
coruja acima de mim, o oceano - longe, longe  oeste - gemendo contra a praia. Ouvir isso, e nada mais. Sentir nada alm da velocidade,
nada alm dos msculos, tendes, e dos ossos, trabalhando juntos em harmonia enquanto os quilmetros desapareciam atrs de mim.
Se o silncio na minha cabea durasse, eu nunca mais voltaria. Eu no teria sido o primeiro a escolher essa forma a outra. Talvez, se eu corresse
pra longe o suficiente, eu nunca teria que ouvir de novo...
Eu forcei mais as minhas penas, deixando Jacob Black desaparecer atrs de mim.
FIM
